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Arquitetura em cenários pós-catástrofe

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Academic year: 2021

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P U B L I C AÇ ÃO M E N S A L DA AU TO R I DA D E N AC I O N A L D E P ROTECÇ ÃO C I V I L / N .º6 0 / M A RÇO 2 013 / I S S N 16 4 6 – 95 42

60

Março de 2013

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Arquitetura

pós-catástrofe

em cenários

© Shigeru Ban

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E D I T O R I A L

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O cidadão – primeiro agente de proteção civil

A União Europeia assinala em 2013 o Ano Europeu dos Cidadãos, com o objetivo de comemo-rar o vigésimo aniversário da cidadania da União Europeia, instituída pelo Tratado de Maas-tricht, a 1 de novembro de 1993.

É neste espírito que se evoca este ano, em Portugal, sob o mote O cidadão: primeiro agente de

proteção civil, a data de 1 de março – Dia da Proteção Civil.

De facto, os cidadãos são, hoje em dia, simultaneamente protagonistas e agentes ativos de proteção civil, no direito à informação sobre os riscos a que estão sujeitos no seu dia-a-dia, e no dever de adoção de medidas preventivas e comportamentos de autoproteção adequados.

O cidadão bem preparado desempenha um papel fundamental em caso de emergência ou ocorrência de catástrofe, já que os serviços de proteção e socorro nunca serão suficientemente lestos a prestar os cuidados necessários. Nestas circunstâncias, cabe aos cidadãos a impor-tante missão de proteger a sua vida e a dos seus próximos (família, vizinhos e comunidade), socorrer quem necessite (de acordo com procedimentos antecipadamente treinados e apreen-didos), informar a sua comunidade e as autoridades (mantendo-se ao mesmo tempo informa-do) e colaborar ativamente com as autoridades e agentes de proteção civil.

A proteção civil é um sistema com múltiplos agentes, valências e instrumentos de atuação. Um cidadão consciente dos riscos e do contributo que pode dar para os evitar ou para atenuar as suas consequências é, por princípio, um agente ativo de proteção civil, desempenhando um papel fundamental no sistema.

Neste âmbito, e enquanto cidadãos e profissionais, os arquitetos desempenham um papel cada vez mais importante em cenários de pós-catástrofe, avaliando estragos e condicionan-tes, propondo soluções adequadas e sustentáveis que permitam o retorno à normalidade das populações afetadas. É neste quadro que se inscreve a arquitetura de emergência – tema de destaque deste número da revista PROCIV – que se caracteriza pelo carácter efémero da cons-trução, simplicidade tecnológica, minimização das áreas e facilidade e rapidez de montagem e desmontagem dos abrigos.

Não obstante o carácter pouco visível da intervenção dos arquitetos em cenários extremos, o seu contributo, frequentemente voluntário e integrado em organizações humanitárias é, hoje, inquestionavelmente de grande importância para a proteção civil e para a intervenção humanitária internacional na busca de soluções inovadoras que respondam à necessidade das comunidades atingidas pela ocorrência de catástrofes.

Edição e propriedade – Autoridade Nacional de Protecção Civil Diretor – Manuel Mateus Couto Redação e paginação – Núcleo de Sensibilização, Comunicação e Protocolo

Fotos: Arquivo da Autoridade Nacional de Protecção Civil, exceto quando assinalado Impressão – Textype Tiragem – 2000 exemplares ISSN – 1646–9542

Os artigos assinados traduzem a opinião dos seus autores. Os artigos publicados poderão ser transcritos com identificação da fonte.

