ww w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r
REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
de
Revisão
Tratamento
da
osteoporose
pós-menopáusica:
um
algoritmo
baseado
na
literatura
para
uso
no
sistema
público
de
saúde
Ellen
Luz
Pereira
Caires
a,
Mailze
Campos
Bezerra
b,c,
Ana
Flávia
Torquato
de
Araújo
Junqueira
a,c,
Sheila
Márcia
de
Araújo
Fontenele
b,c,
Silvana
Cristina
de
Albuquerque
Andrade
c,de
Catarina
Brasil
d’Alva
a,c,∗aUniversidadeFederaldoCeará(UFC),FaculdadedeMedicina,Servic¸odeEndocrinologiaeDiabetes,Fortaleza,CE,Brasil bUniversidadeFederaldoCeará(UFC),FaculdadedeMedicina,Servic¸odeReumatologia,Fortaleza,CE,Brasil
cUniversidadeFederaldoCeará(UFC),FaculdadedeMedicina,NúcleodeAtendimentoMultidisciplinaràsDoenc¸asOsteometabólicas,
Fortaleza,CE,Brasil
dUniversidadeFederaldoCeará(UFC),FaculdadedeMedicina,Servic¸odeNefrologiaeTransplanteRenal,Fortaleza,CE,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem3dejulhode2016 Aceitoem5dedezembrode2016 On-lineem27dedezembrode2016
Palavras-chave:
Tratamentodaosteoporose Bisfosfonatos
Saúdepública
r
e
s
u
m
o
Combasenavastaexperiênciadeuso,seguranc¸aeeficáciacomprovadanareduc¸ãode fra-turasvertebrais,nãovertebraisefemorais,osbisfosfonatossãoconsideradosagentesde primeiralinhanotratamentodaosteoporosepós-menopáusica.Noentanto,osrelatos pós--vendabaseadosnotratamentodemilhõesdepacientes/anoduranteperíodosprolongados detemporevelaramaocorrênciadeefeitosadversosinicialmenteinesperados,como osteo-necrosedamandíbulaefraturaatípicadofêmur.Issolevouasagênciasreguladorasglobaisa restringiremadurac¸ãodotratamentocombisfosfonatos.Noentanto,apesardaassociac¸ão entreessesefeitoseosbisfosfonatos,esseriscodeveseranalisadonocontextodo trata-mentodaosteoporose,paralelamenteaobenefícionaprevenc¸ãodefraturasosteoporóticas esuasconsequênciasclínicas.Portanto,considera-seplausíveldiscutirarestric¸ãoaouso dosbisfosfonatos,possíveisindicac¸õesparaotratamentoprolongadoeterapiasopcionais apósasuspensãodessaclassedefármacoparapacientescomaltoriscopersistentede fra-turaapósotratamentoinicial,especialmenteseconsiderarmososproblemasfinanceiros desaúdepúblicanoBrasileaescassezdefármacosfornecidospelogoverno.Assim,para padronizarotratamentodaosteoporosenosistemapúblicodesaúdepretende-se desen-volverumapropostadetratamentofarmacológicocientificamentefundamentadaparaa osteoporosepós-menopáusica,estabelecercritériosdeindicac¸ãoepermitirousoracional decadaagentefarmacológico.Discutem-seadurac¸ãodotratamentoinicialcom bisfosfo-natos,asopc¸õesterapêuticasparapacientesrefratáriosepotenciaisindicac¸õesdeoutras classesdemedicamentoscomotratamentodeprimeiralinhanaesferadasaúdepública, emqueaavaliac¸ãodoriscoecusto-efetividadeéumaprioridade.
©2017ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
∗ Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected],[email protected](C.B.d’Alva). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.12.001
Treatment
of
postmenopausal
osteoporosis:
a
literature-based
algorithm
for
use
in
the
public
health
care
system
Keywords:
Osteoporosistreatment Bisphosphonates Publichealthcare
a
b
s
t
r
a
c
t
Bisphosphonatesareconsideredfirst-lineagentsinthetreatmentofpostmenopausal oste-oporosis basedon extensiveexperience ofuse,safety, andprovenefficacyin reducing vertebral,non-vertebralandfemur fractures.However,post-marketingreportsbasedon thetreatmentofmillionsofpatients/yearoverlengthyperiodsoftimehaverevealedthe occurrenceofinitiallyunexpectedadverseeffects,suchasosteonecrosisofthejawand atypicalfemoralfracture,leadingtotherestrictionoftreatmentdurationwith bisphospho-natesbyglobalregulatoryagencies.However,despitetheassociationbetweentheseeffects andbisphosphonates,thisriskshouldbeanalyzedinthecontextofosteoporosistreatment, alongsidethebenefitofpreventingosteoporoticfracturesandtheirclinicalconsequences. Therefore,weconsideritplausibletodiscusstherestrictiontotheuseofbisphosphonates, possibleindicationsforprolongedtreatmentandalternativetherapiesfollowingthe suspen-sionofthisdrugclassforpatientswithpersistenthighriskoffractureafterinitialtreatment, especiallyconsideringtheproblemsofpublichealthfundinginBrazilandtheshortageof drugsprovidedbythegovernment.Thus,tostandardizethetreatmentofosteoporosisinthe publichealthcaresystem,weaimtodevelopaproposalforascientifically-based pharmaco-logicaltreatmentforpostmenopausalosteoporosis,establishingcriteriaforindicationand allowingtherationaluseofeachpharmacologicalagent.Wediscussthedurationofthe ini-tialbisphosphonatetreatment,thetherapeuticoptionsforrefractorypatientsandpotential indicationsofotherclassesofdrugsasfirst-choicetreatmentinthesphereofpublichealth, inwhichassessingriskandcosteffectivenessisapriority.
©2017ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
A osteoporosecaracteriza-se pela perda de massaóssea e peladeteriorac¸ãodamicroarquiteturadessetecido,queleva àfragilidadeósseaeaumriscoaumentadodefraturas.As consequênciasclínicasdissosãodeformidades,dorcrônica, incapacidadeemorte.1Éumadoenc¸acomum,comuma pre-valênciacrescenteentrehomensemulheresemdecorrência doaumentonaexpectativadevidaedeumapopulac¸ãoem envelhecimento.
