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:: Verinotio - Revista On-line de Educação e erinotio - Revista On-line de Educação e Ciências HumanasCiências Humanas Nº
Nº 6, 6, Ano Ano , , maio maio de de !""# !""# - - $u%$u%licaçãlicação o semestsemestral ral & & ''N ''N ()*( ()*(--"6(+
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A OE.V/A/E
A OE.V/A/E 'OCOH'.0RCA /O' 'OCOH'.0RCA /O' VVA1ORE':A1ORE':
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CON.RA O O RE1A.V'2O RE1A.V'2O E E O O A'O13.'2O A'O13.'2O 4.CO'4.CO'
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A7AN'. .HE .HE E.HCA1 E.HCA1 RE1ARE1A.V'2 .V'2 AN/ AN/ .HE .HE A'O1A'O13.'23.'2
'a%ina 2aura 'ilva8 'a%ina 2aura 'ilva8
Ant9nio
Ant9nio os os 1o;es 1o;es Alves88Alves88
Resumo Resumo
O ;resente arti<o tem ;or esco;o analisar os as;ectos mais ;ro%lem=ticos da ;osição multiculturalista, no >ue tan<e ?s >uest@es de naturea moralB Neste sentido, %uscou-se e;licitar e analisar os elementos mais distintivos da reDerida ;ers;ectiva terico-ideol<ica, revelando suas raFes GlosGcas, as >uais se encontram no cam;o deGnido ;elo ;ra<matismo e ;elo irracionalismo ori<inado da reeão de NietscIeB Assim, desvela-se o relativismo moral não como mera resultante conJuntural, mas como conse>Kência coerente do multiculturalismoB Alm disso, ;retendeu-se aDastar o seu o;osto a%strato, o a%solutismo moral, %aseado na conce;ção transcendental e não-Iistrica dos valores, re;resentado ;ela tematiação Lantiana, tanto dada a sua inocuidade terica e ;r=tica >uanto ;or sua insustenta%ilidade conceitual Drente aos reais dilemas morais enDrentados ;elos indivFduos sociais concretosB
$alavras-cIave: Relativismo culturalM ticaM Iistoricidade dos valoresB
A%stract
.Ie ;resent article Ias Dor tar<et to anale tIe as;ects most ;ro%lematics oD tIe multiculturalist ;osition, in Iat it reDers to tIe >uestions oD moral natureB n tIis direction, one searcIed to e;licit and to anale tIe elements most distinctive oD tIeoretician-ideolo<ical tIe ;ers;ective related one, disclosin< tIe ;Iiloso;Iical roots oD tIe same one, IicI iD Gnd in tIe Geld deGned Dor tIe ;ra<matism and tIe ori<inated irracionalism oD tIe reection oD NietscIeB .Ius atcIDull tIe moral relativism not as mere conJunctural resultant, %ut Iile coIerent conse>uence oD tIe multiculturalismB 2oreover, it as intended to move aa its a%stract o;;osite, tIe moral a%solutism, %ased in tIe transcendental and not Iistorical conce;tion oD tIe values, re;resented Dor tIe tIeor oD Pant in sucI a a <iven its tIeoretical and ;ractical innocuousness mucI its unsustaina%le conce;tual
Dront to tIe real moral >uandaries Daced % tIe concrete social individualsB
Pe ords: Cultural relativismM etIicsM Iistorical cIaracter oD tIe valuesB
Em um teto recentemente ;u%licado entre ns, Amarta 'en Q!""6 indica o >ue considera ser IoJe um dos as;ectos mais <ravosos e dram=ticos da atual crise da ;osição multiculturalista em <eralB 2omento de ineão altamente ;ro%lem=tico, vivido intensamente tanto em sua vertente terica >uanto, e ;rinci;almente, na ;olFticaB E caracteriado, so%retudo, ;ela transDormação do ideal de coeistência e com;artilIamento entre as diversas Dormas socioculturais no >ue denomina de monocultural ;luralB Eem;liGca com um caso no >ual uma Jovem oriunda de uma DamFlia imi<rante conservadora enDrenta severa o;osição ? ;retensão de se relacionar amorosamente com um Jovem in<lêsB A ;artir dele, 'en denuncia o >uanto a reDerida ;osição, >ue nasceu aus;iciosamente cele%rada como, ao menos, mais uma no es;ectro das cIamadas o;ç@es ;ro<ressistas, tornou-se seu contr=rioB .ransmutou-se de modo de ;ensar cuJa matri conceitual ;ro;u<nava e ;ros;ectivava certa a%ertura recF;roca dos indivFduos ao multiverso das Dormas de maniDestação cultural num ;osicionamento terico e ;r=tico >ue a<ora se distin<ue eatamente ;ela ele<ia do DecIamento de cada ;adrão societ=rio em si mesmoB
Neste sentido, ;or um lado, o valor >ue ;assa a orientar a reeão e as linIas de ação a ;ermanência das culturas em sua sin<ularidade imediata e a;arente auto-suGciência, numa es;cie de ensimesmamento radicalB /e certa maneira, realia-se num conteto diDerente do ori<inal, cinemato<r=Gco, o conteSdo de uma Drase ironicamente usada ;or Terner Hero< como tFtulo de um Glme: Jeder DKr sicI und 7ott <e<en allenU(WB X ima<em e semelIança do es;ar<imento e contradição dilacerantes >ue vi<em
como Dorma de ser da sociedade civil, as Dormaç@es culturais sin<ularmente tomadas devem eistir e se reconIecer neste isolamento mStuoB $or outro lado, como uma reação a esse modo de ver e de atuar, o%serva-se as recentes ondas de intolerYncia ;ara com as diDerenças culturais, consu%stanciadas na diversidade de ritos reli<iosos e de costumes, %em como o renascimento de <rêmios ;olFticos cuJo car=ter ;r;rio radica na ;ro;osição de Dormas de or<aniação sociais ut;icas ne<ativas e re<ressivas, com todo o seu s>Kito ideol<ico carre<ado de nostal<ia e irracionalismoB
