DIREITO EMPRESARIAL III DUPLICATAS
INTRODUÇÃO
Este estudo tem por objeto a compreensão de alguns aspectos acerca do título de crédito Duplicata, disciplinado pela Lei 5.474/1968, sendo-lhe aplicadas ainda algumas disposições da Lei Uniforme de Genebra. . Para tanto, buscar-se-á conhecer seu processo de formação, sua composição e seus efeitos. . Trabalhar-se-á com a Lei que regula a Duplicata, com a Lei Uniforme de Genebra, sempre à luz do entendimento do doutrinador Wille Duarte Costa, em sua obra Títulos de Crédito.
1- DEFINIÇÃO
Tipicamente brasileiro, é a Duplicata título de crédito inspirado no texto do art 219 do Código Comercial brasileiro de 1850.
Em termos conceituais , podemos dizer que Duplicata é título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra e venda comercial ou prestação de outros serviços.
É um título causal, ou seja, encontra-se vinculada à relação jurídica que lhe dá origem, que é a compra e venda mercantil ou a prestação de serviços.
A Duplicata surge por ocasião da venda de uma mercadoria, com prazo não inferior a 30 dias (contatados da data da entrega ou do despacho da mercadoria). O devedor deverá extrair a respectiva fatura para apresentá-la ao credor.
No momento da emissão da fatura, ou após a venda, o comerciante poderá extrair uma Duplicata, que, sendo assinada pelo comprador, servirá como documento de comprovação da dívida.
Cabe esclarecer que a Duplicata não é cópia ou segunda via de fatura, também nela não se discriminam as mercadorias vendidas ou os serviços prestados, como ocorre com a Nota Fiscal.
Em sendo título de crédito à ordem, pode a Duplicata circular por via do endosso, mas o sacador (o vendedor) não pode eximir-se da garantia do pagamento ao endossar a Duplicata.
2- FATURA , DUPLICATA e NOTA FISCAL
É a Fatura de extração obrigatória, em todo contrato de compra e venda mercantil, a prazo não inferior a 30 dias contados da data da entrega ou despacho da mercadoria. Sua emissão só é facultativa em sendo o prazo inferior a 30 dias. Discrimina as “ mercadorias vendidas ou os serviços prestados ou, quando, convier ao vendedor, indicará somente os números e valores das notas parciais por ocasião das vendas, despachos ou entregas de mercadorias”, art. 1° , Lei 5.474 (1968).
Duplicata, ao contrário, é de emissão facultativa: da fatura poderá ser extraída a Duplicata. Esclarecendo que, se o vendedor não emitir a Duplicata, não terá título de crédito algum para documentar a operação.
acobertar as mercadorias em trânsito. Mais detalhadamente, nela são discriminadas as mercadorias correspondentes e, além do controle por parte da fiscalização quanto às vendas efetuadas por determinado estabelecimento comercial, proporciona o acobertamento de tais mercadorias durante o seu transporte.
Consequentemente, a fatura passou a ser o segundo documento que serve para relacionar as mercadorias vendidas; além de relacionar (aqui já não mais como segundo documento) as Notas Fiscais de venda a prazo feita a um mesmo comprador, dentro de um determinado período.
Não existindo a Nota Fiscal não pode existir a Fatura, logo não pode existir a Duplicata Mercantil.
3- DUPLICATA MERCANTIL
Duplicata Mercantil é aquela que tem por base um Contrato de Compra e Venda Mercantil a prazo. Melhor, é aquela que tem sua origem na segunda via da fatura aceita. Para que ocorra o saque da Duplicata e para que o vendedor seja legitimado como credor é preciso que a nota fiscal seja extraída e haja, sem qualquer sombra de dúvida, prova da entrega e recebimento das mercadorias. Não existindo a Nota Fiscal, não pode existir a fatura, logo não pode existir a duplicata mercantil
Por tratar-se de título causal, são requisitos mínimos para a existência da Duplicata Mercantil – ou seja, sem os quais não se tem Duplicata Mercantil:
a) a emissão por quem seja comerciante;
b) a celebração de um contrato de compra e venda pelo comerciante, figurando como vendedor;
c) a entrega das mercadorias respectivas com a fatura e nota fiscal, ficando o comprovante de entrega em poder do vendedor comerciante.
