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O tribunal é competente em razão da matéria, nacionalidade

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Cópias da sentença do 10.° Juízo Cível da Comarca de Lisboa e do acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa proferidos no processo de registo de modelo industrial n.° 26 945.

1 - Relatório.

Phillips Electronics, N. V., com sede na Holanda, in- terpôs recurso do despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial de 30 de Setembro de 1996 que concedeu o registo do mo- delo industrial n.° 26 945, máquina de barbear eléctrica, apresentado pela lzumi Products Company, apresentando as seguintes conclusões:

a) A recorrente tem registados os modelos industri- ais n.os 14527, 14 529, 14 530, 14 531, 15 566,.

17 958, 18 540, 21 141 e 23 052 relativos a má- quinas de barbear eléctricas;

b) Esses modelos são caracterizados essencialmen- te por uma cabeça triangular, com três séries de lâminas rotativas, encimando o corpo da má- quina;

c) O modelo industrial n.° 26 945 não é novo por copiar esses elementos característicos e não apre- senta aspecto geral distinto dos modelos apresen- tados pela recorrente, com os quais se confunde; d) Nas mesmas circunstâncias o serviço de patentes do Instituto Nacional da Propriedade industrial (INPI) já recusou, por sua própria iniciativa, os modelos industriais n.° 18 830 e 18 831;

e) O despacho recorrido deveria ter negado o regis- to em apreço, pois que, independentemente da intenção da respectiva requerente, esse registo lhe permite fazer concorrência desleal à recorrente; f) O referido pedido não foi objecto de um exame, consubstanciado num relatório com o parecer do examinador, tecnicamente fundamentado, forma- lidade essencial prevista no artigo 153.°, n.os 1 a 3, do Código da Propriedade Industrial (CPI), exame que não foi efectuado nem antes da pu- blicação no Boletim da Propriedade Industrial da menção da concessão do registo nem antes da prolação do despacho recorrido;

g) O despacho recorrido é de «Concordância», com fundamentação inexistente;

h) Tendo sido preterida a formalidade essencial do exame do pedido de registo do modelo industrial n.° 26 945 e tendo este sido concedido sem que tenha sido cumprido o dever legal de fundamen- tação, o respectivo título de propriedade indus- trial enferma da nulidade prevista no artigo 32.°, n.° 1, alínea b), do Código da Propriedade Indus- trial;

i) O despacho recorrido é ilegal e deverá ser decla- rado nulo, nos termos do artigo 31.°, n.° 2, alí- nea b), ex vi, do artigo 152.°, n.os 1 a 3, do CPI, e o registo do modelo industrial deverá ser re- cusado por este tribunal, de acordo com os arti- gos 25.°, n.° 1, alínea d), e 158.°, n.° 1, do mes- mo Código.

Respondeu o INPI, dizendo que as máquinas de bar- bear com a forma exterior da porção da cabeça tendo a face de barbear triangular com três lâminas exteriores é conhecida em todo o mundo desde os anos 60, pelo que a

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inovação deverá recair sobre a forma da porção do corpo da máquina, bem como na porção de ligação entre a por- ção da cabeça e a porção do corpo.

A fl. 194 o INPI refere que o modelo da Izumi apre- senta um aspecto geral distinto dos existentes.

Acrescenta que foi efectuado um exame com parecer do examinador, mas que o mesmo não foi enviado ao requerente, porque o código só exige que o INPI o faça se o modelo não corresponder às exigências legais, nos termos do artigo 154.°, n.° 1. E que desse relatório apenas constam as buscas efectuadas na classificação respectiva (tl. 201), não tendo sido encontradas nestas buscas qual- quer máquina que pudesse pôr em questão a novidade do ponto de vista geométrico ou ornamental do modelo n.° 26 945.

Contra-alegou a Izumi, formulando as seguintes con- clusões:

a) O modelo industrial n.° 26 945 constitui novi- dade em relação a qualquer outro modelo indus- trial já registado, por apresentar um conjunto de características de aspecto original e novo, apesar de algumas das suas características não serem no- vas;

b) A característica da cabeça triangular com três séries de lâminas rotativas já caiu no domínio público, podendo ser explorado por qualquer pessoa;

c) Os modelos industriais n.os 18 830 e 18 831, já anteriormente recusados, eram totalmente diferen- tes do modelo industrial n.° 26 945, não tendo este antecedente qualquer influência na decisão do INPI;

d) O consumidor consegue distinguir facilmente o uso do objecto protegido pelo modelo industrial n.° 26 945, não havendo a mínima possibilidade de confusão ou erro com os modelos industriais da recorrente, não sendo de aplicar o disposto no artigo 25.° do CPI;

e) O processo de exame e classificação foi efectua- do pelo INPI dentro das normas legais, tendo sido feita uma busca que permitiu determinar não existirem modelos confundíveis com o novo modelo industrial;

f) O despacho recorrido encontra-se devidamente fundamentado, não havendo qualquer vício de preterição de formalidade essencial.

