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Academic year: 2021

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29/03/2021

Número: 5001468-35.2021.8.13.0261

Classe: [CÍVEL] MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL Órgão julgador: 2ª Vara Cível da Comarca de Formiga Última distribuição : 28/03/2021

Valor da causa: R$ 0,00 Assuntos: Abuso de Poder Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? NÃO

Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM

Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais PJe - Processo Judicial Eletrônico

Partes Advogados

ASSOCIACAO MINEIRA DE SUPERMERCADOS (IMPETRANTE)

MARCELO CANAAN CORREA VEIGA (ADVOGADO) PREFEITURA MUNICIPAL DE FORMIGA (IMPETRADO)

Documentos Id. Data da Assinatura Documento Tipo 292252640 5 29/03/2021 16:47 Decisão Decisão

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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Justiça de Primeira Instância

Comarca de FORMIGA / 2ª Vara Cível da Comarca de Formiga

PROCESSO Nº: 5001468-35.2021.8.13.0261

CLASSE: [CÍVEL] MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL (120) ASSUNTO: [Abuso de Poder]

IMPETRANTE: ASSOCIACAO MINEIRA DE SUPERMERCADOS IMPETRADO: PREFEITURA MUNICIPAL DE FORMIGA

Decisão

impetrou o presente Mandado de Segurança contra o ato

Associação Mineira de Supermercados

praticado pelo Prefeito do Município de Formiga, Eugênio Vilela Júnior, aduzindo, em suma, que: os associados, no exercício de atividades reconhecidamente essenciais (supermercados – abastecimento à população), vêm adotando todas as medidas necessárias ao seu desenvolvimento seguro, apesar dos óbices trazidos pelo paradigma atual; Estabelecida a chamada “Onda Roxa” pelo Governo do Estado de Minas Gerais, intensificou as orientações aos seus Associados, uma vez que exercentes de atividade considerada essencial, que deve ser prestada com extrema responsabilidade, dada a situação presente; recentemente, esta Municipalidade, por meio de sua Prefeitura Municipal, publicou o Decreto Municipal n.º 8.730, de 28 de março de 2021, que estabelece normas que impactam e limitam diretamente as atividades empresariais dos associados; conforme se observa do referido Decreto, a despeito de

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supermercadista, que representa elo fundamental à cadeia de abastecimento, ou seja, cessando abruptamente o acesso a insumos imprescindíveis à população; a despeito de se tratar de serviço absolutamente essencial (comercialização e distribuição de alimentos), assim classificado pelas

legislações federal e estadual, caso um consumidor necessariamente dependa de um produto/alimento, ele será obrigado a adquiri-lo em outra cidade; a limitação imposta aos supermercados atrai, inclusive, riscos de ordem sanitária, conforme demonstra inclusive, através de fotos e vídeos produzidos por populares do município em referência, realizados nesta data. Ante o exposto, requereu, liminarmente, a continuidade do exercício da atividade presencial dos associados, observando-se o Plano Minas Consciente, ao qual o município de Formiga aderiu integralmente aos 15/09/2020, e que assegura o funcionamento pleno da atividade supermercadista mesmo em onda roxa, tudo com os cuidados de segurança que ora já se observam, visando à prevenção, ao controle e à contenção de riscos de disseminação da doença COVID-19. Juntou documentos.

É o relatório. Decido.

A princípio, saliento que para concessão do pedido liminar no Mandado de Segurança é essencial a ocorrência dos dois requisitos previstos no inciso III do art. 7º da Lei nº. 12.016/2009, a probabilidade de direito e o perigo de dano.

No que se refere a probabilidade do direito, é imprescindível a demonstração de direito líquido e certo, ou seja, direito resultante de fato certo, capaz de ser comprovado, de plano, por documento inequívoco, independentemente de exame técnico. A cognição no mandado de segurança, portanto, é plena e exauriente de acordo com a prova produzida (secundum eventum probationis).

A expressão “direito líquido e certo”, segundo lição do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles, significa: “ é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto Direto líquido e certo

a ser exercitado no momento da impetração. Por outras palavras, o direto invocado, para ser amparável por mandado de segurança há de vir expresso em norma legal e trazer em si todos os requisitos e condições de sua aplicação ao impetrante: se sua existência for duvidosa; se sua extensão não estiver delimitada; e se seu exercício depender de situações e fatos ainda indeterminados, não rende ensejo a segurança, embora possa ser defendido por outros meios judiciais. (...) Em última análise, direito líquido e

. Se depender de comprovação posterior, não é líquido nem certo, certo é direito comprovado de plano

para fins de segurança”.1

Além da existência de direito líquido e certo é necessário demonstrar a ocorrência de ato ou conduta ilegal ou abusiva atribuída ao Poder Público.

