ANO: 74 BOM JARDIM RJ, 20 de novembro de 2015 Segunda fase N
o08
Diretor-Redator-Chefe: Sebastião A. B. de Carvalho (ABI)
Vice-Diretora: Rosa Maria Werneck Rossi de Carvalho
Fundação de ANTONIO FERREIRA DE CARVALHO
Tempestade assusta e causa estragos em Bom Jardim
Chuva forte derruba árvore e alaga ruas da cidade
Um temporal que durou menos de uma hora atingiu Bom
Jardim, na Região Serrana do Rio, e causou transtornos na
tarde de domingo (15). No bairro Bem-te-vi, uma árvore
caiu em cima de uma casa que estava vazia e os galhos
atingiram a varanda de outro imóvel. O ponto de ônibus da
Rua Manoel Erthal ficou destruído e a rede elétrica também
foi atingida. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil
estiveram na manhã de segunda-feira (16) nos locais
atingidos.
A Santa Casa de Bom Jardim também ficou alagada com o
temporal. Segundo a direção do hospital, um bueiro estava
entupido e a água acabou invadindo a unidade de saúde. O
hospital já está limpo e os atendimentos não foram
prejudicados.
Água e muita lama também desceram de uma área atrás de
onde está sendo construído um loteamento. O espaço tem
licença ambiental emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente
(Inea) e autorização da Prefeitura de Bom Jardim.
Segundo a Defesa Civil do município, em 45 minutos choveu
77 milímetros, quantidade esperada para o mês inteiro. Na
entrada da cidade, um outdoor caiu em cima de um carro e
o calçamento da Rua Luiz Corrêa se soltou, deixando a
passagem interditada.
No centro, a Rua Doutor Péricles Corrêa da Rocha ficou
alagada. Segundo Natália Novaes, moradora da rua, a água
chegou a entrar em casa, mas ela não teve prejuízos.
Máquinas e funcionários da Prefeitura trabalhavam para retirar
toda a lama que estava na via nesta manhã.
Na segunda-feira (16), Defesa Civil e bombeiros foram aos
bairros atingidos. Lama invadiu casas; em hospital, bueiro
entupido causou transtorno.
Do G1 Região Serrana, com informações da Inter TV.
Fotos da tempestade e seus estragos em Bom
Jardim - São José do Ribeirão
ACIMA: Alagamento em São José do Ribeirão.
À ESQUERDA: Avenida alagada no Centro de Bom Jardim.
Esta reportagem foi obtida do PORTAL BOM JARDIM,
que fez a cobertura completa da intempérie que se abateu
sobre o município, nesta semana. A cidade já se recuperou,
graças à pronta ação das autoridades. Mais chuvas: Pág. 5
Conversa com o Diretor de A VERDADE
Jornalista Sebastião A.B.de Carvalho
novembro de 2015 Página 2
Carmen e Vera: duas lindas beldades
que animaram o nosso Carnaval!
Da coleção de A VERDADE, digitalizada pela Secretaria de Cultura de Bom Jardim, - Galpão Cultural, e gentilmente cedida a este jornal.
Publicada na edição de 28/11/1941 - n
o2
BOM JARDIM, estado do Rio de
Janeiro, é uma cidade limpa, de clima
aprazível e progressista. Recebe os
visitantes com amabilidade e
cortezia. Visite-a, com toda a família!
E
las vieram e encheram a cidade de sobressalto! Parece que nunca antes o pessoal de Bom Jardim havia apreciado jovens tão bonitas, tão atraentes! Iam pelas ruas esbanjando beleza e charme... e sensualidade! Os homens paravam para apreciar... As mulheres invejavam. Ninguém ficava indiferente... Seus nomes eram VERA e CARMEN (O sobrenome não revelo, para evitar falatórios!).Corriam boatos sobre as preferências das duas belas irmãs. Dizia-se que eram amigas de um conhecido atleta e empresário, o Evaldo. Rolavam boatos, sem confirmação, mas que enchiam de inveja os garanhões de plantão... E até mesmo os adolescentes sonhadores, como eu, que sabiam não ter a menor chance com elas...
E chegou o Carnaval...
Vera e Carmen saíram, fantasiadas, na escola de samba, desfilando com sensualidade pelas ruas da cidade. Uma beleza, uma maravilha -- pensavam todos!
Durante o desfile, os olhares estiveram focados nas duas beldades... Sem chance para as outras garotas.
Mas o Carnaval acabou na quarta feira. Carmem e Vera sumiram. Se não me engano, não moravam em Bom Jardim. Devem ter voltado para a sua cidade, quem sabe Rio ou Niterói? Essas beldades da década de 1950 ficaram na memória dos mais antigos habitantes de Bom Jardim e, onde quer que estejam, podem se orgulhar de terem sido motivo de admiração e de alegria para muitos.
