Direito Processual Civil
I
Esquemas sobre: (1) Princípios do Direito Processual Civil; (2) Competência Internacional e Interna
dos Tribunais Portugueses; (3) Pressupostos Processuais
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Princípios de Direito Processual Civil
PrincípiosEstruturantes São aqueles que são conaturais ao processo civil, pelo que lhe são indispensáveis. Só admitem uma consagração absoluta, pelo que, qualquer desvio, é apenas excecional (logo, insuscetível de aplicação analógica – art. 11º). Garantia de Acesso aos Tribunais
• Encontra-se previsto no art. 2º/2 e dispõe que, a todo o direito corresponde uma ação adequada para o fazer reconhecer em juízo.
• Função: garantir o acesso aos tribunais, mas também eliminar obstáculos ao referido acesso, que impendam sobre os mais carenciados, em virtude das custas da ação ou dos honorários dos advogados.
• Relevante: regime de acesso ao direito e aos tribunais – Lei 34/2004.
Princípio da
Autossuficiência • Também designado de princípio da tutela provisória da aparência (Castro Mendes) • Em matéria processual, a aparência vale como realidade para o efeito de se determinar se essa aparência corresponde ou
não à realidade.
• Deste decorre o princípio da kompetenz-kompetenz: determina que seja o próprio tribunal a apreciar a sua própria competência;
• Deste decorre, ainda, a regra constante do art. 30º/3: a legitimidade depende dos factos descritos na petição inicial.
Princípio da Igualdade das Partes
• Postula a igualdade das partes entre si e perante o tribunal: em paridade perante o tribunal, dispondo dos mesmos direitos e oneradas com os mesmos deveres.
• Decorre do princípio da igualdade (art. 13º CRP) e ainda do princípio do Estado de Direito Democrático (art. 1º CRP). • Encontra-se previsto no art. 4º do CPC.
• Exceção: quando uma das partes é o Ministério Público (art. 632º/4 do CPC).
Princípio do
Contraditório • Postula que não pode ser tomada nenhuma decisão sem que as artes se tenham pronunciado sobre a questão – significa que não pode, o tribunal, tomar uma decisão sem que a outra parte seja devidamente chamada para deduzir oposição (art. 3º/1
do CPC).
• Duas vertentes: direito de audiência prévia e direito de resposta.
• Objetivo: incidir positivamente no desenvolvimento e no êxito do processo. • Exceções: possibilidade de dispensa da audiência prévia.
• Inobservância:
Princípio da Legalidade da Decisão
• Postula que o julgamento do tribunal se fundamenta exclusivamente nos critérios legais - podem ser normativos, quando são extraídos das regras jurídicas, ou não normativos, quando se reconduzem à equidade (art. 4º do CC) ou a poderes discricionários.
• Deste decorre o princípio da fundamentação: presente no art. 205º da CRP; assegura aos destinatários da decisão o conhecimento das razões de facto e de direito que levaram o juiz a proferi-las; deve ser cumprido, quer no momento da emissão da sentença, quer durante todo o processo. Inobservância: caso de nulidade, eventual (art. 615º/1/b) do CPC).
Princípios Instrumentais São aqueles que procuram a otimização dos resultados do processo, pois que aceitam várias graduações consoante as circunstâncias e admitem uma ponderação pelo legislador das suas vantagens e dos seus inconvenientes.
Princípio da
Cooperação • Previsão: artigo 7º do CPC, sendo aplicável nas relações entre as partes e nas relações das partes para com o tribunal e do tribunal para com as partes;
• Exceções: art. 7º/ 3 e art. 417º/3 do CPC.