No caso em tela, o ato impugnado é a determinação, promovida pela autoridade coatora, de suspensão das atividades presenciais nas empresas do setor supermercadistas em decorrência da pandemia do

.

SARS-COV-2

Acresce frisar que a Constituição Federal faculta aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local , bem como a suplementar a legislação federal e a estadual, no que couber, conforme consta no artigo 30.

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Consta no Decreto nº. 8.730/2021 que:

Art. 1º Fica suspenso no Município de Formiga, pelo período de 7 (sete) dias, o funcionamento de todas as atividades econômicas de maneira presencial, sendo autorizado tão somente o funcionamento

daquelas que se realizarem por meio de aplicativos, internet, telefone ou outros instrumentos similares para entrega de mercadorias em domicílio, ou seja, no formato delivery, sendo vedada a retirada no local. § 1º No que concerne ao funcionamento das atividades no formato delivery, este será autorizado para fornecimento de peças e suprimentos automotivos, materiais utilizados na construção civil, insumos de informática e telefonia móvel, bem como de gêneros alimentícios. § 2º A comercialização de bebidas alcóolicas permanecerá vedada pelo período de que trata o caput, inclusive mediante o formato delivery. § 3º Serviços advocatícios, contábeis, manutenção de aparelhos de informática e de telefonia móvel também estarão autorizados ao funcionamento apenas de maneira remota ou com atendimento

domiciliar. § 4º A vedação de que trata o caput também se aplica ao funcionamento da Feira Livre de Formiga. § 5º A vedação de que trata o caput se estende ao funcionamento de bancos, lotéricas e

congêneres, devendo ser mantido o funcionamento do Autoatendimento, bem como os serviços prestados por meio do aplicativo da Agência Bancária. § 6º Pelo período de que trata o caput, serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores, incluindo lava jatos, deverão suspender seu

funcionamento. § 7º A vedação de que trata o caput artigo não se aplica aos seguintes segmentos

comerciais: I - farmácias e drogarias; II - postos de combustíveis; III - oficinas de veículos automotores e de propulsão humana; IV - comércio de gases industriais e medicinais; V - indústria de alimentos; VI -serviço de transporte público e privado de passageiros; VII - serviços públicos da Administração Pública, a serem definidos em ato próprio do Poder Executivo Municipal; VIII - serviços de assistência veterinária; IX -serviços assistenciais de saúde voltados aos atendimentos de síndromes gripais, de urgência, pré-natal e vacinação; X - serviços de fisioterapia de urgência e atendimentos domiciliar, permitido também o serviço de podologia tão somente para o atendimento domiciliar; XI -serviços de hotelaria, hospedagem, pousadas e congêneres para uso de natureza residencial, bem como isolamento em caso de suspeita ou confirmação de COVID-19; XII - serviços de carga e transporte voltados ao atendimento da cadeia de alimentação; XIII - serviços de conservação e limpeza, domésticos e de cuidadores e terapeutas; XIV - segmentos industriais cuja natureza do serviço prestado exija seu funcionamento de maneira ininterrupta e desde que inexista circulação de pessoas estranhas ao quadro de funcionários da empresa.

Ressalto, por oportuno, que o Estado de Minas Gerais foi inserido na "Onda Roxa", do Programa Minas Consciente a partir do dia 17/03/2.021, "in verbis":

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Cumpre salientar que, nos termos do artigo 30, I, da Constituição Federal, compete aos Municípios legislarem sobre assuntos de interesse local, conforme mencionado. Outrossim, nos termos do artigo 24, XII, da Carta Magna, compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre proteção e defesa da saúde.

Com efeito, é firme o entendimento do Supremo Tribunal Federal a respeito da necessária convivência e harmonia entre a competências da União, dos Estados e dos Municípios em matéria de proteção à saúde, inclusive no tocante a normas de segurança sanitária e epidemiológica:

CONSTITUCIONAL. PANDEMIA DO CORONAVÍRUS (COVID-19). RESPEITO AO FEDERALISMO. LEI FEDERAL 13.979/2020. MEDIDAS SANITÁRIAS DE CONTENÇÃO À DISSEMINAÇÃO DO VÍRUS. ISOLAMENTO SOCIAL. PROTEÇÃO À SAÚDE, SEGURANÇA SANITÁRIA E

EPIDEMIOLÓGICA. COMPETÊNCIAS COMUNS E CONCORRENTES E RESPEITO AO PRINCÍPIO DA PREDOMINÂNCIA DO INTERESSE (ARTS. 23, II, 24, XII, E 25, § 1º, DA CF). COMPETÊNCIAS DOS ESTADOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DAS MEDIDAS PREVISTAS EM LEI FEDERAL.

ARGUIÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. Proposta de conversão de referendo de medida cautelar em julgamento definitivo de mérito, considerando a existência de precedentes da

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CORTE quanto à matéria de fundo e a instrução dos autos, nos termos do art. 12 da Lei 9.868/1999. 2. A gravidade da emergência causada pela pandemia do coronavírus (COVID-19) exige das autoridades brasileiras, em todos os níveis de governo, a efetivação concreta da proteção à saúde pública, com a adoção de todas as medidas possíveis e tecnicamente sustentáveis para o apoio e manutenção das atividades do Sistema Único de Saúde, sempre com o absoluto respeito aos mecanismos constitucionais de equilíbrio institucional e manutenção da harmonia e independência entre os poderes, que devem ser cada vez mais valorizados, evitando-se o exacerbamento de quaisquer personalismos prejudiciais à condução das políticas públicas essenciais ao combate da pandemia de COVID-19. 3. Em relação à saúde e assistência pública, a Constituição Federal consagra a existência de competência

administrativa comum entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 23, II e IX, da CF), bem como prevê competência concorrente entre União e Estados/Distrito Federal para legislar sobre proteção e defesa da saúde (art. 24, XII, da CF), permitindo aos Municípios suplementar a legislação federal e a estadual no que couber, desde que haja interesse local (art. 30, II, da CF); e prescrevendo ainda a descentralização político-administrativa do Sistema de Saúde (art. 198, CF, e art. 7º da Lei 8.080/1990), com a consequente descentralização da execução de serviços, inclusive no que diz respeito

(art. 6º, I, da Lei 8.080/1990). 4. O Poder às atividades de vigilância sanitária e epidemiológica

Executivo federal exerce o papel de ente central no planejamento e coordenação das ações

governamentais em prol da saúde pública, mas nem por isso pode afastar, unilateralmente, as decisões dos governos estaduais, distrital e municipais que, no exercício de suas competências constitucionais, adotem medidas sanitárias previstas na Lei 13.979/2020 no âmbito de seus respectivos territórios, como a imposição de distanciamento ou isolamento social, quarentena, suspensão de atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais e à circulação de pessoas, entre outros mecanismos

reconhecidamente eficazes para a redução do número de infectados e de óbitos, sem prejuízo do exame da validade formal e material de cada ato normativo específico estadual, distrital ou municipal editado nesse contexto pela autoridade jurisdicional competente. 5. Arguição julgada parcialmente procedente. (ADPF 672 MC-Ref, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 13/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-260 DIVULG 28-10-2020 PUBLIC 29-10-2020)

A declaração de Pandemia pelo COVID-19 ensejou a edição da Lei Federal n. 13.979/2020, da Portaria n. 188/2020 pelo Ministério da Saúde, com a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional em decorrência da Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV), bem como o Decreto n. 113, de 12 de março de 2020, do Governo do Estado de Minas Gerais, que declarou Situação

Emergencial em Saúde Pública em todo território estadual, em razão de surto de doença respiratória, com o estabelecimento de medidas para o enfrentamento da doença, dentre as quais se destaca o isolamento, a quarentena e a proibição de aglomerações.

A Lei nº. 13.979/2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do Coronavírus, preconiza:

"Art. 3º Para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, as autoridades poderão adotar, no âmbito de suas competências, dentre outras, as seguintes medidas:I - isolamento;II – quarentena. (…) § 1º As medidas previstas neste artigo somente poderão ser determinadas com base em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde e deverão ser limitadas no tempo e no espaço ao mínimo indispensável à promoção e à preservação da saúde pública."

O Decreto n. 10.282/2020 definiu que serviços essenciais são aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. São assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população, tais como assistência à saúde,

assistência social, atividades de segurança pública e atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação, repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e assistência técnica

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automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos de carga e de pessoas em rodovias e estradas.

