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Aula 09 – Coesão e Reescrita
Língua Portuguesa p/ SEJUSP MG
Prof. José Maria C. Torres
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Sumário
SUMÁRIO ...2
DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL. ... 3
COESÃO POR REITERAÇÃO ... 4
Repetição ... 4
COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO ... 6
Substituição gramatical ... 6
Substituição lexical ... 8
Elipse ... 8
COESÃO POR CONEXÃO ... 9
COERÊNCIA ... 13
INCOERÊNCIA EXTERNA ... 15
INCOERÊNCIA INTERNA ... 15
EQUIVALÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DE ESTRUTURAS... 16
(REESCRITA DE FRASES). ... 16
TENHAM MUITA ATENÇÃO COM A CONCORDÂNCIAENVOLVENDOEXPRESSÕESPARTITIVAS. ... 33
TENHAM UM CUIDADO ESPECIAL COM A CONCORDÂNCIADOSUJEITOORACIONAL. ... 34
TOMEM CUIDADO COM A CONCORDÂNCIAENVOLVENDOSEAPASSIVADOREÍNDICEDEINDETERMINAÇÃODO SUJEITO. ... 36
FIQUEM ATENTOS ÀS MUDANÇAS ENTRE HAVER E EXISTIR ... 37
TENHAM MUITA ATENÇÃO COM A CONTAMINAÇÃOPORPLURAL. ... 39
FIQUEM LIGADOS NOS CASOSPROIBITIVOSDECRASE. ... 40
TOMEM CUIDADO COM AS QUEBRASDEPARALELISMOSINTÁTICO. ... 41
TOMEM CUIDADO COM OS DESLOCAMENTOSQUEGERAMALTERAÇÃODESENTIDO. ... 45
PRESTEM ATENÇÃO COM AS PREPOSIÇÕESANTESDEPRONOMESRELATIVOS ... 47
SAIBAM DESENVOLVER ORAÇÕESREDUZIDAS. ... 48
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR ... 50
LISTA DE QUESTÕES ... 74
GABARITO ... 87
RESUMO DIRECIONADO ... 88
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Domínio dos mecanismos de coesão textual.
O conceito de COESÃO se refere ao modo como as palavras, frases, parágrafos e ideias, presentes em um texto, estão conectados. Podemos associar esse conceito, portanto, ao de conexão e continuidade em um texto.
É importante ressaltar que a continuidade que se instaura pela coesão não é apenas sintática, mas também de sentido, ou seja, é preciso haver no texto uma continuidade semântica, que se expressa, no geral, pelas relações de REITERAÇÃO (COESÃO REFERENCIAL) e CONEXÃO (COESÃO SEQUENCIAL).
Essas relações acontecem graças a vários procedimentos que, por sua vez, se desdobram em diferentes recursos.
Vejamos, em um quadro a seguir, a distribuição dessas relações, desses procedimentos e desses recursos:
Co es ão T ext ua l
Relações Textuais Procedimentos Recursos
1. Reiteração
1.1 Repetição
1.1.1 Repetição propriamente dita 1.1.2 Paráfrase
1.1.3 Paralelismo
1.2 Substituição
1.2.1 Substituição Gramatical
1.2.1.1 retomada por pronomes
1.2.1.2 retomada por advérbios
1.2.2 Substituição Lexical
1.2.2.1 retomada por sinônimos
1.2.2.2 retomada por hiperônimos
1.2.3 Elipse
2. Conexão 2.1 Emprego dos Conectivos
2.1.1 preposições 2.1.2 conjunções 2.1.3 advérbios
2.1.4 pronomes relativos
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Coesão por reiteração
A reiteração, ou coesão referencial, é a relação pela qual os elementos do texto vão de algum modo sendo retomados, criando-se um movimento constante de volta aos segmentos prévios, o que assegura continuidade ao texto. Essa relação pode se estabelecer pela repetição ou substituição, conforme detalharemos a seguir:
Repetição
Repetição propriamente dita
Um dos recursos da coesão referencial é a repetição propriamente dita. Trata-se do último recurso de coesão a ser cogitado.Devemos empregá-la somente quando não há alternativas de substituição ou quando a sua utilização implica um ganho de expressividade não atingido por outro recurso coesivo.
Exemplos:
O capitalismo, para muitos artistas, funciona assim: o Estado paga tudo. Paga a produção do filme, paga a construção da sala, paga a distribuição da cópia, paga o bilhete do espectador.
Note que a repetição da forma verbal “paga” não é à toa. Ela visa a dar destaque e expressividade ao texto.
Paráfrase
A paráfrase acontece sempre que recorremos ao procedimento de voltar a dizer o que já foi dito, porém com outras palavras, como se quiséssemos traduzir o enunciado, ou explicá-lo melhor.
Exemplos:
Para uma pessoa obter o título de doutor numa universidade, ela tem de fazer uma grande pesquisa na sua área de conhecimento (...) E essa pesquisa tem de ser inédita, isto é, precisa trazer alguma contribuição nova àquele campo de estudos.
O ato de escrever deve ser visto como uma atividade sociocultural. Ou, dito de outra forma, escreveremos para alguém ler.
Normalmente, os fragmentos parafrásicos são introduzidos por expressões do tipo em outras palavras, em outros termos, isto é, ou seja, quer dizer, em suma, em síntese, etc.
Paralelismo
O paralelismo é um recurso ligado à coordenação de segmentos que apresentam valores sintáticos idênticos, valores semânticos semelhantes e estruturas gramaticais similares.
Como??? Entendi nada, professor.
Vamos explicar por meio de exemplos, que fica mais fácil. Vejam a frase a seguir:
A mãe pediu para a menina ir ao supermercado e que, na volta, passasse na farmácia.
Se vocês prestaram atenção à frase, perceberam que existe um problema na sua construção. Por quê? Vamos analisá-la.
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A oração para a menina ir ao supermercado é reduzida de infinitivo; a oração que, na volta, passasse na farmácia é uma oração desenvolvida.
Tal estrutura apresenta incorreção, pois orações coordenadas entre si devem apresentar a mesma estrutura gramatical, ou seja, deve haver paralelismo.
Veja como fica a frase, respeitando-se o paralelismo:
CORRECAO: A mãe pediu para a menina ir ao supermercado e, na volta, passar na farmácia.
ou
CORRECAO: A mãe pediu para a menina que fosse ao supermercado e (que), na volta, passasse na farmácia.
Uma definição técnica de paralelismo seria:
Segundo as regras da norma culta, não se podem coordenar orações que não comportem constituintes do mesmo tipo.
A grande vantagem do paralelismo é que ele dá clareza à frase ao apresentar estruturas idênticas.
Vejamos mais exemplos:
Ricardo estava aborrecido por ter perdido a hora do teste e porque seu pai não o esperou.
Correção: Ricardo estava aborrecido por ter perdido a hora do testee por seu pai não tê-lo esperado.
ou
Correção: Ricardo estava aborrecido porque perdeu a hora do testee porque seu pai não o esperou.
Manda-me notícias de minha prima Isoldina e se meu pai resolveu aquele problema que o atormentava.
