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MECANISMO DE ADERÊNCIA NA INTERFACE AZULEJO/ARGAMASSA

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MECANISMO DE ADERÊNCIA NA INTERFACE

AZULEJO/ARGAMASSA

Sandro Botas LNEC Portugal [email protected] Rosário Veiga LNEC Portugal [email protected] Ana Velosa U. Aveiro Portugal [email protected]

Resumo: As fachadas azulejadas são um testemunho vivo de tradições culturais e

elementos arquitecturalmente ricos em Portugal. Hoje em dia encontram-se muitos destes elementos degradados necessitando urgentemente de manutenção.

O presente estudo tem o objectivo de optimizar argamassas para reaplicação de azulejos antigos. Foram realizados ensaios de absorção de água a vários azulejos novos e antigos e foram realizadas argamassas, de composições semelhantes às antigas, de modo a testar a sucção e a aderência aos azulejos novos; é um bom ponto de partida para o estudo de novas composições por forma a proporcionar uma adequada aderência e compatibilidade azulejo/argamassa.

Palavras–chave: Argamassa, azulejo, cal, aderência, porosidade.

1. INTRODUÇÃO

O azulejo é um elemento usado nas fachadas de muitos edificios Portugueses. As fachadas azulejadas vincam a identidade arquitectural dos edificios e fazem parte do seu contexto cultural. O início do uso generalizado dos azulejos no revestimento exterior de fachadas dá-se no século XIX, época em que começa a sua produção industrializada.

Uma quantidade significativa das fachadas azulejadas desta época encontra-se num elevado estado de degradação; torna-se assim imperativa a sua urgente manutenção. Os azulejos antigos, amplamente usados em Portugal como revestimentos interiores e exteriores, estão em muitos casos a destacar-se da argamassa de assentamento por perda de aderência; este facto deve-se maioritariamente ao envelhecimento das argamassas (geralmente de cal e areia) usadas no seu assentamento [1] e à degradação da interface argamassa-azulejo. Esta anomalia, segundo Veiga [1], é de difícil reparação e obriga a recolagem dos azulejos soltos.

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As intervenções em fachadas azulejadas degradadas têm necessariamente de ter em conta as características do azulejo, da argamassa de assentamento e do suporte. Na maioria das intervenções é necessária a reaplicação dos azulejos antigos destacados e consequente uso de argamassas novas. As novas argamassas terão de ter características que proporcionem uma boa aderência ao azulejo e ao suporte, compatibilidade com os materiais existentes e durabilidade, nunca comprometendo a reversibilidade da sua utilização.

A composição das argamassas de substituição, segundo a maioria dos autores, deve ser semelhante ou providenciar características semelhantes às argamassas originais. Veiga [1] refere que as argamassas de substituição devem ter características mecânicas, capilaridade, permeabilidade ao vapor e facilidade de secagem semelhantes às argamassas originais; Ferreira [2] corrobora desta opinião.

A interface argamassa/azulejo é a parte do sistema com maior importância no mecanismo de aderência, porque é exactamente nesse local que ocorrem os fenómenos responsáveis pela aderência, ou seja, a penetração de água e matéria fina da argamassa no azulejo e a carbonatação do ligante que promove a ligação dos dois corpos (azulejo e argamassa). A interface é também um local onde poderá haver uma concentração de humidade ou de sais solúveis que poderão provocar o descolamento do azulejo.

LAWRENCE et al [3] enunciam, acerca da interface argamassa de cal/tijolo, que a dimensão dos poros da superfície do tijolo e que a quantidade de água absorvida condicionam a aderência. Analogamente, as características porosas dos azulejos são muito importantes no mecanismo de aderência.

Azulejos antigos representativos da época de estudo foram caracterizados porometricamente e foram estudadas as características de transporte de água da sua superfície. Alguns azulejos novos e réplicas de azulejos antigos foram também estudados. Foram desenvolvidas algumas composições de argamassas de cal, variando a granulometria da areia, o traço ligante/agregado e a quantidade de água de amassadura. Estas argamassas foram aplicadas em azulejos novos, pré-seleccionados, com diferentes características de absorção de água, de modo a verificar as caracterísicas de sucção e de aderência das argamassas.

Foi desenvolvido um ensaio de sucção com o objectivo de avaliar a penetração de água e partículas finas nos azulejos nos primeiros 5 minutos. O ensaio permite avaliar a influência da granulometria, das proporções ligante/agregado e das proporções água/ligante no comportamento inicial da interface azulejo/argamassa. A influência da absorção de água também é estudada.

