TÍTULO: ALTERAÇÕES EXTREMAS DE TEMPERATURA E SEUS EFEITOS NO SISTEMA CARDIOVASCULAR
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: MEDICINA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE FRANCA INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): GABRIELLA MENDES DIAS SANTOS, NATALIA BISCARO CHIOCHETI AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): ANDRÉ LUIS FORONI CASAS8, MONICA DE ANDRADE ORIENTADOR(ES):
1.RESUMO
Nos últimos anos, o fenômeno das extremas temperaturas ocorreu em todos os continentes exigindo a adaptação dos serviços de saúde à mudança climática. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão sistemática sobre os efeitos da variação da temperatura sobre o sistema cardiovascular humano, a fim de evidenciar como o calor e ondas de frio estão afetando a saúde. Foi realizada uma busca sistemática e um total de 47 publicações foram selecionadas, nove das quais preencheram os critérios de inclusão. Alguns estudos relataram os potenciais efeitos na saúde das alterações climáticas, principalmente a partir de altas temperaturas. O principal efeito da variação da temperatura ambiente nos sistemas humanos é anormalidades nos vasos sanguíneos e mecanismos homeostáticos, que desencadeiam uma série de respostas que podem afetar o sistema cardiovascular. Trabalhos de diferentes países referem que as alterações na temperatura ambiente alteram o perfil de hospitalizações ocorrendo um aumento da incidência de doenças cardiovasculares, particularmente em indivíduos com fatores predisponentes ou comorbidades, como idosos e portadores de diabetes tipo 2. Concluiu-se com o presente estudo que as temperaturas ambientes elevadas estão levando ao aumento da incidência de doenças cardiovasculares, principalmente insolação, e os idosos são a faixa etária mais vulnerável.
2. INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde estima que as mudanças climáticas dos últimos 30 anos já causaram mais de 150.000 mortes por ano (Patz et al., 2005). Essas afetam a vida humana através de três mecanismos principais: eventos climáticos extremos, mudanças ambientais e mudanças no padrão de transmissão de doenças infecciosas. Eventos climáticos extremos podem afetar a saúde, influenciando a fisiologia do corpo (por exemplo, calor ou frio extremo) ou causando trauma físico ou psicológico desencadeado por perigos naturais, como tempestades, inundações ou secas. As mudanças ambientais também podem afetar a produção de alimentos, ar impacto e qualidade da água, e da ecologia de vetores de agentes infecciosos, tais como mosquitos que transmitem doenças endêmicas (por exemplo, malária e dengue). Esses mecanismos têm efeitos sobre os processos sociais que determinam importantes rupturas sócio-econômicas, culturais ou demográficas (Confalonieri e Marinho 2007).
Mudanças climáticas, tanto calor como frio extremo, pode favorecer o aparecimento de doenças causando morte precoce, especialmente entre os subgrupos da população que apresentam capacidade adaptativa limitada (Michelozzi et al. 2009). Alguns trabalhos sugerem que os indivíduos com patologias pré-existentes (por exemplo, diabetes mellitus, doenças cardíacas e doenças respiratórias) estão em maior risco de morte durante os episódios de temperaturas extremas (Zanobetti et al. 2013; Madrigano et al. 2013).
Estudos recentes forneceram estimativas de efeito do clima por meio de correlações de qualidade do ar com variáveis meteorológicas; no entanto poucos estudos avaliam os efeitos da temperatura ambiente sobre patologias específicas, tais como doenças cardiovasculares.
3. OBJETIVOS
Relacionar os efeitos térmicos ambientais e suas implicações para a saúde humana, especialmente sobre o sistema cardiovascular reconhecendo a morbidade e mortalidade, os principais grupos de risco e a busca por estratégias que diminuam os efeitos nocivos das alterações extremas de temperatura. Questões como os mecanismos pelo qual a temperatura ambiente afeta a saúde humana,possível conexão entre a temperatura ambiente e o sistema cardiovascular foram pesquisadas.
4. METODOLOGIA
Foi realizada uma revisão sistemática da literatura com os seguintes descritores: temperatura, saúde e sistema cardiovascular, incluindo os seus equivalentes em Português e Espanhol publicados de 2004 a 2014.
As seguintes bases de dados eletrônicas foram incluídos: PubMed, Medline, Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde), SciELO (ScientificElectronic Library Online), e da Biblioteca Cochrane. A seleção dos trabalhos seguiu o Programa CriticalAppraisalSkills (CASP) e os critérios sugeridos por Relato Preferred Itens para Revisões Sistemáticas e Meta-Análise (PRISMA).
5. DESENVOLVIMENTO
Na população em geral, a exposição a altas temperaturas pode induzir à desidratação, depleção do sal, aumento da viscosidade sanguínea, elevação dos níveis de colesterol e da sudorese. Indivíduos com patologias pré-existentes constituem grupo
de risco, com maior propensão a sofrer com os efeitos da alteração climática. Pessoas com Diabetes Mellitus tipo II possuem maior risco de doenças cardiovasculares devido
à disfunção endotelial crônica, irregularidade anatômica e aterosclerose(Zanobetti et
al. 2014).
A regulação da temperatura corporal envolve quase todos os sistemas do corpo. O decréscimo das funções corporais possui um impacto significativo para a manutenção da homeostase térmica, o que provoca significativas conseqüências, principalmente, nos idosos. Isto explicaria a maior vulnerabilidade encontrada nesta população
quando exposta a temperaturas extremas frio e calor(Blatteis 2012).
Indivíduos com Diabetes Mellitus tipo II apresentam redução na capacidade de responder fisiologicamente eficazmente às alterações ambientais térmicas, o que torna este grupo mais suscetível aos efeitos da temperatura, aumentando os riscos para morbimortalidade por doenças cardiovasculares (Zanobetti et al. 2014).
