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DISPOSIÇÕES GERAIS DA LEI 11.1012005

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DIREITO COMERCIAL

LEI 11.101/2005 – LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS

Antes dessa lei, vigorava o Decreto Lei 7.661/45 que regulava a falência e a concordata. Havia duas espécies de concordata: a dilatória e a remissória.

DILATÓRIA REMISSÓRIA

O empresário pagava 100% da dívida, no prazo de 2 anos.

O empresário pagava 50% da dívida à vista e os outros 50% o Estado perdoava.

Só poderia incluir os créditos sem garantia (quirografários).

A concordata foi extinta e veio da lei de recuperação judicial. Para fazer jus a recuperação judicial, o sujeito tem que preencher os requisitos da Lei, qual seja: apresentar um plano de recuperação. Trata-se de um documento que diz como ele irá pagar as dívidas.

Os credores irão apreciar o plano de recuperação. É uma condição negociada.

A lei visa á recuperação da empresa e não do empresário. Empresa significa atividade. Se para recuperar a empresa é necessário afastar o empresário, este será afastado.

DISPOSIÇÕES GERAIS DA LEI 11.101/2005

O artigo 1º da lei define de forma clara o objeto e os sujeitos.

Objeto Sujeito

Recuperação e a falência Empresário e Sociedade empresária

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.

A Microempresa e o Empresário de pequeno porte podem optar pelo procedimento ordinário (padrão) ou pelo especial. Embora o especial seja destinado a ME e EPP, ele não é obrigatório.

Decreto Lei 7661/45

Falência

Concordada

Dilatória

Remissória

Recuperação

Judicial

Extrajudicial

Procedimento Ordinário (padrão)

Procedimento Especial (ME e EPP)

Judicial (Ordinário) mais amplo

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Os sujeitos são os empresários e a sociedade empresária.

Empresário é gênero, cujas espécies se dividem em: individual e coletivo (sociedade).

A Lei 11.101 só se aplica aos empresários. Sociedade simples não pode falir, nem pedir recuperação judicial.

A recuperação é conferida apenas ao empresário que for regularmente constituído a mais de 2 anos. Já a falência pode ser decretada para qualquer empresário, seja ele regular ou irregular.

O artigo 2º da Lei 11.101/2005 diz que não se aplica a empresa pública, sociedade de economia mista, instituição financeira, cooperativa de crédito, companhia seguradora, operadora de plano de saúde, etc.

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;

II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

O artigo 2º é dividido em exclusão total e exclusão parcial.

Total Parcial

Não pode pedir recuperação e não podem falir em hipótese alguma as empresas públicas e sociedade de economia mista.

Não pode pedir recuperação judicial, mas pode ter a falência decretada, caso sejam preenchidos determinados requisitos previstos em lei própria.

O artigo 3º dispõe sobre a competência.

Art. 3oÉ competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.

Este artigo já existia no decreto e com a edição da lei 11.101 ele foi mantido.

O juízo competente é o do local onde está situado o principal estabelecimento do devedor. Existem 3 correntes para definir qual o principal estabelecimento.

CONTRATUALISTA ADMINISTRATIVISTA ECONÔMICA

Principal é a sede. Aquela que está no contrato social ou estatuto.

Principal é o local onde é exercida a administração da empresa. Onde a empresa é comandada de fato.

Principal é o mais importante do ponto de vista econômico, ou seja, aquele que tem o maior número de negócios.

A corrente majoritária e esta, pois onde tem maior número de negócios tem maior número de credores.

A competência é absoluta. Trata-se de critério material e não territorial. A competência é verificada no momento da distribuição da ação.

Na cidade de São Paulo apenas o foro central tem competência para processar e julgar ação de falência. O foro regional não possui competência. A competência é da vara especializada. Não havendo vara especializada, a competência é da vara cível.

PREVENÇÃO DA COMPETÊNCIA

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Essa regra é pré-falimentar (antes da falência). Com a decretação da falência tem-se o chamado juízo universal que é o juízo da falência. É universal porque atrai para o juízo todas as ações em que o falido seja parte.

Art. 6o .§ 8o A distribuição do pedido de falência ou de recuperação judicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de recuperação judicial ou de falência, relativo ao mesmo devedor.

