UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE, UNICENTRO-PR
EFEITO DO ESTÁDIO DE MATURAÇÃO NA
QUALIDADE DE SILAGENS DE MILHO NA
RESPOSTA ECONÔMICA DE NOVILHOS
CONFINADOS
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
MARCOS ROGÉRIO OLIVEIRA
GUARAPUAVA-PR 2010
MARCOS ROGÉRIO OLIVEIRA
EFEITO DO ESTÁDIO DE MATURAÇÃO NA QUALIDADE DA SILAGEM DE MILHO NA RESPOSTA ECONÔMICA DE NOVILHOS CONFINADOS
Dissertação apresentada à Universidade
Estadual do Centro-Oeste, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em agronomia, área de concentração em produção vegetal, para a obtenção do título de Mestre.
Prof. Dr. Mikael Neumann Orientador
Prof. Dr. Marcos Ventura Faria Co-orientador
GUARAPUAVA-PR 2010
MARCOS ROGÉRIO OLIVEIRA
EFEITO DO ESTÁDIO DE MATURAÇÃO NA QUALIDADE DA SILAGEM DE MILHO NA RESPOSTA ECONÔMICA DE NOVILHOS CONFINADOS
Dissertação apresentada à Universidade
Estadual do Centro-Oeste, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em agronomia, área de concentração em produção vegetal, para a obtenção do título de Mestre.
Aprovado em 25 de fevereiro de 2010
Prof. Dr. Clóves Cabreira Jobim – UEM
Prof. Dr. Marcos Ventura Faria – UNICENTRO
Prof. Dr. Marcelo Cruz Mendes – UNICENTRO
Prof. Dr. Mikael Neumann Orientador
GUARAPUAVA-PR 2010
A minha esposa Lázara e filha Maria
AGRADECIMENTOS
A Deus, senhor, por ter me proporcionado realizar o mestrado.
À Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO, à Unidade de Pesquisa de Bovinos de Corte.
À CAPES pela concessão da bolsa de estudos.
Ao professor Mikael Neumann, pela orientação durante a minha formação. Ao professor Marcos Ventura Faria, pela co-orientação.
Aos professores do departamento Agronomia, pelos ensinamentos. Aos amigos e colegas do Mestrado, pela amizade.
Aos estagiários da Unidade de Pesquisa de Bovinos de Corte, Diego (amarelo), Paulo, Robson (japonês), Jardel, Alexandre (dino), Evandro (alemão), Fabiano (garfo), João (pinhão), Ivan e Wagner (bituruna), pela amizade e auxílio na execução dos trabalhos.
Aos funcionários do Campus - CEDETEG, pela amizade e ajuda. As minhas irmãs Eliane e Lana, pela confiança.
Aos meus pais Joaquim e Therezinha, pela confiança e grande incentivo. A Dozolina, pelos incentivos na minha formação profissional.
A minha esposa Lázara e filha Maria, pelo amor, confiança, incentivo e paciência.
SUMÁRIO RESUMO ... viii ABSTRACT ... ix 1. INTRODUÇÃO GERAL ... 1 2. JUSTIFICATIVA ... 2 3. OBJETIVO ... 2 4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 2
4.1. Componentes morfológicos e estruturais da silagem de planta de milho... 2
4.2. Estádio de maturação para ensilagem ... 4
4.3. Processo de ensilagem ... 6
4.4. Qualidade da silagem de milho ... 8
4.5. A importância dos níveis de concentrado no desempenho de novilhos de corte confinados com silagem de milho ... 9
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 11
CAPÍTULO 1. COMPOSIÇÃO MORFOLÓGICA, ESTRUTURAL E NUTRICIONAL DE PLANTAS E SILAGENS DE MILHO (ZEA MAYS L.) EM DIFERENTES ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO ... 20
RESUMO ... 20 ABSTRACT ... 20 5.1. INTRODUÇÃO ... 21 5.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 22 5.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 24 5.4. CONCLUSÕES ... 32 5.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 33
CAPÍTULO 2. AVALIAÇÃO DAS PERDAS NO PROCESSO DE ENSILAGEM DO MILHO (ZEA MAYS L.) EM DIFERENTES ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO ... 38
RESUMO ... 38 ABSTRACT ... 38 6.1. INTRODUÇÃO ... 39 6.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 40 6.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 44 6.4. CONCLUSÕES ... 49 6.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 49
CAPÍTULO 3. DESEMPENHO DE BOVINOS ALIMENTADOS COM SILAGENS DE MILHO ORIUNDAS DE DOIS ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO ASSOCIADAS A DOIS NÍVEIS DE CONCENTRADOS A DIETA ... 53
RESUMO ... 53 ABSTRACT ... 53 7.1. INTRODUÇÃO ... 54 7.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 56 7.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 60 7.4. CONCLUSÕES ... 67 7.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 68
CAPÍTULO 4. COMPORTAMENTO DE NOVILHOS CONFINADOS COM SILAGENS DE MILHO ORIUNDAS DE DIFERENTES ESTÁDIOS DE
MATURAÇÃO E NIÍVEIS DE CONCENTRADO NA DIETA ... 75
RESUMO ... 75 ABSTRACT ... 75 8.1. INTRODUÇÃO ... 76 8.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 77 8.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 81 8.4. CONCLUSÕES ... 89 8.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 89
CAPÍTULO 5. CARACTERÍSTICAS DA CARNE, CARCAÇA E COMPONENTES DE DETERMINAÇÃO DOR RENDIMENTO DE CARCAÇAS DOS NOVILHOS TERMINADOS EM CONFINAMENTO COM SILAGEM DE MILHO ORIUNDAS DE DIFERENTES ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO E NÍVEIS DE CONCENTRADOS NA DIETA ... 92 RESUMO ... 92 ABSTRACT ... 92 9.1. INTRODUÇÃO ... 93 9.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 95 9.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 97 9.4. CONCLUSÕES ... 102 9.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 102
CAPÍTULO 6. RESPOSTA ECONÔMICA NA TERMINAÇÃO DE NOVILHOS CONFINADOS, COM SILAGENS DE MILHO COM DIFERENTES ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO ASSOCIADOS A DOIS NÍVEIS DE CONCENTRADO NA DIETA ... 107 RESUMO ... 107 ABSTRACT ... 107 10.1. INTRODUÇÃO ... 108 10.2. MATERIAL E MÉTODOS ... 110 10.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 114 10.4. CONCLUSÕES ... 120 10.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 120 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 125
RESUMO
OLIVEIRA, Marcos Rogério. Efeito do estádio de maturação na qualidade da silagem de milho na resposta econômica de novilhos confinados. Guarapuava: UNICENTRO, 2010. 125p. (Dissertação – Mestrado em Produção Vegetal)1, 2.
