UNIVERSIDADE CATOLICA DE BRASILIA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
ANGELA MARIA NAVES DA SILVA
AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA DE AVALIAÇÃO
SERIADA – PAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA SOB A LUZ
DA TEORIA DA COMPLEXIDADE E DA GESTÃO DO
CONHECIMENTO
ANGELA MARIA NAVES DA SILVA
AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA DE AVALIAÇÃO
SERIADA – PAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA SOB A LUZ
DA TEORIA DA COMPLEXIDADE E DA GESTÃO DO
CONHECIMENTO
Dissertação apresentada ao Programa de Especialização Stricto Sensu em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do grau de Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação.
Orientador: Dr. Ivan Rocha Neto
ANGELA MARIA NAVES DA SILVA
AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA DE AVALIAÇÃO
SERIADA – PAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA SOB A LUZ
DA TEORIA DA COMPLEXIDADE E DA GESTÃO DO
CONHECIMENTO
Dissertação aprovada como requisito para obtenção do grau de Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação, junto ao Programa de Especialização Stricto Sensu em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília, tendo como comissão avaliadora, a banca formada pelos professores:
Brasília, 27 de março de 2007
Banca examinadora
_______________________________________
Professor Dr. IVAN ROCHA NETO (orientador)
_______________________________________
Professor Dr. MAURO LUIZ RABELO (Examinador Externo)
_______________________________________
Professora Dra. LUÍZA ALONSO (Examinadora Interna)
________________________________________
AGRADECIMENTOS
A Deus e a Nossa Senhora, por dar-me a oportunidade de concluir esse curso de mestrado.
À minha mãe, Alzira, também professora dedicada, da qual creio que herdei dentre algumas qualidades, a paixão pela educação e o exemplo da sua competência para a gestão humanitária de pessoas e ações. À Ela a minha admiração, escuta interna e oferta da transferência do sentimento de perda e ausência (falecida há 16 anos) em realizações que a eternizam de geração à geração.
Ao meu pai, Durval Tito, o grande sábio, a minha confiança. Vale ressaltar que muitos momentos de convivência valeram mais que a leitura de alguns livros. À Ele a minha gratidão, amor e percepção de como é importante um pai acreditar e investir em um(a) filho(a). Hoje, vejo-me marcada por nossos diálogos que favoreciam as minhas buscas do saber bem como ajudavam a transformar os meus pontos fracos em oportunidades de crescimento.
Às minhas irmãs e irmãos, onze ao todo, o reconhecimento das contribuições, que fizeram ao longo da minha vida, com fraternidade, afetividade, compreensão e acima de tudo, união. Lembrar desses sentimentos é constatar a importância de vocês na construção da minha noção de comunidade.
Às minhas duas amadas filhas: Flávia e Larissa, o meu imenso-intenso amor de mãe e gratidão pela cumplicidade das duas, que seguraram “as barras”, apoiaram e me fortaleceram, cada uma do seu jeito, com as suas idiossincrasias, ofereceram-me condições para que eu não só cumprisse com o meu ideal, mas que também aprendesse a ser melhor como pessoa e cidadã participativa.
que a pessoa nasça, desenvolva, cresça, torne-se adulto(a), trabalhador(a), case-se, tenha filhos e filhas, envelheça, para depois morrer. Nesse sentido, esse acidente, mexeu muito comigo, com os meus valores e conceitos, conduzindo-me à busca de novas formas de enxergar o mundo bem como de teorias que atendessem às minhas necessidades. Nessa busca entrei em contato com as teorias: da incerteza, da complexidade, da efemeridade e fluidez da vida que muito me aproximaram da fragilidade do ser humano, e, em assim sendo, sobre a importância da humildade do conhecer, do aprender, do fazer, do conviver para ser melhor em prol da VALORIZAÇÃO DA VIDA.
A todos os jovens adolescentes, foco do meu trabalho como coordenadora pedagógica, a minha esperança. Saibam que olhar por meio dos seus olhares me fez aprender continuamente e com isso adquirir recursos para buscar e realizar formas diferentes de ações educacionais.
Aos meus sobrinhos e sobrinhas deixo a recomendação de luta perseverante e reflexiva para que abram as mentes e corações e interiorizem que aprender é inevitável e também a solução para a maioria de nossas buscas. Portanto, que aprendam a aprender com paixão e com ideais. Em especial, ao Durval Neto, que conviveu comigo parte do processo dessa caminhada, muitas vezes sofrível.
Aos meus amigos e amigas, a certeza do quanto contribuíram para os meus sorrisos e lágrimas, pois ficou em mim a certeza de poder contar com vocês. Não me lembro de ter voltado sem ajuda quando procurei alguém...
A todos os professores e professoras que “passaram e ficaram de alguma forma na minha vida desde as séries iniciais, a minha sincera gratidão e amor. Vocês são responsáveis por parte do que sou hoje. À “Dona Osmilda”, a minha deslumbrante alfabetizadora (às vezes me esquecia que estava em aula e a chamava de mãe). Dona Lígia, professora enérgica que marcou a 2ª série, a Professora Nicinha da terceira série (homenagem póstuma) que me convidou a ser a sua monitora e por demais me valorizou. A Dona Glaydes da 4ª série, grande amiga da família. Aos professores e professoras do ginásio, do curso de magistério, do curso de pedagogia, supervisão, administração escolar, especializações e cursos de extensão. Cada qual com a sua participação marcante e construtora ajudaram-me a tecer a rede de conhecimento que embasa a minha vida.
No MGCTI apraz-me agradecer ao Dr. Maurício Martinez, Dra Adelaide, Dr. Gentil Lucena, Dr. Ivan Rocha, Dr. Rogério, Dr. Rildo, Dra Dejane, Dr. Edílson, Dra Luisa Alonso, Dr.Paulinho Fresneda, Dr. Moresi, Dra Fernanda, Dra Kátia, Dr.Claudio Chauke. A eles os meus votos de sucesso e prosperidade.
À Equipe da Universidade Católica de Brasília, em especial à Georgiane, “a nossa conselheira”, e à Janina com o seu sorriso acolhedor. Ao Dr. Gentil e Dr. Ivan (que formaram a “dobradinha” da Gerência de Relacionamento nas Organizações - GRO), pela humanidade e carinho que demonstraram na convivência com as pessoas, indistintamente, o aconchego do meu abraço.
Aos funcionários da UCB em geral, que sempre atenderam-me com um carismático sorriso e assim provaram-me que apesar das dificuldades cotidianas é possível ir além do profissionalismo para o humanismo. Fizeram do local de trabalho uma possibilidade de convivência, doação e de amizade, a eles o meu muito obrigado.
A todos e todas que de alguma forma participaram deste trabalho, o meu reconhecimento. Sei que seria impossível a sua realização sem as incontáveis ajudas de vocês: entrevistados(as); ( amigos(as) da Comunidade de Prática do PAS/UnB); o Diretor-geral do Cespe/Unb - Dr. Mauro Rabelo; o professor e gerente de Interação Educacional do Cespe/UnB, o Caríssimo Dr.Ricardo Gauche; a professora Josefina, da UCB/ASC; aos Coordenadores do PAIES/UFU/MG; à equipe do PEIES, de Santa Maria/RS; bem como a todas as intervenções de pessoas que no decorrer do trabalho se dispuseram a ler, ouvir-me e devolver pareceres e opiniões.
Á minha “alma gêmea”, pela paciência do ouvir repetições infindáveis (em determinado momento da feitura da dissertação só se fala nisso), me compreendendo, apoiando e estimulando-me a seguir em frente, o estimulando-meu amor incondicional.
Por fim, à “minha bússola”, o amado, respeitado, admirado, amigo e professor Dr. Ivan Rocha Neto, orientador dessa pesquisa, a minha eterna admiração. É impossível medir o quanto aprendi com ele, que se tornou um companheiro de uma viagem que não termina aqui. Aproveito a oportunidade para registrar a minha gratidão também à Maria José, esposa do Dr. Ivan, que me recebeu em seu lar, de forma gentil e calorosa, numa parceria digna de se tornar referencial para a busca de competência entre pares, nas diversas instituições. Um abraço a seus filhos, também adolescentes, Joana e Renato.
Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas incoerências – assim como há na natureza uma unidade que permeia as aparentes diversidades.
RESUMO
Este trabalho apresenta uma avaliação da experiência do PAS - Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB), que se desenvolve há pouco mais de dez anos, como alternativa ao vestibular. Esta pesquisa visou à avaliação da experiência deste programa do ponto de vista da Gestão do Conhecimento (GC) e à luz da Teoria da Complexidade (TC). Com esses olhares, o PAS foi investigado no sentido da integração de saberes das distintas disciplinas, com base na evolução dos instrumentos de avaliação da aprendizagem, bem como mediante identificação das contribuições à construção de consensos de uma rede de colaboradores, que se constituíram como uma Comunidade de Prática. A experiência também foi comparada aos processos de outras universidades no sentido de identificar melhores práticas.
ABSTRACT
This paper discusses a proposal for evaluation on the experience of the Serial Evaluation Program – PAS, which has been under development for placement of new students at the University of Brasilia, in the last ten years This Program was evaluated through the lights of Knowledge Management and Community of Practices, and Theory of Complexity considering the integration of distinct wisdoms and disciplines, as well as through a network of contributors which constitutes themselves, as a community of practices. This experience was compared with similar processes of other universities in order to identify best practices.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1- Mapa Semântico da Pesquisa 25
FIGURA 2- Atividades Relacionadas à Gestão do Conhecimento 54
FIGURA 3- Nível de Participação na CoP 64
LISTA DE TABELAS
TABELA 1- Quadro Comparativo Sintético sobre as Distintas Formas de
Pensar 17
TABELA 2- Matriz Lógica 21
TABELA 3- Referenciais Teóricos 39
TABELA 4- Busca de Registros sobre o Tema da Pesquisa 40
TABELA 5- Descrição das Fases de Pertencimento de Indivíduos nas CoP 65 TABELA 6- Proposta de composição da “suposta” CoP 72
TABELA 7- Matriz Tridimensional do PAS/UnB com quadro para leitura 83
TABELA 8- Interpretação dos Dados das Entrevistas 86
LISTA DE ABREVIATURAS
Cespe – Centro de Seleção e de Promoção de Eventos
CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
PNADE – Programa Nacional de Desenvolvimento
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MEC – Ministério da Educação e Cultura
PAS – Programa de Avaliação Seriada
UnB – Universidade de Brasília
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
SEEC – Secretaria de Educação e Cultura
ENEM – Exame Nacional de Educação do Ensino Médio
Pisa – Programa Internacional de Avaliação de Aluno
PCNEM – Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio
TC – Teoria da Complexidade
GC – Gestão do Conhecimento
TIC – Tecnologia da Informação e da Comunicação
CoP – Comunidade Prática
CDEA/PAS – Comissão Especial de Acompanhamento do PAS
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS______________________________________________________ 4 EPÍGRAFE_______________________________________________________________ 7 RESUMO_________________________________________________________________ 8 ABSTRACT_______________________________________________________________ 9 LISTA DE FIGURAS______________________________________________________ 10 LISTA DE TABELAS_____________________________________________________ 11 LISTA DE ABREVIATURAS_______________________________________________ 12 SUMÁRIO_______________________________________________________________ 13 1 INTRODUÇÃO _________________________________________________________ 14 1.1 Justificativa__________________________________________________________ 14 1.2 A Pesquisa___________________________________________________________ 17
1.2.1 Objetivo Geral_________________________________________________ 17 1.2.2 Objetivos Específicos___________________________________________ 18 1.2.3 Hipóteses_____________________________________________________ 18
1.3 Panorâmica da Dissertação _____________________________________________ 19 1.4 Matriz Lógica__________________________________________________________19 1.5 Protocolo______________________________________________________________21 1.6 Mapa Semântico________________________________________________________24 1.7 Contexto______________________________________________________________26
1.7.1 Histórico do PAS________________________________________________35
1.8 Revisão da Literatura___________________________________________________40 1.9 Abrangência ___________________________________________________________41 1.10 Considerações Metodológicas______________________________________41 2 REFERENCIAIS TEÓRICOS_____________________________________________45 2.1 Introdução à Teoria da Complexidade_____________________________________45 2.2 Introdução à Gestão de Conhecimento (GC)________________________________50 2.3 A Experiência do PAS como uma Comunidade de Prática_____________________61 3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS_________________________________________67 3.1 Introdução_____________________________________________________________67 3.2 Avaliação da experiência do PAS com base na sua história____________________67 3.3 Avaliação da experiência do PAS a partir das entrevistas com os protagonistas___85
3.3.1 Perfil dos entrevistados_________________________________________________85 3.3.2 Destaque das entrevistas________________________________________________87 3.3.3 Interdisciplinaridade e abordagem trans-disciplinar no PAS: repercussões nas escolas cadastradas ao programa_____________________________________________________88
3.4 Melhores práticas identificadas a partir do estudo comparativo de experiências similares ao PAS/UnB______________________________________________________91
3.4.1 Algumas semelhanças entre os programas de universidades federais________93 3.4.2 Algumas diferenças entre os três programas das universidades federais_____94 3.4.3 ASC/UCB: Semelhanças e diferenças________________________________95
1 INTRODUÇÃO
1.1 Justificativa
Avaliar a experiência do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) nestes 10 anos de existência, sob a luz da Teoria da Complexidade e da Gestão de Conhecimento, além de ser providencial e relevante dada a circunstância, abre possibilidades de olhar e registrar experiências deste trajeto sob os olhares dos protagonistas que fazem parte desta história, bem como o de outras experiências similares que podem validar as melhores práticas.
Ao completar 10 anos de existência, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) acumula pontos de experiências educativas positivas, que expressam a consolidação deste processo alternativo ao vestibular tradicional como forma de ingresso na universidade.
Forma esta que se traduz em um caminho que vai ao encontro da cidadania, democracia e equidade social, pois deixa de ser apenas um vestibular tradicional classificatório e excludente, para priorizar a qualidade da educação e aprendizagem constituída na educação básica. Especificamente no ensino médio, por meio da participação do processo pedagógico das escolas, dialogando entre as várias realidades da educação básica com os cursos de graduação, com vistas na valorização da vida de uma forma mais ampla que extrapola o ofício de aluno.
Assim, o PAS/UnB propicia condições de amadurecimento do estudante, como sujeito que escolhe o seu jeito de viver e de ser feliz por meio das diversas estratégias que promove, bem como da participação dos professores como protagonistas do processo.
limitações das óticas tradicionais que têm sido adotadas pela ciência para explicar o mundo. Principalmente para alcançar o intento desta pesquisa é necessário olhar o PAS/UnB com atitude que este novo panorama indica.
Está mais que demonstrado que os reducionismos do pensamento cartesiano/mecanicista, bem como da abordagem puramente holística, não dão mais conta da complexidade dos processos educativos, nem tampouco conseguem explicar as experiências humanas e as relações sociais envolvidas nos processos de aprendizagem (FALCI apud MORIN, 2000, p.11). Se por um lado, a abordagem cartesiana reduz os fenômenos às suas partes, separando-as para entender o todo, o pensamento holístico o faz mediante reconhecimento das propriedades que emergem da totalidade, mas não olham as relações de interdependência, que podem neutralizar ou potencializar as contribuições dos protagonistas individuais.
Há, portanto, a necessidade de um olhar mais completo: o do pensamento complexo, tanto na ótica adotada por Morin e Lemoine (2000) da integração dos saberes, quanto dos pensadores sistêmicos. De se salientar que no pensamento sistêmico, são adotados os seguintes princípios (MARIOTTI, 1995): emergência, investigando as propriedades que resultam do todo, o que integra a visão holística (WEIL, D’AMBROSIO, CREMA, 1993); influência do todo sobre as partes e destas sobre a totalidade; e, interdependência, que permite investigar as relações e condicionantes que envolvem as partes entre si, e destas com o todo.