Os credores são divididos em classes, e no Brasil, existem 8 classes. A primeira classe abrange os créditos derivados da legislação do trabalho e os decorrentes de acidentes de trabalho. A última classe são os créditos subordinados.

Vigora o princípio Par Conditio Creditorum (tratamento igualitário dos credores).

ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES (AGC)

COMITÊ DE CREDORES ADMINISTRADOR JUDICIAL

Trata-se de órgão facultativo ou eventual. É facultativo porque pode ser convocada a pedido dos credores e eventual porque pode ser convocada pelo juiz nas hipóteses legalmente previstas.

Trata-se de órgão facultativo. A sua instauração depende apenas da vontade dos credores.

Trata-se de órgão obrigatório. Em todo processo de recuperação judicial e falência tem a presença do administrador judicial.

ADMINISTRADOR JUDICIAL

O administrador judicial é nomeado pelo juiz no despacho de processamento da recuperação judicial ou na sentença de decretação da falência do devedor.

Conforme o artigo 21 da Lei nº 11.101/2005:

Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada.

O juiz não precisa se ater a um desses profissionais. É meramente é uma sugestão da lei. Quando a lei diz profissional significa que deve ser um terceiro, ou seja, não pode ser o credor.

Para se nomear um administrador judicial, deve-se observar o requisito da idoneidade, que se subdivide em moral e financeira.

É necessária idoneidade financeira pois o administrador judicial responde pelos danos causados ao credor, ao devedor e à massa falida, por culpa ou dolo. Ele responde subjetivamente. Na prática de qualquer ato doloso ou culposo deverá indenizar, por isso a lei exige idoneidade financeira.

Diante da impossibilidade de se observar o critério da idoneidade moral e financeira, o juiz pode desconsiderar a idoneidade financeira, mas jamais poderá abrir mão da idoneidade moral.

Juiz

Assembleia Geral de Credores

Comitê de Credores

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Estes são os únicos requisitos que o juiz tem para nomear o administrador judicial. No entanto, tem que observar alguns impedimentos.

Não podem ser administradores judiciais:

a) Aquele que foi destituído, deixou de prestar contas ou teve as contas rejeitadas em outro processo nos 5 anos anteriores.

b) Aquele que é amigo, inimigo, dependente ou que mantém a relação de parentesco ou afinidade com o devedor até o 3º grau.

Art. 30. Não poderá integrar o Comitê ou exercer as funções de administrador judicial quem, nos últimos 5 (cinco) anos, no exercício do cargo de administrador judicial ou de membro do Comitê em falência ou recuperação judicial anterior, foi destituído, deixou de prestar contas dentro dos prazos legais ou teve a prestação de contas desaprovada.

§ 1o Ficará também impedido de integrar o Comitê ou exercer a função de administrador judicial quem tiver relação de parentesco ou afinidade até o 3o (terceiro) grau com o devedor, seus administradores, controladores ou representantes legais ou deles for amigo, inimigo ou dependente.

No Brasil, a escolha é de livre iniciativa do juiz. Não existem as chamadas listas judiciais.

A nomeação pode se impugnada, desde que fundamentada. Será dirigida ao próprio juiz e da decisão caberá agravo.

O administrador exerce funções diferentes:

RECUPERAÇÃO FALÊNCIA

Basicamente exerce função de fiscalização. É efetivamente administrador. Ele administra a massa falida. Cuida dos interesses dos credores e dos bens do falido.

DEVERES DO ADMINISTRADOR

A lei divide os deveres do administrador em três partes: a) Comum à recuperação ou falência;

b) Deveres na recuperação judicial; c) Deveres na falência;

Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe:

I – na recuperação judicial e na falência:

a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II do caput do art. 105 desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito;

b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interessados;

c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos;

d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informações; e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2o do art. 7o desta Lei;

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g) requerer ao juiz convocação da assembléia-geral de credores nos casos previstos nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões;

h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especializadas para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções;

i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei;

II – na recuperação judicial:

a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial;

b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação; c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades do devedor;

d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que trata o inciso III do caput do art. 63 desta Lei;