O experimento foi conduzido na Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO) com o objetivo de avaliar silagens de milho em diferentes estádios de maturação, da produção vegetal ao desempenho animal de novilhos confinados. Na produção vegetal, objetivou-se avaliar as características morfológicas, estruturais e nutricionais da planta de milho em diferentes estádios de maturação. O avanço do estádio de maturação proporcionou taxas crescentes, com secagem média diária de 0,4531% de matéria seca (MS) no conjunto brácteas mais sabugo, de 1,2835% de MS nos grãos e de 0,3953% de MS na planta. O estádio de maturação com 32,6% de MS proporcionou maior produção de produção de matéria verde (MV) (62.234 contra 50.565 kg/ha), de MS (20.288 contra 12.944 kg/ha), de grãos (8.329 contra 3.100 kg/ha), reduziu a fibra em detergente neutro (50,55 contra 55,08% na MS) e acresceu a densidade energética (3,067 contra 2,843 Mcal/kg de energia digestível), consequentemente, proporcionou menores custos de produção da MV (49,20 contra 59,03 R$/t de MV), da MS (150,93 contra 230,61 R$/t de MS) e dos nutrientes digestíveis totais (NDT) (217,63 contra 356,29 R$/t de NDT), frente à silagem com 25,6% de MS, respectivamente. No desempenho animal, objetivou-se avaliar 24 novilhos cruza charolês x nelore confinados, alimentados com dietas que incluíram a silagem de milho com dois estádios de maturação (25,6 contra 32,6% de MS) associados a dois níveis de inclusão de concentrado (40 contra 70%). A silagem de milho no estádio com 25,6% de MS determinou baixa eficiência biológica, independente do nível de concentrado. O acréscimo de 40 para 70% no nível de concentrado associado ao uso de silagem de milho no estádio com 32,6% de MS não causou variações no desempenho animal. A manipulação do estádio de maturação e nível de concentrado na dieta, não diferiu no rendimento de carcaça dos bovinos terminados em confinamento. A ensilagem no estádio com 32,6% de MS por proporcionar uma maior exploração do potencial produtivo de MV, MS e NDT/ha, que acarreta menores custos unitários de produção e maior qualidade do volumoso, para assegurar uma maior rentabilidade no sistema de bovinos de corte confinados.
Palavras-chave: estádio de maturação, qualidade da silagem, nível de concentrado
1 Orientador: Mikael Neumann 2 Co-orientador: Marcos Ventura Faria
ABSTRACT
OLIVEIRA, Marcos Rogério. Effect of maturation stage on corn silages quality on economic results of steers in feedlot condition. Guarapuava: UNICENTRO, 2010. 125p. (Dissertaion – Master in Crop Production)1,2.
This assay was carried out at State University of Center-West. The aim of this study was to evaluate the corn silages at different maturation stages, from the plant production to the animal performance of steers in feedlot condition. About the plant production, the objective was to evaluate the corn plant morphological, structural and nutritional characteristics at different maturation stages. The maturation stage advancement afforded increasing rates face the silage with 25,6% of DM, with respectively, average daily drying of 0,4531% of dry matter (DM) on bracts and cob, 1,2835% of DM on grains and 0,3953% of DM on the plant. The maturation stage with 32,6% of DM afforded higher green matter (GM) (62.234 vs. 50.565 kg/ha), DM (20.288 vs. 12.944 kg/ha) and grains (8.329 vs. 3.100 kg/ha) production, decreased the neutral detergent fiber (55,08 vs. 50,55% of DM) and increased the energetic density (2,843 vs. 3,067 Mcal/kg of digestible energy), consequently, lower production costs of GM (49,20 vs. 59,03 R$/t of GM), DM (150,93 vs. 230,61 R$/t of DM) and total digestible nutrients (TDN) (217,63 vs. 356,29 R$/t of TDN) were presented, if compared to the silage with 25,6% of DM respectively. For animal performance, the aim was to evaluate 24 steers crossbreeding Charolais x Nellore in feedlot, feed with diets including silage of corn at two different maturation stages (25,6 vs. 32,6% of DM) associated to two levels of concentrate inclusion (40 vs. 70%). The corn silage at 25,6% of DM stage determined lower biological efficiency, independent on the concentrate level. The increasing from 40 to 70% in concentrate level associated to the silage of corn at 32,6% of DM use didn’t cause any change for animal performance. The maturation stage manipulation and the concentrate level in the diet didn’t show any difference for the carcass yield of bovine finished in feedlot. Because the ensiling at 32,6% of DM stage affords better exploration of the productive potential of GM, DM and TDN/ha, it causes lower unit production costs and higher roughage quality, to guarantee a higher profitability for the feedlot beef cattle system.
Keywords:maturation stage, concentrate level, silage quality
1
Adviser: Mikael Neumann
1. INTRODUÇÃO GERAL
É fato reconhecido e amplamente difundido a importância da silagem de milho, promovendo alimento de qualidade para a terminação de bovinos de corte em sistemas de intensificação de carne. Porém, o estádio de maturação constitui-se o erro mais frequente observado no processo de ensilagem do milho (Lupatini e Nunes, 1999; Cruz et al., 2008). Tal fato indica que há deficiência na pesquisa e difusão de tecnologias que enfatizem desde as etapas de produção da silagem de milho até ao desempenho de novilhos confinados (Ferreira, 1990; Beleze et al., 2003).
A maior porcentagem de grãos na matéria seca (MS) da forragem de milho por muito tempo foi sinônimo de uma maior qualidade da silagem (Souza Filho, 2009). No entanto, Segundo Jobim et al. (2007) a qualidade da foragem é uma referência ao valor nutritivo da massa de forragem em interação com o consumo efetuado pelo animal e com o potencial de desempenho do animal. Dessa forma, possui efeito sobre o consumo e densidade energética, o que determinará a produtividade do animal.
A silagem de milho é um alimento particular, uma vez que é constituído por duas frações distintas: a fração de grãos e a fração forragem, compreendida pelo restante da planta (Silva, 1997). Dessa forma, o estádio de maturação para colheita do milho para silagem afeta tanto em quantidade, pelo acúmulo de MS, quanto em qualidade em decorrência das modificações nos constituintes da planta, no qual relaciona-se diretamente com os parâmetros agronômicos, qualidade nutricional e a resposta bioeconômica.
