Lição 5 - Queda e Vitória Texto bíblico: Romanos 5.12-21
Alguns estudiosos se referem ao capítulo 3 do Livro do Gênesis, como o texto mais triste da Bíblia, porque nele está narrada a queda do homem. Satanás conseguiu induzir Adão e Eva para comerem do fruto que Deus determinou que nele não tocassem, na suposição de que eles teriam conhecimento igual ao de Deus. Nessa desobediência, Adão e Eva cometeram o primeiro pecado e, consequentemente, sofreram as consequências do seu pecado.
Mas é no mesmo capítulo 3 de Gênesis que Deus anuncia como aconteceria a vitória final sobre o pecado. A palavra ilustrativa de que viria alguém para esmagar a cabeça da serpente foi o primeiro anúncio da vinda de Jesus na plenitude dos tempos, que com o seu sacrifício na cruz do Calvário, iria esmagar a cabeça da serpente, que era uma representação de Satanás.
A queda do homem não seria a derrota dos planos de Deus através do homem criado, porque suas divinas providências determinariam a vitória final de Deus.
1. A Queda
1.1 – O pecado no mundo trouxe consigo a morte
Quando Adão e Eva pecaram, através deles, toda a raça humana se tornou pecadora. Davi exemplificou muito bem esta herança pecaminosa ao afirmar: “Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe “ (Sl 51.5). A consequência imediata da entrada do pecado no mundo foi a morte física. Certamente, se o homem não tivesse pecado também não teria experimentado a morte física.
Nos planos divinos, Adão e Eva seriam os progenitores de toda a raça humana. Eles transmitiriam para toda a raça humana tudo aquilo que constituíssem o seu interior. Quando pecaram, todo o ser humano igualmente tornou-se pecador, porque todos receberiam esta herança pecaminosa e, consequentemente, todos estavam sujeitos a experimentar a morte física.
A Lei foi dada a Moisés um tempo depois do episódio de Adão e Eva. Du-rante esse período, entre Adão e Eva até a Lei ser recebida por Moisés, todo o ser humano que nascia recebia a herança pecaminosa de seus respectivos pais, estando também sujeitos a experimentar a morte física. O pecado e suas consequências imediatas estavam presentes.
O pecado existia potencialmente na vida de toda a raça humana, porque se tornou herança natural de pessoa para pessoa, através dos pais para os seu filhos. A Lei veio tipificar os pecados: cada um deles recebeu um nome próprio, definiu-se a forma como era concebido no coração humano e como era praticado por cada pessoa e, por fim, as consequências que ele passaria a produzir. A partir do ensino ministrado pela Lei, todos passaram a ter noção daquilo que era contrário à santidade de Deus.
“...Quando não existe lei, Deus não leva em conta o pecado” (Rm 5.13). aA natureza pecaminosa que era herdada de pais para filhos não foi eliminada, mas o Deus justo não levava em conta aqueles atos praticados sem que a pessoa tivesse consciência do peso do pecado sobre essas atitudes. Essa real responsabilidade passou haverá existir no momento que a lei chegou ao conhecimento do ser humano. Portanto, houve um período de transição entre o primeiro pecado e a vinda da lei através se Moisés, com plena justiça de Deus sobre os atos humanos.
1.3 – Muitos morreram por causa do pecado de um homem
Não podemos determinar se Adão e Eva conseguiram perceber a responsabilidade e o privilégio que estavam sobre eles por serem, no projeto de Deus, os instrumentos que o Senhor usaria para dar início a toda a raça humana, de todos os lugares e de todos os tempos. Suas decisões teriam reflexo inicialmente sobre eles mesmos e, por extensão, sobre toda a humani-dade, a qual eles seriam o ponto inicial. Quando pecaram, sofreram ime-diatamente as consequências do seu pecado,mas quando passaram a viver na expectativa de que morreriam, essa dura experiência passou para todas as pessoas.
Não havia e não há pecado padrão. Eles são diferenciados por nós, hu-manos, mas todos têm como consequência a morte física e o afastamentode Deus. Tudo isso por causa do pecado de um só homem.
2. A Vitória
2.1 – A graça de Deus é maior: salva gratuitamente a todos.
“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57). Deus disponibiliza para todos os que creem a possibilidade de uma vida de vitória, incluindo a vitória final sobre o pecado. Os méritos de Jesus Cristo são totalmente suficientes para nos proporcionar uma vida de vitórias.
A graça de Deus vai muito além daquilo que imaginamos. Muitas vezes colocamos os nossos valores humanos para tentar dimensionar como Deus pode alcançar uma pessoa. Mas os nossos valores são totalmente inúteis para que Deus possa estender a sua graça misericordiosa sobre cada um de nós.
