Relatório
Agrupamento de Escolas
de Terras de Bouro
A
VALIAÇÃO
E
XTERNA DAS
E
SCOLAS
18 a 20 fevereiro
2013
Área Territorial de Inspeção
do Norte
1
–
I
NTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a autoavaliação e para a avaliação externa. Neste âmbito, foi desenvolvido, desde 2006, um programa nacional de avaliação dos jardins de infância e das escolas básicas e secundárias públicas, tendo-se cumprido o primeiro ciclo de avaliação em junho de 2011.
A então Inspeção-Geral da Educação foi incumbida de dar continuidade ao programa de avaliação externa das escolas, na sequência da proposta de modelo para um novo ciclo de avaliação externa, apresentada pelo Grupo de Trabalho (Despacho n.º 4150/2011, de 4 de março). Assim, apoiando-se no modelo construído e na experimentação realizada em doze escolas e agrupamentos de escolas, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) está a desenvolver esta atividade consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 15/2012, de 27 de janeiro.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento de Escolas de Terras de Bouro realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efetuada entre
18 e 20 de fevereiro de 2013. As conclusões decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, em especial da sua autoavaliação, dos indicadores de sucesso académico dos alunos, das respostas aos questionários de satisfação da comunidade e da realização de entrevistas.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente e consolide a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este documento um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e áreas de melhoria, este relatório oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de ação para a melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa visitou a
escola-sede do Agrupamento, a Escola Básica de Terras de Bouro, a Escola Básica do Gerês e a Escola Básica e Secundária de Rio Caldo.
A equipa regista a atitude de empenhamento e de mobilização do Agrupamento, bem como a colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
ESCALA DE AVALIAÇÃO
Níveis de classificação dos três domínios
EXCELENTE–A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e muito acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais consolidadas, generalizadas e eficazes. A escola distingue-se pelas práticas exemplares em campos relevantes.
MUITO BOM –A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais generalizadas e eficazes.
BOM –A ação da escola tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. A escola apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais eficazes.
SUFICIENTE –A ação da escola tem produzido um impacto aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. As ações de aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola.
INSUFICIENTE–A ação da escola tem produzido um impacto muito aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes na generalidade dos campos em análise. A escola não revela uma prática coerente, positiva e coesa.
O relatório do Agrupamento apresentado no âmbito da
2
–
C
ARACTERIZAÇÃO DO
A
GRUPAMENTO
O Agrupamento de Escolas de Terras de Bouro foi criado no ano letivo 2010-2011, em resultado da agregação dos agrupamentos de escolas de Rio Caldo e do Vale do Homem. Destes dois agrupamentos, apenas o de Rio Caldo foi objeto de avaliação externa, em março de 2008. Atualmente integra oito estabelecimentos de educação e ensino: três jardins de infância, duas escolas básicas com 1.º ciclo e educação pré-escolar, uma escola básica com 1.º ciclo e duas escolas básicas e secundárias, sendo a escola-sede a Escola Básica e Secundária Padre Martins Capela, localizada no centro da vila de Terras de Bouro.
No presente ano letivo, a população escolar totaliza 896 crianças e alunos: 97 da educação pré-escolar (seis grupos); 285 do 1.º ciclo (14 turmas); 152 do 2.º ciclo (oito turmas), 200 do 3.º ciclo (12 turmas); 120 dos cursos científico-humanísticos (10 turmas) e 42 dos cursos profissionais (três turmas). Cerca de 6,6% dos alunos não são de nacionalidade portuguesa e 59% dos alunos do ensino básico e 73% dos do ensino secundário têm computador com ligação à Internet em casa. Dos alunos que frequentam o Agrupamento, 54% não usufruem de auxílios económicos no âmbito da ação social escolar.
O corpo docente é constituído por 97 profissionais, sendo 82% dos quadros. A experiência profissional é significativa, pois 79% lecionam há 10 anos ou mais anos. O pessoal não docente, composto por 36 elementos, é estável, já que 94% possuem contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado.