A recomendação do estádio de ensilagem ainda sofre contestações, mas sabe-se que a maturidade afeta a produção de MS e a participação dos constituintes e, consequentemente, alteram o valor nutritivo da planta de milho. Tal fato determina a obtenção de dados científicos e conclusões variadas a respeito da comparação entre híbridos, porém tal observação pode ser esclarecida quando se avalia a dinâmica do comportamento agronômico quantitativo da planta de milho em diferentes estádios de maturação (Neumann et al., 2003).
Nesse sentido, o estádio de maturação das plantas de milho para confecção de silagem é um fator importante na tomada de decisão, pois afeta diretamente a produção de forragem por área, a qualidade e o consumo de silagem obtida, determinando os níveis de produtividade a serem alcançados, consequentemente, os resultados econômicos em determinado sistema de produção animal (Caetano, 2001).
alimentação e o desempenho do animal (Allen et al., 1997). O estádio de maturação da planta de milho no momento da ensilagem pode alterar sobremaneira a qualidade da silagem, sendo que as diferenças na fração fibrosa, conteúdo de nutrientes, disponibilidade e eficiência de utilização pelos animais, se traduzem em diferenças nos parâmetros agronômicos, valor nutricional e rentabilidade de bovinos confinados.
Nesse contexto, vários trabalhos têm avaliado o desempenho animal em função das diferentes proporções de volumoso: concentrado nas dietas. Todavia, a maioria dos trabalhos não considera a qualidade do volumoso, sendo poucas as informações que enfatizam a importância do estádio de maturação na silagem de qualidade até a resposta animal.
2. JUSTIFICATIVA
Há carências de estudos, que enfatizem desde as etapas da produção da silagem de milho até a resposta econômica de novilhos confinados.
3. OBJETIVOS
O presente trabalho objetivou avaliar o efeito de diferentes estádios de maturação da cultura do milho, sobre a composição morfológica e estrutural da planta, valor nutricional, perdas fermentativas da silagem, desempenho animal e a análise econômica na terminação de novilhos confinados.
4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
4.1. Componentes morfológicos e estruturais da silagem de planta de milho
Existe no mercado um grande número de cultivares de milho que apresentam características distintas quanto à qualidade final da silagem, em virtude de fatores genotípicos, fenotípicos e estádio de maturação (Lupatini e Nunes, 1999; Dias, 2002; Souza Filho, 2009). Dessa forma, os componentes morfológicos e estruturais possuem diferentes contribuições, assim, possuem influência direta na qualidade da silagem de milho.
Quanto à composição dos constituintes da planta de milho, vários trabalhos foram desenvolvidos no sentido de identificar a possível influência destas na qualidade da planta (Thomas et al., 2001; Caetano, 2001; Vilela, 2006; Zopollatto, 2007). De fato,
os constituintes influenciam na silagem de milho, que é um alimento particular, uma vez que, é constituída por duas frações distintas: a fração grãos e a fração fibrosa, compreendida pelo colmo, folhas, brácteas e sabugo (Silva, 1997).
Pesquisadores consideram que a maior participação de grãos na silagem é de suma importância, assim, os melhores híbridos para grãos são recomendados para silagem. Segundo Paziani et al. (2009), no Brasil, não há cultivares de milho específicos para a produção de silagem. Dessa forma, os mesmos autores relataram que as frações folha e colmo se correlacionaram negativamente com a espiga e grãos, assim, opta-se pelos cultivares com maior produção de grãos à maturidade pela elevada correlação entre essas características.
Diante desta situação, alguns trabalhos relacionam a participação de grãos como fator fundamental, sendo que à medida que aumenta a participação de grãos, ocorre incremento na qualidade da silagem. Dessa maneira, a proporção de grãos tem sido enfatizada com critério para auxiliar na escolha de híbridos para silagem, por estar correlacionado com o potencial de produção de grãos e matéria seca (MS) total da planta (Nussio e Manzano, 1999).
Com o avanço tecnológico, ocorreu aumento na relação grão para a fração fibrosa nos modernos híbridos de milho. Segundo Lauer et al. (2001), o aumento da produção e qualidade da silagem de milho pode ser atribuída a um incremento na produção de grãos. No entanto, o aumento na produção de grãos na MS total para melhorar a qualidade da silagem é contestada, pois, não se confirma em muitos trabalhos (Lauer et al., 2001; Mendes et al., 2008; Souza Filho, 2009).
Ballard et al. (2001) e Filya (2004) avaliaram os teores da fibra em detergente neutro (FDN) da plantas colhidas com (27,8 e 33,7% da MS) e (28,2 e 35,8% da MS) e verificaram redução da FDN de (45,6 para 40,8%) e (52,3 para 48,4), respectivamente. Do mesmo modo, Souza Filho, (2009), observou redução da FDN com o avanço do estádio de maturação.
Por outro lado, Vilela (2006) observou que os teores da FDN aumentaram à medida que se avançou os estádios de maturidade das plantas de milho, com valores que variaram no estádio de sem linha de leite de 48,87% (27,55 a 30,36% MS) para 58,79% na camada negra (40,62 a 45,02,% MS). Para Zopollatto (2007), o avanço da maturação resultou em decréscimo do teor da FDN da planta até o 3˚ corte (19,5 a 24,4% MS), e posteriormente, os teores da FDN até o 8˚ corte (37,9 a 55,8% MS) permaneceram
os teores da FDN em porcentagens de MS variando de 25 a 40%.
Nesse aspecto, outras características agronômicas, além da porcentagem de grão na massa são importantes em programas de seleção de híbridos para silagem, sobretudo os demais constituintes da planta como: colmo, folhas, brácteas e sabugo; além da porcentagem de folhas verdes; porcentagem de folhas secas; altura da planta; altura da espiga; porcentagem de plantas acamadas e porcentagem de plantas mortas (Zopollatto, 2007).
Há carência de híbridos de milho desenvolvidos especificamente para a produção de silagem e com características edafoclimáticas as diferentes áreas de cultivo do Brasil. A maioria das cultivares de milho para produção de silagem são genótipos adaptados, principalmente devido a sua alta produtividade de grãos (Gomes, 2003), Em razão disso, sempre houve pouco interesse no desenvolvimento de híbridos específicos à ensilagem, que podem ser justificados conforme Neumann et al. (2003) pela participação inferior a 10% das sementes comercializadas anualmente, serem destinadas à produção de silagem e tal constatação, segundo mesmos autores, leva a necessidade de estudar os híbridos novos que são lançados no mercado para produção de grãos e avaliar o seu potencial para produção de silagem.