Correção: Manda-me notícias de minha prima Isoldina e descobre se meu pai resolveu aquele problema que o atormentava.
Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas.
Correção: Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios que economizassem energiae (que) elaborassem planos para a redução de despesas.
ou
Correção: Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios economizar energia e elaborar planos para redução de despesas.
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No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
Correção: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição.
ou
Correção: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição.
A quebra de paralelismo também pode ocorrer no nível semântico, podendo ser usada como um recurso literário ou publicitário visando chamar atenção, dar ênfase. Vejamos alguns exemplos:
Marcela durante quinze dias e onze contos de reis. (Machado de Assis)
Aqui temos uma quebra de paralelismo no nível semântico. “Quinze dias” e “onze contos de réis” não estão na mesma esfera semântica. Um indica tempo, período; o outro, valor, preço. Essa quebra de paralelismo enfatiza uma ironia (Marcela não me amou de fato. Somente esteve comigo por dinheiro).
Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no ouvido. (Anuncio publicitário)
Aqui temos uma quebra de paralelismo semântico. “Em São Paulo” e “no ouvido” não estão na mesma esfera semântica. Um indica lugar, cidade; o outro, lugar, mas se referindo a uma parte do corpo humano. Essa quebra gera um efeito de humor ao anúncio.
Coesão por Substituição
Substituição gramatical
Consiste em substituir palavras anteriormente citadas ou ainda a ser citadas por pronomes ou advérbios.
Vejamos alguns exemplos:
Muita e muita gente já a desejou. Alguns a tiveram. Ao longo da década de 80, ela deslumbrou o Brasil desfilando nas passarelas do Rio de Janeiro. Os anônimos que a desejaram, é natural, já a esqueceram. Ela se chama Josette Armênia de Campos Rodrigues. No auge de seu estrelato, chamava-se Josi Campos. Era uma mulher introspectiva, mas batalhadora e guerreira.
As convenções gráficas não são muitas e aprendê-las não é difícil. Basta você estar atento a elas e consciente de sua importância para a qualidade dos textos que escreve. Um dos melhores caminhos para isso é observar seu uso nos textos bem escritos. As crianças aceitam bem. O problema maior são os pais e professores, que têm nojo e acabam transmitindo isso para os menores.
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IMPORTANTE
Alguns conceitos muito importantes para provas de concurso são os de ANAFÓRICOS, CATAFÓRICOS e DÊITICOS.
O que são anafóricos e catafóricos?
ANAFÓRICOS são termos (geralmente pronomes ou advérbios) que retomam elementos já citados em um texto.
Exemplo:
André e Paulo são excelentes amigos. Este (= Paulo) adora futebol; já aquele (= André) e um fanático praticante de basquete.
Note que os pronomes “Este” e “aquele” retomam, respectivamente, os termos “André” e “Paulo”. São, portanto, ANAFÓRICOS.
Já os CATAFÓRICOS, por sua vez, referem-se a elementos que ainda serão citados no texto.
Exemplo:
Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão, e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele. O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos.
Note que os pronomes “seu”, “ele” e “dele” antecipam o termo “professor”. São, portanto, CATAFÓRICOS.
O que são dêiticos?
Os dêiticos fazem menção a elementos extratextuais, ou seja, elementos fora dos limites físicos do texto.
Geralmente situam lugar e tempo ou pessoas do discurso, que não podem ser visualizadas no texto, pois não foram nele citados. No entanto, é possível identificar o referente se conhecermos o contexto em que se insere a informação.
Como assim?
Os Beatles fizeram muito sucesso entre os jovens daquela época.
Note que “daquela época” não faz menção a nenhum elemento já citado ou a ser citado no texto. Não se trata, pois, de anafórico ou catafórico. Infere-se, pelo contexto, que estamos falando dos anos 60, período em que os Beatles fizeram sucesso. Trata-se, assim, de um DÊITICO.
O exemplo clássico de dêitico é de um bilhete anônimo, sem data, nem local, assim escrito:
Aquele encontro por que você tanto esperava será hoje à tarde.
Não temos como saber a que “hoje” se refere o texto? Ao “hoje” do emissário, do destinatário? Não sabemos!
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Substituição lexical
A substituição de uma unidade lexical por outra é, também, um recurso coesivo, pelo qual se promove a ligação entre dois ou mais segmentos textuais. Implica, pois, como o próprio nome indica, o uso de uma palavra no lugar de outra que lhe seja textualmente equivalente.
Podemos substituir uma palavra por seu SINÔNIMO:
Exemplos:
O Governo vem se preocupando com o problema de redução dos gastos do Tesouro, atacando um dos setores mais melindrosos – o das despesas com o funcionalismo.
O combate à inflação, a luta pelo equilíbrio orçamentário, (...) a batalha da moralização da coisa pública (...) estão sendo levados a sério.
Podemos substituir uma palavra por seu HIPERÔNIMO.
Os hiperônimos, como o próprio nome indica, são palavras gerais, nomes genéricos, que englobam um conjunto de seres e coisas, os chamados hipônimos.
Por exemplo, quando analisamos gato e animal, temos que gato é hipônimo e animal, hiperônimo. Por quê?
Ora, todo gato é um animal. Entre gato e animal, dizemos que há uma relação de hiponímia-hiperonímia.
Dessa forma, podemos reunir os hipônimos Brasil, Cuba, Argentina, Chile, França sob o hiperônimo país;
podemos reunir os hipônimos lápis, borracha, caderno, lapiseira, apontador sob o hiperônimo material escolar; e assim por diante.
Um dos hiperônimos mais famosos é coisa. Afinal, tudo pode ser reunido sob o nome genérico de “coisa”.
Note nos exemplos a substituição de hipônimos – em azul – por hiperônimos – em laranja:
Graças a Deus eu não experimentei a força e eficiência do air bag, pois nunca fui vítima de um acidente. Mas sou totalmente a favor do equipamento. Jamais soube de casos em que pessoas que dirigiam um carro com esse dispositivo tiveram um ferimento mais grave. (...) Na compra de um automóvel, o brasileiro deve levar em conta os diversos parâmetros de segurança, e não somente a disponibilidade do air bag. Este último item, sozinho, não pode ser considerado o salvador da pátria.
É mesmo difícil imaginar qualquer ação humana que não seja precedida por algum tipo de investigação. A simples consulta ao relógio para ver que horas são, ou a espiada para fora da janela para observar o tempo que está fazendo, ou a batidinha na porta do banheiro para saber se tem gente dentro... Todos esses gestos são rudimentos de pesquisa
Elipse
A elipse consiste na omissão de um termo na frase (sujeito, verbo, complemento, etc.), identificado pelo contexto. Se o termo já foi citado anteriormente, temos um caso particular de elipse: a zeugma.
Exemplos:
Os recursos muitas vezes são escassos e a distribuição dos valores, heterogênea.
(= Os recursos muitas vezes são escassos e a distribuição dos valores é heterogênea.)
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Um banco tem que ser completo para ajudar sua vida a também ser.