Foi realizado um ensaio de aderência com o objectivo de testar a aderência das diversas composições de argamassas com os azulejos novos. As composições de argamassas usadas no ensaio resultam das conclusões obtidas do ensaio de sucção.

2. DESENVOLVIMENTO EXPERIMENTAL

2.1 Materiais

2.1.1 Azulejos

Foram testados três tipos de azulejos: azulejos antigos do século XIX; azulejos novos, com diferentes características porosas; e réplicas de azulejos antigos, produzidas com o intuito de reproduzir as características dos azulejos antigos.

Os azulejos antigos foram removidos das fachadas em avançado estado de degradação da cidade de Ovar.

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Tabela 1 – Origem e identificação dos azulejos antigos

Azulejos Fábrica Identificação

Azulejos antigos ? AZA1 ? AZA2 JPV AZA3 AACosta AZA5 JPV AZA8

Tabela 2 – Origem e identificação dos azulejos novos e das réplicas de azulejos antigos

Azulejos Fábrica Identificação Placas cerâmicas Cerâmica do

Liz Ceramica

Vidrado Revigrés Vidrado

Vidrado Cinca Vidrado 1

Vidrado Recer Vidrado 2

Vidrado Recer Vidrado 3

Porcelânico Revígres Porcelânico

Porcelânico Recer Porcelânico 1

Replica Azupal Azupal

Replica Hcer Hcer

Replica Primus

Victória Primus Victória

2.1.2 Argamassas

Foram usados três tipos de areias com diferente granulometria: FPS 120 (areia fina 0,01mm - 0,212mm); APAS 30 (areia média 0,15mm - 0,71mm); Mistura (mistura de três areias com diferentes dimensões de grão (APAS 12, APAS 20 e APAS 30). A areia Mistura foi usada com o intuito de simular a granulometria da areia do Rio Tejo. O ligante usado no estudo foi cal aérea (Lusical H100) da empresa Lusical, classificada como CL 90-S segundo a norma EN 459-1:2010. Foram preparadas composições de argamassas com traços volumétricos ligante/agregado 1:2 e 1:3 e usadas duas quantidades diferentes de água de amassadura, resultando em valores na mesa de espalhamento de 120mm (consistência com menor fluidez) e 160mm (consistência fluida).

2.2 Procedimentos de ensaio

2.2.1 Absorção de água por capilaridade

Os azulejos foram testados segundo a norma EN 1015-18:2002 [4], com algumas modificações necessárias de forma a ajustar os procedimentos à diferente natureza, forma e dimensão das amostras. Os azulejos foram colocados com a face cerâmica em contacto com a água. Foi mantido um filme de água de 1mm de expessura em contacto com o azulejo ao longo de todo o ensaio. A curva de absorção de água por capilaridade foi traçada de acordo com as diferenças de massa durante 24 horas.

2.2.2 Porosidade aberta

O ensaio baseou-se nos procedimentos da ficha de ensaio Fe 02 [5]. O método baseia-se na conjugação dos resultados de três pesagens: amostra seca, pesagem em imersão e pesagem com a amostra saturada de água. Por diferenças de massa chega-se ao resultado da porosidade aberta do azulejo, em percentagem.

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2.2.3 Porosimetria por intrusão de mercúrio

O ensaio de determinação da porosimetria por intrusão de mercurio foi realizado seguindo as indicações da Norma ASTM D4404-84 [6]; o ensaio é baseado na quantificação do volume de mercúrio que penetra nos poros do azulejo sob várias pressões. Foi usado o equipamento FILLING APPARATUS e AUTOSCAN60 da QUANTACHROME.

2.2.4 Sucção de argamassas

Foi desenvolvido um teste original com o objectivo de analisar, qualitativa e quantitativamente, a sucção inicial das argamassas por parte dos azulejos por medição do aumento de massa do azulejo. O ensaio consiste na pesagem do azulejo depois de removida a argamassa seguida do cálculo da diferença de massa num curto espaço de tempo.

Inicialmente, os azulejos foram secos a uma temperatura de 105 ± 5ºC até massa constante e foram pesados.As argamassas foram colocadas nos azulejos com uma energia conhecida e constante dada pela queda de 0,5m de altura dentro de um tubo de plástico com diâmetro interno de 110mm. Os azulejos tinham sido previamente cobertos com uma rede de fibra de vidro (malha 1mm x 1mm) de modo a permitir retirar a argamassa sem dificultar a sucção. Após 5 min de contacto, o azulejo foi separado da argamassa levantando a rede e retirando todo o material sobre a rede; foi em seguida pesado e colocado na estufa até massa constante, após o que foi novamente pesado. A diferença de massa em relação à massa antes da secagem e em relação à massa inicial permite o cálculo da massa de água e finos absorvidos pelos azulejos. A figura 1 mostra o esquema de montagem e o procedimento de ensaio.