4.2. Estádio de maturação para ensilagem
O estádio de maturidade constitui-se o erro mais frequente observado no processo de ensilagem de milho (Lupatini e Nunes, 1999; Cruz et al., 2008). Tal fato indica diferentes recomendações de estádios de maturação, escolha de cultivares e práticas de ensilagem.
As recomendações presentes na literatura quanto ao conteúdo de MS são variáveis (Nussio e Manzano, 1999). O teor de MS do milho aumenta com a maturidade e a amplitude de variação nos teores de MS que indica a idade de corte em concordância com as características de cada híbrido (Johnson et al., 2002). Dessa forma, as recomendações de momento ideal para colheita sempre sugeriram estádios fisiológicos (farináceo a duro) mais avançados, onde fosse possível obter entre 30 e 35% de MS, incrementar o potencial produtivo e que os grãos acumulassem maior quantidade de amido (McCullough, 1968; Blaser, 1969; Bal et al., 1997).
Segundo Nussio (1992), quando se efetua o corte da planta com teores de MS superiores a 38%, há a possibilidade de algum resultado positivo quanto à produção de MS por área, entretanto, ocorre resistência da massa ensilada à compactação e exige
maior potência e menor velocidade do equipamento de colheita, além de maior rotina de afiação das facas para reduzir o tamanho de partícula.
Por outro lado, uma característica importante a ser observada na escolha de híbridos para ensilagem é a taxa de secagem diária. Quanto maior o tempo para ensilagem, ou seja, quanto menor a taxa de secagem da planta de milho, no período do florescimento à senescência, maior o grau de eficiência operacional na ensilagem devido melhor planejamento e organização das atividades de colheita e estocagem do material original e maior a possibilidade de ensilar no estádio adequado de maturação (Neumann, 2006).
A produção de forragem é consequência das disponibilidades do meio físico, temperatura e radiação, limitadas por fatores manejáveis, especialmente nutrientes e água. A remoção de parte dos insumos, como fertilizantes, reduz as potencialidades da cultura e seu retorno econômico. Nesse aspecto, as dificuldades de ensilagem associada a híbridos com elevada taxa de secagem e baixo uso de insumos agrícolas, alguns técnicos recomendam a ensilagem com teor de MS inferior a 30%, baseados na justificativa da digestibilidade da MS ser equivalente a observada em plantas colhidas em estádios de maturação avançada, facilidade no corte, compactação, maior fragmentação dos grãos e maior consumo pelos animais (Cruz et al., 2008).
O estádio de maturação das plantas de milho para confecção de silagem é um fator importante na tomada de decisão, pois afeta diretamente a produção de forragem por área, a qualidade e o consumo de silagem obtida, determinando os níveis de produtividade a serem alcançados, consequentemente, os resultados econômicos em determinado sistema de produção animal (Caetano, 2001).
A linha de leite do grão pode constituir-se num bom indicador do momento de ensilagem em condições ideais de cultivo. Sendo que, o estádio da linha do leite do grão e o teor de MS na planta são positivamente correlacionados (Sulc et al., 1996). Nesse sentido, segundo Ritchie et al. (2003) a quantidade de grão produzida pela planta de milho relaciona-se diretamente à taxa e ao período de tempo de acúmulo de MS. No entanto, os mesmos autores inferem que nas condições em que a cultura do milho é explorada no Brasil, com uma ampla variação nos ciclos dos híbridos atualmente comercializados, e mesmo num mesmo híbrido, as durações das fases fenológicas podem variar acentuadamente entre diferentes regiões, anos, datas de semeadura, em razão de mudanças edafoclimáticas.
empíricos preconizados na década de 60, que determinava vantagens de explorar maior produção de matéria verde por hectare. Em razão de problemas operacionais na ensilagem, escolha de híbridos e negligências nas práticas agronômicas, passa para segundo plano a influência do enchimento do grão de milho, com o avanço no estádio de maturação (Blaser, 1969), consequentemente elevam os custos da tonelada de MS produzida.
4.3. Processo de ensilagem
Segundo Reis et al. (2004), quando a atenção é direcionada para a conservação da forragem, tem-se como objetivo as características do processo fermentativo, visando não só diminuição das perdas e fermentações secundárias, mas também obter um produto de valor nutritivo elevado que permita maior consumo e consequente desempenho animal favorável.
O Processo de ensilagem caracteriza-se por transferir uma quantidade de forragem (planta de milho) em alimento para os animais (silagem), uma vez que perdas de MS e mudanças prejudiciais no alimento são inevitáveis no processo de ensilagem, o objetivo do processo é obter a menor perda possível com o menor custo de produção (Silva, 1997).
As perdas de um alimento ensilado podem ser quantificadas via desaparecimento de MS ou energia durante o processo de ensilagem (McDonald et al., 1991), que podem ser mensuradas em silos comerciais com o uso de amostras distribuídas nos estratos dos silos durante a ensilagem (Jobim et al., 2007), já que as perdas variam no interior do silo, conforme o estrato do silo (Neumann, 2006).
Segundo Mühlbach (1999), o processo fermentativo desejável no silo baseia-se na ação de bactérias específicas, especialmente dos gêneros Lactobacillus, Pediococcus
e Streptococcus que transformam os açúcares hidrossolúveis da planta (frutose, glicose,
sacarose e frutosanas), em ácido lático. Logo, quanto mais rápida e eficiente essa produção de ácido lático, um ácido forte e não voláteis tanto menores as perdas no processo. Dessa forma, os processos vegetais de origem endógena englobam a respiração, a lise celular, a proteólise e a degradação enzimática de oligossacarídeos a açúcares simples. Comumente observa-se a ação microbiana aeróbia (fungos, leveduras e bactérias) e anaeróbia controlada ou por lactobacilos ou por bactérias clostrídicas. Cada um destes processos é importante por afetar a qualidade da silagem resultante, dependendo do tempo de ação e das condições do silo.
Dados disponíveis na literatura relatam a importância do estádio de maturação aliado ao teor de MS no momento da ensilagem. Na planta de milho ensilada com níveis inferiores de 25% de MS, não ocorre o acúmulo completo de amido no grão e a produção total de MS representa menos de 90% daquela obtida no estádio de farináceo-duro, com 32 a 35% de MS (Bal et al., 1997). Além disso, quanto ao processo fermentativo, segundo McDonald et al. (1991), forragens ensiladas com baixos níveis de MS favorecem o crescimento de bactérias do gênero Clostridium, as quais os principais produtos finais desse tipo de fermentação são o ácido butírico, a água e o dióxido de carbono que, em conjunto, podem determinar perdas da ordem de 50% e 18% para MS e energia, respectivamente.
