Unidade 3 - Caracterização dos
sistemas e escolha dos modelos
Jean P. G. Minella
SOL 855 – Modelagem de Processos em Solos PPGCS - UFSM
Design Hydrology and Sedimentology for Small Catchments (Haan et al.) Modelos Hidrológicos (C. E. M. Tucci)
Soil Hydrology (M. Kutilek e D. R. Nielsen)
Enviromental Physics of Soil, Water and Watershed (C. Rose)
Qual é o problema? Quais são os objetivos? Qual é o universo em questão? Quais são os fenômenos e as variáveis
envolvidas?
Como definir o sistema a ser compreendido e/ou descrito?
Quais ferramentas que podem auxiliar?
Terminologia
A modelagem matemática é baseada em
componentes importantes que devem
ser representadas por uma terminologia
adequada:
-Sistema -Subsistema
-Modelo -Fenômeno
-Variável -Parâmetro
Sistema:
estrutura, esquema ou
procedimento que num dado tempo
interrelaciona-se com uma entrada,
causa ou estímulo de energia ou
informação, e uma saída, efeito ou
resposta de energia ou informação.
Ex: poro, volume de solo, parcela
experimental, encosta, rio, bacia hidrográfica.
Sub-sistema:
uma subdivisão do sistema
com características mais homogêneas.
Ex: horizontes de solo, unidades
taxonômicas, áreas de lavoura, estradas, rede
de drenagem.
Área urbana
Lavoura
Banhado
Limite da bacia hidrográfica Rede de drenagem
Ilustração dos ambientes (subsistemas) de uma bacia hidrográfica.
Num perfil de solo (sistema), os diferentes horizontes são os sub-sistemas em questão.
Modelo:
é a representação do
comportamento do sistema, seja por um
protótipo, representação numa outra
escala ou por um conjunto de equações.
Ex: físicos, analógicos e matemáticos.
Representação da realidade de uma forma simples A realidade é muito complexa
Parte da complexidade é irrelevante
Representação de algum fenômeno, objeto ou sistema. Entender e buscar respostas a diferentes entradas.
Objeto Real Modelo = f(x) Medidas de entrada Medidas de saída Medidas de saída do modelo + -obs calc x Ppt Et [Bb] Ppt Et [Bb] erro
Exemplo de modelo físico:
Movimento de solutos e água em perfil do solo
Exemplo de modelo físico:
Redistribuição e transferência de sedimentos em vertentes e canais University of Exeter Department of Geography
Exemplo de modelo matemático
Exemplo de modelo matemático
Tank model:
Fenômeno:
é um processo
físico, químico ou biológico que produz
alteração no estado do sistema.
Ex:
intemperismo, erosão, precipitação, adição
de matéria orgânica, infiltração, adubação.
Fontes Depósitos Desagregação Transporte Deposição Voçoroca Erosão Fluvial Erosão Entressulco
e em Sulco Erosão em Canal
Variável:
é um valor que descreve
quantitativamente um fenômeno
variando no tempo e/ou no espaço.
Ex: condutividade hidráulica saturada,
umidade, concentração de um composto,
precipitação, fluxo de água, temperatura,
vazão.
Parâmetro:
é um valor que caracteriza o
sistema, os parâmetros também podem
variar no tempo e no espaço.
Ex: textura, profundidade do solo,
porosidade, matéria orgânica.
Parâmetros físicos: mensuráveis (área de uma bacia) Parâmetros de processo: não mensuráveis de uma forma direta
Exemplo de parâmetro
Q I dt dS Equação da continuidadeS .K Q Relação entre volume e saída
Derivando a segunda equação e substituindo na primeira, resulta a equação diferencial do modelo
I Q dt dQ
K
Onde K é o parâmetro, Q a variável dependente e de saída e I a variável de entrada
Caracterização do sistema
O sucesso de um trabalho de modelagem dependeráfundamentalmente da:
(1) Definição do problema a ser resolvido (2) Caracterização do sistema
(3) Caracterização das escalas temporal e espacial (4) Disponibilidade de dados
(5) Escolha do modelo - conjunto de equações - processo de cálculo - apresentação dos resultados - ...