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Figura 1 – Procedimento do ensaio de sucção

2.2.5 Aderência Azulejo/argamassa

O ensaio de aderência entre o azulejo e a argamassa foi realizado de acordo com a norma EN 1015-12 [7].

A preparação dos provetes iniciou-se com a queda da argamassa, de uma altura de 0,5m na direcção do azulejo, através de um tubo acrilico. Este processo é executado por forma a aplicar a mesma energia em todas as aplicações. O interior do tubo acrilico tem as mesmas dimensões da superficie do azulejo. Após a queda, a argamassa foi manualmente compactada e regularizada sob a forma de uma camada com uma espessura de 20mm. Após a aplicação da argamassa os provetes foram isolados do ar numa câmara, em condições de 20º C e 50% HR, por um período de 7 dias. Este isolamento tem o objectivo de inibir o contacto da argamassa com o dióxido de carbono, simulando assim as condições reais, nas quais o azulejo impede o contacto directo da argamassa com a atmosfera, dificultando a carbonatação. Os provetes foram depois retirados da câmara e mantidos numa sala condicionada nas condições de 20º C e 50% HR até à realização dos ensaios (28 e 90 dias).

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

3.1 Absorção de água por capilaridade dos azulejos

A absorção de água por capilaridade foi analisada em termos de quantidade total de água absorvida e taxa de absorção inicial (aos 5min) pelo coeficiente de capilaridade. As

Recipiente de vidro Funil Cartão Plasticina Azulejo Argamassa Placa acrilica Tubo de PVC Rede 10,5cm 50cm ...5min...

1

2

3

4

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tabelas 3 e 4 mostram os valores assimptóticos de absorção capilar e os coeficientes de capilaridade.

Tabela 3 – Coeficiente de capilaridade e valor assimptótico de absorção dos azulejos antigos (chacota) Identificação Coeficiente de capilaridade (kg/m2.s0,5) Valor assimptótico da absorção capilar (kg/m2) AZA1 10.37 3.28 AZA2 9.13 2.87 AZA3 2.39 2.40 AZA5 8.43 2.59 AZA8 1.32 1.90

Tabela 4 – Coeficiente de capilaridade e valor assimptótico de absorção dos azulejos novos e das réplicas (chacota)

Identificação Coeficiente de capilaridade (kg/m2.s0,5) Valor assimptótico da absorção capilar (kg/m2) Placas cerâmicas 1.88 1.69 Vidrado 5.51 1.86 Vidrado 1 5.90 1.96 Vidrado 2 0.75 0.39 Vidrado 3 4.53 1.55 Porcelânico 0.17 0.04 Porcelânico 1 0.12 0.04 Azupal 6.03 1.92 Hcer 7.44 2.29 Primus Victória 6.04 1.97

Os azulejos antigos têm valores altos de absorção de água. Os azulejos antigos estudados são do mesmo período mas apresentam alguma variação nos valores de absorção de água por capilaridade, provavelmente explicável pelos tipos de produção e diferentes técnicas de cada fábrica. Exceptuando o azulejo AZA8, todos os azulejos antigos alcançam um valor assimptótico de absorção superior a 2,4 kg/m2. Os coeficientes de capilaridade dos azulejos antigos são também muito variados. O azulejo AZA8 apresenta um valor reduzido comparado com os restantes enquanto o azulejo AZA3 apresenta um valor intermédio.

Os azulejos novos são menos absorventes que os antigos. Os azulejos vidrados têm uma taxa de absorção inicial elevada e uma quantidade total de água absorvida próxima da gama de valores obtidos para os azulejos antigos, exceptuando o azulejo Vidrado 2. Os azulejos porcelânicos são produzidos de modo a ter uma porosidade reduzida, facto este confirmado pelo valor assimptótico de absorção de 0.04 kg/m2.

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As réplicas têm valores assimptóticos de absorção e coeficientes de capilaridade mais elevados que os vidrados, apresentando características de absorção mais próximas dos antigos, como expectável.

