Vitamina A e Retinóides
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOFACULDADE DE SAÚDE PÚBLICA DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO
HNT- 130 – Nutrição Normal
Wolney Lisboa Conde
HISTÓRICO DA DESCOBERTA
EGITO ANTIGO: extrato de fígado para curar a cegueira noturna.
SÉCULO XIX: cegueira noturna nos exércitos em combate.
1915: essencialidade da vitamina A (McCollum e Davis 1915; Osborne e Mendel 1919).
1920: Descoberta dos carotenos.
1940: Síntese da vitamina A (Arens e van Dorp 1940).
DÉCADA de 5O: vitamina A e pigmento das células fotoreceptoras.
1987: Receptores nucleares aos retinóides (controle expressão gênica).
RETINÓIDES: A vitamina A, carotenóides, metabólitos do retinol ou análogos sintéticos pertencem a uma classe de compostos estruturalmente relacionados ao retinol (quer apresentem ou não a atividade biológica do retinol).
DEFINIÇÕES DE TERMOS
VITAMINA A: termo nutricional genérico para descrever a família de componentes essenciais, naturais da dieta, lipossolúveis, de estrutura química e atividade biológica relacionadas ao álcool retinol. Inclui os carotenóides (ou pró-vitamina A).
RETINOL: álcool, sólido, cristalino amarelado; na natureza, encontra-se esterificado com ácidos graxos de cadeia longa (ácido palmítico, ácido esteárico), formando o retinil-éster, que confere estabilidade.
CAROTENÓIDES: pró-vitamina A, de origem vegetal; encontrados nas formas α-, β-, γ-caroteno, criptoxantina, zeaxantina, luteína e o licopeno.
ESTRUTURA E CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS
Em geral, retinóides são compostos de três domínios estruturais distintos:
ESTRUTURA E CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS
exemplos- Retinóides naturais: maioria é solúvel em gordura corporal, óleos e solventes orgânicos (exceto água); uso limitado como produtos farmacêuticos. No entanto, alguns retinóides são hidrossolúveis (propriedade em geral associada a menor toxicidade, diferenças no transporte e no metabolismo).
5 duplas ligações: características espectrais (absorção UV; absorção e emissão de fluorescência). Propriedades empregadas na detecção, identificação e quantificação dos retinóides.
Vitamina A susceptível à oxidação quando exposta à luz e calor em atmosfera úmida (oxidação reduzida em presença de agentes redutores – por ex, vit E).
Características químicas
1 Equivalente de Retinol = 1µg retinol = 12µg β-caroteno = 24µg outros carotenos 1 UI de vitamina A = 0,3µg retinolTabela 1. Absorção do β-caroteno e conversão em retinol. 5 Espinafre 4-8 Folhas verde-escuro 11 Brócole 26 Cenoura Eficiência de absorção comparado ao β-caroteno no óleo (%)
Pró-vitamina A: equivalência e conversão
Lúmen intestinal Linfa
β ββ
β-caroteno
→
Retinil-éster→ retinol→
METABOLISMO – absorção intestinal
β ββ β ou retinal QM LLP sangue QM-r Fígado -RBP
Metabolismo intracelular do retinol
RETINIL-ÉSTER CAROTENÓIDES
RETINOL RETINAL
ÁCIDO RETINÓICO
Metabolismo intracelular
11-cis- retinal↑
11-cis-retinol↑
éster-retinil↑
retinol Retinol 11-cis-retinal/IRBP Espaço intersticial Retinol /IRBP 11-cis-retinal HV rodopsina opsina opsina + retinolRBP- Retinol plasmática Sinalização hormonal
RETINAL
Envolvido no mecanismo de visão (transformação da luz em sinais nervosos necessários para a visão).
Céls. Fotorreceptoras (bastonestes e cones) Epitélio pigmentar da retina
Diferenciação celular e inibição proliferação de células:
- Diferenciação células conjuntiva, córnea e demais
estruturas oculares.
- Desenvolvimento normal do embrião.
- Espermatogênese.
