CURSO BÁSICO DE ELABORAÇÃO DE
CURSO BÁSICO DE ELABORAÇÃO DE
CERVEJAS ARTESANAIS
CERVEJAS ARTESANAIS
Ministrado por:
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Danilo Mendes
Danilo Mendes
Contato:
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Cel.: 9985-3458
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e-mail:
Breve histórico da cerveja.
Breve histórico da cerveja.
Breve histórico da cerveja.
Breve histórico da cerveja.
História
História
Uma cerveja, por definição, é qualquer uma das variedades de bebidas
Uma cerveja, por definição, é qualquer uma das variedades de bebidas
alcoólicas produzidas pela fermentação de matéria com amido, derivada de
alcoólicas produzidas pela fermentação de matéria com amido, derivada de
cereais ou de outras fontes vegetais. As fábricas de cerveja e de algumas
cereais ou de outras fontes vegetais. As fábricas de cerveja e de algumas
outras bebidas alcoólicas são geralmente chamadas de cervejarias (
outras bebidas alcoólicas são geralmente chamadas de cervejarias (
breweriesbreweries,,
em inglês). Em termos históricos, a cerveja era já conhecida pelos sumérios,
em inglês). Em termos históricos, a cerveja era já conhecida pelos sumérios,
egípcios e mesopotâmios, desde pelo menos 4.000 a.C. Como os ingredientes
egípcios e mesopotâmios, desde pelo menos 4.000 a.C. Como os ingredientes
usados para fazer cerveja diferem de acordo com o local, as características
usados para fazer cerveja diferem de acordo com o local, as características
(tipo, sabor e cor) variam amplamente.
(tipo, sabor e cor) variam amplamente.
A mais longínqua notícia que se tem da cerveja vem de 2.600 a 2.350 a.C.
A mais longínqua notícia que se tem da cerveja vem de 2.600 a 2.350 a.C.
Desta época, arqueólogos encontraram indícios, escritos em uma placa de barro
Desta época, arqueólogos encontraram indícios, escritos em uma placa de barro
com o Hino a Ninkasi, a deusa da cerveja, de que os sumérios já produziam a
com o Hino a Ninkasi, a deusa da cerveja, de que os sumérios já produziam a
bebida. Já na Babilônia dá-se conta da existência de diferentes tipos de cerveja,
bebida. Já na Babilônia dá-se conta da existência de diferentes tipos de cerveja,
originadas de diversas combinações de plantas e aromas e o uso em diversas
originadas de diversas combinações de plantas e aromas e o uso em diversas
quantidades de mel. O Código de Hammurabi, rei da Babilônia entre os anos de
quantidades de mel. O Código de Hammurabi, rei da Babilônia entre os anos de
1.792 e 1.750 antes de cristo, incluía várias leis de comercialização, fabricação
1.792 e 1.750 antes de cristo, incluía várias leis de comercialização, fabricação
e consumo da cerveja, relacionando direitos e deveres dos clientes das
e consumo da cerveja, relacionando direitos e deveres dos clientes das
tabernas.
tabernas.
Receita de Cerveja
Receita de Cerveja
Posteriormente, no antigo Egito, a cerveja, segundo Athenaeus, teria sido
Posteriormente, no antigo Egito, a cerveja, segundo Athenaeus, teria sido
inventada para ajudar a quem não tinha como pagar o vinho. Hieróglifos e
inventada para ajudar a quem não tinha como pagar o vinho. Hieróglifos e
obras artísticas testemunham sobre o gosto deste povo pelo
obras artísticas testemunham sobre o gosto deste povo pelo
henket henketou
ou
zythum zythum,,
preferida por todas as camadas sociais. Até um dos faraós, Ramsés III
preferida por todas as camadas sociais. Até um dos faraós, Ramsés III
(1.184-1.153 a.C.), passou a ser conhecido como "faraó-cervejeiro" após doar às
1.153 a.C.), passou a ser conhecido como "faraó-cervejeiro" após doar às
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sacerdotes do Templo de Amón 466.308 ânforas ou aproximadamente
sacerdotes do Templo de Amón 466.308 ânforas ou aproximadamente
1.000.000 de litros de cerveja provenientes de suas cervejeiras.
1.000.000 de litros de cerveja provenientes de suas cervejeiras.
Praticamente qualquer açúcar ou alimento que contenha amido pode,
Praticamente qualquer açúcar ou alimento que contenha amido pode,
naturalmente, sofrer fermentação. Assim, bebidas semelhantes à cerveja foram
naturalmente, sofrer fermentação. Assim, bebidas semelhantes à cerveja foram
inventadas de forma independente em diversas sociedades em redor do mundo.
inventadas de forma independente em diversas sociedades em redor do mundo.
Na Mesopotâmia, a mais antiga evidência referente à cerveja está numa
Na Mesopotâmia, a mais antiga evidência referente à cerveja está numa
tabuinha sumeriana com cerca de 6000 anos de idade, na qual se vêem
tabuinha sumeriana com cerca de 6000 anos de idade, na qual se vêem
pessoas tomando uma bebida através de juncos de uma tigela comunitária. A
pessoas tomando uma bebida através de juncos de uma tigela comunitária. A
cerveja também é mencionada na Epopeia de Gilgamesh. Um poema sumeriano
cerveja também é mencionada na Epopeia de Gilgamesh. Um poema sumeriano
de 3.900 anos, homenageando a deusa dos cervejeiros, Ninkasi, contém a mais
de 3.900 anos, homenageando a deusa dos cervejeiros, Ninkasi, contém a mais
antiga receita que sobreviveu, descrevendo a produção de cerveja de cevada
antiga receita que sobreviveu, descrevendo a produção de cerveja de cevada
utilizando pão.
utilizando pão.
A cerveja tornou-se vital para todas as civilizações produtoras de cereais da
A cerveja tornou-se vital para todas as civilizações produtoras de cereais da
antiguidade clássica, especialmente no Egito e na Mesopotâmia. O Código
antiguidade clássica, especialmente no Egito e na Mesopotâmia. O Código
Babilônico de Hamurabi dispunha que os taverneiros que diluíssem ou
Babilônico de Hamurabi dispunha que os taverneiros que diluíssem ou
sobretaxassem a cerveja deveriam ser supliciados.
sobretaxassem a cerveja deveriam ser supliciados.
A cerveja teve alguma importância na vida dos
A cerveja teve alguma importância na vida dos primeiros romanos, mas durante
primeiros romanos, mas durante
a República Romana, o vinho destronou a cerveja como a bebida alcoólica
a República Romana, o vinho destronou a cerveja como a bebida alcoólica
preferida, passando esta a ser considerada uma bebida própria de bárbaros.
preferida, passando esta a ser considerada uma bebida própria de bárbaros.
Tácito, em seus dias, escreveu depreciativamente acerca da cerveja preparada
Tácito, em seus dias, escreveu depreciativamente acerca da cerveja preparada
pelos povos germânicos.
pelos povos germânicos.
No idioma eslavo, a cerveja é chamada "piwo" (pronuncia-se pivo), do verbo
No idioma eslavo, a cerveja é chamada "piwo" (pronuncia-se pivo), do verbo
"pi
"pi
ćć" (pronuncia-se pitch) - beber. Por isso, "piwo" pode ser traduzido como
" (pronuncia-se pitch) - beber. Por isso, "piwo" pode ser traduzido como
"bebida", o que demonstra a importância que lhe é concedida.
"bebida", o que demonstra a importância que lhe é concedida.
O "Kalevala", coligido na forma escrita no século XIX, mas baseado em
O "Kalevala", coligido na forma escrita no século XIX, mas baseado em
tradições orais seculares, contém mais linhas sobre a origem da fabricação de
tradições orais seculares, contém mais linhas sobre a origem da fabricação de
cerveja do que sobre a origem do homem.
cerveja do que sobre a origem do homem.
A maior parte das cervejas, até tempos relativamente recentes, eram do tipo
A maior parte das cervejas, até tempos relativamente recentes, eram do tipo
que agora chamamos de
que agora chamamos de
Ales Ales.