Tendo em conta as características de absorção, os azulejos Vidrado e Porcelânico foram escolhidos como bases de teste das argamassas no ensaio de sucção. O azulejo vidrado tem uma rápida absorção inicial e uma quantidade de água absorvida razoável, para o propósito. O azulejo Porcelânico apresenta valores muito baixos nestas duas características, sendo portanto útil para avaliar a sua influência na sucção das argamassas.

3.2 Porosidade aberta

Tabela 5 – Porosidade aberta dos azulejos Azulejos Porosidade aberta

[%] AZA1 40.01 AZA2 37.51 AZA3 27.16 AZA5 36.41 AZA8 25.62 Vidrado 25.44 Porcelânico 0.91 Azupal 32.21 Primus Victória 25.92 Hcer 30.31

Os valores da porosidade aberta dos azulejos novos, vidrado e réplicas, são da mesma ordem de grandeza, da média dos valores dos azulejos antigos. O azulejo porcelânico é a excepção a esta tendência, apresentando um valor muito baixo.

Os valores da porosidade aberta podem ser relacionados com os valores assimptóticos de absorção. Um aumento da porosidade aberta dos azulejos leva a um aumento da água total absorvida. O azulejo Azupal não segue esta tendência; é a réplica que apresenta um menor volume de água absorvida, contudo, tem uma porosidade aberta superior às restantes.

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3.3 Porosimetria por intrusão de mercúrio

Figura 2 – Porosimetria por intrusão de mercúrio

Os azulejos AZA1, AZA5 e AZA2 apresentam uma distribuição de poros muito concentrada numa gama estreita. A dimensão dos poros destes azulejos é maioritariamente entre 0.1 µ m e 1.2 µ m e a sua maior concentração de poros tem um raio de 0.5 µ m. Os azulejos AZA1, AZA2 e AZA5, que possuem um volume superior de poros, apresentado na tabela 5, possuem também os valores superiores de absorção de água (tabela 3). Os azulejos AZA3 e AZA8, provenientes da fábrica JPV, têm uma distribuição da dimensão dos poros numa gama mais baixa. Estes azulejos possuem poros de dimensões inferiores e uma quantidade inferior de poros de maior dimensão. O azulejo AZA8 apresenta uma menor porosidade, uma maior quantidade de poros de pequenas dimensões e uma maior concentração de poros de raio 0.25 µm. Este menor raio de poros explica o seu coeficiente de capilaridade mais baixo.

Os azulejos porcelânicos possuem baixa porosidade e o raio dos seus poros está, possivelmente, fora da gama de medição do porosimetro, o que justifica os seus reduzidos valores de absorção de água. Os restantes azulejos novos mostram distribuições nas dimensões dos poros semelhantes entre si. A réplica Azupal apresenta uma porosidade ligeiramente superior e uma ligeira quantidade de poros de dimensões inferiores. As réplicas e o azulejo vidrado têm uma maior concentração de poros com 0.7 µm de raio. A distribuição dos raios dos poros nestes azulejos é superior à dos azulejos antigos.

3.4 Sucção de argamassas

O primeiro procedimento do ensaio de sucção foi quantificar a água absorvida pelo azulejo em contacto com a argamassa. Os resultados são apresentados nas figuras 3 e 4.

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Figura 3 – Massa de água absorvida Figura 4 – Massa de água absorvida de argamassas de traço 1:2 de argamassas de traço 1:2

As figuras 3 e 4 mostram que o aumento de água de amassadura da argamassa leva ao aumento da água absorvida pelo azulejo, como esperado. As argamassas com areia APAS 30 (granulometria média) obtiveram diferenças superiores nos valores de absorção. Os azulejos porcelânicos absorvem uma quantidade inferior de água em relação aos azulejos vidrados. Este resultado era esperado, visto que, o ensaio de absorção de água por capilaridade mostrou a mesma tendência.

A quantidade de água absorvida pelos azulejos porcelânicos apresenta valores considerados constantes, pois as diferenças nunca são superiores a 0,04 g. Os valores de absorção de água das argamassas de traço 1:3 com menor quantidade de água aplicadas nos azulejos vidrados não apresentam diferenças significativas, sendo a média cerca de 7,5 g. A argamassa com areia APAS 30 (granulometria média) apresentou a maior absorção por parte dos azulejos. Em relação às argamassas de traço 1:2, as composições com as areias APAS 30 e FPS 120 tiveram uma maior absorção pelos azulejos.

A argamassa de traço 1:2 teve uma menor absorção, em média de 8 g em relação à argamassa de traço 1:3.