(= Um banco tem que ser completo para ajudar sua vida a também ser completa)
Coesão por conexão
Por conexão, queremos nos referir ao uso de conectores (preposições, conjunções, pronomes relativos, advérbios, etc.) na ligação das diferentes porções de texto.
Entre as diversas relações de conexão, podemos citar:
A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE, ou relação de causa e consequência. Essa relação se manifesta pelas expressões porque, uma vez que, visto que, já que, dado que, etc.
Exemplos:
A atividade humana solicitou tanto da natureza (causa) que não há mais garantias de que os ecossistemas do planeta sustentem as futuras gerações (consequência).
Já que o sol não costuma dar trégua (causa), as praias são sempre uma ótima opção (consequência).
A RELAÇÃO DE CONDICIONALIDADE se estabelece quando um segmento é condição para que outro segmento seja verdadeiro. Essa relação se manifesta pelas expressões se, caso, desde que, contanto que, salvo se, etc.
Exemplos:
Acho que as escolas terão realizado sua missão se forem capazes de desenvolver nos alunos o prazer da leitura.
Caso não houvesse pesquisa, todas as grandes invenções e descobertas científicas não teriam acontecido.
A RELAÇÃO DE TEMPORALIDADE expressa o tempo, a partir do qual são localizadas as ações ou os eventos em foco. Essa relação se manifesta pelas expressões quando, enquanto, mal, antes que, etc.
Exemplos:
Mal cheguei à sala de aula, eles já esbravejavam e faziam bagunça no fundo.
Cada vez que um brasileiro sai do campo para a cidade, o Brasil perde alimentos e ganha fome.
A RELACÃO DE FINALIDADE se manifesta quando um dos segmentos explicita o propósito, ou o objetivo pretendido e expresso pelo outro. Essa relação se manifesta pelas expressões para que, a fim de que, etc.
Exemplos:
Estes cartões abrem as portas para você fechar negócios.
A matança criminosa de focas é conhecida no mundo inteiro. Atualmente, já existem certas medidas de proteção à fauna, para que tais caçadas não se repitam.
A RELAÇÃO DE ALTERNÂNCIA pode ocorrer de duas maneiras:
Em primeiro lugar, sendo sinalizada pelo ou exclusivo, implica que os elementos em alternância se excluem mutuamente, como nos exemplos a seguir:
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Exemplos:
Todo escritor é útil ou nocivo, um dos dois.
De acordo com a utilização, os meios de informação de massa podem promover o desenvolvimento do indivíduo, a coesão e o progresso dos países(...) ou então tornar-se o novo ópio das massas.
Em segundo lugar, a alternância pode ser inclusiva, ou seja, os elementos não se excluem; pelo contrário, somam-se.
Exemplos:
A gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia.
Mesmo os animais cuja sobrevivência não pareça tão essencial à humanidade ou à natureza devem ser preservados de extinção.
A RELACÃO DE CONFORMIDADE se estabelece quando um segmento expressa que algo foi realizado de acordo com o que foi estabelecido em outro. Essa relação se manifesta pelas expressões conforme, segundo, como, de acordo com, etc.
Exemplos:
Segundo revelou o INPE, em nenhum lugar do mundo se desmata tanto quanto na Amazônia – o equivalente a um campo de futebol por segundo.
O brasileiro – mesmo que lentamente – dá sinais de reação. Cansado e mais alerta, já não engole sapos tão facilmente. Procura se informar e tem ousado contra-atacar, conforme mostram as queixas registradas nos Procons.
A RELAÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO ocorre sempre que um segmento funciona como termo complementar de outro. Essa relação se manifesta pelas expressões que, se, como.
Exemplos:
Inúmeros exemplos comprovam como a extinção indiscriminada das espécies só traz prejuízos ao homem.
Depois do longo voo do pontificado, os cardeais do conclave podem concluir que está na hora de o catolicismo sofrer uma revisão.
A RELAÇÃO DE DELIMITAÇÃO OU RESTRIÇÃO ocorre quando um termo delimita ou restringe o conteúdo do outro.
Exemplos:
Aproveite a liberdade que a maturidade te dá.
(= nem toda liberdade é dada pela maturidade)
O saldo de uma doença que foge ao controle é quase catastrófico.
(= nem toda doença foge ao controle)
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A RELAÇÃO DE ADIÇÃO se estabelece quando mais um item é introduzido no conjunto ou, do ponto de vista argumentativo, quando mais um argumento é acrescentado em favor de uma determinada conclusão. Essa relação se manifesta pelas expressões e, ainda, também, não só... mas também, além de, etc.
Exemplos:
As últimas pesquisas mostram que os homens já estão se equiparando às mulheres na frequência aos supermercados. Revelam ainda que eles vêm mostrando um talento incrível para donas de casa.
Resta o desafio de oferecer não apenas um lugar em sala de aula, mas também garantir que as crianças absorvam o que lhes está sendo ensinado.
A RELAÇÃO DE OPOSIÇÃO se manifesta em conteúdos que se opõem a algo explicitado anteriormente.
Exemplos:
A dificuldade para escrever é comum em profissionais de todas as áreas. Muitas vezes, no entanto, ela é agravada por causa de equívocos.
As pesquisas com células-tronco embrionárias, ainda que de forma bastante limitada, foram aprovadas.
A RELAÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO OU EXPLICAÇÃO ocorre quando um segmento tem a finalidade de explicar, justificar ou esclarecer outro segmento.
Exemplos:
Não existem animais inúteis. Isto é, todo animal, para sobreviver, alimenta-se necessariamente de outros seres, sejam eles animais ou vegetais.
Há muito tempo, a ciência destruiu o mito da raça pura, que é um conceito absurdo.
A RELAÇÃO DE CONCLUSÃO se manifesta quando um segmento representa uma conclusão a partir de outro segmento citado anteriormente.
Exemplos:
Escola pública não tem os mesmos recursos de uma escola privada para se manter. Por isso, se você trabalha em uma escola pública, cuide dela como se fosse sua.
NOSSA GRANDE VANTAGEM: todos já sabemos português! Não precisamos, portanto, partir do zero.
A RELAÇÃO DE COMPARAÇÃO se dá quando, em segmentos distintos, pomos em confronto dois ou mais elementos com a finalidade de identificar semelhanças ou diferenças entre eles.
Exemplos:
Um time é maior que a soma de seus jogadores.
Achar que a mudança da língua é um perigo é como achar que o bebê está “em perigo” de crescer.
Mais uma vez, devemos nos recordar do quadro de conjunções subordinativas e coordenativas, protagonistas no processo de coesão textual:
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Conjunções Coordenativas Aditivas E, NEM (= E NÃO), TAMPOUCO (= E NÃO), NÃO SÓ... MAS (TAMBÉM), NÃO SÓ... COMO (TAMBÉM), NEM... NEM, TANTO...QUANTO, BEM COMO,
OUTROSSIM, ALÉM DE, ADEMAIS, ...
Adversativas MAS, PORÉM, CONTUDO, ENTRETANTO, NO ENTANTO, TODAVIA, SENÃO (=
MAS SIM), NÃO OBSTANTE, ...
Alternativas OU, OU...OU, ORA...ORA, QUER... QUER, SEJA... SEJA, ...
