Avaliação da Informação de Data Fixa com Base nos
Resultados das PNAD’s da década de 90
*Fernando Roberto P. de C. e Albuquerque
IBGE/DEPIS
Janaína Reis Xavier Senna
IBGE/DEPIS
Palavras-chave: Migração, Data Fixa, matriz de origem e destino, qualidade das informações.
1.INTRODUÇÃO
No Censo Demográfico de 1991 foi inserido o quesito de data fixa; que investiga a Unidade da Federação atual e a de 5 anos anteriores à data de referência da pesquisa. Esta variável esteve presente na Contagem da População de 1996 e no Censo 2000. Dada a importância dessa informação para a realização de projeções de população pelo método das componentes, permitindo a inclusão dos movimentos migratórios internos, no caso das Unidades da Federação, e dado que as Pnad´s da década de 90 incorporaram esse quesito, faz-se necessário uma avaliação desta informação para verificar a consistência da mesma, tanto de volume como de direcionamento dos fluxos. Estes dados permitem a obtenção de uma série temporal quantificando os indivíduos que efetuaram movimentos migratórios entre duas datas bem definidas. O trabalho realizará inicialmente, uma comparação entre os resultados obtidos através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios(Pnad) e Contagem ambas para o ano de 1996. Posteriormente será apresentada uma avaliação desses fluxos ao longo da década de 90 ao nível regional e finalizando com uma breve comparação entre as Unidades da Federação. Esse trabalho não tem como objetivo analisar os fluxos migratórios nem tampouco as razões que levam a decisão de uma pessoa migrar, os quais já foram objetos de estudos por parte de vários autores (Martine(1989); Cunha(1999); Magalhães(1997); Moura(1997); Pacheco et alli(1997) entre outros. O enfoque é
comportamento da informação de data fixa proveniente da pnad ao longo da década de 90.
2. COMPARAÇÃO ENTRE A INFORMAÇÃO DE DATA FIXA PROVENIENTE DA CONTAGEM DA POPULAÇÃO DE 1996 E A DA PNAD 1996.
Tendo em vista que as datas de referência da Contagem (01/08/1996) e da Pnad (28/9/1996) são próximas, é possível realizar comparações entre o volume dos movimentos migratórios totais, por sexo e grupos de idade com base nas duas pesquisas, com o objetivo verificar a qualidade dessas informações provenientes da última pesquisa.
2.1. CONSIDERAÇÕES A CERCA DOS RESULTADOS DE MIGRAÇÃO ORIUNDOS DA PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIOS.
Ao utilizarmos resultados provenientes das Pnad´s devemos ter em mente que estes devem ser vistos com algum cuidado, pois trata-se de uma amostra de aproximadamente 0,2% dos domicílios. Diferente da Contagem da População de 1996, onde foram investigados todos os indivíduos. No gráfico 1 pode-se avaliar os erros de amostragem expressos pelo coeficiente de variação1 da variável “migração” ao nível de grandes regiões.
Gráfico 1: Grandes Regiões - Coeficientes de variação associados ao tamanho das estimativas de migração. Pnad 1996.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 Estimativas %
Centro Oeste Norte Nordeste Sudeste Sul
Outro fato a ser ressaltado é que os dados de entradas de indivíduos na Região Norte ficam prejudicados em vista que a Pnad só pesquisa a área urbana desta Região. Logo, áreas rurais de forte atração que desenvolvem atividades de colonização agrícola e extrativista por exemplo, deixam de ser contempladas. Em Unidades da Federação dessa Região onde o poder de atração de indivíduos não é tão forte, a subenumeração de imigrantes fica minimizada. Consequentemente, deixam de ser contabilizados também, os emigrantes das demais regiões com destino à área rural desta Região. Outro fato que se deve levar em consideração, é que a proximidade das datas de referência das duas pesquisas, menos de dois meses, não significa que os resultados sejam próximos, já que se tratam de duas datas fixas diferentes.
Os contigentes de emigrantes e imigrantes de duas regiões, seriam iguais nas duas pesquisas, quando os indivíduos que em 01/08/96 foram recenseados em uma região diferente da qual residia em 01/08/91 tivessem realizado o movimento após 28/09/91 e entre 01/08/96 e 28/09/96 não efetuaram nenhum movimento, ou na hipótese de terem efetuado, que estivessem presentes na data de referência da pnad (digrama1).
Diagrama 1
01/08/91 28/09/91 01/08/96 28/09/96
2.2. GRANDES NÚMEROS: MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS SEGUNDO AS GRANDES REGIÕES E UNIDADES DA FEDERAÇÃO. CONTAGEM 1996 E PNAD 1996.
2.2.1. GRANDES REGIÕES.
Inicialmente, se realizará uma comparação entre os imigrantes e emigrantes de data fixa ao nível de grandes regiões, provenientes das duas pesquisas mencionadas. Para realizar este intento foram obtidas as matrizes de origem e destino (DE PARA) para as grandes regiões brasileiras nos períodos 01/08/91, 01/08/96 e 28/09/91, 28/09/96(tabelas 2.1 e 2.2).
Tabela 2.1. Matriz de origem e destino para o período 1991/96 segundo as regiões brasileiras com base na Contagem 1996.