A escolha do melhor modelo depende: (1) Problema a ser resolvido
• O problema não deveria ser redefinido para se ajustar ao modelo
• Definir as características do sistema e dos fluxos • Avaliar os custos da decisão
Hidrologia Transporte de químicos e sedimentos Rios Biodiversidade e ecossistema Impactos no ecossistema e na sustentabilidade Entendimento e melhor manejo dos
recursos naturais Uso e manejo do solo Geomorfologia Clima Resposta da bacia
Como é que meu sistema funciona e o que pretendo analisar?
Área urbana
Lavoura
Banhado
Limite da bacia hidrográfica Rede de drenagem
Quais os subsistemas que desejo incluir?
Parcela e vertente
Microbacia
Grandes bacias
Microparcela
Quais os processos que desejo similar e que dados tenho para verificar o resultado do modelo?
•Propagação dos escoamentos superficiais e subsuperficiais
•Geração e propagação de nutrientes e pesticidas
•Erosão em sulco, canal, voçoroca e fluvial
•Deposição
•Infiltração
•Armazenamento de água no solo
•Transferência de contaminantes no perfil
•Erosão Entressulco
•Formação do escoamento superficial
•Escoamento lateral
•Variabilidade espacial da umidade numa encosta
•Evapotranspiração
•Erosão entressulco e em sulco
Quais os processos que desejo similar e que dados tenho para verificar o resultado do modelo?
A análise dos fluxos de matéria e energia é fortemente dependente da escala de interesse:
perfil de solo, encosta (vertente) e bacia hidrográfica
Escala espacial
Escala temporal
Qual a importância de escolher a escala de tempo?
Qual a relação disto com a escala espacial? Qual a relação com a disponibilidade de
dados? • Simulação de eventos • Simulação contínua www.meted.ucar.edu
Modelos:
Concentrado,
Semi-distribuído,
Distribuído
www.meted.ucar.edu
Modelos de simulação contínua
Modelos são usados para descrever a resposta de um sistema (bacia, encosta, perfil de solo) a sobre longos períodos de tempo.É necessário a contínua entrada de dados de precipitação e frequentemente dos dados de temperatura e radiação.
É necessário representar a interação do
conteúdo de água no solo, demanda
evaporativa, e o estágio de crescimento das plantas.
Simulação contínua em bacia hidrográfica
Modelos de simulação de eventos
Modelos são usados para descrever a resposta de um sistema (bacia, encosta, perfil de solo) a um simples evento hidrológico ou precipitação. Os componentes do modelo precisam tratar das características da precipitação, abstrações da precipitação, infiltração, fluxo de água no solo, propagação escoamento superficial e sub-superficial e propagação no canal.Simulação evento em bacia hidrográfica
P ET A Qs Qss Amax D At=At-1+P∆t-ET∆t–(Qs+Qss+D)
Caracterização dos sistemas para a
modelagem na escala de perfil do solo
Processos:• Fluxo de água, calor e gases • Fluxo de elementos químicos • Armazenamento de água (balanço) • Transformação de elementos químicos
Características principais
• Geometria
• Profundidade de horizontes • Discretização espacial
• Parâmetros hidráulicos do solo
• Condição inicial (umidade, temperatura) • Condição de contorno
• Discretização temporal
Caracterização dos sistemas para a
modelagem na escala de perfil do solo
i) O solo recobre um substrato permeável, em que o lençol freático geralmente existe e está numa profundidade >2m (Modelos de A-D), ii) O solo recobre um substrato permeável, mas o nível do lençol freático é
raso <2 m, tanto no solo como no substrato (Modelos de E-G), iii) Não existe um significativo lençol freático ou aqüífero mas geralmente
existe um substrato impermeável raso que impede o movimento vertical da água (Modelos de H-K).
Caracterização dos sistemas para a
modelagem de colunas (perfil) do solo
i) Solo c/ substrato permeável, lençol freático prof >2m (Modelos de A-D), ii) Solo c/ substrato permeável, lençol freático prof <2 m (Modelos de E-G),
iii) Solo c/ substrato pouco permeável ou impermeável raso (Modelos de H-K).
