Física Moderna II - FNC376
Profa. Márcia de Almeida Rizzutto 1o. Semestre de 2008
Universidade de São Paulo
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
2
Vimos que:
1) esta corrente circular tem um momento magnético orbital
A
i
r
r =
µ
2) e– em órbita também tem momento angular:
r
m
L
=
ev
e em
e
r
m
r
e
L
r
e
r
r
e
iA
2
2
2
π
π
2
2−
=
−
=
−
=
−
=
=
v
v
v
v
l lµ
µ
Só constantes universais!L
m
e
er
r
l2
−
=
µ
Relação entre o momento de dipolo magnético e o momento angular orbital,
são antiparalelos
A corrente produz um campo magnético equivalente a um campo de um dipolo magnético localizado no seu centro
Modelo de Bohr: e– circulando em torno do núcleo, produzindo uma corrente circular
r
e
T
e
dt
dq
i
π
2
v
−
=
−
=
=
T
=
2
π
r
/
v
L
r
Lr i − e µr y x zmagneton de Bohr (unidade natural de medida
do momento de dipolo magnético atômico)
eV/Tesla
10
5,788
eV/Gauss
10
5,788
(J/T)
m
A
10
9274
,
0
5 9 2 23 − − −×
=
×
=
×
=
b bµ
µ
o momento magnético do átomo:
(
1
)
(
1
)
2
2
=
+
=
+
=
lh
l
l
ll
l
l b e eg
m
e
g
L
m
e
µ
µ
l l l l l lm
h
m
g
m
e
g
L
m
e
g
b e z e zµ
µ
=
−
=
−
=
−
2
2
(
)
(
)
l l l h h l l h h l l m m e L m e m L m e L m e L z z z ⋅ − = − = ⇒ = + = = ⇒ + = 2 2 1 2 2 1 µ µ Componentez
módulo Quanticamente: Fator g orbital depende da geometria da distribuição de cargasFNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
4
1) Dipolo magnético sofre um torque:
B
r
r
r
l×
=
µ
τ
O que acontece com este dipolo magnético quando
sujeito a um campo externo???????
Br
2) Este torque tenderá a alinhar o dipolo com o campo energia potencial de orientação
B
E
=
−
r
l⋅
r
∆
µ
Se aplicamos um campo magnético constante, ele passa a definir uma direção privilegiada no espaço, que podemos escolher como o eixo z. A energia de interação com o campo é dada por:
A quantidade 〈Energia〉 representa a energia adicional adquirida pelo átomo no estado Ψnℓm devido à presença do campo aplicado. Essa energia depende do valor de m e da intensidade do campo.
Bm
g
B
E
B
E
nergia=
−
µ
z⇒
nergia=
−
µ
z=
µ
bEisberg, pág. 348
Caso não existam formas de dissipar a energia,
µ
ℓ não pode mudar suaorientação em relação a
B
. Nesse caso,µ
ℓ precessiona em torno da direção deB
, mantendo o ângulo entre eles constante.L
d
B
L
g
B
br
r
r
r
h
r
r
r
l l=
×
−
=
×
=
τ
µ
µ
τ
Mas
B
L
g
dt
L
d
br
r
h
r
l×
−
=
⇒
µ
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4 6
ω
θ
ω
θ
⋅
=
⋅
⋅
=
sen
sen
L
dt
dL
dt
L
dL
Freqüência de LarmorO torque dá origem a uma variação dL (do momento angular) durante o tempo dt - dL faz com L precessione de um ângulo wdt
O módulo de
L
permanece constante:0
2
2=
⋅
=
⋅
L
=
dt
d
L
L
L
dt
d
L
dt
d
r
r
r
r
ω
θ
θ
ω
θ
φ
θ
φ
=
⇒
=
=
=
sen
sen
sen
1
sen
L
L
dt
dL
L
dt
d
L
dL
d
m
eB
v
m
eB
π
4
π
2
2
⇒
=
=
=
ω
ω
Lorentz clássicoFrequência de precessão
Tratamento quântico: mesmos resultados, só que para os valores esperados das grandezas.