Grande Região Grande Região de Residência Atual
de Residência Total
Anterior Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Norte 60.965 78.955 22.978 86.628 249.526 Nordeste 182.450 835.562 24.914 194.097 1.237.023 Sudeste 49.999 262.331 156.372 153.307 622.009 Sul 19.252 17.592 176.532 71.852 285.228 Centro-Oeste 58.669 43.403 128.850 50.454 281.376 Total 310.370 384.291 1.219.899 254.718 505.884 2.675.162
Tabela 2.2. Matriz de origem e destino para o período 1991/96 segundo as regiões brasileiras com base na Pnad 1996.
Grande Região Grande Região de Residência Atual
de Residência Total
Anterior Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Norte 121.235 63.496 26.654 79.404 290.789 Nordeste 102.861 734.858 27.860 163.178 1.028.757 Sudeste 40.635 302.693 143.289 161.876 648.493 Sul 12.432 9.485 170.371 64.140 256.428 Centro-Oeste 55.315 59.956 128.930 72.402 316.603 Total 211.243 493.369 1.097.655 270.205 468.598 2.541.070 Fonte : Pnad 1996.
Segundo a Pnad 1996, 2.541.070 pessoas residiam em regiões diferentes daquelas de residência em 1991, 5% menos que o volume contabilizado pela Contagem, 2.675.162 indivíduos. Esse volume teoricamente, deveria ser menor, já que a pnad como mencionado anteriormente, não pesquisa a área rural da Região Norte. Nessa Região o número de entradas foi de aproximadamente 100.000 pessoas a menos do que na Contagem, representando um declínio de 32% (tabela 2.1 e 2.2). Os maiores declínios nas entradas dessa Região com base na pnad em relação à contagem, foram provenientes da Região Nordeste, 44% aproximadamente, seguido da Região Sul (35%). A concentração desses declínios nessas duas Regiões é explicado na primeira, pela proximidade, principalmente de maranhenses que se dirigem para o Pará e na segunda, pelo esgotamento das fronteiras agrícolas na Região Sul, com mais destaque o estado do Paraná (Gráfico 2.1).
182.450 102.861 49.999 40.635 19.252 12.432 58.669 55.315 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 160.000 180.000 200.000 NE SE SU CO Região de Procedência
Gráfico 2.1: Entradas na Região Norte segundo a região de procedência. Contagem 96 e Pnad 96
Contagem 96 Pnad 96
As entradas nas demais regiões também apresentaram mudanças segundo as duas pesquisas. De acordo com a pnad as entradas na Nordeste e Sul foram maiores em 28,4 e 6,1% respectivamente, em relação à Contagem. Já, para as Regiões Sudeste e Centro-Oeste menores em 10% e 7,4%, respectivamente (tabela 2.3).
Tabela 2.3. Diferenças relativas de entradas nas Grandes Regiões segundo a Pnad em relação à Contagem.
Grande Região Grande Região de Residência Atual
de Residência
Anterior Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Norte 98,9 -19,6 16,0 -8,3 Nordeste -43,6 -12,1 11,8 -15,9 Sudeste -18,7 15,4 -8,4 5,6 Sul -35,4 -46,1 -3,5 -10,7 Centro-Oeste -5,7 38,1 0,1 43,5 Total -31,9 28,4 -10,0 6,1 -7,4
Fonte: Pnad e Contagem 1996.
De uma certa forma não se esperava que esses resultados fossem exatamente iguais, pelos motivos já expostos e, pelo fato da Pnad ser uma amostra de aproximadamente cem mil domicílios bem menos do que na Contagem, onde todos os indivíduos responderam a este quesito. A maior diferença é observada nas entradas da Região Nordeste provenientes da Norte, 121.235 e 60.965 segundo a pnad e a Contagem
de 1996 respectivamente, representando uma captação de quase o dobro de imigrantes. As demais regiões não apresentam mudanças substanciais (gráficos 2.2, 2.3, 2.4 e 2.5).
60.965 121.235 262.331 302.693 17.592 9.485 43403 59956 0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 350.000 NO SE SU CO Região de Procedência
Gráfico 2.2: Entradas na Região Nordeste segundo a Região de Procedência. Contagem 96 e Pnad 96 Contagem 96 Pnad 96 78.955 63.496 835.562 734.858 176.532170.371 128850128930 0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 700.000 800.000 900.000 NO NE SU CO Região de Procedência
Gráfico 2.3: Entradas na Região Sudeste segundo a Região de Procedência. Contagem 96 e Pnad 96 Contagem 96 Pnad 96 22978 26654 24914 27860 156372 143289 50454 72402 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000 NO NE SE CO Região de Procedência
Gráfico 2.4: Entradas na Região Norte segundo a Região de Procedência. Contagem 96 e Pnad 96 Contagem 96 Pnad 96 86628 79404 194097 163178 153307 161876 71852 64140 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000 180000 200000 NO NE SE SU Região de Procedência
Gráfico 2.5: Entradas na Região Centro-Oeste segundo a Região de Procedência. Contagem 96 e Pnad 96
Contagem 96 Pnad 96
Apesar de algumas diferenças no volume absoluto de entradas nas grandes regiões o direcionamento não se alterou de forma significativa. As entradas na Região Nordeste são na sua grande maioria provenientes da Sudeste, 68% e 61% segundo a Contagem e Pnad, respectivamente. Os imigrantes da Sudeste majoritariamente são oriundos da Nordeste 68,5% e 67% nas duas pesquisas (tabela 2.4). Na Região Sul tanto Pnad como a Contagem contabilizaram maiores concentrações de entradas vindas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste com diferenças de 8% a menos e 7% a mais, respectivamente. As entradas na Região Centro-Oeste segundo as duas pesquisas sofreram poucas alterações na distribuição relativa, menos de 4% para todas as grandes regiões de origem.