Explicativas PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA
VISTA...
Conclusivas PORTANTO, LOGO, POR ISSO, ENTÃO, ASSIM, POIS, POR CONSEGUINTE, DESTARTE, ...
Conjunções Subordinativas
Integrantes QUE, SE
Causais PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA
VISTA...
Consecutivas TÃO... QUE, TANTO... QUE, TAMANHO... QUE, TAL... QUE, DE TAL MANEIRA..., DE MODO QUE, DE SORTE QUE, DE FORMA QUE, ...
Comparativas TAL... QUAL, TANTO... QUANTO, TAL ... COMO, QUAL, COMO, ASSIM COMO, COMO SE, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE, MELHOR... DO QUE, PIOR ...
DO QUE
Conformativas CONFORME, SEGUNDO, DE ACORDO COM, COMO, CONSOANTE, EM CONSONÂNCIA COM ...
Condicionais SE, CASO, DESDE QUE, CONTANTO QUE, SALVO SE, EXCETO SE, UMA VEZ QUE, A NÃO SER QUE, A MENOS QUE, ...
Concessivas EMBORA, APESAR DE, MESMO QUE, AINDA QUE, SE BEM QUE, NEM QUE, QUANDO, CONQUANTO, A DESPEITO DE, EM QUE PESE, POR MAIS QUE,
POR PIOR QUE, POR MELHOR QUE, POSTO QUE, MALGRADO, ...
Temporais QUANDO, LOGO QUE, DESDE QUE, SEMPRE QUE, MAL, BEM, ASSIM QUE, CADA VEZ QUE, ATÉ QUE, DEPOIS QUE, ANTES QUE, ENQUANTO, ...
Proporcionais QUANTO MAIS ... MAIS, QUANTO MAIS ... MENOS, À PROPORÇÃO QUE, AO PASSO QUE, ENQUANTO, À MEDIDA QUE
Finais PARA QUE, A FIM DE QUE, COM O OBJETIVO DE, COM O INTUITO DE, COM O FITO DE, ...
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Coerência
Pessoal, vocês já estão mais carecas do que eu de saber que a FGV é uma banca peculiar. Pois bem, aprendamos mais uma: quando a FGV fala em coerência lógica, ela está preocupada em analisar a redação ao pé da letra, tomando como referência os sentidos denotativos.
Como assim, professor?
Às vezes entendemos determinados sentidos expressos num discurso, pois associamos este a um contexto de comunicação do cotidiano. No entanto, quando analisamos estritamente do ponto de vista lógico, o discurso carece de razoabilidade. Sei que tudo isso é muito enigmático, mas, com os exemplos a seguir, tudo vai ficar bem!
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FGV – MPE RJ/2019
Uma das marcas de um texto é a sua coerência, que tanto pode ser a do mundo lógico como a do mundo textual: a frase abaixo que é marcada pela coerência é:
A) O turista se afogou na praia de Copacabana e foi retirado da água desacordado;
B) O estudante estrangeiro fez o curso de Direito no Rio até se tornar conhecido na área;
C) O ministro explicou ontem, um mês após seu afastamento, as razões de sua demissão;
D) Nenhum morador morreu em função do desabamento, exceto o morador do andar térreo;
E) Ao contrário do que disse a imprensa, o candidato não foi reprovado, mas sim aprovado em lugar de destaque.
RESOLUÇÃO:
A questão ilustra claramente como a FGV trata os conceitos de coerência: a do nível textual está associada ao contexto de comunicação; a do nível lógico, ao aspecto literal, denotativo do discurso. Podemos até mesmo associar sentido lógico ao sentido denotativo.
Na letra A, temos uma incoerência lógica: ninguém se afoga na praia, mas sim no mar.
Na letra B, temos uma incoerência lógica, pois o fim de um curso de graduação não está condicionado ao fato de a pessoa ter alcançado notoriedade na área. Se assim fosse, muitos concluiriam seus cursos em 20, 30 anos! Rsrs Na letra C, temos uma incoerência lógica. Ora, se ele foi demitido há um mês, não faz mais sentido chamá-lo de ministro, mas sim de ex-ministro.
Na letra D, temos uma incoerência lógica, pois aqui reside uma contradição. Ora, se o morador do térreo morreu devido ao desabamento, não faz sentido dizer que ninguém morreu.
A letra E é a única que apresenta coerência do ponto de vista lógico.
Resposta: E
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FGV – TCE AM/2021
Muitas expressões carecem de lógica; a frase abaixo que se mostra logicamente adequada é:
A) Os débitos do aluguel foram pagos em uma parcela única;
B) Ninguém chegou na hora, exceto o Heitor;
C) Bebeu na festa a mesma bebida de ontem;
D) Ligue para mim que eu trago o pedido até você;
E) Houve um acidente fatal, com duas vítimas.
RESOLUÇÃO:
Mais uma vez a coerência lógica é alvo de cobrança na FGV.
Na letra A, temos uma incoerência lógica, pois não faz sentido se falar em “uma parcela única”: ou se diz “uma parcela”, ou se diz “parcela única”. A construção original resulta em uma redundância.
Na letra B, temos uma incoerência lógica, pois aqui reside uma contradição. Ora, se Heitor chegou na hora, não faz sentido dizer que ninguém chegou na hora.
Na letra C, temos uma incoerência lógica. Aqui a mais sutil. No nível textual, não se percebe uma incoerência. Eu e você conseguimos entender claramente a mensagem – hoje estou tomando o mesmo tipo de bebida de ontem.
No entanto, quando analisamos do ponto de vista lógico – ao pé da letra, denotativo -, não há como a mesma bebida tomada ontem ser tomada novamente hoje, a não ser que vomitemos a bebida de ontem no copo para que possamos tomá-la novamente. Peço desculpas se alguém sentiu algum mal-estar com a minha explicação! rsrs Na letra D, temos uma incoerência lógica, pois não faz sentido “trazer até você”. Faz sim sentido “trazer até mim”
ou “levar até você”.
A letra E é a única que apresenta coerência do ponto de vista lógico. O que torna coerente a sentença é a presença do numeral “duas” quantificando o número de vítimas fatais.
Resposta: E
E aí? Ficou claro o que a FGV quer dizer quando fala em coerência lógica? É muito importante frisar que coerência implica compatibilidade entre todos os significados inscritos no texto e, por consequência, ausência de contradição entre eles.
Podemos identificar dois tipos de incoerência: a externa e a interna.
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Incoerência Externa
Ocorre quando há incompatibilidade entre os significados inscritos no texto e os dados de realidade; entre o que diz o texto e o nosso conhecimento de mundo.
Exemplo:
O Brasil é um país completamente imune a qualquer onda de violência.
A solução para o conflito árabe-israelense é simples, basta que haja vontade dos dois lados em ceder aquilo que foi tomado do outro.
COMENTÁRIOS: Afirmar que o Brasil é imune à violência e julgar o conflito árabe-israelense como simples de resolver são afirmações incompatíveis com a realidade que vivemos.