• Concretização para as partes: princípio da boa fé processual, ou da litigância de boa fé, nos termos do art. 8º do CPC; a violação implica a litigância de má fé;
• Concretizações para o tribunal: dever de esclarecimento (tribunal se esclarecer junto das partes quanto às dúvidas que tenha sobre as alegações, pedidos ou posições em juízo) e o dever de prevenção (prevenir as partes sobre as eventuais deficiências ou insuficiências das suas alegações ou pedidos – art. 6º);
Princípio
Dispositivo • Postula que o processo se encontra na disponibilidade das partes e fundamenta-se na circunstância de os interesses presentes no processo civil serem predominantemente interesses privados (art.3º/1/1ª parte);
• Concretizações: princípio do impulso processual (incumbe às partes praticarem os atos que determinam a pendência da causa o andamento do processo, pelo que o tribunal não decide enquanto não houver uma causa pendente e não supre as omissões das partes numa causa instaurada); princípio da disponibilidade privada (incumbe às partes a definição do objeto e da causa de pedir;)
• Previsões normativas: 609º/1; 342º; 574º/2 do CPC;
Princípio do
Inquisitório • Postula que cumpre ao juiz providenciar pelo andamento regular e célere do processo, promovendo oficiosamente as diligências necessárias ao normal prosseguimento da ação e recusando o que for impertinente; deve, ainda, suprir a falta de
pressupostos processuais cuja sanação seja possível, determinar a prática de atos necessários à regularização da instância e convidar à sua prática (art. 6º/1 e 2);
• Decorrência: princípio da gestão processual (arts. 6º, 547º e 541º) – o juiz deve dirigir ativamente o processo e providenciar pelo andamento célere, promovendo oficiosamente o que for impertinente e, ouvidas as partes, adotando os mecanismos de simplificação e agilização processual que garantam a justa composição do litigio em prazo razoável (arts. 193º e 146º).
• Manifestações: arts. 547º, 590º/4, 436º/1, 452º, 487, 494º e 536º/1 do CPC.
Princípio da Legalidade do Processo
• Postula que o processo segue a tramitação legalmente estabelecida, que se impõe às partes e ao tribunal.
• As formas de processo são: comum ou especial; sendo as formas especiais são “excecionais” e só se aplica às situações assim previstas (no CPC); a forma comum aplica-se supletivamente e segue a forma única.
Princípio da Economia Processual
• Máximo resultado com o mínimo esforço – art. 130º, que proíbe a prática de atos inúteis; art. 131º que determina a simplicidade da forma)
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Princípio da Estabilidade da Instância
• Previsto no art. 260º;
• Exceções: intervenção de terceiros (311º e ss.); incidente de habilitação - é um incidente nominado (351º e ss.); verifica-se em duas situações – na hipóteverifica-se de morte ou extinção de alguma das partes, em que o processo para continuar exige que alguém substitua a pessoa coletiva ou a pessoa em causa (se não houver – inutilidade superveniente da lide).
Competência Internacional dos Tribunais Portugueses
Regulamentos Europeus – Em caso de Conflito Plurilocalizado (art. 59º do CPC e art. 8º da CRP) Regulamentos
Europeus Matéria Disposições Relevantes
Regulamento 1215/2012
Competência Judiciária e Reconhecimento e execução de decisões em matéria civil e
comercial
• Artigo 1º/1: âmbito de aplicação material, com as exceções constante do nº2; • Artigo 66º/1: âmbito de aplicação temporal, com a exceção constante do nº2;
• Artigo 4º/1: regra geral – domicilio do réu (se domiciliado num EM, deve ser demandado nesse EM – independentemente da sua nacionalidade, em virtude do nº2);
• Artigo 5º/1: exceções ao domicílio do réu, nos termos das seções 2 a 7 (arts. 7º a 26º);
• Artigo 6º/1: se o réu não tem domicílio num EM a competência dos tribunais é regida pela lei nacional, sem prejuízo dos arts. 18º/1, 21º/2, 24º e 25 do Regulamento;
• Artigo 7º: hipótese de dupla funcionalidade, em virtude da expressão tribunal do lugar, no momento da análise da competência interna em função do território;
• Artigo 25º: verificar se existe pacto de jurisdição; verificar se o pacto de jurisdição não derroga regras imperativas, sob pena de nulidade (art. 25º/1 e 25º/4); atentar aos pactos de jurisdição inseridos em contratos (art. 25º/5);
• Artigo 26º: pacto atributivo de competência tácito – atentar às exceções (art. 26º/1); • Artigo 27º: em caso de incompetência dos tribunais portugueses;