Osbisfosfonatosrepresentamaterapiadeprimeiralinha paraa prevenc¸ão defraturas osteoporóticas.2 Esses fárma-cossãoanálogossintéticosdopirofosfatoinorgânicoobtido pelasubstituic¸ãodoátomodeoxigênioporumcarbono(PCP), queostornaresistentesàdegradac¸ãobiológica,epelaadic¸ão de duascadeias laterais (R1 eR2), responsáveis pela afini-dadeepotênciadaligac¸ãoesquelética,respectivamente.Essa
estruturaquímicatem apropriedadede formarcompostos
comcátionsdivalentes,mostragrandeavidezpeloscristais dehidroxiapatitadassuperfíciesósseas,particularmentede locaisderemodelac¸ãoativa.Noambienteácidodereabsorc¸ão, osbisfosfonatossãoliberadosdoossoeabsorvidospelo oste-oclastos, causama inibic¸ão da enzima farnesil pirofosfato sintase,queéimportantepara aintegridadedoseu citoes-queletoefunc¸ãocelular.Issolevaaumaperdanafunc¸ãode reabsorc¸ãoepotencial apoptose dososteoclastos. Conside-randoqueaformac¸ãoeareabsorc¸ãoósseasãoprocessos aco-plados,areabsorc¸ãoreduzidaéseguidaporumadiminuic¸ão
na formac¸ão óssea, havendo assim um novo estado de
remodelac¸ãoósseadiminuídaapósoiníciodotratamento.3
Oprimeirofármacodessaclassefoisintetizadonoséculo
XIX,massuarelevânciaclínicasófoireconhecidanofimdos anos 1960, quandoos bisfosfonatos comec¸arama ser usa-dosnotratamentodeváriasdoenc¸asosteometabólicas.4No entanto,ousogeneralizadodosbisfosfonatosnotratamento daosteoporoseocorreudepoisde1993,quandoaOMS esta-beleceuodiagnósticodeosteoporosepormeiodatécnicade densitometriaósseaporabsorciometriadeduplofeixederaios
X(DEXA).5
Eficácia
dos
bisfosfonatos
na
prevenc¸ão
de
fraturas
osteoporóticas
fraturasdofêmur,respectivamente,nessegrupodemulheres pós-menopáusicascomfraturasvertebraisprévias.7
O segundo bisfosfonato aprovado para o tratamento da
osteoporosenos EUA foi orisedronato, em2000. Ouso do risedronato(estudoVERT,n=2.458mulheres,<85anos,duas fraturas vertebrais préviasou uma fratura vertebral prévia maisescoreT ≤ −2,0, seguimento de 3anos) resultouem umareduc¸ãode41%e39%nasfraturasvertebraisenão ver-tebrais,respectivamente.9Aseguir,McLungetal.mostraram umareduc¸ãode 40%noriscodefratura dequadrilemum grandeestudoqueincluiu5.445mulheresentre70e79anos, comescoreTdocolofemoral≤−4,0ouescoreTdocolo femo-ral≤−3,0associadoaumfatorderiscoparafraturadequadril, emumperíododedoisanosdeseguimento.10
Oibandronato, aprovadoem2005para otratamento da
osteoporose, reduziu o risco de fratura vertebral em 62% (estudoBONE, n=2.946mulheres,55 a80anos, escoreT≤ −2,0empelomenosumavértebraassociadoafratura verte-bralprévia,3anosdeseguimento).Nesseestudo,nãohouve reduc¸ãonoriscodefraturasnãovertebrais,comexcec¸ãode
umaanálisepost hocdosubgrupode mulherescom escore
Tnocolofemoral<−3,0.11Afimdeavaliaroefeitosobreas fraturasnãovertebrais,forampublicadasalgumas metanáli-sesdeensaiosclínicosrandomizadosqueavaliaramdadosde pacientesindividuaisesugeriramumefeitobenéficodedoses maiselevadasdeibandronato(correspondentea150mg/mês porviaoralou12mg/anoporviaIV).12,13Noentanto,nãohá evidênciasde ensaiosclínicoscontrolados porplacebo que mostremumareduc¸ãonoriscodefraturanãovertebralcom ousodeibandronato.
O ácido zoledrônico, bisfosfonato com maior potência
antirreabsortiva,foiaprovadoparaotratamentoda osteopo-roseem2007. Umainfusãoanualdeácido zoledrônicopor 3anosconsecutivos(HorizonPFT,n=7.765mulheres,65a89 anos,escoreTnocolofemoral≤−2,5ouescoreTnocolo femo-ral≤−1,5associadoaumafraturavertebral,seguimentode3 anos)foieficazemreduziroriscodefraturasvertebrais, femo-raisenãovertebraisem70%,41%e25%,respectivamente.14
Seguranc¸a
dos
bisfosfonatos
no
tratamento
da
osteoporose
Dadoqueaosteoporoseéumadoenc¸acrônica,juntamente comobomperfildeseguranc¸adosbisfosfonatosdemonstrado porensaiosclínicoscontroladosporplacebo,otratamentoda osteoporosedeveria,conceitualmente,serestendidoaolongo detodaavidadopaciente.Noentanto,osrelatospós-venda baseadosnotratamentodemilhõesdepaciente/anodurante
um período prolongado de tempo revelaram a ocorrência
deefeitosadversosinicialmenteinesperadosdotratamento combisfosfonatos,comoosteonecrosedamandíbulaefratura femoralatípica.15–17
Aosteonecrosedamandíbula(ONM)écaracterizadapela exposic¸ãodotecidoósseonaregiãomaxilofacialquenão cica-trizaapós 8semanas.18 Evidênciassugeremaexistênciade umarelac¸ãocausalentreousodebisfosfonatoseaONM,com umefeitodose-respostamanifestadopelamaiorincidência dessacomplicac¸ãoempacientescomcâncerquereceberam altasdoses cumulativasde bisfosfonatos.Aprevalênciafoi
estimada em0,4%entreos pacientescom câncere0,001%
nos pacientes com osteoporose em um levantamento dos
casosobservadosporcirurgiõesmaxilofaciaiscanadenses.19
Umestudoduplo-cegorandomizadocontroladoporplacebo
queenvolveu2.046pacientescomcâncerdemamaobservou aocorrênciadeONMem2,0%e1,4%dospacientestratados comaltasdosesdedenosumabeouácidozoledrônico, respec-tivamente(p=0,39).Issorevelaqueesseefeitonãoéespecífico dosbisfosfonatos,masdotratamentocomfármacos antirre-absortivospotentes.20Porconseguinte,aONMémuitorarano tratamentodaosteoporose.Ainterrupc¸ãonotratamentocom fármacosantiosteoporóticosempacientesantesde
procedi-mentosdentáriospossivelmentenãotemqualquerimpacto
sobreareduc¸ãodesserisco.
Noentanto,recentemente,aTaskForceonOsteonecrosisof theJawrecomendouinterromperotratamentocomfármacos antirreabsortivosseforpossível fazê-losemconsequências adversasàsaúdeósseaempacientesquenecessitamde cirur-giaoralinvasivaextensiva,bemcomoaquelescommúltiplos fatoresderiscoparaaONM.Contudo,hápoucasevidências queapoiemessarecomendac¸ão,jáqueosbisfosfonatos per-manecemnoossoporanos.21Portanto,ojulgamentoclínico ésempreessencial.
Umacomplicac¸ãoadicionalobservadaapós avendados bisfosfonatos foi a fratura femoral atípica. Essaé definida comofraturastransversaisouoblíquasnãocominutivas,que ocorremnaregiãosubtrocantéricaapóstraumasmínimos.22 Apesardosestudosinconclusivossobreaspropriedades físi-cas do osso emusuários de bisfosfonatos,acredita-se que essas fraturas sejam decorrentes da supressão excessivae prolongadadaremodelac¸ão.Issocausaumaperdana quali-dadedoossoenafunc¸ãomecânica,oquelevaaoacúmulo de microfraturas efragilidade esquelética.O resultado é o desenvolvimento de fraturas porinsuficiência no ponto de sobrecargamecânicamáxima,representadopelaregião sub-trocantéricaoudiafisáriadofêmur.Daíotermofraturaatípica, umavezqueenvolvearegiãomaisfortedofêmur,ao contrá-riodafraturaosteoporótica,quecomumenteocorrenocolo femoral.23
Depoisdeanalisar12.777casosdefraturasdefêmurque ocorreramnaSuéciaem2008,Schilcheretal.24identificaram 59fraturasatípicas,78%dasquaisocorreramemusuáriosde bisfosfonatos.Apesardessaassociac¸ão,oriscoabsolutode fra-turaatípicarelacionadocomousodebisfosfonatosébaixo(50 casos/100.000pacientes-ano).Delletal.25analisaramcercade 15milfraturassubtrocantéricasnaCalifórniaentre2007e2009 eidentificaram102fraturasatípicas,97dasquaisem pacien-tesqueusarambisfosfonatosporumamédiade5,5anos.No entanto,aoanalisarousodebisfosfonatosaolongodotempo, oriscoabsolutofoide2casos/100.000pacientes-anoem2anos detratamentoe78casos/100.000pacientes-anoem8anosde tratamento.