Tabela 2.4. Distribuição Relativa de entradas nas grandes regiões segundo as regiões de procedência. Contagem (C) e Pnad (P) 1996.
Região Região de Residência Atual
de Residência Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Anterior C P C P C P C P C P Norte 0,0 0,0 15,9 24,6 6,5 5,8 9,0 9,9 17,1 16,9 Nordeste 58,8 48,7 0,0 0,0 68,5 66,9 9,8 10,3 38,4 34,8 Sudeste 16,1 19,2 68,3 61,4 0,0 0,0 61,4 53,0 30,3 34,5 Sul 6,2 5,9 4,6 1,9 14,5 15,5 0,0 0,0 14,2 13,7 Centro-Oeste 18,9 26,2 11,3 12,2 10,6 11,7 19,8 26,8 0,0 0,0 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Contagem e Pnad 1996.
Os totais de saídas segundo as grandes regiões de origem nas duas pesquisas apresentaram variações relativas menores do que as observadas nas entradas. As saídas das Regiões Norte e Nordeste pela Pnad foram aproximadamente de 17% maior e menor do que a Contagem respectivamente, o volume de emigrantes da Sudeste foi 4% maior na primeira pesquisa. Já para a Sul, a Pnad contabilizou 10% a menos de emigrantes e no Centro-Oeste 12% a mais do que na Contagem. As distribuições relativas dos emigrantes, com exceção da Região Norte, apresentaram bastante proximidade nas duas pesquisas. Todas as diferenças foram inferiores a 5%(tabela 2.5).
Tabela 2.5. Distribuição Relativa de saídas das grandes regiões segundo as regiões de procedência. Contagem (C) e Pnad (P) 1996.
Região Região de Residência Atual
de Residência
Anterior Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Total Norte C 24,4 31,6 9,2 34,7 100,0 P 41,7 21,8 9,2 27,3 100,0 Nordeste C 14,7 67,5 2,0 15,7 100,0 P 10,0 71,4 2,7 15,9 100,0 Sudeste C 8,0 42,2 25,1 24,6 100,0 P 6,3 46,7 22,1 25,0 100,0 Sul C 6,7 6,2 61,9 25,2 100,0 P 4,8 3,7 66,4 25,0 100,0 Centro-Oeste C 20,9 15,4 45,8 17,9 100,0 P 17,5 18,9 40,7 22,9 100,0
Fonte: Contagem e Pnad 96.
O volume de saídas da Região Norte para a Nordeste segundo a Pnad foi de 121.235 indivíduos, bem superior ao contabilizado pela Contagem, 60.965 migrantes (tabela 2.1 e 2.2). Essas saídas que representaram aproximadamente 42% do total segundo a Pnad declinou para 24% na Contagem. Os demais fluxos de saídas mantiveram os mesmos padrões nas duas pesquisas apresentando diferenças inferiores a 5%(tabela 2.5 e gráfico 2.6). Quando o destino é a Região Centro-Oeste, com exceção da origem ser a Norte, todas as diferenças foram inferiores a 0,5%.
-10 -5 0 5 10 15 20%
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Região de Origem
Gráfico 2.6: Diferença entre as participações relativas de saídas das Grandes Regiões segundo a Pnad e Contagem. 1996
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Pelo comportamento dos demais fluxos, pode-se observar que não ocorreram mudanças significativas entre as duas pesquisas. Não encontrou-se uma explicação plausível para essa grande diferença. Posteriormente será visto que o valor obtido pela Pnad 1996 mantém coerência com os valores das demais Pnad´s da década. Dessa forma, uma análise mais minuciosa das entradas na Região Nordeste proveniente da Norte segundo os estados de origem e destino, faz-se necessário(tabela 2.6).
TABELA 2.6. Saídas por Unidades da Federação da Região Norte segundo as Unidades da Federação de destino da Região de Destino. Pnad(P) e Contagem(C) de 1996.
Unidades da Saídas das Unidades da Federação da Região Norte
Federação de Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins
Destino P96 C96 P96 C96 P96 C96 P96 C96 P96 C96 P96 C96 P96 C96
Maranhão 0 827 0 110 0 1193 0 347 58496 18792 0 305 2542 4007
Piauí 538 269 0 24 1075 527 0 85 10755 3219 0 51 4302 504
Ceará 638 1581 213 408 6052 2798 3611 313 5624 6584 852 322 1808 381
Rio G.do Norte 1052 547 0 204 0 952 0 208 526 1536 0 156 0 72
Paraíba 0 720 0 117 0 544 0 243 5357 884 0 68 0 101 Pernambuco 756 430 0 59 2563 915 0 142 2437 3012 0 70 0 137 Alagoas 0 160 0 45 0 155 0 42 0 376 0 27 0 74 Sergipe 0 142 0 40 307 137 0 31 0 293 0 13 0 23 Bahia 3588 930 0 141 638 639 1658 125 4651 3063 0 63 1196 682 Total 6572 5606 213 1148 10635 7860 5269 1536 87846 37759 852 1075 9848 5981
Fonte: Pnad e Contagem de População de 1996.