. As
As
LagersLagersforam descobertas por acidente no
foram descobertas por acidente no
século XVI, quando a cerveja era estocada em frias cavernas por longos
século XVI, quando a cerveja era estocada em frias cavernas por longos
períodos; desde então elas ultrapassaram largamente as cervejas tipo
volume (veja abaixo a distinção). O uso de lúpulo para dar o gosto amargo e
volume (veja abaixo a distinção). O uso de lúpulo para dar o gosto amargo e
preservar é uma invenção medieval. O lúpulo é cultivado na França desde o
preservar é uma invenção medieval. O lúpulo é cultivado na França desde o
século IX. O mais antigo escrito remanescente a registrar o uso do lúpulo na
século IX. O mais antigo escrito remanescente a registrar o uso do lúpulo na
cerveja data de 1.067 pela Abadessa Hildegarda de Bingen: "Se alguém
cerveja data de 1.067 pela Abadessa Hildegarda de Bingen: "Se alguém
pretender fazer cerveja da aveia, deve prepará-la com lúpulo." No século XV,
pretender fazer cerveja da aveia, deve prepará-la com lúpulo." No século XV,
na Inglaterra, a fermentação sem lúpulo podia dar origem a
na Inglaterra, a fermentação sem lúpulo podia dar origem a uma bebida tipo
uma bebida tipo
aleale- o uso do lúpulo torná-la-ia uma cerveja. A cerveja com lúpulo era importada
- o uso do lúpulo torná-la-ia uma cerveja. A cerveja com lúpulo era importada
para a Inglaterra (a partir dos Países Baixos) desde cerca de 1.400, em
para a Inglaterra (a partir dos Países Baixos) desde cerca de 1.400, em
Winchester. O lúpulo passou a ser cultivado na ilha a partir de 1.428. A
Winchester. O lúpulo passou a ser cultivado na ilha a partir de 1.428. A
Companhia dos Fabricantes de Cerveja de Londres foi tão longe que especificou
Companhia dos Fabricantes de Cerveja de Londres foi tão longe que especificou
"nenhum lúpulo, ervas, ou outra coisa semelhante será colocada dentro de
"nenhum lúpulo, ervas, ou outra coisa semelhante será colocada dentro de
nenhuma
nenhuma
alealeou bebida alcoólica enquanto a
ou bebida alcoólica enquanto a
alealeestiver sendo feita - mas
estiver sendo feita - mas
somente um licor (água), malte e uma levedura". Contudo, por volta do século
somente um licor (água), malte e uma levedura". Contudo, por volta do século
XVI, "ale" veio a referir-se a qualquer cerveja forte, e todas as
XVI, "ale" veio a referir-se a qualquer cerveja forte, e todas as
alesalese cervejas
e cervejas
continham lúpulo.
continham lúpulo.
Tipos de cerveja
Tipos de cerveja
Há muitos tipos diferentes de cerveja. Uma descrição detalhada dos estilos de
Há muitos tipos diferentes de cerveja. Uma descrição detalhada dos estilos de
cerveja pode ser encontrada no website da
cerveja pode ser encontrada no website da
BJCP - Beer Judge CertificationBJCP - Beer Judge Certification ProgramProgram
(Programa de Licenciamento dos Avaliadores de Cerveja).
(Programa de Licenciamento dos Avaliadores de Cerveja).
Lager Lager
As
As
lagerslagers(em especial as claras) são, provavelmente, o tipo mais comum
(em especial as claras) são, provavelmente, o tipo mais comum
de cerveja consumida. Elas são originárias da Europa Central/Alemanha,
de cerveja consumida. Elas são originárias da Europa Central/Alemanha,
tirando seu nome da palavra germânica "lagern" (armazenar). De baixa
tirando seu nome da palavra germânica "lagern" (armazenar). De baixa
fermentação, são tradicionalmente armazenadas em baixa temperatura por
fermentação, são tradicionalmente armazenadas em baixa temperatura por
semanas ou meses, clareando, amadurecendo e ganhando maior
semanas ou meses, clareando, amadurecendo e ganhando maior
quantidade de dióxido de carbono. Atualmente, com o aperfeiçoamento do
quantidade de dióxido de carbono. Atualmente, com o aperfeiçoamento do
controle de fermentação, muitas cervejarias de
controle de fermentação, muitas cervejarias de
lagerslagersusam períodos
usam períodos
consideravelmente menores para armazenamento a frio (de 1 a 3
consideravelmente menores para armazenamento a frio (de 1 a 3
semanas).
semanas).
Se bem que existam muitos estilos de
Se bem que existam muitos estilos de
lagerslagers, a maioria delas é clara na cor,
, a maioria delas é clara na cor,
com alto teor de gás carbônico, de sabor moderadamente amargo e
com alto teor de gás carbônico, de sabor moderadamente amargo e
conteúdo alcoólico entre 3-6% por amostra. Os estilos de
conteúdo alcoólico entre 3-6% por amostra. Os estilos de
lager lagerincluem:
incluem:
Bock, Doppelbock, Eisbock, Munchner Helles, Munchner Dunkel, Maibock,
Bock, Doppelbock, Eisbock, Munchner Helles, Munchner Dunkel, Maibock,
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Dry beer, Export, Märzen (feita somente para a Oktoberfest bávara),
Pilsener e Schwarzbier (cerveja preta).
Ale
Um
pintde Stout
Cervejas de fermentação alta, especialmente populares na Grã-Bretanha e
Irlanda, incluindo as
mild(meio-amargas),
bitter(amargas),
pale ale(
aleclara),
porter(cerveja escura muito apreciada por estivadores) e
stout(cerveja preta forte). As cervejas de fermentação alta tendem a ser mais
saborosas, incluindo uma variedade de sabores de cereais e ésteres
produzidos durante a fermentação que lhe conferem aroma frutado; são
também de baixo teor de gás carbônico, fermentadas e servidas idealmente
numa temperatura mais elevada do que as
lagers. Diferenças de estilo
entre cervejas de fermentação alta são muito maiores do que aquelas
encontradas entre as cervejas de baixa fermentação e muitos estilos são
difíceis de categorizar. A cerveja comum da Califórnia, por exemplo, é
produzida usando o fermento para
lagersem temperaturas para
ales. As
cervejas à base de trigo são geralmente produzidas usando um fermento
para
alese então armazenadas, às vezes com um fermento para
lagers. A
cerveja Lambic é produzida com fermentos selvagens e bactérias, nativos
da região do vale do rio Zenne (Pajottenland), perto de Bruxelas.
Ale verdadeiraé um termo para as cervejas produzidas usando métodos
tradicionais e sem pasteurização.
A
Reinheitsgebot(
lei da pureza da cerveja) foi uma lei promulgada pelo
Duque Guilherme IV da Baviera, em 23 de Abril de 1516. A Lei da Pureza da
Cerveja instituiu que a cerveja deveria ser fabricada apenas com os seguintes
ingredientes: água, malte de cevada e lúpulo (a levedura de cerveja não era
conhecida à época).
Ele constitui um dos mais antigos decretos alimentares da Europa.
A lei em português:
"Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no
Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as
seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:
De Michaelmas a Georgi, o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder
o valor de Munique do pfennig.
De Georgi a Michaelmas, o Litro não será vendido por mais de dois pfennig do
mesmo valor, e o Copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio
pfennig).
Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.
Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve
vendê-la por mais de um pfennig por Litro.
Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos
mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja
devem ser cevada, malte e água.
Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas
determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais
barris de cerveja, sem falha.
Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar
dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao
vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller
por Copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrecentar um
imposto e aumentos subseqüentes ao preço da cevada (considerando também
que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).
NÓS, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem
de todos os interessados."
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História
Foi em 1906 que o
Reinheitsgebotse estendeu a toda a Alemanha, apesar das
críticas da indústria da cerveja.
Após a Segunda Guerra Mundial, o decreto foi modificado e incorporado à
regulamentação federal para a taxação da cerveja (
Biersteuergesetz).
... nas cervejas de baixa fermentação foram autorizados o malte de
cevada, o lúpulo e a água.