Segundo o referido Decreto:

"Art. 3° Omissis. (...)§9. O disposto neste artigo não afasta a competência ou a tomada de

providências normativas e administrativas pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas competências e de seus respectivos territórios, para os fins do disposto no art. 3º

, observadas: I - a competência exclusiva da União para fixar as medidas

da Lei nº 13.979, de 2020

previstas na Lei nº 13.979, de 2020, referentes ao uso dos seus bens e à prestação dos serviços públicos essenciais por ela outorgados; e II - que a adoção de qualquer limitação à prestação de serviços públicos ou à realização de outras atividades essenciais diretamente reguladas, concedidas ou autorizadas pela União somente poderão ser adotadas com observância ao disposto no § 6º deste artigo."

Depreende-se que as normas federais, assim como as estaduais, não determinam o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, mas estipulam os serviços que não podem ser suspensos em razão de sua essencialidade para a população.

Contudo, não cabe ao Poder Judiciário substituir o juízo discricionário do Executivo, em relação à tomada de medidas administrativas, mormente em decorrência da análise sistemática promovida no presente caso. Nesse sentido é o entendimento do colendo Supremo Tribunal Federal:

"Não compete ao Poder Judiciário substituir o juízo de conveniência e oportunidade realizado pelo Presidente da República no exercício de suas competências constitucionais, porém é seu dever

constitucional exercer o juízo de verificação da exatidão do exercício dessa discricionariedade executiva perante a constitucionalidade das medidas tomadas, verificando a realidade dos fatos e também a

coerência lógica da decisão com as situações concretas. Se ausente a coerência, as medidas estarão viciadas por infringência ao ordenamento jurídico constitucional e, mais especificamente, ao princípio da proibição da arbitrariedade dos poderes públicos que impede o extravasamento dos limites razoáveis da discricionariedade, evitando que se converta em causa de decisões desprovidas de justificação fática e, consequentemente, arbitrárias. (ADPF 672 )"

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, assegurou aos governos estaduais, distrital e municipal, no exercício de suas atribuições e no âmbito de seus territórios, competência para a adoção ou manutenção de medidas restritivas durante a pandemia da Covid-19, tais como a imposição de distanciamento social, suspensão de atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais,

. circulação de pessoas, entre outras

É importante apontar, nesse contexto, a competência comum da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios acerca os cuidados referentes à saúde pública que, inclusive foi exercida em seu respectivo âmbito, principalmente, pelos Municípios quando legislaram acerca da adoção de medidas visando

(art. 23, II da CR/88).

evitar o aumento de pessoas contaminadas durante a pandemia

O Supremo Tribunal Federal posicionou-se no sentido de que as medidas adotadas pelo Governo Federal na Medida Provisória nº 926/2020 para o enfrentamento da pandemia do Covid-19, não afastam a

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competência concorrente nem as providências normativas e administrativas adotadas pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.

Dessa maneira, os Estados e os Municípios possuem competência material para implementar as medidas sanitárias previstas na Lei Federal 13.979/2020, desde que fundamentadas em orientações de seus órgãos técnicos correspondentes, resguardada a locomoção de produtos e serviços essenciais definidos por ato do Poder Público federal, sempre respeitadas as definições no âmbito da competência constitucional de cada ente federativo.

No caso em epígrafe, não houve o fechamento de atividades consideradas essenciais, como o ramo supermercadista, mas sim a proibição de atendimento presencial, sendo mantido a possibilidade de realização de compras através do sistema “delivery”.

Cumpre ressaltar que a medida foi adotada considerando o atual cenário da pandemia causada pelo SARSCoV-2s, marcado pelos serviços de internação já bastante saturados e pela crescente incidência de casos novos de Covid-19, o que impacta diretamente no aumento de internações e óbitos por Covid- 19.

Destarte, não vislumbro, por ora, qualquer ilegalidade no Decreto Municipal 8.730/2.021, que exija a intervenção judicial, mostra-se correto e legal, mormente diante do princípio da supremacia do interesse público e do atual quadro epidemiológico enfrentado nesta cidade.

Ante o exposto, INDEFIRO o pedido liminar.

Intime-se o impetrado, Eugênio Vilela Júnior, para prestar às informações que entender necessárias, no prazo de 10 (dez) dias, nos termos do art. 7º, I, da Lei 12.016 de 2.009.

Dê-se ciência do feito ao Município de Formiga, enviando-lhe cópia da inicial, sem documentos, para que, querendo, ingresse no feito, nos termos do art. 7º, II, da Lei 12.016/09.

Após, dê-se vista dos autos ao representante do Ministério Público.

Observe-se a prioridade na tramitação do feito – artigo 20 da Lei 12.016/09.

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Formiga, 29 de março de 2.021

RAFAEL GUIMARÃES CARNEIRO Juiz de Direito

In Mandado de Segurança. 22.ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 35/6.

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