O plano divino é alcançar a todos os que creem com a bênção da salvação. A Bíblia é clara quando afirma que Deus não tem prazer na morte do ímpio, ele não quer que ninguém deixe este mundo sem Cristo e sem salvação. Ele salva a todos de forma gratuita. Não há graduação de salvação. Não existe o mais salvo ou o menos salvo, mais pecador ou menos pecador. Para Deus, todos nós estamos no mesmo nível e por isso Ele pode nos perdoar gratuitamente, porque Jesus já pagou na cruz do Calvário o único preço aceitável pela justiça divina.
2.2 – Deus perdoa os pecados, mesmo sem merecimento do perdão Pode ser usual ainda para algumas pessoas a postura farisaica: “...não sou como os demais homens” (Lc 18.11). Pensar desta maneira é admitir er-roneamente que merece tratamento diferenciado de Deus para a sua vida. Conheci um professor em uma cidade do interior de São Paulo que afirmava que não era pecador. Suas virtudes, segundo ele, não poderia incluí-lo na listagem dos pecadores. Quando o visitei e o convidei a examinar o texto de Romanos 3.23, observando gramaticalmente cada palavra, ele se sentiu desconfortável com a palavra “todos”, ligada ao pecado.
Deus não pode perdoar uma pessoa se ela não tiver a humildade de tam-bém se incluir como um pecador. Para ser perdoado, pressupõe-se o senti-mento de total incapacidade de produzir, por razões próprias, as condições de perdão.
Nenhuma pessoa, em qualquer tempo e em qualquer lugar, merece o per-dão de Deus. Podemos ser alcançados por sua grandiosa misericórdia, que
não trabalha por aquilo que somos ou por aquilo que poderemos ser. Somos abençoados pelo seu perdão em função do seu incomparável amor, que nos perdoa e coloca as nossas faltas no seu esquecimento, porque o sangue de Jesus foi totalmente suficiente para nos garantir o perdão, mesmo que não merecêssemos.
2.3 – Um só ato de salvação liberta todos que creem
A salvação é um só ato. Ela não acontece por etapa. Este momento não tem a participação humana. Durante muito tempo, no passado e no presente, grupos religiosos se propõem inutilmente a sugerir caminhos que conduzam à salvação e a certeza de um lugar no céu. Mas nada atende ao requisito da justiça divina.
Deus já havia planejado que a salvação iria acontecer para os que cressem através do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Sacrifício todo suficiente, porque Jesus, que não tinha pecados, levou sobre si o pecado de todos nós. Quando Jesus proferiu na cruz a expressão “tudo está consumado”, significou que tudo estava pronto para todos aqueles que cressem que aquele sacrifício era em seu lugar.
Para Deus, não há diferença ou graus de pecados. A libertação dos pecados, a certeza de que não há mais culpa dos pecados, o sacrifíco único de Jesus oferece para todos os que creem plena certeza de que estão no abrigo da promessa revelada nas palavras de Paulo: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
2.4 – Com a obediência de Jesus muitos podem ser aceitos por Deus Jesus ocupou o papel principal no projeto de salvação. Ele deixou a sua glória no céu e tomou a forma humana, para na plenitude dela realizar o plano salvador na cruz do Calvário. Paulo à Igreja de Filipos, assim escreveu sobre a obediência de Jesus: “...e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8).
O conceito de “muitos” alcança um quantitativo que não podemos designá-lo por uma expressão numérica, como bem exemplifica a visão de João sobre os salvos no céu: “... eis, aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar...” (Ap 7.9a). “Muitos” também significa o alcance da obediência de Jesus para todos aqueles que nele creem. Todas as pessoas que decidiram experimentar a graça salvadora em Cristo estarão no abrigo da obediência de Jesus, que
deixou-se experimentar todos os passos necessários para alcançar a todos nós.
Para pensar e agir
- A morte física é consequência do homem ter pecado. O que aconteceria se o homem não tivesse pecado?
- O pecado se tornou herança natural de pais para filhos. - A salvação é gratuita e exclui os esforços humanos.
- O perdão de Deus nos alcança pelo seu incomparável amor. - Não há diferença ou graus de pecado.
- Quanto mais pecado, mais se efetiva o aumento da graça de Deus. Leitura Bíblica Diária
Segunda-feira: Gênesis 3.6; 1Coríntios 15.21 Terça-feira: Isaías 53.1; Mateus 20.28
Quarta-feira: João 12.32; Hebreus 2.9 Quinta-feira: João 15.22; Gálatas 3.19,23 Sexta-feira: Lucas 7.47
Sábado: 1Timóteo 1.14 Domingo: Mateus 26.28