rente a este desenIo do estado da arte ;olFtico do multiculturalismo, o autor ;ro;@e como dia<nstico a identiGcação de uma du;la conDusão ideol<ica & no sentido o mais neutro do termo & ;roduto de um trYnsito Iistrico no decorrer mesmo da a;licação da ;ers;ectiva multicultural como arrimo do <erenciamento ;olFtico das contradiç@es sociaisB A ;rimeira conDusão reside em amal<amar num s conJunto de ideais duas ;osiç@es >ue se contra;@em em essência, conservadorismo cultural e li%erdade cultural:
O Dato de ter nascido numa comunidade natural não constitui, ;or si s, ;rova de li%erdade cultural, ;ois, não uma escolIa ativaB Em contra;artida, a decisão de ;ermanecer Grmemente li<ado ao modo de vida tradicional ;ode ser um eercFcio de li%erdade, se essa escolIa Dor Deita a;s o estudo de outras o;ç@es ;ossFveisB /o mesmo modo, a decisão de tomar distYncia Qde maneira sutil ou radical dos com;ortamentos tradicionais, decisão tomada a;s reeão e raciocFnio, i<ualmente um ato de li%erdade multicultural Q'EN, !""6B
= a se<unda conDusão se situa num cam;o mais ;articular das ;u<nas culturais, es;ecialmente candente nos dias atuais, >ual seJa, a indistinção entre reli<ião e culturaB Não a;enas a indistinção entre uma Dorma universal, o car=ter cultural da vida Iumano-societ=ria, e uma de suas maniDestaç@es ;articulares ;ossFveis, a tentativa de relação com um su;osto divino transcendentalB Neste sentido,
se a reli<ião ;ode ser um critrio de identidade im;ortante ;ara os indivFduos Qes;ecialmente >uando eles ;odem o;tar livremente ;or a%raçar ou reJeitar as tradiç@es Ierdadas ou adotadas, tam%m eistem outras ades@es e Gliaç@es & ;olFticas, sociais, econ9micas & >ue as ;essoas têm o direito de manterB 'em contar >ue a cultura não se resume ? reli<ião Q'EN, !""6B
Em verdade o >ue se tem, indica 'en, uma verdadeira redução da ;rimeira ? se<unda, di<a-se en ;assant, al<o %em ao <osto das correntes GlosGcas ainda ;redominantes no ;anteão acadêmico, ;ara as >uais a recu;eração do vivido ;assa necessariamente ;ela ne<ação a%strata do universal a%stratoM a isso voltaremos mais ? DrenteB
O >ue ;ode se inDerir na consideração do insi<ne economista, tanto no >ue tan<e ? ;rimeira >uanto ? se<unda conDus@es, >ue, ;ara ele, todo o ;ro%lema se resume ? ;erda de vista, Iistoricamente en<endrada, do ;aradi<ma moderno do direito individual de se situar livremente deDronte ao mundo, natural ou social, com a conse>Kente eleição da su%mer<ência a%strata e a%soluta do suJeito Iumano em sua cultura ;articular como meta e modo de viver ;ar ecellenceB Evidentemente >ue tal ;ro%lema eiste e ;ode ser a;ontado como uma das vari=veis ideol<icas >ue teriam ;ervertido a ;osição multiculturalB No entanto, ca%e ;er<untar, em ;rimeiro lu<ar, se esse a%andono do Iorionte moderno ca;a de dar conta, como e;licação, de toda a <ama de elementos com;licadores >ue atravessam e enviesam conservadoramente as ;osiç@es culturalistasB Em se<undo lu<ar, como desdo%ramento da ;rimeira o%Jeção, ;reciso tam%m in>uirir se, au Dond, as atitudes ideol<icas contem;orYneas >ue, a;arentemente, minam os ideais multiculturalistas, não são elas mesmas resultantes ;ossFveis dos ;r;rios ;ressu;ostos da ;osição multiculturalB Ou seJa, o multiculturalismo não seria ele mesmo vitimado, em ori<em, ;or conteSdos tericos e ideol<icos os >uais, no Gm das contas, não ;oderiam levar senão ao enclausuramento cultural como divisado e deDendido ;elas correntes atuais do movimento multiculturalistaZ
Harr 7ensler, em um teto intitulado 4tica e Relativismo Cultural Q())#-!""", ;retende, a ;artir da construção de um ;retenso di=lo<o crFtico com uma G<ura Gccional, Ana Relativista, a<rar, com relativo sucesso Q;ermita-nos o ;o%re trocadilIo no discurso multicultural, em sua versão dedicada ? moralidade, os ;ontos terico-ideol<icos Dr=<eis do mesmoB .omando como o%Jeto a tese a >ual, se<undo ele, o ;ilar do relativismo cultural, >ue identiGca sem mais %em a socialmente ;rovado, intenta demonstrar a insustenta%ilidade da ;r;ria ;osição relativista em matria de ticaB $ermitindo >ue a tese se e;onIa ;or si, o autor e;licita a ;osição em tela como a>uela na >ual se recusa a o%Jetividade de valores e critrios morais em %eneDFcio de uma su;osta com;reensão da ;roDunda %ase cultural >ue su;orta a moralidadeB ase cultural esta >ue se resume ao >ue ;redominantemente, ou