Tudo isto se aplica à experiência do PAS/UnB, sobretudo em relação à comunidade que se tem envolvida no processo de aprendizagem. Inclui também as abordagens dialógica (FREIRE, 1996) e dialética (HEGEL apud BOTELHO, 2007), as quais foram adotadas nesta investigação, na medida em que há diálogos identificados entre os participantes, dos quais pode-se extrair sínteses dos contraditórios, possibilidades de terceiros incluídos, interpretações inclusivas (isto e aquilo) e exclusivas (nem isto, nem aquilo, mas algo distinto).
disciplinas se distinguem pelo fenômeno do seu olhar específico para dar lugar ao conhecimento sistêmico – investigando problemas reais, significativos, contextualizados. Pode ser vista como o resultado da síntese obtida por meio de unidades que nascem da diversidade e da multiplicidade da correlação de várias disciplinas que interagem.
A evolução dos processos resulta distinta da mera soma das contribuições das partes, potencializando (sinergia), ou neutralizando. Na abordagem multidisciplinar, as várias disciplinas atuam juntas, mas não se relacionam mutuamente – não há reciprocidade. Seu conjunto não logra uma síntese. Dessa forma, o todo é somente igual à soma das partes (ROCHA NETO, 2003, p.42).
Já se pode antecipar com suficiente fundamento que o PAS/UnB evoluiu na direção interdisciplinar e trans-disciplinar, como pode ser observado pelas questões escolhidas nas avaliações seriadas, bem como pela apreciação inicial do processo.
Nesse ínterim, uma comparação sintética e não exaustiva das limitações, potencialidades e características das distintas formas de pensar é apresentada no quadro a seguir:
Dimensões e Propriedades
Cartesiana/ Mecanicista
Holística Complexa
Princípios Relações diretas de causa-efeito;
Separação das partes para entender o todo;
Linearidade ou soma dos efeitos das partes isoladas para determinar o comportamento do todo (proporcionalidade) Continuidade (observação de fenômenos contínuos);
Ordem de natureza simples.
Propriedades que emergem do todo e que não estão, necessariamente, presentes nas partes; Observação de efeitos sinérgicos (os resultados podem ser maiores ou menores que a
soma das contribuições das
partes);
Os processos são também contínuos e determinados (não há incertezas). Emergência, influência, e interdependência. Abordagens dialética (tese, antítese e síntese) e dialógica (interação);
Os processos podem
ser discretos (quânticos) - possibilidades de saltos e rupturas, além de caos nos processos contínuos;
Ordem de natureza complexa.
Métodos Preferenciais
Técnicas usualmente empregadas Quantitativa Estatística Simulação Qualitativa Simulação Quantitativa Qualitativa Vocabulário/ Metáforas Relógios, máquinas, alavancas, engrenagens, agregação de valores,soma zero, articulação Emergência, Sinergia, Simulação Cérebro Humano Sinapses Organismos vivos Interdependência Sistêmica
Tese, antítese e síntese
Não linear
Plásticas Rígida Flexível Moldável
Aprendizagem Primeira ordem
(muda apenas o fazer); superficial; treino; rotina; normativa;
operacional;
Segunda ordem (muda o método e o fazer);
Profunda: muda o olhar; o método; e o fazer;
Planejamento A partir de
diagnósticos;
Os problemas e soluções são bem estruturados e reconhecidos por todos. O ideal é a objetividade.
A partir de percepção do todo;
Os problemas são semi-estruturados,
e envolvem subjetividade.
Os problemas não são estruturados e os resultados não são pré-dizíveis;
Plástico, simples e situacional.
Observadores Externos aos
processos
Externos Incluídos, Protagonistas;
Comprometidos
Ontologia Metafísica Metafísica Evolucionista e
relacional, conectando o poder ser, o ser e o devir (vir a ser).
Tabela 1 - Quadro comparativo sintético entre as distintas formas de pensar.
Fonte: Elaboração própria.
1.2 A Pesquisa
Avaliação da experiência do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) sob a ótica da Gestão do Conhecimento e à luz da Teoria da Complexidade.
1.2.1 Objetivo geral
1.2.2 Objetivos específicos
• Verificar a hipótese de que há um processo de Gestão do Conhecimento - GC em curso no PAS /UnB na direção das abordagens interdisciplinar e/ou trans-disciplinar;
• Identificar as melhores práticas do PAS/UnB em comparação com algumas experiências de outras universidades de Brasília e de outros estados;
• Aplicar os critérios da Teoria da Complexidade e os conceitos da Gestão do Conhecimento à leitura e à interpretação da experiência dos dez anos de implantação do PAS/UnB;
• Avaliar em que medida a aprendizagem obtida na Comunidade de Prática tem influído nos projetos pedagógicos das escolas participantes;
• Verificar em que medida o grupo de trabalho do PAS/UnB compõe uma comunidade de prática;
1.2.3 Hipóteses
• Há um processo de Gestão do Conhecimento em curso no âmbito do PAS/UnB explicitado por meio da integração, reciprocidade e transposições entre as diversas áreas do conhecimento;
• Há semelhanças e distinções em relação às práticas de outras universidades/estados com vantagens e desvantagens;
• Houve multiplicação da aprendizagem obtida pelos professores e professoras da Comunidade do PAS/UnB nas escolas particulares e públicas do ensino médio cadastradas no programa;
1.3 Panorâmica da Dissertação
O presente capítulo apresenta uma panorâmica da investigação, com relação às motivações para escolha do tema, justificativa, questão central e hipóteses, considerações metodológicas, ordenamento de finalidades da pesquisa, a sistematização de anotações protocolares da autora bem como o contexto mais amplo que demonstra a relevância da escolha do referido tema.
No segundo são apresentados os fundamentos teóricos que serviram de base para a pesquisa: complexidade, gestão do conhecimento e conceitos sobre a comunidade de prática.
No terceiro é apresentado o desenvolvimento da pesquisa, incluindo o histórico do PAS, conforme recomendado pela metodologia dos marcos lógicos, além do estudo comparativo com outras experiências.
No quarto e último capítulo são apresentadas às conclusões e proposições para sua continuidade e aprofundamento da pesquisa.
Os itens abaixo transcritos, não foram anexados diante do volume que acarretaria. São todos encontrados nos sítios da internet citados com os temas. De se salientar que ir à fonte, nos respectivos sítios trará benefícios a quem queira realizar esta caminhada. Confira-se:
• Experiências similares ao PAS/UnB;
• Transcrição das entrevistas dos componentes da
Comunidade;
• Provas do PAS/UnB, amostragem da evolução nos
triênios desde o ano de 1999 até o ano de 2006,
• Editais do PAS/UnB desde o primeiro lançamento em
1996 até 2006.
1.4 Matriz Lógica
durante os dez anos de execução do Programa, no sentido de esclarecer indicadores que serviram ao processo de avaliação de acordo com as óticas escolhidas: Gestão do Conhecimento e Teoria da Complexidade.
Os referidos marcos lógicos desta investigação estão organizados segundo a matriz apresentada a seguir.
OBJETIVO EFETIVIDADE MÉTODOS DE AFERIÇÃO
OPORTUNIDADES E AMEAÇAS
Avaliar a experiência do PAS/UnB, à luz da Gestão do Conhecimento e da Teoria da Complexidade. Apreciação histórica, segundo os referenciais propostos, comentada pela autora no sentido da verificação de efetividade do PAS/UnB. Depoimentos dos protagonistas, sistematização de relatórios, leitura dos documentos oficiais e entrevistas, bem como dos referenciais teóricos propostos. PROPÓSITOS ESPECÍFICOS
EFICACIA AFERIÇÃO OPORTUNIDADES
Avaliar o processo de Gestão do Conhecimento na Comunidade de Prática;
Grau de satisfação
das escolas participantes, e dos
que vivenciaram o processo. Proposta de estudos futuros. Influência do PAS nos projetos pedagógicos das escolas. Percepção dos protagonistas segundo os critérios e princípios da Gestão do Conhecimento e da
Teoria da Complexidade; Entrevistas. Relatos de mudanças nos projetos pedagógicos
As reuniões facilitam as entrevistas e as possibilidades de retorno para esclarecimentos.