Regulamento 2201/2003
Competência, ao reconhecimento e execução de decisões em matéria
matrimonial e em matéria de responsabilidade parental
• Artigo 1º: âmbito de aplicação material;
• Artigo 64º/1 e 72º: âmbito de aplicação temporal;
• Artigo 3º: tribunais competentes para decidir as questões de divórcio, separação ou anulação do casamento;
• Artigo 6º: casos em que o réu pode ser demandado nos tribunais de outro Estado-Membro; • Artigo 8º: tribunal competente para decidir questões de responsabilidade parental; nos termos dos
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Regulamento 4/2009
Reconhecimento e execução das decisões e cooperação em matéria de
obrigações alimentares
• Artigo 1º/1: âmbito de aplicação material; • Artigo 1º/2: âmbito de aplicação espacial; • Artigo 3º: tribunais competentes;
• Artigo 4º/1: pacto atributivo de competência (nos casos das alíneas); exceções do nº3; • Artigo 5º: pacto tácito atributivo de competência;
Direito Interno – Competência Internacional
Portuguesa
Aplicação dos arts. 62º e 63º do Código de Processo Civil
• Art. 62º: competência internacional dos tribunais portugueses;
o Alínea a): critério da coincidência – quando, pelas regras de distribuição da competência
territorial (arts. 70º e ss. do CPC) dos tribunais portugueses, a ação deva ser proposta em Portugal;
o Alínea b): princípio da causalidade;
o Alínea c): princípio da necessidade – por ser o único modo de efetivar o direito do autor;
• Art. 63º: competência exclusiva dos tribunais portugueses;
Pactos de Jurisdição Art. 94º do Código do Processo Civil
• Permite-se que as partes convencionem qual a jurisdição competente para dirimir determinados litígios;
• O pacto pode ser atributivo ou privativo;
• O pacto pode consubstanciar a atribuição de uma competência exclusiva ou de competência
alternativa com a dos tribunais portugueses;
• Podem celebrar também pactos de competência: sempre que determinem, em concreto, o tribunal português competente (p.e.: tribunal de Lisboa) – nestes casos, está em causa um pacto atributivo
de competência e de jurisdição;
Regras de Distribuição da Competência Interna dos Tribunais Portugueses
Regras de Competência Interna – Código do Processo Civil e Lei da Organização do Sistema JudiciárioCompetência em Razão da Matéria I
Determinar a ordem judicial competente, dentro
da organização judiciária
• Várias ordens de tribunais: as duas principais são a ordem dos tribunais judiciais e a ordem dos tribunais administrativos e fiscais (art. 209º CRP; art. 29º/1 LOSJ);
• Competência dos tribunais judiciais: art. 211º/1 CRP; art. 40º/1 da LOSJ; art. 64º do CPC → a competência é organizada em função da hierarquia, valor, matéria e território (art. 60º do CPC);
• Competência dos tribunais administrativos e fiscais: art. 212º/3 CRP;
Competência em Razão da Hierarquia Determinar o tribunal hierarquicamente, dentro da ordem judiciária em causa
• Categorias de tribunais: pertencentes à ordem dos tribunais judiciais (STJ, tribunais de 2ª instância/relação, tribunais de 1ª instância/comarca (geralmente)) – ( → a competência encontra-se distribuída nos termos dos artigos 67º a 69º do CPC; arts. 42º, 79º e ss. da LOSJ;
• Regra geral (art. 80º/1 da LOSJ): as ações são propostas nos tribunais de 1ª instância;
• Exceções à regra geral: arts. 68º/1 e 69º/1 do CPC; arts. 53º/a) (ação interposta diretamente no STJ) e 73º/b) a d) (ação interposta diretamente na Relação) da LOSJ;
Competência em Razão do Território
Determinar o tribunal que, territorialmente, é
competente
• A competência em razão do território, regime pelo art. 43º, depende do tribunal hierarquicamente competente; • Tribunais de 1ª instância: regra geral; a competência em razão do território encontra-se delimitada no art. 43º/3 e
4, conforme se trate de tribunal de competência alargada ou tribunal da comarca → artigos 70 e ss. do CPC; • Relevante: convocar a possível dupla funcionalidade do art. 7º do Regulamento 1215/2012 (argumento literal –
tribunal do lugar);
Competência em Razão da Matéria II
Determinar se a competência pertence aos
tribunais de competência alargada
• Existem tribunais de competência alargada (compreendem a área correspondente a várias comarcas): previstos nos arts. 83º e, em especial, 111º a 116º LOSJ → analisar se a matéria em causa é coberta por estes.