III – na falência:

a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terão à sua disposição os livros e documentos do falido;

b) examinar a escrituração do devedor;

c) relacionar os processos e assumir a representação judicial da massa falida;

d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto de interesse da massa;

e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de compromisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186 desta Lei;

f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos termos dos arts. 108 e 110 desta Lei;

g) avaliar os bens arrecadados;

h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa;

i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores;

j) requerer ao juiz a venda antecipada de bens perecíveis, deterioráveis ou sujeitos a considerável desvalorização ou de conservação arriscada ou dispendiosa, nos termos do art. 113 desta Lei;

l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação;

m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenhados, penhorados ou legalmente retidos;

n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores;

o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração;

p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10o (décimo) dia do mês seguinte ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique com clareza a receita e a despesa;

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r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar ao cargo.

SANÇÃO

O administrador que não cumpre com seus deveres poderá ser destituído pelo juiz. A destituição é sanção que depende de decisão judicial motivada e pode ser determinada de ofício ou a requerimento de qualquer interessado.

Art. 31. O juiz, de ofício ou a requerimento fundamentado de qualquer interessado, poderá determinar a destituição do administrador judicial ou de quaisquer dos membros do Comitê de Credores quando verificar desobediência aos preceitos desta Lei, descumprimento de deveres, omissão, negligência ou prática de ato lesivo às atividades do devedor ou a terceiros.

Essa é uma sanção considerada grave, pois o administrador que for destituído não poderá ser administrador em outro processo pelo prazo de 5 anos.

Perde o direito à remuneração total, devendo devolve os valores já recebidos.

O destituído deve prestar contas, e se não o fizer, responderá por crime de desobediência. As sanções são cumulativas.

DESTITUIÇÃO ≠≠≠≠ SUBSTITUIÇÃO

É importante destacar que a destituição é diferente da substituição. Substituição é a troca do administrador por algum impedimento no prosseguimento da atividade.

Exemplo: o administrador fica doente ou solicita renúncia justificada. Nestes casos, o administrador faz jus à remuneração proporcional.

REMUNERAÇÃO

A remuneração do administrador é fixada pelo juiz levando-se em consideração a complexidade do cargo e os parâmetros do mercado para atividades semelhantes.

Deve-se observar o teto máximo estabelecido.

Art. 24. O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador judicial, observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes.

§ 1o Em qualquer hipótese, o total pago ao administrador judicial não excederá 5% (cinco por cento) do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos bens na falência.

QUADRO COMPARATIVO

RECUPERAÇÃO FALÊNCIA

5% do valor devido aos credores 5% do valor de venda dos bens do falido Passivo Ativo realizado (valor que o bem é vendido)

O crédito da remuneração é considerado extraconcursal (fora do concurso), ou seja, não concorre com os credores. O administrador recebe antes mesmo dos credores trabalhistas. O artigo 84 trata dos créditos extraconcursais e o artigo 83 dos créditos concursais.

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§ 2o Será reservado 40% (quarenta por cento) do montante devido ao administrador judicial para pagamento após atendimento do previsto nos arts. 154 e 155 desta Lei.

COMITÊ DE CREDORES

Trata-se de órgão colegiado deliberativo de instalação facultativa. A sua criação depende única e exclusivamente da vontade dos próprios credores.

O comitê é composto por até 3 membros, sendo um representante dos credores trabalhistas, um representante dos credores com garantia real ou privilégio especial e um representante dos credores quirografários ou privilégio geral.

Art. 26. O Comitê de Credores será constituído por deliberação de qualquer das classes de credores na assembléia-geral e terá a seguinte composição:

I – 1 (um) representante indicado pela classe de credores trabalhistas, com 2 (dois) suplentes;

II – 1 (um) representante indicado pela classe de credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes;

III – 1 (um) representante indicado pela classe de credores quirografários e com privilégios gerais, com 2 (dois) suplentes.

Cada um dos representantes é eleito pela respectiva classe, contando com 2 suplentes. Ainda que uma classe não queira indicar um representante o comitê pode ser instaurado.

Pode ter comitê com um único membro?

