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Parecer sobre a proposta de despacho do Regulamento do Programa +Superior para o Ano Letivo de

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Academic year: 2021

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Parecer sobre a proposta de despacho do

Regulamento do Programa +Superior para o Ano Letivo de 2016-2017

No âmbito do Artigo 20.º da Lei n.º 23/2006, de 23 de junho, que estabelece o Regime Jurídico do Associativismo Jovem, foi remetido às Associações Académicas e de Estudantes do Ensino Superior o projeto de despacho que visa aprovar o novo Regulamento do Programa + Superior para o ano letivo 2016-2017, sobre o qual nos pronunciamos. O programa +Superior foi apresentado, para o ano letivo 2014-2015, como uma solução para combater a falta de coesão territorial em regiões com menor procura e menor pressão demográfica, tendo como principais metas, reforçar o contributo das Instituições de Ensino Superior no desenvolvimento regional, incentivar a fixação de (futuros) diplomados nas regiões mais desfavorecidas, utilizar os recursos educativos e aumentar o número de diplomados.

As federações e associações académicas e de estudantes são sensíveis à necessidade de promover a mobilidade dos jovens candidatos ao ensino superior das regiões com índices demográficos mais elevados para zonas com menor pressão demográfica, nomeadamente o interior do país. As últimas décadas demonstram que as instituições de ensino superior (IES) representam um importante fator de promoção da coesão territorial e são muitas as localidades que potenciaram o seu desenvolvimento beneficiando da sua existência e que por isso estão altamente dependentes da sua sustentabilidade futura.

O regulamento proposto para a próxima edição do Programa +Superior produz um conjunto de alterações sobre as quais apresentamos a nossa opinião, destacando ainda outros aspetos que no nosso entender devem ser considerados para análise do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

1. O alargamento do programa aos estudantes que se inscrevem em cursos técnicos superiores profissionais (TeSP) e aos que ingressam através de concursos locais ou especiais.

O Movimento Associativo Nacional já manifestara que este Programa deveria ser uma opção válida a todos os candidatos que terminam o ensino secundário e pretendem prosseguir estudos no ensino superior nacional, numa instituição abrangida pelo mesmo. Desta forma, a proposta de alargamento da base de recrutamento a estudantes que ingressem em TeSP ou através de concursos locais ou especiais, expresso no artigo 7.º, merece a nossa concordância. Neste ponto, a igualdade de oportunidades no acesso à bolsa de mobilidade deve ser assegurada, abrangendo os estudantes dos TeSP e independentemente da modalidade através da qual o estudante foi colocado, abrangendo os diferentes concursos legalmente previstos.

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2. O alargamento do Programa +Superior aos estudantes candidatos aos mestrados de 2º ciclo nas instituições abrangidas, situação hoje não existente mas que entendemos dever ser corrigida. 3. A limitação da atribuição da bolsa +Superior exclusivamente aos estudantes oriundos de famílias economicamente mais carenciadas, a quem seja atribuída bolsa de estudo. A exigência de submissão de candidatura a uma bolsa de estudo do sistema de ação social até 31 de outubro de 2016 e decisão favorável propostas no artigo 7.º visam materializar o critério de descriminação positiva dos requerentes com base na condição económica. A forma como esta vertente é introduzida coloca o Programa +Superior, assumidamente, na esfera dos apoios sociais, sendo um complemento à atribuição de bolsas no ensino superior nacional. Ou seja, os critérios para a análise das candidaturas à bolsa de mobilidade passarão a ser os mesmos definidos no Despacho n.º 7031-B/2015, de 24 de junho de 2015, que aprovou o atual regulamento de atribuição de bolsas de estudo a estudantes do ensino superior (RABEEES). Assim, não se pode interpretar isto de forma diferente de um reconhecimento, por parte do Governo, que o sistema de ação social é ineficiente e que os valores atribuídos a título de bolsa de estudo não são suficientes. Manifestamo-nos contra esta limitação aos estudantes bolseiros uma vez que esta situação cria uma enorme desigualdade entre os próprios bolseiros de ação social porque os critérios relacionados com os pares estabelecimento/curso não permitem que a abrangência seja efetivamente nacional e universal, colocando critérios desiguais à regular atribuição de bolsas já existente. Também concetualmente não nos parece interessante que seja a promoção dos estudantes mais carenciados para as zonas demograficamente menos densas o propósito deste programa.