• Não o sendo, cabe ao tribunal da comarca: art. 65º do CPC que remete para os arts 40º e 81º da LOSJ – competência genérica, competência especializada e de proximidade → a competência caberá em principio aos juízos locais cíveis, aos juízos locais criminais ou aos juízos de competência genérica (art. 130º/1), quando esteja fora do âmbito dos tribunais de competência alargada;
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Competência em Razão
do Valor Determinar a secção competente
• Em função do valor: art. 66º do CPC, que remete para o art. 41º da LOSJ - entre os juízos centrais cíveis e os juízos locais cíveis, nas ações declarativas cíveis de processo comum.
• Determinação do valor da causa: nos termos dos arts. 296º e ss. do CPC.
• Se o valor da causa for superior a 50000€: juízos centrais cíveis - competência quando o valor da causa seja superior a 50000€ (art. 117º/1/a);
• A competência caberá em principio aos juízos locais cíveis, aos juízos locais criminais ou aos juízos de competência genérica (art. 130º/1), quando esteja fora do âmbito dos tribunais de competência alargada;
Pressupostos Processuais
Pressupostos Processuais Vício e Sanação
As Partes no Processo
• Definição formal de partes: não se trata de atribuir a qualidade de parte quem for titular da situação subjetiva; trata-se de adquirir a qualidade de parte a quem se apresenta como autor e quem este apresenta como réu;
• Quem é terceiro? Quem não está em juízo. Reflexão sobre esta questão: artigo 581o/2 - a identidade das partes depende da qualidade jurídica. Exemplo: Partes A e B; Terceiros C (devedor solidário) e D (sucessor de B). Neste caso, C e B têm a mesma qualidade jurídica.
• Distinção fundamental: terceiro perante o processo (C) e terceiros perante a parte (D). Nem todos aqueles que estão fora do processo, ficam de fora dos efeitos produzidos pelo processo (efeitos de produção de litispendência e de caso julgado).
o Exemplo: ação proposta por A contra B. No entanto, estando em causa uma divida solidária, o outro devedor solidário é C. Se este C for marido ou
mulher do réu, tem de contribuir para a aferição da competência do juiz, art. 115º (o que releva, como terceiro, é a modalidade de terceiros perante a parte e não a modalidade de terceiro perante o processo - este deve ser tido para aferição da competência).
Personalidade Judiciária
• Art. 11º/1: a personalidade judiciária consiste na suscetibilidade de ser parte (autor/requerente/demandante e réu/requerido/demandado);
• Critério da coincidência – geral: quem tem personalidade jurídica, tem personalidade judiciária (art. 11º/2);
• Extensão a entes sem personalidade jurídica: art. 12º (c/ base nos critérios da diferenciação patrimonial e da proteção de terceiros); art. 13º (sucursais, c/ base no critério da afetação do ato);
o Fundo de investimento imobiliário: património autónomo, como a herança jacente,
já que os seus titulares não podem ser determinados de forma específica (STJ); o Nota: de acordo com MTS, o art. 13º/2 tem de ser interpretado restritivamente, nas
situações em que coincida com a aplicação do R. 1215/2015, art. 7º/5 (prevê que a empresa-mãe/sede só pode ser demandada nos tribunais de outro Estado-Membro nos casos especificados); deve limitar-se a interpretação a fazer do artigo 13º/2 às situações em que a sede não esteja num Estado-Membro da União;
• Identificação das partes na petição inicial: art. 552º/1/a);
• Substituição: art. 263º (transmissão por ato entre vivos) e art. 351º (substituição de pessoa falecida);
• Em princípio, não é sanável.