A cidade, hoje, vive tempos de progresso material e social. Cultivam-se aspectos de sua história, de sua cultura, de tudo que o município oferece de bom e desfrutável. O passado existe apenas na memória, mas pode ser fonte de inspiração para o trabalho presente, onde se lançam as bases do futuro.
Ah, Carmem e Vera, vocês deixaram algo que merece ser lembrado e exaltado. A vida tem seus aspectos de dureza e sofrimento, que todos temos de suportar. É por isso que a beleza e a alegria que alguns oferecem, de graça, indistintamente, podendo ser apreciadas à vontade, precisamos, de alguma forma, reter e conservar, para servirem de estímulo e inspiração em nossa labuta diária por melhores condições de vida.
novembro de 2015 Página 3
MISCELANEA
BOM JARDINENSE
Alberto Barboza Serrano
(Do livro PEQUENAS FALAS, de Alberto B.Serrano)
Medicina caseira
Celso Frauches
Coluna do
M
inha família forma um enorme bloco de autênticos hipocondríacos, e não vejo a menor incoerência ou agravante nisso. A frequência aos consultórios é quase compulsiva. A leitura de bulas, um ato de amor.-- Ih, não se pode misturar antiácido com vitamina C! -- Não te falei? Vá para o banheiro e vomite tudo!
Dá um prazer especial ficar de lado, observando os exageros dessa disciplina quase hospitalar:
-- Hora do antibiótico. Não deve tomar com o estômago vazio. Zeca, tire as vitaminas do sol. Perdem o efeito!
Dois ou três da família são quase especialistas em sintomatologia.
-- Olho fundo é sinal de anemia. Remédio ferruginoso! -- Pés frios são indícios de hipotermia. Agasalhe-se bem e chocolate quente para dentro!
Tem-se a impressão de serem todos médicos frustrados ou enfermeiros aposentados fazendo hora-extra. Sempre que acertam uma recomendação qualquer, exultam, orgulhosos:
-- Não te falei? É batata: para gases intestinais, massagem umbilical!
Alteramos na raiz o velho ditado que dizia: “De médico e louco, todos temos um pouco”. Na verdade, temos tudo, menos o Diploma, o que, na prática, não nos desqualifica, de modo algum. Identificamos as doenças e suas consequências, conhecemos os medicamentos e suas reações adversas, e ainda advertimos os incautos sobre interações medicamentosas. Competência não nos falta, e basta entrarmos duas ou três vezes na farmácia para comprovarmos isso.
-- Quero uma caixa de Diazepan. Está atrás do balcão, na quarta prateleira, à esquerda.
Se errar, não tem problema, é um rápido lapso de memória, É só tomar um comprimido de fosfato, e pronto! www.greenme.com.br
Este jornal circulou em Bom Jardim na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. Sua primeira edição foi em 21 de setembro de 1941, e durou até 1943. Não muito tempo, mas com expressiva regularidade e participação nos problemas e anseios da sociedade. Deixou saudades, e uma coleção que o poder público local conservou e recentemente digitalizou. Passando a editar A VERDADE on line, estamos publicando a coleção por partes, graças à gentileza da Secretaria de Cultura, do Secretário Descio e do jornalista Marlon Rodrigues.
Nº 7 – 20 de novembro de 2015
Os tempos passam, os tempos voam...
Essa expressão já foi usada até em textos publicitários,
mas revelam uma realidade que está sendo alterada, cada
vez com muito mais velocidade.
Nos tempos em que as famílias ficavam batendo papo,
na janela de suas casas, com os amigos e conhecidos que
transitavam pelas calçadas, ou em cadeiras colocadas nessas
calçadas, ou em conversas nos bancos das praças e jardins,
as mudanças eram menos velozes e radicais. São tempos
em que não havia televisão e, muito menos, os recursos da
internet, multimídia. Nem computadores pessoais.
São tempos em que, aos domingos, íamos assistir a
uma partida de futebol no estádio da cidade, em torneios
regionais, campeonatos locais ou simplesmente amistosos.
Ao Bom Jardim EC x Flamenguinho FC, de Cantagalo, eu
assisti algumas partidas no estádio do Bom Jardim. Partidas
renhidas, público correspondente à importância do embate.
A transmissão, pela TV, dos jogos de futebol dos
campeonatos carioca e brasileiro, por exemplo, foi
enfraquecendo os clubes locais e suas apresentações.