Sim, pois a lei não veda essa possibilidade. Neste caso, o juiz irá decidir. O artigo 27 enumera os deveres do comitê. As principais funções do comitê são:

• Fiscalizar o administrador;

• Fiscalizar o devedor em recuperação;

Art. 27. O Comitê de Credores terá as seguintes atribuições, além de outras previstas nesta Lei: I – na recuperação judicial e na falência:

a) fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial;

b) zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei;

c) comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ou prejuízo aos interesses dos credores; d) apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados;

e) requerer ao juiz a convocação da assembléia-geral de credores;

f) manifestar-se nas hipóteses previstas nesta Lei;

II – na recuperação judicial:

a) fiscalizar a administração das atividades do devedor, apresentando, a cada 30 (trinta) dias, relatório de sua situação;

b) fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial;

c) submeter à autorização do juiz, quando ocorrer o afastamento do devedor nas hipóteses previstas nesta Lei, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e outras garantias, bem como atos de endividamento necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que antecede a aprovação do plano de recuperação judicial.

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Artigo 27. § 2o Caso não seja possível a obtenção de maioria em deliberação do Comitê, o impasse será resolvido pelo administrador judicial ou, na incompatibilidade deste, pelo juiz.

Para ser membro do comitê a pessoa dever ter o mesmos requisitos e observar os mesmos impedimentos do administrador judicial.

Os membros não são remunerados. As despesas são ressarcidas se houver disponibilidade em caixa. A responsabilidade pelos danos causados por suas deliberações é subjetiva.

A responsabilidade é de todos, salvo se algum membro tenha consignado a sua discordância em ata.

Art. 29. Os membros do Comitê não terão sua remuneração custeada pelo devedor ou pela massa falida, mas as despesas realizadas para a realização de ato previsto nesta Lei, se devidamente comprovadas e com a autorização do juiz, serão ressarcidas atendendo às disponibilidades de caixa.

ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES

É órgão deliberativo, colegiado, de instauração facultativa ou condicional (eventual).

É instalada a pedido dos credores ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas em lei. Trata-se de órgão que delibera por maioria. A regra é maioria de crédito e não maioria de credores.

Exemplo: Assembleia geral com 100 credores. Juntos eles representam o valor de um milhão de reais. Para aprovar precisa do voto de credores que representam quinhentos mil e um.

Art. 38. O voto do credor será proporcional ao valor de seu crédito, ressalvado, nas deliberações sobre o plano de recuperação judicial, o disposto no § 2o do art. 45 desta Lei.

Pode acontecer do voto ser de uma pessoa só. Diante disso, a lei traz algumas exceções. A principal exceção é a deliberação do plano de recuperação judicial.

A lei traz uma regra denominada de dupla maioria. Criou-se três grupos de classes de credores.

Art. 41. A assembléia-geral será composta pelas seguintes classes de credores: I – titulares de créditos derivados da

legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho;

II – titulares de créditos com garantia real;

III – titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou subordinados.

Os trabalhadores votam por “cabeça”, os demais votam por “cabeça” e crédito.

§ 1o Os titulares de créditos derivados da legislação do trabalho votam com a classe prevista no inciso I do caput deste artigo com o total de seu crédito, independentemente do valor.

§ 2o Os titulares de créditos com garantia real votam com a classe prevista no inciso II do caput deste artigo até o limite do valor do bem gravado e com a classe prevista no inciso III do caput deste artigo pelo restante do valor de seu crédito.

Os trabalhadores votam desta forma para preservar o princípio da isonomia. Dessa forma, o crédito do trabalhador comum será igual ao do gerente ou outro cargo. Não importa o valor do crédito.

A assembleia geral de credores é instalada:

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Art. 37. § 2o A assembléia instalar-se-á, em 1a (primeira) convocação, com a presença de credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe, computados pelo valor, e, em 2a (segunda) convocação, com qualquer número.

A assembleia será presidida pelo administrador judicial, salvo se houver incompatibilidade. Quando será presidida pelo titular do maior crédito presente à assembleia.

Não votam em assembleia, os credores não atingidos pela recuperação judicial e os credores cuja habilitação seja intempestiva, com exceção dos trabalhistas.