No mesmo sentido, níveis reduzidos de MS podem apresentar elevadas quantidades de efluentes. Segundo Rotz e Muck (1994), a produção de efluentes tende a aumentar quadraticamente com o teor de umidade, que carreia em solução, nutrientes de alta digestibilidade e compostos fundamentais para a fermentação, assim, a silagem perde concentração de nutrientes, reduz o consumo da silagem pelos animais e infere negativamente dificultando o manejo de silo (Evangelista e Lima, 2002).
Por outro lado, quando se efetua o corte da planta com teores de MS superiores a 38%, as perdas a campo são aumentadas (Nussio, 1992). Além disso, podem ocorrer perdas durante o armazenamento, em decorrência da compactação inadequada, pode-se observar ação de microrganismos aeróbios, resultando em aquecimento e alterações químicas, como reação de Maillard (Reis et al., 2004), afetando a digestibilidade da planta, da fração amido, consequentemente, o consumo e desempenho dos animais.
Em relação a isto, limitações dessa natureza podem ser compensadas pela adequação do teor de MS no momento da ensilagem. É sabido que o milho é a planta padrão para ensilagem com baixa capacidade tamponante, com uma variação de 15 a 25 eq.mg de HCL.100g-1 de MS e níveis adequados de carboidratos solúveis com concentração superiores a 3,0% (McDonald et al., 1991). Dessa maneira, o teor de MS está relacionado ao estádio de ensilagem, que influencia positivamente no processo fermentativo.
Segundo Ferreira (2001), no estádio de maturação entre 32 e 35% de MS, ocorre produção máxima de MS anterior ao acúmulo máximo de MS nos grãos, redução das perdas de armazenamento e ganhos no consumo de MS pelos animais. O teor de MS na ensilagem do milho desempenha um papel fundamental nas alterações que podem
4.4. Qualidade da silagem de milho
A maior porcentagem de grãos na MS da forragem de milho por muito tempo foi sinônimo de uma maior qualidade da silagem (Souza Filho, 2009).
A qualidade da silagem é uma referência à capacidade de silagem gerar uma resposta positiva no desempenho animal. Dessa forma, possui efeito sobre o consumo e densidade energética, o que determinará a produtividade do animal (Jobim e Santos, 2008)
Nesse sentido, diversos autores ressaltam a importância do conteúdo de grãos na massa ensilada. Dessa forma, na seleção de híbridos para a produção de silagem, geralmente dá-se para aquelas que apresentam entre 40 a 50% de grãos na forragem a ser ensilada (Nussio, 1992). No entanto, há relatos de que nem sempre híbridos mais produtivos produzem silagens de milho de melhor qualidade (Neumann e Lupatini, 2002).
Poucos estudos demonstram o efeito da importância das frações vegetativa na qualidade da silagem (Souza Filho, 2009). Sendo que, a qualidade da silagem do milho não depende exclusivamente da porcentagem de grãos na planta e, sim, da associação da fração granífera e fração fibrosa da planta (Caetano, 2001; Zopollatto, 2007). Já que a fração fibrosa da planta, constituída de colmo, folhas, brácteas e sabugo, pode representar mais de 50% da MS da planta (Wolf, 1993), portanto, influência quantitativamente e qualitativamente na silagem de milho.
Nesse aspecto, a fração espiga conforme a maturidade avança, passando de 1/3 da linha do leite para 1/1, a porcentagem de MS da espiga aumenta de 49,6% para 64,8%. Os mesmos autores também demonstraram que os parâmetros relacionados à fibra são os que mais variaram, sendo a FDN a característica mais representativa e a que sofre maior aumento na sua porcentagem com o avanço do estádio de maturação (Hunt et al., 1992)
Segundo Van Soest (1994), a FDN, representada pela hemicelulose, celulose e lignina da parede celular vegetal, está negativamente correlacionada com o consumo de MS. Nesse sentido, Nussio e Manzano (1999) observaram o máximo consumo pelo animal quando o milho foi ensilado no estádio de farináceo a duro (32 a 35% de MS), onde sugeriram que houve maior diluição da FDN por amido, favorecendo a qualidade da silagem, consequentemente, no maior consumo potencial pelos animais.
silagem de milho se traduzem em grandes diferenças no desempenho animal, sendo que, as escalas entre ingestão de MS e digestibilidade são relativamente estreitas (Lauer, 1997), com impacto no valor energético, assim, no potencial de consumo de silagem de milho (Mahanna e Peterson, 2004).
O estádio de maturação da planta de milho no momento da ensilagem pode alterar sobremaneira a qualidade da silagem, sendo que as diferenças na fração fibrosa, conteúdo de nutrientes, disponibilidade e eficiência de utilização pelos animais, se traduzem em diferenças no consumo, afetando o desempenho dos ruminantes.
4.5. A importância dos níveis de concentrado no desempenho de novilhos de corte confinados com silagem de milho
O confinamento de bovinos de corte é uma estratégia para terminação, cuja flexibilidade advém de parâmetros zootécnicos, bem como econômicos de cada região onde a pecuária se insere. Desse modo, por meio do confinamento, é possível reduzir a idade de abate, aumentar o giro de capital e produzir carcaças de alta qualidade (Pereira et al., 2008). Em sistemas de produção de bovinos de corte em fase de terminação é essencial o estudo de estratégias de alimentação, que manipulem as dietas e otimizem a produtividade e rentabilidade, que são imprescindíveis para que haja recomendações de um determinado alimento ou nível de inclusão.
Segundo Cavalcanti e Camargo (2008), nos 50 maiores confinamentos do Brasil, utilizam silagem de milho, em 48% dos confinamentos. O uso de silagem de milho em sistemas de alimentação de ruminantes proporciona elevado consumo voluntário e fornecem altos teores de nutrientes digestíveis totais, entretanto, o estádio de maturação é o fator que mais influência na qualidade da silagem de milho, pelo incremento de grão e constitui o principal erro na ensilagem.
Existem na literatura, vários estudos que confirmam a qualidade da silagem de milho por meio de ensaios com animais (Rosa et al., 2004; Restle et al., 2006; Souza et al., 2006; Chizzotti, 2007). Dessa forma, em estudo de simulação bioeconômica de diferentes fontes de volumosos conservados para bovinos de corte, independente do nível de ganho de peso dos animais, somente as dietas de milho e sorgo apresentaram saldo positivo (Pereira et al., 2007).