A televisão acabou com o bate-papo descontraído nas
janelas das residências, nas praças, nos jardins. O bate-papo
“olho no olho”. As noites nas cidades, como Bom Jardim,
são curtidas frente às TVs ou PCs, tablets, smartphones e
outros apetrechos da parafernália da tecnologia da
informação e da comunicação. Nos centros maiores, além
desses recursos tecnológicos, a violência também contribui
para essa fuga de lugares públicos. Quando não estamos
fechados em nossas residências, podemos estar
encarcerados num condomínio, vertical ou horizontal, em
um teatro ou shopping center.
E as mudanças mais vertiginosas e frequentes
começaram a acontecer ao final do século passado,
evoluindo drasticamente neste Século 21, chamado de Nova
Era. Nada de saudosismo, apenas uma constatação.
Os tempos passam, os tempos voam com muito mais
velocidade para aqueles que estão na primeira infância, na
adolescência, na juventude, curtindo cada novidade, cada
recurso novo, nos mobiles eletrônicos, que pode ser baixado,
rápida e gratuitamente, para uso imediato. Uma versão nova
vai surgir em poucos dias, horas ou minutos.
Ainda não sabemos os efeitos desses recursos na
personalidade, na formação do ser humano em construção.
O uso moderado e necessário parece ser o indicado. O uso
exagerado, como em tudo na vida, não é recomendado por
psicólogos e outros terapeutas. A velocidade com que os
tempos voam parece não dar tempo para análises mais
profundas. A superficialidade parece ser uma das
características desses novos tempos, que passam e que
voam vertiginosamente.
♦novembro de 2015 Página 4
Mamãe Margarida na Obra de Dom Bosco
O Professor José Augusto Abreu Aguiar exerce o magistério salesiano no município de Macaé, RJ. Aceitou contribuir com artigos de sua autoria, para ajudar na conscientização da juventude de nossa Terra.
Na vida de Dom Bosco, desde o seu nascimento até a materialização de seus sonhos, nenhum biógrafo, nenhum registro histórico, pode abrir mão da significativa presença de Margarida Occhiena, sua mãe, cuja memória celebramos em 25 de novembro.
A presença marcante de Margarida Occhiena foi definitiva para que Dom Bosco, nas bases de seu projeto, colocasse como pilares de sustentação a familiaridade, o “espírito de família” e a busca pela santidade. O exemplo de amor, aceitação, confiança e apoio de Mamãe Margarida demonstravam a importância dos princípios evangélicos e da família na formação de novas pessoas, de “bons cristãos e honestos cidadãos”.
Tendo ficado viúva, após cinco anos de vida em comum com Francisco Bosco, viu-se obrigada, completamente só, a assumir uma tarefa de grandes desafios e obstáculos: a administração de uma família com quatro membros.
Agora, em uma Itália dividida, em uma Piemonte com graves problemas políticos/econômicos e vivendo os ares da modernidade, ela precisa conciliar todos os encargos inerentes a um chefe de família pobre e de zona rural. Precisa cuidar da casa, do sustento e educação dos filhos, da lida no campo, da sogra adoentada, das crises econômico-financeiras e da incompreensão de Antônio, um dos filhos de Francisco que assumiu como seu, com relação ao desejo de João Bosco de estudar. Precisa mostrar-se forte, com fé inquebrantável, para suportar e superar todas as vicissitudes do momento.
A familiaridade
Mesmo não tendo sido alfabetizada, Mamãe Margarida, em sua sabedoria adquirida nos enfrentamentos da vida, faz-se educadora, com um projeto de maternidade que sintoniza humanidade e santificação.
Em todas as oportunidades, das mais simples às mais complexas, ela não deixa de refletir, com seus filhos, sobre os ensinamentos de Deus, sobre a missão de cada um na busca da salvação.
Usava, na relação com os filhos, a pedagogia do coração, isto é, a de uma mulher de poucas palavras e muita ação que,com simplicidade e sabedoria, traduzia para os seus filhos a complexidade e a grandiosidade do amor. Exercia, com autoridade e paciência, sua influência sobre os filhos. Jamais abria mão de suas convicções, mesmo que, em determinados momentos, tivesse de agir com certo rigor e “dor no coração”.
No Oratório de Valdoco marcou sua presença com aquele característico sentido de família que ainda hoje subsiste nas obras salesianas. Incontáveis são os fatos de sua vida, todos
narrados nos livros sobre Dom Bosco, em que as lições de fé, de esperança e de caridade estão presentes.
Ao exercer o papel de mãe para os órfãos de Valdoco, foi a cooperadora mais eficiente de seu filho: prepara a refeição, varre, lava, costura e remenda. Mais ainda: encoraja, educa e, na medida de suas limitações, mas na grandeza do seu coração, testemunha a Palavra de Deus.