... nas cervejas de fermentação elevada foram autorizados, além disso, os
maltes de outros cereais bem como um número limitado de açúcares e
corantes.
Por último, maior liberdade foi deixada às cervejas destinadas à exportação.
Hoje
Devido à regulamentação européia, outros ingredientes são autorizados nas
cervejas alemãs, mas a maioria dos cervejeiros alemães continuam a seguir as
prescrições do Reinheitsgebot, consideradas garantia de qualidade.
Glossário
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TERMOS UTILIZADOS PELO CERVEJEIRO
Glossário
Uma das primeiras coisas que um fabricante de cerveja novato pede é, "o que eu necessito comprar para começar?" e "o que quer dizer esses termos?" O glossário de termos especializados neste artigo para ajudar a entender os termos mais freqüentes. Os seguintes termos serão vistos muitas vezes pela internet ou em um livro especializado, ou mesmo quando for buscar uma receita pronta.
Cerveja - bebida feita por fermentação de um mosto a base de grãos malteados, água e lúpulo.
Cerveja Ale - uma cerveja que utiliza a levedura de alta-fermentação com um tempo de atuação relativamente curto, e temperaturas mais altas de trabalho.
Cerveja Lager - uma cerveja que utiliza a levedura de baixa-fermentação, com um tempo de atuação maior, e temperaturas mais baixas de trabalho.
Unidades de alfa-ácidos (AAU) - uma medida da concentração do Lúpulo. O igual ao peso nas onças multiplicou pelos por cento de ácidos do alfa.
Atenuação - o grau de conversão dos açúcares fermentáveis em álcool e em CO2. Ruptura fria - proteínas que coagulam e precipitam quando o mosto é refrigerado rapidamente antes de inocular o fermento.
Ruptura quente - proteínas que coagulam e precipitam durante a fervura do mosto. Fermentação - a conversão total de açúcares da cerveja, definida aqui em três etapas, adaptação, preliminar, e secundário.
Lúpulo - as videiras do lúpulo crescem em climas amenos e de altas latitudes. Os fabricantes de cerveja utilizam somente as flores desta planta. Estão disponíveis em Pelets ou inteiras.
Gravidade – Também descrito como densidade, a gravidade descreve a concentração do açúcar no mosto. A gravidade específica da água é 1.000 em 25º C. O mosto típico de cerveja pode variar de 1.035 - 1.055 antes da fermentação (gravidade original). °Brix, ou °Plato - estas unidades quase idênticas e são o padrão da indústria para descrever a quantidade de extrato disponível em uma porcentagem do peso do açúcar dissolvido no liquido, ao contrário da gravidade específica. Por exemplo, o °Brix 10 é equivalente a uma gravidade específica de 1.040.
Unidade internacional de amargor (IBU) - uma unidade de medição para a concentração de lúpulo. Descreve a quantidade de Alfa Ácidos dissolvidos na cerveja e que confere amargor e propriedades conservantes.
Krausen (kroy-zen) – trata-se da cabeça espumosa que se forma no alto da cerveja durante a fermentação primária.
Fase de retardação - o período da adaptação e de crescimento aeróbico rápido das células de fermento. O tempo de retardação dura normalmente de 2-12 horas.
Fermentação preliminar (ou primária) - a atividade inicial de fermentação marcada pela evolução do dióxido de carbono e do Krausen. A maior atenuação dos açucares ocorre durante esta fase.
Primming - o método de adicionar um pouco de açúcar fermentável antes de engarrafar para fazer a carbonatação da cerveja.
Sanitização – método de limpeza profunda para reduzir contaminantes microbiais a níveis insignificantes.
Fermentação secundária - um período para estabilizar e de condicionar a cerveja após a fermentação preliminar e antes de engarrafar.
Esterilização - para eliminar todas as formas da vida, especial microorganismos, por meios de produto químico.
Trub (trub ou troob) - o sedimento no fundo do fermentador que consiste no material quente e frio da ruptura de proteínas, no restante de lúpulo não filtrado, e nas células de fermento inoperantes.
Mosto (Wort, wart ou wert) - a solução de açúcar produzida por ação de enzimas que é fervida antes da fermentação. O mosto é obtido a partir de métodos de brasagem ou macerarão, tais como Decocção, Infusão HERMS ou RICMS.
Gelatinização - o processo de transformar amidos solúveis na água pelo calor, ou por uma combinação do calor e da ação enzimática, é chamado gelatinização.
Decocção - um método de mosturação onde os descansos da temperatura são conseguidos fervendo diretamente o mosto ao mosto.
Infusão - um processo de mosturação onde a sacarificação é obtida através de adições de água fervendo, até atingir a temperatura desejada.
Sacarificação - a conversão de amidos solúveis em açúcares, fermentáveis ou não, através da ação enzimática.
Taninos - compostos adstringentes do poliphenol que podem causar o turbidez e/ou o juntar com proteínas grandes para precipitar e decantar. Os taninos são encontrados
Resumo do processo
de fabricação de cerveja.
13
F A B R I C A ÇÃ O ( M ão s à o b r a )
Agora vamos ao trabalho. Desde já vou avisando, o processo é demorado e é necessária muita paciência. A cerveja deve ser feita com calma, e dedicação para que o produto final seja bom. Se for feita com pressa e sem os cuidados necessários (principalmente de higiene) pode ter certeza que não ficará boa. O tempo total varia de acordo com os equipamentos disponíveis para a fabricação. Em média se leva de 6 a 8 horas para fazer uma receita de 20 litros. Uma boa preparação prévia dos utensílios e adjuntos (cereais não maltados e açúcar invertido) irá reduzir seu tempo consideravelmente.
Iremos dividir o processo em 6 etapas. Vamos ao processo. Parte 1 - Mosturação
Se o malte de cevada não estiver moído, será necessário triturá-lo. É possível fazer isso com um liquidificador para pequenas quantidades, mas é recomendado que se faça isso com um moedor de cereais, como aqueles de moer milho. A cevada não pode virar pó completamente, ela deve ser quebrada em pequenos pedaços para expor a amilase. A granulação exata é importante também para o processo de filtragem, que veremos adiante. Caso queira moer utilizando o liquidificador coloque um copo de malte para cada copo de água e bata por mais ou menos um minuto, até conseguir uma aparência de trigo para quibe.
Preparando a água: Lembre-se de que a água deve ser de boa qualidade e livre de cloro. Pode-se utilizar água de mina ou poço artesiano. Caso queira utilizar água da rede pública, ferva toda a água por 20 minutos (pois o cloro é muito volátil), e evite filtrá-la em filtros de carvão ativado. Na falta de opção pode também utilizar água mineral, porém esta água apresenta uma “dureza” elevada em virtude dos minerais dissolvidos. Para uma boa eficiência na brasagem a água deve ter uma boa acidez, com o PH em torno de 5 a 6, O ideal é 5,5. Faça o teste de PH. Para corrigi-lo pode-se acrescentar ácido láctico (que é um produto alimentício. Outro produto importante é o carbonato de cálcio, este controla o PH durante a brasagem, pois à medida que a temperatura do mosto sobe, diminui a densidade e aumenta o PH.
Pegue a panela e coloque nela toda a cevada previamente moída. Acrescente 10 litros de água (em média 02 litros por quilo de malte) e mexa bem até misturar toda a cevada
14
com a água. A mosturação é um processo simples onde elevaremos a temperatura do mosto (água mais cevada) em algumas etapas.
Primeiramente aqueça o mosto com uma chama não muito forte, pois a cevada pode queimar no fundo da panela se estiver sendo utilizado um fogão industrial. Aqueça até 45 graus Celsius (sempre mexendo com uma colher) e desligue o fogo. Mantenha nessa temperatura por 30 minutos. Então ligue o fogo novamente e aqueça até a temperatura de 55 graus Celsius e mantenha nessa temperatura por 20 minutos. Após esse tempo aqueça novamente até a temperatura de 65 graus Celsius e mantenha nessa temperatura por 30 minutos. Finalmente aqueça até a temperatura de 75 graus Celsius e mantenha por 10 minutos. Pronto a mosturação está feita. Agora um breve resumo das temperaturas e seus respectivos tempos:
1ª etapa de temperatura: 45º graus durante 30 minutos 2ª etapa de temperatura: 55º graus durante 20 minutos 3ª etapa de temperatura: 65º graus durante 30 minutos 4ª etapa de temperatura: 75º graus durante 10 minutos
Durante a mosturação, quando se desliga o fogo, deve-se controlar a temperatura com o termômetro acendendo o fogo quando a temperatura começar a baixar do pretendido. Não comece a contar os tempos até que a temperatura desejada seja alcançada! Estas temperaturas são necessárias, pois cada tipo de enzima presente no malte reage a uma temperatura específica.