RESULTADOS ESPERADOS
EFICIÊNCIA AFERIÇÃO AMEAÇAS
ATIVIDADES MEIOS CRONOGRAMA AMEAÇAS
Organização da documentação
oficial e da bibliografia básica de suporte; Registro de autores e citações; Elaboração de entrevistas semi-estruturadas; Realização das entrevistas e sistematização dos resultados das leituras.
Análise, síntese e conclusões.
Documentação oficial;
Bibliografia;
Entrevistas; site do PAS/UnB Observações da Banca de Qualificação e Orientações. Conforme previsto e comprometido no
exame de qualificação.
Defesa prevista para Março de 2007.
As entrevistas, as leituras, as fichas, os registros e demais
providências com revisões.
Não identificadas.
Tabela 2: Matriz Lógica Síntese sobre distintas formas de pensar
1.5 Protocolo (Diário de Bordo)
As anotações da autora, transcritas a seguir (protocolo ou diário de bordo), têm o objetivo de esclarecer o percurso trilhado na investigação, as dificuldades e soluções encontradas, inclusive para melhor compreensão das opções adotadas, bem como para facilitar sua continuidade e aprofundamento futuro.
Também pode ajudar outros estudantes do MGCTI ou até mesmo de outros cursos com a aplicação da metodologia adotada em outros contextos.
A escolha do tema foi motivada pelo encantamento da autora com as disciplinas cursadas: Gestão do Conhecimento e Logística, ministrada simultaneamente pelos professores Maurício Martinez e Adelaide; e Gestão do Relacionamento nas Organizações (GRO), por Gentil Lucena e Ivan Rocha. Também foi motivada pela entrada da autora no PAS/UnB, como participante do comitê de ciências sociais (geografia, história, filosofia, sociologia), em 2004.
experiência do PAS. Entretanto, seria preciso escolher a ótica, os fundamentos e a metodologia, que serviriam de base à avaliação proposta.
Inicialmente a proposta foi a de realizar a avaliação da experiência do PAS com base na analogia (método hipotético) com a natureza da luz (física quântica), no sentido de investigar a evolução do Programa na direção da integração dos saberes, proposta por Morin (2000). A inspiração para essa escolha decorreu da intuição de que a aprendizagem dos ‘alunos’ (em determinada época tido como ser sem luz, só o professor detinha o saber) poderia ser explicada com base nas proposições da física quântica sobre a natureza da luz. Também pelo “charme” do princípio da incerteza.
A idéia seria estudar o processo de aprendizagem integrada de saberes por analogia com a luz branca - composição de todas as freqüências (disciplinas). Também a questão da observação da protagonista em meio aos professores, participando como praticante da ação e também aquela que observa a ação praticada por si e por outros iguais, os observadores e objetos de observação, integrantes da comunidade de prática.
Assim, o observador não neutro (pesquisador e objeto de pesquisa) que influi na observação, gerando incertezas, caracteriza esta pesquisa-ação. Com esta abordagem tentou-se superar a visão positivista da aprendizagem que supõe a existência de verdades reais a serem reveladas de forma neutra e objetiva.
Na apresentação à banca de qualificação, ficaram claras as dificuldades de estabelecer tal analogia, por várias razões, entre as quais a necessidade de aprendizagem da teoria quântica por parte da proponente.
Em segundo lugar, a impropriedade do uso da metáfora do mundo atômico para explicar fenômenos na escala humana.
Além disso, exigiria um tempo não disponível da proponente para aprendizagem da teoria quântica e desenvolvimento da investigação.
Outro complicador identificado na qualificação foi o uso do conceito de abdução de Pierce (palavra que envolve outros significados).
inclusive para investigação da comunidade de prática que se intuiu ter sido a base para a evolução do PAS.
Esta sábia orientação permitiu ainda manter os princípios sistêmicos adotados, sem a necessidade do entendimento da física quântica - dialética, dialógica, subjetividade e integração dos saberes.
Também se conseguiu maior integração com a proposta do MGCTI, envolvendo o olhar da gestão do conhecimento.
O resultado foi a harmonia da proposta com a filosofia de Heidegger e os escritos de Maturama (2001) e Flores (1996) base na disciplina de Gestão dos Relacionamentos nas Organizações (GRO), que tanto encantou a autora.
Em outras palavras, os demais membros da banca fizeram a autora “pousar na terra”; orientanda e orientador foram aconselhados a adotar caminhos menos ousados. Sabe-se hoje que foi realmente uma viagem!
Também ficou claro que o método adotado seria indutivo, pois partiu de racionalidade da teoria da complexidade e da gestão do conhecimento, e não apenas da intuição com relação aos fundamentos teóricos que seriam adequados para explicar e avaliar (dar valor) a experiência do PAS.
Esta mudança de ótica rendeu um artigo, encaminhado à revista “Educação Brasileira” e dois capítulos de um livro que está sendo finalizado.
No processo de orientação vivenciou-se também participações no grupo de orientação coletiva – estratégia adotada pelo orientador que permitiu discussões e críticas com os colegas e compartilhamento das inquietações, alargando as visões da autora sobre a metodologia, formas de pesquisa, dificuldades encontradas, grandes ganhos do compartilhar vivências, além da amizade.
No mais, não houve maiores dificuldades com relação à definição do universo dos protagonistas entrevistados ou para organização e leitura dos documentos oficiais, nem mesmo para delimitação da pesquisa.
Os passos seguidos foram:
• Pesquisa de dissertações relacionadas nos sítios da UCB, da UnB e da Capes;
• Entrevista com responsáveis pelo ASC/UCB;
• Contato via e-mail com responsáveis por programas alternativos de ingresso na universidade em cursos de pós-graduação, de outros estados como Minas Gerais (UFU - PAIES), Rio Grande do Sul (UFSM – PEIES) e Piauí (UFPI –PSIU);
• Contato com pessoa do grupo da Orientação-coletiva, para crítica e troca de impressões;
• Organização e interpretação de dados e informações coletadas por intermédio das entrevistas;
• Identificação de relações e outras características da Comunidade do PAS com o referencial teórico, por meio da análise das entrevistas e dos pressupostos teóricos, bem como com a visão e impressões da autora (observador e observado), integrante da Comunidade;
• Elaboração do quadro de semelhanças entre o PAS/UnB e experiências análogas de outros estados;
• Elaboração do quadro de diferenças entre o PAS/UNB e experiências análogas;
• Interpretação dos aspectos semelhantes e diferentes dos programas investigados com apresentação da análise sob os pressupostos teóricos da TC e GC, nas considerações finais;
• Verificação das hipóteses e do cumprimento dos objetivos específicos e propósito geral, com visão na pergunta central;
• Elaboração das considerações finais;
• Proposição de pesquisas futuras;
1.6 Mapa Semântico
Figura 1: Mapa Semântico da Pesquisa
Fonte: Elaboração Própria
Avaliação do PAS UnB Comunidade
GC Teoria da
Complexidade
Princípios (1) Metodologia
Algumas experiências análogas
Processo de ingresso na universidade
Entrevistas Com Protagonistas Autora inclusa
Princípios (1)
Integração de Saberes
Pensamento Sistêmico
Emergência Interdependência Influência Sistematização
da Documentação
Oficial Análise do
1.7 Contexto
Nesta segunda semana do mês de março de 2007 o governo anunciou um programa para acelerar o crescimento do país - Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) - que mereceu atenção de toda a sociedade. Atualmente cita-se muito a Coréia do Sul e Irlanda como exemplos de países que crescem, distribuem renda e dão emprego aos jovens em fábricas de tecnologia de ponta. Para isso, romperam a barreira do discurso e investiram na Educação. O PDE é um plano que pode ser grande aliado ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) também lançado, pois o crescimento passa por aí.