B
m
e
B
g
b2
=
=
h
lµ
ω
B
L
g
dt
L
d
br
r
h
r
l×
−
=
µ
d
φ
Camada K, 1 estado
Camada L, 4 estados
Camada M, 9 estados Camada N, 16 estados
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
8
Estados com diferentes
m
têm suas degenerescências quebradas por causa da presença do campo magnético. Estados (nℓ
) com valoressucessivos de
m
apresentam energias com diferenças de:δ
E
M=
g
lµ
bmB
O sinal da variação de energia é o mesmo dem
, e os estados comm
= 0 não são afetados pela presença do campo. Cada um dos níveisrepresentados na figura corresponde a um estado de precessão diferente do átomo, com energia dada por: na presença do campo
B
. Por essa razão, o número quântico azimutal,m
, é também conhecido como número quântico magnético.Bm
g
E
n+
lµ
bQuebra da degenerescência em
m
⇒
quebra da simetria rotacionalResultado clássico!
Lyman α
Balmer α
A separação dos níveis provocada pelo efeito Zeeman produz mudanças na freqüência da radiação emitida pelo átomo nas transições ⇒ regras de seleção:
∆ℓ = ± 1
e∆m = 0
ou± 1
. Todas as transições indicadas envolvem apenas 3 diferentes energias de fótons emitidos:∆E – δE
M; ∆E ; e ∆E + δE
Monde
∆E
representa a energia de transição sem o campo aplicado. Aparece então um tripleto, com variação de freqüência dada por:e b M
m
eB
B
g
h
E
v
π
4
π
2
δ
δ
=
=
=
h
µ
n=2 ⇒ n=1
n=3 ⇒ n=2
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
10
Em 1920 já se sabia que havia separação das linhas espectrais mesmo sem a presença de campos magnéticos externos
(estrutura fina).
Sommerfeld utilizou cálculos relativísticos, baseados no modelo de Bohr, para explicar os resultados experimentais da estrutura fina do hidrogênio (suposta linha constituída de duas ou mais linhas). No entanto o no de linhas previstas eram menores que as
observadas para outros átomos
Este sistema de interação dos momentos magnéticos
internos e externos foi proposto para explicar a estrutura dos múltiplos na ausência do campo, bem como as anomalias do feito Zeeman na presença de campos.
Fenômeno então atribuído a processos internos ao átomo: “caroço magnético (núcleo + elétrons internos)” responsável por produzir campo e interagir com os elétrons mais externos.
1922: experiência de Stern&Gerlach
Vamos imaginar que temos um pequeno ímã, que atravessam uma região com campo magnético, como ilustrado na figura abaixo:
A componente
z
do campo, naposição dos pólos N e S, pode ser escrita, em 1ª ordem, como:
e
onde Bz0 e ∂Bz/∂z são, respectivamente, os valores do campo e de seu gradiente sobre o eixo do dipolo. Se considerarmos que os pólos (hipotéticos) têm intensidades ±g0, a força pode ser escrita como:
µ
campo uniforme
campo não-uniforme, varia na direção z
Proposta: Medir os valores possíveis do momento de dipolo magnético.
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4 12 feixe de ímãs imagem
Assim, o momento de dipolo magnético,
µ
z, pode ter apenas alguns valores. No caso de um feixe de átomos de H:Essa é a força responsável pela deflexão vertical do feixe, dependendo do sinal de
µ
z. Classicamente,µ
z varia continuamente, por conta da orientação aleatória dos ímãs. Isso deve resultar numa imagem contínua, conforme a figura: Resultados muito diferentes sãoobtidos se substituímos o feixe de ímãs por um feixe de átomos, pois, nesse caso, cada átomo tem uma certa probabilidade de ser
encontrado com uma certa
orientação, definida pelo valor da projeção de seu momento angular sobre o eixo z
(
L
z).
com
Assim, µlz só poderá ter os valores discretos quantizados. Os diferentes valores de µz vão sofrer forças distintas e deflexões diferentes, conforme ilustrado na figura abaixo:
(2ℓ+1) manchas 2 manchas
momento magnético orbital observado
O experimento original de Stern&Gerlach usou um feixe de átomos neutros de Ag, obtidos por evaporação em um forno. Depois de atravessarem o campo eles eram depositados em uma placa de vidro, onde as deflexões podem ser medidas.