mesmo maJoritariamente, se aceita ou se tolera como [certo\ em uma determinada e sin<ular Dormação societ=riaB Neste sentido, a ;retensa o%Jetividade da moralidade so%re a >ual re;ousariam as normas se desvela como uma ilusão in<ênua, na melIor das Ii;teses, ou então como resultado do contFnuo e reiterado encucar de necessidades de manutenção da ordem social so% a Dorma de valores moraisB Não eistiriam Datos sociais o%Jetivos aos >uais se remeteriam os valores, Dora da sim;les e ;ura ;redominYncia de uma ;osição social ;articular >ue vi<ora dentro dos limites de cada cultura sin<ularB /esse modo,
as atitudes variam em Dunção do es;aço e do tem;oB As normas >ue a;rendi di-nos AnaW são as normas da minIa ;r;ria sociedadeM outras sociedades ;ossuem diDerentes normasB A moral uma construção socialB .al como as sociedades criam diversos estilos culin=rios e de vestu=rio, tam%m criam cdi<os morais distintos Q7EN'1ER, ())#-!""", ;B (B
A imensa diversidade social e a conse>Kente enorme variedade de maniDestaç@es culturais das mesmas ;oriam, se<undo essa maneira de considerar a moral, o Dato de uma i<ual diversidade moral irredutFvel a >ual>uer ti;o de universalismo ticoB Assim sendo, os valores, seus o%Jetos e, ;rinci;almente, as valoraç@es eDetuadas a ;artir deles não teriam o car=ter de uma ;ermanência ou de uma universalidade Iumanas, mas se desvelariam como a%solutamente relativos a cada Dormação social isoladamente tomadaB Com;ortamentos Gados como maus ou interditados socialmente numa cultura ;articular - o inDanticFdio ou o incesto, ;or eem;lo - ;odem ser muito %em não a;enas tolerados, como at mesmo serem considerados como ade>uados, em outrasB 2al seria um termo relativo, não ;assFvel de ;reencIimento a%soluto, ;autado ;ela reDerência a um dado o%Jetivo da realidade cultural Iumana em <eral, mas tão-somente na de;endência da>uilo >ue em cada uma das realidades culturais se aceita ou se reJeita como malB A inicial diversidade societ=ria Iumana, de um dado evidente da realidade, ;rimeiramente convertida em ;luralidade, ou seJa, na aGrmação da eistência, ;or ;rincF;io, isolada e auto-suGciente das Dormaç@es ;articulares, ;ara, num se<undo momento, transmutar-se a<ora na G<ura de culturas cuJo <ênero reside nas mesmas, em sua sin<ularidade imediataB .orna-se ;atente neste movimento de cate<oriação a Dratura do <ênero Iumano em tantos [<êneros\ >uantas Dormas de or<aniação social IouverB A ;r;ria remissão a um <ênero Iumano se com;romete na medida em >ue a varia%ilidade social se a%re como num le>ue de do%raduras ao inGnito no >ual cada marca se torna uma Dronteira >ue ao mesmo
tem;o delimita umas e outras Daces e as Da ;raticamente incomunic=veis Iistrica e socialmenteB
4 ;ossFvel a;ontar a>ui J= uma indistinção cuJa im;ortYncia terica ;arece-nos de <rande montaB /e um lado, entre socia%ilidade, o car=ter eminente e ine<avelmente social do Iumano, o Dato de >ue o indivFduo ser socialB E de outro, as Dormas sociais ;articulares e concretas atravs das >uais o car=ter social se ;roduiu e se ;roduB Ou seJa, tudo se ;assa como se não ;udssemos a;ontar nas Dormas sociais eDetivas traços comuns >ue determinariam essa Dorma mais <eral da vida IumanaB $ara alm da evidente e>uivalência a%soluta das culturas, ;odemos indicar a ineistência mesma da Iistoricidade, a >ual Da ;ermanente em ns, >ue re;udiamos o inDanticFdio, a Roma, onde, se<undo nossa ami<a Ana, tal era tolerado, não o%stante como ;articularidade ne<ada modernamenteB Historicidade como Jo<o indeGnido e irremediavelmente a%erto de continuidade e ru;tura, en>uanto com;onente do evolver Iumano resta o%nu%ilado ;ela retrica a;arentemente tolerante do relativismoB
.olerYncia, ;ois, nada mais >ue a;arência con>uanto o ;r;rio suJeito reeivo, >ue eamina as normas morais e as sur;reende como a%solutamente relativas, não ;ode ele mesmo esca;ar da limitação de sua ;r;ria sociedade, senão so% o ;ressu;osto Dant=stico de ele, e somente ele, ;oder esca;ar desta so%redeterminação ;articular e ;articulariadoraB Ora, ;or um lado, tolerar si<niGca com;reender, uma ve sendo cada cultura um <ênero, não me seria ;ossFvel, verdadeiramente com;reender, realiar um movimento de ir ao encontro da diDerença, movimento este >ue estaria calcado num ti;o >ual>uer de comunidade, ao menos virtual, de IumanidadeB .oda a aGrmação da diDerença soço%ra assim na mera descrição da Justa;osição de culturais muradas ;or sua diversidade recF;roca a%soluta, numa es;cie de [soli;sismo cultural\B 'er tolerante então, ou %em ser indiDerente, ou %em tornar-se inca;a de Jul<ar, de assumir al<uma ;osiçãoB .anto num caso como noutro antes Du<ir da >uestãoB /esse modo,
a doutrina do relativismo