• Se a citação do réu depender de prévio despacho
judicial: art. 226º, o juiz pode, em vez de ordenar a
citação, indeferir liminarmente a petição inicial, • Se for reconhecida no despacho saneador: falta de
personalidade judiciária → exceção dilatória (arts.
576º e 577º/c), de conhecimento oficioso pelos tribunais (art. 578º));
• Consequências: absolvição réu da instância (art. 278º/1/c); obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.
• Exceções: art. 14º e 6º/2 (prevê a possibilidade de sanação, intervindo a administração principal, através da ratificação); art. 351º (habilitação de sucessores, quando a ação tenha sido proposta pelo representante de pessoa falecida);
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Capacidade Judiciária
• Art. 15º: MTS entende que consiste na suscetibilidade de a parte estar pessoal e livremente em juízo ou
de se fazer representar por representante voluntário;
• Falta de capacidade: menores, interditos (não podem intervir pessoal ou livremente) e inabilitados
(podem intervir pessoal, mas não livremente);
o Exceções quanto à incapacidade dos menores: art. 127º, tendo o menor tem plena
capacidade de litigar nos casos aí previstos;
o Exceções quanto à incapacidade dos inabilitados: esta está limitada aos atos especificados
na sentença que decretou a inabilitação (art. 901º/2);
• Art. 15º/2: a capacidade judiciária tem por base e por medida a capacidade de exercício de direitos;
o Pais do Amaral: estabelece-se a correspondência entre a capacidade judiciária e a capacidade
de exercício de direitos, significando que possuem plena capacidade judiciária aqueles que possuem igualmente total capacidade de exercício de direitos;
o MTS: a capacidade judiciária é aferida pela capacidade de exercício para a produção dos efeitos
possíveis decorrentes da ação pendente, assim, o que releva para o reconhecimento da capacidade é a capacidade em relação a esses efeitos e não quanto à pratica do ato que constitui o objeto do processo1;
• Incapacidade judiciária → exceção dilatória (arts. 576º e
577º/c), de conhecimento oficioso pelos tribunais (art. 578º));
• Consequências: absolvição réu da instância (art. 278º/1/c);
obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.
• Sanação: intervenção ou citação do representante legítimo
ou do curador do incapaz;
o Em caso de ratificação: o processo segue como se
o vício não existisse (art. 27º/2); pode ser feita por simples requerimento;
o Em caso de não ratificação: o processado fica sem
efeito a partir do momento em que a falta se verificou, renovando-se os prazos para a prática dos atos atingidos;
• Incapacidade dos menores: suprida pelo poder paternal e, subsidiariamente, pela tutela (arts. 124º e 1921º e ss. do CC);
o Ação proposta pelo menor: na constância do matrimónio, o exercício das responsabilidades pelos progenitores é feito em comum (art. 1901º/1 e 2 CC – sendo
necessário acordo para a propositura de ações, 16º/2 CPC); em caso de falta de acordo inicial, podem requerer ao tribunal competente a resolução do conflito (art. 18º/1); em caso de falta de acordo superveniente, resolução e suspensão (18º/2);
o Ação proposta contra menor: os progenitores devem ser citados (16º/3 CPC);
• Incapacidade do interdito: interditos (138º CC); é equiparado ao menor, sendo-lhe aplicáveis as disposições e os meios de suprimento do poder paternal (art. 139º CC); a
incapacidade é suprida pela tutela (891º a 905º - podendo ser nomeado, desde logo, o tutor, 901º).