Alerta
de
agências
reguladoras
de
medicamentos
em
todo
o
mundo
sugerindoanalisarcadacasoindividualmentepara determi-narseousodessaclassedemedicamentospormaisde3anos énecessárioejustificável.26Essealertaconcordacom relató-riosemitidospelaFoodandDrugAdministration(FDA)em2010 epelaEuropeanMedicinesAgency(EMA)em2011.27,28
Impacto
da
restric¸ão
regulatória
sobre
a
durac¸ão
do
uso
dos
bisfosfonatos
no
sistema
público
de
saúde
brasileiro:
uma
análise
crítica
Apesarda associac¸ãodemonstradaentre asfraturas femo-raisatípicaseosbisfosfonatos,esseriscodeveseranalisado nocontextodotratamentodaosteoporose,paralelamenteao benefíciodaprevenc¸ãodefraturasosteoporóticas.Estima-se queparacada100fraturasfemoraistípicasevitadaspelos bis-fosfonatosocorreumafraturaatípica.29Paraospacientescom osteoporosegraveealtoriscodefratura,3.300fraturas oste-oporóticas sãoprevenidas para cada 100.000pacientes-ano tratados.Paraospacientescomriscomoderado,1.700fraturas osteoporóticassãoprevenidasparacada 100.000 pacientes--anotratadoscombisfosfonatos.22Portanto,aeficáciadessa classe de fármacos na prevenc¸ão de fraturas osteoporóti-casempacientescomriscomoderadoaaltodeosteoporose superaoriscodefraturasatípicas(fig.1).30
NoBrasil,ondeaConstituic¸ãogaranteoacessouniversala cuidadosdesaúde,apenasoraloxifenoeoalendronatoestão regularmentedisponíveisnosistemapúblicodesaúde.Afim deobterfármacoscomooácidozoledrônicoeateriparatida, ospacientesrecorremaostribunais,obrigamogovernoa for-necerosmedicamentos,oqueperturbaoseuorc¸amentoe prejudicaaspolíticasdesaúde.Assim,érazoávelquestionar arestric¸ãoaousodebisfosfonatos,especialmentequandose consideraosproblemasdefinanciamentoda saúdepública brasileiraeaescassezdefármacosfornecidospelogoverno.
Portanto, dada a potencial gravidade da osteoporose, o baixoriscoabsolutodefraturaatípicaearestric¸ãonaofertade medicamentospelonossosistemapúblicodesaúde,é razoá-velproporo tratamentoemlongoprazocombisfosfonatos paramulherescomosteoporoseeriscomoderadoaaltode fratura.
Comoobjetivodepadronizarotratamentodaosteoporose nosistemapúblicodesaúdebrasileiro,bemcomodereduziro
3.100 1.600
650 78 2
3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0 Fratura osteoporótica grave em
mulheres de alto risco Fratura osteoporótica grave em
mulheres de risco moderado Fratura osteoporótica grave em mulheres de baixo risco Fratura atípica do fêmur (8 anos
bisfosfonatos) Fratura atípica do fêmur (2 anos
bisfosfonatos)
Incidência por 100.000 pessoas-ano Eventos
Figura1–Riscodefraturasosteoporóticasefraturas atípicasdofêmur.
AdaptadodeBrownJPetal.30
fenômenodajudicializac¸ãodasaúde,propõe-sedesenvolver
um protocolo cientificamente fundamentado para o
trata-mentodaosteoporosepós-menopáusica,estabelecercritérios deindicac¸ãoepossibilitarousoracionaldecadaagente far-macológico.
Eficácia
do
tratamento
prolongado
com
bisfosfonatos
Valeapenaexaminarseousoprolongadodebisfosfonatos oferecebenefícios,umavezqueessesmedicamentos acumu-lamnoesqueletoecontinuamaserliberadospormesesaanos depois desuspensootratamento,resultandoemumefeito residualantifratura.31Abaixoestãodescritosalgunsestudos deextensãodotratamentocombisfosfonatos.
AextensãodoestudoFIT(Flex),noqual,apóscinco primei-rosanosareceberalendronato,ospacientesdogrupotratado foramrandomizadospararecebercincoanosamaisde alen-dronatoouplacebo,nãomostroudiferenc¸anoriscodefraturas nãovertebrais efraturasvertebrais morfométricasentreos grupos.Noentanto,demonstrouumriscoreduzidodefraturas vertebraisclinicamenteaparentes(RR:0,45;IC95%:0,24a0,85) empacientesquecontinuaramotratamentopor10anos.32 Éinteressantenotarque,noestudoFLEX,muitasmulheres
só tinham osteopenia eaquelas com um escoreTdo colo
femoral<−3,5foramexcluídas.Issoindicaquepartedelasjá apresentavabaixoriscoenãotinhanecessidadede prolon-garotratamento.Alémdisso,umaanálisesubsequentedos dadosdoestudoFLEXmostrouqueamanutenc¸ãodo alendro-natodurante10anosnosubgrupodemulherescomumescore Tdocolofemoral≤−2,5diminuiuem50%oriscodefraturas nãovertebrais(RR:0,50,IC95%0,26a0,96).33Esses
resulta-dosindicamquealgumasmulheres,especialmente aquelas
comaltoriscodefratura,podemsebeneficiardamanutenc¸ão dotratamentocomalendronatopor10anos.Emoutras pala-vras,aeficáciadotratamentoprolongadodependedorisco defratura,quepodeseravaliado,entreoutrosaspectos,pela densidademineralóssea.
Para investigarosefeitosemlongoprazodoácido zole-drônico,ospacientesqueforamtratadosdurantetrêsanos
no estudo Horizon foram randomizados para receber três
anosadicionaisdeácidozoledrônicoouplacebo.Esseestudo mostrouumareduc¸ãonoriscodefraturasvertebrais morfo-métricas (OR:0,51;p=0,035)como tratamentocontinuado. Esseachadolevouàconclusãodequemuitospacientespodem descontinuar comseguranc¸aamedicac¸ão após ostrês
pri-meiros anos de tratamento, enquanto alguns delespodem
sebeneficiardamanutenc¸ãodoácidozoledrônicopormais 3anos.34
Pode-seconcluirqueasuspensãodosbisfosfonatosapós 3(ácidozoledrônico)a5anos(alendronato)éjustificadapara pacientesque,aofimdesseperíodo,apresentembaixorisco de fratura. Noentanto, aqueles que persistem com escore
T femoral ≤ −2,5 após o início do tratamento devem ter
esse tratamento continuado por até 6 (ácido zoledrônico)
a 10 anos (alendronato). Além disso, apesar da ausência
de recomendac¸õesbaseadasemevidências, éprovávelque
as mulheres com um risco moderado a alto de fraturas
Tfemoraltambémpodemsebeneficiarda manutenc¸ãodo tratamento.
Estudos
de
transic¸ão:
o
que
fazer
no
caso
de
mulheres
que
persistem
com
alto
risco
de
fratura
após
10
anos
de
tratamento
com
bisfosfonatos?