A imagem de duas manchas (discreto em vez de contínuo) concordava com o que se esperava pelo modelo do “caroço magnético” para a Ag.
Duas componentes discretas devido a quantização espacial, uma desviada para z
positivo e outra na direção de z negativo
Resultados são qualitativamente demonstrações do quantização da
componente z dos momentos de dipolo magnético dos átomos e portanto de
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
14
Resultados de Stern & Gerlach
Mas os resultados não estão quantitativamente de acordo com:
l l lz
g
µ
bm
µ
=
−
2l+1 valores
lm
Piorou...
um experimento análogo feito (1927) com feixe de átomos de H –
para os quais não era esperada deflexão – átomos com um só elétron
(no estado fundamental) l=0, logo um único valor possível para =0
obteve-se os mesmos resultados (
duas manchas
).
p m e 2 h =
µ
Como l é inteiro, teríamos um número ímpar não estando de acordo com o observado.
Igual no de valores possíveis de m l
Erro na teoria de Schroedinger? Ou teoria incompleta???
Sugestão foi: existe um momento de dipolo magnético associado as
cargas do núcleo
⇒ m
e<
m
p⇒
µ
e>>
µ
pO valor medido experimentalmente
Teoria de Schrödinger incompleta?
A origem desta observação deve está ligada
especificamente ao elétron
núcleo não pode ser responsável pelo µ observado
1924: Pauli sugere que as estruturas dos multipletos e as
anomalias no efeito Zeeman poderiam ser explicadas se um
novo grau de liberdade, formal, com 2 valores, fosse
associado ao elétron.
Goudsmit e Uhlenbeck
(estudantes de pós, ver Eisberg, pág. 356)propõem
uma variável, quantizada, com 2 valores, com
propriedades de momento angular. Eles supuseram um
movimento de rotação do elétron em torno de seu próprio
eixo.
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
16
Analogia com o momento angular orbital ⇒ e
e com
Como foram observadas 2 manchas para o H ⇒ 2 valores de ms
Como
∆m
s = 1⇒ m
s= ± ½
. Assim, o momento angular de spin é dado:(
)
2 2 24
3
1
e
2
h
h
h
h
=
±
=
+
=
=
m
S
s
s
S
z s incertoTemos que o elétron tem um momento de dipolo magnético intrínseco devido ao momento angular de spin (S)spin (S)
s b s s b s s
S
g
m
g
zµ
µ
µ
µ
=
−
r
e
=
−
h
r
com
g
s = 2 fator g do spins
µ
r
A intensidade S e a componente Sz do momento angular de spin estão associados a dois números quânticos s e ms
Um estado estacionário de um átomo monoeletrônico é descrito
por um conjunto de 4 números quânticos:
ou
s=1/2 e m
s=-1/2 e +1/2
Spin para cima
s=1/2 Spin para baixo s=-1/2
Estas duas novas propriedades,
faz com que o número de
estados que aparecem no
diagrama de níveis de energia
duplique
O spin não tem um análogo clássico (no limite clássico a intensidade de S é totalmente desprezível porque h é muito pequeno). O spin é fundamentalmente não clássico.
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4 18 sz z z
z
B
F
µ
∂
∂
=
s b s szg
µ
m
µ
=
−
2
/
1
2
±
=
=
s sm
FNC0376 - Fisica Moderna 2 Aula 4
20
Interação spin-órbita
Os vetores quantizados e devem ser adicionados em situações em que mais tipos gerais de estados queremos considerar. Definimos o
momento angular total do átomo, pela soma dos vetores momento angular orbital e de spin:
S
L
J
r
=
r
+
r
Análogo ao momento angular combinado de um corpo clássico que tenha movimentos orbital e de rotação em torno de seu eixo, exceto pelo fato de que, no caso clássico, os vetores
L
eS
podem ter quaisquer magnitude e direção, resultando em uma soma com módulo entre os limites:S
L
S
L
r
−
r
e
r
+
r
E como é a interação entre o momento de dipolo magnético do
spin eletrônico e o campo magnético interno de um átomo de
um elétron (devido ao momento angular orbital do e
-)?
Interação fraca responsável (em parte) pela estrutura fina dos estados excitados dos átomos de 1 e-(no caso de muitos elétrons esta interação é relativamente forte)