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2 REFERENCIAIS TEÓRICOS

2.3 A Experiência do PAS como uma comunidade de Prática

Pode-se pensar o conceito de comunidade de prática como um grupo de pessoas que compartilham e aprendem umas com as outras por meio de contatos virtuais e/ou presenciais. São redes auto-organizadas em torno de objetivos e necessidades comuns para trocar em experiências, descobertas, padrões, ferramentas e melhores práticas (McDERMOTT, 2000).

Stewart (1996) conceitua como ‘grupos que aprendem’. As comunidades de prática apresentam características especiais e emergem por iniciativa de seus integrantes.

Alguns confundem a idéia de comunidade de prática com equipes ou redes informais sem propósitos específicos ou que não envolvem o exercício regular e profissional de experiências relacionadas com o tema que as motivam. Portanto, as comunidades de prática são caracterizadas pela prática em torno de um tema de interesse comum. O que as diferencia de outras redes é a busca de soluções compartilhadas com base na experiência

de seus protagonistas. Ficou evidente que a comunidade envolvida no PAS atende a esses requisitos.

Para Wenger e Snyder (2000), na sociedade pós-capitalista, onde o conhecimento é o principal recurso para o sucesso coletivo e pessoal, se tornou essencial formar redes de relacionamentos em torno de interesses comuns, com o compartilhamento de informações e experiências no sentido do aproveitamento de práticas bem -sucedidas.

As trocas de experiências podem se dar por meio de redes virtuais ou por reuniões presenciais. As interações com a “realidade” são “iluminadas” por diversos olhares e interpretações, sem que, para isso, haja necessariamente uma agenda rígida de encontros ou de metodologias de trabalho.

Em síntese, as comunidades de prática são caracterizadas de acordo com os seguintes critérios:

• Existência de um tema de interesse comum, motivado nas práticas de seus integrantes; e,

• Construção de conexões entre as pessoas que as constituem voluntariamente.

Para alcançar o sucesso pretendido, uma comunidade de prática necessita ser tão importante para os indivíduos quanto para a coletividade, mediando a aprendizagem pessoal e organizacional. É motivada pelo reconhecimento de que se tornou impossível para um individuo saber tudo.

As comunidades são constituídas pela necessidade de aprendizagem por meio da conexão e comunicação com outras pessoas, que compartilham os mesmos interesses. Portanto, trata-se de uma estratégia de gestão do conhecimento.

As comunidades, como é o caso do PAS, podem conectar pessoas além dos limites tradicionais dos grupos ou equipes de trabalho ou de uma única organização, independentemente de estarem localizadas em uma mesma localidade. A Internet tem sido o meio de comunicação mais usado, justamente para resolver as conveniências de tempo e espaço.

Os eventuais encontros presenciais podem ser ou não regulares, em locais fixos, ou terem agendas combinadas.

As comunidades podem ser efêmeras ou longevas, dependendo de sua eficácia quanto à solução dos problemas comuns e da manutenção das motivações que lhe deram origem.

Membros de uma comunidade de prática podem fazer parte de um mesmo departamento ou dominar diferentes áreas de conhecimento. A comunicação tende a ser ampla e inclui questões não diretamente relacionadas com a tarefa ou projeto de trabalho. Não há necessidade de existência de um projeto.

Podem criar ‘clubes’ semi-abertos, onde a participação se baseia em relações de forte confiança e nas contribuições que cada um pode oferecer à comunidade. Mas somente se torna efetiva se as pessoas participam de fato, mesmo que apenas ‘ouvindo’ ativamente - escutando no conceito proposto na disciplina de Gestão dos Relacionamentos das Organizações.

Segundo Wenger (1998), podem ser identificadas três características dos integrantes de uma comunidade de prática: empreendimento comum, envolvimento mútuo e repertório compartilhado.

Portanto, a faculdade de integrar o empreendimento comum, o envolvimento mútuo, o repertório compartilhado e também a prática, sob o ponto de vista de produção de significado, distingue a competência de um integrante de uma comunidade.

Significados são gerados por meio das experiências vividas por cada membro, e podem ser renegociados constantemente, em processos contínuos e interativos de reflexão e ação. Há necessidade de negociação constante dos significados gerados nesse movimento que caracteriza a prática.

A intensidade do envolvimento nas práticas é determinada pelo nível de pertinência e define a identidade dos membros de uma comunidade. A habilidade de um membro em transitar por esses conflitos, negociando significados, gera na comunidade o reconhecimento dos seus diversos níveis de participação e pertencimento.

Dessa dinâmica, resulta a aproximação ou distanciamento desse indivíduo do núcleo da comunidade. Esta, por seu turno, realimenta a prática num processo interativo de aprendizado.

Administrar o fluxo de informações é uma atividade de suma importância, a qual requer que todo material novo seja acrescentado e divulgado na comunidade, de forma acessível a todos os integrantes. Para realizar essa tarefa, é imprescindível o papel de um gestor ou animador para fazer fluir informações, facilitando o compartilhamento entre todos os integrantes.

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Figura 3: A participação na CoP segundo Wenger e observação/participação da autora no

PAS 3-Participação periférica 15 a 20% 2-Adesão Completa 15 a 20% 1- Núcleo: Motivadores 10% a15% 4- Participação Transacional: 25% - Visitantes

Quanto à participação, Wenger (1998, p. 164) afirma que:

Nós produzimos nossa identidade não apenas por meio das práticas que engajamos, mas as definimos também por meio das que não engajamos. Nossas identidades são constituídas não apenas pelo que somos, mas também pelo que não somos

Nesse sentido, o mesmo autor define que o grau de participação resulta da intensidade das interações, envolvendo a noção de periferia e marginalidade.

Para Lévy (2000), confirmando as idéias apresentadas anteriormente, as comunidades virtuais são construídas a partir de afinidades de interesses, de conhecimento, sobre projetos mútuos, em processos de cooperação ou troca, tudo isso independente das proximidades geográficas e das filiações institucionais.

Tais relações se estabelecem a partir de uma contínua negociação de significados, favorecendo diversos graus de participação nas práticas da comunidade, que podem variar de acordo com as habilidades dos indivíduos, determinando sua identidade, uma vez que os participantes das comunidades têm diferentes capacidades, perspectivas, necessidades e ambições.

Um mesmo indivíduo pode pertencer a várias comunidades de prática ao mesmo tempo, desempenhando papéis diferentes em cada uma delas. As fases identificadas nas práticas das comunidades, bem como os distintos níveis de participação, são sistematizadas de acordo com o quadro seguir:

FASE DESCRIÇÃO DO TIPO DE

PARTICIPAÇÃO

Grupo Nuclear Um grupo pequeno de pessoas com paixão pelo mesmo tema e engajamento para motivar a comunidade.

Adesão Completa Pessoas que são reconhecidas como praticantes e definem a comunidade.

Participação Periférica Pessoas que participam como observadoras passivas, não se manifestam, mas aprendem e levam para outras instâncias o aprendizado.

Participação Transacional Pessoas que ocasionalmente participam da comunidade visando receber ou fornecer algum tipo de contribuição.

Acesso passivo Um amplo número de pessoas que se beneficiam da produção da comunidade por meio das suas publicações, pelos resultados do trabalho enfim, beneficiam- se de alguma forma.

Quadro 5: Descrição das fases de pertencimento de indivíduos nas CoP Fonte: WENGER, 1998.

O termo “comunidades de prática” implica “participação em um sistema de atividade nas quais os protagonistas compartilham entendimento concernente ao que fazem e ao que isto significa em suas vidas e para as suas comunidades” (LAVE & WENGER, 1991).