Posições como essas são defendidas com freqüência nos debates de campanhas eleitorais, sendo a Educação entendida, ao mesmo tempo, como alicerce e como mola propulsora do desenvolvimento social. No entanto, o problema constatado no dia-a-dia, inclusive a partir das estatísticas em relação ao desemprego, mostra que as oportunidades de trabalho oferecidas no mercado somente podem ser aproveitadas por profissionais com formação adequada às demandas da nova sociedade do conhecimento. A educação brasileira tem uma longa caminhada à frente.
A partir da análise dos dados oficiais sobre a situação da alfabetização da população brasileira, constata-se uma enorme carência de aprendizagem de leitura e escrita, pois os estudantes mal conseguem ler ou escrever as palavras, além de se mostrarem incapazes de comunicação - compreender o que lêem ou expressar suas próprias idéias. Além disso, demonstram não saber o que fazer com o que “aprendem” - analfabetismo funcional.
Entre as responsabilidades e deveres dos cidadãos, cabe alargar os olhares para perceber outras dimensões em relação ao que deve ser relevante à educação, caso se deseje realmente superar a promessa de país em desenvolvimento, com a diminuição da desigualdade social.
quanto à aprendizagem no desenvolvimento de habilidades, atitudes, valores e ética profissional, quanto à e capacidade de aplicação de conhecimentos à sua realidade e às dos estudantes.
Educação para vida e não apenas domesticação ou treinamento para viabilizar a passagem do ensino médio ao curso superior. Os protagonistas do PAS mostraram que isto é possível.
De acordo com estudo realizado por esta Autora (NAVES, 2006), baseando-se no Informe Estatístico (MEC/INEP/SEEC, 1996) e Censo Escolar de 1998, apenas 30,8% da população de 15 a 17 anos se matriculam no ensino médio, apesar da ampliação de ofertas de vagas. Outro aspecto se refere à qualidade do ensino, insuficiente em todos os níveis, no Brasil e no Distrito Federal.
O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM – sistema de avaliação voluntário, criado pelo Ministério da Educação, com o objetivo de oferecer uma referência para auto-avaliação, orientar escolhas profissionais e avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil, divulgou os resultados de 2005 mostrando que as médias gerais no Brasil nas provas chegaram a 40,25 nas escolas públicas e 55,72 nas escolas particulares. O DF, mesmo sendo a capital, entre as escolas públicas do país, ficou em 8º lugar (Colégio Militar de Brasília), após Rio de Janeiro (1º lugar), Recife (2º lugar), São Paulo (3ºlugar), Salvador (4º lugar), Belo Horizonte (5º lugar), Campo Grande (6ºlugar) e Curitiba (7º lugar). Em relação às escolas particulares, o DF ficou em 11º lugar (INEP, 2006).
Ainda em relação aos parâmetros de qualidade educacional brasileira, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos - Pisa 2000, o Brasil se colocou em penúltimo lugar em ciência e matemática. O Pisa visa produzir indicadores para avaliação da efetividade dos sistemas educacionais, considerando o desempenho dos estudantes na faixa de 15 anos. Esta faixa etária coincide com o término da educação básica na maioria dos países.
Argentina e Chile. Cada país participa avaliando entre quatro e dez mil estudantes.
No Brasil, na aplicação do Pisa 2000, participaram 4893 jovens com idades entre 15 e 16 anos. A participação do Brasil no Pisa ocorre dentro da perspectiva de se obter informações que possam avaliar o desempenho dos brasileiros no contexto da realidade educacional, em nível nacional e internacional. A partir da análise dos dados coletados, a idéia é discutir os indicadores de resultados educacionais adequados à realidade brasileira, e supostamente atuar na correção das deficiências identificadas. As análises procuraram identificar os determinantes demográficos, sociais, econômicos e educacionais de desempenho de alunos e escolas.
Juntamente com outros dados já produzidos no Brasil essas análises permitem às escolas, com o apoio das demais instâncias dos sistemas de ensino, avaliar seus processos, verificar suas debilidades e qualidades, e planejar a melhoria do processo educativo. Da mesma forma, permitem aos organismos responsáveis pela política educacional desenvolver processos de melhoria da qualidade da educação.
Como ilustração, se escolheu aqui um dos aspectos que são avaliados pelo Pisa, procurando discutir os seus resultados, que muito interessam às conclusões da presente pesquisa: a classificação da competência em leituras. Esta gerou escores que foram usados para classificar os países em três categorias de desempenho.
Há um grupo de primeira linha, no qual foram classificados - Finlândia, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Irlanda, Coréia do Sul, Reino Unido, Japão, Suécia, Áustria, Bélgica e Islândia (nesta ordem). São países relativamente pequenos, altamente homogêneos e, há muito tempo, “teimosamente” dedicados à educação, com possível exceção da Coréia e Irlanda, novos figurantes no primeiro time.
Em seguida, os países de desempenho médio: Noruega, França, Estados Unidos, Dinamarca e Suíça.
Liechtenstein, Hungria, Polônia, Grécia, Portugal, Federação Russa, Letônia, Luxemburgo, México e Brasil.
Visto assim, até que não estamos em má companhia, tendo por exemplo a disposição na mesma categoria que a Alemanha. Não obstante, a distância que nos separa da Alemanha é muito grande. Se houvesse mais categorias certamente estaríamos na última.
Aprofundando na análise dos dados, é possível informar que apenas Brasil e México têm a metade da amostra (entre 15 e 17 anos) ainda cursando o ensino fundamental (que vai até a 8ª ou 9ª série), enquanto nos países da OCDE praticamente a totalidade se encontrava cursando o ensino médio. Para melhor situar o país, a amostra foi separada em três grupos: os estudantes que estão no ensino médio, os da 8ª e os de séries anteriores.
Os resultados mostraram que, para os brasileiros que não se atrasaram, isto é, que se equivalem em escolaridade como a maioria dos participantes dos países da OCDE, há uma distinção favorável importante. Passou-se para o nível 2 (dois) com relação à compreensão de textos, apresentando desempenhos melhores que os demais brasileiros e alunos de outras nacionalidades mais atrasados, que se classificaram nos níveis 1 (um) ou abaixo.
Nessa categoria dos não atrasados, o Brasil compartilha a mesma classificação que os equivalentes dos países da segunda classe - Polônia, Federação Russa, México, e mais alguns. Esse é um resultado significativo, pois o Brasil só apresenta baixo desempenho quando a amostra inclui os repetentes fora de idade, portanto, que não tiveram contato com muitos conteúdos avaliados nas provas. Quer isto dizer que os estudantes brasileiros sem atraso não estão muito mal, além de estarem em numerosa companhia. A própria presença da Rússia, país de exemplar sistema educativo até recentemente, mostra que o Brasil não está, sistemicamente, marginalizado.
Os dados mostram que o Brasil está mais ou menos no nível compatível com o seu desenvolvimento econômico. A renda per capita brasileira e a qualidade da educação são indicadores próximos dos alcançados pelo México.
O Brasil apresenta desempenho similar aos da Polônia e Rússia, também de rendas per capita da mesma ordem. Não obstante, esses países lograram desenvolver sistemas educativos melhores. Nesses casos, vale perguntar: por que oferecem melhor educação aos seus jovens se estão no mesmo patamar de desenvolvimento? O que remete a outra pergunta: se oferecem melhor educação, por que não conseguem melhorar suas rendas per capita?
Outro exercício interessante compreendeu o uso de ferramentas estatísticas para comparar os níveis de desenvolvimento socioeconômico e cultural dos países. A pergunta foi: em que nível o Brasil estaria se fosse comparado com países de desenvolvimento similar, medido pela escolarização e pela tradição de seus bens culturais? Novamente, se repetiu o resultado apresentado no parágrafo anterior, com o Brasil classificado na segunda categoria e não na última.
Ou seja, parte dos nossos maus resultados podem ser atribuídos ao fato de que, na média, as famílias brasileiras têm pouco a oferecer em termos de educação extraclasse a seus filhos em relação às dos países mais ricos. Do contrário, o Brasil estaria um pouco melhor, porém, ainda com muito espaço para melhorar.
A decisão de participar no Pisa pode parecer a alguns um ato de masoquismo, combinado com um desperdício de recursos públicos. Porém, na opinião da autora, o Pisa foi o teste certo no momento para “acordar” as autoridades do País.
