Nelson Alonso Junior
POLITICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO À EXPORTAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS NO BRASIL: NO ESTADO DE SÃO
PAULO DE 2000 A 2006
UNIVERSIDADE SÃO MARCOS
Programa Interdiciplinar em Educação, Comunicação Administração
SÃO PAULO 2008
NELSON ALONSO JUNIOR
POLITICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO À EXPORTAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS MÉDIAS EMPRESAS NO BRASIL: O ESTADO DE SÃO PAULO
DE 2000 A 2006
Universidade São Marcos
Programa Interdiciplinar em Educação, Comunicação, Administração
SÃO PAULO 2008
NELSON ALONSO JUNIOR
POLITICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO À EXPORTAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL: O ESTADO DE SÃO PAULO DE 2000 A
2006
2008
Dissertação apresentada ao Progrma Interdiciplinar em Educação, Comunicação e Administração da Universidade São Marcos, sob orientação do Prof. Dr. Lincoln Etchebérè Jr. com vistas à obtenção do título de Mestre.
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho à única pessoa que durante a minha vida esteve ao meu lado, acreditou no nosso crescimento como pais, pessoas, como profissionais e como amigos que somos, pois nos conhecemos há 36 anos.
AGRADECIMENTOS
Desenvolver essa dissertação foi um desafio constante que me fez sonhar com a sua execução plena de êxito, e que tornou-se realidade.
Por isso devo compartilhar e agradecer:
Ao meu pai que está no céu, à minha mãe sempre muito presente, que me propiciaram os primeiros passos na educação.
Aos meus filhos Gustavo e Mariane, pelo amor e apoio incondiconal. Aos meus irmãos Nivaldo e Ney pela amizade.
Ao Professor Dr. Leonel Mazzali, orientador muito digno, competente, da Universidade de São Caetano do Sul.
Ao Professor Dr. Lincoln Etchebéhère Jr., meu orientador, pelo privilégio de sua confiança em mim depositada.
Ao Sr. Dario Sanchez, gerente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em Diadema.
À Sra. Isabel Cristina B. Grigio, gerente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em São Caetano do Sul.
À Srta. Tamires, do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em São Caetano do Sul.
Ao Sr. Admir Gasparetto, gerente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em São Bernardo do Campo.
Ao Sr. Jose Rufino O. Filho, diretor de comércio Exterior e empresário exportador do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em São Bernardo do Campo e Diadema.
Ao amigo Dr. Ronaldo Souza Forte, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e do Centro das Indústrias no Estado de São Paulo, em Santos.
RESUMO
O reduzido número de pequenas, micro e médias empresas exportadoras no nosso país, segundo os nossos principais indicadores de Comércio Exterior, motivou este estudo, uma vez que noventa e cinco por cento das empresas brasileiras são formadas por esses tipos de organizações, onde se procurou identificar as principais Políticas Públicas existentes para o Incremento às Exportações no Brasil, no período de 2000 a 2006 para o Estado de São Paulo. Foram identificadas as principais Políticas Públicas de Incrementos à Exportação no período de 2000 a 2006, onde foram resgataram todas as ações do Governo Federal, apontados os principais Organismos Governamentais intervenientes no Comércio Exterior, os Organismos não Governamentais e sua participação no processo. A identificação das principais barreiras foram encontradas por meio da análise dos 210 questionários respondidos eletronicamente, pelos empresários dos municípios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema. Os resultados indicaram grandes diferenças na relação com o governo, onde ficou evidenciada a disponibilidade de um número imenso de informações por parte dos organismos Governamentais e Não Governamentais, não utilizadas pelos empresários.
PALAVRAS-CHAVES: Políticas Públicas, barreiras à exportação, micro, pequenas e médias empresas
ABSTRACT
The small amount of Micro, Small and Medium size export companies in our country, according to the main national pointers to International Trade, was the aim of this study. It was reinforced by the fact that ninety and five percent of the Brazilian companies are formed by this kind of companies.
In this scene, it was identified the main public policies of Increments to the Exportation in the period from 2000 to 2006, emphasizing all the actions taken by the Federal Government, the main Governmental Organs that interfere in the Foreign commerce, as well as the nongovernmental ones, and their participation in this process. To explore the main barriers to the exportation, it was applied a specific questionnaire to the businessmen from the Micro and Medium companies, located in the cities of Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema, in the São Paulo State. After the identification of the major barrier found for 462 businessmen asked through 210 electronic questionnaires, that were applied in the cities of Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema.The results analysis showed many differences between the government relations, in which was evidenced the availability of a great amount of information through governamental and nongovernamental agencies, although not used by businessmen
KEY WORDS: Public Politics, Barriers to the Exportation, Micro, Small and Medium Companies, Exportation
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Quantidade de empresas exportadoras no Brasil – 2000 a 2006 ... 64
Tabela 2 – Quantidade de empresas exportadoras no Estado de São Paulo – 2000 a 2006... 66
Tabela 3 – Comparativo das quantidades de empresas exportadoras do Brasil com o Estado de São Paulo 2000 a 2006 ... 68
Tabela 4 – Valor exportado no Brasil por porte de empresas anos de 2000 a 2006 ... 69
Tabela 5 – Valor exportado no Estado de São Paulo por porte de empresas anos de 2000 a 2006 ... 72
Tabela 6 - Comparativo das quantidades de empresas exportadoras do Brasil com o Estado de São Paulo 2000 a 2006 ... 74
Tabela 7 - Valor exportado por empresas classificadas em São Paulo segundo o tamanho e a faixa de exportação anual 2000 a 2006 ... 75
Tabela 8 - Número de empresas exportadoras do Brasil, classificadas segundo o tamanho e a faixa de exportação anual dos anos de 2000 a 2006 ... 77
Tabela 9 - Quantidade de empresas exportadoras até US$ 1.000,000 no Estado de São Paulo ... 78
Tabela 10 - Características da amostra por porte de empresas exportadoras do Estado de São Paulo ... 102
Tabela 11 - Tempo em anos de exportação das empresas por porte ... 104
Tabela 12 - Os mercados de destino ... 106
Tabela 13 - Cargo que ocupa a pessoa que respondeu o questionário ... 106
Tabela 14 - Segmento de atuação das empresas exportadoras por porte ... 108
Tabela 15 - Como se deu a entrada no mercado externo ... 110
Tabela 16 - As principais dificuldades encontradas no inicio fora ... 111
Tabela 17 - Como foram enfrentadas as dificuldades ... 112
Tabela 18 - Quais organismo governamentais ou não governamentais forneceram as fontes de identificação utilizadas nos compradores ... 113
Tabela 19 - Como as empresas tiveram acesso as fontes determinadas para exportação ... 114
Tabela 20 - Quais os produtos comercializados ... 114
Tabela 21 - A escolha do produto teve o apoio de qual organismo governamental ou não ... 115
Tabela 22 - Quais os principais fatores que contribuíram para a exportação ... 115
Tabela 23 - A sua empresa já participou de algum evento de comércio exterior 116 Tabela 24 - Que tipo de evento de comercio exterior ... 117