Autoridade Nacional de Protecção Civil Pessoa Coletiva n.º 600 082 490 Av. do Forte em Carnaxide / 2794–112 Carnaxide

Telefone: 214 247 100 Fax: 214 247 180 [email protected] www.prociv.pt

P U B L I C AÇ ÃO M E N S A L

Projecto co-financiado por:

Manuel Mateus Couto

Presidente da ANPC

" O cidadão bem preparado

desempenha um papel

funda-mental em caso de catástrofe,

já que os serviços de proteção

e socorro nunca serão

sufi-cientemente lestos a prestar

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População sénior objeto de

protocolo

Os ministros da Administração Inter-na, Miguel Macedo, e da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares, assinaram, no passado dia 1 de fevereiro, um proto-colo de cooperação que visa combater o isolamento e solidão dos mais idosos. O protocolo tem por objetivo garan-tir uma melhor articulação entre os organismos que atuam nesta área, de forma a promover um aumento da qualidade de vida e do sentimen-to de segurança dos cidadãos mais velhos, sobretudo aqueles que vivem isolados ou sós, sendo, de acordo com

levantamento efetuado pela GNR no ano passado, cerca de 23 mil pessoas a viver nessas condições.

A ANPC, no âmbito da sua missão, tem cada vez mais presente a neces-sidade de uma abordagem dirigida e orientada para grupos específicos, tendo em conta as suas dificuldades e vulnerabilidades. Cita-se, a título de exemplo, a definição de programas de sensibilização e informação pública; a elaboração de instrumentos de planeamento de emergência, de acor-do com as dificuldades de mobilidade e outras limitações que inibam reação rápida face a situação de risco; a pu-blicação de orientações técnicas com vista ao estabelecimento de apoio so-cial a pessoas idosas (Caderno Técnico nº 4, ANPC, dezembro de 2008), entre outras.

Dia da Proteção Civil apela à

mobilização dos cidadãos

Assinala-se a 1 de março, o Dia da Protecção Civil, efeméride instituída a nível mundial pela Organização In-ternacional de Protecção Civil (OIPC), e em Portugal por despacho do Minis-tro da Administração Interna. O tema definido para este ano “O cidadão: primeiro agente de proteção civil”, enquadra-se nas iniciativas promo-vidas no âmbito do Ano Europeu dos Cidadãos.

A proteção civil é um sistema com múltiplos agentes, valências e instrumentos de atuação. Um

cida-dão consciente dos riscos e do contri-buto que pode dar para os evitar ou para atenuar as suas consequências é, por princípio, um agente ativo de proteção civil, desempenhando um papel fundamental no sistema. Por todo o país, ao longo do mês de março, os Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS) da ANPC, e os Serviços Municipais de Proteção Civil, desenvolvem inicia-tivas para públicos diferenciados, promovendo simulacros, exposições e jornadas de reflexão, destacando o papel ativo e comprometido que os cidadãos e as comunidades podem e devem ter na sua proteção e na segu-rança coletiva.

B R E V E S

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P.3 Número 60, março de 2013

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Campanha europeia alerta para

catástrofes silenciosas no mundo

A Comissão Europeia lançou uma campanha de sensibilização para ca-tástrofes humanitárias esquecidas em locais como o Tajiquistão, Equador e Vietname. De acordo com os promo-tores, 91% dos desastres que aconte-cem no mundo passam despercebidos ao mundo ocidental.

A campanha é uma iniciativa da Cruz Vermelha e do Departamento de Aju-da Humanitária e Proteção Civil Aju-da Comissão Europeia – ECHO.

Durante quatro semanas, nas tele-visões e salas de cinema de 11 países

europeus (Portugal, Espanha, Fran-ça, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Irlanda, Áustria, Hungria, Bulgária e Finlândia) será difundido um filme de 50 segundos no qual as vítimas são apresentadas em ambiente ocidental, invisíveis e inaudíveis aos membros de uma família que está prestes a ini-ciar uma refeição.

Serão também difundidos na Internet e na comunicação social vídeos com testemunhos de pessoas afetadas pela fome na África austral, pelas tempes-tades tropicais no Bangladesh, pelos terramotos no Tajiquistão ou pela fe-bre aftosa no Vietname.

"Apesar das catástrofes de pequena escala não chegarem aos nossos ecrãs, nem por isso são menos dolorosas para os milhões de pessoas afetadas ano após ano, que vêm destruídas as suas casas e os seus meios de subsistên-cia", sublinhou a comissária europeia responsável pela ajuda humanitária, Kristalina Georgieva.