Algumasmulherespersistemcom osteoporosegraveealto
risco de fratura,mesmo após esse tratamento prolongado
com bisfosfonatos, tornando-se candidatas ao tratamento
comoutrosfármacosantiosteoporóticos.Noentanto,os bis-fosfonatossão potentessupressores da remodelac¸ãoóssea etêmaltaafinidadeetempoderetenc¸ãonoosso,inibema renovac¸ãoósseaduranteanosapóssuasuspensão.Portanto, oimpactodatrocaporoutrosmedicamentosdeveser cuida-dosamenteanalisado.35,36
Dadaamaiorpotênciadoácidozoledrônico,McLungetal.37 estudaramoefeitodeumadoseúnicadofármacoem
mulhe-res na menopausa previamente tratadas com alendronato
duranteumperíodomédiode4anos(n=225,46a79anos, escore T da coluna vertebral ou colo femoral ≤ −2,0). A
densidademineralóssea(DMO)permaneceuessencialmente
estávelapós12mesesdealendronatoouácidozoledrônico, semdiferenc¸aentreosgrupos.
O denosumabe, o primeiro fármaco biológico aprovado
paraotratamentodaosteoporose,éumanticorpo monoclo-nalqueseligaaoligantedoreceptordofatornuclearkapaB (RANKL),umacitocinasecretadapelososteoblastos conside-radaessencialparaadiferenciac¸ão,atividadeesobrevivência dososteoclastos,potencialmentereduzareabsorc¸ãoósseae oriscodefraturavertebral(68%),nãovertebral(20%)efemoral (40%).38,39
Doisestudosinvestigaramosefeitosdodenosumabeem pacientespreviamentetratadoscombisfosfonatos.40,41 Ken-dleretal.40analisarampacientestratadoscomalendronato
por uma média de 36 meses (n=504, ≥ 55 anos e escore
T≤−4,0e≥−2,0).Observaramqueatransic¸ãoparao
deno-sumaberesultouemumaumentosignificativamente maior
naDMOdofêmurtotalecolunalombarapós12mesesem
comparac¸ãocomamanutenc¸ãodoalendronato(1,9%versus 1,0%dofêmur total, p<0,0001; 3,0%versus 1,8%da coluna lombar,p<0,0001).
Empacientesqueusaramalendronatoirregularmentepor
umamedianade 20 meses (n=870, ≥55 anos), houve um
aumentosignificativamentemaiornaDMOemtodosossítios
ósseosapós a transic¸ão para denosumabe emcomparac¸ão
comatransic¸ãopararisedronato(fêmurtotal2,0%versus0,5%, colofemoral1,4%versus0%,colunavertebral3,4%versus1,1%, p<0,0001emtodososlocais).41
Odenosumabe e osbisfosfonatos são fármacos antirre-absortivos, mas têm diferentes mecanismos de ac¸ão. Eles diminuemaatividadeesobrevivênciadososteoclastos,mas
a inibic¸ão do RANKL pelo denosumabe também impede a
diferenciac¸ão dessas células.42 Além disso, é possível que
a formac¸ão de osso em um processo independente da
reabsorc¸ão,conhecido comomodelagemóssea,persistaem menorgrauemesqueletosadultosesejapreservadaduranteo tratamentocomdenosumabe.Issofoirecentemente
demons-tradoemmacacoscynomolgustratadoscomdenosumabe.43
A detecc¸ão da fluorescência na superfície endocortical e periosteal refletiu a formac¸ão ósseacontinuada em locais específicos, fora do compartimento trabecular, fornecendo
evidências pré-clínicas para um potencial mecanismo que
podecontribuirparaosefeitosdodenosumabesobreaDMO eriscodefratura.43Odiferentemecanismodeac¸ãopodeser responsávelpeloaumentonamassaósseacausadopelo deno-sumabeemusuáriospréviosdebisfosfonatos.40
Entretanto,quandoaDMOfoianalisadadeacordocomo tempodeusopréviodealendronato,observou-seummaior
aumentonaDMOcomdenosumabenosgrupossubmetidosa
tratamentodedurac¸ãomaiscurtacomalendronato.Issopode serexplicadopelopreenchimentodasunidadesremodelac¸ão óssea durante tratamento antirreabsortivo prévio.40 Essa hipótesetambémpodeexplicaromaiorganhodeDMOcoma teriparatidaempacientesvirgensdetratamento.40
Nessecontexto, valeressaltarqueesses autores
estuda-ram o efeito dodenosumabe emmulheresque receberam
bisfosfonatos porumperíodomáximode4anos, enquanto
napropostadopresenteestudopretende-sejustificarousode outrosfármacosapós10anosdeusodebisfosfonatos.Issoé sugeridocomoumaestratégiaterapêuticaparaarealidadeda saúdepúblicadessepaís.Dadaafaltadeestudosdetransic¸ão
após um curso terapêutico prolongado com bisfosfonatos,
supõe-se quea mudanc¸a paraoutro fármaco antirreabsor-tivopodenãooferecerbenefícioadicionalnessacircunstância específica.
Ao contrário dos fármacos antirreabsortivos discutidos acima,ateriparatida,ofragmento1-34N-terminaldo hormô-nio paratireóideo(PTH),éumagente anabólico(indutorde formac¸ão de osteoblastos)cujaadministrac¸ão intermitente resultaemaumentonaquantidadeeatividadedos osteoblas-tos,causaumrápidoincrementonamassaósseaemelhoraa arquiteturatrabecularecortical.44Éaúnicaclassede
medi-camentos anabólicos atualmente usada no tratamento da
osteoporose. Provocaumareduc¸ãosignificativadorisco de fraturasvertebrais(RR:0,35;IC95%0,22a0,55)enão verte-brais(RR:0,47;IC95%0,25a0,88)emmulheresnamenopausa comfraturasvertebraisprévias(n=1.637),emboraareduc¸ão
nas fraturas de fêmur não tenha sido demonstrada até o
momento.45,46
Umaquestãoimportanteéseotratamento antirreabsor-tivo préviomodificaarespostaanabólicaàteriparatida. Os benefíciosdateriparatidaempacientespreviamenteexpostos afármacosantirreabsortivosduranteperíodosprolongadosde tempoforamtestadosporalgunsautores.47–52
Ettinger etal.47 estudaram oefeito de18 mesesde teri-paratidaemmulherespreviamentetratadascomraloxifeno ou alendronato por18 a36 meses (estudo Eurofors,n=59, 60a87anos,escoreT≤−2,0).Ambososgrupos apresenta-ramaumentoestatisticamentesignificativonosmarcadores de remodelac¸ão óssea(P1NP, FAóssea eosteocalcina)logo nofimdoprimeiromêsdetratamentocomteriparatida,com tendênciaaaumentoadicionalnogrupopreviamentetratado
com raloxifeno.O aumentonaDMOocorreumais
precoce-mentenosusuáriosderaloxifeno,masnofinaldotratamento
observou-se um aumento na DMO da coluna lombar em
(p<0,001).Noentanto,oaumentonaDMOnofêmurtotalfoi significativoapenasemusuáriospréviosderaloxifeno(0,5% emusuáriospréviosderaloxifenoe−1,8%emusuários pré-viosdealendronato,p=0,002).Osautoresconcluíramquea teriparatidaestimulaarenovac¸ãoósseaemmulheres previ-amentetratadascomraloxifenooualendronatopor18a36 meses,emboraaexposic¸ãopréviaaoalendronatoretardea respostadoesqueletoàteriparatida.Esseefeitoretardadona DMOeumarespostamaislimitadaapósousopréviode bis-fosfonatoséprovavelmentedecorrentedaausênciadecélulas alvoparaoefeitoanabólicodateriparatida.Apósalgunsanos detratamentocomumantirreabsortivopotente,arenovac¸ão ósseaextremamentebaixareduz adisponibilidade de pré--osteoblastos, osteoblastos e células de revestimento para seremconvertidosemosteoblastos.35,48
Investigandooriscodefraturasduranteotratamentocom teriparatidaemmulherespreviamentetratadascom bisfosfo-natosduranteumamédiade36meses(estudoEFOS,n=1581), Jakobetal.49observaramumareduc¸ãoprogressivanesserisco analisadaporintervalosde6meses,quepermaneceuevidente mesmoapósasuspensãodateriparatida(reduc¸ãode37%nas fraturasdurante12a18mesesdetratamentocom teripara-tidae76%durante12a18mesesapósasuasuspensão,em comparac¸ãocomos6mesesiniciaisdessetratamento).
