AULA 04:
PODER CONSTITUINTE
Profa. Krishina Day Ribeiro ICJ-UFPAPr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.1 PODER CONSTITUINTE
Conceito: Poder Constituinte é o poder de
elaborar ou atualizar a Constituição, através de
supressão, modificação ou acréscimo de normas
constitucionais.
Prá que serve este instituto dentro da Teoria
Constitucional?
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.1 PODER CONSTITUINTE
Características:1.O titular do poder constituinte é o povo. §único do art.1º da CF/88. Quem é o povo?
1.Em que consiste o elemento povo?
2.Povo não é a população porque população é a expressão demográfica que
engloba povo+estrangeiros+apátridas. Povo é elemento quantitativo. A caracterização de povo não denota relação ética ou política ou jurídica entre eles. Art.12 da CF/88.
3.É o único requisito indispensável que caracteriza o Estado.
4.Porque eu posso ter um Estado sem Governo (Anarquistas). Também eu
posso ter Estado sem partes do Território, quando estes estão em disputa. Mas eu não posso ter Estado sem povo, sem o elemento humano.
5.O que define um povo? É as características semelhantes de raça, língua,
religião, história e cultura entre eles ou o elemento habitual permanência? Para o DIP, os Doutrinadores observam que o que define a comunidade de indivíduos é a habitual permanência.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.2 PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO
Tipos:
1.Poder Constituinte Originário
:
É aquele que instaura uma nova ordem jurídica
rompendo por completo com a ordem jurídica anterior.
Objetivo: criar um novo Estado.
As mudanças do poder constituinte inicial são jurídicas. 1.1 Histórico: estruturar pela 1ªvez o Estado;
1.2 Revolucionário: seriam todos os posteriores ao
histórico que rompem com a ordem antiga e instauram uma nova ordem, um novo Estado.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.1 PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO
1.
Poder Constituinte Originário:
Características:
a) Inicial- instaura uma nova ordem jurídica, rompe
por completo com a ordem jurídica anterior;
b) autônomo- estruturação da nova Constituição será
determinada, autonomamente, por quem exerce o poder constituinte originário
c) ilimitado juridicamente- não precisa respeitar os
limites postos pelo Direito anterior
d) incondicionado e soberano em suas tomadas de
decisões- não se submete a qualquer forma de tomada de decisões.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.2 PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO
1.
Poder Constituinte Originário:
(OAB/116º):O Poder Constituinte Originário em tese: a) deriva da Constituição Federal;
b) deve obdecer as cláusulas pétreas;
c) não pode ser exercido na vigência de um estado de
sítio
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.2 PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO
1.
Poder Constituinte Originário:
Formas de Expressão:
a) Outorga: é a declaração unilateral do agente
revolucionário.
Ex: Constituições de 1824, 1937, AI nº01/64 b) Assembléia Nacional Constituinte: nasce da
deliberação da representação popular.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO
Conceito e espécies:
É o poder criado e instituído pelo Poder Constituinte
Originário. Também chamado de instituído, constituído, secundário ou de segundo grau.
Por isso, é limitado e condicionado, uma vez que deve
obedecer as regras impostas pelo Poder constituinte Originário.
São Espécies de Poder Constituinte Derivado: O poder Constituinte Derivado Reformador;
O Poder Constituinte Derivado Recorrente; O Poder Constituinte Derivado Revisor.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.1 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO REFORMADOR
Conceito: é o poder constituinte
exercido pelos representantes do titular
(povo) com o fito de modificar a
Constituição, através de procedimentos
específicos, sem que haja uma
revolução.
