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AULA COMPLEMENTAR PROCESSO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

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Academic year: 2021

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AULA COMPLEMENTAR – PROCESSO DOS CRIMES DE

RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Futuros Aprovados,

A fim de complementar o curso aos que realizarão o concurso para o TRE-PR, apresento abaixo o tema “processo dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos”.

Trata-se de um assunto pequeno que abrange apenas 05 artigos do Código de Processo Penal. É um tema pouco exigido pela FCC e que está presente no edital para Analista Administrativo – Administrativa.

Vamos ao que interessa! Bons estudos!!!

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1.1 – PROCESSOS DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE

DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

O Código de Processo Penal definiu nos artigos 513 a 518 um rito especial para a apuração dos crimes praticados por funcionários públicos contra a administração pública. Desde já é importante ressaltar que este procedimento diferenciado não abrange:

1 – Crimes cometidos por funcionários públicos contra particular; Exemplo:

Art.150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: [...] § 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido

por funcionário público, fora dos casos legais, ou com

inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.

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2 – Delitos cometidos por particulares contra a Administração Pública;

Exemplo:

Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 3 – Crimes contra a Administração da Justiça;

Exemplo:

Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

4 – Crimes de Abuso de Autoridade Î Possuem procedimento especial definido na própria lei instituidora (Lei 4.898/65).

Visto isto, chegamos a um importante questionamento: Mas qual a abrangência da palavra funcionário público dentro do nosso país? Para responder a esta pergunta devemos recorrer ao Código Penal, que dispõe:

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

• Cargos: são criados por lei, com denominação própria, em número certo e pagos pelos cofres públicos.

• Emprego: para serviço temporário, com contrato em regime especial ou pela CLT.

• Função pública: abrange qualquer conjunto de atribuições públicas que não correspondam a cargo ou emprego público.

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1.1.1 PROCEDIMENTO ESPECIAL

Para tratarmos deste tema, tínhamos que diferenciar o procedimento dos crimes afiançáveis do rito para os delitos inafiançáveis.

Todavia, com o implemento da lei nº 12.403/11, não há mais delitos inafiançáveis praticados por funcionários públicos contra a administração. Antes, tínhamos o excesso de exação e a facilitação de contrabando ou descaminho.

Dito isto, passemos à análise do rito no caso dos crimes afiançáveis. 1.1.1.1 CRIMES AFIANÇAVEIS

Nos crimes funcionais afiançáveis, a seguinte ordem dos atos deverá ser observada:

1. Oferecimento da denúncia ou queixa: a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas (art. 513).

Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou

justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas. (grifo nosso)

2. Autuação e notificação para a resposta preliminar: estando a denúncia ou queixa em devida forma e, portanto, não sendo o caso de rejeição liminar (art. 395), o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la e

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ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

1.

Recebimento ou rejeição da inicial. Após a apresentação da resposta e análise do juiz, este terá duas opções:

o Rejeitar a denúncia ou queixa: se convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação (art. 516).

Art. 517. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação.

o Receber a denúncia ou queixa: ocasião em que deverá citar o acusado para, no prazo de dez dias, responder à acusação (arts. 396 e 396-A).

Art. 516. Recebida a denúncia ou a queixa, será o acusado citado [...].

2.

Com o recebimento da denúncia, prossegue conforme o

rito ordinário (art. 518).

Art. 518. Na instrução criminal e nos demais termos do processo, observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III, Título I, deste Livro.

1.1.2 QUESTÕES CONTROVERTIDAS

CASO 01 Î Imaginemos que Tício pratica um crime contra a Administração Pública. Dias após, pede exoneração do cargo público. Nesta situação, estará ele sujeito ao rito especial?

Segundo entendimento majoritário, Tício NÃO estará sujeito ao procedimento especial. Com base neste entendimento, o STF revogou a súmula 394 que dizia:

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"cometido o crime durante o exercício funcional, prevalece a competência especial por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício".

Durante o julgamento do STF pela revogação da supracitada súmula, o Ministro Sidney Sanches advertiu que "a prerrogativa de foro visa a garantir o exercício do cargo ou do mandato, e não a proteger quem o exerce. Menos ainda quem deixa de exercê-lo". Continuou o insigne magistrado esclarecendo que "as prerrogativas de foro, pelo privilégio, que, de certa forma, conferem, não devem ser interpretadas ampliativamente, numa Constituição que pretende tratar igualmente os cidadãos comuns, como são, também, os ex-exercentes de tais cargos ou mandatos".

Restou sedimentado, então, no STF, que deixando o cargo definitivamente, seja qual for o motivo, seu ex-titular não terá direito a processo e julgamento em órgão jurisdicional distinto daquele que teria qualquer um do povo.

Finalizando, observe o elucidante julgado do STJ:

CASO 02 Î Mévio praticou um crime funcional afiançável e não foi notificado para apresentar a resposta preliminar prevista no art. 514. Qual a consequência?