No Brasil, o Pisa é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação, pois em cada país há uma coordenação central.
O Pisa é implementado por um consórcio internacional liderado pelo
Westat e o Educational Testing Service (ETS), dos Estados Unidos e o Japanese Institute for Educational Research (NIER), do Japão.
O consórcio Pisa 2000 reuniu especialistas de 30 países, com larga experiência internacional no desenho e execução de sistemas de avaliação, com os objetivos de:
i) avaliar conhecimentos e habilidades que são necessários em situações da vida real, enfatizando a eficácia externa do processo de escolarização, propondo a examinar o desempenho alcançado pelos estudantes nos três domínios avaliados (Leitura, Matemática e Ciências), abordados em questões-situações que estão além do contexto escolar;
ii) relacionar diretamente o desempenho dos alunos a temas de políticas públicas;
iii) apresentar os resultados alcançados em um número considerável de países de maneira a lançar luz sobre questões de interesse dos governos, como, por exemplo,sobre o preparo escolar das crianças para a vida em sociedade; sobre as estruturas e práticas educacionais que maximizam as oportunidades de alunos vindos de contextos desvantajosos, ou sobre a influência da qualidade dos recursos escolares sobre os resultados alcançados pelos alunos;
iv) permitir o monitoramento regular dos padrões de desempenho. O Pisa está comprometido com a avaliação das áreas de Leitura, Matemática e Ciências. Visa avaliar, a cada três anos, como está a preparação dos jovens para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, assim procura fornecer indicadores internacionais em condições de serem utilizados por responsáveis pela administração de sistemas educacionais na orientação de políticas públicas.
O Pisa se propõe a avaliar, periodicamente, um leque amplo de conhecimentos, habilidades e competências nas áreas de Leitura, Matemática e Ciências. A primeira avaliação foi realizada em 2000, com ênfase na Leitura, em 2003, proficiência na área de matemática e em 2006, Ciências.
Neste sentido, para cada ciclo de avaliação, está previsto um domínio principal a ser avaliado mais profundamente por meio de itens de prova, contando dois terços. O restante aplica-se aos domínios secundários.
O Pisa pressupõe um modelo dinâmico de aprendizagem. Considera que novos conhecimentos e habilidades devem ser continuamente adquiridos para uma adaptação bem sucedida em um mundo em constante transformação e que os alunos devem ser capazes de organizar e gerir o próprio aprendizado.
O Pisa avalia conhecimentos, habilidades e competências adquiridos pelos estudantes e que os capacitam a participar efetivamente da vida na sociedade. Indo além do domínio do conjunto específico de conhecimentos incluído nas principais disciplinas escolares, o Pisa tem como propósito aferir a habilidade dos alunos para utilizar ativamente o conhecimento adquirido em situações que serão relevantes em suas vidas futuras.
Para tanto, a proficiência em Leitura, Matemática e Ciências é avaliada separadamente. Nas três áreas avaliadas, o termo ‘letramento’ descreve um amplo espectro de capacidades. As áreas avaliadas são definidas sob três aspectos:
1) o conteúdo ou estrutura de conhecimento que os estudantes precisam adquirir;
2) os processos que devem ser utilizados;
3) e os contextos nos quais o conhecimento e as habilidades são aplicados.
No Pisa para cada área avaliada existe uma escala contínua, em que os níveis de desempenho dos alunos e suas distribuições estão representados pelo número de pontos alcançados. Assim, o letramento em Leitura é a compreensão, o uso e a reflexão sobre textos escritos para alcançar objetivos pessoais, desenvolver o conhecimento e potencial individuais, além de participar plenamente na vida em sociedade.
O letramento em Matemática é a capacidade individual de identificar e compreender o papel da Matemática no mundo, de fazer julgamentos bem fundamentados e de se envolver com a Matemática de maneira a atender às suas necessidades atuais e futuras como um cidadão construtivo, consciente e reflexivo.
O letramento em Ciências é a capacidade de usar o conhecimento científico para identificar questões e tirar conclusões baseadas em evidências, de modo a compreender e a ajudar na tomada de decisões sobre o mundo natural e as mudanças ocasionadas pelas atividades humanas.
dificuldades no processo de aprendizagem. Isso requer que tenham consciência de suas próprias opiniões, estratégias de aprendizagem e métodos.
Para avaliar esses aspectos, o questionário do Pisa 2000 estimula os alunos a falarem um pouco sobre sua forma particular de aprender.
Essas premissas supracitadas nasceram da reunião de países mais avançados, que após discutirem, definiram quais são as competências de uso da linguagem que se tornaram cruciais no mundo moderno. Esse processo resultou no Pisa.
Para fazer parte do primeiro time é preciso dominar os códigos dos países desenvolvidos de acordo com seus próprios critérios. Não se trata de responder a charadas ou quebra-cabeças, mas de entrar no âmago do que foi considerado o domínio crítico da linguagem.
Não se trata da crônica fragilidade das escolas públicas, pois os maus resultados incluem predominantemente estudantes de escolas privadas, algumas delas tão caras quanto as americanas mais ricas. Portanto, se essas escolas não estão dando “conta do recado”, o mais provável é que não estejam empenhadas em melhorar. Suas agendas devem ser outras.
Ao mesmo tempo, são esses mesmos resultados que mostram haver luz no fim do túnel. Se os resultados se mostraram fracos para as escolas privadas, que dispõem de todos os recursos, com estudantes bem dotados de “capital cultural”, isto deve ser computado à falta de interesse e empenho. Estas escolas não estão fazendo o suficiente, de acordo com as exigências do Pisa – que são inclusive semelhantes em relação aos novos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio - PCNEM, estabelecidos pelo MEC.
Este raciocínio aponta na direção de uma revolução do ensino, ao mesmo tempo radical e exeqüível. Radical, por mostrar às escolas que podem estar equivocadas no que tentam ensinar. Possível, porque a nova maneira de ensinar não representa qualquer mistério e não está fora do nosso alcance.
parece tentar resolver a questão sem apoio do texto, baseados nas suas opiniões. As escolas brasileiras estão longe de promover nos alunos a competência exigida pelas sociedades letradas para o verdadeiro exercício da cidadania”.
O Pisa mostrou que as escolas têm falhado no essencial: desenvolver o domínio da linguagem. Uma conclusão é inevitável "Só há uma prioridade na escola brasileira: ensinar a ler e entender o que está escrito" (PISA,2000, p. 85-86).
Acrescente a isso os dados do último Censo em Educação, que mostram que apenas 51% dos que ingressam anualmente no sistema de ensino superior conseguem, quatro anos depois, obter o diploma. No Japão, são 7% os que deixam de concluir o curso após esse período. Além disso, no Brasil, há também o fenômeno da evasão, questão complexa de dimensões política, social, e também acadêmica.
Para solucionar ou até mesmo minimizar tais carências educacionais, novas estratégias têm sido propostas. Uma delas que merece destaque tem sido sugerida por Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia, com o que criou o conceito de bacharelados Interdisciplinares (BIS), também chamados de Universidades Novas.
Ao terminar o ensino médio, o estudante ingressaria no BI, numa área genérica como ciências ou humanidades, sem a preocupação de optar por uma especialização profissional. Após três anos, com o título de bacharel, poderia parar ou seguir para uma especialização profissional.
O BI objetiva estimular a interdisciplinaridade por meio da evolução das ciências (físico-química, biofísica, bioquímica), bem como cuidaria de proporcionar tempo e condições para o estudante construir maturidade de escolher sua profissão.
universitários mundiais, notadamente os dos EUA e da União Européia (que, por meio do processo de Bolonha, integram diversos modelos).
O sistema universitário, bem como de toda a educação brasileira, precisa enfrentar o desafio de buscar novos processos de ingresso do estudante no curso superior, que valorizem o ser humano em todas as suas dimensões e que não precipitem os estudantes à escolha precoce de sua vida profissional. Esta questão é discutível, mas não será aprofundada aqui por fugir do tema da pesquisa.