No Brasil, as dietas de confinamento eram compostas com o predomínio de alimentos volumosos. Porém, é crescente a elevação do uso de concentrado nas dietas
confinamento. Segundo Neuman (1977), maior densidade energética resulta numa maior ingestão de energia, assim, menos alimento é requerido para o ganho de peso.
Conforme Costa et al. (2005) há acréscimo no ganho médio diário (GMD) quando se aumenta o percentual de concentrado de 35 para 65% da dieta. Da mesma forma, o acréscimo da proporção de concentrado na dieta aumenta o GMD, por ocorrer à relação linear entre calorias de energia consumida por unidade de peso vivo e concentração de energia da dieta.
Nesse sentido, a eficiência de utilização da energia ingerida tende a ser maior para dietas concentradas, quando comparadas a volumosas, devido aos menores requisitos líquidos para mantença, em que também alimentos volumosos de melhor qualidade são mais eficientes que os de pior qualidade (Van Soest, 1994). No entanto, o tipo de volumoso utilizado e o seu nível na dieta podem influenciar tanto o desempenho animal como as características do produto, pelos efeitos sobre o consumo de MS (Galyean e Defoor, 2003).
Níveis elevados de concentrado na dieta podem apresentar respostas diferentes. Souza et al. (2002), utilizando silagem de milho, com níveis de inclusão de concentrado na dieta de 22; 37; 53 e 67%, verificaram aumento linear no consumo de MS com a elevação do nível de concentrado. Já, em alguns casos, ocorre redução no consumo (Euclides Filho et al., 1997). A resposta animal à adição de concentrado, em outros estudos, tende a ser quadrática (Gesualdi Júnior et al., 2000; Rodrigues et al., 2007). No entanto, alguns trabalhos não observaram benefícios no incremento de concentrado na dieta (Paulino et al., 2008).
Nas avaliações de níveis de concentrado na dieta de ruminantes, observam-se resultados variados. Dessa forma, a premissa de que a participação de concentrado pode contribuir para elevar o consumo de MS, melhorando o desempenho dos animais, não é totalmente compreendida, pois dependerá de outros fatores, como diferentes objetivos de busca, tipo de animal, tipo de volumoso e idade dos animais (Silva, 2001; Chizzotti, 2007). Nesse aspecto, é possível que parte das variações, para os resultados encontrados na literatura, seja atribuída a diferenças na natureza das dietas, como a qualidade do volumoso utilizado.
Por outro lado, em silagens com alto conteúdo de umidade, ocorre redução no consumo. Segundo Erdman (1993), o consumo de MS é influenciado diretamente pela porcentagem de umidade do material armazenado, onde o baixo teor de MS na forragem afeta negativamente o consumo, podendo resultar em redução de até 40% no consumo
potencial. Segundo Mahanna e Chase (2003), para alimentos fermentados ocorre uma redução do consumo de 0,02% de peso vivo para cada 1% de aumento na porcentagem de umidade da dieta. Tal fato está relacionado ao processo fermentativo e não ao conteúdo de umidade (Weiss et al., 2003).
De acordo com Van Soest (1994), o consumo é inadequadamente compreendido. Dentre as causas responsáveis pela menor ingestão voluntária de silagens mal preservadas, destaca-se: a síntese de substâncias tóxicas, os altos teores de ácidos em fermentação prolongada, o que propiciaria redução da aceitabilidade e o decréscimo de substâncias prontamente fermentescíveis, privando os microrganismos do rúmen de energia, substrato necessário para o seu crescimento.
Na estimativa do consumo, devem ser consideradas as limitações relativas ao animal, ao alimento e as condições de alimentação. Quando a densidade energética da dieta é elevada (baixa concentração da FDN), em relação às exigências do animal, o consumo é limitado pela demanda energética, não ocorrendo repleção ruminal. Para as dietas de densidade energética baixa (teor da FDN elevado), o consumo será limitado pelo enchimento do rúmen-retículo (Mertens, 1992).
Ferreira et al. (2000) avaliaram a composição química percentual e desempenho de novilhos em confinamento com silagem de milho, com diferentes teores de MS (25, 30 e 35%) e da FDN (65,9, 57,4 e 51,2%), respectivamente, obtendo variação no ganho médio diário de peso (0,79, 1,13 e 1,16 kg/dia). Os mesmos autores relataram que com a porcentagem de MS próximo dos 35%, ocorreu de acréscimo no teor da FDN, acarretando em maior consumo de silagem e, consequentemente, maior ganho de peso.
Demarquilly (1994) observou aumento na ingestão de MS da silagem de milho fornecida a bovinos, quando os teores de MS aumentaram de 25% até 35%, sem que a digestibilidade da MS fosse alterada. No entanto, Lavezzo et al. (1997) e Vilela (2006) avaliaram o consumo de MS de silagens de milho em diferentes estádios de maturação com caprinos e observaram que o estádio não influenciou no consumo de MS.
Entre os inúmeros estudos encontrados na literatura, poucos avaliam o impacto produzido pela qualidade do volumoso e a sua interação com níveis de concentrado na dieta de bovinos confinados. Portanto, é de suma importância que haja a avaliação por meio de ensaios com bovinos, propiciando, desta forma, a resposta animal.
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CAPÍTULO 1 – COMPOSIÇÃO MORFOLÓGICA, ESTRUTURAL E NUTRICIONAL DE PLANTAS E SILAGENS DE MILHO (Zea mays L.) EM DIFERENTES ESTÁDIOS DE MATURAÇÃO
RESUMO
Objetivou-se avaliar as características morfológicas, estruturais e nutricionais da planta de milho em diferentes estádios de maturação. Baseado nas curvas de taxa de secagem, o avanço do estádio de maturação proporcionou taxas crescentes de secagem, com média diária de 0,4531% de matéria seca (MS), no conjunto brácteas mais sabugo, de 1,2835% de MS nos grãos e de 0,3953% de MS na planta, consequentemente, as participações percentuais de grãos na estrutura da planta de milho acresceram linearmente na ordem de 0,9069% de MS ao dia. A ensilagem no estádio maturação R5, com 32,6% de MS, promoveu aumento na produção de matéria verde (de 50.565 para 62.234 kg/ha), na produção de matéria seca (de 12.944 para 20.288 kg/ha), na produção de grãos (de 3.100 para 8.329 kg/ha), na digestibilidade da matéria seca (de 62,90 para 68,56% na MS) e nos nutrientes digestíveis totais (de 64,48 para 69,56% na MS), concomitantemente, proporcionou uma redução na fibra em detergente neutro (de 55,08 para 50,55% na MS) e na fibra em detergente ácido (de 33,38 para 26,12% na MS), comparativamente ao estádio R3, com 25,6% de MS. Com o avanço no estádio de maturação os componentes morfológicos e estruturais foram dependentes dos teores de MS e da sua participação na constituição da planta. No estádio de maturação com 32,6% de MS determinaram-se maiores produtividades e qualidade nutricional da silagem.