Exemplo: perdeu o prazo para habilitação, perde o direito de votar, salvo no caso do trabalhista.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

RECUPERAÇÃO JUDICIAL ORDINÁRIA

O autor é o devedor (empresário) e os réus são os credores. São requisitos para pedir a recuperação judicial:

a) ser empresário regularmente constituído há mais de 2 anos;

b) não ser falido ou se o foi estar com as obrigações declaradas extintas; c) não ter sido condenado por crime falimentar;

d) não ter obtido a concessão de recuperação judicial há menos de 5 anos;

e) não ter obtido a concessão de recuperação judicial pelo plano especial há menos de 8 anos; ATENÇÃO

O prazo de 5 anos ou 8 anos é contado da concessão e não do pedido. A recuperação judicial é dividida em três momentos, quais sejam: 1. pedido

2. processamento 3. concessão

No que tange aos credores atingidos pela recuperação judicial, a lei traz uma regra ampla e clara. Dispõe o artigo 49 que “ Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos.”

A lei traz duas exceções a essa regra:

a) débito fiscal (crédito tributário) não está sujeito à recuperação. Por força do CTN a Fazenda não se submete a nenhum concurso.

b) Créditos previstos no artigo 49, §3º da Lei 11.101/2005, quais sejam: os créditos de alienação fiduciária, leasing, compra e venda com reserva de domínio e compromisso de compra e venda com cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade, ainda que seja incorporação imobiliária.

Recuperação Judicial é uma ação, logo a petição inicial segue os requisitos do artigo 282 do CPC e os requisitos específicos do artigo 51 da lei.

Art. 51. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com:

I – a exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira;

II – as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos exercícios sociais e as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação societária aplicável e compostas obrigatoriamente de:

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b) demonstração de resultados acumulados;

c) demonstração do resultado desde o último exercício social; d) relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção;

III – a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles por obrigação de fazer ou de dar, com a indicação do endereço de cada um, a natureza, a classificação e o valor atualizado do crédito, discriminando sua origem, o regime dos respectivos vencimentos e a indicação dos registros contábeis de cada transação pendente;

IV – a relação integral dos empregados, em que constem as respectivas funções, salários, indenizações e outras parcelas a que têm direito, com o correspondente mês de competência, e a discriminação dos valores pendentes de pagamento;

V – certidão de regularidade do devedor no Registro Público de Empresas, o ato constitutivo atualizado e as atas de nomeação dos atuais administradores;

VI – a relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos administradores do devedor;

VII – os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e de suas eventuais aplicações financeiras de qualquer modalidade, inclusive em fundos de investimento ou em bolsas de valores, emitidos pelas respectivas instituições financeiras;

VIII – certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do domicílio ou sede do devedor e naquelas onde possui filial;

IX – a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais em que este figure como parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a estimativa dos respectivos valores demandados.

A petição inicial é extremamente simples, os documentos que deverão ser juntados estão descritos nos incisos do artigo 51. Merecem destaque os seguintes documentos:

a) Relação nominal e completa de credores;

b) Relação integral de empregados com salário, função;

c) Relação de ações das quais o empresário seja parte por ele subscrita.

O processamento é o segundo mais importante do processo. A partir do processamento o processo passa a ser de interesse público, ou seja, o devedor não pode desistir da recuperação sem anuência da assembleia geral de credores.

Com o despacho de processamento: 1. O juiz nomeia o administrador judicial;

2. Determina ao devedor a prestação mensal de contas;

3. Determina a suspensão das ações e execuções ajuizadas em face do devedor pelo prazo de 180 dias;

4. Fixa prazo para as habilitações de crédito.

A suspensão das ações pelo prazo de 180 dias é chamada, em outros países, de Stay. Na Grã bretanha é chamada de Stop actions. As ações em que seja parte ré ficam suspensas. É um prazo que o legislador deu ao empresário para que ele possa aprovar o plano de recuperação judicial.

No entanto, tem duas ações que não se suspendem: a) ações onde se demanda quantia ilíquida.

b) Reclamações trabalhistas. Não confundir com execução trabalhista, esta sim suspende. As ações dos credores de alienação e leasing estão sujeitas ao Stay, ou seja, elas suspendem.