Segundo entendimento majoritário, se não houve inquérito policial a falta de notificação dará causa à nulidade do processo. Diferentemente, se houve um inquérito junto ao qual tenha existido a possibilidade do acusado esclarecer o fato, a ausência de notificação constitui mera irregularidade. Este entendimento está firmado na súmula 330 do STJ: A súmula 394 do STF, que dispunha acerca da prevalência da competência especial por prerrogativa de função, foi cancelada, firmando-se, em decorrência, a incompetência do STJ para o processo e julgamento do paciente, juiz aposentado do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, sendo indevida ou até mesmo extravagante a tese de sua possível ultra-atividade por ter sido o crime cometido durante o exercício funcional. ( HC 14.270 – STJ )

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“É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial.”

OBSERVAÇÃO Î O STF, em alguns julgados, apresenta sinal de mudança de entendimento, entretanto ainda permanece válida a súmula e o supracitado entendimento para efeito de PROVA.

CASO 03 Î Caio é um funcionário público com foro privilegiado. Neste caso seguirá o rito especial?

O procedimento especial NÂO SE APLICA aos funcionários que detêm foro privilegiado, ou seja, serão submetidos a outro procedimento que não o disposto nos artigos 513 a 518 do Código de Processo Penal.

É isso ai pessoal. Mais um passo dado rumo a tão sonhada aprovação. Agora é hora de seguir em frente com força total.

Abraços e bons estudos, Pedro Ivo

"Não são os grandes planos que dão certo; são os pequenos detalhes."

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DO PROCESSO E DO JULGAMENTO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas.

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

Parágrafo único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição do juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar.

Art. 515. No caso previsto no artigo anterior, durante o prazo concedido para a resposta, os autos permanecerão em cartório, onde poderão ser examinados pelo acusado ou por seu defensor.

Parágrafo único. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações.

Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação.

Art. 517. Recebida a denúncia ou a queixa, será o acusado citado, na forma estabelecida no Capítulo I do Título X do Livro I.

Art. 518. Na instrução criminal e nos demais termos do processo, observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III, Título I, deste Livro.

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1. (Analista – TRE – 2009) Nos processos dos crimes afiançáveis praticados por funcionário público contra a administração pública, o funcionário será previamente notificado pela autoridade judiciária competente para a apresentação de resposta escrita, antes do recebimento formal da denúncia.

GABARITO: CERTA

COMENTÁRIOS: A questão apresenta, de forma correta, uma das fases do processo dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos.

2. (Agente – PC-RR – 2008) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos o prazo para a defesa prévia será de 60 dias.

GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: O prazo definido no CPP é de 15 dias:

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

3. (Analista Judiciário / 2007) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, antes de receber formalmente a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para que apresente defesa preliminar em trinta dias.

GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: Mais uma sobre o prazo da defesa preliminar que é de 15 dias. Atenção!!!

4. (Agente – PC-RR – 2008) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, a queixa ou a denúncia obrigatoriamente será instruída com documentos que façam presumir a existência do delito.

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GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: Dispõe o CPP:

Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou

com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas.

Assim, fica claro que não é obrigatória a apresentação de documentos que façam presumir a existência do delito.

5. (Agente – PC-RR – 2008) O rito a ser observado no processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos será o ordinário comum.

GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: O processo dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos segue um rito diferenciado previsto nos art. 513 ao 518. Sabemos que segue em parte o rito ordinário comum, entretanto isto não retira o caráter especial do rito procedimental.

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1. (Analista – TRE – 2009) Nos processos dos crimes afiançáveis praticados por funcionário público contra a administração pública, o funcionário será previamente notificado pela autoridade judiciária competente para a apresentação de resposta escrita, antes do recebimento formal da denúncia.

GABARITO: CERTA

COMENTÁRIOS: A questão apresenta, de forma correta, uma das fases do processo dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos.

2. (Agente – PC-RR – 2008) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos o prazo para a defesa prévia será de 60 dias.

GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: O prazo definido no CPP é de 15 dias:

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

3. (Analista Judiciário / 2007) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, antes de receber formalmente a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para que apresente defesa preliminar em trinta dias.

GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: Mais uma sobre o prazo da defesa preliminar que é de 15 dias. Atenção!!!

4. (Agente – PC-RR – 2008) No processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, a queixa ou a denúncia obrigatoriamente será instruída com documentos que façam presumir a existência do delito.

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GABARITO: ERRADA

COMENTÁRIOS: Dispõe o CPP:

Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou

com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas.

Assim, fica claro que não é obrigatória a apresentação de documentos que façam presumir a existência do delito.

5. (Agente – PC-RR – 2008) O rito a ser observado no processo e no julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos será o ordinário comum.

Referências

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