Os indicadores relativos à formação académica dos pais dos alunos permitem verificar que 5% dos pais dos alunos do ensino básico e 3% dos do ensino secundário têm formação superior. Por sua vez, têm formação secundária e superior 21% dos pais dos alunos do ensino básico e 11% dos do ensino secundário. Quanto à ocupação profissional, 13% dos pais dos alunos do ensino básico e 15% dos alunos do ensino secundário exercem atividades profissionais de nível superior e intermédio.
De acordo com os dados disponibilizados para o ano 2010-2011, ano para o qual a Direção-Geral das Estatísticas da Educação e Ciência disponibilizou valores de referência, as variáveis de contexto do Agrupamento situam-se aquém da mediana no que respeita às percentagens de alunos dos 4.º, 6.º, 9.º e 12.º anos sem auxílios económicos no âmbito da ação social escolar e de professores do quadro, bem como à média do número de anos de habilitações dos pais e encarregados de educação, das escolas do mesmo grupo de referência. A idade média dos alunos dos 4.º, 6.º e 12.º anos está na mediana, enquanto a idade média dos alunos do 9.º ano está abaixo da mediana. Estes dados permitem-nos considerar que estamos perante um contexto desfavorável.
3-
A
VALIAÇÃO POR DOMÍNIO
Considerando os campos de análise dos três domínios do quadro de referência da avaliação externa e tendo por base as entrevistas e a análise documental e estatística realizada, a equipa de avaliação formula as seguintes apreciações:
3.1
–
R
ESULTADOS
RESULTADOS ACADÉMICOS
Na educação pré-escolar, a avaliação da progressão das aprendizagens das crianças e a reflexão sobre o trabalho realizado constituem práticas regulares. Trimestralmente, os encarregados de educação são informados sobre os progressos dos seus educandos.
Analisando os resultados académicos dos alunos no ano letivo 2010-2011 e comparando-os com os obtidos nas escolas de contexto análogo, verifica-se que as taxas de conclusão dos 4.º, 6.º e 12.º anos
estão acima dos valores esperados, enquanto as do 9.º ano estão aquém desse valor. O desempenho dos alunos nas provas de aferição dos 4.º e 6.º anos, a Matemática, bem como nos exames de Português e Matemática do ensino secundário, estão acima dos valores esperados. A percentagem de resultados positivos nas provas de aferição do 4.º ano, em Língua Portuguesa, e a média de classificações obtidas no exame de História, do 12.º ano, estão em linha com os valores esperados, enquanto a percentagem de classificações positivas nas provas de aferição do 6.º ano, a Língua Portuguesa, e nas provas finais do 3.º ciclo, a Língua Portuguesa e a Matemática, estão aquém destes valores.
Quando comparados os resultados dos alunos do Agrupamento, em 2010-2011, com os obtidos nas escolas do mesmo grupo de referência, verifica-se que as taxas de conclusão do 12.º ano e as percentagens de classificações positivas na prova de aferição de Língua Portuguesa no 4.º ano estão acima da mediana e muito acima a taxa de conclusão do 4.º ano. Não obstante as percentagens de classificações positivas nas provas de aferição de Matemática dos 4.º e 6.º anos e as médias das classificações dos exames do ensino secundário de Português, Matemática e História estão próximas da mediana. O desempenho dos alunos nas provas de aferição do 6.º ano de Língua Portuguesa e nas provas finais do 3.º ciclo, quer em Língua Portuguesa quer em Matemática, bem como as taxas de conclusão do 9.º ano estão aquém da mediana e em linha com a mediana a taxa de conclusão do 6.º ano. O contexto socioeconómico do Agrupamento revela que os valores das respetivas variáveis se situam aquém da mediana, pelo que é genericamente desfavorável. Contudo, os resultados observados situam-se globalmente em linha com os valores esperados quando comparados com os das escolas de contexto análogo, determinados para o ano letivo 2010-2011, o que mostra uma possibilidade de melhoria, sobretudo, no 3.º ciclo, onde se verificam os resultados mais fracos.