Além disso, ensaios clínicos que examinaram a massa
óssea por histomorfometria, tomografia computadorizada
quantitativaperiféricadealtaresoluc¸ão(HR-pQCT)eanálise
de elementos finitosem HR-pQCTmostraram queo efeito
supressordosbisfosfonatos podesercompensadopelo tra-tamentocontinuadocomteriparatida.50–52
Emresumo, esses estudosmostram umaresposta
ana-bólica eficaz à teriparatida após tratamento prévio com
bisfosfonatosduranteumperíodomédiode36meses.
Nova-mente, não há evidências de uso da teriparatida após
tratamentomaisprolongadocombisfosfonatos,comoa estra-tégiaterapêuticapropostapelopresenteestudo.Podehaver
maior atraso e resposta mais limitada dos marcadores de
renovac¸ão óssea e DMO, sendo necessários ensaios clíni-cos para avaliar esse cenário terapêutico. Contudo, dadas asevidênciasdisponíveis, consideramosaceitávelo usode fármacoscomefeitoanabólicoemusuáriospréviosde antir-reabsortivosduranteumperíodoprolongadoque,apósesse tratamento,persistemcomosteoporosegraveeriscode fra-turaelevado.
Protocolo
para
tratamento
farmacológico
da
osteoporose
pós-menopáusica
no
sistema
público
de
saúde
A)Alendronatocomotratamentodeprimeiralinha
Emdecorrênciadavastaexperiênciadeuso,seguranc¸ae efi-cáciaantifratura,osbisfosfonatossãoopilardotratamento daosteoporoseeemgeraldevemserusadoscomofármacos deprimeiralinha(fig.2).Considerandoadisponibilidadede alendronatonoservic¸opúblicode saúdebrasileiro,amaior partedospacientescomindicac¸ãodetratamento farmacoló-gicodevereceberalendronato,teoricamente por5anos,de acordocomasevidênciasapresentadas.
Durante o tratamento, nenhum ensaio clínico
randomi-zado avaliou arelevância da densitometriaóssea emsérie sobreoriscodefratura,masesseexamepodeserútilseusado corretamente.53Portanto,indica-seomonitoramentodo tra-tamentoporavaliac¸ãosequencialdaDMO.Aestabilidadeda massaósseaea ausênciade novasfraturas nosprincipais locaisósseossãoindicadoresdosucessoterapêutico.54Além disso,ademonstrac¸ãodeumdeclíniode25%emrelac¸ãoaos níveisdebasenoC-telopeptídeodeligac¸ãocruzadacom colá-genotipoI(CTX)após3a6mesesdetratamentopodeser usadacomoevidênciaprecocedainibic¸ãonareabsorc¸ãoóssea eboarespostaterapêutica.53,54
Depoisdoscincoprimeirosanosdetratamento, interrom-perotratamentocomalendronatoéadequadoparaamaior partedospacientes.Deve-seconsiderarumperíododedrug holiday(pausanomedicamento)comreavaliac¸ãodoriscode fraturaapós 2ou3anos.Noentanto,asmulherescomum escoreT femoral≤ −2,5 devem ter essetratamento conti-nuado, seconsiderarmos as evidências de benefício nesse subgrupodemulheresencontradaspeloestudoFlex.33Outra considerac¸ãoimportante éseopacienteexperimentou fra-turasosteoporóticasprévias,especialmenteemsítiosósseos principais.Umavezqueessasfraturasaumentam substan-cialmenteoriscofuturodefratura,essespacientestambém devemterotratamentocombisfosfonatoscontinuado.Vale ressaltarque obenefíciosuperao riscodas fraturas femo-raisatípicasnessesgruposdepacientes,bemcomoogrande impactodeumafraturaosteoporóticanamortalidade, qua-lidadedevidaecustosparaosistemade saúde.55 Durante esseperíododetratamentoprolongado,asuspensãodo fár-macodeveserdeterminadapelaavaliac¸ãoperiódicadorisco individualdefratura.
Após 10anosdeusodealendronato,deve-sereavaliaro riscodefraturaosteoporótica.Tendoemvistaaausênciade evidênciasdereduc¸ãonasfraturas eseguranc¸aalémdesse tratamentoemlongoprazo,amanutenc¸ãodosbisfosfonatos podenãoserapropriada.Emseguida,empacientesdebaixo risco, deve-se considerarum drug holidaye descontinuar o alendronato.Noentanto,paraapercentagemnão negligen-ciáveldemulherescomriscoelevadopersistentedefraturas porfragilidade,nãoéaconselhávelinterromperotratamento paraaosteoporose.Asopc¸õessãocontinuarotratamentocom alendronatooumudarparaoutrofármacoantifratura.Nesse
ponto, propõe-seousodeumfármacocommecanismo de
ac¸ãoanabólicoparaessespacientesdealtoriscocom osteopo-rosegravepersistente,emboranãohajaestudosqueavaliem aeficáciadetalabordagem.Oúnicofármacoanabólico dispo-nívelnomercadobrasileiroéateriparatida,aprovadaparao tratamentopor24meses.Emdecorrênciadoseualtocustoe dasevidênciaslimitadasapósumtratamentoantirreabsorc¸ão prolongado,sugere-seoptarporseuusoapenasnosubgrupo demulherescomosteoporosegraveemaiorrisco.
CTx acima da média.a
Bisfosfonatos orais por 5 anos
CTx abaixo da média.a
Bisfosfonatos IV Denosumab Teriparatida
“Drug holiday”
Continuar bisfosfonatos orais por 10 anos
Depois de 10 anos: Interromper bisfosfonatos e reavaliar o risco
“Drug holiday”
Teriparatida
Depois de 5 anos: reavaliar risco
Estabilidade ou
ganho na DMO Perda na DMO ou fratura grave recente
Teriparatida Denosumabe
- T ≤ –3,5 T
- ≤ –2,5 com fratura prévia
Bisfosfonatos IV
T femoral ≤ –2,5 Fraturas por fragilidade prévias Baixo risco de fratura:
Baixo risco de fratura
- Idade ≥ 65 mais - T ≤ –4,0 ou ≥ 2 com fraturas vertebrais pré-existentes - TFG < 30 mL/min
depois de excluir osteodistrofia renal - Doença esofágica grave
Fratura - pré-existente
Raloxifeno
- Osteoporose isolada da coluna vertebral e menopausa recente
Alto risco de fratura T ≤ –3,5
T ≤ –2,5 com fratura prévia
a CTx acima ou abaixo da média para a escala pré-menopausa.
Figura2–Propostaparaotratamentofarmacológicodaosteoporosepós-menopáusicanosistemapúblicodesaúde brasileiro.
