REGULAMENTO DELEGADO (UE) /... DA COMISSÃO. de

Texto

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COMISSÃO EUROPEIA

Bruxelas, 11.8.2017 C(2017) 5562 final

REGULAMENTO DELEGADO (UE) …/... DA COMISSÃO de 11.8.2017

que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho no que respeita à derrogação aos requisitos de fundos próprios aplicáveis a certas

obrigações cobertas

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EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

1. CONTEXTODOATODELEGADO

1.1. Contexto geral

O artigo 129.º, n.º 1, do Regulamento (UE) n.º 575/2013 (a seguir designado por «Regulamento») confere tratamento preferencial às obrigações cobertas garantidas por unidades de participação privilegiadas emitidas pelos Fonds Communs de Titrisation franceses ou entidades de titularização equivalentes, que titularizem posições em risco sobre bens imóveis destinados à habitação (alínea d)) ou com fins comerciais (alínea f)), mediante o preenchimento de certas condições:

(a) que sejam elegíveis para o grau de qualidade de crédito 1 nos termos das regras para o risco de crédito previstas no regulamento;

(b) que o seu montante não exceda 10 % do montante nominal das obrigações cobertas não executadas emitidas;

(c) que sejam garantidas por empréstimos hipotecários residenciais/comerciais elegíveis ao abrigo do artigo 129.º do referido regulamento.

No entanto, o artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento estabelece uma isenção da segunda condição (limite de 10 %) até 31 de dezembro de 2017, desde que:

(a) a propriedade titularizada tenha sido originada por um membro do mesmo grupo

consolidado de que é membro o emitente das obrigações cobertas; e

(b) um membro do mesmo grupo retém a totalidade da tranche de primeiras perdas das unidades de participação privilegiadas.

Esta derrogação é geralmente referida como «isenção MBS» (isenção para os valores mobiliários garantidos por hipotecas). É utilizada para efeitos de inclusão na garantia global (cover pool) das unidades de participação privilegiadas de posições em risco garantidas por hipotecas sobre bens imóveis destinados à habitação ou com fins comerciais. Além disso, em pelo menos um Estado-Membro (Dinamarca), foi utilizada para estruturas de obrigações cobertas intragrupo, ou seja, obrigações cobertas emitidas por uma entidade do grupo e transferidas para a garantia global (cover pool) do programa de obrigações cobertas emitidas por outra entidade do mesmo grupo com destino aos investidores finais («estruturas de agrupamento de obrigações cobertas»).

1.2. Enquadramento jurídico e económico do presente ato delegado

O artigo 503.º, n.º 4, do Regulamento exige que a Comissão reaprecie essa derrogação a fim de determinar se continua a ser adequada. Se for o caso, a Comissão pode adotar atos delegados a fim de a tornar permanente.

Atualmente, só existem quatro quadros nacionais relativos às obrigações cobertas que permitem a inclusão de RMBS e/ou CMBS nas garantias globais (cover pools) (França, Irlanda, Itália e Luxemburgo). Os dados de mercado disponíveis sugerem que são muito poucos os programas de obrigações cobertas não executadas que incluem unidades RMBS/CMBS nas respetivas garantias globais (cover pool).

No que respeita às estruturas de agrupamento de obrigações cobertas, a isenção prevista no artigo 496.º do Regulamento só foi concedida pelas autoridades dinamarquesa ao Nykredit

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Group, que é um dos maiores bancos da Dinamarca especializado em empréstimos hipotecários e um dos principais emitentes de obrigações cobertas na Dinamarca.

2. CONSULTASANTERIORESÀADOÇÃODOATO

A fim de reapreciar a adequação da derrogação prevista no artigo 496.º do Regulamento, a Comissão consultou a Autoridade Bancária Europeia («EBA»). No seu relatório de 2014 sobre as obrigações cobertas, a EBA recomendou que a derrogação não fosse prorrogada devido a uma série de preocupações de caráter prudencial, nomeadamente a complexidade jurídica e operacional acrescida resultante da estrutura em dois níveis constituída pelas obrigações cobertas e pela tranche de instrumentos de titularização que as respaldam e o potencial conflito entre os requisitos em matéria de transparência e diligência devida aplicáveis ao programa de obrigações cobertas e aos instrumentos de titularização subjacentes1.