Se a intenção governativa é beneficiar os estudantes com maiores carências económicas, isto só pode ser feito de forma justa e equilibrada, com alterações ao RABEEES, que trata de forma igual todos os estudantes bolseiros, situação a que o presente Executivo se escudou até ao ano letivo que agora se inicia.

4. Majoração da bolsa para estudantes que ingressem em cursos técnicos superiores profissionais e concurso especial maiores de 23.

O artigo 6.º da proposta de despacho estipula a possibilidade de majoração da bolsa de mobilidade em 15%, o que corresponde a um acréscimo de 225€ sobre os 1.500€ estabelecidos para a bolsa. Sobre os potenciais beneficiários desta majoração, consideramos a aplicação de qualquer majoração como injusta e desajustada do propósito do Programa. A captação de estudantes para os TeSP ou para o concurso especial maiores de 23 não é conseguida por uma majoração de cerca de 200 euros numa bolsa deste tipo, merecendo a nossa discordância.

5. Tentativa de inclusão de uma vertente que integra o combate ao abandono escolar. A proposta remetida refere uma vertente que integra o combate ao abandono escolar, contudo, não conseguimos identificar de que forma será efetivada. O conceito de

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abandono escolar não abrangerá, certamente, os jovens que terminaram o ensino secundário e não concorreram ao ensino superior, pelo que o alargamento do programa aos estudantes que ingressem através do concurso especial para maiores de 23 anos não poderá enquadrar-se nesse âmbito. O mesmo se aplicará para os casos em que um estudante decide ingressar num TeSP ao invés de concorrer a uma licenciatura. Assumimos que a vertente de combate ao abandono escolar não se materializa na atribuição de uma bolsa de 1.500€ por acréscimo à bolsa de estudo atribuída pelo sistema de ação social. Esta opção significa que o sistema de ação social direta é ineficiente e que os valores atribuídos a título de bolsa de estudo não são suficientes para prevenir o abandono escolar e, assim, garantir a igualdade de oportunidades de acesso e frequência do ensino superior.

Se considerarmos que esta vertente é assumida no apoio a reingressos no ensino superior, em primeiro lugar, tal não configura combate ao abandono escolar pois não trata o problema preventivamente e em segundo lugar fracassa porque a maior parte dos reingressos resulta de percursos mal sucedidos no passado que por isso não se encontram, pelo menos nesse mesmo ano, enquadráveis nos termos do RABEEES. Daí que se chama a atenção para a falta de concretização desta ambição.

6. Montantes previstos e número de bolsas a disponibilizar.

A propósito da concretização do apoio, consideramos importante conhecer qual o número de bolsas a disponibilizar para a próxima edição do programa, bem como os montantes previstos para execução. O projeto de despacho remete esta informação para o seu Anexo II, mas este anexo refere que esse número está ainda por definir, faltando a concretização monetária e de bolsas disponível. Isto torna-se crucial porque, por exemplo, as candidaturas submetidas em 2015-2016 atingiram os 2308 processos, para apenas 1020 bolsas de mobilidade, excluindo renovações, o que comprovava, já à data, que o número de bolsas disponibilizadas era ainda insuficiente. Por isso, entendemos importante um aumento do número de bolsas. Da mesma forma, sem perceber as limitações orçamentais, parte da discussão fica envolta em grande dúvida. Por esta razão, tomando como referência o número de bolsas disponibilizado nas duas edições anteriores, interessa ainda esclarecer como será aplicada a norma prevista no ponto 2 do artigo 11.º, sobre situações de empate, em função do orçamento a disponibilizar para o programa. 7. Renovação das bolsas atribuídas no ano letivo 2015-2016. Diz a proposta de despacho que regula igualmente o processo de renovação das bolsas atribuídas no ano letivo de 2015-2016, condicionado, naturalmente, ao aproveitamento académico do estudante, mas ainda não à situação económica do agregado familiar, de forma a salvaguardar as expectativas dos que beneficiaram das bolsas naquele ano. No entanto, procede o regulamento, erradamente em nossa opinião, a um agravamento da condição de aproveitamento escolar para manutenção da bolsa, subindo os 40 ECTS anteriores para uma exigência mínima de 48 ECTS, segundo a alínea 2 do artigo 16º. No