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É possível prorrogar o prazo de 180 dias? Pela lei esse prazo é improrrogável.

Art. 6º § 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste artigo em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta) dias contado do deferimento do processamento da recuperação, restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito dos credores de iniciar ou continuar suas ações e execuções, independentemente de pronunciamento judicial.

Existem, no entanto, poucas decisões que no caso concreto já aumentaram esse prazo. Essas decisões se pautaram no artigo 47 da Lei 11.101/05. Trata-se de um princípio que pode afastar a aplicação da regra.

Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

Estando em termos a documentação, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial e ordenará a expedição de edital, para publicação no órgão oficial.

Art. 52. § 1o O juiz ordenará a expedição de edital, para publicação no órgão oficial, que conterá: I – o resumo do pedido do devedor e da decisão que defere o processamento da recuperação judicial; II – a relação nominal de credores, em que se discrimine o valor atualizado e a classificação de cada crédito;

III – a advertência acerca dos prazos para habilitação dos créditos, na forma do art. 7o, § 1o, desta Lei, e para que os credores apresentem objeção ao plano de recuperação judicial apresentado pelo devedor nos termos do art. 55 desta Lei.

Após, ocorrerá a intimação e começará a fluir o prazo de 60 dias para que o devedor apresente seu plano de recuperação judicial.

O prazo de 60 dias é contado da intimação do despacho de processamento e não do mero despacho. Se o devedor não apresentar o plano de recuperação judicial, será decretada a falência.

O prazo para habilitação de créditos é de 15 dias contados da publicação da relação de credores. A relação que foi juntada na inicial é publicada em editais. A partir desta publicação, abre-se o prazo de 15 dias para fazer a habilitação do crédito. Se estiver na relação e o valor do crédito estiver correto não precisa habilitar o crédito, tampouco provar que é credor. Mas se estiver na relação e o crédito for diferente quanto ao valor ou a natureza do crédito, precisará se habilitar.

HABILITAÇÃO (NÃO) HABILITAÇÃO (SIM)

Se estiver na relação juntada e os valores estiverem corretos não precisa se habilitar.

• Se não estiver na relação

• ou está na relação, mas foi incluído com erro, seja quanto à natureza ou valor, neste caso precisa se habilitar e provar que é credor.

Essa habilitação é apresentada para a o administrador judicial. No entanto, o protocolo é feito em juízo e o administrador tem prazo de 45 dias para fazer a verificação dos créditos.

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§ 1o Publicado o edital previsto no art. 52, § 1o, ou no parágrafo único do art. 99 desta Lei, os credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos relacionados.

§ 2o O administrador judicial, com base nas informações e documentos colhidos na forma do caput e do § 1o deste artigo, fará publicar edital contendo a relação de credores no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, contado do fim do prazo do § 1o deste artigo, devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em que as pessoas indicadas no art. 8o desta Lei terão acesso aos documentos que fundamentaram a elaboração dessa relação.

O resultado desse trabalho é publicado num segundo edital. Depois do prazo do segundo edital, abre-se o prazo de 10 dias para as impugnações. A partir dessa fase já é fase judicial e as impugnações deverão ser apresentadas ao juiz.

Art. 8o No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no art. 7o, § 2o, desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores, apontando a ausência de qualquer crédito ou manifestando-se contra a legitimidade, importância ou classificação de crédito relacionado.

Se o credor perder o prazo de 15 dias ele ainda poderá se habilitar. Trata-se da chamada habilitação intempestiva ou retardatária.

CONSEQUÊNCIAS PARA A HABILITAÇÃO INTEMPESTIVA

Após o prazo de 15 dias, o credor ainda poderá se habilitar, mas a sua habilitação intempestiva acarretará:

a) pagamento de custas.

b) A habilitação é autuada em apartado e segue o procedimento da impugnação. Não tem fase administrativa. c) Perde o direito ao voto em assembleia geral enquanto não homologado o crédito. Essa consequência tem

uma exceção que são os credores trabalhistas. d) Perde o direito a eventuais rateios já realizados.

e) Não pode cobrar eventuais diferenças entre o termo final da habilitação tempestiva e a data de sua efetiva habilitação.