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Q

uando em 1994 a guerra civil eclodiu no Ruanda, provocando mais de 2 milhões de deslocados, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados seguiu o procedimento definido, forneceu plásticos reforçados para a construção de abrigos, que seriam complementados com estruturas de madeira executadas pelas populações. Contudo, o grande número de abrigos necessários levou a um abate sistemático de árvores, à consequente desflores-tação, e a um problema ecológico de elevadas proporções. A primeira tentativa de minorar o problema foi o forneci-mento de estruturas de alumínio, mas os refugiados, face ao preço atingido pelos metais no mercado negro, optavam pela sua venda, e prosseguiam com o abate de árvores. Shigeru Ban, arquiteto japonês, contacta a ONU propon-do uma solução que passaria pela utilização de estrutu-ras em tubo de cartão. Esta solução permitiria resolver vários problemas, desde a questão da redução do impacto ambiental da desflorestação, até à diminuição dos custos gerais, pela economia do próprio material e pela redução de custos de transporte, pois é um material que pode ser produzido localmente. O arquiteto foi contratado como consultor da ONU para desenvolver um grupo de solu-ções em diversos materiais (cartão, plástico, e bambú) que deveria ser testado em termos de custo, durabilidade e resistência ao ataque de térmitas, culminando, com a construção no campo de Byumba, em 1999, de um con-junto de 50 abrigos com a estrutura em tubos de cartão. As pesquisas e projetos que vinha desenvolvendo desde a década de 80 sobre a utilização dos tubos de cartão na construção deram-lhe a credibilidade para que a proposta fosse considerada.

Qual foi o papel do arquiteto neste processo? Numa

pri-meira fase, uma correta avaliação do problema, nas suas diversas vertentes e implicações, um entendimento da situação específica local; numa segunda fase, e mais importante, uma pesquisa de soluções que conseguis-sem, com mínimos recursos, maximizar benefícios, es-tudando um dimensionamento espacial e um sistema construtivo que reduzisse a produção de desperdícios. Importante também o facto de não pretender alterar completamente todo o sistema já implementado, partin-do partin-do zero, mas sim tirar partipartin-do partin-do que já estava em ação, a distribuição dos plásticos reforçados, com 4m x 5m, e adequando a proposta a essas condicionantes.

O contributo, ou mais-valia, da inclusão de um arquite-to num processo deste tipo pode nem se colocar pela qua-lificação arquitetónica das soluções, mas a outros níveis, desde o seu método habitual de trabalho, que se baseia num processo interativo de aquisição de informações, análise e procura de soluções, à estrutura do seu pensa-mento, criativo ou matricial como o define Roger la Salle, A arquitetura em cenários pós-catástrofe é

vulgarmen-te designada por arquivulgarmen-tetura de emergência. Vale a pena questionar se é correta esta designação. Para além da difi-culdade habitual do arquiteto de adjetivar a arquitectura, reduzindo-lhe o âmbito, há questões que devem ser colo-cadas pelos sentidos diversos que a palavra “emergência” assume; por um lado, de algo que emerge, se torna visível, e por outro, de algo que requer uma re(ação) imediata e ur-gente. A ação do arquiteto nestes cenários raramente se in-sere em qualquer um dos dois sentidos, são ações de visibi-lidade reduzida e requerem tempo de conceção e execução.

© Tia go P eti ng a / Lu sa © BCMF

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P.5 Número 60, março de 2013

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que lhe permite não ficar preso a soluções convencionais, e fazer a transposição de ideias entre contextos distintos. Contudo, essa pesquisa de soluções inovadoras deve ali-cerçar-se num entendimento preciso das condicionantes reais. Se propostas utópicas podem, noutros contextos, ser um motor de desenvolvimento, em cenários pós-catástrofe correspondem a um desperdício desnecessário de esforços e recursos. Esse equilíbrio é difícil de encontrar, não são muitas as propostas verdadeiramente adequadas e inova-doras, por isso o trabalho que Shigeru Ban vem desenvol-vendo desde 1995 se tornou uma referência internacional.