O tribunal é competente em razão da matéria, naciona- lidade e hierarquia.

O processo é o próprio e não enferma de nulidades susceptíveis de o invalidar.

As partes têm personalidade e capacidade judiciárias e são legítimas.

Não se vislumbram quaisquer nulidades, excepções ou questões prévias de que cumpra conhecer.

2 - Fundamentos de facto.

Mostram-se assentes os seguintes factos:

2.1 - Em 19 de Junho de 1995 a sociedade japonesa Izumi Products Company apresentou ao INPI o pedido de registo de modelo industrial n.° 26 945, máquina de bar- bear eléctrica, que foi publicado no Boletim da Proprie- dade Industrial, n.° 3/96, de 28 de Junho.

2.2 - Por despacho da directora do Serviço de Paten- tes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, de 30 de Setembro de 1996, foi concedido o registo ao modelo industrial n.° 26 945, máquina de barbear, apresentado pela

Izumi Products Company, tendo sido aposta a referência de «Concordo» à proposta de concessão total, conforme certidão a fl. 104.

2.3 - A oposição apresentada pela recorrente foi jul- gada intempestiva.

2.4 - A recorrente tem registados os modelos indus- triais de máquina de barbear seguintes:

Modelo n.° 14 527, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980;

Modelo n.° 14 530, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980;

Modelo n.° 15 566, concedido por despacho no INPI de 23 de Maio de 1983;

Modelo n.° 17 958, concedido por despacho do INPI de 27 de Setembro de 1985;

Modelo n.° 18 540, concedido por despacho do INPI de 23 de Outubro de 1986;

Modelo n.° 21 141, concedido por despacho no INPI de 29 de Outubro de 1992;

Modelo n.° 23 052, concedido por despacho do INPI de 12 de Janeiro de 1993.

2.5 - Os modelos n.os 14 529, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980, e 14 531, concedido por despacho do INPI de 31 de Março de 1980, à Phillips caducaram por falta de pagamento das respectivas taxas, terminando o prazo para revalidação em 3 d e Janeiro de 1998, no primeiro caso, e em 31 de Março de 1998, no segundo.

2.6 - Os modelos da recorrente são os únicos regista- dos em Portugal para máquinas de barbear eléctricas que realizam a combinação dos seguintes elementos: cabeça triangular, três séries de lâminas circulares e rotativas e pega ou corpo de máquina.

2.7-A descrição apresentada pela Izumi no pedido de registo relativo ao modelo industrial n.° 26 945 é o seguin- te: «máquina de barbear eléctrica em que as porções da vizinhança dos pontos médios de ambos os lados do cor- po da máquina são ligeiramente encurvados para dentro e a parte restante dos lados é direita do topo até à parte inferior. Na superfície frontal do corpo da máquina pro- porciona-se uma porção rectangular longa longitudinalmen- te que apresenta um acabamento diferente da superfície em relação à parte restante do corpo da máquina. Tal corpo tem uma secção recta substancialmente de forma oval com superfícies laterais com áreas aproximadamente planas. Entre a cabeça e o corpo da máquina está presente um fole e o corpo tem a sua parte superior dobrada para a frente segundo um ângulo de cerca de 35 % em relação ao corpo. A extremidade superior da superfície traseira do corpo da máquina é suavemente encurvada para a frente» (fl. 110).

2.8 - A fl. 201 encontra-se um formuiário, datado de 30 de Outubro de 1995, donde consta que foram efectua- das buscas na classificação 28.ª, não tendo sido encontra- dos quaisquer desenhos/fotografias iguais ou confundíveis.

3 - Fundamentos de direito.

3.1 - Da delimitação do âmbito do recurso.

Impõe-se delimitar previamente qual o objecto deste processo: se o processo de declaração de nulidade ou anulação do registo, previsto nos artigos 32.° a 34.° do CPI, se o recurso do despacho do director do Serviço de Marcas.

Embora o recorrente tenha invocado o disposto no ar- tigo 32.°, n.° l, alínea a), do CPI, que comina como cau- sa de nulidade do registo a preterição de formalidades

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susceptíveis de pôr em causa o resultado final do proces- so, é inquestionável que o que se pretende impugnar é o despacho que indeferiu a sua reclamação e concedeu re- gisto a determinada marca, como resulta da parte final do seu requerimento de interposição de recurso.

Não está em causa a declaração de nulidade do título, mas tão-só a anulação do despacho sob recurso.

A circunstância de ter indicado indevidamente o artigo 32.° do CPI não releva por se tratar de questão de mera qualificação jurídica.

Por outro lado, e contrariamente ao pretendido na par- te final do recurso, não pode o tribunal recusar o registo do modelo industrial n.° 26 945.

No caso vertente, estamos perante um recurso conten- cioso, interposto nos termos dos artigos 38.° e seguintes do CPI.

Dispõe o artigo 6.° do Decreto-Lei n.° 129/84, de 27 de Abril, que, salvo disposição em contrário, os recursos contenciosos são de mera legalidade e têm por objecto a declaração de invalidade ou anulação dos actos adminis- trativos.