• Incapacidade dos inabilitados: inabilitação (art. 152º CC); é decretada em ação especial (arts. 891º a 905º - designando-se um curador, arts. 901º/1 e 2); o suprimento/representação cabe ao curador (arts. 153º/1 e 154º/1);
o Particularidade (suprimento por assistência): os inabilitados podem intervir em todas as ações, ficando, no entanto, a intervenção subordinada à intervenção
do curador, que prevalece em caso de divergência (art- 19º/1 e 2);
• Possibilidade – curador ad litem: necessário quando o incapaz não tenha representante legal na altura em que se pretende propor a ação em seu nome ou quando a ação
foi proposta contra ele – nomeação de
o Curador provisório: art. 17º - cessa funções logo que seja nomeado representante legal; nomeado, também, quando o representante legal está impossibilitado de
exercer a representação (17º/4); ainda nos casos de oposição do incapaz e do representante (exemplos: inventário; impugnação da paternidade – 1846º/3; conflitos de interesses – 1881º/2 e 1956º/c) CC).
o Curador especial: art. 20º.
1 Exemplo: um inabilitado pode aceitar uma doação sem encargos (art. 951º/1 CC); no entanto, como não tem capacidade para dispor do bem doado (art. 153º/1 CC), não tem capacidade judiciária
Representação Judiciária
• Artigos 20 e ss.
• Representação: representação de entendes que estão submetidos a um representação orgânica ou que, não sendo incapazes, necessitam de representação em juízo;
• Estado: é representado pelo Ministério Público; • Pessoas coletivas e sociedades:
o Ações com terceiros: as pessoas coletivas e as sociedades são representadas por
quem a lei designar; as pessoas coletivas são representadas por quem os estatutos determinam ou, na falta de disposição estatutária, pela administração ou por quem por ela for designado (art. 163º/1 CC);
o Ações entre a pessoa coletiva e o representante: representação pelo substituto do
representante ou, senão houver, por um curador ad litem;
• Pessoas judiciárias: entidades que só possuem personalidade judiciária são representadas de formas diferentes;
o Herança jacente: por curador (art. 2048º CC);
o Comissões especiais, sucursais, sociedades sem personalidade, pessoas coletivas e sociedade irregulares: diretores, gerentes ou administradores (195º/1 e 996º/1 CC); o Associações sem personalidade jurídica: diretores, gerentes ou administradores,
quando sejam parte ativa; aqueles que tiverem assumido a obrigação, em caso de serem parte passiva (art. 198º/3 CC).
• Irregularidade da representação: embora esteja representado, não o está pelo devido representante (por aquele a quem a lei atribui poder de representação);
• Irregularidade → exceção dilatória (arts. 576º e 577º/c), de conhecimento oficioso pelos tribunais (art. 578º));
• Consequências: absolvição réu da instância (art. 278º/1/c); obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.
• Sanação: intervenção ou citação do representante legítimo ou do curador do incapaz;
o Em caso de ratificação: o processo segue
como se o vício não existisse (art. 27º/2); pode ser feita por simples requerimento;
Patrocínio Judiciário
• Patrocínio judiciário: representação da parte por um profissional do foro (advogado, advogado estagiário ou solicitados; justifica-se pela necessidade de atribuir a condução do processo a profissionais com a devida habilitação;
o Distingue-se da assistência técnica: prevista no art. 50º; é prestada diretamente ao
advogado (e só indiretamente à parte, na medida em que o advogado a representa), • Regulado nos arts. 40º e ss: pode ser facultativo ou obrigatório.
o Art. 40º/1/a): quando a causa seja de valor superior a 5000€ (art. 44º/1 da LOSJ e
629º/1 do CPC);
o Art. 40º/1/b): nos casos do art. 629º/2 ou 3;
o Art. 40º/1/c): recursos; causas em que a ação não é proposta na 1ª instância, mas
nos tribunais superior (ver supra: exceções à competência dos tribunais de 1ª instância – competência em razão da hierarquia – arts. 967º e ss. e 978º e ss. CPC)
• Quando falta e é facultativo: não há consequências processuais; possibilidade de outra representação (art. 42º);
• Quando falta e é obrigatório:
o Réu – art. 41º e 40º/3: falta um pressuposto
de um ato processual (não se trata de falta de pressuposto processual) – ficar sem efeito a
defesa ou não ter seguimento o recurso. Consequências: possibilidade de revelia do
réu, se nada fizer (art. 566º e 567º), que tem como consequência a confissão.