Características principais
• Geometria
• Parâmetros hidráulicos do solo • Discretização espacial e temporal • Condição inicial
• Condição de contorno
Caracterização dos sistemas para a
modelagem na escala de perfil do solo
Continuando...A descrição de nosso problema físico requer três tipos de equações:
1 – A Equação Diferencial Parcial (EDP) descrevendo o fenômeno físico do fluxo (água, calor ou soluto) no solo (p.ex., eq. Richards).
2 – As condições de contorno que descrevem a natureza física de nosso problema nos limites do sistema.
3 – As condições iniciais que descrevem o fenômeno físico no início do experimento.
Caracterização dos sistemas para a
modelagem em bacias hidrográficas
Processos:• Escoamento superficial • Erosão
• Produção de sedimentos
• Redistribuição e descarga de nutrientes e poluentes
• Balanço de carbono
Caracterização dos sistemas para a
modelagem em bacias hidrográficas
Características principais• Limites da bacia
• Modelo Numérico de Elevação • Uso do Solo
• Tipo de Solo e suas características • Rede de Drenagem, Estradas
Caracterização dos sistemas para a
modelagem em bacias hidrográficas
Características derivadas• Declividade
• Comprimento de rampa
• Profundidade e espessura dos horizontes de solo • Manejo do solo
• Cobertura vegetal, IAF • Aporte de insumos • Largura da drenagem
• Parâmetros físicos-hídricos, fertilidade
Caracterização dos sistemas nos modelos LISEM, SWAT e WEPP em bacias hidrográficas
Processos:
• Escoamento superficial • Erosão
• Produção de sedimentos
Caracterização dos sistemas nos modelos LISEM, SWAT, WEPP,
Informações básicas iniciais (mapas): • Área
• Localização do exutório
• Área de cobertura das estações climáticas • Modelo Numérico de Elevação
• Uso do solo • Tipo do solo
• Localização rede de drenagem • Localização estradas
Mapa do potencial de erosão dos solos do Rio da Prata - RS
• Como os dados distribuídos (parâmetros e variáveis) são utilizados pelo modelo para gerar o resultado desejável?
=
Estimativa da erosão Bruta
Rio Carreiro
Caracterização dos sistemas nos modelos LISEM, SWAT, WEPP,
Informações espacialmente distribuídas em função do tipo de solo ou uso do solo:
• Cobertura do solo (IAF, Cobertura do solo, altura da vegetação, ...) • Física do solo (n de Manning, rugosidade, crosta, estabilidade de
agregados, coesão, granulometria, ...)
• Infiltração (condutividade, umidade, tensão, profundidade do solo,...)
• Características do canal (largura, profundidade, forma, coesão, Manning, ...)
• Características das estradas (largura, condutividade, relevo, material, ...)
• Fontes de poluição difusa e pontual (localização, tamanho, concentração no solo e na solução, biodisponibilidade, reatividade, estabilidade
Parâmetros mais sensíveis nos Modelos Hidrossedimentológicos
• Ksat • n de Manning • Ѳ inicial • Coesão • Estabilidade de agregados • Granulometria
Como essas informações são (deveriam ser) espacializadas?
• Limitações e dificuldades
• Medidas de campo e de laboratório • Interpolação, extrapolação • Fontes “alternativas” de dados
• LISEM, WEPP = equações que regem processos específicos, como a infiltração e escoamento superficial.
• HYDRUS = equações que regem o fluxo de água no solo, como a equação de Richards.
• FINGERPRINTING = restrições para que as funções de otimização encontre resultados dentro de um intervalo previamente determinado, por exemplo, a
porcentagem de contribuição de uma fonte deve ser maior que 0% e menor que 100%.
Condições de contorno e inicial
• Distribuição espacial e temporal da Precipitaçãoe Evapotranspiração
• Estimativa da Evapotranspiração e Drenagem profunda
• Condutividade hidráulica saturada e não saturada K(ψm)
• Curva de retenção de água ψm(θ)
• Características conhecidas do sistema (pontos extremos do sistema, nos tempos inicial e final, pontos de monitoramento)