não tenta esta%elecer normas comuns entre sociedadesB X medida >ue a tecnolo<ia invade o ;laneta, as dis;utas morais entre diDerentes sociedades têm tendência ;ara se tornarem mais im;ortantesB O ;aFs A a;rova a eistência de direitos i<uais ;ara as mulIeres Qou outras raças e reli<i@es, mas o ;aFs desa;rova-osB ]ue deve Daer uma com;anIia multinacional >ue o;era nos dois ;aFsesZ Ou as sociedades A e têm conitos de valores >ue
conduem ? <uerraB /ado >ue o relativismo cultural ;ouco nos aJuda acerca destes ;ro%lemas, oDerece-nos uma %ase muito ;o%re ;ara res;onder ?s ei<ências da vida no sculo ++B Q7EN'1ER, ())#-!""", ;B ^B
$or outro lado, a sacraliação da diDerença como valor a%soluto ;ode, ;aradoalmente, levar ? a%solvição da intolerYncia, uma ve >ue esta se transDorma em mera diversidade de valor interculturalB Neste caso, Hitler e o naismo ;odem muito %em [estar certos\, em se considerando seus [;ontos de vistas\ ;articularesB Ou mesmo vir a tornar com;reensFvel a ;erse<uição mesma das minorias, uma ve >ue tal com;ortamento ;ode ser tomado como um %em ;elo sim;les Dato de ser ;redominante numa cultura determinadaB 1o<o, como aGrma o autor, tal ;ers;ectiva [ intolerante ;ara com as minorias Q>ue automaticamente estão erradas e Dorçaria Rita a aceitar o racismo e a o;ressão como sendo %onsB sto decorre da deGnição de _%em` como al<o _socialmente a;rovado`\ Q7EN'1ER, ())#-!""", ;B B
Acresce-se a isso, a conDusão de instYncias >uando ;ostas de modo anal<ico, como tendo o mesmo ;eso, a moralidade e as maniDestaç@es culturais Gadas nos costumes, e mais <rave ainda, a ;resença, corretamente indicada ;or 7ensler, de certo conservadorismo inerente ao relativismoB Ora, se o >ue %om a>uilo aceito ;redominante ou maJoritariamente na minIa cultura, ou nas diversas outras culturas sin<ularmente tomadas, não I= como o indivFduo, ou os <ru;os sociais, contra;or ? moral dominante ou aos valores vi<entes nenIum ti;o de resistência ou ;ro;osta de transDormaçãoB O relativismo cultural, no >ue res;eita ? transDormação social, nos leva, ;or necessidade de seus ;r;rios ;ressu;ostos discursivos & a identidade entre o %em e o socialmente aceito & a rece%er e <uardar a moral vi<ente em nossa sociedade como al<o certo ;or si mesmo, de modo acrFticoB Numa es;cie de [;ositivismo moral\ torna o eistente valor e veda, ao menos ;otencialmente, a ;ossi%ilidade de transDormação social e moralB Nas ;alavras de Ana, [Atravs do relativismo cultural tornei-me tam%m mais rece;tiva ?s normas da minIa ;r;ria sociedade\ Q7ensler, ())#-!""", ;B !B
Essa enumeração de ;ro%lemas não es<otaria ainda o elenco de elementos inconsistentes ou inaceit=veis >ue caracteriariam a encenação do relativismo cultural no ;alco acadêmicoB /ois outros teriam ;a;el decisivoB /e um lado, a recusa da o%Jetividade como [mito\, e de outro lado, o ilo<icismo inerente, o >ual tornaria o discurso >uase >ue um non-sense teorticoB ]uanto ao se<undo
as;ecto, o ;rimeiro na ordem de ar<umentação de 7ensler, o >ual constitui, a nosso ver, o mais sim;lrio, est= em%utido na ;r;ria aGrmação da diDerença a%soluta como valor, >ue levaria o discurso da tolerYncia radical a se ne<ar a si mesmo, uma ve >ue se veria o%ri<ado a aceitar, de %om <rado Q;ois uma >uestão de ;rincF;io, e não de ;ra<m=tica, a intolerYncia e a violência culturais, con>uanto estas seJam reconIecidas como marcas antro;ol<icas de um dado [<ênero cultural\B = no >ue toca ao ;rimeiro as;ecto, de car=ter mais decisivo, curiosamente o ;r;rio autor não conse<ue ser tão incisivo e ;erem;trio, não o%stante o alcance da ;ro%lem=tica seJa de vital im;ortYncia ;ara a moralB
Neste ;asso sur<e um as;ecto >ue, curiosamente, ;@e num mesmo conJunto teortico o relativismo cultural, o ;ra<matismo e a tradição de ;ensamento nascida com NietscIeB O >ue ;ermite classiGcar ou reuni-los so% uma mesma ru%rica GlosGca o ;ers;ectivismo, o >ual, a nosso ver, atravessa tanto o relativismo cultural >uanto as demais correntes de ;ensamento reDeridasB O >ue denominamos a>ui, com certa li%erdade conceitual, de ;ers;ectivismo tem na divisa discursiva nietscIiana, constante de Vontade de $otência, se<undo a >ual [não eistem Datos, a;enas inter;retaç@es\, a sua e;ressão a mais claraB ADorismo >ue oDerece na sua maneira direta e a;odFctica uma a;arência de li%eralidade total e, ;ara al<uns, a contra;elo do ;r;rio ;osicionamento de NietscIe acerca da ;olFtica, uma Dundamentação da democracia, mas >ue em realidade nada mais >ue ne<ação da o%JetividadeB Assim como ;ara o discurso nietscIiano, ;ara o relativismo cultural a ne<ação do car=ter o%Jetivo do mundo e da vida Iumanas constitui o Dundamento da ;r;ria li%erdade realB 2uitos se alimentam teoricamente dessa ilusãoB lusão e a;arência >ue nascem da ne<ação metaDFsica da o%Jetividade metaGsicamente aGrmadaB