Do total de entradas na Nordeste provenientes da Norte(121.235), 72%(87.846) foram oriundos do Pará, enquanto pela Contagem esse último valor foi de 37.759 indivíduos representando 62% do total(160.965). A maior parte da diferença do total de migrantes entre as duas pesquisas (60.270) é em função da diferença de entradas
provenientes do estado do Pará (50.087), concentrando-se mais especificamente no estado do Maranhão, aproximadamente 40.000 indivíduos, o fato desta grande quantidade de fluxos para esse estado é justificada pela proximidade entre eles, comumente caracterizada como migração fronteiriça. A discrepância destes valores nas duas pesquisas pode ser justificada; pela diferença entre as datas de referências, pelo contigente pesquisado (universo e amostra), por uma subestimação destes fluxos pela Contagem ou por uma sobrestimação na Pnad.
2.2.2.UNIDADES DA FEDERAÇÃO.
A seguir serão analisados os fluxos migratórios ao nível de Unidades da Federação com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e a Contagem da População para o mesmo ano. Tem como objetivo verificar os diferenciais desses fluxos segundo as duas pesquisas. A seguir são apresentados os volumes de saídas, entradas e saldos migratórios (tabela 2.7).
Tabela 2.7. Saídas, Entradas e Saldos Migratórios por Unidade da Federação segundo a Pnad 96 e a Contagem Populacional de 1996.
Saídas Entradas
Dif. Dif.
Pnad Contagem Relativa Pnad Contagem Relativa
Saldo migratório Unidades da Federação (%) (%) Pnad Contagem Total 4019092 4092029 -1,78 4019092 4092029 -1,78 Rondônia 70031 67428 3,86 41802 64928 -35,62 -28229 -2500 Acre 16073 12478 28,81 16211 10367 56,37 138 -2111 Amazonas 41727 40204 3,79 47811 43480 9,96 6084 3276 Roraima 6715 10587 -36,57 21212 29816 -28,86 14497 19229 Pará 215896 189612 13,86 99671 168175 -40,73 -116225 -21437 Amapá 9787 7181 36,29 33247 42722 -22,18 23460 35541 Tocantins 61928 55901 10,78 82657 84747 -2,47 20729 28846 Maranhão 162375 224963 -27,82 112740 67151 67,89 -49635 -157812 Piauí 99906 127788 -21,82 79053 55650 42,05 -20853 -72138 Ceará 149149 177043 -15,76 124249 99973 24,28 -24900 -77070 Rio G. do Norte 59235 62527 -5,26 52573 52540 0,06 -6662 -9987 Paraíba 145677 124429 17,08 91568 70951 29,06 -54109 -53478 Pernambuco 237294 236758 0,23 173164 116435 48,72 -64130 -120323 Alagoas 115884 103691 11,76 34893 41345 -15,61 -80991 -62346 Sergipe 36912 42186 -12,50 43620 36487 19,55 6708 -5699 Bahia 414612 457281 -9,33 173796 163402 6,36 -240816 -293879 Minas Gerais 298571 339284 -12,00 392686 315485 24,47 94115 -23799 Espírito Santo 62474 62337 0,22 106992 116499 -8,16 44518 54162 Rio de Janeiro 242326 230969 4,92 180625 200593 -9,95 -61701 -30376 São Paulo 617933 541760 14,06 990163 1139663 -13,12 372230 597903 Paraná 265132 291427 -9,02 235818 234004 0,78 -29314 -57423 Santa Catarina 120000 108046 11,06 148815 152845 -2,64 28815 44799 Rio G. do Sul 90746 109365 -17,02 105022 91479 14,80 14276 -17886 Mato G. do Sul 95833 73748 29,95 91149 87374 4,32 -4684 13626 Mato Grosso 109513 110026 -0,47 134156 150421 -10,81 24643 40395 Goiás 153906 137313 12,08 237331 288648 -17,78 83425 151335 Distrito Federal 119457 147697 -19,12 168068 166849 0,73 48611 19152
FONTE : Pnad e Contagem Populacional de 1996.
Os saldos migratórios das Unidades da Federação da Região Norte ficam comprometidos tendo em vista que a Pnad só pesquisa às áreas urbanas. Logo, o volume de entradas nestes estados fica subestimado. Para as outras Unidades da Federação, observa-se inversão dos saldos migratórios segundo as duas pesquisas em Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Saldos positivos utilizando-se a Pnad e negativos pela Contagem. Esta diferença é proveniente de um menor e maior contingente de saídas e entradas e respectivamente, da primeira pesquisa em relação à segunda. Em Mato Groso do Sul também se observa uma inversão de sinal contudo, por motivo
inverso. Neste estado os volumes de emigrantes e imigrantes segundo a Pnad foram 30% e 4% maiores respectivamente, do que a Contagem.
As maiores discrepâncias no total de saídas comparando-se os resultados da Pnad em relação à Contagem, foram encontradas nos estados do Maranhão (-28%) e no Mato Grosso do Sul (30%). Já para as entradas temos; Goiás com menos 18% e
novamente o Maranhão apresentando em diferencial de 68%. No caso do Maranhão, a resultante da Pnad ter apresentado um aumento significativo de entradas e declínio no total de saídas, foi o saldo negativo de 49.635 pessoas ser bem inferior ao obtido pela Contagem (157.812 indivíduos) (Gráficos2.7 e 2.8).