De forma alguma deixe que a temperatura do mosto ultrapasse os 80º Celsius, pois irá dissolver os taninos presentes na casca do malte e deixar a cerveja com gosto adstringente.
Poderão ser encontradas algumas receitas com diferenças no processo de mosturação, tais como: atingir 45º e elevar a temperatura lentamente, 1º por minuto até atingir 65º; divergências nos tempos de repouso ou outro método parecido como o de adição de água quente ao invés de aquecer diretamente na chama de gás.
15
Este método apresentado já foi testado e aprovado. Não que os outros estejam errados ou não apresente uma boa eficiência, somente nunca os testei.
Parte 2 - Filtragem
Após a mosturação vamos direto para a filtragem.
Poderá ser utilizada uma panela com elemento filtrante, que é composto pela panela com o furo no fundo onde é conectada uma peneira (na parte de dentro colocada a alguns centímetros do fundo da panela), e uma torneira do lado de fora de forma que quando abrir a torneira saia o mosto filtrado.
Pegue todo o mosto e jogue nessa panela em cima da peneira. O bagaço da cevada irá parar na peneira e o líquido irá descer. Através da mangueira conectada ao fundo da panela retire o líquido em algum recipiente e jogue de volta na parte de cima da panela. Esse processo deve ser repetido por algum tempo, no caso é necessário fazer isso durante uns 20 minutos até que o mosto fique limpo. Isso ocorre porque quando o líquido passa pelo bagaço da cevada este retém as partículas em suspensão que estão no mosto e quanto mais se realiza esse processo, mais limpa ficará a cerveja. O processo pode ser acelerado com a utilização de uma bomba que puxe o líquido por baixo da panela e o jogue na parte de cima novamente. O mosto fica recirculando no filtro. Em quanto esse processo é feito coloque 5 litros de água em outra panela e deixa aquecer. O ideal é que aqueça até 80 graus Celsius. Quando terminar de filtrar o mosto retiro-o para a outra panela que já estava vazia. Depois de retirar o mosto do filtro acrescentem no bagaço da cevada os 5 litros de água. Essa fase é a primeira lavagem do bagaço. Agora repita o processo de filtragem novamente e já coloque mais 5 litros de água para aquecer. Após terminar a primeira lavagem, retirem o líquido para a mesma panela onde retiraram a primeira filtragem. Agora acrescente os 5 litros de água a 86 graus Celsius no bagaço e faça a segunda lavagem que já é a terceira filtragem. Repita o processo de filtragem e no final retire o líquido para a panela. Após tudo isso deveria ter 26 litros no total, mas só terão em torno de 24 a 25, pois 1 ou 2 litros ficaram retidos no bagaço e nada podemos fazer quanto a isso. Agora o bagaço pode ser jogado fora.
Caso não possua a panela com filtro, pode-se tranqüilamente utilizar uma peneira de aço. Somente tenha o cuidado de comprar uma peneira que seja maior do que a tampa
16
da panela. Adquira também um balde de plástico atóxico, para auxiliar no processo de filtragem. Filtrar o mosto dessa maneira é um pouco mais trabalhoso mais se obtém o mesmo resultado.
Passe o mosto pela peneira, com auxilio de uma caneca, por no mínimo 04 vezes. Lembre-se que quanto mais limpa seu mosto ficar melhor será o seu resultado final. Parte 3 - Lupulagem (cocção ou fervura)
Agora coloque a panela com o mosto e ligue o fogo. Neste momento pode deixar com uma chama mais forte, pois não tem cevada para queimar no fundo da panela. Espere atingir fervura e quando começar a ferver acrescente os 400 gramas de açúcar invertido e os 15 gramas de lúpulo amargor. Deixe fervendo por aproximadamente 1 hora. Após esse tempo acrescente os 15 gramas de lúpulo aromático e deixe ferver por mais 10 minutos no máximo. As substâncias aromáticas do Lúpulo são muito voláteis e se dissipam após 15 minutos.
Passado esse tempo desligue o fogo. Depois de desligado o fogo a temperatura do líquido deve baixar dos 100º para a temperatura ambiente. Pode-se utilizar um balde com água e gelo (gasta-se mais ou menos 30 minutos neste processo), ou um chiler (armação de cobre enrolada).
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Após isto deixe o mosto decantar por 40 minutos. O mosto deve ser passado direto para o tanque de fermentação que deve ser muito bem limpo para evitar contaminação que pode estragar toda a cerveja. Vede bem o tanque e ligue uma mangueira na parte de cima do tanque e mergulhe sua ponta em um recipiente com água para evitar a entrada de ar no tanque.
Existem outros equipamentos que controlam a saída de CO2, como a válvula “Air lock”. Parte 4 - Fermentação
Antes de fechar o tanque prepare o fermento se este for fermento seco, de acordo com as instruções do fabricante e acrescente-o ao mosto já frio. Nunca coloque o fermento no tanque com o mosto quente, pois o fermento morrerá. Dependendo do fermento que seja utilizado (de alta ou baixa fermentação) ele necessitará trabalhar em uma temperatura específica e se for o caso coloque o tanque em uma geladeira na devida temperatura indicada pelo fabricante do fermento. Depois de lacrado o tanque, após um dia mais ou menos irá começar a sair bolhas de ar pela mangueira que foi mergulhada na água. Isso é sinal que a fermentação já começou e o fermento está consumindo a maltose e se reproduzindo. O tempo de fermentação irá variar de fermento para fermento e também com a temperatura em que este fermento irá trabalhar. Quanto mais quente mais rápido, mas é altamente não recomendado fazer isso.
Note que o líquido após a fervura perde oxigênio. Para que a fermentação ocorra deve-se repor o oxigênio perdido durante a cocção. Utilize uma bomba de aquário (com filtro) para devolver oxigênio ao mosto. Caso não possua, pode-se fazer revirando o líquido algumas vezes com uma caneca. Este modo é bem mais simples mas deixa o mosto exposto ao ar, e pode contaminar sua cerveja.
Parte 5 - Engarrafamento
Após o término da fermentação é hora de engarrafar a cerveja. Se preferir pode colocar a cerveja em um barril e retirar como chope, a final a verdade é que esse produto que foi feito não é cerveja e sim chope, pois não fizemos a pasteurização do mesmo.
Pese em torno de 5 gramas de açúcar para cada garrafa (de 600 ml) e coloque estes 5 gramas em cada garrafa a ser utilizada. É necessário fazer isso para que se produza gás carbônico dentro das garrafas. Nunca coloque muito açúcar nessa etapa, pois as garrafas podem estourar.
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Parte 6 - Maturação
Após o engarrafamento é necessário esperar um tempo para formar o gás na cerveja e para maturar. O tempo de maturação é em torno de 10 a 15 dias. Deixe as garrafas em local fresco e ao abrigo da luz do sol, pois esta pode alterar a cerveja ou até mesmo estragá-la. De preferência deixe maturando em pé numa geladeira.
Lembre-se que este produto não contém conservantes e, portanto estraga bem mais fácil que as cervejas comuns.
Para tornar a vida útil da cerveja mais longa, é necessário pasteuriza-la. O processo de pasteurização nada mais é do que “matar” as células de fermento que ainda estão ativas no líquido. As leveduras morrem ao atingir 45º, então para pasteurizar deve-se deixar as garrafas submersas em água quente (em torno de 60º) por no mínimo 20 minutos. Mas lembre-se de realizar a pasteurização somente após o período de maturação, do contrário poderá interromper a formação do gás e da espuma.