Com a emissão da Duplicata Mercantil seu criador é o Vendedor das mercadorias, também chamado de Sacador, Tomador, Beneficiário (pois é ele quem se beneficia do saque). Se não transferir o título por endosso a terceiros, o comprador dever pagar a ele o valor da Duplicata. Também é quem sempre faz o primeiro endosso do título e não pode eximir-se da garantia do pagamento, na hipótese de ação de regresso. Isto porque o art 9 da Lei Uniforme de Genebra estabelece que o “Sacador é garante tanto da aceitação como do pagamento”, podendo exonerar-se da garantia da aceitação. Porém,
(...) qualquer clausula pela qual ele se exonera da garantia do pagamento, considera-se não escrita. Endossado o título, o sacador é obrigado indireto ou de regresso. Nesse ponto, para que possa responder pelo pagamento da Duplicata é necessário o protesto cambial da Duplicata em tempo hábil (30 dias após o vencimento). (COSTA, 2006, pg. 380)
É o Comprador o Sacado da Duplicata. É a pessoa indicada para aceitar e pagar o título. Se ele comprou, está de acordo com a mercadoria recebida e se não deixou de aceitar a Duplicata por declaração expressa e pelos motivos elencados no art 8 da Lei 5.474 (1968), deve
devolver a Duplicata que lhe foi apresentada, com o aceite que é obrigatório. Apesar de o aceite não constituir elemento indispensável à validade do título, pois independente dele pode a Duplicata circular, produzindo os efeitos como título de crédito. É o Comprador o obrigado principal ou o devedor da Duplicata. Os demais signatários são garantidores.
A Duplicata de Prestação de Serviços difere-se da Duplicata Mercantil em razão do Emitente ou Sacador da Duplicata, bem como do objeto do contrato base, que será de Prestação de Serviços.
Assim, a Duplicata de Prestação de Serviços tem como Emitente, Sacador ou Beneficiário um Prestador de Serviços, independente se pessoa física ou jurídica. Seu objeto será a prestação de serviços, cuja natureza deve ser discriminada na fatura.
5- REQUISITOS ESSENCIAIS NA DUPLICATA
Os requisitos essenciais para a validade da Duplicata estão enumerados no § 1º da Lei 5.474/1968 . Na falta de qualquer deles perde a Duplicata sua eficácia cambial (seus efeitos como título de crédito) e sua força executiva, passando a figurar tão somente como princípio de prova escrita. São eles:
I- Denominação “duplicata”, a data de sua emissão e o número de ordem.
A denominação “duplicata” é para a identificação do título, que, uma vez identificado, sabe-se qual a sua natureza e legislação aplicável.
A data de emissão é requisito importante para fixar a data da venda ou da prestação de serviços, o que por sua vez facilita a fiscalização quanto ao ICMS.
II- Número a fatura
Deve a fatura ser identificada por um número, em forma contínua. Sendo a fatura de emissão obrigatória nas vendas a prazo, esse número é utilizado para controlar sua emissão é a base para o número da Duplicata. Tudo isso seve para exame da fiscalização e deve obedecer a uma ordem cronológica.
Deve o número da Duplicata corresponder ao número da fatura que lhe deu origem. O §2° do art 2° da Lei 5.474/1968 determina que “só uma duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura”. Mas cabe esclarecer que a uma só Duplicata poderão corresponder,
eventualmente, mais de uma Duplicata em série. Este é o entendimento de Wille Duarte Costa ao explanar que
“É o que dispõe o §3° do art 2°, que permite, nos casos de venda em parcelas, ser emitida duplicata única, na qual se discriminarão todas as prestações e seus vencimentos, ou uma série de duplicatas, uma para cada prestação, distinguindo-se a numeração das duplicatas pelo acréscimo de letra do alfabeto, em sequência. . (COSTA, 2006, pg. 380).
Ainda de acordo com Wille Duarte Costa, é comum, atualmente, o uso de uma fatura e uma única Duplicata com vencimento correspondente à última prestação, sendo entregue ao comprador um carnê para pagamento das prestações.
III- Data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista
Permite a Duplicata somente vencimento à vista ou vencimento em data certa.
À vista é o vencimento que ocorre no momento da apresentação da Duplicata ao vendedor. É o que denominamos também de vencimento contra apresentação.
Pode o vencimento ser também contra entrega das mercadorias ou do conhecimento de transporte, sejam ou não na mesma praça vendedor e comprador. Além de poder ser para pagamento em prazo inferior a 30 dias, contados da entrega ou despacho de mercadorias. A outra modalidade de vencimento é com data certa, caso em que deve ser inserido no título o dia do vencimento, correspondendo a data ao calendário gregoriano. Em havendo erro quanto
ao dia do vencimento cabe prova em contrário (sendo suficiente a conferência pelo
vencimento lançado na fatura, já que a Duplicata decorre da fatura). Inexistindo informação na fatura e nota fiscal de venda ou em qualquer outro documento que comprove ter sido a venda a prazo, e encontrado o dia do pagamento será a Duplicata à vista. Somente entende-se ser à vista a duplicata, em havendo dúvida e sem outro elemento para exame.