B)Pacientesrefratáriosaotratamentocomalendronato
Algunspacientessãoconsideradosrefratáriosaotratamento comalendronato.Issoéverificadoporumdeclíniona densi-dademineralósseaempelomenosduasmedic¸õesseriadasda DMOoupelaocorrênciadenovasfraturasporfragilidadeem sítiosósseosprincipais.54Nessescasos,aavaliac¸ãodaadesão eumabuscaporcausasocultassecundáriasparaa osteopo-rosesãoessenciais.Seaadesãonãopudersermelhoradaefor excluídaosteoporosesecundária,indica-seamudanc¸apara umaterapiaopcional.54
Amaiorpartedas diretrizesdepráticaclínicanão reco-mendaamedic¸ãodemarcadoresdaremodelac¸ãoóssea(MRO)
no manejo da osteoporose, em grande parte porque eles
demonstram umalto grau de variabilidade pré-analítica e analítica.57 Noentanto, elesfornecem umamedida substi-tutadataxaderemodelac¸ãoósseaeháevidênciascrescentes deque sãopotencialmente úteisnadeterminac¸ãodorisco defraturaerespostaaotratamento.57Nãoháreferênciaque apoieasuamedic¸ão paraavaliaro riscode fraturaapós o usoprolongadodebisfosfonatos,masessenãoéocaso. Con-siderando a amplavariac¸ão naqualidade das formulac¸ões àbasede bisfosfonatodisponíveis,bemcomo abaixa ade-sãoao tratamento, os níveisséricosde CTx podem ajudar aidentificarpacientescomelevadaremodelac¸ãoóssea,em quemos bisfosfonatos não exercemseus efeitos.Portanto,
durante o tratamento com bisfosfonatos, uma queda nos
níveisséricosdeCTxabaixode25%dalinhadebaseou,na ausênciadevalorespré-tratamento,umCTxacimadamédia dointervalodereferênciapré-menopáusico,sãoindicativos dereabsorc¸ãoósseaativa.54,58 Portanto,nessecasodefalha
dotratamento,juntamentecomumCTxsuperioràmetade
inferiordointervalopré-menopáusico,atransic¸ãoparaoutros fármacos antirreabsortivos –ácido zoledrônicoou denosu-mabe–seriaindicadaemdecorrênciadaabsorc¸ãocompletae maiorefeitoantirreabsorc¸ão.
Para pacientes que apresentam falha no tratamento
comalendronatoapesardoCTxadequadamentesuprimido,
acredita-sequeoácidozoledrôniconãopossaoferecer
bene-fícios com basenasua faltadesuperioridade na DMOem
mulheres com osteoporose pós-menopáusica previamente
tratadas com alendronato, embora esse efeito tenha sido
demonstrado independentemente da CTX.37 Portanto, em
pacientesqueapresentaramfalhanotratamento,juntamente
com CTxadequadamente suprimido,infere-se queo
deno-sumabeeateriparatidapossamrepresentarosagentesmais adequados.Maisumavez,emrazãodoelevadocustoda teri-paratida,osubgrupomaisgravedemulherescomescoreT≤ −3,5ouescoreT≤−2,5comfraturasanteriorestambémteria indicac¸ãoparaateriparatida.46
Emborasejaimpraticávelavaliarrotineiramenteosníveis de CTx nosistemapúblico desaúde,considera-se quesua medic¸ão,especificamentenoscasosdefalhanotratamento clínico,possaajudarnaescolhadotratamentoalternativo.
C)Usodeoutrosfármacoscomoprimeiraescolha
Porfim,emalgunscenáriosclínicosdeve-seconsiderar
tam-bém a indicac¸ão de outros fármacos como tratamento de
primeiralinha.
femorais, bem como pela sua facilidade de administrac¸ão
e absorc¸ão garantida, pode ser o fármaco de escolha em
todasassituac¸õesemqueosbisfosfonatossãoindicados.No entanto,emdecorrênciadasuaindisponibilidadenosistema desaúdepública,pode-searbitrariamentereservá-loa paci-entescomcontraindicac¸ãoaosbisfosfonatosorais,pacientes comdoenc¸adeesôfagomaisgravesouaquelescomfraturas préviasporteremummaiorriscodenovasfraturas. Estima--sequeaadesãoaotratamentocombisfosfonatosoraisseja inferiora40%em1ano.59
Odenosumabe éo únicomedicamento indicado parao
tratamentodaosteoporoseempacientescomdepurac¸ãoda creatinina<30mL/min.Noentanto,acaracterizac¸ãoda oste-oporoseempacientescomdoenc¸arenalcrônicaécomplexa, requeraexclusãodeosteodistrofiarenalpormeiodeexames laboratoriaise,frequentemente,histomorfometriaóssea.
Oraloxifeno,ummoduladorseletivodoreceptorde
estro-gênio com mecanismo de ac¸ão antirreabsortivo, aumenta
discretamente a DMO e reduz em30% o risco de fraturas
vertebrais,não atuando sobrefraturas não vertebrais e do fêmur.60Emdecorrênciadasuabaixaeficácianareduc¸ãode fraturas,sugere-seseuusoemmulherescomosteoporose iso-ladamentenacolunavertebral,naidadedaperimenopausa.
Porfim,dadaamelhoriarápidanaarquitetura emassa óssea vista em resposta à teriparatida, esse medicamento podeserindicadocomotratamento deprimeira linhapara indivíduosdogrupodealtoriscodefraturas,oqualincluio mesmosubgrupomaisgravedemulherescomescoreT≤−3,5 ouescoreT≤−2,5comfraturaspré-existentes.
Noentanto,devenotar-sequeexisteumaintersecc¸ãonas indicac¸õesdateriparatidaedoácidozoledrônicocomo agen-tesdeprimeiralinhanessaproposta,noquedizrespeitoàs mulherescomfraturasosteoporóticaspré-existentes.Assim, considerando que o benefício da teriparatida na reduc¸ão dorisco de fraturas vertebrais e não vertebrais foi melhor
demonstradoemmulherescommaisde65anoscom
fratu-rasvertebraisprevalentes,45bemcomoconsiderandoomaior riscoatribuídoaoenvelhecimento,defende-seoseuusocomo tratamentode primeiralinha paraessegrupo depacientes commaisde65anoscompelomenosduasfraturasvertebrais pré-existentes,tendoemcontaoseucustomuitomais ele-vado.Emrelac¸ãoàoutraindicac¸ãosugeridadateriparatida paraasmulherescomdensidademineralósseamuitobaixa naausênciadefraturaspré-existentes,acredita-sequeorisco deumarespostainadequadaàterapiaantirreabsortivaé ele-vadoquandoaarquiteturaesqueléticaestámuitofortemente perturbadaeosespac¸osderemodelac¸ãosãoescassos.61Mais umavez,porcausadoaltocustoda teriparatida, arbitrari-amentereloca-seseuusocomo terapiainicial nogrupode mulherescombaixaDMOsemfraturasanteriorespara aque-lascomescoreT≤−4,0.
Conclusão
Oalendronato éum fármacodeprimeira linha apropriado
paraserusadoporcincoanos,comextensãorecomendada
parapacientescomescoreTfemoral≤−2,5persistenteepara aquelescomfraturasporfragilidadeprévias.Nãoháensaios clínicosqueavaliemasdiferentesabordagensapós10anosde
tratamentocombisfosfonatos.Nessemomento,umfármaco
commecanismodeac¸ãoanabólicapodeserapropriadopara ospacientesdealtoriscocomosteoporosegravepersistente. Alémdisso,fármacoscomoodenosumabe,oácido zoledrô-nicoeateriparatidasãoopc¸õesemcasosderefratariedadeao bisfosfonatosorais,bemcomoterapiadeprimeiralinhaem situac¸õesclínicasespecíficas.
Éimportantemencionarque,atualmente,tendoemvista as evidênciaslimitadas, não setêm respostaspara muitas denossasperguntasclínicas,masesterepresentaomelhor conhecimentocientíficodisponívelparaproporcritériospara ousoracionaldotratamentofarmacológicodaosteoporose pós-menopáusicanaesferadasaúdepública.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
r
e
f
e
r
ê
n
c
i
a
s
1.NIHConsensusDevelopmentPanelonOsteoporosis
Prevention,Diagnosis,andTherapy.Osteoporosisprevention, diagnosis,andtherapy.JAMA.2001;285:785–95.