O >ue ;oderia resultar da aGrmação da não eistência de Datos senão a sua ilo<icidade ou sua irrelevYnciaZ VeJamos: em não eistindo Datos o%Jetivamente ;ostos aos >uais a intuição sensFvel, a re;resentação e o discurso tenIam de se Gar, o >ue restaria entãoZ Em ;rimeiro lu<ar, a G<ura de um [eu\ auto-centrado e a%solutamente auto-suGciente >ue ;ermaneceria como Dundamento Sltimo de ;erce;ç@es, de re;resentaç@es mentais e de lin<ua<emB 3m eu soli;sista, ;ressu;osto do mundo, o >ual não seria mais >ue meu mundo, coisa >ue a ;r;ria estrutura da consciência >ue se e;ressa no discurso aca%a ;or ne<ar, uma ve >ue consciência estar consciente deBBB e Dalar Dalar deBBB QcDB 2AR+, ()6), ;B !6B A naturea da ;r;ria vida e atividade Iumanas denuncia de modo ca%al a o%Jetividade inerente ao estar no mundo concretamente,
seJa na Dorma dos aDetos e carecimentos, seJa no modo de reali=-los e res;ondê-reali=-losB Não se trata a>ui, %em entendido, de uma nova versão da interdição <nosiol<ica cl=ssica em moldes Lantianos, onde das /in< restaria ;ara sem;re inco<noscFvel, sendo na se>Kência re%aiada ? cate<oria de Den9meno do conIecimentoB Na asserção em >uestão, a ;r;ria /in< >ue declarada como não-eistenteM o caso mais radicalB 4 ? ;r;ria o%Jetividade, ao car=ter ;or si de coisas e relaç@es, >ue a ne<ação nietscIiana se diri<eB
Alm disso, a ;r;ria Drase ;adece, em sua enunciação, da autone<ação con<ênita de suas condiç@es de eistência como discursoB Ou seJa, se a não-eistência de Datos ela mesma um Dato, como NietscIe ;arece asseverar, lo<o o discurso assim ;osto se ne<a a si, ;ois Iaveria um Dato irredutFvel, ao >ual todas as inter;retaç@es ;ossFveis remeteriam como seu Dundamento: eatamente a não-eistência de DatosB No limite, um discurso >ue declare a ineistência de seu o%Jeto Dora dele, ;ode estar anunciando simultaneamente a insustenta%ilidade de si mesmo, o >ue não seria tão <rave se não indicasse tam%m, como conse>Kência >ue etravasa a l<ica dos enunciados e invade a do real, >ue ele não ;recisa ou a%re mão voluntariamente, e o re;itamos, de %om <rado, do reDerente Dora deleB O >ue seria um discurso auto-reDerenciadoZ 3m Dalar >ue não tem na coisa de >ue Dala seu critrio, ;ois ela nem mais eiste, mas tem em si ou, [mais interessante\ ainda, na>uele >ue o di a Donte de sua validadeB Outra coisa não se esconde ;or detr=s dos [tão %ons livros\ de NietscIe >ue uma nostal<ia de uma Dundamentação ad Iominem do discurso, onde a verdade & ou o >ue >uer >ue sustente a veracidade ou validade discursivas & ;rovenIa não do >ue dito, mas da>uele >ue a enunciaB A verdade a;an=<io de >uem se e;ressa, não do e;ressadoB A vontade de Iierar>uia se e;licita onde menos sus;eitam os arautos da [;s-modernidade\ e se desvela como resultantebDundamento do ;r;rio discurso contem;orYneo >ue mais se nutre do ;ers;ectivismo, ou da ne<ação da o%JetividadeB O >ue constitui, então, o se<redo mFstico se;ultado so% a a;arência [democr=tica\ da ne<ação da o%Jetividade a re;osição da autoridade aristocr=tica como Donte de le<itimidade discursiva QcDB O5ERM CO2.E-'$O2V11E, ())B A isso se soma a total irrelevYncia >ue resulta de uma assertiva desse talIeB $ois, se ao Gm e ao ca%o, não eistirem mesmo Datos, se tudo Dor inter;retação, e;ressão solit=ria de [meu ;onto de vista\, do deseJo do suJeito volitivo, lo<o & NietscIe certamente detestaria este conectivo ;ro%atrio & todas as inter;retaç@es valem, ao menos a ;rincF;ioB Então, com >ue [direito\ um [olIar\ ;ode re>uerer mais di<nidade co<nitiva >ue um outroZ Assim, tendo um Dalante o mesmo ;oder >ue um outro, I= e>uivalência de [Dato\ e de [direito\, nin<um deve, ;ois se do%rar a nadaB O resultado a indiDerença mStua ou o silenciamento do outro ;ela violênciaB $or
esse motivo, a asserção nietscIiana se torna ela mesma irrelevante como critrioB
Ne<ação, ou ao menos relativiação, do neo entre discurso e mundo, entre discurso e verdade, re;osição da autoridade como Donte de le<itimação, estruturação Iier=r>uica de mundo, destituição da o%Jetividade, tais não são a;enas ;ro%lemas <nosio-e;istemol<icos, mas estão ;renIes de conse>Kências ;ara o terreno da moralB Em tendo ne<ado a o%Jetividade do mundo e, ;or conse<uinte a o%Jetividade do outro, >ue reDerencial temos ;ara a ação e ;ara o JuFo senão a ditada ;elo deseJoZ 3ma ve >ue a o%Jetividade do mundo e dos outros, o car=ter de ente dos mesmos, ne<ada, as Snicas ;eias, se >ue elas eistem, são as ;ostas ;elo limite da inter;retação inGnita do outro matriada ;elo meu ;arecer, e a;enas ;or eleB 3ma ve >ue a com;reensão do outro como outro transDormada em mais uma [inter;retação\, esta resta, ou %em como um salto mortal irreali=vel, ou %em como mero re;to tico im;otente ;or deGniçãoB 3ma outra conse>Kência de tomar-se o ;artido das inter;retaç@es auto-reDerenciadas em moralidade, o Dato de >ue se, aGnal, não eistem Datos aos >uais os JuFos e avaliaç@es se re;ortem, o >ue decide & e em moral I= sem;re >ue se decidir, de outra coisa não se trata & >ual JuFo v=lido ou >ual norma vale a ;ena, a [correção\ estar= sem;re do lado da>ueleQs >ue melIor ;uderQem im;orQem seu [;onto de vista\B Em outros termos, trata-se da advocatura de uma moral da Dorça ou do ;oderB Na lin<ua<em nietscIiana, >ue não ori<inal, a inter;retação mais correta ser= invariavelmente a dos melIores, dos aristiB No cam;o da com;reensão da dinamicidade scio-Iistrica da moral, a visualiação e avaliação das alteraç@es dos ;adr@es de moralidade Gcam altamente com;rometidas, senão invia%iliadosB
