Para Paulo, Cláudio, Mauro, Carlos, Murilo, Vanuza, Beto, Andreza e Leandro
para que mantenham devoção a Jesus e a Maria
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Introdução
O terço como expressão de fé popular
Para o catolicismo romano o terço oficial é o de Nossa Senhora, aprovado pelo papa São Pio V. Ocorre, porém, que os movimentos da fé popular são como on-das de um rio caudaloso que não se consegue contro-lar. Essas ondas se manifestam de diferentes maneiras por meio de rituais e símbolos diversos. A fé que move montanhas irá então se expressar nos movimentos de-vocionais em torno de determinados santos e orações.
São os movimentos do povo de Deus, plenos de fé, tais como os movimentos da mulher que toca o manto de Jesus, ou das crianças que furam o cerco dos discípulos de Jesus e dele se aproximam, ou do cen-turião ao dizer “Senhor, eu não sou digno que entreis
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em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”.
No encontro da fé com a dor e, às vezes, com o
deses-pero, o símbolo surge com toda sua força no terço; e nas
orações feitas por intermédio dele brota a esperança. Desse modo, além do terço original, novas formas de rezá-lo brotam seja com a introdução de jaculatórias substituindo as Ave-marias do terço tradicional, seja com a mudança da forma do terço em termos de nú-mero de contas, cores etc. (caso, por exemplo, do Terço de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, entre outros que constam deste livro). Há, ainda, o caso de terços criados a partir de elementos da natureza, como o Ter-ço das Lágrimas de Nossa Senhora, criado na ilha do Marajó, na região amazônica.
O que importa destacar é que, qualquer que seja sua forma e conteúdo, o terço é um elemento simbó-lico fundamental na expressão da fé e na conexão com o plano divino, qualquer que seja a manifestação dele (santos, santas, Jesus e Nossa Senhora).
O símbolo não é algo vazio de sentido. Ele pode ser uma forma que temos para chegar ao Pai Criador, rom-pendo o círculo de nossas preocupações com o mundo e criando um meio de fazer transparecer o divino na terra. O terço é, certamente, uma manifestação desse simbólico que se aloja nos corações e mentes do povo de Deus.
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Muito mais do que isso, o terço, especialmente em sua forma tradicional mariana, representa a meditação acerca dos mistérios de Jesus Cristo em companhia de sua Mãe Santíssima e/ou de algum santo em cuja vida já resplandece a eficácia transfiguradora do Espírito de Cristo. Repetição, insistente invocação e louvor à Santíssima Trindade pela intercessão de Maria e/ou dos santos, os terços testemunham o desejo do fiel oran-te de que a sua vida seja também atingida pela graça transformadora de Jesus Cristo que já transformou e glorificou Maria e os santos à glória do Pai.
A autora deste livro, Maria Paula Cruz, há mais de vinte anos confecciona terços em Belém do Pará. Levar ao público o conhecimento acerca de suas próprias for-mas de devoção é a sua intenção, contribuindo, assim, para recuperar e registrar aspectos da fé popular.
A coletânea que a autora apresenta é importante não só para o devoto, que certamente encontrará abrigo em suas orações, mas interessa também àqueles que se preo-cupam com as expressões da fé popular, já que é um verdadeiro inventário dos terços utilizados, em especial (mas não somente) na região Norte do Brasil.
Com este livro, Maria Paula Cruz vem, certamente, ajudar a muitos. Que ele seja bem-vindo!
Kátia Mendonça
Socióloga e Professora da UFPA – Universidade Federal do Pará
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Terços de
Nossa Senhora
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Terço Tradicional
O terço (até há pouco assim chamado, pois era a terça parte do rosário) teve sua forma final de rezar estabelecida pelo papa Pio V, no século XVI, e inclui a meditação sobre os mistérios relacionados à vida, morte e ressurreição de Jesus: os mistérios da alegria, os misté-rios da dor e os mistémisté-rios da glória. Em 16 de outubro de 2002 o papa João Paulo II propôs a inclusão de uma nova categoria de mistérios: os mistérios da luz, que se referem aos aspectos da vida pública de Jesus.