IV- O nome e domicílio do vendedor e do comprador
O nome do Vendedor, assim como do Prestador de Serviços, constitui requisito obrigatório, sendo uma de suas razões a natureza tributária. Quanto aos domicílios do Vendedor e do Comprador segue-se a regra geral estabelecida pelo Código Civil. Lembra-se que a fixação do domicílio tem sua importância fundada no fato de se conhecer o local onde deve o devedor ser procurado para aceite da Duplicata. O que requer dizer que, uma vez conhecidos os
domicílios de devedor e credor, facilitados ficam os atos cambiais que podem afetar a um e outro.
Cabe ressaltar que na Duplicata Mercantil temos:
VENDEDOR (Credor) ? Sacador, Tomador, Beneficiário (pois é ele quem se beneficia do saque)
COMPRADOR (Devedor) ?Sacado
Ao passo que na Duplicata de Prestação de Serviços, SACADO (Devedor) ? é o Beneficiário dos Serviços PRESTADOR DE SERVIÇOS (Credor) ?Sacador V- Importância a pagar, em algarismo e por extenso
Deve o valor a pagar corresponder exatamente ao valor da fatura, que por sua vez corresponde ao valor da nota fiscal, se não parcelada a venda. Em sendo a venda parcelada, o valor da Duplicata corresponderá ao valor da respectiva parcela, sendo que as Duplicatas parceladas da mesma fatura, quando somadas, atingem o valor total da respectiva fatura.
Deve a importância a pagar estar em algarismo e por extenso, além de corresponder à moeda nacional. Se em moeda estrangeira, nulo é o titulo.
Havendo dúvida entre o valor em algarismo e o valor por extenso, por força do Decreto 2.044/1908, art 5°, o valor por extenso é o que prevalece.
VI- Praça de Pagamento
Praça de Pagamento significa o lugar onde a Duplicata deve ser paga; onde deve o título ser protestado, onde devem ser propostas as ações judiciais cabíveis . É também denominada de Praça de Comércio.
VII- Cláusula à Ordem
Como nos ensina Wille Duarte Costa,
A Cláusula à ordem implica em dizer que as duplicatas são títulos transferíveis, em qualquer situação, a terceiros por meio do endosso. Nela, o beneficiário é o próprio sacador. Portanto, o primeiro endosso é de sua exclusiva competência.
É bom saber que a Lei das Duplicatas não admite duplicata ao portador e nem Cláusula não à ordem. Portanto, é título que pode sempre circular por endosso, ainda que dele não conste a cláusula de ordem. (COSTA, 2006, PG. 387)
VIII- Declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite cambial
Por exigência legal, deve a Duplicata trazer esta declaração; o que objetiva fazer com que o Sacado reconheça a exatidão do titulo e se comprometa a pagá-lo, por força de sua assinatura, como aceite cambial.
Obrigatória é a declaração impressa, mas lembra-se que o Sacado não é obrigado a reconhecer a exatidão de um título que na verdade inexiste.
IX- Assinatura do emitente
Emitente e Sacador na Duplicata são a mesma pessoa. É o credor na Duplicata, enquanto não endossada. A assinatura do emitente na Duplicata deve ser do próprio punho do credor ou de seu mandatário com poderes especiais.
6-PADRONIZAÇÃO DA DUPLICATA
É a Duplicata título padronizado, devendo seus modelos seguirem os padrões fixados na Resolução 102, de 26/11/1968, do Banco Central do Brasil.
7-FIGURAS INTERVENIENTES
Sacador e Sacado são figuras que surgem com a emissão da Duplicata. Assim temos, ? Sacador: é o criador da Duplicata
? Sacado(ou aceitante): é o devedor da Duplicata. Se o Sacado concorda com a Duplicata e a aceita, torna-se aceitante.
? Endossante: é aquele que transfere a duplicata e o direito nela contido, mediante endosso, a terceiro, que é o endossatário. Enquanto isto, o avalista é o garantidor do título.
? Sacador, Endossante e Avalista: são garantidores do título ou devedores de regresso. Devedor é apenas o Sacado ou Aceitante.
8- TRIPLICATA
Estabelece o art 23. da Lei 5.474/68 que “ a perda ou extravio da Duplicata obrigará o vendedor a extrair Triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades daquela”.
Significa dizer que a Triplicata é idêntica à Duplicata, com a única diferença do nome. Outra coisa, embora não pareça, é a Triplicata de emissão facultativa e não obrigatória, como dá a entender a leitura do art. supra.