4 neste ;articular >ue o relativismo cultural se encontra com o ;ers;ectivismo, >uando tem >ue tomar como o%Jeto de reeão as diversidades diacr9nica e sincr9nica da eticidadeB No >ue res;eita ? ;rimeira, o m=imo >ue se alcança o vislum%re ;ositivista da se>Kência cronol<ica do [diDerente\ a%stratamente Gado, sem reDerência ?s linIas de continuidade e de ineãoB Com relação ? se<unda, o terreno de dis;uta ;ro;riamente do multiculturalismo, a diDerença Ii;ostasiada em sua Dorma mais imediata, as Dormaç@es Iistrico-sociais ;erdem sua coneão recF;roca, mesmo a>uela Iavida ;elos modos contraditrios e estranIados do ca;ital mundial, e se recai no discurso sancionador e com;lacente ;ara com Dormas sociais ;risioneiras do arcaFsmo e ne<adoras da individualidadeB
/e certo modo, o ;ra<matismo, como corrente GlosGca, tam%m com;arte deste ;ertencimento ao, ;or assim dier, cam;o ideol<ico deGnido ;elo ;ers;ectivismoB A indiDerença ;ara com a o%Jetividade um ;onto mais >ue evidente da ;osição ;ra<m=tica, não o%stante sua acentuação no termo [;r=tica\, Deito desde suas ori<ens modernas com Tilliam amesB A esse res;eito, vale ressaltar >ue muito em%ora ames se ;ermita a remissão ? noção de ;r=tica em Aristteles, tal resiste a um eame mais detidoB No caso do esta<irita, a ;r=tica não ;erde nunca, so% a ;ena de ser tão-somente imitação, Jamais realiação virtuosa, sua relação com a o%Jetividade, com o estado de coisas da realidadeB Neste sentido, o metro do JuFo a ade>uação da ação ? situação o%Jetiva vivida ;elo a<enteB Ade>uar-se >ue ei<e sem;re como seu ;ressu;osto ou sua contra;artida a intelecção o mais ;rima ;ossFvel das causalidades e contin<ências envolvidas nas circunstYncias nas >uais se a<eB H= >ue a<ir, não I= outro im;erativo ;ara a moral >ue este, mas de >ual a<ir se trata a >uestão centralB Aristteles se reDere sem;re a um a<ir ;arametrado ;elo sa%er das causas, não um >ue a;enas ou necessariamente [acerte\ ou [leve ao sucesso\B A<e-se %em >uando o a<ente sa%e ;or >ue toma tal atitude e >uando seu a<ir vai deli%eradamente ao sentido da decisão tomada com vi<or e ;erseverançaB A<e-se %em >uando se Da o melIor ;ossFvel QAR'.O.E, ())!, ;B B
/e coisa muito diversa se trata a ;osição ;ra<m=ticaB 4 de uma ordem de determinaç@es distintas da ;r=tica ri<orosamente delimitada acimaB Não se deGne ;ela ;raiolo<ia, mas ;or uma ;ra<mata, não ;or um reconIecimento ontol<ico da realidade, a su%sunção ativa ao momento ;re;onderante da o%Jetividade, mas ;ela su%Jetivação do mundo em conJunto ;lural de JuFosB O centro de <ravidade do ;ro%lema deslocado do ;or-si ;ara o ;ara-ns, da l<ica imanência o%Jetiva ;ara a>uela delimitada ;ela transcendência su%JetivaB /iDerente do ocorre no racionalismo idealista, onde a transcendência a%strata se d= como universalidade Drente ao ;articular, a>ui o ;articular >ue delimita a esDera de validade de >ual>uer universalidade ;ossFvelB Nessa relação de transcendência su%Jetivamente ;osta, a noção mesma de corres;ondência se encontra recusada em %eneDFcio da ;luralidade das e;eriências su%JetivasB 'u%Jetivismo, relativismo e utilidade constituem assim o tri; so%re o >ual se arma a conce;ção ;ra<m=tica de mundo, o >ue resulta num certo [relaamento\ de o;ini@es e eames, na ;ossi%ilidade mesma da aceitação de >uais>uer idias, uma ve >ue o critrio o ;uro acordo entre os suJeitos ou a conveniência ;r=tica da>uelas ;ara a ação imediata QA2E', ()*^, ;;B !6-!#B Neste ;asso, ;reciso dier com ames >ue, como >ual>uer ;osição terica, o ;ra<matismo [si<niGca tam%m uma certa teoria da verdade\, dentro da >ual não I= Verdade, mas tão somente [verdades no ;lural\B O >ue não im;ede
nem dis;ensa a teoriação, mas de certo modo a re%aia ao nFvel do a;orte ;ro<ram=tico, cuJa Gnalidade não mais o domFnio de um ;or-si real e concreto, o descortino da malIa de determinaç@es essenciais da eDetividade material, em ;oucas ;alavras, a com;reensão e e;licação de um ;rocesso ou o%Jeto, mas a mo%iliação imediata de recursos com vistas ao êito, o >ue se situa nos antF;odas da tradição Dundada ;or AristtelesB