-Melhora resposta imune.
-Crescimento.
ÁCIDO RETINÓICO
RBP-TTR-ROL RA Proteína ROL ↔ RAL RA 9-c-RA RNAm DNA # # RA-RAR 9-c-RA-RXRROL- retinol/ RA- ácido retinóico / RAL –retinal/
9-c-RA- ácido 9-cis retinóico.
Plasma Citosol Núcleo celular
ÁCIDO RETINÓICO
Vitamina A – ações em sistemas, tecidos e funções
CAUSAS:
dieta deficiente em vitamina A; doenças infecciosas de repetição; insuficiência pancreática; diminuição ou falta de sais biliares; baixa ingestão de gordura; síndrome de má absorção; alcoolismo crônico;
destruição das células hepáticas; alterações genéticas.
Concentração de vitamina A no leite materno: Países desenvolvidos: 55 µg/dL Países em desenvolvimento: 30 µg/dL
DEFICIÊNCIA
cegueira noturna (xeroftalmia – conjunto de
sintomas oculares);
xerose;
mancha de Bitot;
ulceração da córnea (queratomalácia);
cegueira total;
síndrome do desconforto respiratório em RN
prematuros.
Concentração plasmática normal em adultos: 43-86µg retinol/dl. Deficiência (µg/dl): leve: 20-30; moderada: 10-20; severa:<10
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
100 200 300 500 V it A p la sm át ic a (µ g /d L ) Vit A do fígado (µg/g)
Figura 1. Relação do retinol plasmático com depósitos de vit. A no fígado.
100
50
Avaliação bioquímica:
Concentração no fígado: (“padrão-ouro”)
estado deficiente: <5µg retinol/g
limítrofe: 5 a 20µg retinol/g
Teste RDR (relative dose response)
RDR (%) = A5- A0 X 100
A5
Depleção reservas hepáticas: RDR> 20%
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA DO ESTADO NUTRICIONAL (I)
Para avaliação populacional
- Sinais clínicos : mancha de Bitot, xerose.
-Avaliação nutricional: questionário de frequência
alimentar.
-Análise histológica: citologia da impressão da
conjuntiva.
- Análise teor retinol no leite materno
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA DO ESTADO NUTRICIONAL (II)
TOXICIDADE
AgudaCurto espaço de tempo; uso de uma ou mais doses 100 vezes maior que a recomendada (para adulto) ou 20 vezes maior (para crianças). Os sinais são: náuseas, vômitos, cefaléia, vertigem, visão turva, falta de coordenação motora, proeminência das fontanelas, sonolência, mal estar geral, inapetência, prurido, descamação cutânea, coma, convulsão, insuficiência respiratória e morte.
Crônica
É mais freqüente que a aguda; ingestão repetida de doses excessiva, 10 vezes acima da dose recomendada.
Os sinais são: cefaléia, alopecia, prurido e pele seca, hepatomegalia, dores ósseas e articulares.
Teratogênica
Produzida por ingestão
medicamentosa.
Os
efeitos
são:
reabsorção fetal, aborto,
má formação congênita.
3000 Adolescentes 19+ 2800 Adolescentes 14-18 anos 1700 Crianças 9-13 anos 900 Crianças 4-8 anos 600 Crianças 1 –3 anos 600 Crianças 0-12 meses UL (retinol-mcg/dia) Grupo etárioTabela 2. Upper Limit para vitamina A (DRIs).
TOXICIDADE - limites
NECESSIDADES NUTRICIONAIS - DRI
Tabela 3. Recommended Dietary Allowances (RDA) para vitamina A (DRIs).