A análise dos resultados académicos internos e externos realiza-se nas diferentes estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica. Decorrente desta análise, implementam-se estratégias de melhoria, de que é exemplo, o funcionamento, em simultâneo, de clubes/projetos e aulas de apoio, como alternativa de frequência para os alunos. Contudo, esta análise ainda não conseguiu identificar claramente os fatores subjacentes ao insucesso em algumas disciplinas, com vista à melhoria dos desempenhos dos alunos.
Relativamente ao abandono e desistência escolares, refere-se o facto de serem inexistentes.
RESULTADOS SOCIAIS
A participação das crianças e dos alunos na vida escolar é estimulada, concretizando-se em iniciativas promotoras da sua auscultação e corresponsabilização. Os alunos são envolvidos no processo de autoavaliação organizacional, através da aplicação de questionários de satisfação. A assunção de responsabilidades é patente nas funções dos responsáveis por sala, que colaboram diariamente na organização das atividades na educação pré-escolar, e dos delegados de turma. Neste âmbito, sublinha-se a ação das associações de estudantes, na ativação da rádio escolar, e dos alunos dos cursos profissionais, na prestação de serviços de cozinha, restaurante e bar em eventos promovidos pelas escolas e pela comunidade local.
Os alunos são incentivados a participar em clubes e projetos que concorrem para o desenvolvimento integrado de competências, sejam elas artísticas ou culturais, com destaque para os clubes/projetos de teatro, Grupo de Estudo, Informação, Recreio e Artes e o Projeto de Sensibilização e Educação Florestal da População Escolar. É clara a assunção de uma postura de escola inclusiva, sendo visíveis efeitos muito positivos em todas as suas dimensões. Têm sido levadas a cabo iniciativas ligadas ao exercício da cidadania e solidariedade, com impacto relevante na formação pessoal dos alunos, de que são exemplos o cabaz de Natal, o apadrinhamento de escolas/alunos em Moçambique e a recolha de bens tendo por destino famílias carenciadas.
O ambiente educativo favorável ao desenvolvimento das aprendizagens que se vive no Agrupamento é fruto da adequada divulgação das regras presentes no regulamento interno, de algumas iniciativas de prevenção da indisciplina, da concertação de estratégias por parte dos conselhos de docentes e de turma, bem como de uma intervenção imediata por parte da direção.
A articulação do serviço de psicologia e orientação com os docentes, os encarregados de educação, e outros agentes educativos concorre para a melhoria da construção da identidade pessoal dos alunos e para a estimulação das suas competências pessoais e sociais.
Estão instituídos mecanismos de monitorização que permitem avaliar o impacto das aprendizagens e o seguimento dos alunos após a escolaridade. No último ano, a generalidade dos alunos que concluíram o 9.º ano prosseguiu estudos, sendo que a esmagadora maioria enveredou pelo ensino secundário regular. Quanto aos alunos que concluíram os cursos profissionais, 50% integraram o mercado de trabalho.
RECONHECIMENTO DA COMUNIDADE
A análise das respostas aos questionários de satisfação, aplicados no âmbito da presente avaliação externa, evidencia elevados níveis de satisfação e espelham o reconhecimento pelo trabalho realizado. Entre os aspetos que merecem maior concordância por parte da comunidade escolar estão a abertura, disponibilidade e responsabilidade da direção; o funcionamento dos serviços administrativos; a disponibilidade dos docentes e dos diretores de turma; o incentivo prestado aos alunos e o conhecimento das regras de funcionamento do Agrupamento. O item em que se verifica um nível mais baixo de satisfação refere-se ao serviço de refeitório das escolas com 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário.
É notório o contributo do Agrupamento para o desenvolvimento local, traduzido na sua forte ligação à comunidade e na oferta educativa e formativa selecionada segundo critérios ajustados ao contexto socioeconómico da região e inseridos numa estratégia tendente a elevar as expectativas dos alunos e das famílias.
As aprendizagens dos alunos são valorizadas, através da implementação do diploma de valor e mérito e do diploma de comportamento e mérito, sendo realizada uma cerimónia de entrega dos diplomas e medalhas, bem como da realização de exposições de trabalhos dos alunos, ao longo do ano letivo, que reforçam a sua autoestima e os seus sucessos.
Em síntese, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação deBOMno domínio
Resultados.