Incoerência Interna
Ocorre quando há incompatibilidade entre os significados inscritos no texto, ou seja, presença de contradição.
Exemplo:
Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clube, entrevistado por um repórter da rádio Cidade. O Paraná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho não teve dúvidas sobre os motivos:
- Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ataque do Guarani.
COMENTÁRIOS: Ora, se já era esperado, como pode ter sido uma surpresa?
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Equivalência e Transformação de Estruturas (Reescrita de Frases).
Fala, moçada! Reservamos para o final do curso esta importante aula, alvo de muitas questões em nossas provas: a reescrita de frases, com reconhecimento de correções e incorreções.
Professor, se é um assunto importante, por que ficou para o fim? Deveria ter sido abordado logo no começo do curso, não?
Infelizmente isso não seria possível, meus caros! Por quê? Porque, para que consigamos reescrever frases de forma correta e clara, identificando incorreções e alterações de sentido, é necessário que tenhamos uma bagagem recheada de conteúdo. Torna-se pré-requisito o entendimento do emprego das classes de palavras – Morfologia – e de toda estruturação sintática da oração e do período – Sintaxe -, além da habilidade em reconhecer relações semânticas de sinonímia e antonímia e do traquejo em restabelecer relações de coesão pertinentes entre as diversas partes componentes do texto.
Isso posto, não é um tópico para iniciantes, e sim para aqueles já mais experimentados e vividos na Língua Portuguesa. Em suma, o assunto “Reescrita de frases” é o último degrau, a última escalada que nos separa do cume, do ápice, do pico desta vasta montanha que é a Língua Portuguesa.
Se vencermos essa etapa (e vamos vencer), posso afirmar com segurança que vocês atingirão um ponto não máximo, mas sim já bem avançado, de conhecimento, de maturidade.
Professor, minha margem de acerto é baixa nesses tipos de questão! Tenho dificuldades em identificar problemas na redação de frases, principalmente quando se trata de textos muito longos.
Sim, essa é a principal dificuldade relatada a mim pelos mais diversos alunos. Além de discretos muitas vezes, os problemas de redação de frases passam despercebidos em meio à avalanche de informações trazidas nas frases que são alvo de análise. Não bastasse a dificuldade, o fato de as redações serem extensas tornam o trabalho cansativo.
Vale ressaltar que, além da correção gramatical, as questões muitas vezes questionam acerca da manutenção do sentido original. Dessa forma, são duas as variáveis em jogo: o atendimento aos preceitos gramaticais e a manutenção dos sentidos originais do texto.
Bastante coisa, né?
Sim, mas acalmem seus corações, pois vou tentar trilhar o caminho das pedras para vocês, moçada!
Enumerarei os pontos nevrálgicos, ou seja, aqueles mais importantes, que deverão ser por nós checados quando da análise de redações. Muitas vezes, a percepção desses pontos já nos permite um julgamento rápido e certeiro.
Minha preocupação é identificar os ERROS de redação, antes de julgar qualquer acerto, pois assim ganhamos tempo na avaliação dos itens. Vocês verão, na sequência, que meu foco será verificar impropriedades das mais diversas no texto. Para isso, montei um receituário, explicitado e detalhado logo a seguir:
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O que checar nas questões de REESCRITA DE FRASES?
Chequem a presença de VÍRGULAS PROIBITIVAS.
Vejam se os TERMOS INTERCALADOS estão isolados por duas vírgulas, uma em cada ponta.
Tomem cuidado com alterações que transformam ORAÇÕES ADJETIVAS explicativas em restritivas e vice-versa.
Cheque a presença da vírgula isolando ADJUNTOS E ORAÇÕES ADVERBIAIS DESLOCADOS DA ORDEM DIRETA.
Verifiquem se as CONJUNÇÕES que estão substituindo as do texto original mantêm o mesmo sentido.
Tomem um cuidado especial quando a reescrita envolve RELAÇÕES DE CAUSA E CONSEQUÊNCIA.
Tomem cuidado especial quando a reescrita envolve ORAÇÕES ADVERSATIVAS E CONCESSIVAS.
Tenham muita atenção no emprego dos pronomes ONDEe CUJO Tenham muita atenção com a CONCORDÂNCIA ENVOLVENDO
EXPRESSÕES PARTITIVAS.
Tenham um cuidado especial com a CONCORDÂNCIA DO SUJEITO ORACIONAL.
Tomem cuidado com a CONCORDÂNCIA ENVOLVENDO SE APASSIVADOR E ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO.
Fiquem atentos às mudanças entre HAVERe EXISTIR.
Tenham muita atenção com a CONTAMINAÇÃO POR PLURAL.
Fiquem ligados nos CASOS PROIBITIVOS DE CRASE.
Tomem cuidado com as QUEBRAS DE PARALELISMO SINTÁTICO.
Prestem muita atenção na CORRELAÇÃO ENTRE OS TEMPOS VERBAIS.
Tomem cuidado com os DESLOCAMENTOS QUE GERAM ALTERAÇÃO DE SENTIDO.
Prestem atenção com as PREPOSIÇÕES ANTES DE PRONOMES RELATIVOS
Saibam desenvolver ORAÇÕES REDUZIDAS
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Chequem a presença de VÍRGULAS PROIBITIVAS.
Gosto de iniciar minha análise pela pontuação, por incrível que pareça! Se já vejo uma vírgula proibitiva, como as que separam sujeito e verbo, verbo e complemento ou nome e complemento, de imediato julgo a redação como incorreta. Vejamos um exemplo:
Caiu em prova!
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita para o trecho “Os mais sortudos eram empregados para realizar a colheita ou para retirar lama dos canais da cidade. Os menos afortunados entravam para o exército, com grandes chances de morrer em uma guerra.”
Assinale a opção em que a proposta mantém a correção gramatical e os sentidos originais do texto.
c) Os mais sortudos eram empregados para realizar a colheita ou para retirar lama dos canais da cidade; os menos afortunados, entravam para o exército, com grandes chances de morrer em uma guerra.
RESOLUÇÃO:
Observe o trechinho destacado na redação da letra C:
... ; os menos afortunados, entravam para o exército, com grandes chances de morrer em uma guerra.
Já era, moçada!
A vírgula em destaque separa nada mais nada menos o sujeito “os menos afortunados” do verbo “entravam”. Essa vírgula é um pecado, um crime, ela é PROIBITIVA.
A redação apresentada no item, já por esse motivo, está INCORRETA.
Vejam se os TERMOS INTERCALADOS estão isolados por duas vírgulas, uma em cada ponta.
Importante! As bancas aqui deitam e rolam!
Os termos intercalados, como vimos na análise sintática da oração e do período, podem ser dos mais variados: adjuntos adverbiais, apostos, vocativos, conjunções, orações adjetivas explicativas, etc. Recebem esse nome – intercalado -, pois estão deslocados e inseridos no meio da frase, quebrando a sequência direta.
Necessitam, dessa forma, de isolamento por vírgulas ou, dependendo do caso, por travessões.
A banca vai tentar enganar você ou não isolando o termo intercalado por vírgulas ou pondo apenas uma vírgula em uma das pontas.
Quer ver exemplos clássicos?