4 29 4 -37 14 36 11 -28 -22 -16 -5 17 0 12 -13 -9 -12 0 5 14 -9 11 -17 30 0 12 -19 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 % RO AC AM RR PA AP TO MA PI CE RN PB PE AL SE BA MG ES RJ SP PR SC RS MS MT GO DF Unidades da Federação
Gráfico 2.7: Unidades da Federação - Diferença Relativa entre o total de saídas provenientes da Pnad 96 em relação ao da Contagem 1996.
-36 56 10 -29 -41 -22 -2 68 42 24 0 29 49 -16 20 6 24 -8 -10 -13 1 -3 15 4 -11 -18 1 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 % RO AC AM RR PA AP TO MA PI CE RN PB PE AL SE BA MG ES RJ SP PR SC RS MS MT GO DF Unidades da Federação
Gráfico 2.8: Unidades da Federação - Diferença Relativa entre o total de entradas provenientes da Pnad 96 em relação ao da Contagem 1996.
Segundo a Pnad o total de indivíduos que efetuaram movimentos entre Unidades da Federação foi de 4.019.092, 1,8% menor que o contabilizado pela Contagem(4.092.029 pessoas). Levando-se em conta a defasagem temporal e o universo de indivíduos que responderam ao quesito de data fixa nas duas pesquisas, as diferenças nas magnitudes dos fluxos são compreensíveis. Dezessete estados apresentaram diferenças no volume de saídas inferiores a 15% e onze no de entradas. Essas discrepâncias influenciam diretamente os saldos migratórios, fazendo com que o poder de atração ou expulsão em doze Unidades da Federação seja menor na Pnad.
2.3. SALDOS MIGRATÓRIOS POR SEXO E GRUPOS DE IDADE SEGUNDO A PNAD E A CONTAGEM DE 1996.
Um dos parâmetros importantes utilizados pelo método das componentes para a realização de uma projeção da população por sexo e grupos de idade é a migração. Até os anos 90, a incorporação desse parâmetro em uma projeção no Brasil, era realizada utilizando-se metodologias indiretas. O quesito de data fixa possibilitou a utilização dessa informação via método direto.
2.3.1. GRANDES REGIÕES.
A disponibilidade desta informação nas pesquisas domiciliares permite, além de se ter uma série de saldos migratórios por sexo e idade para toda a década de 90, incorporar a migração de data fixa na projeção regional e estadual de população em qualquer instante desta década. Os gráficos 2.9 a 2.18 apresentam os saldos migratórios por sexo e idade segundo as grandes regiões provenientes da Pnad 1996 e Contagem de 1996.
Gráfico 2.9: Região Norte- Saldo migratório feminino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996. -15000 -10000 -5000 0 5000 10000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96M Cont96M
Gráfico 2.10: Região Norte - Saldo migratório masculino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
-15000 -10000 -5000 0 5000 10000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96H Cont96H
Gráfico 2.11: Região Nordeste - Saldo migratório feminino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
-120000 -100000 -80000 -60000 -40000 -20000 0 20000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96M Cont96M
Gráfico 2.12: Região Nordeste - Saldo migratório masculino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
-140000 -120000 -100000 -80000 -60000 -40000 -20000 0 20000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96H Cont96H
Gráfico 2.13: Região Sudeste- Saldo migratório feminino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
30000 40000 50000 60000 70000 80000 90000
Gráfico 2.14: Região Sudeste - Saldo migratório masculino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
40000 60000 80000 100000 120000
Gráfico 2.15: Região Sul - Saldo migratório feminino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996. -10000 -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96M Cont96M
Gráfico 2.16: Região Sul - Saldo migratório masculino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996. -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 10000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96H Cont96H
Gráfico 2.17: Região Centro-Oeste- Saldo migratório feminino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
-5000 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96M Cont96M
Gráfico 2.18: Região Centro-Oeste- Saldo migratório masculino por sexo e idade segundo a Pnad e Contagem 1996.
-5000 0 5000 10000 15000 20000 25000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Idades Pnad96H Cont96H
Os saldos migratórios da Região Norte ficam comprometidos em função dos fatos comentados anteriormente. Contudo, o total de entradas na área urbana desta Região segundo a Pnad foi de 211.243 indivíduos, próximo do contabilizado pela Contagem (209.039). As diferenças podem ser provenientes das entradas na área rural, dos movimentos emigratórios ou de questões amostrais, decorrentes das estimativas de movimentos migratórios desta Região possuírem coeficientes de variação elevados, em função do tamanho destas estimativas. Por exemplo, a estimativa de emigrantes masculinos do grupo de 20 a 24 anos(17138) , a maior em valor absoluto, possui um coeficiente de variação de aproximadamente 20%, bem inferior aos dos demais grupos de idade. A Contagem de 1996 contabilizou 101.203 entradas na área rural da Região Norte provenientes das outras grandes regiões. Na hipótese de que este fosse o valor que deixou de ser enumerado na Pnad, o novo número de imigrantes desta Região seria de 312.243 indivíduo, próximo do valor da Contagem, 310.370.
Dado que as entradas na Região Norte só contabilizam às da área urbana, é possível verificar formulando-se algumas hipóteses, se as diferenças encontradas foram
só provenientes do fato de não se considerar a área rural desta Região, ou de outros fatores. Obtendo-se pela Contagem as entradas nas áreas urbana e rural e incorporando esse último as entradas obtidas pela Pnad, no caso de não haver diferença no período de referência, os saldos migratórios seriam próximos(tabela 2.8 e gráfico 2.19).
