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Lit. Diogo Mendes (Rodrigo Pamplona)

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Academic year: 2021

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Lit.

Semana 15

Diogo Mendes

(Rodrigo Pamplona)

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Machado de

Assis

01. Resumo 02. Exercício de Aula 03. Exercício de Casa 04. Questão Contexto

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mai

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RESUMO

Joaquim Maria Machado de Assis é um dos maio-res nomes da literatura brasileira. De origem humil-de e mestiça, o carioca, gago e epiléptico, nasci-do no Morro nasci-do Livramento, atuou como jornalista, cronista, crítico, dramaturgo e poeta, superando os preconceitos através de seu inegável talento autodi-data. O primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras é o principal nome do Realismo brasileiro, mas sua obra deixou um legado para diferentes esti-los e gêneros literários.

No início de sua carreira, apostou em textos mais tradicionais e submetidos à estética romântica. Mais tarde, o Realismo se fez mais presente em suas obras: a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881. Sua extensa produção inspirou grandes nomes – como Olavo Bilac e Lima Barreto – e ainda inspira escritores contemporâneos.

Em 1855, publica o poema “Ela” e ingressa num mun-do mun-do qual nunca mais sairia: o das letras. Dono de um estilo original e reticente que transborda humor pessimista, ironia e profunda observação psicológi-ca de suas personagens, Machado presenteou nos-sa literatura com obras singulares. Como não se intrigar com o “defunto autor “ contando suas me-mórias póstumas? Como não se envolver com as questões psicoexistenciais e tendenciosas sobre um suposto triângulo amoroso? Machado é atemporal pela forma com a qual ele trata as questões em seus romances. Dentre as questões sem resposta que perpassam a existência da humanidade, uma delas foi trazida pelo autor: Capitu traiu Bentinho ou não? Leia um trecho do Capítulo I de Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado pela primeira vez em 1881:

Óbito do Autor

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro

lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas con-siderações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor de-funto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também con-tou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sex-ta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos , era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia - pe-neirava - uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no dis-curso que proferiu à beira de minha cova: —”Vós , que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a per-da irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.

Sugestões de leitura

✓ Memórias Póstumas de Brás Cubas (Romance) ✓ Dom Casmurro (Romance)

✓ A Carteira (Conto) ✓ A Cartomante (Conto) ✓ Pai contra mãe (Conto)

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TEXTOS DE APOIO

Texto 1

Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o con-traste dos interesses, a luta das cobiças obri-gam a gente a calar os trapos velhos, a disfar-çar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexa-me, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fos-so as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão

incomensurá-vel como o desdém dos finados.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas.

Texto 2

O almocreve

Vai então, empacou o jumento em que eu vinha mon-tado; fustiguei-o, ele deu dous corcovos, depois mais três, enfim mais um, que me sacudiu fora da sela, e com tal desastre, que o pé esquerdo me ficou pre-so no estribo; tento agarrar-me ao ventre do animal, mas já então, espantado, disparou pela estrada afo-ra. Digo mal: tentou disparar, e efetivamente deu dous saltos, mas um almocreve, que ali estava, acu-diu a tempo de lhe pegar na rédea e detê-lo, não sem esforço nem perigo. Dominado o bruto, desvencilhei--me do estribo e pusdesvencilhei--me de pé.

— Olhe do que vosmecê escapou, disse o

almocreve.

E era verdade; se o jumento corre por ali fora, con-tundia-me deveras, e não sei se a morte não estaria no fim do desastre; cabeça partida, uma congestão, qualquer transtorno cá dentro, lá se me ia a ciência em flor. O almocreve salvara-me talvez a vida; era positivo; eu sentia-o no sangue que me agitava o co-ração. Bom almocreve! enquanto eu tornava à cons-ciência de mim mesmo, ele cuidava de consertar os arreios do jumento, com muito zelo e arte. Resolvi dar-lhe três moedas de ouro das cinco que trazia co-migo; não porque tal fosse o preço da minha vida, -- essa era inestimável; mas porque era uma recompen-sa digna da dedicação com que ele me recompen-salvou. Está dito, dou-lhe as três moedas.