Se extraída corretamente, poderá a Triplicata ser endossada a terceiros, protestada por falta de aceite, de devolução ou pagamento. Aceita ou não, mas vencida, autoriza a cobrança judicial. Casos em que pode a Triplicata ser emitida
a) Perda e Extravio
b) Retenção indevida por parte do Comprador (no entendimento de Wille Duarte) Casos em que não se pode emitir a Triplicata (Furto, Roubo e Duplicata Aceita)
a) Furto e Roubo da Duplicata: é que a Duplicata pode ter sido endossada, por assinatura fala, e estar nas mãos de portador de boa-fé, que não está obrigado a devolvê-la (o fato de a
duplicata ter sido roubada ou furtada não exonera o Sacado de sua obrigação de pagá-la). Se emitida a Triplicata, tem-se a duplicidade da dívida, com riscos para o comprador e em seu prejuízo.
b) Se a Duplicata circulou por endosso e perdeu-se ou extraviou-se, o endossatário (terceiro que recebe a duplicata endossada) não pode extrair a duplicata: por ser título causal , consta da escrituração do Sacador e só este pode extrair a Triplicata. Deve o endossatário
providenciar o ajuizamento de Ação Anulatória para recuperar o seu direito.
9- REMESSA E DEVOLUÇÃO DA DUPLICATA
É facultativa a extração da Duplicata. Mas, uma vez extraída, deve ser remetida ao Sacado para aceite.
O Sacador tem o prazo de 30 dias para remessa da Duplicata ao Sacado, contados da emissão. Por sua vez, o Sacado tem o prazo de 10 dias para devolver a Duplicata com o aceite ou com as razões da falta de aceite por escrito.
Razões para falta de Aceite (art 8, Lei 5.474/68)
I- Avaria ou não-recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco.
II- Vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovadas;
III- Divergências nos prazos e preços ajustados; Para Prestação de Serviços:
I- Não correspondência efetivamente contratados;
II- Vícios e defeitos na qualidade dos serviços prestados, devidamente comprovados III- Divergências nos prazos ou nos preços ajustados.
10- ACEITE NA DUPLICATA
É a Duplicata um dos poucos títulos de crédito que comporta Aceite, devendo este ser dado em local próprio e ser datado.
Uma vez aceito o título, significa que o Sacado concordou com todos os seus dados e requisitos, transformando-se, então, em Aceitante. O que implica dizer que a obrigação decorrente tornou-se líquida e certa e mais, o Aceitante passou a figurar no título como obrigado (devedor) principal. Uma vez inadimplente pode, contra o Aceitante, ser ajuizada ação direta, sem necessidade de qualquer protesto.
Em não dando o aceite, faz-se necessário o protesto cambial para que se prospere a execução, juntando-se à inicial a prova da entrega das mercadorias e a certidão de protesto cambial realizado.
10.1- Duplicata com vencimento à vista ou contra apresentação
Nos casos de Duplicata com vencimento à vista ou contra apresentação não há que se falar em apresentação para aceite, mas sim para pagamento. E mais, a apresentação da mesma deve dar-se até um ano da sua emissão. Se não pago o título, o mesmo deve ser levado a protesto para comprovar o fato.
Não sendo o título com vencimento à vista, deve o Sacador apresentar o título para aceite no prazo de 30 dias de sua emissão. Deve o Sacado devolvê-la, com o aceite ou recusa justificada do aceite, por escrito no prazo de 10 dias.
Se a remessa da Duplicata deu-se por intermédio de representantes, instituições financeiras, procuradores ou correspondentes, estes deverão apresentar a Duplicata ao Sacado no prazo de 10 dias contados da data de seu recebimento e praça de pagamento. Pode o intermediário devolver a Duplicata, segundo as instruções de quem lhes cometeu o encargo. Entretanto, em sendo a instituição financeira cobradora, “o sacado poderá reter a duplicata em seu poder até a data do vencimento, desde que comunique por escrito, à apresentante, o aceite e a retenção” §1º do art 7° Lei 5.474/1968. Cabe ressaltar que a comunicação em referência, substituirá, quando necessário, no ato do protesto ou na execução judicial, a duplicata a que se refere. 10.1.1- Aceite Presumido
O Aceite Presumido permite que seja executado o devedor que não deu o Aceite na Duplicata ou que não firmou a Declaração de reconhecimento de exatidão do titulo e da obrigação de pagá-lo, contando que cumulativamente:
I- haja sido o título protestado;
II- esteja o título acompanhado de documento hábil comprobatório da entrega das mercadorias ou dos serviços;
III- o sacado não tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei. 5.474/1968.