Considerações finais
Tome muito cuidado com a higiene dos seus equipamentos. A cerveja é devida à fermentação de fungos, mas se bactérias selvagens não desejadas fermentarem no lugar da levedura, sua cerveja pode sair completamente diferente do esperado. Gosto metálico ou de frutas passadas (abacaxi e/ou banana), significa que leveduras selvagens contaminaram sua cerveja.
Cuidado também com as bactérias do seu próprio corpo, evite respirar em cima do mosto a partir da fervura e principalmente quando colocar para fermentar. Utilize uma água sem cloro, ou ferva a água antes de utilizar, pois o cloro é volátil e evapora com facilidade.
A clarificação do mosto que é a separação das cascas do malte e do cereal adjunto para se extrair só o mosto em forma líquida, mediante filtração (utilizar uma peneira ou coador de aço).
Não utilize panos de forma nenhuma, desta forma você irá contaminar sua cerveja. Para filtrar utilize somente o bagaço do malte. Passe o líquido pelo menos 4 vezes pelo bagaço.
O mosto é encaminhado para tinas de decantação e depois resfriado com o auxílio de trocadores de calor até a temperatura de 20 a 27º. O mosto deve também ser aerado, ou seja, devolvido o oxigênio que foi perdido durante a fervura. Nesta etapa verifica-se o nível de sacarose com a ajuda de um densímetro. (Este dado também irá variar de acordo com o tipo de cerveja desejado, devendo acrescentar água para equilibrar ou açúcar dissolvido).
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A fermentação é a transformação dos açúcares fermentáveis, em álcool e gás carbônico, pela ação do fermento. O tempo de fermentação varia conforme o tipo de cerveja. Nesta etapa o líquido não deverá entrar em contato com o ar para evitar a oxigenação.
Lembre-se sempre que todo o fermento que você utilizar será de “alta fermentação”, isso porque o fermento age no topo do líquido formando uma espuma rala. Para isso deixe sempre um espaço para esta espuma se formar no tanque de fermentação.
É impossível fazer uma cerveja tipo Pilsen sem refrigeração (câmara fria), pois o fermento utilizado é o de baixa fermentação. Este fermento só “trabalha” em temperaturas inferiores à 15º, enquanto o de alta suporta temperaturas de até 30º, (o ideal é 25º, esta amplitude térmica pode variar também de acordo com o tipo de cerveja pretendido, por exemplo: para uma “Stout” é bom que seja fermentado à 18º).
Na maturação a cerveja fermentada é armazenada, a baixa temperatura e sob pressão, durante mais ou menos 15 dias dependendo do tipo de cerveja.
A filtração confere à cerveja aquela cor cristalina típica, o brilho, a transparência e o sabor característico. É nessa etapa que são adicionados os aditivos na fabricação industrial. Como a cerveja caseira é sem conservantes aconselho consumi-la em no máximo 04 meses após a maturação. A filtração não é essencial, somente se houver equipamento adequado. Para cerveja caseira fica quase impossível filtrar, por isso a filtração (do mosto) e decantação antes da etapa de fermentação é que garantirá uma cerveja mais limpa.
Nesse momento já temos a chamada cerveja crua, o chope, que já está pronto para ser engarrafado. Antes de envasar deve-se acrescentar a glicose (açúcar invertido) para realização do Primming. (adicionar 08 gramas de açúcar dissolvido por litros de cerveja). Este processo é que irá fazer a cerveja adquirir a consistência de espuma e o gás dentro da garrafa.
O tempo de maturação pode variar de acordo com o tipo de cerveja, porém este tempo nunca deve ser inferior a 15 dias, para uma boa formação do gás e espuma e conseqüente estabilidade da cerveja. Sem este tempo a espuma ficará inconsistente, mesmo tendo gás incorporado ao líquido. Deve-se também evitar mexer nas garrafas, deixando-as em repouso todo este tempo.
O ideal é que a cerveja seja maturada em pé na geladeira, mas como nem todo mundo tem um freezer horizontal em casa, pode-se deixar no tempo mesmo. Basta ter o cuidado de colocá-las em um lugar onde não recebe luz direta e nem sofra variações térmicas durante o dia. Uma dispensa pode servir neste caso. (luz, calor e movimento: os três devem ser evitados durante a maturação).
Variáveis na Brasagem: Técnicas
Aprenda as variáveis que permitem que você obtenha o melhor de sua mosturação, e um ajuste em sua cama de grãos.
Na introdução da edição de Março-Abril 2003 de Brew Tecnics, foi escrito um artigo
intitulado de "brasagem por infusão”. Nele, foi dado uma rápida introdução do "cookbook" ou como executar uma brasagem por infusão. Esse artigo poderia ter sido intitulado, "sua primeira brasagem”. Desta forma poderia nomear este texto de "sua segunda brasagem”.
Como foi dito no primeiro artigo, brasagem é macerar os grãos e embebê-los em água quente, passando por uma escala de temperaturas e drenando então o mosto. Os antigos Sumérios descobriram supostamente este processo por acidente, e então os fabricantes de cerveja o aprimoraram, durante os séculos passados até o que é hoje. A maioria dos homebrewers revive aproximadamente esta seqüência histórica ao aprender sobre a brasagem – eles não tem muito controle na sua primeira vez, mas gradualmente aprimora o seu processo.
Neste artigo, discutiremos os refinamentos que podemos fazer uma vez que você já teve sua primeira experiência em sua carreira cervejística. Descreveremos as variáveis que têm maior impacto em sua cerveja final e mostraremos também alguns dos aspectos práticos em se fazer cerveja puro malte.
Comprando e armazenando a grão
Um benefício de fazer cerveja puro malte é que seu custo de produção é mais baixo do que utilizar o extrato. Você pode economizar dinheiro se você comprar uma saca de malte inteira. Uma saca de malte pesa 50, e seu custo por quilo é menor do que um pacote avulso. Muitos cervejeiros compram uma saca de grãos, e compram então os maltes especiais separados (ou mesmo, fazem em casa). Lembre-se, no entanto, que o malte é um produto alimentício perecível e vai se deteriorar com o tempo.
É bom avaliar também que os roedores e os insetos adorariam comer seu malte, e eles irão comer à vontade se você não armazená-lo corretamente. Muitos utilizam uma lata plástica de lixo com uma tampa hermética para armazenar seu malte. Isto manterá os predadores longes e - se localizado em um lugar fresco, seco - seu malte deverá manter-se saudável por aproximadamente um ano.
A moagem
Uma coisa que você pode fazer e que afeta extremamente seu rendimento é realizar uma boa moagem do malte. O grau de esmagamento em que seu malte é submetido afeta em muitos aspectos sua brasagem, e o rendimento do seu mosto.
A espessura de um esmagamento varia dos grãos de malte (sementes) que estão sendo moídas até em um pó uniformemente fino. O esmagamento adequado, sem sombra de dúvidas, se encontra entre estes dois extremos. O quanto mais fino você moer o malte, mais elevado será seu rendimento do extrato. Entretanto, quanto mais fino você esmaga, mais difícil será filtrar seu mosto porque a casca do malte é muito pequena para agir como um filtro eficiente. Além do mais, as cascas do malte quebrado em partículas, facilitará a liberação de taninos e outros componentes não desejados, alterando o sabor do seu mosto. O ideal seria você moer fino o bastante
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para que você obtenha uma boa eficiência na extração do amido e enzimas do malte, e grosseira bastante para que você filtre com facilidade, minimizando assim os sabores adstringentes.
A maior variável que afeta sua moagem é sua abertura do moinho, (o espaço entre os rolos em seu moinho de cereais). Seria bom se houvesse uma boa abertura do moinho, mas o melhor tamanho de abertura depende dos grãos a serem moídos e a velocidade em que os rolos em seu moinho giram. No geral, entretanto, uma abertura do moinho entre 0.89 e 1.3 milímetro é razoável para ser um bom ajuste, para os diversos tamanhos do malte da cevada.