Após o cálculo da água absorvida, os azulejos foram secos de modo a ser calculada a massa de finos absorvida da argamasssa (figuras 5 e 6).

Figura 5 – Massa de finos absorvida Figura 6 – Massa de finos absorvida de argamassas de traço 1:2 de argamassas de traço 1:3

Os azulejos porcelânicos apresentam valores de absorção de finos inferiores aos azulejos vidrados.

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O aumento de água de amassadura nas argamassas leva a uma superior absorção de finos pelos azulejos. Nas argamassas de traço 1:2 esta diferença é mais significativa.

O aumento da granulometria da areia leva a uma menor sucção, pois as partículas mais finas penetram mais facilmente na porosidade do azulejo. A excepção a esta tendência encontra-se na argamassa de traço 1:2 com maior quantidade de água de amassadura e areia Mistura aplicada nos azulejos porcelânicos, onde o valor é superior ao esperado; contudo este resultado pode ser fortuito.

A absorção de finos das argamassas de traço 1:2 é superior à observada nas argamassas mais fracas. Este resultado foi verificado com todos os tipos de areia. As argamassas com areia APAS 30 e menor quantidade de água de amassadura são excepção, contudo os valores são muito aproximados e a diferença não parece significativa.

As argamassas escolhidas para o ensaio de aderência foram as de maior fluidez, pois revelam uma penetração superior de água e material fino na porosidade do azulejo.

3.5 Aderência de argamassas

Tabela 6 – Aderência de argamassas

Aderência [MPa] Traço

Ligante/agregado Areia Azulejo 28 dias 90 dias

1:2 Mistura Vidrado 0,000 0,064 Porcelânico 0,000 0,000 APAS 30 Vidrado 0,038 0,000 Porcelânico 0,051 0,076 FPS 120 Vidrado 0,000 0,000 Porcelânico 0,000 0,000 1:3 Mistura Vidrado 0,025 0,000 Porcelânico 0,025 0,076 APAS 30 Vidrado 0,000 0,000 Porcelânico 0,051 0,051 FPS 120 Vidrado 0,000 0,000 Porcelânico 0,025 0,064

A argamassa de cal, com o tempo de cura determinado, não promove uma resistência de aderência elevada com o azulejo. Este facto leva a uma grande dificuldade na sua avaliação e medição. O processo de corte das amostras, usando uma caroteadora mecânica, foi impossivel pois todas as amostras ficaram danificadas. Foram efectuados cortes manuais; ainda assim, dificeis de executar.

Apesar das dificuldades do procedimento de ensaio, pode ser visto que os valores de aderência das amostras com 90 dias de cura mostram uma tendência de aumento em relação aos valores dos 28 dias, o que era esperado devido à lentidão do processo de carbonatação da cal. Aos 90 dias de cura, as argamassas parecem ter maior aderência aos azulejos porcelânicos. Este resultado foi inesperado.

Existem algumas explicações possiveis para as discrepâncias em relação ao esperado: 1) A dimensão dos poros: na realidade, como pode ser visto na figura 2, os poros dos

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azulejos novos (vidrado e réplicas) possuem dimensões e distribuições de dimensões distintas dos azulejos antigos; possuem poros de raio superior e uma maior distribuição de dimensões em relação aos azulejos antigos; 2) A preparação da superfície dos azulejos: a argamassa foi aplicada sem qualquer tipo de pré-molhagem dos azulejos, enquanto documentos antigos [8] revelam que a molhagem do azulejo antes da aplicação era uma técnica usada aquando da aplicação de azulejos em fachadas.

Estes factores podem resultar na falta de representatividade do ensaio de aderência realizado sobre os azulejos vidadros.

4 Conclusão

Os azulejos antigos, da época inicial do período da industrialização, têm características diferentes dos que hoje em dia são normalmente usados, sejam eles para aplicações em novas construções ou mesmo réplicas para reabilitação. Neste último caso, verifica-se que embora a porosidade total e os parâmetros de absorção de água normalmente medidos sejam próximos dos obtidos nos azulejos antigos, a estrutura porosa é significativamente diferente, determinando provavelmente diferentes condições de aderência.

Novas composições de argamassas foram estudadas e optimizadas de modo a serem compativeis com os azulejos e suportes antigos.

A absorção de água por capilaridade é afectada directamente pela porosidade e pela dimensão dos poros dos azulejos. Os azulejos novos estudados apresentam valores inferiores de absorção de água por capilaridade e porosidade aberta em relação aos azulejos antigos.