Exemplo: se antes da habilitação o credor tinha direito a R$ 100,00, depois do prazo ele terá direito aos mesmos R$ 100,00.

PLANO DE RECUPERAÇÃO

O plano de recuperação judicial é o documento que o devedor apresenta aos credores informando como ele se recuperará.

O plano de recuperação será apresentado pelo devedor em juízo no prazo improrrogável de 60 (sessenta) dias da publicação da decisão que deferir o processamento da recuperação judicial, sob pena de convolação em falência (Art. 53).

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Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação pertinente a cada caso, dentre outros:

I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas;

II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente;

III – alteração do controle societário;

IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar;

VI – aumento de capital social;

VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados;

VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro;

X – constituição de sociedade de credores; XI – venda parcial dos bens;

XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

XIII – usufruto da empresa;

XIV – administração compartilhada; XV – emissão de valores mobiliários;

XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor.

A lei trouxe 3 limites que devem ser observados, quais sejam:

1. Equidade, ou seja, o plano não pode prever condições distintas para credores de uma mesma classe, nem condições desfavoráveis a credores não sujeitos ao plano.

2. O plano não poderá prever prazo superior a 1 ano para pagamento dos credores trabalhistas ou decorrentes de acidente de trabalho.

3. O plano não poderá prever prazo superior a 30 dias para pagamento dos créditos de natureza estritamente salarial, vencidos nos 3 meses anteriores ao pedido, no limite de 5 salários mínimos por trabalhador. A este crédito dá-se o nome de famélico.

Exemplo:

Trabalhador Salário Meses atrasado

A 622,00 recebe 1 salário mínimo 4 meses atrasado

B 3.500,00 3 meses atrasado

Em 30 dias quanto cada um pode receber? A = 3 meses: receberá 3 X 622,00 = 1866,00

B = 5 salários mínimos: receberá 5 X 622,00 = 3110,00

A lei traz dois limites: um temporal (3 meses) e outro referente ao valor (5 salários mínimos) O saldo deverá ser pago em até 1 ano.

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Não apresentado o plano de recuperação, o juiz decreta a falência. Se apresentou o plano de recuperação, publica-se o edital de aviso aos credores. Desse edital decorre prazo de 30 dias para objeções. Se não houver objeção o plano considera-se aprovado. Apresentada a objeção, que não tem forma, nem conteúdo, o juiz deve convocar assembleia geral de credores.

Art. 55. Qualquer credor poderá manifestar ao juiz sua objeção ao plano de recuperação judicial no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da relação de credores de que trata o § 2o do art. 7o desta Lei.

Art. 56. Havendo objeção de qualquer credor ao plano de recuperação judicial, o juiz convocará a assembléia-geral de credores para deliberar sobre o plano de recuperação.

O erro está na inexistência de um número mínimo de credores.

Exemplo: 1000 credores e apenas 1 apresentou objeção. O juiz tem que convocar a Assembleia Geral de Credores.

Convocada a AGE, abre-se tem possibilidades:

a) Aprovar o plano. b) Alterar o plano. c) Rejeitar o plano. Se alterar o plano o devedor poderá:

1. concordar com a alteração e aprovar.

2. Ou Discordar e rejeitar. Se rejeitar, será decretada a falência.

Rejeitado o plano de recuperação pela assembléia-geral de credores, o juiz decretará a falência do devedor (art. 55, § 4o).

Dispõe o artigo 57 da lei 11.101/05 que aprovado o plano, o devedor deverá apresentar certidão negativa de débitos tributários.

Art. 57. Após a juntada aos autos do plano aprovado pela assembléia-geral de credores ou decorrido o prazo previsto no art. 55 desta Lei sem objeção de credores, o devedor apresentará certidões negativas de débitos tributários nos termos dos arts. 151, 205, 206 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.

Após a apresentação das certidões, o juiz concederá a recuperação judicial.

Art. 58. Cumpridas as exigências desta Lei, o juiz concederá a recuperação judicial do devedor cujo plano não tenha sofrido objeção de credor nos termos do art. 55 desta Lei ou tenha sido aprovado pela assembléia-geral de credores na forma do art. 45 desta Lei.