De outra maneira, o Aceite Presumido tem por exigência o protesto cambial. Cabe ao Sacado aceitar ou não o título. Em não aceitando, deve o Sacador providenciar seu protesto. Assim, a Duplicata sem aceite, mas com a certidão de seu protesto e a prova da remessa e entrega das mercadorias ou serviços, poderá ser objeto de execução contra o Sacado ou de outros
obrigados no título.
De acordo com o art 8° da Lei 5.474/1968, o Comprador poderá deixar de aceitar a Duplicata por:
I- avaria ou não-recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco;
II- vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados;
III- divergências nos prazos ou nos preços ajustados.
11- DUPLICATA SEM ACEITE
O Aceite não constitui requisito essencial da Duplicata. Assim, mesmo sem sua presença, ela circula e produz todos os efeitos enquanto título de crédito.
Conforme já dito, a Duplicata, sem aceite, desde que acompanhada de prova da entrega da mercadoria ou da prestação do serviço, bem como da certidão de protesto por falta de aceite ou pagamento (não incorrendo a recusa do aceite nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei.
5.474/1968) constitui-se em título executivo contra o Sacado.
Lembra-se que é direito do Sacado receber a Duplica para aceitá-la ou negar-lhe o aceite. Pode a falta do Aceite ser:
a) Motivado, quando alegadas as razões dos arts 8° 21° da Lei 5.474/1968. Neste caso fica o Sacado sem poder ser protestado cambialmente ou executado. Ao Credor só resta discutira a questão por via ordinária, em caso de não atender ao alegado pelo Sacado.
b) Imotivado, quando o Sacado devolve a Duplicata sem Aceite e sem reclamação alguma. Vencido o título sem aceite, o Sacador poderá levá-lo a protesto e, com a certidão de protesto, seguida do comprovante da entrega das mercadorias ou serviços, torna o título líquido e certo, justificando sua execução.
Prescrevendo a Duplicata sem aceite, protestada ou não, ela se torna título sem força executiva e, acompanhada do comprovante de entrega das mercadorias ou dos serviços, é
considerada prova escrita capaz de viabilizar ação monitória.
12- ENDOSSO NA DUPLICATA
O primeiro endossante da Duplicata será sempre o Sacador (que também é o beneficiário do título).
A Clausula de Ordem é inerente à duplicata, ou seja, a Duplicata pode ser endossada em qualquer hipótese, mesmo havendo proibição decorrente de vinculação a contrato.
Em sendo a Duplicata sem aceite endossada pelo Sacador a terceiro, deve o Endossatário (o terceiro) cumprir com as disposições legais e remetê-la para aceite dentro do prazo legal. Havendo recusa do aceite por parte do Sacado, pode o Endossatário tentar o protesto, o qual poderá ser sustado pelo Sacado. A saída para o Endossatário é ajuizar a execução contra o Sacador e não contra o Sacado, comprovando o obstáculo instransponível que se
consubstancia na sentença proferida sustando o protesto.
Em relação ao Endosso Posterior ao Vencimento é aplicado o art 20 da LUG, daí decorrendo as hipóteses
a) se o endosso verificar-se dentro do prazo para se fazer o protesto (30 dias) produz o mesmo efeito do endosso anterior;
b) se o endosso verificar-se após o protesto ou prazo para se fazer o protesto (após 30 dias), seu efeito é o de uma cessão ordinária de crédito.
Em ambas as hipóteses, possui o Endosso todos os efeitos cambiários.
Quanto ao Endosso sem garantia, em sendo o Endossante o Sacador, este não poderá livrar-se da garantia do pagamento, pois ele é garante tanto da aceitação como do pagamento do título.
13- AVAL NA DUPLICATA
Em consonância com Wille Duarte Costa (2006), é o Aval uma declaração eventual e
sucessiva, pela qual o signatário responde pelo pagamento do título de crédito. É uma garantia típica cambiária que não existe fora do título de crédito. Na Duplicata, o aval é escrito no verso do próprio título, podendo ser numa folha anexa, se não existir espaço para novas assinaturas.
Na Duplica, ainda de acordo Wille Duarte Costa (2006), pode o Aval ser prestado por qualquer pessoa capaz de obrigar-se, mas em conformidade com o art 32 da LUG, aplicável ao Aval na Duplicata, o avalista é responsável da mesma maneira que seu avalizado. Ou seja, se o avalista equiparar-se ao Comprador ou Sacado, sua obrigação será direta e equivalente a uma obrigação do mesmo nível da do Sacado, embora não seja o avalista obrigado principal. Se ele equiparar-se ao sacador ou a qualquer endossante, sua obrigação é equivalente à obrigação do mesmo nível de um obrigado de regresso, como o são o endossante e o sacador. O avalista é, na Duplicata, equiparado àquele cujo nome indicar. Na falta de indicação, equipara-se àquele abaixo de cuja assinatura lançar a sua. Fora desses casos, ao comprador (Sacado).