Tabela 2.8. Região Norte - Imigrantes segundo a Contagem por situação do domicílio, Imigrantes na área urbana segundo a Pnad, Incorporação do rural na Pnad e saldos migratórios.
Grupos Entradas Saldo Migratório
de Contagem Pnad Pnad Pnad Contagem
Idade Rural Urbana Urbana Reconstituída*
100581 208277 211243 311824 21035 66457 5 a 9 13855 26152 20038 33893 -13226 10756 10 a 14 13071 25899 29016 42087 919 9969 15 a 19 12071 26371 26371 38442 158 4980 20 a 24 12360 28031 32796 45156 15353 6608 25 a 29 12231 26946 29108 41339 8151 10340 30 a 34 10057 22678 24228 34285 3744 7224 35 a 39 8443 17264 15468 23911 -1602 5978 40 a 44 5954 12089 12512 18466 -271 3587 45 a 49 4421 8095 9394 13815 3149 2557 50 a 54 3033 5026 3439 6472 1347 1736 55 a 59 2165 3495 5235 7400 4306 1415 60 a 64 1241 2383 1308 2549 -598 595 65 a 69 782 1574 894 1676 -61 205 70 a 74 445 1003 418 863 651 103 75 a 79 249 666 624 873 873 125 80 e mais 203 605 394 597 -1858 279
Fonte: Pnad e Contagem 1996. * Adicionada a área rural da Contagem.
Considerando-se as entradas na área urbana da Região Norte segundo as duas pesquisas, pode-se observar que ao nível de total a diferença foi pequena, 208.277 indivíduos na Pnad contra 211.243 segundo a Contagem. Segundo os grupos de idade, as maiores diferenças relativas foram observadas nos grupos acima de 50 anos de idade, onde as estimativas são mais rarefeitas. Nos grupos onde os movimentos migratórios são mais freqüentes, como por exemplo o de 20 a 24 anos, a Pnad registrou 17% a mais de entradas do que a Contagem. O efeito combinado da diferença entre os volumes de entradas e saídas segundo as duas pesquisas, se reflete no saldo migratório total. Os grupos de 5 a 9 anos, 35 a 39 anos , 50 a 54 anos e 60 anos e mais de idade
Pnad fosse o mesmo da Contagem, apresentaram significativas diferenças no padrão migratório.
Gráfico 2.19: Região Norte - Saldo migratório por grupos de idade segundo a Pnad(incorporando o rural da Contagem) e Contagem de 1996.
-15000 -10000 -5000 0 5000 10000 15000 20000 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 77,5 82,5 Pnad Contagem
Na Região Nordeste a situação é diferente, o padrão migratório proveniente da Pnad é semelhante ao da Contagem, contudo os níveis estão um pouco abaixo(gráficos 2.11 e 2.12). Este comportamento pode ser explicado pelo fato de emigrantes desta Região com destino à área rural da Região Norte não estarem sendo contabilizados.
Segundo a Contagem do total de saídas das Unidades da Federação da Região Nordeste 4,0%(62.220 pessoas) dirigiram-se para a área rural da Região Norte que representou 34,1% do total de entradas provenientes da Nordeste. O percentual mais significativo encontra-se no estado do Maranhão, os movimentos emigratórios tendo como destino a área rural da Norte significou 18,4% do total. Os outros estados tiveram participações inferiores a 4%. Em todas as Unidades da Federação os fluxos em direção ao Norte apresentaram percentuais relativamente altos quando o destino é a área rural (tabela 2.9). Logo, a subestimação do volume de emigrantes, conduz a uma subestimação do saldo negativo desta Região. Este comportamento contudo, não invalida a utilização desta informação.
Unidades Total Dist. Rel. segundo a situação do Participação das
da de saídas em direção a
Federação saídas Rural Urbana Total Rural Urbana Total área rural da Norte
Total 1556666 62220 120181 182401 34,11 65,89 100,00 4,00 Maranhão 224963 41319 77699 119018 34,72 65,28 100,00 18,37 Piauí 127788 3904 8743 12647 30,87 69,13 100,00 3,06 Ceará 177043 6366 12894 19260 33,05 66,95 100,00 3,60 Rio G. do Norte 62527 657 3136 3793 17,32 82,68 100,00 1,05 Paraíba 124429 1119 3181 4300 26,02 73,98 100,00 0,90 Pernambuco 236758 2104 5239 7343 28,65 71,35 100,00 0,89 Alagoas 103691 1337 1317 2654 50,38 49,62 100,00 1,29 Sergipe 42186 439 773 1212 36,22 63,78 100,00 1,04 Bahia 457281 4975 7199 12174 40,87 59,13 100,00 1,09 Fonte: Contagem 1996 domicílio Região Norte Saídas em direção à
Tabela 2.9: Saídas(total) das Unidades da Federação da Região Nordeste e em direção às áreas rural e urbana da Norte
Diferente da Região Nordeste, caracterizada como expulsora de população, a Região Sudeste é receptora. Sendo a maior parte das entradas constituídas de nordestinos. Logo, ambas possuem valores significativos em quase todos os grupos de idade, consequentemente as estimativas de emigrantes e imigrantes por sexo e idade possuem coeficientes de variações inferiores aos das demais regiões, onde os eventos são mais rarefeitos. Outro fato importante, é que a Região Sudeste não é tão afetada pela não contabilização de entradas na área rural da Norte. Segundo a Contagem, do total de entradas na área rural desta Região, 15,1% e 61,5% foram provenientes da Região Sudeste e Nordeste, respectivamente. O padrão migratório pelas duas pesquisas são bastante próximo, tanto para o sexo masculino quanto para o feminino(gráficos 2.13 e 2.14).