Como referem Ferreira Pinto e Guilherme da Fonseca, in Direito Processual Administrativo, 1.ª ed., p. 29, cita- dos pela recorrida, nos recursos de mera legalidade «o tribunal limita-se a declarar a invalidade do acto impug- nado, declarando-o nulo ou anulando-o, consoante a espé- cie de invalidado que se verifica, sem tirar quaisquer con- sequências da sua decisão, sendo à Administração que compete praticar depois os actos que forem necessários para a reintegração da legalidade violada. Contrapõe-se aos recursos de jurisdição plena em que o próprio tribunal procede à justa composição dos litígios que lhe são sub- metidos contra a resistência dos litigantes».

Estamos, pois, perante um recurso contencioso de um acto administrativo a interpor para os tribunais comuns por força do artigo 2.° do Decreto-Lei n.° 16/95, de 24 de Janeiro.

Assim, nem pode o tribunal revogar o acto - prerro- gativa que apenas à Administração cabe [artigo 142.° do Código do Procedimento Administrativo (CPA)] -, nem substituir-se ao órgão administrativo no exercício da sua competência.

Nessa conformidade, o tribunal irá apreciar se o acto re- corrível é anulável por vício de forma e de violação de lei, por ser este o alcance a atribuir à pretensão da recorrente.

3.2 - Da omissão do exame de novidade.

A omissão do exame de novidade foi invocada como fundamento de nulidade do título de registo, que não é objecto deste processo, como já se referiu.

Contrariamente ao afirmado pelo INPI, não foi efec- tuado o exame de novidade.

O documento junto a fl. 201 apenas refere que não foram encontrados processos com desenhos ou fotografias iguais ou confundíveis na classificação 28.ª

Tal circunstância, contudo, não projecta qualquer efei- to nos presentes autos.

O relatório de exame, previsto no artigo 154.° do CPI, está estabelecido no interesse do requerente do registo do modelo, uma vez que apenas se estabelece a obrigatorie- dade de envio do mesmo nos casos em que o pedido não satisfaça as exigências legais, sendo-lhes concedido um prazo de dois meses para suprir as deficiências e entregar os elementos em falta. A omissão desse exame não releva para a apreciação do objecto deste recurso, que é o des- pacho que concedeu o registo, e não a declaração de nu- lidade do título.

3.3 - Da falta de fundamentação do despacho que con- cedeu o registo.

O despacho que concedeu o registo não se encontra fundamentado, contrariamente ao que afirma a recorrida. O artigo 124.° do CPA estabelece os casos em que existe dever legal de fundamentação.

À falta de norma especial que imponha o dever de fun- damentação impõe-se apreciar se o caso vertente se en- quadra em alguma das alíneas do n.° 1 desse artigo.

A previsão da alínea a) fica excluída, porque se tratou de um acto de concessão total.

A da alínea b) não logra aplicação, por não se tratar de decisão de reclamação ou recurso.

Igualmente inaplicável é a alínea c), por não ter sido deduzida oposição (a oposição apresentada pela recorren- te foi declarada extemporânea, não tendo efeitos proces- suais).

A alínea d) não permite alicerçar o dever de fundamen- tação, porquanto a alegação de a Administração ter recu- sado dois pedidos de registo da recorrida não permite concluir que com o despacho sob recurso tenha havido uma inflexão na prática da Administração. Desde logo porque não estão comprovados nos autos os motivos des- sa recusa. Por outro lado, dois casos isolados são insufi- cientes para permitir descortinar uma prática habitual da Administração.

Finalmente, a alínea e) não se mostra igualmente apli- cável ao caso dos autos, por o despacho em causa não implicar revogação, modificação ou extinção de acto ad- ministrativo anterior.

Assim, não existindo dever legal de fundamentação, o despacho em causa não está inquinado por vício de forma decorrente de falta de fundamentação.

3.4 - Do mérito do recurso.

Por força do disposto no artigo 141.°, n.° 1, do CPI, só gozam de protecção legal os modelos ou desenhos novos ou os que, não o sendo inteiramente, realizem combina- ções novas de elementos conhecidos ou disposições dife- rentes de elementos já usados que dêem aos respectivos objectos aspecto geral distinto.

Constitui fundamento de recusa do registo, nos ter- mos do artigo 158.°, n.° 1, alínea b), a existência de registo anterior de modelo ou desenho confundível com o pedido.

Importa, pois, confrontar o modelo industrial cuja pro- tecção foi concedida com os modelos industriais da recor- rente, discriminados na matéria de facto, para saber se o aspecto geral da máquina de barbear correspondente ao modelo n.° 26 945, pertencente à lzumi, é suficientemente distinto do dos modelos pertencentes à Phillips.

E para tal não basta que haja combinações novas de elementos conhecidos: é necessário ainda que tais com- binações confiram um aspecto geral distinto ao novo modelo.