Tabela 26 - Quais organismos governamentais ou não governamentais promoveu o evento ... 119 Tabela 27 - O custo financeiro que originou a sua participação foi financiado por algum organismo governamental ... 120 Tabela 28 - Quais órgãos orientaram a sua incursão no exterior ... 120 Tabela 29 - As despesas oriundas das viagens para promoção e conhecimento das culturas foram financiadas por qual organismo governamental ou não. ... 121 Tabela 30 - As negociações técnicas das exportações realizadas pela sua empresa foi apoiada por qual organismo governamental ou não governamental ... 122 Tabela 31 - Nas negociações externas houve apoio de algum organismo governamental ou não governamental para elaborarem contratos internacionais (advogados especializados) ... 122 Tabela 32 - Houve necessidade de preparação de espaço próprio para produção para exportação ... 123 Tabela 33 - O custo gerado pela empresa para mudança da produção, houve financiamento de qual organismo governamental ou não governamental ... 124 Tabela 34 - Quantos funcionários existem na empresa na área de exportação . 124 Tabela 35 - A predominância dos mesmos é do sexo ... 125 Tabela 36 - Houve necessidade de fazer com que os colaboradores aprendessem a lidar com as formas de atuar ... 126 Tabela 37 - Quais organismos contribuíram para essas performances ... 128
LISTA DE FIGURAS
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 17
CAPITULO I - POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO À EXPORTAÇÃO NO BRASIL. ... 21
1.1 POLÍTICAS DE INCENTIVOS ÀS EXPORTAÇÕES NO BRASIL ... 23
1.2 ORGANISMOS DE GESTÃO PÚBLICA DA POLÍTICA DE COMÉRCIO EXTERIOR ... 32
Figura 1 - Organograma do comércio exterior brasileiro ... 32
1.2.1 Conselho Monetário Nacional (CMN) ... 33
1.2.2 Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) ... 33
1.2.3 Ministério das Relações Exteriores (MRE) ... 35
1.2.4 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) 36 1.2.5 Ministério da Fazenda ... 39
1.2.6 Ministério das Comunicações ... 41
1.2.7 Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento ... 41
CAPITULO II - ÓRGÃOS NÃO GOVERNAMENTAIS DE PROMOÇÃO DAS EXPORTAÇÕES ... 43
2.1 SEBRAE ... 43
2.2 Programas patrocionados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) .. 48
2.3 Agência de Promoção das Exportações Brasileiras – APEX ... 50
2.3.1 Unidade de Projetos ... 53
2.3.2 Grupos gestores ... 54
A Unidade de Inteligência Comercial da APEX-Brasil opera da seguinte forma: . 57 2.4 Câmaras de Comércio ... 58
2.5 Fundação Centro de Estudos do Comercio Exterior – FUNCEX ... 58
2.6 Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB ... 59
2.7 Seguradora Brasileira de Crédito a Exportação - SBCE ... 59
2.8 Fundo de Aval às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do SEBRAE (FAMPE) ... 60
Fundo de Aval às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do SEBRAE (FAMPE) ... 61
CAPITULO III - O DESEMPENHO DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS NO COMÉRCIO EXTERIOR (2000 – 2006) ... 62
3.1 Aspectos gerais das exportações das micro, pequenas empresas no Brasil -2000 a 2006... 64
Tabela 1 – Número de empresas exportadoras no Brasil – 2000 a 2006 ... 64
3.2 Aspectos gerais das exportações micro, pequenas empresas no Estado de São Paulo -2000 a 2006 ... 66
Tabela 2 – Quantidade de empresas exportadoras no Estado de São Paulo – 2000 a 2006... 66
Tabela 3 – Comparativo das quantidades de empresas exportadoras do Brasil
com o Estado de São Paulo 2000 a 2006 ... 68
Tabela 4 – Valores ... 70
em dólares, exportado no Brasil por porte de empresas anos de 2000 a 2006 . 70 Tabela 5 – Valor exportado no Estado de São Paulo por porte de empresas anos de 2000 a 2006 ... 72
Tabela 6 - Comparativo das quantidades de empresas exportadoras do Brasil com o Estado de São Paulo 2000 a 2006 ... 74
Tabela 7 - Valor exportado por empresas classificadas em São Paulo segundo o tamanho e a faixa de exportação anual 2000 a 2006 ... 75
Tabela 8 - Número de empresas exportadoras do Brasil, classificadas segundo o tamanho e a faixa de exportação anual dos anos de 2000 a 2006 ... 77
Tabela 9 - Quantidade de empresas exportadoras até US$ 1.000,000 no Estado de São Paulo ... 78
CAPITULO IV – AS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS E AS PRINCIPAIS BARREIRAS A EXPORTAÇÃO ... 82
4.1 A obtenção de informações e os canais de comunicação ... 88
4.2. Processo de aprendizagem na atividade de exportação. ... 89
4.3 Inteligência competitiva ... 94
CAPITULO V – MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS EXPORTADO- RAS ... 97
Análise dos Resultados ... 101
Tabela 10 - Características da amostra por porte de empresas exportadoras do Estado de São Paulo ... 102
Tabela 11 - Tempo em anos de exportação das empresas por porte ... 104
Tabela 12 - Os principais mercados de destino... 106
Tabela 13 - Cargo que ocupa a pessoa que respondeu o questionário ... 106
Tabela 14 - Segmento de atuação das empresas exportadoras por porte ... 108
Tabela 15 - Como se deu a entrada no mercado externo ... 110
Tabela 16 - As principais dificuldades encontradas no inicio fora ... 111
Tabela 17 - Como foram enfrentadas as dificuldades ... 112
Tabela 18 - Quais organismo governamentais ou não governamentais forneceram as fontes de identificação utilizadas nos compradores ... 113
Tabela 19 - Como as empresas tiveram acesso as fontes determinadas para exportação ... 114
Tabela 20 - Quais os produtos comercializados ... 114
Tabela 21 - A escolha do produto teve o apoio de qual organismo governamental ou não ... 115
Tabela 22 - Quais os principais fatores que contribuíram para a exportação ... 115
Tabela 23 - A sua empresa já participou de algum evento de comércio exterior 116 Tabela 24 –Tipos de eventos de comércio exterior ... 117
Tabela 25 – Principais resultados nos eventos internacionais ... 118
Tabela 26 Os organismos governamentais ou não governamentais que promoveu o evento ... 119
Tabela 27 – Origem do custo financeiro na sua participação dos eventos internacionais ... 120
Tabela 28 – Organismos que orientaram a sua incursão no exterior ... 120
Tabela 29 - As despesas oriundas das viagens para promoção e conhecimento das culturas foram financiadas por qual organismo governamental ou não. ... 121
Tabela 30 - As negociações técnicas das exportações realizadas pela sua empresa foi apoiada por qual organismo governamental ou não governamental ... 122
Tabela 31 - Nas negociações externas houve apoio de algum organismo governamental ou não governamental para elaborarem contratos internacionais (advogados especializados) ... 122
Tabela 32 - Houve necessidade de preparação de espaço próprio para produção para exportação ... 123
Tabela 33 - O custo gerado pela empresa para mudança da produção, houve financiamento de qual organismo governamental ou não governamental ... 124
Tabela 34 - Quantos funcionários existem na empresa na área de exportação . 124 Tabela 35 - A predominância dos mesmos é do sexo ... 125
Tabela 36 - Houve necessidade de fazer com que os colaboradores aprendessem a lidar com as formas de atuar ... 126
Tabela 37 - Quais organismos contribuíram para essas performances ... 128
CONCLUSÃO ... 130
BIBLIOGRAFIA ... 134
FONTES ELETRÔNICAS ... 139
GLOSSÁRIO ... 143
ANEXOS ... 144
ANEXO I - QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO DAS MICRO, PEQUENA E MÉDIA EMPRESAS NA EXPORTAÇÃO NOS MUNICÍPIOS DE SANTO ANDRÉ, SÃO BERNARDO DO CAMPO, SÃO CAETANO DO SUL E DIADEMA ... 145
ANEXO II - EMPRESAS EXPORTADORAS DO MUNICÍPIO DE DIADEMA... 157
ANEXO III – EMPRESAS EXPORTADORAS DE SÃO CAETANO DO SUL. .... 238
ANEXO IV – EMPRESAS EXPORTADORAS DE SÃO BERNARDO DO CAMPO241 ANEXO V – EMPRESAS EXPORTADORAS DE SANTO ANDRE ... 244
LISTA DE ABREVIATURAS
AEB – Associação dos Exportadores Brasileiros ALADI – Associação Latina Americana de Integração APEX – Agencia de Promoção das Exportações BB – Banco do Brasil