Do caso narrado percebe-se que o papel do arquite-to em situações pós-catástrofe distancia-se, por exem-plo, da atuação do pessoal médico. Embora impor-tante, a arquitetura não está na primeira linha das necessidades de sobrevivência, e o estudo de soluções adaptadas ao contexto requer um período de análise, con-ceção e de execução que ultrapassa o imediatismo asso-ciado à emergência. Mas se a urgência está na assistência médica, alimentação e fornecimento de água, existe toda a vantagem em que o arquiteto chegue ao local pouco tem-po após a catástrofe. Para avaliação de condições efetivas, condicionantes que se colocam, e para o estabelecimento de contactos com as pessoas no terreno. Como refere Ban, mais importante do que responder a um pedido genérico pode ser perceber, por uma análise própria da situação, o que faz fal-ta, ou onde a atuação do arquiteto pode efetivamente fazer a diferença. Depois o trabalho poderá ser desenvolvido à dis-tância, com o apoio das pessoas no terreno, e ao longo de um tempo mais longo, dependendo do tipo de catástrofe, ação a desenvolver, e das organizações envolvidas. Em cená-rios pós-catástrofe há uma resposta oficial, dos governos,

das autoridades civis, das Nações Unidas, e paralelamen-te exisparalelamen-tem ações desenvolvidas por ONG e por grupos de cidadãos, assentando fundamentalmente, estes últimos, em trabalho voluntário. De salientar a importância desse trabalho voluntário, não apenas pelo que significa ao nível da diminuição de custos, e rapidez de resposta, mas tam-bém pela independência e maior fidelidade a objetivos que o mesmo pode garantir.

A Arquitectura de Emergência, designação que resulta de uma tradução directa do Emergency Architecture de Ian Davis, caracteriza-se, de uma forma genérica pela efemeri-dade das construções, rapidez de montagem e possibilida-de possibilida-de possibilida-desmontagem, baixa tecnologia, funcionamento em áreas mínimas, garantindo apenas as condições elementa-res de habitabilidade.

Contudo as Nações Unidas preferem usar o termo “Abri-go” que abrange com mais facilidade os diversos tipos de ações que podem ser implementados após uma emergên-cia, desde o realojamento disperso em casa de familiares, realojamento concentrado em infraestruturas públicas, como ginásios e escolas, até à montagem de tendas ou construção de diversos tipos de abrigos em campos espon-tâneos ou planeados. Estas respostas imediatas, apesar de geralmente não serem consideradas arquitetura, podem ser campo de ação para o arquiteto.

Por exemplo, o realojamento concentrado de pessoas em grandes espaços levanta problemas de privacidade, que embora não sejam questões graves de sobrevivência, se resolvidos podem minorar o incómodo de quem se vai encontrar naquela situação por um período largo de tempo.

No pós-tsunami de 2011, no Japão, Shigeru Ban desenvolve um sistema de divisórias, de baixo custo e fácil implemen-tação, retomando estudos seus de 2004 (sismo de Niigata). Consiste numa estrutura de tubos de cartão, que organi-za o grande espaço de alojamento em pequenas células, e onde se colocam umas cortinas que podem ser encerradas garantindo um nível mínimo de privacidade.

Mas será que o sentido de atuação dos arquitetos em situ-ação de emergência pode ser alargado a mais cenários do

© Tia go P eti ng a / Lu sa © M .M ar qu es

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© Ana Livramento

© R. Santos que apenas o “pós-catástrofe”? A situações em que existe

uma urgência de atuação apesar de não existir uma emer-gência efetiva? Situações de precaridade das construções, degradação do habitat, risco de perda de valores culturais patrimoniais, falta de recurso das populações?

Se analisarmos a atuação das Associações de Arquite-tos de apoio voluntário, com ou sem estatuto de ONG, a maior parte da intervenção não se processa em cenários pós-catástrofe mas no apoio às populações em situação de precariedade, em projetos de dimensão social, que podem ter ou não uma componente construtiva e territorial.