Simultaneamente, a EBA observava que, em pelo menos um Estado-Membro, as transferências intragrupo de garantias, ou seja, obrigações cobertas emitidas por uma entidade do grupo e transferidas para a garantia global (cover pool) do programa de obrigações cobertas de outra entidade do mesmo grupo, se tinham até à data baseado no artigo 496.º, n.º 1, alíneas a) e b), do Regulamento. Embora a avaliação da utilização do artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento para esses fins não entrasse no âmbito do relatório da EBA, esta recomendou que a Comissão considerasse ainda a possibilidade de introduzir uma disposição específica no artigo 129.º do Regulamento por forma a tornar possível a autorização de determinadas transferências intragrupo de obrigações cobertas conformes com o Regulamento como garantias elegíveis. A EBA acrescentou ainda que, do ponto de vista prudencial, uma tal disposição parece não introduzir qualquer risco adicional, desde que a entidade esteja suficientemente integrada no grupo.

Com base no relatório da EBA, a Comissão consultou o grupo de peritos do setor bancário, pagamentos e seguros («EGBPI»), tendo inquirido se considerava que as derrogações deveriam ser prorrogadas a título permanente e, em caso afirmativo, se essa prorrogação se deveria aplicar a ambas as derrogações, a relativa aos CMBS/RMBS e a relativa às estruturas de agrupamento de obrigações cobertas, ou apenas a uma delas.

Os Estados-Membros concordaram, em geral, com o ponto de vista da EBA, opondo-se portanto à prorrogação da derrogação no que respeita aos RMBS/CMBS. Vários Estados-Membros não se opunham à prorrogação da derrogação no que se refere às estruturas de agrupamento de obrigações cobertas, tal como utilizada atualmente pelo Nykredit Group da Dinamarca, tendo em conta a opinião da EBA no sentido de que não existiriam riscos adicionais, pelo que se manifestaram favoráveis a uma prorrogação dessa forma de utilização da derrogação. Importa aqui referir que só nove Estados-Membros apresentaram observações. Na sequência da consulta inicial, foi considerado que o mandato previsto no artigo 503.º, n.º 4, do Regulamento só poderá ser utilizado para conferir um caráter permanente à derrogação, mas não para alterar o respetivo âmbito de aplicação. Para tal, seria necessária uma proposta legislativa, cuja alteração não seria possível antes da data de caducidade da derrogação.

A fim de dar resposta às preocupações de caráter prudencial relacionadas com o atual âmbito de aplicação da isenção sem comprometer indevidamente os modelos empresariais legítimos

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baseados na derrogação na sua forma atual, o EGBPI foi novamente consultado quanto ao seu ponto de vista em relação a duas ações complementares e interligadas: A adoção de um ato delegado para tornar permanente a derrogação e a proposta de alteração do artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento no âmbito do futuro quadro relativo às obrigações cobertas, anunciado pela Comissão como parte da revisão intercalar da União dos Mercados de Capitais. As alterações destinam-se a permitir futuramente a utilização de estruturas de agrupamento de obrigações cobertas e eliminará a utilização de RMBS/CMBS como ativos de cobertura acima do atual limite definido no artigo 129.º, n.º 1, alínea d), subalínea ii), e no artigo 129.º, n.º 1, alínea f), subalínea ii), do Regulamento, em conformidade com a recomendação da EBA e com as opiniões expressas pelos Estados-Membros na consulta inicial.

Na reunião do EGBPI de 9 de junho de 2017, os Estados-Membros apoiaram de modo geral a solução sugerida como forma de abordar as preocupações de caráter prudencial ligadas à utilização da derrogação no que diz respeito aos RMBS/CMBS como ativos de cobertura e de encontrar uma solução imediata para as instituições de crédito que dependem da atual derrogação no que respeita às estruturas de agrupamento de obrigações cobertas. Foi contudo manifestada por vários Estados-Membros a necessidade de encontrar uma solução permanente e que exclua a utilização da derrogação no que respeita aos RMBS/CMBS no momento em que a questão for abordada no contexto da futura harmonização das obrigações cobertas. Como garantia para os Estados-Membros que exprimiram preocupações quanto à prorrogação permanente de todos os elementos da derrogação, os considerandos referem claramente que essa mesma derrogação pode ser reavaliada no contexto de um futuro quadro relativo às obrigações cobertas.