2.PapaioannouA,MorinS,CheungAM,AtkinsonS,BrownJP, FeldmanS,etal.2010clinicalpracticeguidelinesforthe diagnosisandmanagementofosteoporosisinCanada: summary.CMAJ.2010;182:1864–73.
3.DominguezLJ,DiBellaG,BelvedereM,BarbagalloM. Physiologyoftheagingboneandmechanismsofactionof bisphosphonates.Biogerontology.2011;12:397–408. 4.WattsNB,DiabDL.Long-termuseofbisphosphonatesin
osteoporosis.JClinEndocrinolMetab.2010;95:1555–65. 5.OrganizationWH.WorldHealthOrganizationAssessmentof
fractureriskandapplicationtoscreeningforpostmenopausal osteoporosis.Geneva,Switzerland.1994.
6.LibermanUA,WeissSR,BröllJ,MinneHW,QuanH,BellNH, etal.Effectoforalalendronateonbonemineraldensityand theincidenceoffracturesinpostmenopausalosteoporosis.N EnglJMed.1995;333:1437–43.
7.BlackDM,CummingsSR,KarpfDB,CauleyJA,ThompsonDE, NevittMC,etal.Randomisedtrialofeffectofalendronateon riskoffractureinwomenwithexistingvertebralfractures. Lancet.1996;348:1535–41.
8.CummingsSR,BlackDM,ThompsonDE,ApplegateWB, Barrett-ConnorE,MuslinerTA,etal.Effectofalendronateon riskoffractureinwomenwithlowbonedensitybutwithout vertebralfractures:resultsfromtheFractureIntervention Trial.JAMA.1998;280:2077–82.
9.HarrisST,WattsNB,GenantHK,McKeeverCD,HangartnerT, KellerM,etal.Effectsofrisedronatetreatmentonvertebral andnonvertebralfracturesinwomenwithpostmenopausal osteoporosis:arandomizedcontrolledtrial.JAMA.
1999;282:1344–52.
10.McClungMR,GeusensP,MillerPD,ZippelH,BensenWG, RouxC,etal.Effectofrisedronateontheriskofhipfracture inelderlywomen.NEnglJMed.2001;344:333–40.
11.ChesnutCH,SkagA,ChristiansenC,ReckerR,StakkestadJA, HoisethA,etal.Effectsoforalibandronateadministered dailyorintermittentlyonfractureriskinpostmenopausal osteoporosis.JBoneMinerRes.2004;19:1241–9.
postmenopausalosteoporosis:resultsofameta-analysisof phaseIIIstudies.CurrMedResOpin.2008;24:237–45. 13.CranneyA,WellsG,YetisirE,AdamiS,CooperC,DelmasP,
etal.Ibandronateforthepreventionofnonvertebral fractures:apooledanalysisofindividualpatientdata. OsteoporosInt.2009;20:291–7.
14.BlackDM,DelmasPD,EastellR,ReidIR,BoonenS,CauleyJA, etal.Once-yearlyzoledronicacidfortreatmentof
postmenopausalosteoporosis.NEnglJMed. 2007;356:1809–22.
15.SirisES,PasqualeMK,WangY,WattsNB.Estimating bisphosphonateuseandfracturereductionamongUS womenaged45yearsandolder,2001–2008.JBoneMinerRes. 2011;26:3–11.
16.GohS-K,YangK,KohJ,WongM,ChuaS,ChuaD,etal. Subtrochantericinsufficiencyfracturesinpatientson alendronatetherapy:acaution.JBoneJointSurgBr. 2007;89:349–53.
17.AliT,JayRH.Spontaneousfemoralshaftfractureafter long-termalendronate.AgeAgeing.2009;38:625–6. 18.KhoslaS,BurrD,CauleyJ,DempsterDW,EbelingPR,
FelsenbergD,etal.Bisphosphonate-associatedosteonecrosis ofthejaw:reportofataskforceoftheAmericanSocietyfor BoneandMineralResearch.JBoneMinerRes.
2007;22:1479–91.
19.KhanAA,RiosLP,SándorGK,KhanN,PetersE,RahmanMO, etal.Bisphosphonate-associatedosteonecrosisofthejawin Ontario:asurveyoforalandmaxillofacialsurgeons.J Rheumatol.2011;38:1396–402.
20.StopeckAT,LiptonA,BodyJ-J,StegerGG,TonkinK,de BoerRH,etal.Denosumabcomparedwithzoledronicacidfor thetreatmentofbonemetastasesinpatientswithadvanced breastcancer:arandomized,double-blindstudy.JClinOncol. 2010;28:5132–9.
21.KhanAA,MorrisonA,HanleyDA,FelsenbergD,McCauleyLK, O’RyanF,etal.Diagnosisandmanagementofosteonecrosis ofthejaw:asystematicreviewandinternationalconsensus.J BoneMinerRes.2015;30:3–23.
22.ShaneE,BurrD,AbrahamsenB,AdlerRA,BrownTD, CheungAM,etal.Atypicalsubtrochantericanddiaphyseal femoralfractures:secondreportofataskforceofthe AmericanSocietyforBoneandMineralResearch.JBone MinerRes.2014;29:1–23.
23.LenartBA,LorichDG,LaneJM.Atypicalfracturesofthe femoraldiaphysisinpostmenopausalwomentaking alendronate.NEnglJMed.2008;358:1304–6.
24.SchilcherJ,MichaëlssonK,AspenbergP.Bisphosphonateuse andatypicalfracturesofthefemoralshaft.NEnglJMed. 2011;364:1728–37.
25.DellR,GreeneD,OttS,SilvermanS,EisemonE,FunahashiT, etal.Aretrospectiveanalysisofallatypicalfemurfractures seeninalargeCaliforniaHMOfromtheyears2007to2009.J BoneMinerRes.2010;25Suppl1:61.
26.AgênciaNacionaldeVigilânciaSanitária.Alertaterapêutico emfarmacovigilância.Usodebisfosfonatosassociadoao riscodeosteonecrosedemandíbula.SãoPaulo2013. Acessadoem16/01/2016.Disponívelem:http://www.cvs. saude.sp.gov.br/up/ALERTA%20TERAP%C3%8AUTICO%2011 %20Bisfosfonatos.pdf.
27.USFoodandDrugAdministrationFDADrugSafety Communication:safetyupdateforosteoporosisdrugs, bisphosphonates,andatypicalfractures.SilverSpring,MD: USFoodandDrugAdministration2010.Acessadoem 16/01/16.Disponívelem:www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ ucm229009.htm.
28.EuropeanMedicinesAgency.EuropeanMedicinesAgency concludesclassreviewofbisphosphonatesandatypical fractures.Rareatypicalfracturesofthefemur:aclasseffect
ofbisphosphonates.London2011.Acessadoem16/01/16. Disponívelem:http://www.ema.europa.eu/ema/index.jsp? curl=pages/newsandevents/news/2011/04/newsdetail
001245.jsp&mid=WC0b01ac058004d5c1. 29.WangZ,BhattacharyyaT.Trendsinincidenceof
subtrochantericfragilityfracturesandbisphosphonateuse amongtheUSelderly,1996–2007.JBoneMinerRes. 2011;26:553–60.
30.BrownJP,MorinS,LeslieW,PapaioannouA,CheungAM, DavisonKS,etal.Bisphosphonatesfortreatmentof osteoporosisExpectedbenefits,potentialharms,anddrug holidays.CanFamPhysician.2014;60:324–33.