— Pronto, disse ele, apresentando-me a ré-dea da cavalgadura.

— Daqui a nada, respondi; deixa-me, que ainda não estou em mim...

— Ora qual!

— Pois não é certo que ia morrendo? — Se o jumento corre por aí fora, é possível; mas, com a ajuda do Senhor, viu vosmecê que não aconteceu nada.

Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bol-so trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre dia-bo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Por-tanto, uma moeda. Tirei-a, via-a reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao ju-mento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o «senhor doutor» podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.

— Olé! exclamei.

— Queira vosmecê perdoar, mas o diabo do bicho está a olhar para a gente com tanta graça... Ri-me, hesitei, meti-lhe na mão um cruzado em pra-ta, cavalguei o jumento, e segui a trote largo, um pou-co vexado, melhor direi um poupou-co incerto do efeito da pratinha. Mas a algumas braças de distância, olhei para trás, o almocreve fazia-me grandes cortesias, com evidentes mostras de contentamento. Adverti que

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devia ser assim mesmo; eu pagara-lhe bem, pa-gara-lhe talvez demais. Meti os dedos no bolso do colete que trazia no corpo e senti umas moedas de cobre; eram os vinténs que eu devera ter dado ao almocreve, em logar do cruzado em prata. Porque, enfim, ele não levou em mira nenhuma recompensa ou virtude, cedeu a um impulso natural, ao tempera-mento, aos hábitos do ofício; acresce que a circuns-tância de estar, não mais adeante nem mais atrás, mas justamente no ponto do desastre, parecia cons-tituí-lo simples instrumento de Providência; e de um ou de outro modo, o mérito do ato era positivamen-te nenhum. Fiquei desconsolado com esta reflexão, chamei-me pródigo, lancei o cruzado à conta das minhas dissipações antigas; tive (por que não direi tudo?), tive remorsos.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas.

Texto 3

BRÁS CUBAS...? VIRGÍLIA... BRÁS CUBAS... ... ... VIRGÍLIA...! BRÁS CUBAS... VIRGÍLIA... ...? ... ... ... BRÁS CUBAS... VIRGÍLIA... BRÁS CUBAS ... ... ...!...!... ...! VIRGÍLIA...? BRÁS CUBAS...! VIRGÍLIA...!

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas

Texto 4

Epitáfio

________________________ AQUI JAZ

D. EULÁLIA DAMASCENA DE BRITO MORTA

AOS DEZENOVE ANOS DE IDADE ORAI POR ELA!

__________

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas.

Texto 5

O epitáfio diz tudo. Vale mais do que se lhes narrasse a moléstia de Nhã-loló, a morte, o desespero da fa-mília, o enterro. Ficam sabendo que morreu; acres-centarei que foi por ocasião da primeira entrada da febre amarela. Não digo mais nada, a não ser que a acompanhei até o último jazigo, e me despedi triste, mas sem lágrimas. Concluí que talvez não a amasse deveras.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas

Texto 6

Crônica da abolição

Eu pertenço a uma família de profetas “après coup”1, “post factum”2, “depois do gato morto”, ou como me-lhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segun-da-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alfor-riar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

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Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cin-co pessoas, cin-conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

No golpe do meio (“coupe do milieu”3, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as idéias pregadas por Cristo há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a li-berdade era um dom de Deus que os homens não po-diam roubar sem pecado.

Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pe-gou de outra taça e pediu à ilustre assembléia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brin-dando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que es-tão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo. No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

— Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

— Oh! meu senhô! Fico.

— Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste

imensamen-te. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

— Artura não qué dizê nada, não, senhô...

— Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

— Eu vaio um galo, sim, senhô.

— Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anu-lar o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois es-tados naturais, quase divinos.

Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou ou-tro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele rece-be humildemente e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]

MACHADO DE ASSIS

Vocabulário:

1“après coup”: depois do golpe 2“post factum”: depois do fato

3“coupe do milieu”: o autor utiliza uma expressão inexistente em francês para mostrar a ignorância do personagem

EXERCÍCIOS DE AULA

1.

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, po-eta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janei-ro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negJanei-ro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentou o autodidata Machado de Assis.

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Li

t.

Considerando os seus conhecimentos sobre os gêneros textuais, o texto citado constitui-se de

a) fatos ficcionais, relacionados a outros de caráter realista, relativos à vida de um renomado escritor.

b) representações generalizadas acerca da vida de membros da sociedade por seus trabalhos e vida cotidiana.

c) explicações da vida de um renomado escritor, com estrutura argumentativa, destacando como tema seus principais feitos.

d) questões controversas e fatos diversos da vida de personalidade histórica, ressaltando sua intimidade familiar em detrimento de seus feitos públicos. e) apresentação da vida de uma personalidade, organizada sobretudo pela or-dem tipológica da narração, com um estilo marcado por linguagem objetiva.

Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pen durada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande sal-to, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.”

Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis Sobre o texto mostrado, pode-se dizer que:

a) o autor faz uma abordagem superficial da situação.

b) o autor preocupa-se com os detalhes, por meio de minuciosa descrição. c) o autor dá relevância a outras circunstân cias, negligenciando o foco do assunto. d) o autor não mostra preocupação com o discer nimento do leitor, pois apenas sugere situações.

e) contempla a si próprio, num ritual egocêntrico e narcisista.

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada me-nos. Meu pai logo que teve aragem dos quinze contos sobressaltou-se deve-ras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

— Dessa vez, disse ele, vais para Europa, vais cursar uma Universidade, pro-vavelmente Coimbra, quero-te homem sério e não arruador e não gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto:

— Gatuno, sim senhor, não é outra coisa um filho que me faz isso.”

Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas De acordo com essa passagem da obra, po de-se antecipar a visão que Machado de Assis tinha sobre as pessoas e sobre a sociedade. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

a) O amor é fruto de interesse e compõe o pilar das instituições hipócritas. b) O amor, se sincero, supera todas as barrei ras, inclusive as financeiras.

c) O caráter autoritarista moldava as relações familiares, principalmente entre pai e filho.

d) Havia medo de que a marginalidade envolvesse os jovens daquela época. e) O amor era glorificado e apontado como o único caminho para redimir as pessoas.

2.

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EXERCÍCIOS DE CASA

1.

2.

Texto para as questões 1 e 2

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Supos-to que o uso vulgar seja co meçar pelo nascimenSupos-to, duas considerações me le-varam a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; o segundo é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

“Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Essa é a abertura do famoso romance de Machado de Assis. Dentro desse con-texto, já dá para se ver o tipo de narrativa que será explorada. Assinale a alterna-tiva correta a esse respeito.

a) A narrativa decorre de forma cronologi camente correta, de acordo com a pas-sagem do tempo: infância, juventude, maturidade e velhice.

b) A linearidade das ações apresenta cenas de suspense, dado o comportamento inusi tado dos personagens.

c) Não há como prever o final da narrati va, já que seu enredo é, propositadamen-te, complicado.

d) A ação terá, como cenário, os diversos centros cosmopolitas do mundo. e) O autor usa o recurso do flashback devi do a sua intenção de iniciar o romance pelo “fim”.

Em relação à questão anterior, infere-se que a linguagem dispõe de um recurso enriquecedor: a disposição das palavras no espaço frasal. Sendo assim, que tipo de lei tura pode-se fazer dessas duas expressões: “autor defunto” e “defunto au-tor”?

a) A colocação da palavra defunto após a pa lavra autor leva-nos a pensar que o segundo elemento está em fase final de carreira.

b) Defunto autor remete à ideia de que a pessoa irá escrever suas memórias den-tro de um cemitério.

c) Ambas as expressões transmitem a mes ma ideia, com iguais valores semânticos. d) A expressão defunto autor aparece de forma metaforizada, original, privile-giando uma nova forma de narração autobiográfica.

e) Ambas as construções não têm expressão na obra biográfica de Machado de Assis.

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3.