Modode rezar:
Inicia-se com a Santíssima Trindade:
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Oferecimento:
Divino Jesus, nós vos oferecemos este terço que vamos re-zar, contemplando os mistérios da nossa redenção. Concedei-nos, por intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem nos dirigimos, as virtudes, que nos são necessárias para bem rezá-lo, e a graça de ganhar as indulgências desta santa devo-ção.
Em seguida, segurando a cruzinha do rosário ou terço, para atestar nossa fé em todas as verdades ensi-nadas por Cristo, reza-se o Credo. Depois, presta-se homenagem à Santíssima Trindade com um Pai-nos-so, três Ave-marias e um Glória ao Pai; a primeira Ave-maria em honra a Deus Pai que nos criou; a segunda, a Deus Filho que nos remiu; e a terceira, ao Espírito Santo que nos santifica.
Em cada mistério, reza-se um Pai-nosso, dez Ave-marias, um Glória ao Pai e a jaculatória (ou outra apropriada):
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.
17 Mistérios Gozosos (segundas e sábados) Mistérios Luminosos (quintas) Mistérios Dolor osos (terças e sextas)
Mistérios Gloriosos (quar
tas e domingos)
1. No primeiro mistério, a anunciação do Arcanjo São Gabriel à Virgem Maria (Lc 1,26-39). 2. No segundo mistério, a visita de Maria à sua prima Isabel (Lc 1,39-56). 3. No terceiro mistério, o nascimento de Jesus (Lc 2,1-15). 4. No quar
to mistério,
a apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-33). 5. No quinto mistério, Jesus no templo entre os doutores (Lc 2,42-52). 1. No primeiro mistério, Jesus batizado no rio Jordão (Mt 3,13-16). 2. No segundo mistério, Jesus nas bodas de Caná, (Jo 2,1-12). 3. No terceiro mistério, Jesus anunciando o Reino de Deus (Mc 1,14-15). 4. No quar
to mistério,
a transfiguração de Jesus no monte T
abor (Lc 9,28-36).
5. No quinto mistério, a instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29). 1. No primeiro mistério, a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (Mc 14,32-43). 2. No segundo mistério, Jesus açoitado por ordem de Pilatos (Jo 18,38-40; 19,1). 3. No terceiro mistério, Jesus coroado de espinhos (Mt 27,27-32). 4. No quar
to mistério,
Jesus carregando a cruz (Lc 23,20-32; Mc 8,34b). 5. No quinto mistério, a crucifixão e a mor
te
de Jesus (Lc 23,33-47).
1. No primeiro mistério, a ressurreição de Jesus Cristo (Mc 16,1-8). 2. No segundo mistério, a ascensão de Jesus Cristo (At 1,4-11). 3. No terceiro mistério, a vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os apóstolos (At 2,1-14). 4. No quar
to mistério, a
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Agradecimento:
Infinitas graças vos damos, soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo de vosso poderoso ampa-ro e, para mais vos obrigar, vos saudamos com uma Salve-rainha. Reza-se a Salve-rainha.
(Obs.: se for oportuno, reza-se a ladainha de Nossa Senhora.)
Assim, como no início, terminamos com a Santíssi-ma Trindade:
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Terço de
Nossa Senhora
do Perpétuo Socorro
O terço apresenta, como o terço tradicional, cinco grupos de dez contas cada, separados por contas maio-res, tendo como ponto final a cruz e a medalha com a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O que diferencia o terço são suas cores e a medalha: as contas pequenas são de cor azul-escura, representando o manto de Nossa Senhora, e as contas grandes são ver-melhas, simbolizando a túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de Nossa Senhora.
Modode rezar:
Oferecimento:
Ó Virgem do Perpétuo Socorro, um dom eu quero vos pedir (apresente aqui o seu pedido). Ofereço-vos este
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ço, unindo-me aos méritos do Senhor Jesus Cristo, meu Salvador.
Confio em vossa maternal assistência, vós que estais no céu cercada de anjos, iluminada pelo sol da justiça, coroa de flores, ornada de ouro do céu e da terra. Vinde, ó Mãe, socorrer-me!
Reze o Credo
Nas contas grandes:
Ó Mãe do Perpétuo Socorro, que estivestes ao pé da Cruz de vosso divino Filho, apressai-vos em socorrer-me!
Nas contas pequenas: