1 Funasa.
guilherm e.n etto@fun asa.gov.br 860
gem de qu e n ão existe altern ativa para fu gir da globalização. Os povos dependentes implan-tarão o m odelo econôm ico transnacional glo-bal sem outra escolha. Evidente que contra essa am eaça se levan ta a proposta de m obilização social através das redes.
O desenvolvim ento do argum ento sobre a dureza do m un do globalizado, ain da que n ão definitivamente estabelecida uma definição pa-ra o term o, se ben eficia das con tribuições de Petras (2000), Amin (2001) e da pensadora bra-sileira Druck (1999). Com eles é possível reto-mar as políticas de globalização como fato im-perialista, além de reconhecer nos órgãos mul-tilaterais – FMI, Banco Mundial, entre outros – in str u m en tos d e execu ção d a p olítica n eoli-beral consensual para a drenagem de recursos qu e deixam de ser in vestidos em desen volvi-m ento social.
A argum en tação desen volvida sobre a de-gradação hu m an a e am bien tal im posta pelo m odelo im perialista global conduz à proposta da formação das redes sociais com característi-cas inovadoras no tecido político moderno. São m arcantes as afirm ativas sobre as característi-cas das redes: policêntricaracterísti-cas, flexíveis e difusas, ultrapassando os limites dos estados. As vantagens táticas de inúm eras form as de ação com -pletam a defin ição do in stru m en to de cresci-mento dos enlaces entre pessoas e organizações sem um com itê diretivo com função de repre-sentação ou comando.
Esta proposta permite, segundo os autores, agregar diferentes ordens de m otivação, desde a política até a religiosa, para a confluência dos valores hum anos que negam a dom inação im-posta pelo modelo globalizado neoliberal. Rea-liza-se o "n ivelam en to ‘por cim a’ de direitos hum anos, am bientais e sociais".
Um exem plo prático no Brasil é a unifica-ção dos m ovim entos pela saúde dos trabalha-dores e o m ovim en to pelo desen volvim en to susten tável, produção m ais lim pa e preserva-ção am biental. As características das redes em nascimento a partir de fins do século 20 se be-neficiam diretamente desta proposta. Um fato n ovo é a realização de con gressos em que re-presentantes populares, sindicais e acadêmicos se reúnem para debater temas de segurança no trabalho, produção e ambiente, tal como ocor-reu em Salvador, no ano de 2002.
O importante nessa analogia é que é possí-vel utilizá-la para dar forma e ação a conceitos que estão compartimentalizados em categorias estan ques da an álise social e da ação política.
A liberdade de cada com ponente é a base para que a aglutin ação de distin tas com preen sões não encontre obstáculos para a ação coletiva na-quilo que pode resumir seu consenso mínimo. Esse estado de concordância básica perm itiria agir segun do regras de sobrevivên cia que n ão distin guem n a essên cia os desejos de popula-ções, trabalhadores, ambientalistas e políticos.
Neste pon to, a afirm ativa de que
está
sur-gindo um novo “super” poder global que
crescen-tem ente dem onstra sua capacidade e força para
propor alternativas de paz, desenvolvim ento, e
dem ocracia em todo o m undo
soa in evitavel-m en te coevitavel-m o n ova utopia. Toda utopia existe para ser con testada pelos que pen sam sua es-sên cia. No en tan to, existe para fun ção idílica dos que sonham um m undo novo através dos tempos, e se permitem, através de palavras, ex-pressar o desejo do bem não atingido. À guisa de conclusão sobre as possibilidades deste de-bate, diríam os que em um m un do caren te de utopias e dos que a defendam, não cabe a des-truição pelo dogma.Nota
Todos os autores citados estão nas referências do artigo comentado.
Globalização dos movimentos sociais:
a resposta social à Globalização
Corporativa Neoliberal
Social m ovem ent globalization:
the social response to Corporate
Neoliberal Globalization
Guilherm e Franco N etto
1teci-861
do uma nova forma de luta, por meio da cons-trução de redes, que coordenam e conduzem as suas ações via internet.
A Globalização Corporativa Neoliberal é caracterizada, de acordo com a revisão biblio-gráfica realizada pelos autores, como uma for-m a particular de capitalismo, onde, a partir do Con senso de Washington, a tese do Estado de Bem -Estar Social foi abandonada pelos países do Primeiro Mundo e pelos organismos finan-ciadores internacionais, apresentando-se como alternativa um conjunto de princípios de reor-denamento do mercado, caracterizado pela ne-cessidade de estabilização das econom ias e do controle inflacionário; reformas estruturais do Estado, in cluin do a sua redução e a privatiza-ção; e abertura da econ om ia. A isso, som a-se um a nova onda de aprim oram ento tecnológco, tendo com o base a m icroeletrônica e o m i-croprocessam ento, determ inando profundos impactos, principalmente nas áreas de informa-ção, transporte e telecom unicações, possibili-tando a automação e a flexibilização da produ-ção, facilitando, por seu turno, a intensificação da concentração global do poder e do capital.
Os autores evidenciam que este modelo foi aplicado em quase toda a Am érica Latin a e África, e em m en or grau n a Ásia, geran do di-versos impactos negativos no ambiente, na eco-nom ia, na vida social e na saúde. Interessante observar que considerando a relação dos “indi-cadores” negativos apresentados pelos autores: poluição am biental; expan são da pobreza e da desigualdade; en fraquecim en to das relações trabalhistas; ciranda especulativa do m ercado financeiro; e, erosão da democracia, a deterio-ração de algu n s destes foi extrem am en te evi-dente em nosso país ao longo das últimas duas décadas. En tretan to, vale destacar que algun s outros graves problem as m un diais, em bora não citados pelos autores, devam ser conside-rados com o resultan tes da Globalização Cor-porativa Neoliberal, em particular a violência social urbana, que no Brasil, com o exem plo, é responsável por grande parte da m ortalidade, principalmente entre homens jovens.
Com o resposta a esse estado de coisas, os autores apresentam uma breve discussão sobre as bases filosóficas e teóricas qu e explicam a “construção” das redes mundiais de movimen-tos sociais antiglobalização, que são redes anti-hegemônicas à Globalização Corporativa Neo-liberal, que coorden am e con duzem ações via internet. Citam com o exem plos de êxito desta form a de ação o Fórum Social Mun dial, n as
su as três versões – cu jo lem a é “Um outro mundo é possível” – bem como o que se carac-terizou como a Revolta dos Zapatistas e a Bata-lha de Seattle.
Iden tificam qu e essas redes têm algu m as características com un s, tais com o a organ iza-ção policên trica; flexibilidade, fluidez e auto-n om ia
– aqui tam bém incluiria a volatilidade,
um a vez que podem ser fenôm enos tem porais,
não necessariam ente contínuos
; táticas foquis-tas; desafiadoras de limites geopolíticos e de le-galidade; e apresentam tipologias variadas. São tam bém discutidos potenciais m ecanism os de avaliação dessas redes.Ao indagar a natureza dessas redes, ou seja, a favor do que elas se mobilizam, os autores a-presen tam algun s prin cípios ou eixos agrega-dores, os quais aqui estão parcialmente modifi-cados: 1) direitos hum an os, am bien tais e so-ciais; 2) fortalecim en to da dem ocracia repre-sentativa e participativa; 3) equidade (por uma nova ordem econômica in ternacional); 4) sus-ten tabilidade socioecológica; 5) prosperidade com o resultado da satisfação das necessidades hum an as e am bien tais, e 6) con trole da espe-culação e da ganância do capital.
Carlos Eduardo Siqueira, Hermano Castro e Tân ia Araújo con cluem o artigo destacan do qu e a hu m an idade cam in hará n as próxim as décadas depen den do do resultado do em bate entre esses dois grandes blocos de força, a Glo-balização Corporativa Neoliberal e as Redes Mu n d iais d e Movim en tos Sociais An ti-Glo-b alização. En tretan to, tam ti-Glo-bém afirm am qu e, acerca do Fórum Social Mundial,