Uma segunda variável que afeta sua moagem está na velocidade que os rolos giram. Os rolos de moinhos girados manualmente giram muito mais lentos do que os rolos de moinhos comerciais (elétricos). Sua velocidade média é 400 RPM, para os rolos de diâmetro de 250 milímetros. Como seu moinho é girado manualmente quanto mais lento for, mais grosso será. Para começar a moer na velocidade apropriada do moinho elétrico, você pode começar com um motor e controlar a velocidade com as "polias” mais frouxas.
A maioria dos moinhos caseiros são insatisfatórios em um ou mais quesitos, quando comparados aos moinhos comerciais. A maioria é girado manualmente e isto é faz com que o trabalho fique demasiado lento ou rápido demais. O diâmetro dos rolos em moinhos caseiros é normalmente menor do que em moinhos comerciais. E, muitos moinhos têm uma abertura fixa, desta forma não podem ser ajustados para grãos diferentes. Ainda assim, a maioria dos cervejeiros caseiros controlam a moagem para que a eficiência do extrato e do rendimento na brasagem se assemelhe a maioria das cervejarias comerciais. Como acontece isto?
Você pode julgar a qualidade de sua moagem examinando o grão que sai do moinho. O que você deve ver é poucas ou nenhumas sementes interias, abundância das sementes quebradas em duas a quatro partes e uma quantidade mínima de farinha. Se você ver que os grãos estão sendo esmagados demasiadamente - você terá uma eficiência elevada, mas dificuldade na filtragem e possivelmente cerveja adstringente (seca) - você pode fazer um ajuste maior da abertura, se seu moinho for ajustável. Inversamente, se vir o grão muito inteiro - você terá baixa eficiência, mas não terá nenhum problema na filtragem – pode ajustar a uma abertura menor ou motorize seu moinho.
No exemplo de malte pouco esmagado, você pode também moer a grão duas vezes. Mesmo se você tem um moinho sem ajuste manual, uma segunda passagem através do moinho quebrará as sementes um pouco mais. Naturalmente, o segundo esmagamento poderá ser um pouco mais trabalhoso, porque o grão não fluirá tão facilmente como quando inteiro.
Embora nós cervejeiros caseiros usemos tipicamente moinhos que os fabricantes de cerveja comerciais julgariam insatisfatório, o fato é que nós podemos fazer uma moagem decente. Estas operações seriam pouco práticas para os fabricantes de cerveja comerciais que esmagam quantidades muito maiores de grãos e, por razões econômicas, tem necessidade fazer rapidamente. Mas, ao moer menos de 10 kg todo esforço é recompensado.
Diferenças de temperatura
da temperatura de brasagem é deixado lado geralmente pelos cervejeiros caseiros -consistência e estabilidade da temperatura.
É fácil extrapolar as diferentes da temperatura na brasagem. As variáveis que aumentam o potencial para diferenças térmicas incluem: aquecimento direto da maceração, proporção entre sólidos e líquidos, agitação do líquido (para mais ou para menos), as diferenças iniciais nas grades de temperatura entre os grãos e a água da panela e as grandes diferenças de temperaturas entre a temperatura do ponto de descanso para a próxima escala.
Se você tiver que mudar a temperatura de descanso para uma grade superior, saiba que terá que agitar bem enquanto o fogo estiver ligado. Você deve agitar por um minuto ou mais assim que desliga seu queimador enquanto o calor irá continuar a fluir no mosto através do metal perto do queimador (fundo da panela).
A maioria dos cervejeiros utiliza uma porcentagem de água razoavelmente baixa, algo em torno de 2 litros de água por cada quilo de malte (ou uma relação de 2.5 / 1) que é normal. Entretanto, se você estiver aquecendo o mosto diretamente, você pode querer utilizar uma escala mais diluída. Por exemplo, se você estiver fazendo um mosto por infusão escalonada, com uma diluição em torno de 4 lts/kg (ou 4:1) será mais fácil de nivelar as temperaturas do que em um mosto mais grosso. Isto é porque a água conduz o calor melhor do que os sólidos do malte.
Ao realizar a brasagem, o interior dos grãos está em uma temperatura inferior que a da sua água. Teoricamente, misturar os dois deve favorecer a troca de calor para sua temperatura alvo. Para equalizar a temperatura deve aquecer seu mosto em torno de 5º C acima da temperatura alvo antes deixá-lo na escala correta (que supõe uma diluição média do mosto). Você pode também determinar a temperatura correta pela experimentação e pelo erro. Anote sua temperatura de água e a temperatura inicial do mosto para duas ou três vezes em que você fizer cerveja e você terá rapidamente uma boa base para que sua temperatura de água seja ideal. Quanto mais próxima sua água alcançar a temperatura correta, mais rápido seu mosto terá um rendimento satisfatório.
A temperatura de seu mosto recentemente misturado pode potencialmente ser afetada pela temperatura externa. Teoricamente, você quer aquecer o mosto diretamente a sua temperatura alvo. Fazer com que seu mosto aquecido chegue a alguns graus acima de sua temperatura alvo deve resolver. Deixe a água acomodar-se por alguns minutos, a seguir torne a aquecê-la.
Estabilidade de temperatura
Uma vez que você desliga o fogo, sua cama de grãos começará a perder calor. O melhor cenário e que seu mosto perca menos calor quanto for possível. As perdas de temperatura serão maiores quanto maior forem as bordas de sua panela. Você pode isolar, por exemplo, simplesmente com toalhas, com um "revestimento isolante térmico" que vá sobre a panela envolvendo-a ou uma isolação de fibra de vidro. Mesmo se sua panela de brasagem seja razoavelmente bem isolada - por exemplo, se você utiliza um refrigerador convertido de piquenique - a adição de uma isolação extra, poderá ajudar a reter mais calor.
Assim essencialmente, as diferenças na temperatura do mosto podem existir inicialmente e podem interferir de alguma forma durante a brasagem devido ao aquecimento ou a refrigeração. Em todos os casos, agitar bem fará as temperaturas do mosto de equilibrarem.
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Entretanto, porque você necessita deixar sua panela aberta para agitar, você perderá também o calor cada vez que você misturar o mosto. Sendo assim, você deverá adicionar algum calor cada vez que você agitar. Se você não puder aplicar o calor direto, você terá que adicionar a água próxima à fervura. Faça exame da temperatura pelo termômetro em diversos lugares dentro do seu mosto. Agite até as diferenças de temperatura não existam. A cada 5 minutos, faça exame da temperatura perto do meio e aproxime nas bordas, a seguir adicione algum calor caso e agite para trazer a temperatura ao seu alvo original. Se a temperatura mudou pouco e mostrou diferenças pequenas do meio para a borda nestes 15 minutos, deixe o descanso do mosto completar o tempo necessário. Se você notar pedra significativa de calor dentro dos 5 minutos analisados, você deverá definitivamente isolar sua panela com uma malha térmica.
Em uma panela de 25 L, eu tento que manter meu mosto cerca de 1.5º C de minha temperatura do alvo. Para manter-se dentro de meu alvo, eu tenho que aquecer e agitar cada 05 minutos. Você terá que manter o termômetro dentro do mosto durante todo o tempo. Quanto mais apertado for o controle que você faz, mais você estará monitorando, agitando e aquecendo seu mosto. Entretanto seu resultado será bem mais satisfatório.
Extração do mosto
Uma vez que a brasagem termina, e o mosto é bem recirculado, a extração do mosto começa. Um fator que afeta extremamente a qualidade de sua cerveja é quanto mosto que você coleta. O primeiro volume do mosto que você extrai em sua panela terá uma densidade de até SG 1.100, dependendo de sua diluição do mosto, e não deverá conter nenhum elemento indesejável extraído das cascas do malte (muito bem filtrado). Como você continua a enxaguar a cama de grãos com água quente (sparge), a gravidade das gotas no escorredor, e em algum ponto, fará a extração de materiais não desejados da casca. Assim, para cada kg de grão você leva a brasagem, há um volume do mosto que você pode coletar que irá render a quantidade máxima de extrato possível antes que a qualidade do mosto se deteriore.