A realidade que nos ocupa não reside em saber se os modelos da Phillips estão vulgarizados ou não, como re- fere o INPI - a verdade é que lhes foi concedida protec- ção -, mas sim saber se o modelo da 1zumi é suficiente- mente inovador para merecer protecção legal.

A fl. 194 o INPI refere que o modelo da Izumi apre- senta um aspecto geral distinto dos existentes. Mas não é isso que resulta de uma observação aos diversos modelos. Analisado cada um individualmente, é muito difícil dis- tingui-los uns dos outros.

Do confronto dos diversos desenhos dos modelos, jun- tos aos autos, verifica-se que os mesmos são muito seme-

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Ihantes entre si, só sendo possível detectar diferenças atra- vés de um rigoroso exame de pormenor, pois quer o mo- delo da Izumi quer os modelos da Phillips se caracteri- zam pela forma exterior da porção da cabeça - triangular - com três lâminas exteriores e uma pega. A título meramente exemplificativo, por serem os de maior escala, confrontem-se os modelos a fls. 165 a 167, 170-1, e 174-7, pertencentes à Phillips, com o a fls. 107 e se- guintes, que está em causa nos presentes autos.

Qualquer consumidor médio teria dificuldade em dis- tinguir o modelo da Izumi dos modelos da Phillips.

4 - Decisão.

Termos em que, pelo exposto, anulo o despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial de 30 de Setembro de 1996 que concedeu o registo do modelo industrial n.° 26 945, má- quina de barbear eléctrica, por violação de lei.

Custas pela recorrida. Registe e notifique.

Oportunamente cumpra o disposto no artigo 44.° do CPI.

Lisboa, 5 de Janeiro de 1998 (após férias). - (Assina- tura ilegível.)

Acordam no Tribunal da Relação de Lisboa:

1 - Phillips Electronics, N. V., com sede na Holanda, interpôs recurso do despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial de 30 de Setembro de 1996 que concedeu o registo do mo- delo industrial n.° 26 945, máquina de barbear eléctrica, apresentado pela Izumi Products Company, apresentando as seguintes conclusões:

A recorrente tem registados os modelos industriais n.os 14 527, 14 529, 14 530, 14 531, 15 566, 17 958, 18 540, 21 141 e 23 052 relativos a má- quinas de barbear eléctricas;

Esses modelos são caracterizados essencialmente por uma cabeça triangular, com três séries de lâminas rotativas, encimando o corpo da máquina; O modelo industrial n.° 26 945 não é novo por co-

piar esses elementos característicos e não apresenta aspecto geral distinto dos modelos apresentados pela recorrente, com os quais se confunde. Respondeu o INPI, dizendo que as máquinas de bar- bear com a forma exterior da porção da cabeça tendo a face de barbear triangular com três lâminas exteriores é conhecida em todo o mundo desde os anos 60, pelo que a inovação deverá recair sobre a forma da porção do corpo da máquina, bem como na porção de ligação entre a por- ção da cabeça e a porção do corpo.

A fl. 194 o INPI refere que o modelo da Izumi apre- senta um aspecto geral distinto dos existentes.

Acrescenta que foi efectuado um exame com parecer do examinador, mas que o mesmo não foi enviado ao requerente, porque o Código só exige que o INPI o faça se o modelo não corresponder às exigências legais, nos termos do artigo 154.°, n.° 1. E que desse relatório apenas constam as buscas efectuadas na classificação respectiva (fl. 201), não tendo sido encontradas, nestas buscas, qual- quer máquina que pudesse pôr em questão a novidade do ponto de vista geométrico ou ornamental do modelo n.° 26 945.

Contra-alegou a Izumi, formulando as seguintes conclu- sões:

O modelo industrial n.° 26 945 constitui novidade em relação a qualquer outro modelo industrial já re- gistado, por apresentar um conjunto de caracterís- ticas de aspecto original e novo, apesar de algu- mas das suas características não serem novas; A característica da cabeça triangular com três séries

de lâminas rotativas já caiu no domínio público, podendo ser explorado por qualquer pessoa; Os modelos industriais n.os 18 830 e 18 831, já ante-

riormente recusados, eram totalmente diferentes do modelo industrial n.° 26 945, não tendo este ante- cedente qualquer influência na decisão do INPI; O consumidor consegue distinguir facilmente o uso

do objecto protegido pelo modelo industrial n.° 26 945, não havendo a mínima possibilidade de confusão ou erro com os modelos industriais da recorrente, não sendo de aplicar o disposto no artigo 25.° do CPI;

O processo de exame e classificação foi efectuado pelo INPI dentro das normas legais, tendo sido feita uma busca que permitiu determinar não exis- tirem modelos confundíveis com o novo modelo industrial;

O despacho recorrido encontra-se devidamente fun- damentado, não havendo qualquer vício de prete- rição de formalidade essencial.

2 - Por despacho de 5 de Janeiro de 1998 a Sr.ª Juíza da 3.ª Secção do 10.° Juízo Cível de Lisboa anulou o despacho da directora do Serviço de Patentes do INPI nos termos seguintes:

«Termos em que, pelo exposto, anulo o despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial de 30 de Setembro de 1996, que concedeu o registo do modelo industrial n.° 26 945, má- quina de barbear eléctrica, por violação de lei.»