Ressalta-se que não é nulo o aval de pessoa casada, dado sem consentimento do outro cônjuge, mas pode este aval ser invalidado pelo cônjuge que não deu para tal seu
consentimento. Fazendo-se exceção o casamento com regime de separação absoluta de bens.
Aval Antecipado é aquele que se dá antes do avalizado obrigar-se no título. Se o avalizado não assinou e, portanto, não se obrigou, não há obrigação do avalista. Se não for formalizada a obrigação do avalizado, a do avalista não se completa, não se constitui. Isso em face de que o avalista se obriga da mesma maneira que o avalizado, conforme determina o art 32° da LUG.
Entretanto, é de se esclarecer que se no lugar do avalizado assinar outra pessoa, por força da Teoria da Aparência, a obrigação do avalista se completa. Assim, pouco importa que o signatário não seja o verdadeiro avalizado, que a assinatura seja falsa ou de pessoa incapaz, o avalista torna-se obrigado, completando-se sua obrigação.
E mais, a duplicata sem aceite protestada, acompanhada da certidão de protesto e da prova da entrega das mercadorias ou do serviço prestado dá ao título seu caráter de liquidez e certeza, entendo-se assim que houve o aceite presumido, completando-se a obrigação do avalista equiparado ao Comprador (Sacador), podendo o avalista ser executado para pagamento da divida que garantiu.
16- VENCIMENTO
Na Duplicata é o Vencimento: Ordinário, quando fixado nos termos da lei e Extraordinário, quando provocado para verificar-se antecipadamente.
A lei fixa que é o Vencimento Ordinário em sendo com data certa, ou seja, designado o dia para que seja efetuado o pagamento ; ou em sendo à vista, isto é contra a apresentação do título ao sacado.
O Vencimento Extraordinário, também chamado de Antecipado é fixado pelas situações de: a) protesto pela falta ou recusa de aceite;
b) pea falência do aceitante.
Lembrando que nas situações acima pode o pagamento ser adiado até o dia do vencimento ordinário. E mais, se o protesto deu-se por falta ou recusa de aceite, por força de vencimento Extraordinário todos os obrigados na Duplicata poderão ser executados imediatamente, antes do vencimento ordinário. Entretanto, se o protesto for em razão da falência do aceitante, a execução pode ser processada contra os devedores de regresso e avalistas do aceitante, excluindo o próprio aceitante falido.
Se ocorrer a falência do avalista, do endossante ou do sacador, não há que se falar em protesto do título, tão pouco em vencimento extraordinário.
17- PAGAMENTO
Na Duplicada deve o pagamento ocorrer quando de sua apresentação ao Sacado, em sendo o vencimento à vista. Em sendo o vencimento fixado na Duplicata com data certa, a
apresentação do título na data referida será sempre para pagamento, havendo ou não aceite. Antes desta apresentação não tem o Sacado a obrigação de pagar o título; a ele é dada a faculdade de pagá-lo antes do vencimento correndo por sua conta todos os riscos inerentes ao objeto do elemento causal do título.
Lembra-se que só o Sacado ou Aceitante pode pagar parcialmente a Duplicata, na permitindo a lei tal faculdade aos outros obrigados, como o avalista, o sacador ou endossante do título.
O art 11° da Lei 5.474/1968 dispõe que:
A duplicata admite reforma e prorrogação do prazo de vencimento, mediante declaração em separado ou nela escrita, assinada pelo vendedor ou endossatário ou por representante com poderes especiais.
Parágrafo Único: A reforma ou prorrogação de que trata este artigo, para manter a
coobrigação dos demais intervenientes por endosso ou por aval, requer a anuência expressa destes. (BRASIL, 1968)
Reforma diz respeito à modificação do valor do título por ajuste entre Sacado ou Aceitante e o legítimo possuidor da Duplicata. Pode a modificação do valor ser para reduzir pagamento parcial feito pelo devedor ou para aumentar o valor pelo acréscimo de juros, multa e outros valores.
A Prorrogação do Prazo de Vencimento é exatamente passar o vencimento do título para data outra posterior, conforme ajuste entre devedor e credor.
Em se tratando de Reforma, havendo coobrigados na duplicata primitiva, seja por endosso ou aval, certo é que a prorrogação e reforma devem ser autorizadas pelo último endossatário e portador da Duplicata. Os demais obrigados devem dar sua expressa anuência (Sacador, Endossante e Avalistas).