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Caiu em prova!
Peças de barro de 4.000 a.C. encontradas na Mesopotâmia são os documentos escritos mais antigos que conhecemos.
E o mais antigo desses documentos faz referência aos impostos. Naquela época, além de entregar parte dos alimentos que produziam ao governo, os sumérios, um dos povos que viviam por ali, eram obrigados a passar até cinco meses por ano trabalhando para o rei.
...
Era assim também no antigo Egito. As evidências indicam que, em 3.000 a.C., os faraós coletavam impostos em dinheiro ou em serviços pelo menos uma vez por ano.
...
O censo, usado até hoje em muitos países, foi criado pelos romanos para decidir quanto deveriam cobrar de cada província. Os cálculos eram feitos com base no número de pessoas. Até hoje, a capacidade de cobrar impostos é diretamente proporcional à quantidade e à qualidade de informações disponíveis sobre os contribuintes.
A correção e a coesão do texto 1A1-I seriam preservadas caso fosse suprimida a vírgula empregada imediatamente após
a) “em 3.000 a.C.”
b) “ali”
c) “Naquela época”
d) “Até hoje”
e) “censo”
RESOLUÇÃO:
Letra A – ERRADA - Observe que o adjunto adverbial “em 3000 a.C.” está intercalado. Trata-se de um adjunto adverbial de tempo. Retirando-se a vírgula após “em 3000 a.C.”, seremos forçados a retirar a vírgula depois da conjunção “que”. Como dissemos, a banca vai tentar enganar você ou não isolando o termo intercalado entre vírgulas ou pondo vírgula somente em uma das pontas.
Letra B – ERRADA – A vírgula que está após “ali” não pode ser retirada, pois ela e a vírgula após “sumérios” isolam o termo intercalado “um dos povos que viviam por ali”, que funciona como aposto explicativo.
Letra C - ERRADA – A vírgula após “Naquela época” não pode ser retirada, pois ela e a vírgula após “governos”
isolam a oração intercalada de natureza inclusiva “além de entregar parte dos alimentos que produziam ao governo”. Como dissemos, a banca vai tentar enganar você ou não isolando o termo intercalado entre vírgulas ou pondo vírgula somente em uma das pontas.
Letra D – CERTA – A vírgula após “Até hoje” pode ser suprimida sem ocasionar prejuízo gramatical, haja vista que isola adjunto adverbial deslocado (porém não intercalado) de pequena extensão “Até hoje”.
Letra E – ERRADA - A vírgula após “censo” não pode ser retirada, pois ela e a vírgula após “países” isolam a oração intercalada de natureza adjetiva “usado até hoje em muitos países”.
Resposta: D
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Caiu em prova!
Um esforço combinado que vise transmitir a todos os cidadãos a ciência — por meio de rádio, TV, cinema, jornais, livros, programas de computadores, parques temáticos, salas de aula — deve pautar-se em quatro razões principais.
(...)
A correção gramatical do texto seria mantida, ainda que seu sentido fosse alterado, caso se inserisse uma vírgula logo após “combinado”.
( ) CERTO ( ) ERRADO RESOLUÇÃO:
Para que seja possível a inserção de vírgula após a palavra “combinado”, é necessário também uma vírgula após o segundo travessão.
Sem vírgulas, a oração “que vise a transmitir a todos os cidadãos a ciência” é adjetiva restritiva. Isolada por vírgulas, essa mesma oração é adjetiva explicativa. O sentido até muda, mas a correção gramatical permanece intacta.
O erro do item, portanto, está em não considerar a necessidade da segunda vírgula, uma vez empregada a primeira. Além disso, dificulta essa visualização a presença de um termo intercalado isolado por travessões “por meio de rádio, ... salas de aula”. A segunda vírgula teria de ser inserida após o segundo travessão.
A frase resultante seria: “Um esforço combinado, QUE VISE TRANSMITIR A TODOS OS CIDADÃOS A CIÊNCIA - por meio do rádio, TV..., salas de aula -, deve pautar-se ...”.
Observe a alteração, com vírgula após “esforço” E após o segundo travessão.
O gabarito, portanto, é ERRADO!
Resposta: ERRADO
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Tomem cuidado com alterações que transformam ORAÇÕES ADJETIVAS explicativas em restritivas e vice-versa.
No estudo da Sintaxe do Período Composto, enfatizamos as diferenças entre subordinadas adjetivas do tipo restritivas e as do tipo explicativas. Lembremo-nos de que as primeiras jamais são isoladas por vírgulas, ao passo que as segundas serão isoladas por vírgulas, travessões ou parênteses.
A principal diferença, no entanto, consiste na mudança de sentido ocorrida ao transformar uma adjetiva restritiva em explicativa. Enquanto a primeira dirá respeito a uma parte ou a alguns, a segunda dirá respeito a tudo ou a todos. Essa diferença é fartamente explorada nas provas! Fartamente!
Veja um exemplo:
Caiu na prova!
Nos humanos, o excesso de luz urbana que se infiltra no ambiente no qual dormimos pode reduzir drasticamente os níveis de melatonina, que regula o nosso ciclo de sono-vigília.
A correção gramatical do texto seria mantida, mas seu sentido seria alterado, caso o trecho “que se infiltra no ambiente no qual dormimos” fosse isolado por vírgulas.
( ) CERTO ( ) ERRADO RESOLUÇÃO:
Observe o trecho “... excesso de luz urbana QUE SE INFILTRA...”
Note que a oração “QUE SE INFILTRA ...” é ADJETIVA RESTRITIVA!
Verificamos que a oração é ADJETIVA, pois o QUE em destaque é PRONOME RELATIVO, sendo possível sua troca pela forma A QUAL.
Além disso, a ADJETIVA é do tipo RESTRITIVA, pois não se encontra isolada por vírgulas!
Isso posto, dá-se a entender que NÃO É TODA A LUZ QUE SE INFILTRA NO AMBIENTE.
Fazendo a alteração proposta, transformaríamos esse trecho numa ORAÇÃO ADJETIVA EXPLICATIVA.
Lembremo-nos de que a ADJETIVA EXPLICATIVA é isolada por vírgulas, travessões ou parênteses.
Sendo explicativa, dá-se a entender que TODA A LUZ SE INFILTRA NO AMBIENTE.
Dessa forma, a alteração proposta mantém a correção gramatical, mas altera o sentido original!
O item está CERTO, portanto!
Resposta: CERTO
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Caiu em prova!
Em 2016, foram registrados 16 acidentes, com 303 vítimas fatais, e o último episódio, com um avião de passageiros de maiores proporções: a queda do Avro RJ85, operado pela empresa LaMia, próximo de Medellín, na Colômbia.
O desastre, que completou um ano no último dia 28 de novembro, matou 71 pessoas, em sua maior parte atletas do time brasileiro da Chapecoense.
Com relação a aspectos linguísticos do texto 1A1AAA, assinale a opção correta.
e) O sentido do segundo período do segundo parágrafo seria preservado caso as vírgulas que sucedem as palavras
“desastre” e “novembro” fossem suprimidas.