3.2
–
P
RESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO
PLANEAMENTO E ARTICULAÇÃO
A adequação dos planos de grupo e de turma às características do contexto constituiu uma prática generalizada em todos os estabelecimentos de ensino e têm vindo a ser implementadas várias iniciativas promotoras da articulação curricular e da sequencialidade educativa entre os diferentes níveis de educação e ensino. Destaca-se a realização de reuniões interdepartamentais dos técnicos das atividades de enriquecimento curricular com os docentes de Inglês e Educação Física do 2.º ciclo e os docentes titulares de turma do 1.º ciclo. No final do ano letivo, os titulares de turma do 4.º ano reúnem com os docentes do 2.º ciclo, participando nas reuniões dos conselhos de turma do 5.º ano. Na educação pré-escolar, a continuidade educativa é assegurada pela comunicação muito próxima dos educadores com os professores do 1.º ciclo. Nos 2.º, 3.º ciclos e ensino secundário, a continuidade educativa constitui
uma prática consolidada pelo trabalho cooperativo entre docentes e pela reflexão sistemática sobre a eficácia das diferentes metodologias de ensino aplicadas. Graças a esse trabalho e à partilha de práticas científico-pedagógicas, tem sido possível desenvolver projetos que potenciam a articulação e a reflexão sobre a eficácia das diferentes metodologias de ensino aplicadas. Porém, esta prática, ainda não se revela consistente, sistematizada e generalizada a todos os departamentos curriculares.
Os documentos estruturantes do Agrupamento têm sempre presente a adequação dos planos de atividades, dos planos dos grupos e das turmas às características do meio envolvente. De destacar o projeto de articulação dos jardins de infância e das escolas do 1.º ciclo Terras de Bouro de Lés a Lés, cujo tema aglutinador é A Vida Convida, iniciado no ano letivo 2010-2011, sendo o tema do presente ano letivo Os Usos e Costumes.
Ao assumir como critérios prioritários da distribuição do serviço docente a continuidade pedagógica no mesmo ciclo, bem como a manutenção dos diretores de turma, o Agrupamento assegura a informação sobre o percurso escolar dos alunos. A coerência entre o ensino e a avaliação é garantida através da articulação entre as diferentes modalidades de avaliação e pela definição de critérios claros que são divulgados aos alunos e encarregados de educação no início do ano letivo.
PRÁTICAS DE ENSINO
A operacionalização do currículo segue as orientações definidas nos departamentos curriculares e conselhos de turma. São evidentes dinâmicas de trabalho partilhado que tem permitido a discussão de estratégias tendentes à adequação do ensino ao ritmo das aprendizagens dos alunos.
As estruturas de apoio desenvolvem um trabalho colaborativo entre os docentes titulares de turma e os diretores de turma e estão atentas aos casos que necessitam de intervenção, especialmente aos alunos que revelam necessidades educativas especiais de caráter permanente.
Das iniciativas desenvolvidas com vista a estimular e valorizar as potencialidades dos alunos, destaca-se a criação do gabinete de informação e apoio ao aluno, nas duas escolas básicas e secundárias e no âmbito do Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar, em parceria com o Centro de Saúde e a Câmara Municipal de Terras de Bouro. Atualmente, o Agrupamento conta com a colaboração de uma psicóloga e de uma terapeuta da fala, colocadas pela Câmara Municipal e uma psicóloga estagiária no âmbito de um protocolo com a Universidade Católica que apoiam as crianças e os alunos referenciados.
O trabalho realizado pelas cinco bibliotecas escolares em funcionamento merece um destaque especial pela dinamização de diversos projetos, quer no âmbito do Plano Nacional da Leitura, quer no âmbito da formação integral das crianças e dos alunos (Ler ao Entardecer, Hora do Conto, Comemoração da Semana da Leitura, entre outras), promotores de articulação entre os diferentes níveis de educação e ensino. Existe uma prática sistemática e deliberada no sentido da exigência e incentivo à melhoria de desempenho dos alunos, recorrendo a estratégias de ensino diversificadas, tais como o apoio educativo (Português, Matemática e línguas estrangeiras), a sala de estudo e os vários clubes/projetos, com destaque para o Grupo de Estudo, Informação, Recreio e Artes, onde os alunos que não carecem de apoio são motivados a desenvolver várias tarefas na área do jornalismo (jornal escolar O Miliário), do desporto, das artes e da criação de um blogue.