Palavras-chave: composição do milho, época de corte, qualidade nutricional, taxa de
secagem
CHAPTER 1 - MORPHOLOGICAL, STRUCTURAL AND NUTRITIONAL COMPOSITION OF CORN (ZEA MAYS L.) PLANTS AND SILAGE AT DIFFERENT MATURATION STAGES
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the morphological, structural and nutritional characteristics of the corn plant at different stages of maturation. Based on the curves of drying rate, the advance of maturation stage afforded increasing rates of average daily
drying of 0,4531% of dry matter (DM) on bracts and cob of 1,2835% of DM on grains and 0,3953% of DM on plant, therefore, the grains percentage participation in the corn plant structure increased linearly by 0,9069% of DM daily. The ensilage at the maturation stage R5, with 32,6% of DM promoted higher green matter production (GM) (50.565 to 62.234 kg/ha), dry matter production (12.944 to 20.288 kg/ha), grains production (3.100 to 8.329 kg/ha), dry matter digestibility (62.90 to 68.56% in DM), total digestible nutrients (64,48 to 69,56% in DM) and lower neutral detergent fiber (55,08 to 50,55% in DM) and acid detergent fiber (33,38 to 26,12% in DM) if compared to the R3 stage, with 25,6% DM. The morphological and structural components with the advancement in the maturity stage are dependent on the levels of DM and its participation in the formation of the plant. At the maturation stage with 32,6% of DM higher yields of GM, DM and nutritional quality of silage were determined.
Keywords: corn composition, drying rate, harvesting age, nutritional quality
5.1. INTRODUÇÃO
Dentre os principais volumosos conservados existentes no Brasil, a silagem de milho apresenta o maior potencial na alimentação de ruminantes. O elevado valor energético, o baixo teor de fibra, a alta produção de matéria seca (MS) por unidade de área, a colheita mecânica facilitada e os bons padrões de fermentação da silagem, sem a necessidade de aditivos para alterar o conteúdo de MS, são características que fazem da planta de milho uma das forrageiras mais utilizadas em silagens para ruminantes (Pereira et al., 2004).
A silagem de milho é um alimento particular, uma vez que é constituído por duas frações distintas: a fração de grãos e a fração forragem, compreendida pelo restante da planta (Silva, 1997), entretanto, há uma grande variação na qualidade da silagem, afetada sobremaneira pelo teor de MS na ensilagem. Dessa forma, o estádio de maturação para colheita do milho para silagem afeta tanto em quantidade, pelo acúmulo de MS, quanto em qualidade em decorrência das modificações nos constituintes da planta, no qual relaciona-se diretamente com a fração fibrosa e densidade energética da silagem.
Nesse sentido, o estádio de maturidade para colheita do milho para silagem, representa um aspecto importante de manejo e a tomada de decisão relacionada a este,
o estádio de maturação corresponde àquele em que a planta apresenta maior produção de MS digestível por hectare e teor de umidade que propicie a ocorrência de um processo de fermentação satisfatório (Nussio et al., 2001). O estádio de maturação do milho para ensilagem depende, principalmente, do teor de MS, da composição química e do valor nutritivo esperado da silagem (Ferreira, 2001).
A recomendação do estádio de ensilagem ainda sofre contestações, mas sabe-se que a maturidade afeta a produção de MS e a participação dos constituintes e, consequentemente, alteram o valor nutritivo da planta de milho. Tal fato pode ser esclarecido, quando se avalia a dinâmica do comportamento agronômico quantitativo da planta de milho (Neumann et al., 2003).
O presente experimento objetivou avaliar a composição morfológica, estrutural e nutricional da planta de milho colhida em diferentes estádios de maturação.
5.2. MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido nas instalações do Núcleo de Produção Animal (NUPRAN) do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), em Guarapuava-PR, no período de 11 de outubro de 2006 a 14 de fevereiro de 2007.
O clima da região de Guarapuava-PR é o Cfb (Subtropical mesotérmico úmido), sem estação seca, com verões frescos e inverno moderado conforme a classificação de Köppen, em altitude de aproximadamente 1100 m, precipitação média anual de 1944 mm, temperatura média mínima anual de 12,7ºC, temperatura média máxima anual de 23,5ºC e umidade relativa do ar de 77,9%.
O solo da área experimental, classificado como Latossolo Bruno Típico, em abril de 2006, apresentou as seguintes características químicas (perfil de 0 a 20 cm): pH CaCl2 0,01M: 4,7; P: 1,1 mg dm3-; K+: 0,2 cmolc dm3-; MO: 2,62%; Al3+: 0,0 cmolc
dm3-; H+ + Al3+: 5,2 cmolc dm3-; Ca2+: 5,0 cmolc dm3-; Mg2+: 5,0 cmolc dm3- e saturação
de bases: 67,3%.
Como material experimental empregou-se o híbrido de milho AS-1545 de caráter para a produção de silagem, numa área de 0,8 hectare, subdivida em 4 faixas de 2500 m2.
A Cultura foi implantada em 11 de outubro de 2006, em sistema de plantio diretoem sucessão a mistura forrageira aveia preta (Avena strigosa) e azevém (Lolium
profundidade de semeadura de 4 cm e distribuição de 5 sementes por metro linear. No plantio foi utilizada como adubação de base de 450 kg/ha do fertilizante 08-30-20 (N-P2O5-K2O), conforme Recomendações de Adubação e Calagem para os
Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (1995). Após 35 dias do plantio, foi
realizada a adubação em cobertura com 175 kg/hade N, na forma de uréia. No manejo
da cultura até 30 dias após a emergência das plantas, foram aplicados herbicidas (Produto comercial Atrazina: 4 l/ha) + óleo mineral (Produto comercial Assist: 1 l/ha) e defensivo para controle da lagarta do cartucho (Produto comercial Karate: 150 mL/ha).
As características agronômicas do híbrido de milho foram avaliadas semanalmente dos 85 aos 120 dias após emergência (DAE), conforme Ritchie et al. (1993): estádio R1 – pleno florescimento (até 10 dias após florescimento); estádio R2 – grão leitoso (11 a 17 dias após florescimento); estádio R3 – grão pastoso (18 a 25 dias após florescimento); estádio R4 – grão farináceo (26 a 35 dias após florescimento); e estádio R5 – grão farináceo a duro (36 a 42 dias após florescimento).