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nosso entender, se errada estava a exigência anterior, mais agravada fica com esta mudança. A exigência do aproveitamento deve ser equivalente à existente no RABEEES. 8. Pagamento da bolsa em prestações É dito na proposta de regulamentação que o pagamento da bolsa é feito em prestações mensais. Assim, para lá da clarificação de que se devem tratar de 10 prestações mensais, é fundamental proporcionar a existência de um calendário previamente conhecido pelos estudantes para o pagamento da bolsa, sendo assim exigido que os pagamentos sejam efetuados num dia fixo para uma melhor gestão financeira por parte do estudante. Esta solução é tão simples como adotar o mesmo procedimento que hoje já é tido para o pagamento das bolsas de ação social.

9. Alargamento das instituições abrangidas pelo Programa.

No que respeita às instituições abrangidas pelo programa, a lista apresentada no anexo I, por remissão do artigo 2.º, alarga o âmbito do programa às regiões autónomas da Madeira e dos Açores e à região do Algarve. Este alargamento merece o nosso acordo, ainda que tenhamos algumas dúvidas sobre o sucesso da aplicação do programa nas regiões autónomas, no caso dos estudantes elegíveis que ingressassem na Universidade dos Açores ou na Universidade da Madeira. O fenómeno da insularidade representa, efetivamente, uma atratividade inferior às regiões com menor pressão demográfica do território continental.

10. Futura avaliação do programa

Saudamos a inclusão das associações de estudantes do ensino superior na elaboração de um relatório de avaliação da aplicação do Programa +Superior no ano letivo de 2016-2017, em falta na regulamentação anterior.

A acrescer aos considerandos efetuados, as federações e associações académicas e de estudantes subscritoras afirmam que continua a ser importante olhar às diferentes especificidades regionais, de forma a combater as assimetrias, não só com um programa, mas com uma estratégia global que consiga articular os municípios, o Estado e as instituições de ensino superior, como previsto no Programa de Governo para o quadriénio 2015-2019.

A proposta de despacho agora remetida para consulta afirma que o modelo aplicado nas duas edições anteriores do programa foi limitado e que “não se revelou capaz de promover a efetiva atração dos estudantes para as regiões do país com menor densidade populacional”. Partilhamos deste juízo, contudo, alertamos para a necessidade de definir uma estratégia de fixação de jovens nas regiões com menor pressão demográfica, não apenas dependente do ensino superior.

Ademais, é fundamental a promoção de outros mecanismos de coesão territorial que complementem a ação do +Superior, na sua matriz de promoção da mobilidade de pessoas das zonas mais demograficamente mais densas para as menos densas, nomeadamente: a criação

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de mais e melhores incentivos, tanto fiscais como para a criação do próprio negócio; a criação de estágios e de emprego qualificado; o estímulo à efetiva permanência dos diplomados nessas regiões após a conclusão dos estudos, sendo estas mecanismos para garantir a fixação permanente de população. De outro modo, os estudantes que beneficiem deste programa não terão condições para continuar a residir nas regiões em causa após terminarem os seus cursos, tornando-se o +Superior ineficaz no cumprimento dos seus objetivos a longo prazo.

Reconhecemos o valor do Programa +Superior mas, no nosso entender, as alterações apresentadas pouco acrescentam no cumprimento do objetivo elencado e falham, redondamente, na tentativa de aumentar as áreas de incidência do programa: atente-se que esta nova regulamentação tenta, ao mesmo tempo, resolver carências económicas, promover a mobilidade estudantil para zonas de baixa densidade populacional, combater o abandono escolar, promover os TeSP e o ingresso de maiores de 23, ao mesmo tempo que exige, para renovação da bolsa, cumprimentos absolutos superiores em termos de aproveitamento escolar. Ao tentar resolver todos os problemas de uma só vez, a regulamentação falha na própria definição original do programa.

Évora, 11 de setembro de 2016

Referências

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