O desenvolvimento de metodologias ativas e experimentais no ensino e nas aprendizagens é fomentado desde a educação pré-escolar, com destaque para o Dia da Ciência em que se desloca uma docente de Físico-Química aos jardins de infância e escolas do 1.º ciclo com o objetivo de criar o gosto pelo ensino experimental das ciências.
As crianças e os alunos são incentivados a valorizar a dimensão artística e cultural, destacando-se, neste domínio, a oferta do clube da música, o clube da fotografia e o projeto Grupo de Estudo,
crianças que frequentam os jardins de infância, com o apoio da Câmara Municipal no transporte das mesmas aos pavilhões desportivos das duas escolas básicas e secundárias. Estas iniciativas contribuem para uma formação mais abrangente e integral das crianças e dos alunos.
As estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica definem e articulam práticas que contribuem para promover uma cultura de exigência e de incentivo à melhoria que se reflete na monitorização e avaliação da eficácia dos resultados. Porém, ainda não se encontra instituído um mecanismo regular de observação da prática letiva como forma de desenvolvimento profissional dos docentes.
MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ENSINO E DAS APRENDIZAGENS
O Agrupamento definiu critérios de avaliação para todos os níveis de educação e ensino. Estes critérios são definidos a partir das propostas de cada departamento, tendo em conta a sua adequação aos ciclos e anos de escolaridade e à natureza das disciplinas. Os pais e encarregados de educação e os alunos conhecem os critérios de avaliação e estes são percecionados pelos discentes como justos. São diversos os instrumentos utilizados para a avaliação dos alunos, contudo, apesar dos docentes considerarem a avaliação formativa como a principal modalidade de avaliação, é reconhecido, pelos mesmos, o peso da avaliação sumativa. É notório o envolvimento, a responsabilização e o empenhamento de todos os intervenientes no processo educativo, bem como a qualidade da informação transmitida aos encarregados de educação pelos docentes titulares de grupo e de turma e pelos diretores de turma.
Considerando que na anterior avaliação externa realizada a apenas um dos agrupamentos, atualmente agregados, se verificava a inexistência de procedimentos de monitorização estratégica, esta área foi valorizada pela atual direção e evidencia melhorias. Os departamentos monitorizam o cumprimento do currículo e confrontam os resultados obtidos na avaliação interna e externa, ajustando os recursos educativos e o tempo de aprendizagem dos alunos com apoio. A diversidade da oferta educativa, a qualidade do ambiente educativo e o trabalho de aproximação às famílias, por parte dos diretores de turma, têm-se revelado instrumentos eficazes de prevenção da desistência e do abandono escolares.
Em síntese, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Estes fundamentos justificam a atribuição da classificação deBOM no domínio
Prestação do Serviço Educativo.
3.3
–
L
IDERANÇA E GESTÃO
LIDERANÇA
A missão do Agrupamento encontra-se definida de forma clara no projeto educativo e responde às necessidades específicas do contexto sociocultural envolvente e às especificidades dos dois agrupamentos entretanto agregados. Contudo, as metas previstas no documento não são quantificáveis/avaliáveis, o que poderá comprometer a monitorização da ação educativa.
O sentido de coesão promovido pelas lideranças intermédias é evidenciado pela forma como os diversos atores escolares partilham os valores e as prioridades e se empenham diariamente na sua efetiva concretização, sendo evidentes as melhorias face à anterior avaliação externa realizada. O sentido de identificação com o Agrupamento manifestado pelos vários intervenientes educativos, associado a um clima de trabalho acolhedor e familiar, tem favorecido o desenvolvimento de uma cultura democrática e participativa propícia à inclusão e à formação humanista dos alunos.