31.PapapoulosSE,CremersSC.Prolongedbisphosphonate releaseaftertreatmentinchildren.NEnglJMed. 2007;356:1075–6.
32.BlackDM,SchwartzAV,EnsrudKE,CauleyJA,LevisS, QuandtSA,etal.Effectsofcontinuingorstopping alendronateafter5yearsoftreatment:theFracture
InterventionTrialLong-termExtension(FLEX):arandomized trial.JAMA.2006;296:2927–38.
33.SchwartzAV,BauerDC,CummingsSR,CauleyJA,EnsrudKE, PalermoL,etal.Efficacyofcontinuedalendronatefor fracturesinwomenwithandwithoutprevalentvertebral fracture:theFLEXtrial.JBoneMinerRes.2010;25:976–82. 34.BlackDM,ReidIR,BoonenS,Bucci-RechtwegC,CauleyJA,
CosmanF,etal.Theeffectof3versus6yearsofZoledronic acidtreatmentofosteoporosis:Arandomizedextensionto theHORIZON-PivotalFractureTrial(PFT).JBoneMinerRes. 2012;27:243–54.
35.ChavassieuxPM,ArlotME,RedaC,WeiL,YatesAJ,
MeunierPJ.Histomorphometricassessmentofthelong-term effectsofalendronateonbonequalityandremodelingin patientswithosteoporosis.JClinInvest.1997;100:1475. 36.ToninoRP,MeunierPJ,EmkeyR,Rodriguez-PortalesJA,
MenkesC-J,WasnichRD,etal.SkeletalBenefitsof Alendronate:7-YearTreatmentofPostmenopausal OsteoporoticWomen1.JClinEndocrinolMetab. 2000;85:3109–15.
37.McClungM,ReckerR,MillerP,FiskeD,MinkoffJ,KriegmanA, etal.Intravenouszoledronicacid5mginthetreatmentof postmenopausalwomenwithlowbonedensitypreviously treatedwithalendronate.Bone.2007;41:122–8.
38.CummingsSR,MartinJS,McClungMR,SirisES,EastellR, ReidIR,etal.Denosumabforpreventionoffracturesin postmenopausalwomenwithosteoporosis.NEnglJMed. 2009;361:756–65.
39.PapapoulosS,RouxC,BoneH,DakinP,CzerwinskiE,FreyD, etal.Denosumabtreatmentinpostmenopausalwomenwith osteoporosisforupto9years:resultsthroughyear6ofthe freedomextension.OsteoporosInt.2015;26:S37–9. 40.KendlerDL,RouxC,BenhamouCL,BrownJP,LillestolM,
SiddhantiS,etal.Effectsofdenosumabonbonemineral densityandboneturnoverinpostmenopausalwomen transitioningfromalendronatetherapy.JBoneMinerRes. 2010;25:72–81.
41.RouxC,HofbauerL,HoP,WarkJ,ZillikensM,
Fahrleitner-PammerA,etal.Denosumabcomparedwith risedronateinpostmenopausalwomensuboptimally adherenttoalendronatetherapy:efficacyandsafetyresults fromarandomizedopen-labelstudy.Bone.2014;58:48–54. 42.HofbauerLC,SchoppetM.Clinicalimplicationsofthe
osteoprotegerin/RANKL/RANKsystemforboneandvascular diseases.JAMA.2004;292:490–5.
44.ReginsterJ-Y,TaquetA,FraikinG,GossetC,ZegelsB. Parathyroidhormoneinthetreatmentofinvolutional osteoporosis:backtothefuture.OsteoporosInt.1997;7: 163–8.
45.NeerRM,ArnaudCD,ZanchettaJR,PrinceR,GaichGA, ReginsterJ-Y,etal.Effectofparathyroidhormone(1-34)on fracturesandbonemineraldensityinpostmenopausal womenwithosteoporosis.NEnglJMed.2001;344:1434–41. 46.HodsmanAB,BauerDC,DempsterDW,DianL,HanleyDA,
HarrisST,etal.Parathyroidhormoneandteriparatideforthe treatmentofosteoporosis:areviewoftheevidenceand suggestedguidelinesforitsuse.EndocrRev.2005;26:688–703. 47.EttingerB,MartinSJ,CransG,PavoI.Differentialeffectsof
teriparatideonBMDaftertreatmentwithraloxifeneor alendronate.JBoneMinerRes.2004;19:745–51. 48.JilkaRL,WeinsteinRS,BellidoT,RobersonP,ParfittAM,
ManolagasSC.Increasedboneformationbypreventionof osteoblastapoptosiswithparathyroidhormone.JClinInvest. 1999;104:439–46.
49.JakobF,OertelH,LangdahlB,LjunggrenO,BarrettA,KarrasD, etal.Effectsofteriparatideinpostmenopausalwomenwith osteoporosispre-treatedwithbisphosphonates:36-month resultsfromtheEuropeanForsteoObservationalStudy.EurJ Endocrinol.2012;166:87–97.
50.StepanJ,BurrD,LiJ,MaY,PettoH,SiposA,etal. Histomorphometricchangesbyteriparatidein alendronate-pretreatedwomenwithosteoporosis. OsteoporosInt.2010;21:2027–36.
51.GraeffC,TimmW,NickelsenTN,FarreronsJ,MarínF, BarkerC,etal.MonitoringTeriparatide-AssociatedChanges inVertebralMicrostructurebyHigh-ResolutionCTInVivo: ResultsFromtheEUROFORSStudy.JBoneMinerRes. 2007;22:1426–33.
52.GraeffC,ChevalierY,CharleboisM,VargaP,PahrD,
NickelsenTN,etal.Improvementsinvertebralbodystrength underteriparatidetreatmentassessedinvivobyfinite
elementanalysis:resultsfromtheEUROFORSstudy.JBone MinerRes.2009;24:1672–80.
53.LewieckiE,WattsN.Assessingresponsetoosteoporosis therapy.OsteoporosInt.2008;19:1363–8.
54.Diez-PerezA,AdachiJ,AgnusdeiD,BilezikianJ,CompstonJ, CummingsS,etal.Treatmentfailureinosteoporosis. OsteoporosInt.2012;23:2769–74.
55.McClungM,HarrisST,MillerPD,BauerDC,DavisonKS, DianL,etal.Bisphosphonatetherapyforosteoporosis: benefits,risks,anddrugholiday.AmJMed.2013;126:13–20. 56.LindsayR,SilvermanSL,CooperC,HanleyDA,BartonI,Broy
SB,etal.Riskofnewvertebralfractureintheyearfollowinga fracture.JAMA.2001;285:320–3.
57.AdlerRA,FuleihanGEH,BauerDC,CamachoPM,ClarkeBL, ClinesGA,etal.Managingosteoporosisinpatientson long-termbisphosphonatetreatment:reportofateskforceof theAmericanSocietyforBoneandMineralResearch.JBone MinerRes.2016;31:16–35.
58.VasikaranSD,ChubbSP.Theuseofbiochemicalmarkersof boneturnoverintheclinicalmanagementofprimaryand secondaryosteoporosis.Endocrine.2016;52:222–5. 59.ModiA,SirisES,TangJ,SenS.Costandconsequencesof
noncompliancewithosteoporosistreatmentamongwomen initiatingtherapy.CurrMedResOpin.2015;31:757–65. 60.EttingerB,BlackDM,MitlakBH,KnickerbockerRK,
NickelsenT,GenantHK,etal.Reductionofvertebralfracture riskinpostmenopausalwomenwithosteoporosistreated withraloxifene:resultsfroma3-yearrandomizedclinical trial.JAMA.1999;282:637–45.