Os pacientes com doenças cardiovasculares pré-existentes devem atentar às alterações climáticas principalmente nas estações primavera e verão, pois foi descrito que a elevação de 1°C na temperatura ambiente aumenta os atendimentos de emergências por doenças cardiovasculares nestas estações, enquanto as mesmas se
estabilizariam no outono e no inverno(Wang and Lin 2014). Nos estudos pode-se
observar que, com o avançar da idade, há decréscimo das funções fisiológicas relacionadas com a termorregulação, principalmente quando esta população é
exposta a temperaturas extremas de frio e calor(Blatteis 2012). No período de ondas
de calor os idosos, por fatores fisiológicos e/ou patológicos (como hipercolesterolemia, hipertensão e uso de medicamentos), estão envolvidos na maioria dos atendimentos
de emergência(Wang and Lin 2014). O aumento da freqüência e da severidade das
ondas de calor associado a um rápido crescimento desta população em risco, assim,
são fatores de grande preocupação(Wang and Lin 2014).
Levando-se em consideração os artigos selecionados, nota-se um aumento no número de pesquisas e publicações progressivamente, o que demonstra o quanto as alterações na temperatura ambiente tem interessado autores de diversos países. A vulnerabilidade dos idosos é amplamente discutida por grande parte dos artigos, demonstrando a preocupação em criar estratégias de promoção de saúde e prevenção de doenças relacionadas com a temperatura ambiente para essa população, assim como para populações em risco, como os portadores de Diabetes Mellitus.
Em 2003, houve uma onda de calor na Europa Ocidental atingindo Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido, com um grande número de mortes. Naquela ocasião, o Institut de veillesanitaire estimou apenas 14.802 mortes na França (Marto 2005). Após este fato, algumas instituições envolvidas na saúde pública do continente têm demonstrado maior interesse em prevenir os efeitos do calor. Certas entidades públicas começaram a investigação e procuraram bases para o início de um plano de ação, afim de combater o calor. Um levantamento das cidades que têm plano de batalha para os efeitos do calor foi realizado pela Organização Mundial da Saúde, e descobriu que de 51 países membros da Região Europeia incluídos na avaliação, apenas 18 desenvolveram planos de ação de calor (Bittner et al. 2014).
Várias estratégias para redução das mortes evitáveis devido às ondas de calor estão sendo criadas, como a educação pública, com recomendações para procurar lugares refrigeração artificial (cinemas, bibliotecas, transporte e museus), diminuição da atividade física durante o calor, aumentar a ingestão de líquidos e monitorar as populações vulneráveis, como os idosos. Portugal utiliza um sistema de alerta de onda de calor chamado projeto ÍCARO, que começou em 1999. O projeto tem como objetivo identificar ondas de calor que podem causar a morte de três dias de antecedência. O valor do índice de ÍCARO e seu significado são relatados diariamente para a Direcção Geral de Saúde, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Assim, os níveis de alerta são gerados (azul, amarelo, laranja e vermelho) em ordem crescente. Cada sinal de alerta aciona um plano (Marto 2005).
6. RESULTADOS
Dos 45 artigos submetidos à avaliação do título e resumos, 30 foram excluídos, restando 15 artigos para serem analisados. Após revisão completa dos mesmos através do abstract e do texto completo, 06 foram excluídos. Assim, 9 artigos atenderam aos critérios de inclusão.
Dos nove artigos selecionados, um foi publicado em 2009, um em 2010, um em 2012, dois em 2011 e quatro em 2014.
A revista Environmental Health Perspectives publicou dois dos artigos selecionados, enquanto as revistas Gerontology, American Journal of Epidemiology, PLOS ONE, Medicine & Science in Sports & Exercice, Revista de Saúde Pública, Environmental Health e Zhonghua Liu Xing Bing Xue Za Zhi publicaram um artigo selecionado cada uma.
Dois artigos relataram que o acréscimo de 1 °C na temperatura máxima diária, aumenta a mortalidade e os atendimentos de urgências e emergências relacionados
à doença cardiovascular(Li et al. 2014; Wang and Lin 2014). Dois artigos relacionaram
o aumento das temperaturas com maior vulnerabilidade, mortalidade e morbidade em
portadores de Diabetes Mellitus (Mehta et al 2014; Zanobetti et al 2014). Quatro dos
nove artigos incluíram em seus resultados e conclusões a presença do aumento dos
efeitos das mudanças climáticas em idosos(Ren et al. 2011; Blatteis 2012).
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando-se os artigos incluídos nesta revisão, um aumento progressivo no número de estudos no período reflete o crescente interesse dos autores de diferentes países nos efeitos da mudança de temperatura. É, no entanto, importante salientar que este assunto ainda requer informações, especialmente no que diz respeito a ações adotadas pelos países para combater os efeitos da mudança climática.
O ser humano tem mecanismos adaptativos para reduzir as consequências decorrentes da mudança do clima. No entanto, estes mecanismos são frequentemente incapazes de impedir efeitos indesejáveis sobre a saúde humana. A vulnerabilidade dos idosos é amplamente discutido em muitos dos artigos, mostrando uma preocupação na elaboração de estratégias preventivas relacionadas com a temperatura e medidas de promoção da saúde direcionadas a esta população e os grupos de risco.
Há necessidade urgente de realizar uma avaliação de vulnerabilidade de saúde devido às alterações climáticas, a fim de desenvolver resiliência e capacidade para se preparar para as mudanças de temperatura e eventos climáticos extremos.
8. FONTES CONSULTADAS
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