Poder de Reforma Constitucional
realizado através das emendas
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.1 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO REFORMADOR
O P.C.D.Reformador atua através de certos
limites:
Para propositura de EC deve haver a satisfação de
um requisito formal:
Quorum qualificado de três quintos, em cada casa, em
dois turnos de votação para aprovação de EC (art.60, §2º);
Estado de sítio, defesa ou Intervenção Federal:
Proibido de modificar a Constituição (art.60,§1º)
Núcleo de matérias intangíveis – cláusulas pétreas
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.1 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO REFORMADOR
Cláusulas Pétreas
Cláusulas pétreas são limitações
materiais ao poder de reforma da Constituição. Ou
seja, disposições que proíbem as alterações, por meio
de emenda, tendentes a abolir as matérias por elas
definidas:
A Forma federativa de Estado;
O voto direto, secreto, universal e periódico; A separação dos poderes;
Os direitos e garantias individuais.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.1 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO REFORMADOR
* Todos sabem que o Poder Constituinte Derivado se
manifesta através de Emendas Constitucionais. Isto
posto, aprovada a emenda constitucional, ingressando
ela no Ordenamento Jurídico, qual será a sua posição
hierárquica em relação às normas constitucionais
ordinárias?
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
É o poder derivado do originário e por ele
criado com o objetivo de estruturar a
Constituição dos Estados-Membros. Se assim
ocorre dizemos Poder Constituinte Derivado
Decorrente dos Estados-Membros. Caso este
Poder esteja relacionado com outro
ente-federativo,
dizemos
pertencente
aos
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Exercido pelos Estados-Membros:
Para Celso Bastos, entre o Poder
Constituinte Federal e Estadual, a
diferença reside nos pressupostos
soberania e autonomia.
Assim na Federação Brasileira, a
Soberania pertence à República
Federativa do Brasil, que é o conjunto
formado pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios (art.1º da CF/88).
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
“A Soberania do Estado é considerada geralmente
sob dois aspectos: interno e externo. A
Soberania interna quer dizer que o poder do
Estado nas leis e ordens que edita para todos os
indivíduos que habitam o seu território e as
sociedades formadas por esses indivíduos,
predomina sem contraste, não podendo ser
limitado por nenhum outro poder.
O termo Soberania significa, portanto, que o poder
do Estado é o mais alto existente dentro do
Estado, é a summa potestas. A soberania externa
significa que nas relações recíprocas entre
Estados, não há subordinação,nem dependência,
e sim igualdade”. Darcy Azambuja
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER DECORRENTE
DERIVADO DECORRENTE
Soberania é requisito da Constituição.
Autonomia é requisito dos Estados.
Autonomia é o poder dado a cada Estado
que consiste em:
Capacidade de auto-organização
(art.25,caput);
Capacidade de autogoverno (arts.27, 28 e 125);
Capacidade de autoadministração e
autolegislação (arts.18 e 25-28);
Soberania pertence à República Federativa
do Brasil
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Para Cunha Ferraz apud Lenza (2005):
“O Poder Constituinte Derivado decorrente
intervém para exercer uma tarefa de caráter nitidamente constituinte, qual seja a de estabelecer a organização fundamental das entidades componentes do Estado Federal; destina-se a perfazer a obra do Poder Constituinte Originário nos Estados Federais”.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
O art.25 estabelece: (...) observados os
Princípios desta Constituição.
O que significa observar os Princípios desta
Constituição?
Quais os limites à manifestação do poder
constituinte
derivado
decorrente
dos
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Princípios Constitucionais Sensíveis:
São aqueles expressos na Constituição, os quais
devem ser observados pelos Estados ao
elaborarem suas Constituições e leis, de acordo com os limites fixados no art.34, VII, alíneas a-e da CF/88.
Se o Estado viola um desses Princípios, tem
cabimento a Intervenção Federal – suspensão temporária da autonomia do ente-federativo.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Princípios Constitucionais Organizatórios:
São aqueles que limitam, vedam ou proíbem a
ação indiscriminada do Poder Constituinte
Derivado Decorrente. Funcionam como balizas
da capacidade auto-organizadora dos Estados.