Essas propostas apresentadas, mesmo que superficialmente, a título de exemplificação, pretenderam reforçar que há um movimento amplo com muitas “saídas” possíveis para superar os problemas identificados. Entre essas, a proposta do Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília, como um processo alternativo de Ingresso no ensino Superior e cuja experiência é o foco desta pesquisa.
Por enquanto, os objetivos desse relato foram o de criar contexto e mostrar a panorâmica desta investigação. Neste sentido, a autora considerou importante estudar a história do programa.
1.7.1Uma caminhada até o PAS
A passagem para o século XXI ensejou uma série de mudanças nos modelos educacionais e em outros domínios da vida no planeta: relação com o meio ambiente – o Ser Humano não mais como observador externo e independente, mas como protagonista, com entendimento da destinação e preservação dos recursos naturais; consideração da história como critério e base de aprendizagem; convivência e adaptação às tecnologias de informação e comunicação – TIC; movimentos de inclusão; necessidade da abordagem complexa para entendimento da vida e de suas relações em todas as suas dimensões.
interdisciplinar e/ou trans-disciplinar, ampliando a formação para além do conhecer, envolvendo com igual relevância o desenvolvimento do ser, do conviver e do fazer (DELORS, 2000).
Neste sentido, tornou-se necessário trabalhar o desenvolvimento de competências (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para formar os jovens) para fazer com qualidade aquilo a que se propõem, tendo em vista o exercício da cidadania (PCNEM, 2006).
A necessidade da universalização das oportunidades de educação superior, de estratégias para qualificação da educação básica, bem como os métodos de ingresso nas instituições universitárias, sobretudo, no Brasil, fazem com que surjam novas visões que busquem atender a sociedade do conhecimento.
Os indicadores de qualidade educacional passam a denunciar a situação crítica em relação ao ensino médio e o crescente descontentamento dos aspirantes à educação superior e autoridades envolvidas. Também a evasão crônica após entrada na universidade passa a se constituir como grande motivação para a criação do PAS/UnB.
As novas exigências de formação para o trabalho nesse cenário globalizado e competitivo, com novas tecnologias e mudanças culturais que a humanidade tem vivenciado estavam também em pauta (DRUCKER, 1995). O Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB) foi iniciado neste contexto.
Apesar do enorme crescimento da oferta de oportunidades, havia e ainda há, insatisfações em relação aos processos seletivos, sobretudo nas Instituições de Educação Superior (IES) Federais, dadas as condições de ”gratuidade” e possibilidades limitadas de financiamento dos estudos para os ingressantes em faculdades particulares. Isso posto, cabe perguntar se o vestibular ainda faz algum sentido face às novas experiências, entre elas o PAS/UnB ( foco deste trabalho) e dos seus resultados, mesmo considerando o mérito acadêmico como principal critério de seleção.
professores do ensino médio à universidade e desta com a educação básica, criando conexões sistêmicas entre todos esses níveis de ensino.
Portanto, a proposta é avaliar este Programa no sentido de obter pistas para novas práticas educacionais, e até mesmo para avaliação de outras experiências.
Neste sentido, esta investigação se propõe a rever a trajetória dos mais de 10 (dez) anos do PAS, cujo marco inicial e continuidade têm resultado de longas discussões e trocas de experiências entre educadores, protagonistas comprometidos com a proposição de uma nova abordagem de construção epistemológica e práxis didática, em busca de um currículo que atenda às demandas atuais e futuras.
Sendo assim, nesta proposta de avaliação, ao menos duas inquietações precisam ser respondidas, referindo-se referem às próprias motivações originais do Programa:
• Oferecer uma alternativa, supostamente mais eficaz,
para o processo de seleção ao ingresso do estudante na universidade e,
• Se as abordagens interdisciplinar e/ou trans-disciplinar
seriam ou não mais adequadas à avaliação do potencial dos que pretendem seguir carreiras universitárias.
Embora uma pesquisa específica tenha sido iniciada, esta segunda questão não será respondida nesta investigação, pois envolve o acompanhamento a longo prazo dos ingressantes, procedendo-se à comparação dos dois métodos de seleção.
Outra pergunta relevante se refere à contribuição do programa às mudanças nos projetos pedagógicos das escolas participantes, bem como no reflexo às futuras escolhas profissionais, inserindo a percepção do sentido de todos seguirem carreiras universitárias.
Assim, a presente avaliação do PAS/UnB, proposta deste trabalho de pesquisa, será iluminada pelo ponto de vista da Gestão do Conhecimento e à luz da Teoria da Complexidade.
com os representantes de escolas de ensino médio, de escolas públicas e particulares.
Assim formaram uma rede de aprendizagem, envolvendo, na Segunda Revisão dos Objetos de Conhecimento (versão 2006/2007/2008) mais de 30 (trinta) colaboradores (incluindo 7 da Comissão Especial de Acompanhamento, 24 na Comissão de Sistematização e Redação, e 2 na revisão lingüística), no sentido de contribuir à sua evolução, bem como à disseminação dos conhecimentos gerados. Mesmo sem autodenominar-se como uma comunidade de prática, o grupo tem funcionado como tal e a autora julga que uma avaliação sob esta ótica seja necessária.
A opção pela Gestão do Conhecimento, segundo vários autores que serão referenciados neste e nos demais capítulos, e do mesmo modo da Teoria da Complexidade, como pressupostos teóricos que embasam essa pesquisa, deve-se ao fato do PAS/UnB ter evoluído no sentido da integração de saberes e das distintas disciplinas.
O processo do PAS/UnB foi comparado às experiências de três universidades federais de outros estados (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Piauí) e também de uma universidade particular de Brasília - UCB, as quais servirão de referência no sentido de identificar e disseminar as melhores práticas. Isto será feito com base na apreciação dos documentos disponíveis, à luz dos critérios extraídos do referencial teórico proposto.
Este trabalho harmoniza três vertentes de investigação do Programa de Pós-graduação em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação – PGCTI da Universidade Católica de Brasília: Teoria da Complexidade (TC); Avaliação de Desempenho (AD); e Gestão do Conhecimento (GC).
importantes espaços de aprendizagem, principalmente em relação aos processos educacionais, cuja matéria prima é a própria pessoa.
A revisão bibliográfica explorada nesta investigação sugere o interesse e a relevância dos temas abordados nesta dissertação, bem como a justifica. Esta dissertação visou à avaliação da experiência do PAS/UnB à luz da Gestão do Conhecimento e da Teoria da Complexidade e como tal propõe como pergunta central da pesquisa: Há Gestão do Conhecimento no Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília?
Objetivamente, a idéia foi identificar e registrar as melhores práticas do PAS/UnB, segundo os olhares dos fundamentos teóricos escolhidos para dar suporte a esta investigação. Especialmente será investigada a dinâmica da comunidade de prática como estratégia de gestão do conhecimento. Assim, os pontos de vista discutidos nesta pesquisa têm base nas seguintes abordagens:
Concepção Precursores Local/data Justificativa Teoria da
Complexida de
(TC)
MARIOTTI EUA/1998 Investigam comportamento de
sistemas dinâmicos, adotam os princípios do pensamento sistêmico.
TC MORIN França/1990 Pensamento complexo, religação
dos saberes.
TC ROCHA NETO
ALONSO
Brasil/2003 Brasil/2005
Pensamento complexo X pensamento sistêmico.
Dinâmicas complexas e/ou caóticas. Teorias apropriadas para a investigação de relações sociais. Gestão do Conhecime nto (GC) NONAKA e TAKEUCHI
Japão/EUA/1997 Conhecimento implícito, explícito e tácito. Gestão do Conhecime nto (GC) SVEIBY ACKOFF DAVENPORT e PROSSART McELROY LOSADA WILSON ROCHA NETO EUA/1998 EUA/1989 EUA/1998 EUA/1999 EUA/1999 EUA/1999 Brasil/2002 Brasil/2003
Processos de criação, disseminação do conhecimento bem como de valorização da aprendizagem.