A título de exemplo, no portfólio da Architecture Sans Frontières International (agrega atualmente 25 congéne-res de todo o mundo) dos 70 projetos incluídos, apenas 2 correspondem efetivamente a projetos de intervenção em situação pós-catástrofe; intervenções pós-Tsunami (Jaff-na, Sri-Lanka), correspondendo a infraestruturas de apoio a cuidados de saúde, elaborados pelos ASF-Portugal, sob solicitação dos Médicos do Mundo Portugal. Os restantes projetos inserem-se em ações que quase se poderiam desig-nar por preventivas, como o ensidesig-nar a garantir resistência sísmica às construções tradicionais, ou reabilitar e recons-truir construções degradadas ou em iminente ruína.

A degradação dos edifícios a que se assiste, por exemplo nos centros históricos portugueses, para além das questões de destruição de elementos de valor patrimonial, implicam também a diminuição das condições de habitabilidade de estratos da população que não dispõem dos meios (econó-micos, mas muitas vezes também sociais e culturais) para lhe fazer face. Não será também esta uma situação que urge resolver? Que papel pode ter o arquiteto, afastando-se dos circuitos comerciais habituais, para minorar estes pro-blemas? Que formas simples podem ser encontradas para, com investimento reduzido, melhorar significativamente as condições de quem lá habita?

Neste âmbito vale a pena mencionar alguns programas em que os ASF-Portugal se envolveram. O REPARAR, que vai na sua segunda edição, é uma iniciativa conjunta da Santa Casa da Misericórdia/ASF-P, e tem como objetivo melhorar as condições habitacionais de um conjunto de pessoas idosas na cidade de Lisboa. O trabalho dos arqui-tetos é de diagnóstico de situações, definição de reparações e prioridades de atuação, e contabilização das quantida-des de trabalho, custo e mão de obra voluntária. O GIRO (parceria ASF-P/GRACE), em 2011, destinava-se à repa-ração de 10 equipamentos sociais, o papel dos arquitetos foi igualmente de diagnóstico e projeto de reparação. No processo de candidatura da Cultura Avieira a Patrimó-nio Nacional (liderado pelo I.P. Santarém), o trabalho dos ASF-P é de caracterização das edificações e estabeleci-mento de um manual de boas práticas para a conservação e beneficiação dessas construções, que se encontram em risco de desaparecimento. A atuação dos arquitetos em situações de condição extrema, cenários pós-catástrofe, mas também em zonas carenciadas, degradadas, clandes-tinas ou em processo de abandono, é importante, mas nun-ca pode ser feita de forma isolada, e esse é o ensinamento maior que a experiência da arquitetura com preocupações humanitárias nos têm trazido.

Clara Pimenta do Vale

Professora Auxiliar na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto

Investigadora no Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo

Membro dos Arquitetos sem Fronteiras Portugal [email protected] © M .M ar qu es

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© Architect 203

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D I V U L G A Ç Ã O

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s Arquitetos Sem Fronteiras definem-se como asso-ciação independente, sem fins lucrativos e de apoio voluntário, que visa prestar assistência a todas as vítimas de catástrofes naturais, acidentes coletivos, conflitos mili-tares e condições desfavoráveis em todos os domínios rela-tivos à construção, urbanismo e ambiente, sem qualquer discriminação relacionada com etnia, opinião política ou religiosa.

Fundada em 1979 por Pierre Allard, em Paris, na sequência de missão conjunta no Chade com Bernard Kouchner e a or-ganização Médicos Sem Fronteiras, a associação conta com 30 organismos locais em todo o mundo, reunidas na rede Architecture sans Frontières International.

Com um longo histórico de projetos e intervenções em todo o mundo (Quénia, Gana, Burkina Faso, Austrália, Guate-mala, Congo, Sri Lanka, Reino Unido, Tanzânia, África do Sul, Costa do Marfim, Espanha, Japão, Brasil, Argentina, Mali, Camboja, Colômbia, Marrocos, Palestina, Vietnam, Etiópia, Papua Nova Guiné) a associação tem em curso, presentemente, ações e projetos no Haiti, Benim, União Europeia e Índia.