19- DUPLICATA SIMULADA OU SEM LASTRO
Também conhecida como Duplicata Fria, a Duplicata Simulada ou sem lastro é aquela que lhe falta o elemento causal, ou seja, a compra e venda mercantil ou a prestação de serviços. Na Duplicada Simulada, Sacador e Aceitante incorrem em crime de estelionato.
A Duplicata, conforme já dito, é titulo cuja existência depende de um contrato de compra e venda comercial ou de prestação de serviço. Toda Duplicata deve corresponder a uma efetiva venda de bens ou prestação de serviços. A emissão de Duplicatas que não tenham como origem essas atividades é considerada infração penal. Trata-se da chamada " Duplicata Fria" ou “Duplicata Simulada”. O Código Penal assim define essa infração: Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponde à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. Pena: detenção de dois à quatro anos, e multa ( Código Penal, art. 172 ).
20- PROTESTO DA DUPLICATA E SUA SUSTAÇÃO
O protesto da Duplicata é ato formal e oficial pelo qual se prova a apresentação do título ao Sacado e o descumprimento de obrigação consubstanciada na falta de aceite, devolução ou pagamento da Duplicata. Será o protesto tirado, conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata ou ainda por simples indicação do portador, na falta de devolução do título.
O Protesto por Falta de Aceite pode dar-se por recusa imotivada do aceite. Em sendo a Duplicata título formal, não pode o Sacado limitar seu aceite a uma parte da importância, nem alterar o vencimento ou a praça de pagamento. Assim, a recusa parcial corresponde, na Duplicata, a uma recusa total. Esta modalidade de protesto deve ocorrer até a véspera do vencimento ordinário da Duplicata. No dia do vencimento a apresentação é para o pagamento, após tal dia o protesto será por falta de pagamento.
Duplicata, e esta não tendo sido paga.
O Protesto por Falta de Devolução dá-se quando a Duplicata enviada para o Sacado não for devolvida dentro do prazo legal, qual seja, 10 dias. Deve também tal protesto ocorrer antes do vencimento ordinário da Duplicata.
Cabe aqui dizermos ainda da Sustação do Protesto. Assim, os casos mais comuns que justificam a sustação do protesto estão relacionados aos fatos dispostos no art 8° da Lei 5.474/1968: não recebimento da mercadoria, avarias, vícios, defeitos e diferenças na
qualidade ou quantidade das mercadorias devidamente comprovados, divergências nos prazos ou nos preços ajustados. Também os enumerados no art. 21° da Lei 5.474/1968 para a
Duplicata de Prestação de Serviços: não-correspondência dos serviços efetivamente
contratados, vícios, defeitos na qualidade dos serviços prestados devidamente comprovados, divergência nos prazos e nos preços ajustados.
21- PRESCRIÇÃO DA AÇÃO DE COBRANÇA DA DUPLCIATA A pretensão à execução da Duplicata prescreve:
a) Contra o Sacado e respectivos avalistas, em três anos, contados da data do vencimento; b) Contra endossante e seus avalistas, em um ano, contado da data do protesto
c) De qualquer dos obrigados, contra os demais, em um ano, contado da data em que tenha sido efetuado o pagamento do título.
A Lei 5.474/1968 silenciou-se quanto à Ação Ordinária de Cobrança da Duplicata. Assim, para Wille Duarte Costa (2006), a expressão “pretensão à execução” é genérica e dá idéia de cobrança de forma geral.
Desta maneira, em conformidade com o doutrinador em referência, a primeira hipótese é de três anos contados do vencimento, para a ação contra o Sacado e seus Avalistas. Ocorre que, com as novas disposições do novo Código Civil, o protesto cambial interrompe o prazo de prescrição. Logo, a contagem do prazo dar-se-á do vencimento, não havendo protesto. Havendo protesto, qualquer que seja, o prazo da prescrição conta-se do protesto cambial. A segunda hipótese, da ação contra endossantes e seus avalistas, a contagem do prazo de um ano é do protesto cambial. A Lei 5.474/1968 silenciou-se em relação ao Sacador, que na Duplicata é sempre o primeiro endossante. Assim, havendo dúvida, aplicam-se as disposições do art 70 da Lei Uniforme de Genebra, o qual estabelece a prescrição da ação contra o
Sacador em um ano a contar do protesto.