A propósito de Dom Casmurro, de Machado de Assis, é correto afirmar:

a) A narrativa de Bento Santiago é comparável a uma acusação: aproveitando sua formação jurídica, o narrador pretende configurar a culpa de Capitu.

b) O artifício narrativo usado é a forma de diário, de modo que o leitor receba as informações do narrador à medida que elas acontecem, mantendo-se assim a tensão.

c) Elegendo a temática do adultério, o autor resgata o romantismo de seus pri-meiros romances, com personagens idealizadas entregues à paixão amorosa. d) O espaço geográfico e social representado é situado em uma província do Império, buscando demonstrar que as mazelas sociais não são prerrogativa da Corte.

e) Bentinho desejava a morte de Escobar (até tentou envenená-lo uma vez), a ponto de se sentir culpado quando o ex amigo morreu afogado.

Alguns estudiosos consideram que a publicação, em 1881, do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, marca o início do Realismo na literatura brasileira. Contudo, não é difícil perceber que esse livro já apresenta algumas características que serão desenvolvidas pela ficção moderna do século XX, principalmente

a) ironia com que o narrador-personagem descreve a hipocrisia dos costumes da burguesia brasileira, que constitui aquilo que se pode chamar de “moral de fachada”.

b) o caráter reflexivo da narrativa, que sempre procura entender o comporta-mento humano, mesmo naquilo que aparentemente ele tem de mais banal. c) o recurso a um tipo de ficção que questiona os limites entre o real e o irreal, já que o narrador do livro de Machado é um homem morto.

d) o humor, que pode ser tanto mais explícito, gerando narrativas próximas da comédia, quanto mais sutil, marcando um distanciamento crítico do autor diante das personagens.

e) o uso da metalinguagem, ou seja, o fato de o texto chamar a atenção para a sua própria construção, fazendo comentários acerca de si mesmo.

Quando comparamos a ficção romântica de José de Alencar com as obras realis-tas de Machado de Assis, é possível diferenciá-las em muitos pontos, tais como: I. A ficção romântica, em geral, termina com a união do casal no casamento (como em Senhora, em que a união do casal só se realiza no fim do livro), ao passo que a narrativa realista costuma terminar com a dissolução do casamento (como em Dom Casmurro).

II. Na ficção romântica, é visível que tudo gira em torno do sentimento amoroso (como em Senhora), mas na ficção realista o que se percebe é muito mais erotis-mo que aerotis-mor (coerotis-mo em Memórias póstumas de Brás Cubas, em que há o envol-vimento adúltero de Virgília e Brás Cubas).

III. Os protagonistas das obras românticas são muito virtuosos (como Peri em O Guarani), já os protagonistas das obras realistas são comuns (como em Dom Casmurro).

IV. As obras românticas são sempre localizadas no passado histórico (como em O Guarani), enquanto as realistas são invariavelmente localizadas no presente (como em Quincas Borba).

5.

4.

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Está(ão) correta(s) a) apenas I, II e III. b) apenas I, II e IV. c) apenas I e III. d) apenas II, III e IV. e) todas.

O capítulo I - ÓBITO DO AUTOR - e o último capítulo - DAS NEGATIVAS -, de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", fazem referências, respectivamente, a uma hesitação sobre a abertura pelo princípio ou pelo fim das memórias do de-funto autor, e a um saldo no balanço da vida. Considerando esses capítulos e utilizando informações de que você dispõe sobre o romance, é correto declarar que o narrador Brás Cubas

a) é um autor defunto que oniscientemente começa a narrar, pela morte, as me-mórias de amigos céticos e vaidosos, incluindo nesse narrar um balanço de sua própria história.

b) estrutura a narrativa de modo a principiá-la pelo fim, ou seja, pela morte, e vai, aos poucos até o final, revelando ao leitor a razão de um defunto autor se inte-ressar em escrever suas memórias.

c) é um autor defunto que relata seu enterro com grandeza, embora não deixe de confessar sua vida de fracassos, confirmados no último capítulo.

d) estrutura a narrativa de modo que o leitor siga a cronologia dos acontecimen-tos da vida do autor defunto, desde a sua morte até o nascimento.

e) é um autor defunto que relata a própria morte, narrando suas memórias a par-tir do nascimento, intercalando-as com reflexões psicológicas e finalizando-as com um pequeno saldo.

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01.

Exercício de aula

1. e 2. c 3. a

02.

Exercício de casa

1. e 2. d 3. a 4. e 5. a 6. b

GABARITO

Referências

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