Para encontrar seu volume apropriado do mosto a coletar por peso de malte na brasagem, você necessita um hidrômetro (densímetro) ou um medidor de pH. Meça a gravidade específica ou o pH do mosto enquanto você coleta o mosto. Todo receita tem uma gravidade específica a ser atingida
Quando a gravidade específica cair a 1.010 ou o pH se levanta a 5.8, pare de coletar o mosto e faça a anotação do volume do mosto. Divida este volume pela quantidade de malte que você levou para a brasagem. Por exemplo, siga este modelo: macerando 4.5 quilogramas de malte e coletando 20 L de mosto antes de parar. Isto significa que você coletou 4.5 l/kg de mosto. Encontrar esta relação em seu sistema permitirá que você planeje antes de coletar seu mosto, e veja a melhor relação de para experimentar alguma receita nova.
Assim você saberá se necessitar adicionar a água ao seu mosto, baseado em seu tempo previsto da fervura. Isto pode ser necessário ao fazer cervejas de receitas não experimentadas. De outro modo, com as cervejas fortes você pode usar este cálculo para predizer quanto tempo você necessitará ferver para reduzir seu volume de mosto.
Pontos importantes
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Os 10 passos principais para uma boa cerveja
O que é realmente importante quando chega o momento de melhorar o processo de elaboração de cerveja? Com o quê não temos que nos preocupar tanto?
Todos nós nos encantamos com nosso primeiro lote de cerveja. Aquele som do gás saindo da primeira garrafa é mágico!
Sem dúvida, uma vez que se foi o entusiasmo inicial, a maioria dos cervejeiros começam a estudar como melhorar sua cerveja. É neste momento no qual os cervejeiros iniciantes encontram problemas. O problema não é a falta de informação, mas propriamente o excesso dela. Livros, revistas, fóruns na Internet… todo mundo tem uma opinião sobre como melhorar sua cerveja. São tantos palpites e idéias sobre processos e equipamentos que com certeza o deixarão confuso.
Diferenciar o crítico do trivial não é fácil. Alguns aspectos importantes da elaboração de cerveja tem relativamente pouca publicidade, enquanto que se desperdiçam hectolitros de tinta e quilômetros papel em aspectos menos importantes, simplesmente porque existe uma explicação técnica de como funciona.
Neste artigo, damos os que penso ser os 10 passos mais importantes para elaborar uma cerveja melhor, em (mais ou menos) sua ordem de importância. A maioria são bem conhecidos, inclusive para os principiantes. Porém espero que, ao ordenar-los por importância, todos possam refletir sobre seu processo de elaboração de cerveja.
# 1 Limpeza
Sem discussão, a parte mais importante da elaboração de cerveja e a menos glamorosa é a de limpar seu equipamento. Sem equipamento limpo, não há como estar desinfetado e, em conseqüência, é impossível fabricar uma cerveja de qualidade.
Tudo em sua “cervejaria” deve estar limpo (inclusive o mestre cervejeiro). Por isso, qualquer superfície que esteja em contato com o mosto ou com a cerveja deve estar reluzente, também o mesmo deve aplicar-se a qualquer outra superfície de seu equipamento ou de sua área de trabalho. Caso contrário, a sujeira pode transferir de uma superfície a outra limpa, e entrar em contato com o mosto ou a cerveja. Lembre-se que suas mãos tocam muitas coisas durante o período de elaboração. Se for manejar um elemento do equipamento limpo e desinfetado depois de tocar algo sujo, lave bem as mãos antes.
Uma dos principais pontos para organizar bem a limpeza é fazê-lo todo e imediatamente depois de seu uso. Guarde tudo limpo! É muito importante limpar panelas, fermentadores ou garrafas vazias antes que a sujeira tenha tempo de endurecer. Sem dúvida pode requerer um trabalho mais difícil se a deixarmos assentar um pouco. Aliás, limpar imediatamente previne que a sujeira em seu equipamento se converta em um meio fértil de cultura para microorganismos contaminantes, o que nos leva ao passo seguinte.
# 2 Desinfecção
O mosto (a cerveja antes de fermentar) é um meio de cultura rico para microorganismos oportunistas. Porem o único microorganismo que você quer que se desenvolva nele é a levedura (a que você inocular, não a selvagem). Se em seu mosto começam a crescer bactérias ou leveduras selvagens, poderão produzir sabores ácidos, acéticos, fenólicos ou outros sabores e aromas não desejados. Sem uma adequada desinfecção, qualquer coisa que faça durante o dia de fabricação (Brew Day) poderá ser perdido.
O conselho mais importante que um cervejeiro deve aprender sobre a desinfecção é que os desinfetantes se aplicam somente depois de que o equipamento esteja limpo e somente em sua concentração adequada.
Por último, lembre-se que sua cerveja não é igualmente propensa à contaminação ao largo de todo o processo. Antes da fervura não há que ter tanto cuidado, uma vez que o calor é por si só esterilizante. O mosto resfriado e oxigenado é um meio de cultivo muito fértil para muitos tipos de microorganismos. A cerveja é menos suscetível, uma vez que é um meio ácido e alcoólico. Existem organismos que podem deteriorar a cerveja, porem o conteúdo de álcool e o pH baixo da cerveja são uma defesa parcial contra a contaminação.
# 3 Ingredientes de qualidade
Em muitos aspectos, fazer cerveja é como cozinhar, ou mesmo fazer pão. Isto é especialmente certo quando falamos dos ingredientes. Necessitamos de ingredientes frescos, de qualidade, para fazer uma boa cerveja. Portanto, é importante saber identificar os ingredientes e suas propriedades.
O lúpulo, tanto em flor como em pellets, deve ter uma coloração verde intenso e um aroma agradável. Não se deve utilizar os que possuam coloração marrom ou com aroma próximo a queijo. A melhor forma de armazenar seu lúpulo é em pacotes bem fechados e no congelador de sua geladeira ou freezer.
Os grãos de malte, incluindo o malte base (Pilsen) e os especiais, devem ter um aroma e sabor fresco. O grão velho terá um sabor e cheiro rançoso. Pegar um punhado de grãos e mastigá-los te mostrará certamente se estão adequados para fazer cerveja. O grão deve ser armazenado em um lugar seco e fresco, e deste modo durará pelo menos oito meses. O grão inteiro retém sua qualidade por muito mais tempo que quando moído, e que sempre se deverá usar em um máximo de duas semanas depois de moído.
O extrato de malte também tem que ser fresco e pode-se armazenar nas mesmas condições que os grãos. Se estiver guardado adequadamente, o extrato seco de malte (DME) durará pelo menos por um ano, enquanto que o extrato líquido de malte (LME) começará a deteriorar após 6 meses. (LME contem água em sua composição, o que explica que envelheça antes.)
O DME deve estar como um pó se estiver aglutinado como uma paçoca provavelmente terá absorvido água. O LME se tornará marrom claramente quando estiver deteriorado. Pode-se dissolver uma pequena quantidade em um copo de
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água quente e observar-lo. Veja nas bordas, onde o mosto toca o copo, se a aparência é em tom marrom.
Tendo em consideração que a cerveja é composta em média de mais de 90% por água, sua água também deve ser de boa qualidade. Antes de começar, verifique se sua água tem sabores estranhos, lembre-se que a água não deve ter gosto ou aroma, caso contrário os passará para sua cerveja. Caso sua água de torneira tenha um sabor aceitável, o principal problema passa a ser o cloro ou o flúor. Estes produtos se adicionam à água para garantir sua potabilidade, e reagirão com os ingredientes da cerveja causando sabores inadequados ou que a farão envelhecer prematuramente.