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• Falta de sanação pelo autor → exceção dilatória
(arts. 576º e 577º/h), de conhecimento oficioso pelos
tribunais (art. 578º));
• Consequências: absolvição réu da instância (art. 278º/1/c); obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.
Mandato Judicial
• Mandato: meio pelo qual os poderes de representação, em juízo, são conferidos ao advogado (mandatário) pela parte (mandante ou constituinte);
• Pode ser conferido nos termos enunciados no art. 43º.
• Abrangência do mandato: art. 44º/1 – representar a parte em todos os atos e termos do processo principal e respetivos incidentes, mesmo perante tribunais superiores (sendo estes os poderes supletivos – 45º); presume-se, nestes poderes, a possibilidade de substabelecimento (art. 44º/2), podendo ser com ou sem reserva;
o Poderes específicos: art. 45º/2 – apenas quando expressamente autorizados.
o Pode desistir livremente do recurso, sem necessidade de procuração especial:
retira-se semelhante conclusão do art. 632º/5.
• Pode ser revogado ou renunciado: art. 47º; com as particulares na circunstancia de ser obrigatório (art. 47º/3);
• O patrocínio pode também ser atribuído a título de gestão de negócios: art. 49º.
• O vício corresponde à falta de procuração: art. 48º/1 – ocorre quando o ato processual é praticado por advogado, mas este não juntou, aos autos, a respetiva procuração.
• Fixação de prazo para a sanação: art. 48º/2/1ª parte. • Se o vício não for sanado: consequências são as que
estão no art. 48º/2/2ª parte.
• Excesso de mandato: participação da questão à Ordem dos Advogados (art. 48º/3).
Legitimidade Processual
• Legitimidade: corresponde à posição das partes numa determinada ação, ou seja, que o autor é titular
do direito (for quem pode fazer a pretensão) e que o réu é sujeito da obrigação (for quem pode, juridicamente, opor-se à pretensão do autor) – art. 30º/1; os titulares da relação jurídica controvertida, conforme estabelecida na petição inicial (art. 30º/3);
• Pluralidade de partes: quando há vários autores (pluralidade ativa) ou vários réus (pluralidade
passiva) – ou pluralidade mista, quando são ambos; pode ser inicial (no momento em que é proposta a ação) ou sucessivo (mediante intervenção espontânea – 311º e ss. - ou provocada – 316º e ss.);
o Litisconsórcio (art. 35º/1ª parte): pluralidade de partes, mas unidade quanto à relação
material controvertida;
o Coligação (art. 35º/2ª parte): pluralidade de partes e diversidade de relações materiais
controvertidas;
• O vício corresponde à ilegitimidade processual: falta de legitimidade, por não ser sujeito da relação jurídica controvertida (art. 30º); preterição de litisconsórcio necessário (art. 33º e 34º).
• Cônjuges: em caso de falta de consentimento, a falta pode ser judicialmente requerida (art. 6º/2 + 34º/2 e 29º);
• Falta de sanação pelo autor → exceção dilatória
(arts. 576º e 577º/e), de conhecimento oficioso pelos
▪ Admissibilidade de coligação: art. 36º - o autor pode demandar vários réus por
pedidos diferentes, quando i) a causa de pedir seja a mesma e única, quando ii) os pedidos estejam entre si numa relação de prejudicialidade/dependência ou quando iii) a procedência dos pedidos principais dependa da apreciação dos mesmos factos, da interpretação/aplicação das mesmas regras ou da interpretação/aplicação de clausulas de contratos perfeitamente análogos;
• Litisconsórcio: pressupõe uma pluralidade de partes principais, ficando excluída a parte acessória como
constituindo o litisconsórcio (art. 326º - assistência);
o Litisconsórcio voluntário (art. 32º): situações em que a pluralidade das partes, na ação, não
é obrigatória; exemplo: obrigações solidárias (517º/1);
o Litisconsórcio necessário (art. 33º e 34º): situações em que é necessária a intervenção de
todos os interessados no processo;
▪ Pode ser legal: o litisconsórcio é imposto por lei (direito substantivo + art. 34º) – exemplos: art. 535º; art. 419º/1; art. 2091º/1 CC;
▪ Pode ser convencional: o litisconsórcio é imposto pelo próprio contrato.