3 - Desta decisão interpôs recurso de apelação a re- querida Izumi a fl. 261, e a fl. 263 interpôs a Phillips recurso subordinado, recebidos respectivamente a fls. 262 e 264 dos autos.

Nas suas alegações produziu a Izumi as conclusões se- guintes:

O modelo industrial n.° 26 945 foi correctamente concedido por despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 30 de Setembro de 1996 com base no artigo 1411.° do CPI;

O modelo industrial n.° 26 945 constitui uma novi- dade em relação a qualquer outro modelo indus- trial já registado, pois apresenta um conjunto de características de aspecto geral e novo;

O modelo industrial n.° 29 945 distingue-se, conse- quentemente, dos modelos industriais n.os 14 527, 14 530, 15 566, 17 958, 18 540, 21 141 e 23 052 da recorrente, pois apresenta um tamanho real e uma forma geométrica diferente dos vários mode- los da Phillips;

O modelo industrial da Phillips n.° 14 527 é ainda mais diferente, pois a porção da base tem uma forma geométrica muito mais elaborada - estrei- ta em baixo e muito larga em cima - sendo a porção da cabeça não projectada como no mode-

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lo da lzumi mas uma continuação da porção do corpo;

O modelo industrial da Phillips n.° 14 530 não tem uma forma rectangular, como o modelo industrial da Izumi, é muito mais estreito na sua base e a porção da cabeça não é projectada como no mo- delo da lzumi mas é mais uma continuação da porção do corpo;

O modelo industrial da Phillips n.° 15 566 tem uma porção do corpo mais compacta que não tem a pequena deformação da forma rectangular do modelo da lzumi, que mais facilmente se adapta à mão do utilizador. Este modelo da Phillips tem também o botão para ligar a máquina numa posi- ção totalmente diferente do modelo da Izumi; O modelo industrial da Phillips n.° 17 958 é mais

largo e curto e tem a porção da cabeça mais saída;

O modelo industrial n.° 18 540 apresenta também uma base muito mais estreita com uma caracte- rística na parte detrás da porção de corpo que é constituída por várias linhas e que o modelo da Izumi não tem;

O modelo industrial n.° 21 141 apresenta também muitas diferenças em relação ao modelo da lzu- mi, pois a base da porção do corpo é arredonda- da e não rectangular como a base do modelo da Izumi;

O modelo industrial n.° 23 052 tem a porção do cor- po que parte da base mais estreita para a parte de cima mais larga numa linha recta sem as «defor- mações» que tem a porção do corpo do modelo da Izumi;

A porção da cabeça triangular que contém os três elementos cortantes, comum aos modelos em con- fronto, caiu no domínio público, não podendo, portanto, ser de utilização exclusiva de uma enti- dade como a Phillips;

O facto de a Phillips ser titular de vários modelos industriais que apresentam características comuns não impediu esses modelos de serem concedidos, pelo facto de que o modelo da Izumi, que ainda apresenta consideráveis diferenças na forma exte- rior, que se tem que ter em consideração, também deve ser concedido;

O consumidor consegue facilmente distinguir a for- ma original e nova do objecto protegido pelo modelo industrial n.° 26 945, não havendo' a mí- nima possibilidade de erro ou confusão com to- dos os modelos industriais invocados pela Phillips; Não se verifica então uma situação de concorrência desleal, pois existem variados modelos no merca- do de máquinas de barbear que, pertencentes a di- ferentes entidades, são modelos industriais distin- tos e originais;

O INPI é a entidade que diariamente é confrontada com novos pedidos de registo de modelos indus- triais, por várias entidades, que apresentam carac- terísticas comuns, mas que não deixam de ser con- cedidos, pois exactamente têm um aspecto geral original e distinto de outros que já possam existir; Os princípios da propriedade industrial relativos aos modelos industriais são bastante claros, pois o que se pretende proteger é o exterior do objecto (o seu design) e não o funcionamento interno dos objec-

tos (que será protegido com uma patente de in- venção);

Por isso se justifica que coexistam vários modelos industriais de misturadores eléctricos, de ferros de engomar, de cafeteiras eléctricas e, claro, também de máquinas de barbear;

Existem no mercado outras máquinas de barbear eléc- tricas que não são compostas pela cabeça trian- gular ou os três elementos cortantes mas que também apresentam aspectos exteriores muito se- melhantes entre si e que, contudo, pertencem a titulares diferentes;

Em conclusão, deverá ser mantido o despacho de concessão do modelo industrial n.° 26 945 «Má- quina de barbear eléctrica», por não ser aplicável. o disposto no artigo 158.°, n.° 1, alínea b), do CPI. 4 - Contra-alegou a Phillips pugnando pela manuten- ção da decisão e impugnando o despacho que admitiu e fixou a espécie de recurso como de apelação entendendo que deveria ser recurso de agravo e requerendo o desen- tranhamento dos documentos juntos pela Izumi.