A formação integral do aluno é perspetivada pelos professores como uma condição necessária à promoção do sucesso escolar, tendo estes investido fortemente em iniciativas mobilizadoras da comunidade, como estratégia para alargar e intensificar o envolvimento de todos os atores educativos. São disto exemplo as inúmeras parcerias e projetos inovadores e com forte impacto na comunidade local. De destacar a promoção de iniciativas estrategicamente concebidas para incrementar o sentido de coesão institucional, fazendo convergir as especificidades culturais das várias escolas para um projeto educativo coletivo. Apesar do processo de fusão ser recente, é notório o trabalho da direção na consolidação deste processo, incentivando a participação de todos os atores, promovendo diversas parcerias socioeducativas com instituições da comunidade local. A profícua colaboração do município tem sido fundamental para a concretização dos objetivos do Agrupamento.
As coordenações dos departamentos curriculares, a coordenação dos cursos profissionais e os conselhos de turma têm contribuído de forma significativa para a concretização dos objetivos plasmados no projeto educativo. A articulação destas estruturas com a direção sustenta-se no diálogo permanente e na definição clara de áreas de intervenção respetivas. É notório o elevado conhecimento que os diferentes responsáveis pelas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica detêm sobre as dinâmicas de funcionamento escolar.
O trabalho colaborativo é visto como um fator promotor da partilha de experiências e da construção coletiva de consensos, o que tem facilitado a sua gestão. O facto de a direção ser acessível, dialogante e integradora tem contribuído para o desenvolvimento de um clima aberto e pacífico, pautado pelos princípios da participação, corresponsabilização e democraticidade.
GESTÃO
A gestão dos recursos humanos é pautada pelos princípios da equidade e da transparência, tendo sempre em consideração o percurso profissional dos docentes e não docentes e a valorização das competências individuais em benefício da missão do Agrupamento. Verifica-se a existência de princípios orientadores relativamente à constituição de turmas, à elaboração de horários e à distribuição de serviço, sendo as respetivas propostas objeto de discussão interna e posteriormente aprovadas em sede de conselho pedagógico e de conselho geral.
A dinâmica de formação promovida interna e externamente pelo centro de formação e pela autarquia tem contribuído para o aprofundamento de conhecimentos específicos em áreas prioritárias, bem como para a aquisição de novas competências, fator fundamental para assegurar a rotatividade de funções do pessoal não docente, sendo evidente a evolução. Há evidências de uma evolução desde a anterior avaliação externa, considerando que foi elaborado um plano de formação após a identificação das necessidades dos docentes e não docentes, com impacto no desempenho profissional dos mesmos.
Sendo marcante a distribuição geográfica das várias escolas do Agrupamento, os responsáveis têm investido na diversificação dos mecanismos de difusão da informação, privilegiando a implementação de estratégias de comunicação à distância, de que são exemplo, a plataforma moodle, a página eletrónica, o blogue e o jornal escolar. De forma a colmatar as dificuldades sentidas por alguns pais e encarregados de educação no acesso a estas formas de comunicação, os professores recorrem igualmente ao contacto telefónico e à caderneta do aluno para difundir informações sobre respetivos educandos.
AUTOAVALIAÇÃO E MELHORIA
Considerando os resultados da avaliação externa realizada em 2008 a apenas um dos agrupamentos que integrou a atual agregação, avançou-se para a implementação de diversas estratégias de melhoria, entre as quais a integração da equipa de autoavaliação no projeto de avaliação em rede da Universidade do Minho. Com o objetivo de criar uma cultura de autoavaliação mais assertiva, esta equipa foi reestruturada no início do ano letivo 2012-2013, dando continuidade ao trabalho já iniciado, contando para o efeito com o apoio científico do amigo crítico. Encontrando-se ainda numa fase preparatória do
indicadores, sendo notório o empenho colocado no levantamento exaustivo de informações nos vários domínios de atuação.
Com o propósito de tornar o processo de autoavaliação mais operativo e eficaz, a equipa optou, nesta fase preliminar, por integrar apenas quatro docentes. Reconhecendo as limitações que tal composição pode implicar, a equipa está a diligenciar a integração de representantes da comunidade educativa, designadamente alunos, encarregados de educação e pessoal não docente. Em termos de procedimentos de recolha e tratamento da informação, foi evidenciado o recurso a questionários e a análise documental. Apesar dos resultados estarem em progresso, com vista à sua incorporação no relatório final de autoavaliação, existe já uma base de informações pertinentes sobre os domínios do desenvolvimento curricular, dos resultados e das trajetórias escolares dos alunos do ensino secundário regular e profissional.