RESOLUÇÃO
As vírgulas referidas isolam a oração adjetiva explicativa “que completou um ano no último dia 28 de novembro”.
Dá-se a entender que a informação isolada por vírgulas se refere especificamente a um desastre.
Se retirarmos as vírgulas, a oração se tornará adjetiva restritiva, dando a entender que outros acidentes, além do citado, completaram um ano no último dia 28 de novembro.
O sentido original é alterado, portanto, com a reescrita proposta.
A letra E está ERRADA.
Resposta: ERRADA
Chequem a presença da vírgula isolando ADJUNTOS E ORAÇÕES ADVERBIAIS DESLOCADOS DA ORDEM DIRETA.
Ainda frisando aspectos relacionados à pontuação na avaliação da correção gramatical e da manutenção dos sentidos nas propostas de reescritas de frases, é necessário destacar as vírgulas que isolam adjuntos ou orações adverbiais deslocados da ordem direta. Trata-se de um dos empregos mais comuns desse importante sinal de pontuação, o que requer imediata atenção de nossa parte.
Lembremo-nos de que é facultativo o emprego de vírgula para isolar adjuntos e orações adverbiais posicionados no final da oração ou do período.Por outro lado, se estiverem deslocados, a vírgula se torna obrigatória. Ademais, é facultativo o uso da vírgula para isolar adjuntos adverbiais de pequena extensão (até 2 palavras), mesmo quando deslocados.
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Caiu em prova!
Punem-se as agressões, mas, por meio delas, as agressividades, as violações e, ao mesmo tempo, as perversões, os assassinatos que são, também, impulsos e desejos. Dir-se-ia que não são eles que são julgados; se são invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e determinar até que ponto a vontade do réu estava envolvida no crime.
Sem prejuízo para o sentido original e a correção gramatical do texto, a oração “se são invocados” poderia ser deslocada para logo após a palavra “crime”, desde que estivesse isolada por vírgulas.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Observemos o trecho original:
... se são invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e determinar até que ponto a vontade do réu estava envolvida no crime. ...
As vírgulas foram aí empregadas para isolar uma oração subordinada adverbial condicional deslocada da ordem direta. Seu emprego, nesse caso, é obrigatório.
Observemos a proposta de reescrita:
... é para explicar os fatos a serem julgados e determinar até que ponto a vontade do réu estava envolvida no crime, se são invocados ...
Pode-se questionar se, nessa posição, não se geraria uma ambiguidade: “invocados” tanto poderia se referir a “eles (desejos)” como a “fatos”.
Além disso, como a oração adverbial condicional está agora posta ao final da construção frasal, o emprego da vírgula deixa de ser obrigatório e passa a ser facultativo.
O item está ERRADO, portanto!
Resposta: ERRADO
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Caiu em prova!
Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser feitas, moda que parece ter contagiado o planeta. Desta vez, Arthur Frommer e Holly Hugues elencam os 500 locais que precisamos visitar antes que desapareçam (500 places to see before they disappear). O livro traz lugares naturais e históricos, de antigos centros de culto a paisagens em vias de extinção, assim como tesouros culturais únicos, como o Fenway Park, de Boston, inaugurado em 1912: um dos últimos estádios norte-americanos que mantêm sua construção original, diz o Atlanta Journal Constitution.
Revista da Semana, dez./2008 (com adaptações).
Seria incorreta a eliminação da vírgula empregada logo após a expressão “Desta vez”, pois seu uso é obrigatório naquele contexto.
( ) CERTO ( ) ERRADO RESOLUÇÃO:
Sabemos que adjuntos adverbiais deslocados da ordem direta são isolados por vírgula.
Acontece que é possível omitir as vírgulas de adjuntos adverbias de pequena extensão, MESMO QUANDO DESLOCADOS DA ORDEM DIRETA.
E o que faz um adjunto adverbial ser de pequena extensão?
É consensual que adjuntos adverbiais formados por ATÉ DUAS PALAVRAS são considerados de pequena extensão.
Há controvérsias quanto a adjuntos adverbiais formados por 3 palavras. Algumas gramáticas consideram de pequena extensão; outras, não! Em provas discursivas, recomenda-se o emprego das vírgulas, fugindo, assim, de polêmicas. Em provas objetivas, as bancas não costumam causar celeumas nesse sentido.
Resumindo: até 2 termos, o adjunto adverbial é consensualmente de pequena extensão: formado por 3 termos, não há consenso; formado por 4 ou mais termos, consensualmente o adjunto adverbial NÃO é mais de pequena extensão.
Analisemos o item:
A expressão “Desta vez” tem valor temporal. É tempo é uma ideia adverbial, assim como lugar, causa, finalidade, condição, etc. Trata-se sintaticamente de um adjunto adverbial temporal deslocado. Como é de pequena extensão, a vírgula após “vezes” não é obrigatória.
O item, portanto, está ERRADO!
Resposta: ERRADO
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Verifiquem se as CONJUNÇÕES que estão substituindo as do texto original mantêm o mesmo sentido.
Saindo da esfera da pontuação, acredito que um ponto também nevrálgico seja a correta substituição da conjunção do texto original por outra que estabeleça a mesma relação de sentido. Aqui, mais uma vez, é necessário relembrar o quadro de conjunções subordinativas e coordenativas:
Conjunções Coordenativas Aditivas E, NEM (= E NÃO), TAMPOUCO (= E NÃO), NÃO SÓ... MAS (TAMBÉM), NÃO SÓ... COMO (TAMBÉM), NEM... NEM, TANTO...QUANTO, BEM COMO,
OUTROSSIM, ALÉM DE, ADEMAIS, ...
Adversativas MAS, PORÉM, CONTUDO, ENTRETANTO, NO ENTANTO, TODAVIA, SENÃO (=
MAS SIM), NÃO OBSTANTE, ...
Alternativas OU, OU...OU, ORA...ORA, QUER... QUER, SEJA... SEJA, ...
Explicativas PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA
VISTA...
Conclusivas PORTANTO, LOGO, POR ISSO, ENTÃO, ASSIM, POIS, POR CONSEGUINTE, DESTARTE, ...
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Caiu em prova!
Se estamos preocupados em preservar integralmente a verdade dos mitos, não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes e fazer rir aqueles que o escutam.
... não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
Uma nova redação para a frase acima, em que se mantêm a clareza, o sentido e a correção, está em:
a) ...não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e, todavia, considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
b) ... não só devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas também considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
c) ... não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, a fim de considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
Conjunções Subordinativas
Integrantes QUE, SE
Causais PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA
VISTA...
Consecutivas TÃO... QUE, TANTO... QUE, TAMANHO... QUE, TAL... QUE, DE TAL MANEIRA..., DE MODO QUE, DE SORTE QUE, DE FORMA QUE, ...
Comparativas TAL... QUAL, TANTO... QUANTO, TAL ... COMO, QUAL, COMO, ASSIM COMO, COMO SE, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE, MELHOR... DO QUE, PIOR ...
DO QUE
Conformativas CONFORME, SEGUNDO, DE ACORDO COM, COMO, CONSOANTE, EM CONSONÂNCIA COM ...