BC – Banco Central BACEN – Banco Central
BEFIEX - Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BNDES - Banco Nacional de desenvolvimento Econômico e social CCR - Convênio de Crédito Recíproco
CACEX – Carteira de Comércio Exterior CAMEX – Câmara de Comércio Exterior CIN – Centro Internacional de Negócios CNI – Confederação Nacional da Industrial CMN – Conselho Monetário Nacional
COFACE – Compagne française d Assurance pour Le Commerce Extérieur COFINS - Contribuição para o Financiamento Social
CONEX - Conselho consultivo do setor privado
DALCA – Divisão da área de Livre Comercio das Américas DCT – Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos DEC – Departamento Econômico
DECOM – Departamento de Defesa Comercial
DEINT – Departamento de Negociações Internacionais
DEPLA - Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comercio Exterior
DFT – Divisão de Feiras e Turismo DIC – Divisão de Informação Comercial
DIN – Departamento de Integração Latino Americano DIN – Departamento de Integração Latino Americano
DIR – Divisão Integração Regional
DOC – Divisão de Operações de promoção Comercial DMC – Divisão de Mercado Comum do Sul
DPR – Departamento de Promoção Comercial DPG Divisão de Programas de Promoção Comercial DPC - – Divisão de Programas de Promoção Comercial DRS – Desenvolvimento Regional Sustentável
DRF – Secretaria da Receita Federal DPR – Departamento de Promoção
DSE - Declaração Simplificada de Exportação
DUEX – Divisão da União Européia e Negociações Extra Regionais ECT – Empresa de Correios e Telégrafos
FAMPE – Fundo de Aval as Microempresas de Pequeno Porte FINAME - Financiamento Industrial
FINAMEX – Financiamento a Exportação
FUNCEX – Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior.
GECEX – Comitê Executivo de Gestão GICI – Grupo Interministerial de Trabalho sobre comércio Internacional de Mercadorias e serviços
IPI – Imposto sobre Propriedade Industrial
ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
MDCI – Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. MERCOSUL – Mercado Comum do Cone Sul
OMC – Organização Mundial de Comércio PEE – Programa especial de Exportações PIS - Programa de Integração Social
PASEP – Formação de Patrimônio do Servidor Publico PIS - Programa de Integração Social
PASEP – Formação de Patrimônio do Servidor Publico PROEX – Programa de Exportação
SBCE – Seguradora Brasileira de Credito a Exportação
SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena empresa
SENALCA – Seção Nacional de Coordenação dos Assuntos Relacionados a ALCA
SENEUROPA – Seção Nacional de Coordenação dos Assuntos Relacionados SGET – Subsecretaria Geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos
SECEX – Secretaria de Comércio Exterior
SISCOMEX – Sistema Integrado de Comércio Exterior SBCE – Seguradora Brasileira de Crédito a Exportação
INTRODUÇÃO
O papel das micro, pequenas e médias empresas na transformação e no incremento das exportações brasileiras têm sido relativamente pouco expressivos O canal de comercialização externa exige competitividade singular associada às estratégias de comercialização, à informação e à logística e à capacitação de seus colaboradores. A micro, a pequena e a média empresa, geralmente, não suportam os custos envolvidos na operação do mercado internacional; com freqüência elas se deparam com dificuldades para especificar o mercado: o cliente, o canal de distribuição, a economia e a legislação do país. Mais precisamente, as micro, pequenas e médias empresas enfrentam barreiras consideráveis para entrar e se manter no comércio internacional.
Segundo levantamento efetuado pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa, no período de 2000 a 2006, as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas exportadoras foram: 1) obtenção de informações comerciais; 2) lidar com a burocracia nacional; 3) adaptar produtos; 4) obter informações de acesso a mercados.
Nesse sentido, a indagação central deste trabalho é: como as políticas públicas de incentivo à exportação contribuem para a superação das referidas barreiras?
O objetivo do estudo aqui proposto é identificar as principais políticas de incentivo à exportação das pequenas e médias empresas, entre 2000 a 2006, período em que ocorreu maior ênfase ao incremento do volume de negócios com o exterior, em particular no que diz respeito ao aumento da participação das pequenas e médias empresas.
A hipótese fundamental, orientadora desse trabalho, é que a atividade da exportação está associada a um processo de aprendizagem por parte da empresa interessada, o qual pode ser acelerado a partir de estímulos e apoio de organismos governamentais e não governamentais, em especial às áreas mercadológicas e da informação.
. Esta dissertação está estruturada em cinco capítulos, assim constituidos: O capítulo um concentra-se na constatação das políticas públicas de incentivo às exportações elaboradas pelos órgãos governamentais, bem como a
reorganização do estado brasileiro em suas políticas de exportação; os organismos de gestão pública da política de comércio exterior, em que se inclui o organograma do comércio exterior brasileiro e todos os seus organismos descritos para melhor entendimento de suas ações.
No capítulo dois apresentam-se os organismos não governamentais relacionados à exportação das pequenas e médias empresas e a sua importância para o desenvolvimento do comércio exterior das mesmas, evidenciando-se a falta de coordenação e superposição de provavelmente desperdício de esforços e recursos, bem como problemas de implementação dos mecanismos de políticas definidas.
O capítulo três é dedicado ao desempenho das micro, pequenas e médias empresas no comércio exterior, onde se concentra a analise de desempenho recente das Micro, Pequenas e Médias empresas, destacando-se os dados que se referem ao período de 2000 a 2006. Nos últimos anos, percebeu-se, com evidência, a importância da expansão da exportação brasileira. Pelo lado das empresas, com o acirramento da globalização e a desconsideração pelo mercado externo pode levar a significativas perdas de competitividade, com o risco de exclusão até mesmo do mercado interno.
O capítulo quatro é dedicado às barreiras à exportação das pequenas e médias empresas, onde se apresenta uma amostra estatística do comércio exterior brasileiro no período de 2000 a 2006. Destacam-se a participação das pequenas e médias empresas no comércio exterior, além dos principais passos para a iniciação no mercado internacional, seus principais entraves, a questão da obtenção de informações e os canais de comunicação, e o processo de aprendizagem organizacional.
No capítulo quinto focaliza-se uma pesquisa empírica, constituída de aplicação de um questionário com 34 perguntas a 460 exportadores dos Municipios de Santo Andre, São Bernardo, São Caetano, Diadema estruturado com perguntas fechadas de ordem quantitativa e qualitativa para procurar:
O objetivo dessas perguntas foi detectar algumas características das empresas que podem estar relacionadas a padrões diferenciados de comportamento quanto aos demais temas da pesquisa. A seguir passou-se a identificar as principais barreiras encontradas pelos empresários exportadores para adentrar o mercado internacional:
Primeira fase: a identificação dos mercados potenciais (cinco perguntas) - cujo objetivo foi identificar aonde se aborda, como se deu a entrada no mercado internacional, as principais dificuldades no inicio, como foram enfrentadas, quais os organismos governamentais e não governamentais que contribuíram para o seu sucesso, como a empresa teve acessos as fontes necessárias.
Segunda fase: quais os produtos a serem exportados (oito perguntas) - cujo objetivo é buscar saber se os mesmos são semifaturados, manufaturados, serviços ou outros tipos; se a escolha do produto a ser exportado foi identificada por algum organismo governamental ou não governamental, quais os principais fatores que contribuíram para a exportação dos seus produtos, saber se as empresas já haviam participado de algum evento de comercio exterior e aonde, qual foi tipo de evento, o que nesses eventos conseguiram de resultados, quais os organismos governamentais e não governamentais que contribuíram para promover os eventos, qual a origem do recursos financeiros que possibilitaram as participações nos , por quem foi financiado a incursão na exportação, quais os organismos que orientaram a sua incursão, as despesas com promoção, viagens.
A Terceira fase: a identificação dos ambientes econômicos, legais e culturais de um país com (quatro perguntas) - com objetivo de identificar os organismos governamentais, e não governamentais que orientaram as incursões de sua empresa no entendimento econômico do país escolhido, se as despesas com a promoção, viagens ao exterior dessas exportações foram financiadas por algum organismo governamental ou não governamental, se as negociações técnicas das exportações realizadas pela sua empresa foram realizadas e apoiadas por algum organismo governamental ou não, se a negociação externa necessitou de um advogado especializado para elaboração de um contrato internacional, e se houve o apoio de algum órgão governamental ou não governamental, na indicação e acompanhamento da ação junto ao comprador.
A quarta fase: a adaptação da linha de produção para a exportação com (cinco perguntas) - cujo objetivo foi o de identificar a necessidade de preparação de um espaço próprio para a produção de produtos exportados, se a preparação desse espaço próprio teve algum custo e se foi financiado por algum organismo governamental ou não governamental, se houve a necessidade de mudanças no seu produto para o mercado externo escolhido pelo país comprador, se houve
apoio financeiros para essas mudanças por algum organismo governamental ou não governamental.
A quinta fase: a da capacitação dos Recursos Humanos: contendo quatro perguntas, cujo objetivo foi saber o número de colaboradores que a empresa possui na área de exportação, bem como o nível de formação dos mesmos; a predominância dos sexos; se houve a necessidade de fazer com que os colaboradores aprendessem a lidar com as varias formas de atuar na exportação; quais os órgãos governamentais e não governamentais; que contribuíram para essa performance; e constatar se todos os colaboradores das organizações sabem que a empresa é exportadora.
CAPITULO I - POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO À EXPORTAÇÃO NO BRASIL.
No período que vai de 1964 a 1990, a promoção das exportações brasileiras baseou-se principalmente em dois instrumentos: os incentivos fiscais e creditícios e a política de mini-desvalorizações, para reduzir o viés anti-exportador da economia.
A revisão da literatura coloca em evidência a preocupação dos estudos com o volume de incentivos e subsídios, com seus impactos alocativos e distributivos e com seus efeitos sobre o desempenho das exportações.
Houve desde o começo da década de 1970 preocupação muito grande em conhecer o volume de recursos que a sociedade alocava à promoção de exportações. Como expressões dessa preocupação foram realizados diversos estudos, com diferentes metodologias e escopos, para quantificar a magnitude das isenções e dos subsídios fiscais e creditícios. Normalmente, os estudos apresentavam o cálculo da magnitude de isenção e subsídio como proporção das exportações de manufaturados, estimando uma taxa de promoção nominal às exportações.
Em relação às diferenças metodológicas, a mais importante envolvia o conjunto de isenções e subsídios considerados. Os primeiros estudos consideravam uma amostra reduzida de instrumentos, em função da disponibilidade de dados, e a estimativa era feita para um número limitado de anos. Os estudos posteriores de quantificação dos incentivos beneficiaram-se da experiência dos trabalhos pioneiros, conseguindo incorporar novos instrumentos na análise e refinar os cálculos, construindo séries longas e completas. Alguns dos exemplos deste tipo de trabalho foram os de Baumann1 e Pinheiro2. Este último foca na distribuição setorial dos incentivos nominais para a década de 1980.
Em relação à quantificação dos subsídios nos créditos oficiais à exportação, uma primeira tentativa foi de construir uma série longa, com algumas
1
BAUMANN, Ruas. Os incentivos a exportação brasileira de produtos manufaturados - Pesquisa e Planejamento Econômico., vol.17pn2 1985
hipóteses simplificadas3. Posteriormente, analisou-se detalhadamente o sistema de financiamento às exportações, quantificando os subsídios implícitos nos créditos oficiais para o período 1982-19834.
Uma elaboração de série para um conjunto de incentivos concedidos às exportações de produtos manufaturados entre 1964 e 19775. O objetivo do trabalho era determinar uma alíquota de incentivos como proporção do valor exportado para realizar estimativas econometricas da oferta de exportações. Os instrumentos analisados foram, isenção do ICM e IPI, o crédito prêmio do IPI e ICM e redução do imposto de renda. Dois instrumentos fiscais importantes não foram analisados: o drawback6 e o BEFIEX (Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação), nem os subsídios implícitos nos financiamentos às exportações.
Esses estudos mostraram uma relação positiva entre subsídios nominais e/ou taxas de promoção efetiva e desempenho das exportações. Houve diversos exercícios de estimação de uma oferta de exportações de manufaturados como função da taxa de câmbio real, incluindo na função de oferta algum tipo de ajuste para incorporar os incentivos às exportações.
No entanto, foram estimadas de maneira mais precisa os subsídios e utilizou dados declarados com fins tributários por uma amostra de 3.243 empresas indústrias exportadoras, retirados das declarações do imposto de renda da pessoa jurídica entre 1970 e 19807. Essas empresas foram responsáveis por 82% das exportações de manufaturados e se apropriaram de 92% dos subsídios fiscais destinados à promoção das exportações de manufaturados.
A década de 1990 começou com a adoção de uma série de medidas que sinalizaram significativo desvio nos rumos da política de comércio exterior até então vigente. Estas medidas estiveram focadas na política de importação, mas não pouparam instrumentos de apoio às exportações que já vinham sendo
3 MUSALEM, A.R. Política de subsídios à exportação de manufaturados.Rj, 1981, revista de economia.
4
Idem BAUMANN 5
CARDOSO, Pedro. Incentivos às exportações de manufaturas, Revista Brasileira de Economia, 1981, São Paulo
6
O regime de drawback permite a importação de insumos sem o pagamento do Imposto de Importação, do IPI e do ICMS.
7 BRAGA, H. Aspectos distributivos do esquema de subsídios fiscais a exportações - Pesquisa e planejamento econômico.bol.11 e 13, 1981. BNDES
desativados nos anos anteriores. Do lado das importações, anunciou-se, em junho de 1990, um cronograma de desgravação tarifária destinado a implementar uma nova estrutura de tarifas de importações a ser gradualmente implantada ao longo dos cinco anos seguintes. Além disso, também em 1990, foram eliminadas diversas barreiras não tarifárias administradas tradicionalmente pela Carteira de Comércio Exterior (CACEX) do Banco do Brasil.
Do lado das exportações, ainda em 1990, a CACEX deixou de existir, e com ela o modelo institucional que sustentou a política nos 25 anos anteriores a 1990. Foram eliminados os subsídios fiscais, o BEFIEX, foi desativado, mantendo-se, porém, a validade dos contratos em vigor. Foi mantido o tratamento favorável, em termos de imposto de renda, ao lucro gerado pelas operações de exportação, a isenção federal ao IPI e ICMS para as exportações de manufaturados e o regime de drawback.
Os esforços para remontar uma política de exportação no Brasil, começaram a se intensificar a partir de 1996, em função da deterioração das expectativas em relação à balança comercial, em um contexto de retração da oferta de financiamentos externos. Assim, este capítulo avalia o esforço para remontar o sistema público de apoio às exportações, no período compreendido entre 2000 e 2006.
1.1 POLÍTICAS DE INCENTIVOS ÀS EXPORTAÇÕES NO BRASIL
Os primeiros esforços para avaliar os resultados da remontagem do sistema público de apoio às exportações foram feitas por meio do sistema público de financiamento é o principal objeto destas primeiras avaliações8.
Na área de tributação sobre as exportações, a década de 1990 herdou das anteriores alguns incentivos fiscais, que resistiram ao desmantelamento do aparato de apoio às exportações montado entre o final dos anos 1960 e início de 1970. A isenção, que já beneficiava há mais de 30 anos os produtos manufaturados, estendeu-se, a partir da legislação adotada em agosto de 1996,
aos demais produtos e passou a incluir também a prestação de serviços ao exterior e as compras de equipamentos para investimento no mercado interno e a energia elétrica usada na produção.
Além disso, foi suspensa, durante grande parte do ano de 1999, a possibilidade de ressarcimento do Programa de Integração Social por meio do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI9). No ano seguinte, esta possibilidade foi re-introduzida ainda que parcialmente, ao mesmo tempo em que foram adotadas novas medidas, implicando em um aumento da carga tributária sobre as exportações, diretamente informadas por objetivos fiscais.
As principais medidas de política econômica10 de apoio às exportações adotadas ao longo dos anos 1990 concentraram-se na área de financiamento, onde a atuação do Governo Federal, inicialmente centrada no financiamento às vendas externas de bens de longo ciclo de fabricação e serviços de engenharia, ganhou em abrangência, em termos de setores potencialmente beneficiados.
A retomada de uma política de apoio às exportações, nos anos 90, começou pela área de financiamento. Depois do período em que se anunciou a intenção de promover à implantação de um Banco de Comércio Exterior predominantemente privado, idéia rapidamente descartada, linhas públicas de crédito foram gradual e seletivamente restabelecidas, através do FINAMEX linha de financiamento do BNDES para Exportação de Bens de Capital, operado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Em meados de 1991, o governo regulamentou o PROEX - Programa de Financiamento às Exportações, que absorveu as linhas de crédito ainda ativas do antigo FINEX (Fundo de Financiamento à Exportação), e re-introduziu o sistema de equalização de taxas de juros, vigentes sob o FINEX e a antiga Resolução n. 509 (Pinheiro)11. Também os recursos do PROEX estavam destinados, naquele momento, a financiar exportações de bens de capital.
9
Imposto de Produtos Industrializados- . O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados– TIPI (Lei n° 4.502, de 30 novembro de 1964, art. 1°, e Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1996, art. 1°)
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VEIGA, Pedro Mota. Políticas de Incentivo as Exportações. Bndes, 2002, Rj.
11 PINHEIRO, Armando Castelar. Organizador - O desafio das Exportações.Rio de Janeiro, 2002 p 7, Bndes
Também no final de 2002, implementou-se, no âmbito do BNDES, do Programa de Apoio a Investimentos de Empresas Brasileiras de Capital Nacional no Exterior, com o objetivo de apoiar a internacionalização de empresas brasileiras. Para viabilizar a implementação desta medida, foi modificado, em outubro de 2002, o estatuto do BNDES. A linha financia investimentos em comercialização, logística, infra-estrutura de serviços de apoio à exportações, instalação de unidades produtivas no exterior e até formação de joint ventures12.
Outro eixo relevante de evolução da política de exportação nesta área concerne aos mecanismos de garantia de crédito às exportações. Em 2001, o BNDES adquiriu uma participação acionária na Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE), com vistas a integrar as atividades da seguradora às suas atividades de financiamento às exportações, à semelhança de outras entidades oficiais de financiamento européias que operam em parceria com uma empresa privada de seguro.
Em 2000, o Banco Central, praticamente eliminou um mecanismo de garantia muito utilizado nas exportações brasileiras para a América Latina, o Convênio de Crédito Recíproco. De fato, o Banco Central determinou que a utilização do Convênio de Crédito Recíproco, que representa uma garantia concedida pelos respectivos bancos centrais às operações de comércio exterior com os países da América Latina e República Dominicana, ficaria restrita às importações e exportações, com instrumentos para pagamento e recebimento em até 360 (trezentos e sessenta) dias. Simultaneamente, os bancos autorizados a operar no âmbito do Convênio passaram a ter que efetuar um depósito de garantia, em dólar, no valor do título de pagamento relativo às importações, exceção feita às compras originárias e procedentes dos países integrantes do MERCOSUL, do Chile e da Bolívia.
Além disso, foram ampliados os limites máximos de cobertura de risco do seguro de crédito à exportação garantida pelo Fundo de Garantia às Exportações. Em caráter excepcional, a participação da União pode ainda chegar a 100% (cem por cento) de cobertura, nos casos de seguro contra risco comercial, político e extraordinário, quando as condições de mercado relacionadas com a exportação
de determinados bens sofrerem súbita alteração ou forem diretamente afetadas por eventos de natureza internacional fora do controle do Brasil.
Os limites de utilização do Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade, gerenciado pelo BNDES, também foram flexibilizados ao longo de 2001. Assim, foram ampliados os percentuais de cobertura do Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade para as operações de pré-embarque especial para micro e pequena empresas. Além disso, eliminou-se o limite de crédito para a concessão de financiamento pré-embarque especial com cobertura do FGPC de 50% e 30% do valor do faturamento anual, respectivamente para microempresas e para os demais casos.
As compras internas com fim exclusivo de exportação são comparadas e observam o mesmo regime tributário do que as importações feitas sob drawback. Também se manteve a isenção do IPI e do ICMS sobre as exportações de manufaturados, bem como a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo a insumos empregados na industrialização de produtos exportados, ao mesmo tempo em que continuam em vigência os contratos do BEFIEX assinados antes de 1990, ou seja, antes da extinção do programa. Além disto, não há incidência, sobre a receita de exportação, das contribuições para o COFINS e o PIS/PASEP.
Como parte do esforço de desoneração fiscal das exportações, aboliu-se, em 1995, o pagamento das contribuições sociais do PIS/PASEP e do COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens, para utilização no processo produtivo, sob o conceito de crédito presumido do IPI.
Por outro lado, o Governo Federal negociou com os Estados a eliminação da incidência do ICMS sobre as exportações de produtos primários e semi-manufaturados, assegurando-lhes compensações financeiras caso esta medida provocasse perda de receita para os Estados nos primeiros anos de vigência da nova legislação.
A isenção, que já beneficiava, há mais de 30 anos, os produtos manufaturados estenderam-se, a partir da legislação adotada em agosto de 1996, aos demais produtos e passou a incluir também as prestações de serviços ao exterior e as compras de equipamentos para investimento no mercado interno e a energia elétrica usada na produção.
A partir do final de 1998 a prioridade crescente ao ajuste fiscal levou a uma reversão parcial dos esforços de desoneração tributária empreendidos nos anos anteriores13. Assim, o Governo aumentou, em outubro de 1998, a carga fiscal incidente sobre as exportações, através do incremento das alíquotas da CPMF e do COFINS, cujo adicional não seria incorporado ao mecanismo de compensação então previsto.
Além disso, foi suspensa, durante grande parte do ano de 1999 a possibilidade de ressarcimento do PIS/COFINS através do crédito presumido do IPI. No ano seguinte, esta possibilidade foi re-introduzida ainda que parcialmente, ao mesmo tempo em que foram adotadas novas medidas, implicando em aumento da carga tributária sobre exportações, diretamente informadas por objetivos fiscais.
A partir de 2001, o movimento no sentido de desonerar tributariamente as exportações tem início com a instituição da nova fórmula de cálculo de crédito presumido do IPI para o ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e CONFINS recolhidos ao longo da cadeia produtiva de bens destinados à exportação.
Ao final de 2002, duas novas medidas na área tributária são adotadas. As vendas externas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem das empresas “preponderantemente exportadoras” passaram a ser beneficiadas com a suspensão do recolhimento do IPI.
A partir de dezembro de 2002, entrou em vigor uma nova sistemática de cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). Instituída pela Lei nº 10.637, de 31/12/2002, iniciativa que objetivou eliminar a incidência em cascata dessas contribuições sociais.
No novo mecanismo foi autorizada a inclusão de novas despesas para compor o custo de produção destinado à exportação, como custo de energia e de combustíveis, bem como despesas para industrialização de bens sob encomenda. Além disso, a fórmula de cálculo passa a ser construída dentro do critério de “cadeia infinita de comercialização” de forma a possibilitar um nível de
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BAUMANN, Ruas. Os incentivos a exportação brasileira de produtos manufaturados - Pesquisa e Planejamento Econômico. Vol 17 pn2 1985, op cit.
desoneração mais preciso, favorecendo os setores com processos produtivos mais longos.
Em um período onde a prioridade da política de comércio exterior vinculava-se à liberalização das importações e em que a política econômica praticamente se reduzia aos esforços de redução da inflação, a política de exportação continuou a ocupar uma posição não prioritária. O quadro institucional pós-90, era constantemente alterado por sucessivas reformas da administração federal, carecendo de unidade de comando e de capacidade de coordenação e execução. A falta de experiência do BNDES, na área de financiamento às exportações, restringia sua atuação nesta área, ao passo que a excessiva burocratização do PROEX também limitava seu alcance, enquanto instrumento de apoio às vendas externas.
Em 1995, criou-se a Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República, como instância interministerial voltada para coordenar as ações do Governo principalmente na área de exportações, em um esforço para superar a fragmentação institucional que sucedeu ao desmonte do modelo Câmara de Comércio Exterior (CACEX), em 1990 pelo então Presidente Fernando Color de Melo, que apesar de nunca ser extinta oficialmente foi desativada da gestão da política de comércio exterior. A Câmara de Comércio Exterior criada nos anos de 1953 pelo então Presidente da Republica Getulio Vargas, para substituir a carteira de exportação e Importação do Banco do Brasil. Os esforços para remontar uma política de exportação, no Brasil, incipientes até 1996, começaram a se intensificar a partir deste ano, em função da deterioração das expectativas em relação à balança comercial, em um contexto de retração da oferta de financiamentos externos.
Os componentes principais deste processo foram:
Os movimentos voltados para desoneração tributária das exportações; O restabelecimento de mecanismos públicos de ampla abrangência, na área de financiamento às exportações e de prestação de garantias aos créditos concedidos (seguro de crédito e fundo de aval);
A reorganização das estruturas institucionais de promoção comercial strictu sensu, com a criação de uma agência de promoção, vinculada, até o final de 2002, ao (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) SEBRAE;
Os esforços para a redução do “Custo Brasil”, identificado como o conjunto de fatores sistêmicos, regulatórios e infra-estruturais que oneram os investimentos, a produção e as exportações brasileiras.
Depois da era CACEX, o período de 1953 a 1990, as atividades de promoção de exportações foram tradicionalmente desempenhadas pela14 Secretaria de Comércio Exterior do MDIC e pelo Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, bem como pelas Seções de Promoção Comercial das embaixadas e consulados brasileiros. Não havia recursos específicos para esta finalidade o que, somado à duplicidade de funções institucionais de órgãos de ministérios distintos, limitava sobremaneira a eficácia dos esforços nesta área.
Em novembro de 1997, foi instituída, no âmbito do SEBRAE, a Agência de Promoção de Exportações (APEX), com o objetivo de implementar uma política de promoção das exportações. Como o SEBRAE só pode apoiar empresas de pequeno porte, a atuação da APEX também fica, em princípio, restrita a este tipo de empresa. Para flexibilizar esta regra, a APEX foi autorizada a incluir empresas de médio e grande porte em seus programas, desde que esta inclusão gere comprovadamente benefícios para empresas de menor porte. A APEX tem um conceito ampliado de promoção comercial, voltado para o desenvolvimento da oferta exportável e não apenas a promoção strictu sensu15. De acordo com informações obtidas junto à16 dirigente da Agência, isto tem levado a APEX a buscar trabalhar crescentemente com Programas Setoriais Integrados, que buscam atuar sobre todos os fatores condicionantes das exportações de um determinado setor, inclusive aqueles relacionados com a qualidade e quantidade da oferta, com os encadeamentos produtivos, etc.
Além disso, a APEX interage com o DPR/MRE que também cuida de promoção comercial. De maneira geral, há divisão do trabalho, fazendo a APEX a parte doméstica da promoção e o DPR o apoio externo permitido pela rede de embaixadas e consulados do MRE. Nesta visão, a principal missão da APEX é preparar a empresa para exportar até o porto.
14 VEIGA, Pedro Mota. Políticas de Incentivo as Exportações. Bndes, 2002, Rj. 15
Sentido estrito
16APEX - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Disponível em <www.apexbrasil.com.br>acesso em 30 de set 2007 às 20h.
Nos anos 1990, discutiu-se qual seria o melhor foco da política para expandir mais rapidamente as exportações. Alguns dos participantes nessa discussão pretendiam mostrar que a estrutura das exportações continha poucos produtos dinâmicos no comércio mundial e que a política de exportações devia priorizar e estimular as vendas desses produtos e daqueles com alto valor adicionado, como forma de aumentar rapidamente as exportações. Mas isto não é tarefa principal da política de exportações e, normalmente, não é a maneira mais rápida de expandir as exportações.
A tarefa principal da política de promoção de exportações é remover os empecilhos para exportar e criar estímulos17 para exportar across the board18, aumentando a rentabilidade exportadora e diminuindo o diferencial relativo entre rentabilidade no mercado doméstico e na exportação. Remover os empecilhos está relacionado com melhorar a infra-estrutura e os procedimentos de exportação, adequar o financiamento e a carga tributária, ampliar o acesso a mercados, aumentar a disponibilidade de informações necessárias para a exportação e estimular as práticas de maior produtividade e qualidade. Aumentar a rentabilidade exportadora e reduzir o diferencial entre rentabilidade doméstico vis-à-vis da rentabilidade externa que está relacionado com a política cambial, a política de proteção e o esquema de incentivos para a exportação.
Podemos concluir que o Brasil passou na segunda metade do século vinte por diferentes ciclos de abertura e fechamento de sua economia. No episódio mais recente, no período de 1988 a 1993, o país promoveu ampla redução de barreiras tarifárias e não tarifarias, revertendo o processo de fechamento levado a cabo na primeira metade da década de 1980. Paralelamente, o país vem incentivando as exportações de manufaturados, tendo o auge desse processo ocorrido em meados da década de 1980, quando buscava sair da grave crise cambial.
De 1994 a 1998, a política comercial brasileira ficou em grande medida condicionada pelo uso do câmbio como âncora nominal dos preços, o qual, com inflação residual importante e regime fiscal amplamente expansionista, contribuiu para gerar elevados déficits em conta correntes e significativo passivo externo.
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VEIGA, Pedro Mota. Políticas de Incentivo as Exportações. Bndes, 2002, Rj. 18 É um contrato de opções de futuros
O segundo conjunto de estudos foi elaborado praticamente em simultâneo com a remontagem do sistema público de apoio às exportações, na segunda metade dos anos 1990. Em geral, estes estudos foram demandados e elaborados como contribuições técnicas aos esforços para focar as políticas, no que se refere à identificação de obstáculos a superar, dos objetivos a perseguir e dos públicos-alvos que as políticas deveriam preferencialmente buscar atingir.
O terceiro conjunto foi a inclusão da Agência de Promoção das Exportações (APEX), com objetivo de programar uma política de promoção de exportações. No primeiro momento somente para pequenas empresas depois sendo permitido ampliar para as médias e grandes empresas trazendo com isso benefícios para as pequenas. Sempre obedecendo ao conceito ampliado de desenvolvimento da oferta exportável e não apenas stritu sensu19.
Apresenta-se a seguir os órgãos governamentais responsáveis pela exportação no Brasil. Pois deles dependem todo o movimento exportador, juntamente com os órgãos governamentais na pag. 37
19 Sentido estrito
1.2 ORGANISMOS DE GESTÃO PÚBLICA DA POLÍTICA DE COMÉRCIO EXTERIOR
Nesta seção iremos demonstrar a organização do comercio exterior brasileiro bem como os seus órgãos governamentais que contribuem para o desenvolvimento do comercio exterior.
Figura 1 - Organograma do comércio exterior brasileiro
1.2.1 Conselho Monetário Nacional (CMN)
O Conselho Monetário Nacional (CMN)20, criado pela Lei 4.595, de 31.12.64, é uma entidade normativa superior do Sistema Financeiro Nacional, responsável pela fixação das diretrizes da política monetária, creditícia e cambial do País. O Banco Central do Brasil exerce a função de Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior.
1.2.2 Câmara de Comércio Exterior (CAMEX)
A Câmara de Comércio Exterior (CAMEX)21, que veio a substituir a Camara de Comércio Exterior, órgão integrante do Conselho de Governo, foi criada em 1995, para substituir a Camara de Comercio Exterior (CACEX) pelo Decreto número 1.386, de 6 de fevereiro, com o objetivo de formular as políticas e coordenar as atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços. A Câmara é presidida pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Segundo o Decreto n° 4.732, de 10.6.2003, compete à CAMEX:
Definir diretrizes e procedimentos relativos à implementação da política de comércio exterior, visando à inserção competitiva do Brasil na economia internacional; coordenar e orientar as ações dos órgãos que possuem competências na área de comércio exterior;
Definir, no âmbito das atividades de exportação e de importação, diretrizes e orientações sobre normas e procedimentos;
Orientar a política aduaneira, observada a competência específica do Ministério da Fazenda;
Formular diretrizes básicas da política tarifária na importação e exportação;
20
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em <www.mdic.gov.br/comext/camex/camex.html> acesso 29/09/2007 as 10h49
Estabelecer diretrizes e medidas dirigidas à simplificação e racionalização do comércio exterior; estabelecer diretrizes e procedimentos para investigações relativas a práticas desleais de comércio exterior;
Fixar diretrizes para política de financiamento das exportações de bens e serviços, bem como para a cobertura dos riscos de operações à prazo, inclusive as relativas ao seguro de crédito às exportações;
Fixar diretrizes e coordenar as políticas de promoção de mercadorias e de serviços no exterior e de informação comercial;
Opinar sobre políticas de frete e transportes internacionais, portuários, aeroportuários e de fronteiras, visando à sua adaptação aos objetivos da política de comércio exterior e ao aprimoramento da concorrência;
Orientar políticas de incentivo à melhoria dos serviços portuários, aeroportuários, de transporte e de turismo, com vistas ao incremento das exportações e da prestação desses serviços a usuários oriundos do exterior;
Fixar as alíquotas do imposto de exportação, respeitadas as condições estabelecidas no Decreto-Lei nº 1.578, de 11.10.77;
Fixar as alíquotas do imposto de importação, atendidas as condições e os limites estabelecidos na Lei nº 3.244, de 14.8.57, no Decreto-Lei nº 63, de 21.11.66, e no Decreto-Lei nº 2.162, de 19.9.84;
Fixar direitos antidumping 22 e compensatórios, provisórios ou definitivos, e salvaguardas;
Decidir sobre a suspensão da exigibilidade dos direitos provisórios; - homologar o compromisso previsto no art. 4º da Lei nº 9.019, de 30.3.95;
Definir diretrizes para aplicação das receitas oriundas da cobrança dos direitos de que trata o inciso XV do Artigo 2° deste Decreto (Decreto 2.732/ 2003); Alterar, na forma estabelecida nos atos decisórios do MERCOSUL, a Nomenclatura Comum do MERCOSUL de que trata o Decreto nº 2.376, de 12.11.97.
Com a publicação do Decreto 4.732/2003, uma das principais alterações na estrutura da CAMEX, além da ampliação do Comitê Executivo de Gestão (GECEX), foi a criação do Conselho Consultivo do Setor Privado (CONEX), integrado por 20 representantes do setor privado. É de competência do CONEX,
22
Antidumping - Oferta de um produto no comércio de outro país a preço (de exportação) inferior ao preço praticado para o produto similar.
assessorar o Comitê Executivo de Gestão, por meio da elaboração e encaminhamento de estudos e propostas setoriais para aperfeiçoamento da política de comércio exterior.
Em 18 de fevereiro de 2004, com a publicação do Decreto n° 4.993, foi criado, no âmbito da CAMEX, o Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (COFIG), colegiado com as atribuições de enquadrar e acompanhar as operações do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX) e do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), estabelecendo os parâmetros e condições para a concessão de assistência financeira às exportações e de prestação de garantia da União.
Em 8 de setembro de 1998, foi criado, no âmbito da CAMEX, o Programa Especial de Exportações (PEE), que hoje é integrado por 15 gerências temáticas, 59 gerências de setores produtivos e 18 setores de serviços. Os objetivos do Programa são estabelecer a interface entre o setor produtivo e os órgãos governamentais, visando a aperfeiçoar os instrumentos de comércio exterior e mobilizar os exportadores por meio de suas entidades de classe.
1.2.3 Ministério das Relações Exteriores (MRE)
Compete ao Ministério das Relações Exteriores23 propor diretrizes de política externa do âmbito internacional, relativas às negociações internacionais. Estão envolvidos: a Subsecretaria - Geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos (SGET); Departamento Econômico (DEC); Departamento de Promoção Comercial (DPR); Departamento de Integração Latino Americana.
Merece destaque a atuação do Departamento de Promoção Comercial (DPR), cuja competência é orientar e controlar as atividades de promoção comercial no exterior. Com o objetivo de apoiar a expansão e a diversificação das exportações brasileiras, bem como contribuir para a incorporação cada vez maior de novas empresas brasileiras ao processo exportador, o DPR, por intermédio da BrazilTradeNet, divulga oportunidades de negócios (exportações de produtos e
23 Ministério das Relações Exteriores. Disponível em <www.mre.gov.br> acesso em 29/09/2007 às 18h12
serviços brasileiros e investimentos estrangeiros diretos), resultados de pesquisas de mercado realizadas no exterior, por iniciativa do MRE, além de uma ampla gama de dados e informações de interesse para os exportadores brasileiros. Apóia, igualmente, atividades tradicionais de promoção comercial, a exemplo de missões empresariais ao exterior, seminários de investimento, participação de empresas brasileiras em feiras e exposições, que contribuam para promover a imagem do País, sua capacidade produtiva e tecnológica e o aumento dos fluxos de turismo para o Brasil.
1.2.4 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)
No interior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior24, dois órgãos são responsáveis por medidas de apoio ao comércio exterior: a Secretaria de Comércio Exterior e o BNDES.
Compete à Secretaria de Comércio Exterior (SECEX):
Formular propostas de políticas e programas de comércio exterior e estabelecer normas necessárias à sua implementação;
Propor medidas, no âmbito das políticas fiscal e cambial, de financiamento, de recuperação de créditos à exportação, de seguro, de transportes e fretes e de promoção comercial;
Propor diretrizes que articulem o emprego do instrumento aduaneiro com os objetivos gerais de política de comércio exterior, bem como propor alíquotas para o imposto de importação, e suas alterações;
Participar das negociações em acordos ou convênios internacionais relacionados com o comércio exterior; e) implementar os mecanismos de defesa comercial; e
Apoiar o exportador submetido a investigações de defesa comercial no exterior. No âmbito do Sistema Integrado de Comércio Exterior, opera como entidade gestora.
24Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em <www.mdic.gov.br/comext/camex/camex.html> acesso em 15/09/2007 às 18h25.
A SECEX é composta por quatro Departamentos: Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX); Departamento de Defesa Comercial (DECOM).
Departamento de Negociações Internacionais (DEINT); Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (DEPLA).
O Departamento de Operações de Comercio Exterior (DECEX) difunde a prática do Comércio Exterior entre as empresas de forma a permitir sua inclusão no mercado globalizado, gerando novas oportunidades de negócios. O referido departamento atua junto aos órgãos governamentais na defesa dos interesses dos exportadores, favorecendo a melhoria dos processos, rotinas e toda a sistemática de Comércio Exterior.
O Decex oferece ao empresário da indústria, serviços como o esclarecimento de dúvidas sobre: importação, exportação, logística, acordos internacionais, legislação aduaneira nacional e internacional. Disponibiliza ainda informações sobre mercados internacionais, divulgando, apoiando e promovendo missões e rodadas de negócios internacionais.
Ao Departamento de Defesa Comercial – (DECOM) compete:
Examinar a procedência e o mérito de petições de abertura de investigações de dumping, de subsídios e de salvaguardas, com vistas à defesa da produção doméstica; Propor a abertura e conduzir investigações para a aplicação de medidas antidumping). compensatórias e de salvaguardas;
Recomendar a aplicação das medidas de defesa comercial previstas nos correspondentes Acordos da Organização Mundial do Comércio - OMC; Acompanhar as discussões relativas às normas e à aplicação dos Acordos de defesa comercial junto à OMC;
Participar em negociações internacionais relativas à defesa comercial; Acompanhar as investigações de defesa comercial abertas por terceiros países contra exportações brasileiras e prestar assistência à defesa do exportador, em articulação com outros órgãos governamentais e com o setor privado.
O Departamento de Negociações Internacionais tem papel importante na definição das posições brasileiras junto à ALCA, as quais são definidas juntamente com outros Ministérios em reuniões de coordenação no Itamaraty. Além disso, integra a delegação brasileira para as Reuniões dos Grupos de
Negociação de Acesso a Mercados, de Agricultura, de Serviços e de Solução de Controvérsias.
O Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (DEPLA) tem como competências:
Propor e acompanhar a execução das políticas e dos programas de comércio exterior;
Formular propostas de planejamento da ação governamental, em matéria de comércio exterior;
Desenvolver estudos de mercados e produtos estratégicos para expansão das exportações brasileiras;
Planejar e executar programas de capacitação em comércio exterior dirigidos às pequenas e médias empresas;
Planejar a execução e manutenção de Programas de Desenvolvimento da Cultura Exportadora;
Acompanhar, em fóruns e comitês internacionais, os assuntos relacionados com o desenvolvimento do comércio internacional e do comércio eletrônico;
Elaborar e editar material técnico para orientação da atividade exportadora; Produzir, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior;
Formular estratégias de parcerias entre órgãos e entidades públicas e privadas, para o desenvolvimento de ações e programas relacionados com a promoção das exportações;
Participar de comitês e fóruns nacionais e internacionais relacionados à promoção das exportações;
Implantar a Rede NUCEX, em parceria com os governos estaduais, órgãos e entidades envolvidas com o comércio exterior;
Coordenar as ações de desenvolvimento e implementação do Programa Estado Exportador;
Coordenar atividades, implementar ações e prestar informações sobre comércio exterior. Operações de Comércio Exterior;
No âmbito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), insere-se uma linha de financiamento BNDES-Exim. O BNDES-Exim financia a exportação de bens e serviços brasileiros, por intermédio de bancos e outras instituições financeiras credenciadas, nas seguintes modalidades:
Pré-Embarque responsável pelo financiamento da produção de bens a serem exportados em embarques específicos;
Pré-Embarque à Curto Prazo - financia a produção de bens a serem exportados, com prazo de pagamento de até 180 dias; Pré-Embarque Especial - financia a produção nacional de bens a serem exportados, sem vinculação com embarques específicos, mas com período pré-determinado para a sua efetivação; e Pós-Embarque - financia a comercialização de bens e serviços no exterior, por intermédio do refinanciamento ao exportador, ou pela modalidade buyer’s credit (crédito ao importador). A fim de facilitar o acesso ao crédito à exportação, o BNDES também possui um Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade (FGPC - Fundo de Aval). Trata-se de um instrumento de compartilhamento de risco, que facilita o acesso ao crédito para as exportações por micro, pequenas e médias empresas.
1.2.5 Ministério da Fazenda
No âmbito do Ministério da Fazenda25, os órgãos voltados ao comércio exterior são os seguintes:
O Banco Central do Brasil estabelece normas sobre as operações de câmbio no comércio exterior, bem como fiscaliza e controla sua aplicação. Por intermédio do SISCOMEX, o BACEN analisa on-line as operações de exportação. O atendimento ao público é efetuado nas delegacias regionais do Banco Central. O Sistema Integrado de Registro de Operações de Câmbio SISBACEN é o sistema informatizado que integra o Banco Central e os bancos autorizados a operar em câmbio, além de corretores credenciados. O exportador deverá negociar as condições do contrato de câmbio com a instituição habilitada, para registro no SISBACEN.
25
Ministério da Fazenda. Disponível em <www.fazenda.gov.br/sain>acesso em 21/09/2007 às 16h.