1300 ---Lactantes 19 e + 1200 ---Lactantes < 18 anos 770 ---Gestantes 19 e + 750 ---Gestantes < 18 anos 700 900 Adolescentes 19 e + 700 900 Adolescentes 14-18 anos 600 600 Crianças 9-13 anos 400 400 Crianças 4-8 anos 300 300 Crianças 1-3 anos 500 500 Crianças 7-12 meses 400 400 Crianças 0-6 meses Mulheres (mcg/dia) Homens (mcg/dia) Grupo etário
NECESSIDADES NUTRICIONAIS - FAO
400 200 1-6 anos 350 180 < 1 ano Ingestão segura (mcg/dia) Necessidade basal (mcg/dia) Faixa etária FAO (crianças)
FONTES ALIMENTARES
Outros carotenóidesluteína: brócole, couve de bruxelas, feijão verde, ervilhas, abobrinha, milho; licopeno: tomate, melancia, grapefruit vermelha.
Carotenóides
β-caroteno e β-criptoxantina: manga, mamão, laranja, apricot,
cenoura, pimenta vermelha, abóbora, batata-doce, brócole, folhosos
verde-escuro;
α-caroteno: cenoura, abóbora, mamão, laranja;
Vitamina A pré-formada
Fígado, leite integral e derivados, óleo de fígado de peixes, ovos
INFECÇÃO, IMUNIDADE E CÂNCER
↓VITAMINA A →
↓ IMUNIDADE
•
↓ produção de muco (barreira) pelas células epiteliais
da
mucosa
da
conjuntiva,
trato
respiratório,
gastrointestinal e urogenital;
• Impede a maturação dos promielócitos em neutrófilos,
↓ fagocitose;
•
↓ capacidade fagocitária dos macrófagos;
•
↓ número de células NK (natural killer – células do
tecido linfóide) e ↓ atividade lítica.
Vitamina A tem efeito anti-cancerígeno?
em homens > 70 anos = ↓ risco para
desenvolvimento de câncer de próstata.
concentração plasmática em homens com hiperplasia
prostática benigna > homens com câncer de próstata.
Vitamina A e câncer
Benefícios à saúde infantil da suplementação com vitamina A Vitamina A é essencial para o funcionamento do sistema imune para o
crescimento saudável e desenvolvimento da criança
O simples fornecimento de altas doses de suplementos de vitamina A a cada 4 – 6 meses não apenas protege contra cegueira, mas tem-se mostrado, repetidamente, ter dramático e múltiplo impacto sobre a saúde de crianças entre 6 e 59 meses.
Suplementação com vitamina A
Suplementação com vitamina A
SARAMPO:
recupera a integridade da mucosa;
resposta dos anticorpos aos antígenos bacterianos;
recupera a atividade dos neutrófilos.
DIARRÉIA:
recupera a integridade da mucosa;
↓ incidência de diarréia severa em crianças com
DEP.
VITAMINA A E SAÚDE PÚBLICA
Tabela 4. Prevalência global de deficiência clínica e sub-clínica de vitamina A em crianças de 2 a 8 anos (WHO, 1995).
49
Brasil (NE) (1992)
20
Américas
22
Mediterrâneo
49
Àfrica
27
Pacífico
69
Sudeste asiático
Percentual (%)
Região
Tabela 5. Critérios para avaliação da xeroftalmia e da deficiência de vitamina A como um problema de saúde pública, de acordo com a prevalência em crianças menores de 6 anos (WHO, 1982).
5,0 Concentração sérica retinol < 10
µg/dL
0,01 Xerose córnea e/ou
queratomalácia 0,5 Mancha de Bitot 1,0 Cegueira noturna Prevalência (%) Sinais
Brasil: inquéritos alimentares (últimos 25 anos): 60% população abaixo de 50% de adequação para vit A. INAN (1983): megadoses vitamina A programas vacinação estados nordeste.
Deficiência de vitamina A - epidemiologia
200 000 IU Booster doses*Special
campaigns* Delayed primary immunization doses* Children aged 1–4 years
100 000 IU 200 000 IU Measles vaccine contact
Infants aged 9–11 months Children aged 12 months and older
200 000 IU BCG, OPV-0 or DTP-1
contact up to six weeks All mothers irrespective of
their mode of infant feeding up to six weeks postpartum if they have not received vitamin A supplementation after delivery
Vitamin A dose Immunization contact
Target group