Mas, quanto à questão da admissão e espécie de recur- so e quanto ao desentranhamento dos documentos, já foi proferida decisão interlocutória a fls. 369 e 370 dos autos que transitaram em julgado, pelo que já não há que apre- ciá-las porquanto se encontram decididas.

Quanto ao recurso subordinado formulou as seguintes conclusões:

Para os efeitos do recurso subordinado que a apela- da, ora recorrente, interpôs, e ao abrigo do n.° 1 do artigo 684.°-A do Código de Processo Civil, requer que este Colendo Tribunal se digne julgar e dar provimento a um dos pedidos que formulou na petição inicial de recurso, mas que o tribunal a quo desatendeu: o de que, para além da anula- ção do despacho do INPI que concedeu o registo do modelo industrial n.° 26 945, o tribunal recu- sasse esse mesmo registo;

O legislador conferiu ao Tribunal da Comarca de Lisboa não apenas o poder de anulação/revoga- ção das decisões de concessão/recusa de registos proferidas pelo INPI, mas também o consequente poder de, em conformidade, conceder/recusar re- gistos em matéria de propriedade industrial; Em abono deste entendimento deve ter-se em consi-

deração que a actividade dos tribunais judiciais é, em regra, de plena jurisdição, não se limitando a apreciar a validade ou invalidade de determinados actos, antes declarando os direitos reconhecidos no momento da decisão;

Razões por que a ora recorrente requer que o tribu- nal ad quem se digne conhecer da recusa do re- gisto do modelo industrial n.° 26 945 e não ape- nas da anulação do despacho do INPI que o concedeu, proferida na sentença recorrida; 'Prevenindo a hipótese, pouco crível, de procedência

das questões suscitadas pela parte contrária nas suas doutas alegações de recurso, a ora recor- rente, nas condições previstas no n.° 2 do arti- go 684.°-A do Código de Processo Civil (e ape- nas nessas), argúi a nulidade da sentença recorrida, cominada no artigo 668.°, n.° 1, alínea d), do Có- digo de Processo Civil;

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Na realidade, o tribunal a quo não conheceu da vio- lação do disposto no artigo 25.°, n.° 1, alínea d), do CPI pelo despacho do INPI que concedeu o registo do modelo industrial n.° 26 945, não obs- tante essa invalidade ter sido expressamente invo- cada pela ora recorrente nos artigos 36.° e 51.°, alíneas i) e n), da petição inicial de recurso; Na eventualidade de virem a verificar-se nos autos

os pressupostos de aplicação do artigo 684.°-A, n.° 2, do Código de Processo Civil - e só nesse caso -, requer-se que o tribunal ad quem se dig- ne reparar a referida nulidade, revogando a sen- tença recorrida e acordando em anular o despa- cho do INPI que concedeu o registo do modelo industrial n.° 26 945, por ter inaplicado o disposto no artigo 25.°, n.° 1, alínea d), do CPI, e, por consequência, recusar esse mesmo registo. 5 - Colhidos os vistos legais, cumpre decidir. Mostram-se assentes os seguintes factos:

Em 19 de Junho de 1995, a sociedade japonesa Izumi Products Company apresentou ao INPI o pedido de regis- to de modelo industrial n.° 26 945, máquina de barbear eléctrica, que foi publicado no Boletim da Propriedade Industrial, n.° 3/96, emitido em 28 de Junho.

Por despacho da directora do Serviço de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial de 30 de Se- tembro de 1996 foi concedido o registo ao modelo indus- trial n.° 26 945, máquina de barbear, apresentado pela Izu- mi Products Company, tendo sido aposta a referência de «Concordo» à proposta de concessão total, conforme cer- tidão a fl. 104.

A oposição apresentada pela recorrente foi julgada in- tempestiva.

A recorrente tem registados os modelos industriais de máquinas de barbear seguintes:

Modelo n.° 14 527, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980;

Modelo n.° 14 530, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980;

Modelo n.° 15 566, concedido por despacho do INPI de 23 de Maio de 1983;

Modelo n.° 17 958, concedido por despacho do INPI de 27 de Setembro de 1985;

Modelo n.° 18 540, concedido por despacho do INPI de 23 de Outubro de 1986;

Modelo n.° 21 141, concedido por despacho do INPI de 29 de Outubro de 1992;

Modelo n.° 23 052, concedido por despacho do INPI de 12 de Janeiro de 1993;

O modelo n.° 14 529, concedido por despacho do INPI de 29 de Janeiro de 1980, e o modelo n.° 14 531, concedido por despacho do INPI de 31 de Março de 1980, da Phillips caducaram por fal- ta de pagamento das respectivas taxas, terminan- do o prazo para revalidação em 31 de Janeiro de 1998, no primeiro caso, e em 31 de Março de 1998, no segundo;