Os seus objetivos são simultaneamente a intervenção no habitat através da capacitação tecnológica e da coopera-ção para o desenvolvimento com as populações ou co-munidades em causa – sempre a partir de apelos diretos destas ou dos seus representantes – através de projetos sociais que podem ter ou não uma componente territorial e construtiva direta e a divulgação de um entendimento alargado da arquitetura, não como um fim em si mesma, mas como uma atividade que incorpora razões e preocupa-ções sociais, sobretudo em áreas atualmente não cobertas pela oferta profissional corrente.

Em Portugal, entre outros, a associação par-ticipou no projeto de candidatura da Cultu-ra AvieiCultu-ra a património nacional, tendo estado presente em Jaffna, no Sri–Lanka, numa intervenção con-junta, pós-Tsunami, com os Médicos do Mundo Portugal.

Mais informações em www.asfp.pt.

T E M A

Criada em 2000, a Arquitetos sem Fronteiras-Portugal procura reunir arquitetos e outros profissionais que queiram dar assistência voluntária nos campos do planeamento e do projeto arquitetónico da edificação, do urbanismo, do ordena-mento do território e do meio ambiente a povoações de zonas deprimidas, por condições naturais ou económicas desfa-vorecidas.

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2 de março, Ferreira do Zêzere

5ª CONFERÊNCIA ANUAL DE PRO-TEÇÃO CIVIL

Integrado na programação “Março – mês da proteção civil em Ferreira do Zêzere” e promovida pelo respe-tivo município, vai ter lugar a 2 de Março, no Centro Cultural de Ferrei-ra do Zêzere, a conferência “OutFerrei-ras abordagens de proteção civil”, onde serão debatidos vários aspetos no âmbito desta temática, como a segu-rança contra incêndios, a educação para a segurança e o risco; será ainda abordado o problema do nemátodo da madeira do pinheiro.

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A G E N D A

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8 de março, Lisboa CONFERÊNCIA “SEGURANÇA EM MEIO URBANO”

Promovida pelo Instituto do Terri-tório/Rede Portuguesa para o Desen-volvimento do Território e pelo MAI o encontro tem lugar no Auditório do LNEC e conta com a presença do Se-cretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D'Ávila.

A entrada é livre, mediante inscrição prévia através do e-mail: [email protected]

12 a 13 março, Gabala, Azerbaijão

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL “PROTEÇÃO CIVIL E PREPARA-ÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL PARA A PREVENÇÃO DO RISCO DE CATÁS-TROFE”

O encontro, organizado pelo Minis-tério das Situações de Emergência da República do Azerbaijão, em cola-boração com a Organização Interna-cional de Proteção Civil (ICDO), tem como temas principais: o papel das agências na preparação da popula-ção em matérias de protepopula-ção civil, a prevenção de impactos de catástrofes naturais e tecnológicas, a gestão de risco, o apoio de vida para as popula-ções e a gestão de ajuda humanitária em emergências de larga escala. Programação e inscrição em: w w w.icdo.org

23 de março, Guimarães

WORKSHOP DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA

No âmbito da celebração do seu 136º aniversário, os Bombeiros Volun-tários de Guimarães realizam este workshop gratuito, destinado à po-pulação em geral.

7 de abril, Sobral de Monte Agraço

SEMINÁRIO "EMERGÊNCIAS PEDIÁTRICAS"

Os Bombeiros Voluntários de So-bral de Monte Agraço organizam o seminário "Emergências Pediátricas". Este evento, que terá lugar no cine-teatro daquele concelho, irá abordar temas como "emergências obstétricas e estabilização do recém-nascido", "abordagem pré-hospitalar à criança" e "trauma em pediatria/estabiliza-ção", entre outros.

Mais informações em: [email protected]

13 e 14 de março, Bruxelas, Bélgica

REUNIÃO DO COMITÉ DE PROTE-ÇÃO CIVIL DA COMISSÃO EURO-PEIA

Este Comité tem como principal função a emissão de pareceres sobre os projetos que a Comissão tenciona adotar.

Referências

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