O volume e distribuição dos poros da parte cerâmica do azulejo (chacota) comanda a absorção de água por capilaridade. Os azulejos novos possuem uma porosidade aberta mais baixa mas uma distribuição superior na gama de raios dos seus poros e uma maior quantidade de poros de dimensões superiores que os azulejos antigos. Têm, portanto, características de absorção de água diferentes e é também diferente o modo como os finos da argamassa de assentamento penetram no seu corpo cerâmico. As réplicas apresentam estruturas porosas mais similares ao azulejo novo vidrado que aos azulejos antigos, embora os valores de absorção de água e porosidade aberta se aproximem dos dos azueljos antigos.

O ensaio de sucção revela que um aumento de água de amassadura na argamassa resulta numa melhor penetração de finos na porosidade do azulejo. Quanto menor a granulometria da areia melhor é a penetração de água e partículas finas na porosidade do azulejo. A absorção de partículas finas é superior na argamassa com o traço 1:2.

Os resultados do ensaio de aderência não foram os esperados. Os valores de aderência aos 90 dias de cura são superiores aos valores aos 28 dias, mas aos 90 dias as argamassas parecem ter maior aderência aos azulejos porcelânicos em relação aos vidrados. As possíveis explicações encontradas dizem respeito às dimensões dos poros do azulejo vidrado, bastante diferentes dos azulejos antigos, e ao facto das condições de ensaio dos azulejos poderem ter-se afastado das condições de aplicação tradicionais, nomeadamente não se ter procedido a uma molhagem prévia.

Os resultados dos ensaios efectuados em azulejos modernos e em réplicas permitem estabelecer tendências que possibilitem a extrapolação da sucção e aderência de argamassas aos azulejos antigos, precavendo estas peças históricas de ensaios destrutivos. Estes ensaios foram muito importantes na definição da continuação da investigação. O método de ensaio de aderência será corrigido de forma a adaptar-se melhor ao objecto de estudo em causa e os factores físicos que afectam a aderência serão aprofundados de

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modo a ser efectuada uma optimização das argamassas para este fim. Embora os ensaios de aderência com azulejos novos (vidrados) possam se úteis numa primeira fase para evitar a destruição de um grande número de azulejos antigos, ficou demonstrado que estes ensaios podem ser pouco significativos, devendo ser realizados, numa segunda fase, ensaios finais com azulejos antigos.

5 Agradecimentos

Os autores agradecem à FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia pelo seu apoio através do projecto PTDC/ECM/101000/2008 – AZULEJAR – Conservação de fachadas azulejadas e à fábrica Revigres pelo apoio no fornecimento de azulejos para estudo.

6 Referências

[1] Veiga, M. Rosário; Conservation of historic renders and plasters; From laboratory to site. In 2nd Historic Mortars Conference. RILEM Proceedings PRO 78, Praga, 22-24-September 2010, pp.1241-1256. Invited lecture. ISBN:978-2-35158-112-4.

[2] Ferreira, Maria Isabel Moura - Revestimentos azulejares Oitocentistas de fachada, em Ovar. Contributos para uma Metodologia de Conservação e Restauro. Master thesis in Architectural and Landscape Heritage Conservation. Évora University, January2008.

[3] Lawrence, Mike; Walker, Pete; Zhou, Zhaoxia. Influence of Interfacial Material pore structure on the Strength of the Brick/Lime Mortar Bond. In: HMC2010 – 2nd Historical Mortars Conference. Prague, 2010.

[4] CEN 2002, Methods of test for mortar for masonry. Part 18: Determination of water absorption coefficient due to capillary action of hardened mortar. Bruxelas, EN 1015-18:2002.

[5] DEC/UNL - Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) – Pedras naturais e artificiais. Determinação da porosidade aberta. Fichas de ensaio: Fe 02. Caparica: FCT/UNL, 1996.

[6] ASTM D4404-84 (2004) Standard Test Method for Determination of Pore Volume and Pore Volume Distribution of Soil and Rock by Mercury Intrusion Porosimetry.

[7] CEN 2002, Methods of test for mortar for masonry. Part 12: Determination of adhesive strength of hardened rendering and plastering mortars on substrates. Bruxelas, EN 1015-12:2000.

[8] SEGURADO, João Emílio dos Santos - Acabamentos das Construções. Estuques, Pinturas, etc. Lisboa, Belo Horizonte: Livraria Bertrand, Livraria Francisco Alves. 3ª edição, (sem data).

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