3. ELEMENTOSJURÍDICOSDOATODELEGADO

Dado que o único objetivo do ato delegado é a revogação da data do termo da derrogação, o ato delegado foi mantido simples, limitando-se a suprimir a data para tornar a derrogação permanente.

4.CALENDÁRIO E PROCEDIMENTO

A data de aplicação do ato delegado é fixada em 1 de janeiro de 2018 a fim de garantir a continuidade da utilização da derrogação.

A fim de ter em conta a data de aplicação necessária, é oportuno lançar a consulta interserviços por forma a permitir a adoção pelo Colégio em julho.

No seguimento dessa adoção, o ato delegado será sujeito ao escrutínio do Parlamento Europeu e do Conselho.

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REGULAMENTO DELEGADO (UE) …/... DA COMISSÃO de 11.8.2017

que altera o Regulamento (UE) n.º 575/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho no que respeita à derrogação aos requisitos de fundos próprios aplicáveis a certas

obrigações cobertas

(Texto relevante para efeitos do EEE)

A COMISSÃO EUROPEIA,

Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,

Tendo em conta o Regulamento (UE) n.º 575/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de junho de 2013, relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito e para as empresas de investimento2, nomeadamente o artigo 503.º, n.º 4,

Considerando o seguinte:

(1) O artigo 496.º do Regulamento (UE) n.º 575/2013 permite que as autoridades competentes estabeleçam, no que respeita a certas obrigações cobertas e até 31 de dezembro de 2017, uma derrogação ao limiar de 10 % referido no artigo 129.º, n.º 1, alínea d), subalínea ii), e no artigo 129.º, n.º 1, alínea f), subalínea ii), do referido regulamento.

(2) O artigo 503.º, n.º 4, do Regulamento (UE) n.º 575/2013 obriga a Comissão a reapreciar a adequação dessa possibilidade a que as autoridades competentes podem recorrer e a decidir se essa possibilidade deverá ser tornada permanente. A Comissão solicitou à Autoridade Bancária Europeia aconselhamento técnico sobre esta questão. Desse pedido resultou o «Report on EU Covered Bond Frameworks and Capital

Treatment». A Comissão utilizou esse relatório para voltar a apreciar os regimes de

supervisão e de regulamentação aplicáveis às obrigações cobertas e apresentou posteriormente ao Parlamento Europeu e ao Conselho um relatório sobre o artigo 503.º do Regulamento (UE) n.º 575/2013.

(3) Resulta do referido relatório que apenas um número limitado de quadros nacionais relativos às obrigações cobertas permitem a inclusão de valores mobiliários garantidos por hipotecas sobre bens imóveis destinados à habitação ou sobre bens imóveis com fins comerciais ou de estruturas de agrupamento de obrigações cobertas intragrupo. No entanto, uma vez que os modelos empresariais de algumas instituições dependem da utilização da derrogação concedida pelas autoridades competentes, é conveniente por razões de segurança jurídica permitir que as autoridades competentes prorroguem a derrogação referida no artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento (UE) n.º 575/2013 para além da data referida nessa disposição. O artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento (UE) n.º 575/2013 deve, por conseguinte, ser alterado para revogar a data mencionada na referida disposição, ficando contudo entendido que a possibilidade de as autoridades competentes concederem uma derrogação poderá ter de ser reavaliada no contexto de um futuro quadro relativo às obrigações cobertas.

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(4) Por razões de segurança jurídica, é conveniente prever uma derrogação permanente a partir do dia seguinte ao do termo da atual derrogação,

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ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:

Artigo 1.º

No artigo 496.º, n.º 1, do Regulamento (UE) n.º 575/2013, a frase introdutória passa a ter a seguinte redação:

«As autoridades competentes podem isentar total ou parcialmente do limite de 10 % as unidades de participação privilegiadas emitidas pelos Fonds Communs de Créances franceses ou por entidades de titularização equivalentes aos referidos fundos franceses, conforme estabelecido no artigo 129.º, n.º 1, alíneas d) e f), desde que estejam cumulativamente preenchidas as seguintes condições:»

Artigo 2.º

O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no

Jornal Oficial da União Europeia.

O presente regulamento é aplicável a partir de 1 de janeiro de 2018.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.

Feito em Bruxelas, em 11.8.2017

Pela Comissão O Presidente

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Referências

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