Contra essa [<uerrilIa\ contem;orYnea versus a o%Jetividade, 7ensler Q!""6, ;;B 6-# não Da mais >ue re;etir eaustivamente, como um conDorto discursivo, a velIa e surrada o;ção ;ela [re<ra de ouro\ LantianaB A;elando a essa m=ima não ;ela sua [;rodutividade\ concreta Drente aos dilemas ticos, mas sim;lesmente em virtude de sua aceitação, ao menos no ;lano ideol<ico, ;elo conJunto da Iumanidade, Neste conteto, a saFda ;ro;osta %astante Dr=<il J= >ue não conse<ue articular com um mFnimo de coerência ar<umentativa o%Jetividade e valorB A >uestão encontra-se, de certa maneira, desviada metaGsicamenteB [em\, [mal\, a [o%Jetividade dos valores\, são tomados de modo a-Iistrico, como Dormas ideais ;uras da racionalidadeB ]uer-se aDastar o ;eri<o re;resentado ;elo ;ers;ectivismo do relativismo cultural ;ela m=<ica da su;osição de uma moral a%soluta, cuJos Dundamentos situar-se-iam nos rinc@es da su%Jetividade racionalB Como resultado, não se tem a reaGrmação da o%Jetividade dos valores na sua concretude relativa e Iistrica, mas a re;osição do mito de uma moralidade Dundada na autonomia da raão ;uraB Neste sentido, ;reciso dier >ue Pant não o melIor remdio contra NietscIeB E isto, não o%stante os mritos de deDesa da raão ;elo ;ensador do iluminismo alemãoB Em verdade, Pant re;resenta muito mais a re;resentação consciente de uma crise de cientiGcidade >ue sua solução eDetiva Q13PC', ()#", ;;B (-(*B
Não o%stante 7ensler Q!""6, ;B # acertadamente o%serve a necess=ria transcendência da o%Jetividade com relação ? su%Jetividade, a Dorma como Da a sustentação deste acerto resulta no es%oroamento de seus esDorços na medida em >ue aceita os termos ;ostos ;ela retrica relativistaB .omando a >uestão tão metaGsicamente >uanto seu advers=rio, o autor termina ;or conse<uir somente contra;or ? crFtica a%strata da o%Jetividade dos valores uma deDesa, i<ualmente a%strata, de um universalismo Iumano sem IistriaB Neste conteto, cai numa armadilIa conceitual ao aceitar t=cita e tran>uilamente a monta<em usual de ;ares metaDFsicos, sem lIes ante;or o mFnimo escrutFnio de validadeB O%Jetivo ou real a;arece sem;re entrelaçado a a%soluto, e relativo a su%Jetivo ou sin<ularB A recolocação da o%Jetividade dos valores, sua eDetividade, neste dia;asão, s ;ode conduir a uma
remissão a al<um ti;o de transcendentalidade da raão ou a um naturalismo >ual>uerB Não ;or acaso a reDerência ? ;sicolo<ia de PoIl%er<B Evidentemente, 7ensler não ;retende Dundamentar sua recusa terica do relativismo cultural a ;artir de uma reconstrução e;istêmica das estruturas da ;si>ueB O ;a;el desem;enIado ;ela reDerência a;enas ilustrativoB 2as não deia de ser em%lem=tico a escolIa de um cientista social >ue redu a >uestão da moralidade tão-somente ?s condiç@es de ela%oração da su%Jetividade individual, onde o Iistrico-social sim;lesmente não a;areçaB A ;resença de um [Lantismo ;sicol<ico\, da transDormação do suJeito transcendental em estrutura ;sicol<ica do indivFduo isolado não acidentalB Anula-se a>ui a %ase de com;reensão real das determinaç@es socioIistricas eDetivas da moralidadeB
2uito ao contr=rio da sustentação de uma des<astada e desalentada versão moral da raão auto-sustentada ou de uma universalidade Iumana dada muda e <enericamente aos Iomens, ;arece-nos mais interessante a;reender a naturea social da moralB Não a aGrmação =rida e estril da mera diDerença tomada em a%soluto, mas da com;reensão do <ênero Iumano e de suas Dormas de ser, dentre elas a moral, uma das mais im;ortantes, mas nunca a ;rimeira ou a determinativaB Assim sendo, im;erioso um reeame da ;r;ria noção de <êneroB Em ve do <ênero mudo Qnatural ou transcendental, ca%e indicar o <ênero Iumano como <ênero social constituFdo ;elas relaç@es sociais e ;elo >ue os Iomens eDetivos, vivos, ativos e sociais Doram e sãoB Ou seJa, nos termos de 2ar, o Iomem
não a;enas ser natural, mas ser natural Iumano, isto , um ser >ue ;ara si ;r;rio e, ;or isso, ser <enrico, >ue en>uanto tal deve atuar e conGrmar-se tanto em seu ser como em seu sa%erB $or conse<uinte, nem os o%Jetos Iumanos são os o%Jetos naturais tais como se oDerecem imediatamente, nem o sentido Iumano, tal como imediata e o%Jetivamente, sensi%ilidade Iumana, o%Jetividade IumanaB Nem o%Jetiva, nem su%Jetivamente est= a naturea imediatamente ;resente ao ser Iumano de modo ade>uadoB E como tudo o >ue natural deve nascer, assim tam%m o Iomem ;ossui seu ato de nascimento: a Iistria, >ue, no entanto, ;ara ele uma Iistria consciente, e >ue, ;ortanto, como ato de nascimento acom;anIado de consciência ato de nascimento >ue se su;era Q()**, ;B !"#B
Neste sentido, o ser <enrico dos Iomens não um ;ressu;osto natural ou transcendental, mas antes ;roduto concreto da Iistria eDetiva dos ;r;rios IomensB O Iomem não então mais