Em cada avaliação procedeu-se a colheita de quatro plantas, cortadas manualmente a 20 cm do solo, utilizando-se o método do triplo emparelhamento, sendo duas plantas utilizadas para determinação do teor de MS e duas plantas para determinação da composição morfológica. A adoção dessa prática permitiu determinar a composição percentual das estruturas anatômicas da planta pela segmentação dos componentes: colmo, folhas, brácteas mais sabugo e grãos. Foram também determinados: número de folhas senescentes e verdes por planta, altura da inserção da primeira espiga (m) e da planta (m).
As plantas e os componentes estruturais (material original) do híbrido avaliado,L formam pesados e pré-secados em estufa de ar forçado a 55ºC. Após 72 horas de secagem em estufa, foram pesadas novamente para determinação do teor MS, conforme AOAC (1984).
A ensilagem do híbrido de milho foi realizada em dois estádios de maturação: fase de grão leitoso a pastoso (R3-R4), com 25,6% de MS (110 DAE) e fase de grão farináceo a duro (R5), com 32,6% de MS (DAE).
A produção de matéria verde (MV), produção de MS e de grãos, foram determinadas no momento da ensilagem, pelo peso individual das plantas e população de 57.500 plantas/ha.
completamente vedados e protegidos com lona de polietileno de três camadas (200 μ). Deste modo, em função dos tratamentos avaliados, foram confeccionados 4 silos.
Nas amostras pré-secas das plantas, determinou-se a MS total em estufa a 105ºC, proteína bruta (PB) pelo método micro Kjeldahl, matéria mineral (MM) por incineração a 550 ºC (4 horas) e matéria orgânica (MO) por diferença (% MO = 100 - MM), conforme AOAC (1995). Foram determinados os teores da fibra em detergente neutro (FDN), conforme Van Soest et al. (1991), utilizando-se α amilase termo-estável (Termamyl 120L, Novozymes Latin América Ltda.) e da fibra em detergente ácido (FDA) segundo Goering e Van Soest (1970). Os teores de nutrientes digestíveis totais (NDT, %) foram obtidos via equação [NDT, % = 87,84 – (0,70 x FDA)] e os valores de digestibilidade estimada da MS (DMS) foram obtidos via equação [DMS, % = 88,9 – (0,779 × FDA)], sugeridas por Bolsen (1996). O valor relativo dos alimentos (VRA) foi expresso pela associação entre potencial de consumo de MS (CMSP = 120 ÷ FDN) e digestibilidade estimada da MS: VRA = (DMS × CMSP) ÷ 1,29.
O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, composto por dois tratamentos, com duas repetições, onde cada repetição constituiu uma faixa de cultivo, sendo dois estádios de colheita (25,6 e 32,6% de MS) num esquema de parcelas subdivididas no tempo, em seis avaliações semanais. Os dados das variáveis relativas aos dados agronômicos de produção e de composição vegetal foram submetidos à análise de variância com comparação das médias a 5% de significância, por intermédio do programa estatístico SAS (1993) e a análise de cada variável seguiu o modelo estatístico: Yijk = µ + PCi + Eij; onde: Yij = Variáveis dependentes; µ = Média geral de
todas as observações; PCi = Efeito do estádio de colheita de ordem “i”, sendo 1 = 25,6%
de MS e 2 = 32,6% de MS; e Eij = Efeito aleatório residual.
Os dados também foram submetidos à análise de regressão polinomial, considerando a variável dia após emergência das plantas, por intermédio do procedimento PROC REG do programa SAS (1993).
5.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na Tabela 1 são apresentados os valores médios de precipitação, temperatura e insolação, respectivamente, normal e ocorrida no período de outubro/2006 a fevereiro/2007, durante o período de cultivo do milho. Desse modo, as condições climáticas do presente trabalho são adequadas à cultura do milho (Fancelli e Dourado Neto, 2000).
Tabela 1. Valores médios de precipitação, temperatura e insolação normal e ocorrida no período de condução e manejo da cultura do milho, Guarapuava-PR, 2006/2007.
Mês/Ano Precipitação (mm) Temperatura (ºC) Insolação (horas)
Normal Ocorrida Normal Ocorrida Normal Ocorrida
Outubro/06 196,1 325,8 17,6 17,3 190,4 232,6 Novembro/06 170,4 160,3 18,4 18,0 200,6 210,4 Dezembro/06 183,4 93,4 20,5 19,3 202,3 215,6 Janeiro/07 164,3 152,7 20,9 21,1 200,6 211,4 Fevereiro/07 162,4 102,3 21,3 20,4 194,6 213,8 Total 876,6 834,5 98,7 96,1 988,5 1083,8
Fonte: Dados da Estação Meteorológica do IAPAR, Guarapuava, PR.
Na Tabela 2, constam os teores de MS da planta e de seus componentes estruturais: colmo, folhas, brácteas mais sabugo e grãos do híbrido, em função dos diferentes estádios de maturação.
Os teores de MS do colmo do híbrido foram acrescidos de 20,8% aos 85 DAE (R1) para 25,0% aos 99 DAE (R3), e reduzidos para 21,2% aos 120 DAE (R5). Já os teores de MS das folhas, foram aumentados de 23,5% aos 85 DAE (R1) para 27,3% aos 106 DAE (R3-R4), sequencialmente, os teores de MS permaneceram relativamente constantes até os 120 DAE (R5). De maneira geral, os teores de MS, mostraram taxas crescentes de secagem média diária de 0,4531% no conjunto brácteas mais sabugo, de 1,2835% nos grãos e de 0,3953% na planta (Tabela 2).
As variações nas taxas de secagem da planta e dos componentes estruturais: colmo, folhas, brácteas mais sabugo e grãos nos híbridos de milho avaliados (Tabela 2) são, segundo Ritchie et al. (2003), resultado da taxa de desenvolvimento da planta relacionada com a temperatura e a umidade relativa do ar. Segundo os mesmos autores, o período de tempo entre os diferentes estádios de desenvolvimento do milho pode variar significativamente de acordo com ocorrências de estresses ambientais causados por variações de temperatura e/ou umidade, determinando, nestes casos, o encurtamento dos estádios reprodutivos. Vale salientar, que não foram verificados estresses ambientais, mostrando de forma direta que o colmo foi o componente estrutural da planta que apresentou a menor taxa de secagem, com o avanço do ciclo cultural (Tabela 2).