Os modelos da recorrente são os únicos registados em Portugal para máquinas de barbear eléctricas que realizam a combinação dos seguintes elemen- tos: cabeça triangular, três séries de lâminas cir- culares e rotativas e pega ou corpo de máquina; A descrição apresentada pela Izumi no pedido de registo relativo ao modelo industrial n.° 26 945 é

a seguinte: «máquina de barbear eléctrica em que as porções da vizinhança dos pontos médios de ambos os lados do corpo da máquina são ligeira- mente encurvados para dentro e parte restante dos lados é direita do topo até à parte inferior. Na su- perfície frontal do corpo da máquina proporcio- na-se uma porção rectangular longa longitudinal- mente que apresenta um acabamento diferente da superfície em relação à parte restante do corpo da máquina. Tal corpo tem uma secção recta subs- tancialmente de forma oval com superfícies late- rais com áreas aproximadamente planas. Entre a cabeça e o corpo da máquina está presente um fole e o corpo tem a sua parte superior dobrada para a frente segundo um ângulo de cerca de 35 % em relação ao corpo. A extremidade superior da su- perfície traseira do corpo da máquina é suavemen- te encurvada para a frente» (fl. 110),

A fl. 201 encontra-se um formulário, datado de 30 de Outubro de 1995, donde consta que foram efec- tuadas buscas na classificação 28.ª, não tendo sido encontrados quaisquer desenhos/fotografias iguais ou confundíveis.

6 - No confronto da decisão recorrida com as conclu- sões de alegação formuladas pela apelante, a questão es- sencial decidenda é a de saber se o modelo industrial por aquela invocado se configura ou não como suficientemente inovador em relação aos modelos industriais registados na titularidade da apelada e apelante subordinada.

A resposta à referida questão pressupõe a seguinte análise:

Configuração dos modelos industriais em confronto; Existência ou inexistência de elementos suficien- temente distintivos dos modelos industriais em causa.

Ora vejamos:

O Instituto da Propriedade Industrial desempenha a fun- ção social de garantia da lealdade da concorrência através da atribuição de direitos às partes e da repressão da con- corrência desleal (artigo 1.° do Código da Propriedade Industrial, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 16 195, de 24 de Janeiro - CPI).

A garantia da lealdade da concorrência visa permitir aos agentes do comércio e da indústria, incluindo os consumi- dores, o benefício da ordem jurídica estabelecido e dos usos honestos dos meios de produção e de comercialização.

Nessa conformidade, são contrários ao princípio da leal- dade da concorrência, além do mais, os factos susceptí- veis de gerar a confusão de produtos ou actividades, bem como as indicações susceptíveis de induzir o público em erro sobre a natureza ou modo de fabrico, a possibilidade de emprego ou a quantidade das mercadorias (José Mota Maia, Propriedade Industrial, Comunicações e Artigos do Presidente do INPI, Lisboa, 1996, a p. 15).

São susceptíveis de protecção no quadro legal da pro- priedade industrial, como modelos industriais, além do mais, os moldes, as formas e os padrões e demais objec- tos que sirvam de tipo na fabricação de um produto in- dustrial, definindo-lhe a forma, a dimensão, a estrutura ou a ornamentação, mas nestes modelos é apenas protegida a forma sob o ponto de vista geométrico ou ornamental (ar- tigo 139.° do CPI).

(7)

A doutrina tem considerado que se trata de uma espé- cie de desenho, que combina linhas, cores, contornos, em termos de assumir, no espaço, certa forma geométrica nova de um produto, para aumentar a sua ornamentação ou tor- nar mais elegante o seu aspecto (Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 10 de Julho de 1990, in Boletim do Ministério da Justiça, n.° 399, a p. 533).

Assim, porque os modelos industriais visam servir de tipo no fabrico de um produto industrial, em termos de lhe definir a forma, a dimensão, a estrutura ou a mera or- namentação, a lei confere-lhe a protecção, embora limita- da à forma no plano geométrico ou ornamental (Acórdão da Relação de Lisboa de 18 de Junho de 1998).

O modelo é novo se, antes do pedido de registo, não foi divulgado, no País ou no estrangeiro, em termos de poder ser conhecido e explorado por peritos da especiali- dade (artigo 144.°, n.° l, do CPI).

Não é novo o modelo que, no País ou no estrangeiro, foi objecto de registo anterior, nem o que foi descrito em publicações de modo a poder ser conhecido e explorado por peritos na especialidade, nem utilizado de modo notó- rio ou por qualquer forma caído no domínio público (ar- tigo 144.°, n.° 2, do CPI).

O registo dá o direito ao uso exclusivo do modelo em todo o território português, podendo o respectivo titular produzir, fabricar, vender ou explorar o respectivo objec- to (artigo 162.°, n.° 1, do CPI).

Deve ser recusado o registo, além do mais, no caso de se reconhecer a existência de registo anterior de modelo confundível com o pedido [artigo 158.°, n.° 1, alínea b), do CPI].

A protecção legal dos modelos industriais só abrange os novos e os que, não sendo inteiramente novos, reali- zem combinações novas de elementos conhecidos ou dis- posições diferentes de elementos já usados que dêem aos respectivos objectos aspecto geral distinto (artigo 141.° do CPI).