Para eliminar o cloro temos algumas alternativas: filtrar com carvão ativado ou tratamento químico. Um filtro de carvão deverá eliminar uma quantidade suficiente de cloro que permita utilizar esta água para fazer cerveja. De forma alternativa, um tratamento mediante “outros produtos químicos”, com uma dosagem correta, elimina o cloro. Se teu equipamento está limpo e desinfetado, e seus ingredientes são frescos, seu objetivo passa a ser conseguir extrair o máximo dos ingredientes, o que nos leva a…
# 4 Inocular levedura sadia
Do ponto de vista prático, o maior avanço técnico que podem conseguir a maioria dos cervejeiros iniciantes é desenvolver uma boa fermentação. E a chave para este feito é inocular uma quantidade adequada de levedura sadia. Para um lote de 20 litros de cerveja tipo Ale, é necessária a inoculação de uns 260 milhões de células vivas de levedura, destas no mínimo 95 % devem estar sadias (Nota que um pacote de fermento seco – 06 gramas - tem células mais do que suficiente para 20 litros, podendo ser utilizada em até 30 litros caso haja uma boa aeração do mosto). Estimar com precisão razoável o número de células sadias e vivas requer a utilização de um microscópio, e um reagente especial: o azul de metileno. Existe, entretanto, uma maneira relativamente mais fácil de garantir que tenha um número suficiente de levedura sadia: fazer um “starter” de sua cultura de fermento.
Para as Ales de pouca densidade original OG, um starter de 1 a 2 litros produzirá uma quantidade suficiente de células sadias, um a dois dias depois do início das atividades da levedura. Para Lagers de média densidade original, se requer um starter de 2 a 4 litros.
Isto tudo dito acima se aplica quando for utilizar levedura recuperada de outras fermentações ou quando for utilizar levedura líquida comprada pela internet. No caso das leveduras secas e com quantidades controladas não é caso para preocupação.
# 5 Temperatura de fermentação adequada e estável
Se você inoculou uma quantidade adequada de levedura, o seguinte fator mais importante a ser observado é fermentar a cerveja na temperatura ideal para este tipo de cepa e manter estável a temperatura (ao menos relativamente) durante toda a fermentação.
Se a temperatura ambiente em sua casa ou local escolhido não é adequada, existem alguns métodos comprovados que possa recorrer tais como cobrir o fermentador com uma toalha molhada, o que permite uma ligeira porem relevante baixa de temperatura. De igual modo, envolver o fermentador em mantas quentes contribui para reter o calor (se este for o caso). Você pode ainda deixar o fermentador parcialmente submerso em uma banheira, pois em meio líquido a variação de temperatura é bem menor. Soluções mais elaboradas para controlar a temperatura incluem usar um refrigerador ou freezer com termostato ou fermentadores com controle de temperatura incorporada.
# 6 Oxigenação do mosto
O último fator importante para conseguir uma boa fermentação é obter uma correta oxigenação do mosto. As leveduras necessitam oxigênio para sintetizar uns compostos chamados esterois, que as ajudam a construir as paredes das membranas celulares. Pode-se oxigenar o mosto apenas trasvasando-o algumas vezes (2-3) entre recipientes desinfetados. Uma melhor solução é conseguir um compressor de aquário e inserir ar ou oxigênio através do mosto, com um difusor de aço inoxidável.
# 7 Evitar o excesso de taninos
A fermentação é importante, porem é necessário que seja oferecido às leveduras um bom meio de propagação (um bom mosto). Ao elaborar um mosto que é o primeiro passa para se fazer cerveja, podem aparecer alguns problemas. Uma das coisas mais comuns que pode ocorrer ao macerar sua cevada é a extração de demasiados taninos da casca do malte. Caso isso ocorra os taninos farão que a sua cerveja tenha uma sensação seca e adstringente na boca (a semelhança de um vinho seco). Isto é muito bom e desejável no vinho, mas na cerveja é terrível e insuportável para o consumo. Quando isto ocorrer, a culpa habitual é o uso de muita água na lavagem dos grãos. Deve-se macerar com uma solução entre 2,2 a 4.0 litros de água por kg de malte. Porem o mais importante, não é lavar demais os grãos, mas conferir a densidade do mosto, e parar quando esta densidade for inferior a 1.008 (ou 4º Brix). O melhor, caso tenha uma maneira de medir o pH, não deixar que seja superior a 5.8). E finalmente, mantenha a temperatura da água de lavagem abaixo dos 80º C.
# 8 Manter o Oxigênio (ar - ambiente) afastado
A levedura necessita de oxigênio, a fim de reproduzir-se e fermentar o mosto adequadamente. Porem, uma vez que já começou a fermentação, deve-se a todo custo evitar a exposição do mosto o a cerveja ao oxigênio. A exposição a ar enquanto a cerveja está em processo de maturação produz sabores “de papel”, ou “papelão” devido à oxidação. Além disso, a presença do oxigênio pode favorecer o desenvolvimento de organismos que podem por todo o seu trabalho a perder, como os lactobacilos (bactérias Lácteas), que resultarão em um caráter avinagrado (ácido) nas cervejas que estão contamina. Para evitar isto, mantenha seus fermentadores bem fechados e com os “airlock” bem colocados, faça o trasvase da sua cerveja de forma tranqüila e use recipientes com pouco espaço de ar livre para maturar a cerveja. Caso tenha um sistema de barris, também é interessante encher os recipientes com CO² antes de trasvasar a cerveja.
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# 9 Uma fervura vigorosa do mosto
Uma fervura correto esteriliza o mosto, favorece a formação de um bom “hot break”, elimina os precursores de dimetil (que resultam em diacetil) e baixa o pH do mosto. Fervuras pouco enérgicas ou com um tempo insatisfatório produzem cervejas turvas e instáveis, enquanto que uma fervura vigorosa promove cervejas claras e biologicamente mais estáveis.
# 10 Um pH adequado e controlado
Quando surge o tema de pH nos fóruns de cervejeiros caseiros, pense sempre que estão falando no contexto da maceração (brasagem). O pH da maceração deve estar entre 5.2 e 5.8 para uma conversão adequada dos amidos em açúcares fermentáveis. Não obstante, conseguir um pH adequado é também importante na fervura, no mosto depois de ferver e na cerveja propriamente dita.
Durante a fervura, o pH do mosto cairá de 5.6 a 5.3, mais ou menos. Sem dificuldade consegue-se obter alguns benefícios se alcançar um pH mais baixo, de 5.0 a 5.2. Uma melhor formação do “hot break”, uma melhor perfil de sabores do lúpulo e menor escurecimento da cerveja, são três dos benefícios de uma redução do pH durante a fervura. O principal inconveniente é que o aproveitamento do lúpulo diminuirá ligeiramente.
Com o propósito de baixar o pH durante a fervura, alguns cervejeiros alemães adicionam um pouco de cálcico durante a fervura. É recomendada a adição de ¼ de colher de chá de cloreto cálcio, esta quantidade funciona perfeitamente para uma produção de 20 litros. Também se pode usar ácido láctico ou fosfórico para redução do pH. O pH da cerveja cai para 4.0 a 4.4 depois da fermentação e maturação. Se o pH da cerveja ficar muito alto, apresentará uma falta de “secura” no palato.
Conclusão
Tudo isto o que foi apresentado, não quer dizer que não haja outros fatores que ajudem a melhorar sua cerveja, o que na realidade existem. Porem esta lista exposta compreende os 10 principais fatores que com certeza fazem a diferença na produção de cerveja para os cervejeiros caseiros. Se estiver seguindo o exporto nesta lista, os seguintes processos: tratamento químico da água, afinar os parâmetros da brasagem, encontrar a receita perfeita, etc. ocorrerão com tranqüilidade e certamente afetarão o caráter da cerveja, porem não tanto a qualidade geral da mesma como os 10 passos aqui descritos. Aliás, há processos, como o resfriamento, que são igualmente importantes, porem não se tratam de “compulsórios” a ponto de se tornar um problema para os cervejeiros com uma
prática já definida.
Pode ser que encontremos muitos cervejeiros que não estarão de acordo com a ordem dos passos apresentados aqui (e um dos grandes aspectos da elaboração caseira de cerveja são os debates que inspiram e as várias formas de fazê-lo). Por exemplo, pode-se encontrar um cervejeiro obcecado com os parâmetros da brasagem, porem que trata a fermentação como algo natural e sem importância. Pelo menos, se este texto te põe a pensar sobre onde gastar seu tempo e seu esforço quando fazes cerveja (e o porquê de cada passo), então terá servido a seu propósito.