Estão dispersos ao longo do texto
constitucional;
Ex: Repartição de competências entre os
Estados, Sistema Tributário Nacional;
Organização dos Poderes.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Princípios Constitucionais Organizatórios:
a.1: limites explícitos vedatórios: são aqueles
que proíbem os Estados de praticar atos ou
procedimentos contrários ao fixado pelo Poder Constituinte Originário. Arts.19,35,150.
a. 2: limites explícitos mandatórios: são aqueles
que implicam em restrições à liberdade de organização dos Estados. Arts. 18§4º, 29, 37.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Princípios Constitucionais Organizatórios:
a. 3: limites inerentes: são os princípios
implícitos ou tácitos que vedam a possibilidade de invasão de competência por parte dos
Estados-Membros.
a.4: limites decorrentes: decorrem de
disposições expressas. Ex: art.1º, inciso III; art. 5, caput.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Se o Poder Constituinte Originário é exercido
pela Assembléia Nacional Constituinte e o
Poder Constituinte Derivado Reformador é
exercido pelo Congresso Nacional, qual o
organismo que concretiza o Poder
Constituinte Derivado Decorrente?
ADCT, art.11.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Quanto aos Municípios e Distrito Federal
como ocorre o P.C.D.D.?
Lenza (2005) alega que boa parte da Doutrina
Constitucional comenta que tal poder não teria
sido estendido concretamente aos Municípios.
Isto ocorre devido ao fato de que tanto o
Distrito Federal, como os Municípios regem-se
por Lei Orgânica, uma lei principiológica. Mas
que no entendimento dos Doutrinadores nada
tem de parecido com as Constituições Federais
e Estaduais. Daí a Doutrina considerar que a Lei
Orgânica Municipal é uma espécie de
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.3.2 PODER CONSTITUINTE
DERIVADO DECORRENTE
Estabeleça
comparações
entre o Poder Constituinte
Originário
e
o
Poder
Constituinte
Derivado
Reformador e Decorrente.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
Após a promulgação de uma nova
Constituição, o que acontece com as
normas que foram produzidas na
vigência de uma Constituição
anterior? Elas são revogadas?
Perdem a validade? Ou são
novamente editadas?
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
1- Recepção:
Todas as normas incompatíveis com
com a nova Constituição são por ela
revogadas por ausência de recepção.
Logo, a norma que não contraria a
nova ordem deverá ser recepcionada.
Ex: CTN, norma elaborada com quorum
de Lei Ordinária, recepcionado pela
CF/88 como Lei Complementar.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
2- Repristinação:
E quando a norma não está mais no
Ordenamento Jurídico no momento
da Nova Constituição e o Legislador
Constituinte deseja restaurar uma
norma?
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
2- Repristinação:
Ex: Uma Lei que foi editada em
1980, sob a vigência da CF/1969,
tenha
sido
declarada
inconstitucional (controle abstrato) –
retirada do ordenamento jurídico –
ofensa à CF/69- dois dias antes da
promulgação da CF/88. O que
acontece?
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
2- Repristinação:
A nova Constituição (CF/88) não
restaura
automaticamente,
tacitamente, a vigência das leis que
não mais estão em vigor no
momento de sua promulgação.
Se o Legislador deseja revalidar tal
Lei ele poderá valer-se do instituto
da Repristinação.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
2- Repristinação:
Portanto, o fenômeno da Rspristinação ocorre
para as leis que não estão mais em vigor no
momento da promulgação de uma nova
Constituição, por terem sido retiradas do
Ordenamento Jurídico:
a)Se o Legislador nada disser a respeito, não
haverá repristinação da Lei;
b)Se a Constituição resolve restaurar a vigência
da Lei, esta poderá ser revalidada, mesmo fora do Ordenamento Jurídico anterior, com o qual era incompatível.
Pr of a. K ri sh in a D ay R ib ei ro – IC J/ U FP A
1.4 - PODER CONSTITUINTE – NOVA
CONSTITUIÇÃO E ORDEM JURÍDICA
ANTERIOR
3- Desconstitucionalização:
Segundo Lenza e Alexandrino, a
Desconstitucionalização é o fenômeno através do qual as normas da Constituição anterior permanecem em vigor, mas com status de norma
infraconstitucional.
Assim, normas da Constituição anterior se
incompatíveis com a atual –serão revogadas. Se compatíveis serão recepcionadas pela Constituição atual (fenômeno da Recepção), mas serão classificadas como normas ordinárias federais.