A terceira hipótese, da ação de um dos coobrigados, contra os demais, a contagem dar-se-á em um ano a contar da data do pagamento do título. Este pagamento deve ocorrer dentro do prazo de um ano contado do protesto do título e a ação também deve ser proposta no mesmo período. Se o pagamento der-se após um ano de protesto, nenhum devedor de regresso poderá ser acionado, vez que contra eles o protesto do título prescreve em um ano. Neste caso, se o pagamento por parte do endossante deu-se antes de três anos do vencimento ou do protesto cambial, ele ainda terá ação contra o Sacado ou aceitante e seus Avalistas. Depois dos três anos, nem contra estes terá ação de cobrança.
Prescrita a ação cambial contra todos os obrigados, o possuidor só poderá discutir o débito em ação monitória, a ser proposta contra aquele que como ele participou da relação causal que deu origem ao seu crédito. Os demais, antes obrigados, por nada mais respondem.
22- CONCLUSÃO
vinculada à relação jurídica que lhe dá origem, que é a compra e venda mercantil ou a prestação de serviços.
Uma vez emitida a fatura, nos casos de prazo não inferior a 30 dias, tem o vendedor (ou prestador de serviços) a faculdade de extrair a Duplicata. No momento em que é extraída, seu criador torna-se Sacador ou Emitente, também denominado de Tomador ou Beneficiário. Já o comprador, aquele que a deve aceitar e pagar, torna-se Sacado.
A emissão da Duplicata requer, para sua validade, o atendimento dos requisitos dispostos no §1 º do art. 2 º, da Lei 5.474/1968, perderá a Duplicata sua cambiaridade e sua força
executiva, figurando somente como principio de prova escrita.
Em sendo a Duplicata emitida para pagamento à vista ou contra apresentação, sua
apresentação ao Sacado é para pagamento. Em sendo emitida para pagamento a prazo, tem o Sacador 30 dias para apresentá-la ao Sacado para que este dê seu aceite e a devolva ao
Sacador no prazo de 10 dias, contados da data de sua apresentação. Entretanto, pode o Sacado deixar de aceitá-la por declaração expressa e pelos motivos elencados no art 8º da Lei
5.474/1968, mas se não a devolver dentro do prazo legal incorrerá no risco de ser protestado pelo Sacador por não devolução do título.
Salienta-se que não constitui o aceite elemento indispensável à validade do título, pois independente dele pode a Duplicata circular, produzindo os efeitos como título de crédito. E mais, é o Comprador o obrigado principal ou o devedor da Duplicata. Os demais signatários são garantidores.
Também, é o Sacador o primeiro a endossar o título e que, no caso de ação de regresso, não pode eximir-se da garantia do pagamento, pois é ele, em se tratando de Duplicata Mercantil, o beneficiário. Cabendo esclarecer que no caso da Duplicata de Prestação de Serviços o
beneficiário é o Sacado. O art 9º da LUG dispõe que o Sacador é garante tanto da aceitação como do pagamento, podendo exonerar-se somente da garantia da aceitação. Endossando o título, o Sacador é obrigado indireto ou de regresso.
Cumpre-nos dizer ainda que a Clausula de Ordem é inerente à duplicata, ou seja, a Duplicata pode ser endossada em qualquer hipótese, mesmo havendo proibição decorrente de
vinculação a contrato. Em sendo a Duplicata sem aceite endossada pelo Sacador a terceiro, deve o Endossatário (o terceiro) cumprir com as disposições legais e remetê-la para aceite dentro do prazo legal.
Acerca das figuras intervenientes neste título de crédito, temos a dizer que as mesmas são constituídas pelo Sacador, Sacado, Endossante e Endossatário. Já em relação à perda ou extravio da Duplicata, pode o vendedor (ou prestador de serviços) extrair a Triplicata, a qual terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades da Duplicata. O que não é permitido é a emissão de Duplicata sem lastro, ou seja, que não tem por base uma operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. Tal emissão é considerada infração penal, conduta tipificada como crime de estelionato no art 172 de nosso Código Penal.
Em relação à figura do Aval, temos que na Duplicata o mesmo pode ser prestado por qualquer pessoa capaz de obrigar-se, e mais, o avalista é responsável da mesma maneira que seu avalizado.
Finalmente, cumpre-nos dizer, embasados em Wille Duarte Costa (2006) que em relação ao Protesto na Duplicata este constitui ato formal e oficial pelo qual se prova a apresentação do título ao Sacado e o descumprimento de obrigação consubstanciada na falta de aceite, devolução ao pagamento da Duplicata.
BRASIL, Lei 5.474, de 18 de julho de 1968. Institui sobre as Duplicatas e dá outras providencias.
BRASIL, Decreto 57.663, de 24 de janeiro de 1966. Institui as Convenções para adoção de uma Lei Uniforme de letras de câmbio e notas promissórias.