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IPCA SOBE 1,62% EM MARÇO, ACUMULANDO ALTA DE 11,30% NOS ÚLTIMOS 12 MESES

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IPCA SOBE 1,62% EM MARÇO, ACUMULANDO ALTA DE 11,30% NOS ÚLTIMOS 12 MESES

No mês de março, o grupo de transportes teve a maior influência para a aceleração do IPCA, com alta de 3,02%. O grupo de alimentação e bebidas teve crescimento de 2,42%, com a alimentação no domicílio subindo 3,09%. No acumulado dos últimos doze meses, o grupo alimentação e bebidas acumula alta de 11,61%.

No grupo de transportes, a alta foi influenciada majoritariamente pelo aumento de preços nos combustíveis (6,70%). A gasolina merece destaque, com o maior impacto individual no indicador geral (0,44 p.p.), tendo alta de 6,95% no mês. O grupo acumula alta de 17,37% nos últimos doze meses, com a gasolina acumulando alta de 27,48% no mesmo período.

Segundo o IBGE, as altas nos combustíveis são relacionadas aos ajustes no preço médio da gasolina vendida pela Petrobrás de 18,77%, no dia 11 de março. Outros itens também afetaram a aceleração dos custos no grupo, como gás veicular (5,29%), etanol (3,02%), óleo diesel (13,65%), transporte por aplicativo (7,98%) e o conserto de automóvel (1,47%).

O crescimento de 2,42% do grupo de alimentos e bebidas teve maior influência do aumento nos preços dos alimentos para consumo no domicílio (3,09%), que foram causados por diversos fatores ligados às atividades agropecuárias. Os fatores climáticos influenciaram muito os preços, mas a alta dos combustíveis também onera significativamente a produção de alimentos. Os fretes mais caros causam aumento nos preços dos produtos nos supermercados, além de piorar a rentabilidade dos produtores.

1,06 0,28 0,47 0,23 0,33 0,78 1,63 1,19 1,32 0,04 0,79 1,44 1,65 3,09

1,62

-0,3 0,2 0,7 1,2 1,7 2,2 2,7 3,2 3,7

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar

2021 2022

Alimentação e bebidas Alimentação no domicílio Índice Geral

A Inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve alta de 1,62%

em março de 2022. Em fevereiro de 2022, o crescimento foi de 1,01%, e em março de 2021, o índice teve alta de 0,93%. Com o novo aumento, o IPCA acumula alta de 11,30% nos últimos 12 meses. Essa foi a maior variação para um mês de março desde 1994, pouco antes da implementação do plano real, quando o índice teve alta de 42,75%.

Gráfico 1 - IPCA – Índice Geral e Grupos – Variação mensal (%)

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Gráfico 2 - IPCA - Meses de Março de Cada Ano (%)

Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

Gráfico 3 - IPCA – Índice Geral e Grandes Grupos – Acumulado em 12 meses (%)

Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

1,55 0,35 0,51 0,34 1,10 0,22 0,38 0,60 1,23 0,47 0,61 0,43 0,37 0,48 0,20 0,52 0,79 0,21 0,47 0,92 1,32 0,43 0,25 0,09 0,75 0,07 0,93 1,62

1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

IPCA - Variação mensal (%) Média Plano Real (0,58%) Média 2017-2020 (0,69%)

4,83 6,01 5,54 6,59 6,15 8,13 9,39 4,57 2,68 4,58 3,30 6,10 11,30

4,27 9,62 5,80 13,49 7,13 8,19 13,25 4,04 -1,63 6,73 4,87 13,88 11,61

2,73 9,23 3,98 15,16 5,61 7,22 15,31 3,00 -4,29 8,71 5,06 17,59 13,72

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Índice Geral Alimentação e bebidas Alimentação no domicílio

A inflação deve superar a meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional para 2022, de 3,5%, ficando acima também do teto da meta, de 5,0%.

6,86%

Expectativa Boletim Focus 2022

IPCA

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O que muda para o produtor?

Tabela 1 - Maiores Impactos de Alta - Produtos Selecionados Produtos Variação (%) Impacto (p.p.)

Cenoura 31,47 0,030

Tomate 27,22 0,081

Mamão 19,51 0,024

Leite longa vida 9,34 0,061

Óleo de soja 8,99 0,030

Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

Principais altas de preço no mês de Fevereiro/2022:

Cenoura – A alta no preço vem ocorrendo em resposta as chuvas intensas ocorridas entre dezembro e fevereiro nas principais regiões produtoras para o período. O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba correspondem por grande parte da produção de cenoura de verão. As lavouras que já tinham suas produções comprometidas pela maior ocorrência de nematoides no início da safra, foram seguidamente impactadas pelas chuvas, que prejudicaram a entrada de tratores para a colheita, bem como aumentaram a incidência de doenças, alongamento de raízes e consequente quebra ao longo do beneficiamento.

Tomarte – Historicamente, o mês de março apresenta elevação nos preços de tomate em função do encerramento das primeiras lavouras de verão e maior ocorrência de chuvas. No entanto, para este ano as altas foram ainda mais sensíveis em resposta a precipitação acima da média entre os Os problemas climáticos afetaram diversas regiões produtoras, diminuindo a produtividade e a quantidade produzida da safra 2021/2022, com prováveis repercussões sobre a safra 2022/203. Aliado a esse ponto, os custos de produção seguem em patamares extremamente elevados, e alguns continuam subindo. As altas nos combustíveis afetam diretamente os produtores rurais, encarecendo os fretes e diminuindo ainda mais a receita nas propriedades. É importante lembrar que os aumentos nas prateleiras dos supermercados não se refletem necessariamente em maiores rentabilidades para os produtores, que são tomadores de preço em sua maioria. Os conflitos entre Rússia e Ucrânia seguem pressionando os preços de vários produtos no Brasil e no Mundo, e deixam cada vez mais incertezas a respeito do cenário de fertilizantes para as próximas safras, com a previsão de grande aumento nos preços destes insumos.