Aprendizag em
DELORS
PCN do Ensino Médio Comissão Internacional de Educação/Gene bra/1998 Brasil/1998-2006
Competência Aprendizagem do aprender: a fazer (habilidades), a conhecer (conhecimento), a conviver(aprendizagem
Comunidad e de Prática (CoP)
WENGER McDERMOTT SNYDER
EUA/2002
Aprendizagem e prática via comunidade
Tabela 3: Referenciais teóricos
1.8 Revisão da Literatura
A revisão bibliográfica foi limitada por tratar-se de uma busca das relações sistêmicas entre distintos olhares relacionados com o “processo de ingresso na universidade”. Portanto, as buscas não se deram apenas pelas palavras- chave, isoladas, mas por suas combinações. Os sites pesquisados foram: Google Acadêmico, UCB, Scieb, BDTD pela Capes, UnB, com nenhum registro resultante de cruzamentos das palavras-chave. A partir desse resultado, foi feita a busca com base nas palavras- chave per se.
Em relação à busca sobre processo de ingresso na universidade, os vários registros encontrados não se relacionavam com o foco da pesquisa. Os resultados são mostrados no quadro a seguir:
Palavras-chave Fontes (sítios) Freqüência de registros Gestão do
Conhecimento (GC)
UCB 26
Vestibular Scieb 151
Processo de Ingresso na Universidade (PIU)*
Google Acadêmico 11.000, porém nenhum registro
tratava-se do tema passagem do ensino médio para o curso
superior
PIU Alternativo (PIUA)*
Google Acadêmico 1.170
PIUA Seleção (PIUAS)*
Google Acadêmico 65
Teoria da Complexidade (TC)
UCB três (3)
Comunidade de Prática
UCB quatro (4)
GC e Avaliação UCB zero (0)
Tabela 4: Busca/Registros sobre o tema
objetivo de lançar luzes sobre o processo de ingresso na universidade. Também em relação à intermediação da educação básica com o ensino superior, especificamente em se tratando da passagem do ensino médio à universidade.
1.9 Abrangência
Conforme apontado anteriormente, o universo da pesquisa envolveu a busca em várias fontes com foco na avaliação do PAS/UnB, sob os critérios da teoria da complexidade e da gestão do conhecimento. Com base nos desdobramentos orientados pelos objetivos específicos considerou-se os indicadores de qualidade na educação adotados pelos seguintes programas de avaliação: Pisa, Enem e dados do Inep, para conhecer a realidade em foco.
Conhecer, mesmo que superficialmente, programas alternativos de ingresso nos cursos de graduação com o propósito de identificar melhores práticas. A partir das inquietações e revelações que resultaram desta investigação, novas questões são sugeridas à sua continuidade e aprofundamento.
A metodologia utilizada na investigação envolveu os passos que estão descritos no protocolo envolvendo os métodos hipotético e indutivo (SANTAELLA apud BACHA, 1993; ROCHA, 2003;MORESI, 2003).
1.10 Considerações Metodológicas
metodologia usada à consecução dos objetivos do trabalho, os conceitos pertinentes ao esclarecimento do processo e as suas limitações.
Trata-se de uma pesquisa-ação qualitativa, segundo a ótica da Teoria da Complexidade (TC), cujo objetivo foi avaliar a experiência dos dez anos de PAS/UnB, incluindo a investigação do processo de Gestão de Conhecimento (GC), que hipoteticamente ocorreu na comunidade dos professores participantes e protagonistas de sua concepção, implantação e desenvolvimento já na sua quarta versão, correspondente ao triênio (2006/2007/2008), percebendo essa equipe de educadores como uma comunidade de prática.
Foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa e participante onde se considerou que há uma relação dinâmica entre o observador e a “realidade” observada, isto é, uma conexão indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade.
Portanto, a investigação não pretendeu ser neutra e objetiva, mas considerou a subjetividade, tal como proposto pela ótica da própria teoria da complexidade. A interpretação dos fenômenos e a atribuição dos significados foram essenciais nesta investigação. Pode-se dizer que se usou de pesquisa-ação com intervenção participativa na experiência investigada (NAVES, MARTINEZ e CURTARELLI, 2003). Decorre de início a aplicação do princípio da influência de uma parte sobre o sistema.
Reforça-se por um lado a subjetividade do método que investiga o envolvimento da protagonista com o grupo de sujeitos, destes entre si e com o PAS/UnB, nesse caso uma comunidade de prática envolvida no programa.
Geralmente associada à pesquisa exploratória, a pesquisa qualitativa emprega procedimentos interpretativos, pressupostos relativistas e representação verbal dos dados. Desenvolve a(s) teoria(s) em um foco complexo e amplo com visão de múltiplas realidades simultaneamente com narrativas ricas e interpretações individuais onde os elementos básicos da análise são palavras e idéias.
O pesquisador participa do processo com outros protagonistas também participantes dependentes de um contexto. O raciocínio é dialético e indutivo, busca particularidades, descreve os significados e descobertas, utiliza-se a comunicação e observação preocupando-se com a qualidade das informações e respostas em prol de responder às inquietações e incertezas das hipóteses.
A verificação das hipóteses foi feita mediante sistematização de conhecimento, registrada na revisão bibliográfica e anotações da autora, bem como pelo cotejo de opiniões com outros protagonistas da pesquisa em curso na UnB.
A autora é protagonista do processo de gestão e das experiências realizadas no âmbito do PAS/UnB. As perguntas centrais estão expressas nos objetivos e hipóteses propostas.
Portanto, a pesquisa seguiu o seguinte caminho: análise e síntese dos fatos estudados com base nas interpretações das entrevistas e da observação da autora face às hipóteses levantadas.
Nesse sentido, a presente investigação é de natureza qualitativa e analógica, podendo ser classificada também como pesquisa-ação, na medida em que resulta da experiência dos protagonistas – observadores e participantes do processo, bem como pela influência que seus resultados parciais e finais puderam exercer na sua evolução.
A autora compõe a equipe de sistematização, já na sua quarta etapa. Em síntese, trata-se de uma investigação aplicada, qualitativa e exploratória, a partir da experiência de um dos autores, bem como de outros protagonistas e gestores do PAS.
• Elaboração do mapa semântico do projeto de avaliação (ver mapa);
• Sistematização da revisão bibliográfica e anotações dos
conceitos e argumentos de fundamentação das hipóteses de acordo com o mapa semântico proposto;
• Leitura da documentação disponível, que tem permitido a
anotação dos vários registros factuais que fundamentam as hipóteses assumidas, à luz dos princípios da Teoria da Complexidade e da Gestão do Conhecimento;
• Observação das informações relacionadas às dimensões
de Gestão do Conhecimento: contextos, textos, narrativas, memórias, com compartilhamento de informações e conhecimentos (Comunidade de Prática); Análise e síntese dos resultados segundo os princípios da Teoria da Complexidade e do pensamento complexo;
• Coleta e Sistematização da documentação relativa às
experiências relevantes de processos de avaliação seriada de outros Estados;
• Identificação dos indicadores qualitativos para avaliação de eficiência, eficácia e efetividade do Programa no sentido de facilitar futuras avaliações;
• Realização de entrevistas semi-estruturadas com os
protagonistas e observadores externos;
• Identificação das melhores práticas a partir da percepção dos protagonistas do PAS/UnB, bem como de outras instituições em outros estados; e,
• Sistematização dos resultados e conclusões.
Uma outra abordagem complementar, mas também central na avaliação proposta, foi a leitura da história. Isto foi feito mediante exame e interpretação da documentação disponível e a partir das entrevistas. A leitura da referida documentação permitiu responder a algumas questões sugeridas pela Teoria da Complexidade e pela literatura a respeito da Gestão do Conhecimento.
Por meio da entrevista semi-estruturada buscou-se evidências, segundo a percepção dos protagonistas para responder as questões propostas nesta pesquisa. Entre as questões centrais que orientaram as entrevistas, destacam-se as seguintes:
• Em que medida houve evolução na direção da
interdisciplinaridade e da abordagem trans-disciplinar, traduzidas nos instrumentos de avaliação do PAS/UnB?
• Em que medida, o PAS/UnB tem contribuído para as