Devedor Concorda

AGE

Aprovar Alterar Rejeitar

Falência Devedor

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Na prática os juízes descartam a apresentação da certidão por ser incompatível com a recuperação judicial. Para afastar essa exigência eles aplicam o artigo 47.

ATENÇÃO:

A concessão da recuperação judicial é a decretação da falência é dada por sentença. E em ambos os casos a o recurso cabível é o agravo.

CONCESSÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

O grupo 1 vota por cabeça; Os grupos 2 e 3 votam por cabeça + crédito.

Exemplo:

Grupo Credores Valores Aprovação

1 100 credores 100 mil Para aprovar é necessário 51 credores (independentemente do valor) 2 5 credores 3 milhões Para aprovar precisa de 3 credores que representem um milhão e meio 3 400 credores 1 milhão Para aprovar precisa de 201 credores que representem 500 mil reais

Suponha que foi obtido os seguintes votos: (Grupo 1) 75 credores que representam 75 mil

(Grupo 2) 2 credores que representam um milhão e meio. (Grupo 3) 350 credores que representam 400 mil reais.

Pergunta-se, este plano foi aprovado ou rejeitado?

O plano foi rejeitado, pois no grupo 2 não foi alcançado a metade dos credores e no grupo 3 não foi alcançado a metade do valor. Nas duas classes o plano foi rejeitado. Não há como aprovar.

Exemplo 2:

(Grupo 1) 75 credores que representam 75 mil

(Grupo 2) 2 credores que representam um milhão e oitocentos reais. (Grupo 3) 350 credores que representam 600 mil reais.

Pergunta-se, este plano foi aprovado ou rejeitado?

Continuaria rejeitado, mas o Brasil importou o sistema americado “Cram Down” pelo qual o juiz pode derrubar a decisão da assembleia que rejeitar o plano para considerá-lo aprovado, desde que presentes 3 requisitos cumulativos, quais sejam:

a) aprovação em dois dos 3 grupos ou em um, caso haja apenas dois. Grupo

1

Grupo 2

Grupo 3

Grupo 1: Credores trabalhistas e acidentários.

Grupo 2: Credores com garantia real.

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b) Aprovação de no mínimo 1/3 computado na forma da lei no grupo que rejeitou o plano. c) Aprovação de credores que representem mais de 50% dos créditos presentes a assembleia.

Tem que preencher os três requisitos de forma cumulativa. É a única hipótese legalmente prevista que autoriza o juiz a derrubar a decisão da assembleia.

Art. 58. § 1o O juiz poderá conceder a recuperação judicial com base em plano que não obteve aprovação na forma do art. 45 desta Lei, desde que, na mesma assembléia, tenha obtido, de forma cumulativa:

I – o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes à assembléia, independentemente de classes;

II – a aprovação de 2 (duas) das classes de credores nos termos do art. 45 desta Lei ou, caso haja somente 2 (duas) classes com credores votantes, a aprovação de pelo menos 1 (uma) delas;

III – na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores, computados na forma dos §§ 1o e 2o do art. 45 desta Lei.

Concedida a recuperação, o devedor ficará sob fiscalização do administrador judicial por até 2 anos. O descumprimento de qualquer obrigação, neste período, acarretará a convolação, ou seja, a conversão da recuperação em falência.

Se durante os 2 anos o devedor cumprir todas as obrigações corretamente, o processo de recuperação é extinto. Isso não significa que a recuperação tenha terminado. O descumprimento de qualquer obrigação posterior aos 2 anos deve ser objeto de pedido de falência, ação autônoma ou execução específica.

Art. 61. Proferida a decisão prevista no art. 58 desta Lei, o devedor permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da recuperação judicial.

§ 1o Durante o período estabelecido no caput deste artigo, o descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da recuperação em falência, nos termos do art. 73 desta Lei.

Art. 62. Após o período previsto no art. 61 desta Lei, no caso de descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano de recuperação judicial, qualquer credor poderá requerer a execução específica ou a falência com base no art. 94 desta Lei.

Referências

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