À medida que as informações vão sendo recolhidas e se vão gerando novos resultados, os mesmos são debatidos nos órgãos e posteriormente divulgados na página eletrónica, no blogue institucional, no jornal escolar e na plataforma moodle. A abrangência do processo de autoavaliação sendo adequada, numa primeira fase, aos constrangimentos organizacionais advindos da fusão dos agrupamentos e da sua distância geográfica, carece doravante de ser focalizada em áreas prioritárias, com vista a uma melhor sustentação do processo autoavaliativo. Devido ao facto do processo de autoavaliação estar ainda no início, o seu impacto é mais visível ao nível do planeamento e da organização da atividade educativa do que ao nível mais profundo das práticas profissionais.
Em síntese, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes, pelo que se justifica a atribuição da classificação BOM no domínio Liderança
e Gestão.
4
–
P
ONTOS FORTES E ÁREAS DE MELHORIA
A equipa de avaliação realça os seguintes pontos fortes no desempenho do Agrupamento:
A diversidade e expressão de atividades destinadas a fomentar a participação dos alunos, com impacto positivo ao nível da educação para a cidadania e nas aprendizagens.
O contributo do Agrupamento para o desenvolvimento da comunidade local nas dimensões da inclusão/integração e no envolvimento em atividades comunitárias.
A diversidade da oferta formativa proporcionada pelo Agrupamento com impacto na redução da desistência e do abandono escolar.
O trabalho desenvolvido no âmbito das bibliotecas escolares dinamizador da ação pedagógica e promotor de articulação entre os diferentes níveis de educação e ensino.
O estabelecimento de parcerias eficazes, sobretudo com a Câmara Municipal, recurso fundamental para a concretização do projeto educativo com vista a promover o sucesso educativo.
O forte sentido de identificação com a missão do Agrupamento, com tradução no bom ambiente organizacional e nas lideranças integradoras e mobilizadoras.A equipa de avaliação entende que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus esforços para a melhoria são as seguintes:
O aprofundamento da análise e reflexão sobre os fatores internos explicativos do insucesso em algumas disciplinas, com vista à melhoria dos desempenhos dos alunos.
A generalização de dinâmicas potenciadoras da consolidação do trabalho colaborativo entre os docentes, de forma a assegurar a articulação interdepartamental para que o seu impacto na melhoria das aprendizagens e dos resultados escolares dos alunos seja significativo.
A supervisão pedagógica ao nível do acompanhamento e monitorização das atividades letivas em sala de aula, proporcionando a generalização das melhores práticas.
A monitorização da eficácia das medidas/respostas educativas aos alunos com dificuldade de aprendizagem, no sentido da melhoria das aprendizagens.
A definição de metas quantificáveis que facilitem a monitorização regular do projeto educativo e promovam a eficiência e a eficácia da ação pedagógica do Agrupamento.
A sustentação do processo de autoavaliação, com a ampliação e diversificação da equipa e focalização em áreas prioritárias, com vista ao desenvolvimento do Agrupamento.A Equipa de Avaliação Externa:
Leonor Torres, Maria Filomena Vidal e Maria Teresa Ribeiro
Concordo. À consideração do Senhor Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, para homologação.
A Subinspetora-Geral da Educação e Ciência
Homologo.
O Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar
Maria Leonor
Venâncio
Estevens Duarte
Digitally signed by Maria Leonor Venâncio Estevens Duarte DN: c=PT, o=Ministério da Educação e Ciência, ou=Inspeção-Geral da Educação e Ciência, cn=Maria Leonor Venâncio Estevens Duarte Date: 2013.09.23 20:16:12 +01'00'
João Casanova de Almeida
Assinado de forma digital por João Casanova de Almeida DN: c=PT, o=Ministério da Educação e Ciência, ou=Gabinete do Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, cn=João Casanova de Almeida Dados: 2013.09.30 13:06:16 +01'00'