O saldo migratório da Região Sul apresenta problemas, tanto de nível quanto de padrão. No caso do saldo total, como visto anteriormente, existe uma inversão de sentido, negativo no caso da Contagem e positivo na Pnad. Considerando-se a informação por sexo, os saldos provenientes da população masculina apresentam sinais opostos e os da feminina, apesar de ambos serem negativos, as magnitudes são distintas. As formas das curvas (gráfico 2.15 e 2.16) também são diferentes. Em quase todas as idades as diferenças são marcantes. Por exemplo para o grupo de 5 a 9 anos de idade, o volume de imigrantes segundo a Pnad foi 9,6% maior do que o obtido pela Contagem.
registrou um efetivo de entradas 9,7% superior ao da Contagem e um volume de saídas 26% menor, resultando um saldo de 8.431 e –2.854 pessoas segundo a Pnad e a Contagem, respectivamente. Este comportamento praticamente inviabiliza a utilização dessa informação para a Região Sul (gráficos 2.15 e 2.16).
Na Região Centro-Oeste apesar de se ter observado mudanças no padrão migratório, não foram tão significativas quanto à Região anterior. Pode-se observar que apesar da Pnad não contabilizar as saídas em direção à área rural da Região Norte os números de emigrantes por idade foram quase todos superiores aos da Contagem (gráfico 2.20). 0,2 -3,4 -5,1 1,3 -7,3 8,1 -11,2 37,3 1,9 28,6 -6,0 10,0 -28,2 6,5 6,7 -7,6 -42,1 25,8 -2,9 7,9 -68,2 24,4 -7,6 14,3 14,2 18,7 -63,8 -14,7 -80,0 -60,0 -40,0 -20,0 0,0 20,0 40,0% 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 72,5 Grupos de Idade
Gráfico2.20: Região Centro-Oeste - Diferença Relativa(%) entre imigrantes e emigrantes provenientes da Pnad e Contagem 1996.
Imigrantes Emigrantes
O volume de emigrantes do grupo de 20 a 24 anos da Pnad foi 37% superior ao da Contagem fazendo com que o saldo migratório de 47.572 indivíduos segundo a última pesquisa declina-se para 26.499 pela Pnad. Principalmente no caso da população masculina, o padrão migratório obtido pela Pnad se afasta de forma significativa do oriundo da Contagem.
2.3.2.UNIDADES DA FEDERAÇÃO.
Os gráficos 2.21 a 2.41 apresentam os saldos migratórios por sexo e grupos de idade. Considerando-se a desagregação da informação de emigrantes e imigrantes por Unidade da Federação, sexo e grupos de idade, observa-se que na grande maioria dos estados os saldos migratórios provenientes da Pnad se afastam dos obtidos pela Contagem de População.
G ráfico 2.21: M aranhão -20000 -15000 -10000 -5000 0 5000 10000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades PH 91/96 PM 91/96 CH 91/96 CM 91/96 G ráfico 2.22: Piauí -14000 -12000 -10000 -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.23: C eará -20000 -15000 -10000 -5000 0 5000 10000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.24: R io G rande do N orte
-5000 -4000 -3000 -2000 -1000 0 1000 2000 3000 4000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.25: Paraíba -14000 -12000 -10000 -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.26: Pernam buco
-20000 -15000 -10000 -5000 0 5000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.27: A lagoas -12000 -10000 -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.28: Sergipe -4000 -3000 -2000 -1000 0 1000 2000 3000 4000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.29: B ahia -45000 -40000 -35000 -30000 -25000 -20000 -15000 -10000 -5000 0 5000 0 5 10 15 20 2530 35 40 45 5055 60 6570 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.30: M inas G erais
-15000 -10000 -5000 0 5000 10000 15000 0 5 10 1520 2530 3540 45 50 5560 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.31: Espírito Santo
-2000 -1000 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.32: R io de Janeiro -15000 -10000 -5000 0 5000 10000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.33: São Paulo
-20000 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.34: Paraná -12000 -10000 -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 4550 5560 6570 75 80 8590 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.35: Santa C atarina
-2000 -1000 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 6065 70 75 8085 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.36: R io G rande do Sul
-4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.38: M ato G rosso -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.37: M ato G rosso do Sul
-8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96 G ráfico 2.39: G oiás -4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
G ráfico 2.40: D istrito Federal
-5000 0 5000 10000 15000 20000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 Idades P H 91/96 P M 91/96 C H 91/96 C M 91/96
Na grande maioria das Unidades da Federação os saldos migratórios desagregados por sexo e idade apresentaram oscilações que praticamente inviabilizam a sua utilização. Fica claro que o desenho amostral da pesquisa nacional por amostra de domicílio não suporta este grau de desagregação. Os saldos dos estados do Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás variam significativamente segundo as idades, comportamento bastante distinto do da Contagem, impossibilitando análises mais detalhada do processo migratório. Os problemas acontecem tanto nos grupos de idade mais jovens, onde o fenomeno é mais robusto quanto nas idades onde o volume de eventos é mais rarefeito. Cabe ressaltar que essas divergencias também ocorrem quando realizamos a análise por sexo. O padrão etario migratório masculino nesses estados é bastante diferente do feminino.
3. MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS DURANTE A DÉCADA DE 90.
Entradas 1991 408.516 477.915 1.426.934 285.264 627.286 1992 263.485 557.961 1.222.779 300.204 499.478 1993 249.367 547.760 1.106.454 289.469 477.114 1995 261.992 471.196 981.256 295.721 465.978 1996 211.243 493.369 1.097.655 270.205 468.598 1997 230.184 557.117 1.117.473 269.551 480.932 1998 237.482 599.157 1.097.169 282.971 451.985 1999 224.576 655.140 1.221.664 291.574 478.241 2000 318.464 623.960 1.546.192 338.043 593.459 Saídas 1991 277.298 1.354.449 786.796 470.655 336.717 1992 264.551 1.006.557 778.047 413.265 381.487 1993 300.620 971.959 712.115 344.955 340.515 1995 241.062 918.317 693.188 317.068 306.508 1996 290.789 1.028.757 648.493 256.428 316.603 1997 259.761 1.126.963 696.106 242.312 330.115 1998 268.622 1.080.155 750.788 246.193 323.006 1999 237.829 1.096.344 847.510 280.564 408.948 2000 285.422 1.457.360 950.797 338.628 387.911 Saldos 1991 131.218 -876.534 640.138 -185.391 290.569 1992 -1.066 -448.596 444.732 -113.061 117.991 1993 -51.253 -424.199 394.339 -55.486 136.599 1995 20.930 -447.121 288.068 -21.347 159.470 1996 -79.546 -535.388 449.162 13.777 151.995 1997 -29.577 -569.846 421.367 27.239 150.817 1998 -31.140 -480.998 346.381 36.778 128.979 1999 -13.253 -441.204 374.154 11.010 69.293 2000 33.042 -833.400 595.395 -585 205.548
Fonte: Censo Demográfico de 1991, Pnad´s(1992/1999) e Tabulação Avançada do Censo Demográfico de 2000.
Tabela 3.1: Movimentos migratórios por Grandes Regiões segundo as entradas, saídas e anos pesquisados
Entradas, Saídas e Saldos
Centro-Oeste
Norte Nordeste Sudeste Sul
Observa-se que durante a década os resultados apresentaram coerencia entre si. Um provável fato para este comportamento é que os setores censitários utilizados foram os do Censo 1991 e mantidos constantes durante a década. A comparação com os resultados provenientes da tabulação avançada do Censo 2000 pode ficar comprometida em função da atualização da malha setorial.
A partir da tabela 3.1, verifica-se que as entradas na Região Norte, para o ano de 1991, foi quase o dobro apresentado pelos outros anos. Este fato se deve a cobertura da Pnad, conforme já foi visto anteriormente. Na Região Nordeste o ano que apresentou maior volume de entradas foi o de 1999, para esta mesma região verifica-se que em
2000 ela foi tida como a região de maior expulsão populacional. Os movimentos de saída desta Região, pela Pnad, podem estar afetados pela não contabização das entradas na área rural da Norte. A diferença entre as entradas e saídas da Região Sul em 2000 foi de –585 pessoas, o saldo migratório desta região vem decrescendo gradativamente entre os anos e encontra-se particamente nulo na última data pesquisada, tendência confirmada pelos dados da Pnad. As entradas na Região Centro-Oeste apresentaram-se provavelmente subestimadas pela Pnad. Em 1991, o Censo Demográfico apresentou um volume de 627.286 entradas, entre os anos de 1992 e 1999 esses valores correspondiam a aproximadamente 400.000 pessoas, já na Tabav de 2000 as entradas voltaram a crescer, desta vez para 593.459 indivíduos. No que se refere as saídas desta mesma região, o ano de 1999 foi o revelador de maior número de emigrantes, fazendo com que o saldo migratório de 1999 para 2000 cresça em 196.6%.
4. CONCLUSÃO
Os movimentos migratórios totais ao nível das grandes regiões brasileiras podem ser utilizados tanto para avaliar níveis e tendências. Contudo, a desagregação por sexo e idade fica comprometida para as Regiões Norte, Sul e Centro-Oeste. Na maioria das Unidades da Federação, a amostra da Pnad não suportou a desagreção segundo as duas variáveis mencionadas anteriormente, inviabilizando a utilização desta informação com o objetivo de incorporar a componente migração em projeção pelo método das componentes.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBUQUERQUE, Fernando R.P.C. Movimentos migratórios internos no Brasil: Características e Estimativas. 1981 – 1996. / Rio de Janeiro, 2001. Dissertação (Mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais – Área de Análise das metodologias de mensuração das migrações. In: ENCONTRO SOBRE MIGRAÇÕES, 1, 1997, Curitiba. Anais... Curitiba: IPARDES : FNUAP, 1998. 548p. p.211-227.
CARVALHO, J. A. M.; RIGOTTI, J. I. Análise das metodologias de mensuração das migrações. In: ENCONTRO SOBRE MIGRAÇÕES, 1, 1997, Curitiba. Anais...
ESTUDOS POPULACIONAIS, 6., 1988, Olinda. Anais... Belo Horizonte: ABEP. 4v. V.2: Urbanização e processo de transformação da sociedade brasileira, p.537-565.