uma naturea Ga ou uma condição, mas ;osição do >ue os indivFduos reais ;roduem em suas atividades e suas relaç@esB $rodução >ue determina o ;atamar de Iumanidade atin<ido em momentos es;ecFGcos do desenvolvimento social, em Dunção da a;ro;riação o%Jetiva e su%Jetiva ;ro;iciada ;elo avanço das Dorças ;rodutivasB
A universalidade ;erde, deste modo, seu car=ter metaDFsico, ao ser ;osta como o m=imo a >ue os Iomens cIe<aram e cIe<am a cada momento de seu evolver IistricoB 3niversalidade, ;or sinal, ;ressu;osto ;ara os indivFduos tomados sin<ularmente, G<urada nas ;ossi%ilidades e limites do Daer-se Iumano em sua Dorma societ=ria ;articular, mas sem;re i<ualmente a%erta, con>uanto resultado contFnuo do >ue estes mesmos indivFduos DaemB
Note-se %em, não a admissão de um eistencialismo e sua revo<ação da universalidade Iumana, mas a a;reensão desta mesma universalidade como resultadob;ressu;osto concreto das ;r;rias aç@es IumanasB Os Iomens não ;artem de um nada Drente ao ser, mas são entes >ue criam suas Dormas de ser na eDetividade de suas relaç@es com o mundo, em seu com;ortamento ativobsocial Drente ? o%Jetividade do mundoB ConDorme a;onta 2ar Q()6!, ;B 6!,
o Iomem est= em relação com as coisas do mundo eterior como meios de satisDaer suas necessidadesB 2as os Iomens não começam de modo al<um ;or acIar-se, com isso, [numa relação terica com as coisas do mundo eterior\B Como todo animal, eles as tomam Dan<enf, ;or isso, ;ara comer, ;ara %e%er, etcBM ;ortanto, não [se acIam\ em uma relação, mas se com;ortam ativamente, a;oderam-se de certas coisas do mundo eterior ;ela ação, e então satisDaem suas necessidadesB QEles começam, ;ortanto, com a ;roduçãoB
A o%Jetividade dos valores, a Gação do Justo ou do certo, ao menos de um aceit=vel, muda su%stancialmente de car=ter, na medida em >ue se reconIece ao critrio do valor a ;ossi%ilidade, mais ainda, a necessidade, de transDormação Iistrica, ou mesmo, ;or >ue não, de certa ;ro<ressão no sentido de uma Iumaniação crescente das ;r;rias relaç@es sociaisB .omar o outro como Gm ou sentir como minIa a dor de um Damlico aDricano não ;recisa ser encarado mais como um ;ressu;osto misterioso Qcomo consu%stanciado na teolo<ia cristã da =<a;e ou como re;to im;otente, mas como con>uista Iistrica do <ênero Iumano,
;ossi%ilidade, virtualidade, ;osta mesmo no interior das relaç@es estranIadas do atual modo de ;rodução da vida IumanaB
2ar, ;or isto, aGrma nos 7rundrisse, a universalidade Iumana eDetiva criada ;elas vias da troca mSlti;la de mercadorias, asseverando >ue
certamente esta coneão de coisas neutras ;reDerFvel ? ausência de liames entre os indivFduos ou a um liame eclusivamente local, Dundado na estreitea dos neos ori<inados do san<ue e so%re relaç@es de dominação e servidãoB 4 tam%m i<ualmente certo >ue os indivFduos não ;odem su%meter a si neos sociais sem antes tê-los criadoB 2as um a%surdo su;or esta coneão de coisas como coneão natural Q;or o;osição ao sa%er e ao >uerer reetidos, imanente ? naturea da individualidade e indissoci=vel delaB 4 esta um ;roduto seuB A;areceu em uma Dase determinada do desenvolvimento da individualidade Q()#, ;;B )-)B
ormas da moralidade socialmente determinadas, >ue não ;odem ser entendidas so% Drmulas a%stratas como a de [socialmente a;rovado\, mas de modos da moral >ue corres;ondem, antes de tudo, a Dormaç@es societ=rias e suas Dormas ;articulares de individuaçãoB Não a sociedade como mera Justa;osição de indivFduos atomiados ou como instYncia transcendental ;airando acima deles, e sim como conJunto articulado de neos, de relaç@es, de com;ortamentos recF;rocos >ue li<am os indivFduos uns aos outrosB 1iames entre os Iomens, tecidos não ;ela esDera da idealidade, mas na materialidade de suas relaç@es de ;rodução da vida Iumana e de intercYm%io societ=rio, numa ;alavra, [o seu ;rocesso de vida real\ Q2ar, ()#, ;;B )-), o com;leo constituFdo ;elos atos >ue ;erDaem a totalidade de sua interatividade socialB
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13PC', 7eor<B ntrodução a uma Esttica 2aristaB 'ão $aulo: Editora Civiliação rasileira, ()#"B
2AR+, ParlB /ie deutscIe deolo<ieB n 2ar-En<els TerLe, and B erlin, /iet Verla<, ()6)B
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8 2estre em GlosoGa e doutoranda em Educação ;ela 327, mem%ro do 7ru;o de $es>uisa 2arolo<ia: ilosoGa e Estudos ConuentesB $roDessora de ilosoGa e Antro;olo<ia Cultural do nstituto 'u;erior de Educação AnFsio .eieira da undação Helena Anti;o & 27B
88 2estre em GlosoGa ;ela 327, doutorando em GlosoGa ;ela 3nicam;, mem%ro do 7ru;o de $es>uisa 2arolo<ia: ilosoGa e Estudos ConuentesB $roDessor de GlosoGa do Col<io .cnico da 327B