Condicionais SE, CASO, DESDE QUE, CONTANTO QUE, SALVO SE, EXCETO SE, UMA VEZ QUE, A NÃO SER QUE, A MENOS QUE, ...
Concessivas EMBORA, APESAR DE, MESMO QUE, AINDA QUE, SE BEM QUE, NEM QUE, QUANDO, CONQUANTO, A DESPEITO DE, EM QUE PESE, POR MAIS QUE,
POR PIOR QUE, POR MELHOR QUE, POSTO QUE, MALGRADO, ...
Temporais QUANDO, LOGO QUE, DESDE QUE, SEMPRE QUE, MAL, BEM, ASSIM QUE, CADA VEZ QUE, ATÉ QUE, DEPOIS QUE, ANTES QUE, ENQUANTO, ...
Proporcionais QUANTO MAIS ... MAIS, QUANTO MAIS ... MENOS, À PROPORÇÃO QUE, AO PASSO QUE, ENQUANTO, À MEDIDA QUE
Finais PARA QUE, A FIM DE QUE, COM O OBJETIVO DE, COM O INTUITO DE, COM O FITO DE, ...
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d) ... não devemos nem subestimar o alcance real do riso que eles provocam, nem considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
e) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...
RESOLUÇÃO
Note que os trechos oracionais “não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam” e “(devemos) considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes” guardam entre si uma relação de oposição.
O segundo trecho é uma retificação do conteúdo do primeiro.
Isso posto, analisemos as opções:
Letra A – ERRADA – Na proposta de reescrita, há duas conjunções – a aditiva “e” e a adversativa “todavia”, o que gera imprecisão na redação.
Letra B – ERRADA – A expressão “não só... mas (também)” tem valor aditivo, alterando, assim, o sentido original.
Letra C – ERRADA – A locução “a fim de” expressa a ideia de finalidade, alterando, assim, o sentido original.
Letra D – ERRADA – A expressão “nem... nem” tem valor aditivo, alterando, assim, o conteúdo original.
Letra E – CERTA – A locução “mas (sim)” tem valor retificador, o que mantém preservada a correção gramatical e o sentido original.
Resposta: E
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Nesse contexto, o trabalhador se vê tolhido da principal manifestação de sua humanidade e dignidade: o trabalho. A luta dos trabalhadores, portanto, não é mais apenas por condições melhores de subsistência, mas pela própria dignidade do ser humano.
A correção gramatical e os sentidos originais do texto seriam mantidos caso o trecho “A luta (...) humano.”
fosse reescrito da seguinte forma: Logo, a luta dos trabalhadores apenas deixou de ser por mais condições de melhor subsistência para priorizar a própria dignidade do ser humano.
RESOLUÇÃO
A substituição da conjunção “portanto” por “logo” mantém o sentido original de conclusão.
No entanto, note que, na redação original, a expressão “não ... apenas... mas (também)” imprime uma relação de adição. Isso significa que a luta dos trabalhadores se dá por condições melhores de subsistência E por dignidade do ser humano.
Na reescrita proposta, afirma-se que houve uma substituição, e não uma adição: a luta deixou de ser por mais condições de melhor subsistência e passou a priorizar dignidade do ser humano.
Houve, portanto, alteração de sentido.
Resposta: ERRADO
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“Como foi feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora...”
O trecho destacado pode ser substituído, sem comprometer a sintaxe e a semântica, pela seguinte redação:
a) Embora tenha sido feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora.
b) Apesar de ter sido feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora.
c) À medida que foi feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora.
d) Porquanto foi feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora.
RESOLUÇÃO
No texto original, o primeiro “Como” tem valor causal. Isso pode ser facilmente percebido por meio da seguinte reescrita: “Já que foi feito um pedido em caráter de urgência, porque ele ia viajar e precisava levar o remédio, eles pararam a manipulação que estavam fazendo na hora...”
Nas letras A e B, os conectores “Embora” e “Apesar de ” são concessivos, alterando-se, assim, o sentido original.
Na letra C, a locução “À medida que” tem valor proporcional, alterando-se, assim, o sentido original.
Na letra D, empregou-se o conector “Porquanto”, de valor causal, que preserva o sentido original.
Resposta: D
Tomem um cuidado especial quando a reescrita envolve RELAÇÕES DE CAUSA E CONSEQUÊNCIA.
Como vimos na Sintaxe do Período Composto, as ideias de causa e consequência estão sempre associadas.
Não existe uma sem a outra, o que gera possibilidades de reescrita, empregando-se conectores causais ou consecutivos.
Exemplo:
Estava tão emocionado que não contive o choro.
= Não contive o choro, porque estava muito emocionado.
Note que as frases a seguir expressam o mesmo sentido. Há entre elas uma relação de causalidade (causa- consequência). A primeira frase se fez valer de conector consecutivo – no caso, a conjunção “que”. Já a segunda, de conector causal – no caso, a conjunção “porque”.
É preciso, pois, identificar qual trecho expressa causa e qual expressa consequência. Vejamos um clássico exemplo:
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Popularmente conhecidos como seios aéreos faciais, os seios paranasais começam a se desenvolver precocemente na vida fetal. As funções desses seios não são totalmente compreendidas, mas a grande maioria da literatura anatômica sugere que eles aliviam o crânio e adicionam ressonância à voz.
Entre os principais seios do crânio humano destacam-se os seios maxilar, frontal, esfenoidal e etmoidal. Um considerável interesse na identificação forense de indivíduos tem-se voltado para o estudo do seio frontal. O estudo comparativo de imagens do seio frontal tem valor significativo para o estabelecimento da identificação do indivíduo sob exame.
Como as impressões digitais, os padrões dos seios frontais são únicos para uma pessoa. A identificação comparativa de radiografias do seio frontal é muito segura porque não há duas pessoas com a mesma configuração de seio frontal. Além das radiografias de projeção tradicional normal, a tomografia computadorizada do seio frontal também tem sido usada para essa identificação.
A correção gramatical do texto precedente, assim como sua coerência e sua coesão, seriam preservadas se o segundo e o terceiro parágrafos passassem a compor um único parágrafo mediante a união de ambos de uma das seguintes formas: (...) da identificação do indivíduo sob exame, porquanto, como as impressões digitais, (...) ou (...) da identificação do indivíduo sob exame, uma vez que, como as impressões digitais, (...).
( ) CERTO ( ) ERRADO RESOLUÇÃO
Selecionando o último período do 2º parágrafo e o primeiro período do 3º parágrafo:
O estudo comparativo de imagens do seio frontal tem valor significativo para o estabelecimento da identificação do indivíduo sob exame.
Como as impressões digitais, os padrões dos seios frontais são únicos para uma pessoa.
De fato, há uma relação de causalidade entre os dois períodos. Ao unir os dois períodos em um só, devemos usar conectores causais: porque, pois, já que, visto que, uma vez que, porquanto, na medida em que, etc.
As duas propostas de reescrita empregam os conectores “porquanto” e “uma vez que”, que são conectores causais.
O item, portanto, está CERTO!
Resposta: CERTO