O que subiu

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meses de dezembro e fevereiro. Lavouras em produção apresentaram perda por e maior incidência de doenças, como requeima e cancro bacteriano, já lavouras recém plantadas foram perdidas pela ocorrência de doenças e até mesmo alagamento. A oferta está comprometida e poderá ainda ser limitada nos próximos meses.

Mamão – Em função da elevação nos custos de produção e período de baixos preços e rentabilidade ao produtor ao longo do segundo semestre de 2021, houve redução das áreas de cultivo, impactando na oferta da fruta. Somado a isso, as altas temperaturas ao final do ano e as chuvas ocorridas no Sul da Bahia e região de Linhares (ES) entre dezembro e janeiro resultaram em perdas na qualidade e produção de frutos.

Leite Longa Vida – Os elevados custos de produção vêm comprometendo a rentabilidade da atividade, fazendo com que os pecuaristas, descapitalizados, reduzam os necessários investimentos na produção. Para gerar caixa, alguns deles se veem obrigados a descartar as matrizes menos produtivas, contribuindo assim para redução da oferta do produto no campo. A seca em importantes regiões produtoras comprometendo a qualidade das pastagens e a quantidade e qualidade das culturas para a ensilagem também influenciam a redução na oferta.

Óleo de Soja – Além do aumento do preço médio da soja em 2% entre fevereiro e março no mercado interno, a guerra entre Rússia e Ucrânia também refletiu nos preços. Devido ao papel relevante dos dois países no suprimento de óleo de girassol, a demanda mundial para óleo de soja, que atua como substituto em muitos mercados, foi ampliada. Apesar dos preços estarem alinhados ao mercado internacional, o abastecimento do mercado interno está garantido.

Tabela 2 - Maiores Impactos de Baixa - Produtos Selecionados Produtos Variação (%) Impacto (p.p.)

Limão -12,12 -0,002

Banana-prata -4,78 -0,010

Mandioca (aipim) -3,05 -0,001

Frango em pedaços -2,03 -0,014

Carne de porco -0,51 -0,002

Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

O que caiu

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Principais quedas de preço no mês de Fevereiro/2022:

Limão – A produção está em pico de safra, com boa oferta nas praças de Jaboticabal, Mogi Mirim e Jales, em São Paulo, e entrada também da produção goiana. Por outro lado, o mercado interno e externo apresenta demanda tímida, pressionando cotações do produto para baixo.

Banana – O período foi marcado por aquecimento na colheita no Vale do São Francisco (BA) e praças do Sudeste, em especial o Norte de Minas Gerais e Centro-Norte Capixaba. Embora o produto apresente boa qualidade, a concorrência frente à banana-nanica, também com preços atrativos e a demanda tímida ao longo do mês, pressionaram os preços da fruta.

Mandioca – A produção da cultura foi impactada pelo longo período de estiagem na região Sul do país. A produção de mandioca tem grande influência da disponibilidade de água, seja para o desenvolvimento da raiz, quanto para a produção de amido na mesma. Em função da estiagem, as raízes têm apresentado menor calibre e menor rendimento industrial, resultado em redução nos preços do produto, tanto para mercado quanto para processamento. Como alternativa, produtores têm postergado a colheita, o que interfere ainda na oferta do produto para a comercialização.

Carne de Frango – Na ponta final da cadeia, o escoamento foi melhor para o frango inteiro, mais barato comparativamente com os cortes. Diante dessa demanda mais fraca, as cotações do frango em pedaços recuaram, mesmo com os aumentos nos preços verificados para o frango nas granjas e para a carcaça no atacado em março, de 32,7% e 24,2%, respectivamente.

Carne de Porco – A maior disponibilidade de animais para abate e o aumento na oferta de carnes pela indústria pressionaram para baixo as cotações do frango de corte e suínos nas granjas e demais elos da cadeia até meados de fevereiro, quando os ajustes na base produtiva deram sustentação aos preços. No caso da carne suína, destacamos ainda a queda nos embarques brasileiros, de 5,46% em fevereiro, frente ao mês anterior, o que colaborou com uma maior disponibilidade interna do produto e pressão sobre as cotações.

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Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA:

Bruno Barcelos Lucchi - Diretor Técnico Reginaldo Minaré – Diretor Técnico Adjunto

Núcleo Econômico

Renato Conchon – Coordenador

Elisangela Pereira Lopes – Assessora Técnica Isabel Mendes de Faria – Assessora Técnica Lucas Martins de Araújo – Assessor Técnico Mariza de Almeida – Assessora Técnica

Lilian Figueiredo – Coordenadora de Produção Animal Maciel Silva – Coordenador de Produção Vegetal Eduarda Lee – Assessora Técnica

Elena Castellani – Assessora Técnica Fernanda Regina – Assessora Técnica Danyella Bonfim – Assessora Técnica

Guilherme Mossa de Souza Dias – Assessor Técnico Leticia Assis Valadares Fonseca – Assessora Técnica Rafael Ribeiro de Lima Filho – Assessor Técnica Tiago dos Santos Pereira – Assessor Técnico

Referências

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