Assim, a protecção legal abrange, por um lado, em re- gra, os modelos novos, mas também abrange os que, não sendo integralmente novos, se configurem como combi- nação nova de elementos conhecidos, portanto não no- vos, ou com diversa disposição de elementos já usados, desde que o respectivo objecto apresente aspecto geral distinto.

Em consequência, a novidade dos modelos industriais não se traduz em originalidade, podendo uma modifica- ção pouco significativa alterar o aspecto de um objecto, em termos de lhe determinar uma vertente de novidade - Acórdão da Relação de Lisboa de 18 de Junho de 1998. Não está em causa, no recurso, a vertente ornamental de qualquer dos modelos industriais em confronto, mas apenas a problemática da respectiva forma geométrica.

Importa, portanto, analisar o design, ou seja, a forma exterior do objecto imediato dos referidos modelos indus- triais.

Por um lado, os modelos industriais da titularidade da apelada, protegidos em Portugal sob os registos referidos no artigo 4.° da petição inicial e referidos na decisão do saneador (sentença a fl. 250), têm por objecto máquinas de barbear eléctricas.

Por outro lado, o modelo industrial da titularidade da apelante, que foi objecto de registo sob o n.° 26 945, tam- bém tem por objecto uma máquina de barbear eléctrica. Confrontando os modelos industriais da titularidade da apelada e do modelo industrial da titularidade da apelan- te, verifica-se a existência de uma vertente comum, con-

substanciada em a parte da cabeça de todas as máquinas de barbear inserir três elementos cortantes, isto é, em for- ma triangular aproximada, inserente de três lâminas.

Desse confronto resulta, por outro lado, a diversidade entre o modelo industrial da titularidade da apelante e os modelos industriais da titularidade da apelada no que con- cerne ao elemento estrutural do corpo do objecto dos modelos a juzante da cabeça e da ligação entre esta e o referido corpo.

Há, portanto, configuração comum dos modelos indus- triais em causa no que concerne à cabeça do respectivo objecto e configuração diversa no que concerne ao corpo desse objecto.

7 - Perante a referida configuração dos modelos indus- triais em análise, a conclusão não pode deixar de ser no sentido de que o da titularidade da apelante se não confi- gura, em relação aos da titularidade da apelada, em ter- mos de novidade absoluta.

Como o modelo industrial da titularidade da recorrente não é absolutamente novo, importa verificar se ele, pela configuração que revela em globo, isto é, no conjunto da cabeça e do corpo da respectiva máquina de barbear, re- sulta ou não num aspecto geral distinto das máquinas de barbear cujos modelos gozam de protecção registral em Portugal.

O referido juízo sobre a existência de aspecto geral dis- tinto não exige uma observação pormenorizada, mas uma observação geral de conjunto, que é a que releva no pla- no da concorrência leal e do interesse geral dos consumi- dores.

Não obstante a função utilitária ser idêntica, no caso de dessa observação geral resultar a fácil distinção dos modelos industriais, a conclusão não pode deixar de ser no sentido da inexistência de confusão.

A artigo 141.° do CPI, inspirado pelos princípios da concorrência leal e da inconfundibilidade, que constituem os limites da protecção do registo prioritário dos modelos industriais, não exclui a desejada evolução do mercado de produtos e de mercadorias.

Tendo em conta, numa visão de conjunto, a estrutura geométrico-formal do modelo industrial da titularidade da apelante e a estrutura geométrico-formal dos modelos in- dustriais da titularidade da apelada a que acima se fez re- ferência;

Considerando que a simples inspecção ocular dos mo- delos industriais em confronto revela a sua diferença de forma, a conclusão não pode deixar de ser no sentido de que se trata de objectos de aspecto geral distinto.

Por isso, ao revogar o acto administrativo que conce- deu protecção jurídica em Portugal ao modelo industrial n.° 26 945, a sentença recorrida violou o disposto no arti- go 141.° do CPI.

Importa, assim, revogar a sentença recorrida e negar provimento ao recurso interposto pela apelante do referi- do acto administrativo.

Vencida, deve a apelada ser condenada nas custas des- te recurso e daquele que foi interposto para o tribunal recorrido (artigo 446.°, n.os 1 e 2, do Código de Processo Civil).

8 - Pelo exposto, acordam em julgar procedentes as conclusões da apelante Izumi, conceder provimento ao recurso de apelação, revogar a sentença recorrida que anu- lou o despacho da directora do Serviço de Patentes do INPI, julgar improcedente o recurso interposto pela apela- da para o tribunal recorrido, não se conhecer, atento o decidido, por desnecessidade, do objecto do recurso su-

(8)

bordinado interposto para este Tribunal da Relação, pela Phillips, e condenar-se esta apelada e apelante subordina- da no pagamento das custas em ambas as instâncias.

Lisboa, 14 de Outubro de 1999. - (Assinaturas ilegí- veis.) - Manuel A. M. da Silva (dispensei o visto).

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