▪ Pode ser natural (art. 33º/2): é imposto pela natureza da relação jurídica; é necessária a intervenção de todos os interessados para que a decisão produza o seu efeito útil normal – sempre que possa regular definitivamente a situação concreta as partes relativamente ao pedido formulado (exemplo: ação de divisão de coisa comum);
o Litisconsórcio subsidiário ou eventual: art. 39º; possibilidade de ser formulado um pedido
principal contra aquele que se considera ser o provável devedor e também um pedido subsidiário contra outro suposto devedor;
o Litisconsórcio recíproco: a oposição destina-se a permitir a participação de um terceiro que
é titular de uma situação subjetiva incompatível com aquela que é alegada pelo autor; • Em especial – litisconsórcio necessário legal (cônjuges): a lei substantiva determina quais os bens e
direitos que só podem ser alienados ou exercidos por ambos os cônjuges (art. 1717º e ss.); quanto à casa
de morada de família (arts. 1682º-B e 1793º do CC);
o A ação pode ser instaurada por um dos cônjuges com o consentimento do autor;
o Ações propostas por ambos os cônjuges (litisconsórcio necessário ativo – podendo ser legal ou convencional): art. 34º/1; regime das dividas (art. 1691º e 1695º CC);
o Ações propostas contra ambos os cônjuges (litisconsórcio necessário passivo – podendo ser legal ou convencional): art. 34º/3; regime das dividas (art. 1691º e 1695º CC);
• Consequências: absolvição réu da instância (art. 278º/1/d); obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.
• Sanação (art. 6º/2 CPC): através de intervenção provocada (art. 316º e ss.) ou de intervenção espontânea (art. 311º e ss.);
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Interesse Processual
• Problema: saber se a propositura da ação é inútil, ou seja, situações em que, p.e., o autor já tem um titulo executivo e vai propor uma ação de simples apreciação.
• Autonomização como interesse processual: nesse sentido, MTS e Pais do Amaral;
o Orientações negativistas (Castro Mendes): sustentam que a falta deste
pressuposto apenas implica a responsabilidade do autor pelas custas da ação, ainda que esta seja procedente (art. 535º); está em causa, a tutela da autonomia privada. o Pais do Amaral:
▪ Ações de simples apreciação (art. 10º): verdadeiro problema; entende-se
que deve verificar-se uma situação de incerteza objetivamente grave, de modo a justificar a intervenção do tribunal (porque o autor, quando propõe estas ações, pretende pôr termo a uma situação de incerteza ou de dúvida acerca da existência ou inexistência de um direito ou de um facto);
▪ Ações constitutivas (art. 10º): existe interesse processual quando o direito
potestativo corresponde não é daqueles que possa ser exercido por simples declaração de vontade do respetivo titular (p.e.: divórcio);
▪ Ações de condenação e de execução (art. 10º): a violação do direito do
autor, que está na sua origem, evidencia a necessidade de pedir a reintegração do direito violado;
o MTS: define como o interesse da parte ativa em obter a tutela judicial de uma situação
subjetiva através de um determinado meio processual e o correspondente interesse da parte passiva em impedir a concessão daquela tutela (art. 30º/2). Apela-se, aqui, à correlatividade das vantagens: a vantagem do autor tem, como correlação, a desvantagem do réu.
▪ Argumentos: numa interpretação do art. 535º, entende que do preceito se
deduz que a responsabilidade pelas custas depende de o reu não ter contestado, o que permite concluir que o réu pode contestar a falta de interesse; a ratio do preceito é proteger o réu;
• Se aquela ação for inútil para a tutela, falta o
interesse processual.
• Falta de sanação pelo autor → exceção dilatória
(arts. 576º), de conhecimento oficioso pelos tribunais
(art. 578º));
• Consequências: absolvição do réu da instância (art. 278º/1/e); obsta ao conhecimento do mérito da causa (fora os casos do art. 278º); caso julgado formal (art. 279º e 671º), podendo haver lugar a recurso.