A santidade
A santidade de Mamãe Margarida se entende dentro do quadro de uma camponesa do Piemonte entre os séculos XVIII e XIX, isto é, uma mulher analfabeta (como todas as mulheres pobres de então), mas de uma profunda religiosidade. Religiosidade encarnada na dureza da vida, na capacidade de perceber nas pequenas coisas a grandeza de Deus.
Nesse aspecto, é importante ressaltar que ela amadureceu uma visão de fé tradicional, arraigada nos fundamentos do Concílio de Trento, mas não rigorista. Daí compreende-se como ela vivenciou e transmitiu aos filhos, apesar das orientações da época, uma fé em um Deus criador, bondoso, misericordioso e indulgente.
Na Estreia de 2006, o reitor-mor, padre Pascual Chávez, cita as frases comuns com as quais ela educou os seus filhos legítimos e aqueles adotados no tempo em que ficou com Dom Bosco em Valdoco (1846-1856): “Deus te vê”, “como Deus é bom”, “com Deus não se brinca” (cf. Estreia 2006, p.39-40). Essa experiência teologal transformou-se em experiência pedagógica no sistema preventivo vivido no primeiro oratório. Portanto, a santidade de Mamãe Margarida esteve sempre ligada a uma fé vivida no dia a dia histórico, na materialidade da vida, onde Deus é presença permanente, sensível e misteriosa. Uma fé impregnada de valores simples e profundos: “o sentido do dever e do trabalho, a coragem cotidiana de uma vida dura, a franqueza e a honestidade, o bom humor”. Por isso, ainda no dizer de padre Chávez, ela foi a primeira educadora salesiana e colaborou com Dom Bosco a moldar nos seus jovens, nos discípulos e na sua família carismática, uma santidade simples, sem ser simplória; profunda, mas sem pieguismo; alegre e jovial, sem ser banal.
Conclusão
Podemos afirmar, como conclusão, que Mamãe Margarida empregou, apesar de seu analfabetismo, o seu talento inato de educadora, de mãe e de santa em prol de uma juventude protagonista..
Logo após a sua morte, surgiu uma convicção comum: “era uma santa”. Aqueles que começaram a chamá-la de “mãe santa” testemunhavam que ela jamais abandonou suas convicções, suas crenças, sua fé. Jamais deixou de demonstrar um equilíbrio formidável entre os planos terrestre e celeste
novembro de 2015 Página 5
O forte vendaval que atingiu Bom Jardim no domingo
(15/11) trouxe prejuízos e até uma morte. Num nobre espaço
de arte e cultura da cidade, o Galpão Cultural Margaret de
Jesus, também houve estragos com o evento da natureza.
A enxurrada entrou pela porta principal (Teatro
Professor Clirton Rêgo Cabral) e só não causou danos
maiores porque estava prevista uma apresentação teatral e
as pessoas que lá estavam atuaram no sentido de preservar
equipamentos e impedir, ao menos em parte, a entrada da
água.
O vendaval intenso forçou a entrada de água através
do telhado, molhando equipamentos e espaços, mas sem
causar maiores danos, pois o pessoal presente cuidou de
proteger o que foi possível. Outros, atingidos pela água
(computador e teclado eletrônico), foram postos para secar
e não se danificaram.
O maior estrago produzido pela tormenta aconteceu
no teatro: parte do teto de gesso foi destruído. Ainda não há
previsão de quando o dano será consertado.
Galpão Cultural também sofreu com a tempestade
No pátio do Galpão (estacionamento) uma árvore conhecida
como bandarra foi derrubada pela ventania. Felizmente
tombou sobre uma área vazia. A árvore estava com seu tronco
perfurado por insetos, o que o enfraqueceu. Ainda no pátio,
uma luminária também foi danificada pelo vento.
Teto de gesso do teatro destruído pela chuva. Foto:Marlon A.R.Silva. Teatro do Galpão Cultural com parte do teto de gesso danificado.
Foto: Marlon A. Rodrigues da Silva.
Parte do tronco da bandarra ainda de pé e o restante sendo cortado para ser removido. Foto: Marlon A. Rodrigues da Silva
Visão geral do local em que a árvore caiu. Foto: Marlon A. Rodrigues.
Luminária danificada. Foto: Marlon A. Rodrigues da Silva.
Empresário de Barra Alegre morre atingido por árvore
A vítima teve seu carro atingido em Serra das Almas (Trajano
de Moraes) no domingo, 15 de novembro. (Foto: FaceBook)
Uma árvore caiu em cima do carro dirigido por Vitor Nunes da Rosa. Socorrido, o motorista estava internado no Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, onde veio a falecer em 17/11.
Vitor era proprietário de um mercadinho no centro de Barra Alegre (Quarto Distrito de Bom Jardim), localidade onde morava com a família.
Veja na foto abaixo o estado em que ficou o veículo atingido pela árvore.