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ÍNDICE

INTRODUÇÃO ... 3

Contextualização ... 3

Justificativa... 4

Relevância do tema ... 4

Objectivos... 5

Problematização ... 5

Metodologia ... 6

Estrutura do Trabalho ... 6

CAPÍTULO I - ABORDAGEM CONCEPTUAL DO TEMA ... 7

1.1. Perspectiva Histórica ... 7

1.2. Conceito ... 9

1.3. Características do Capital de Risco ... 11

1.4. Capital de Risco e o Processo de Internacionalização ... 12

1.5. Vantagens do Investimento em Capital de Risco ... 15

1.6. Tipos de Investidores em Capital de Risco ... 18

1.7. As Formas de Investimento das Entidades de Capital de Risco ... 21

1.8. Mecanismos de Saída (Exit) ou Desinvestimento dos Venture Capitalists/Privat Equity ... 24

1.9. A avaliação no processo de decisão de um investimento de Capital de Risco .... 26

1.9.1. O plano de negócios ... 27

1.9.1.1. O seu contexto no capital de risco ... 28

1.9.1.2. Um plano de negócio vitorioso ... 30

1.9.1.3. Riscos envolvidos nos Investimentos de Capital de Risco ... 31

(2)

1.10. Instrumentos fundamentais nas operações de capital de risco: Acordos Para-

Sociais e Acções Preferenciais ... 33

1.10.1. Acordos Para-Socias ... 33

1.10.2. Acções Preferenciais ... 36

1.11. Projecto de Investimento enquanto instrumento de captação dos fundos de Capital de Risco ... 37

1.12. O Capital de Risco e as PMEs de base tecnológica ... 41

CAPITULO II – ENQUADRAMENTO DO CAPITAL DE RISCO NA ECONOMIA INTERNACIONAL ... 45

2.1. O Sistema Financeiro Internacional ... 45

2.2. Capital de Risco nos EUA ... 46

2.3. Capital de Risco na Europa ... 49

CAPÍTULO III - ENQUADRAMENTO DO CAPITAL DE RISCO NA ECONOMIA CABO – VERDIANA ... 52

3.1. Sistema Financeiro Nacional ... 52

3.2. Capital de Risco em Cabo Verde ... 53

CAPITULO IV – CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ... 63

Conclusão ... 63

Recomendações ... 64

BIBLIOGRAFIA ... 66

ANEXO – Contrato de Accionista ... 70

APÊNDICE – Inquérito e modelo de Entrevista aplicado ... 71

(3)

INTRODUÇÃO

Contextualização

Nesta conjuntura que vivemos, o capital de risco como alternativa de financiamento cresce de importância e poderá ter um papel mais profundo do que alavancador de projectos.

O processo de globalização fomenta o aumento da competição e, com isso, a necessidade de desenvolver novos produtos e serviços com tecnologias mais arrojadas.

Dentro deste cenário, torna-se necessário que as PMEs tenham investimento a baixo custo que proporcione a viabilidade de uma produção em maior escala e consigam, com isso competir de forma mais estruturada.

Segundo Gonçalo Pereira Coutinho, “a actual conjuntura económica determina um aumento das necessidades de financiamento das empresas através de capitais próprios em detrimento de capital alheio. Nesse sentido favorece claramente o crescimento do peso dos capitais próprios na estrutura financeira das empresas, sendo o capital de risco uma boa opção” (cf. Franchising e Empreendedorismo, 2009).

As PMEs e os empreendedores enfrentam grandes dificuldades de obter um capital barato e que possa viabilizar a alavancagem financeira, principalmente para estes últimos que contam apenas com o “capital conhecimento”.

Segundo Titericz apud Pinto, a capacitação, através do capital de risco, vem tornando

uma alternativa importante para que os empreendedores consigam recursos financeiros

para viabilizarem a abertura de suas empresas e ampliarem suas linhas de produto.

(4)

Justificativa

Pretende-se, com o desenvolvimento desse tema, conhecer um pouco melhor a perspectiva histórica, a situação actual e as perspectivas futuras do capital de risco, recurso muito utilizado nos dias de hoje, devido ao seu baixo custo.

Tendo em conta que 90% do tecido empresarial cabo-verdiano é formado pelas Pequenas e Médias Empresas; considerando que os bancos, embora com excesso de liquidez, mostram-se pouco propensos em financiar projectos a 100%, capacidades e ideias credíveis e sustentáveis, justifica-se, portanto, a abordagem a esta temática.

Assim sendo, é fundamental que se tenha e se conheçam outras fontes alternativas de financiamento. Um outro motivo que justifica a realização deste trabalho, prende-se com a pouca divulgação deste produto financeiro e mesmo a inexistência de um estudo aprofundado deste tema em Cabo Verde. Tendo em vista que o país está ávido por inovação empresarial, principalmente nas áreas de tecnologia de informação, e reforçar o seu estatuto de pais de desenvolvimento médio, havendo necessidade de exploração de todos os recursos de modo a rentabiliza-lo, justifica-se esta discussão em torno do capital de risco.

Relevância do tema

Este estudo poderá contribuir para algumas reflexões e incentivar a divulgação desta

modalidade de financiamento e, ainda levar ao conhecimento dos eventuais leitores

deste trabalho aspectos importantes relacionados com o capital de risco como uma

alternativa de financiamento. Poderá despertar ainda a atenção pela lacuna que existe

entre os empreendedores e os financiadores, nomeadamente para projectos de alto risco.

(5)

Objectivos

Objectivo Geral

Com a realização deste trabalho pretendeu-se, em termos gerais, entender a génese e o percurso histórico das actividades do capital de risco no mundo e em Cabo Verde.

Objectivos Específicos:

Em termos específicos, os objectivos pretendidos foram:

• Analisar o funcionamento e sucesso deste instrumento a nível internacional;

• Identificar aspectos da cultura empresarial nacional que ajuda ou dificulta a Entrada do instrumento Capital de Risco nos países;

• Identificar ou evidenciar Capital de Risco como fonte de financiamento em Cabo Verde;

• Analisar os impactos da entrada de Capital de Risco no sistema financeiro cabo- verdiano;

• Propor medidas que venham a facilitar a penetração do produto Capital de Risco no país.

Problematização

Na base deste trabalho está a preocupação em descobrir o que é que explica o surgimento do CR em Cabo Verde. Entretanto, para compreender a sua chegada a este país é necessário, em primeiro lugar, entender a sua origem no mundo. Assim, duas questões de partida serviram como orientadoras dessa pesquisa:

• Em primeiro lugar, procurei desvendar o que impulsionou a criação do fundo de capital de risco e quais são os projectos mais atractivos para entidades viradas para essa área de actuação?

• Uma segunda pergunta, mais virada para a realidade cabo-verdiana, busca

explicações para a não penetração do instrumento financeiro Capital de risco no

tecido empresarial nacional.

(6)

Tais perguntas impulsionaram essas pesquisas no sentido de encontrar possíveis soluções. Para tal, formulei as seguintes hipóteses: pode o Capital de Risco constituir-se em uma alternativa viável de financiamento, oferecendo melhor garantia de rendibilidade às Pequenas e Médias Empresas, se comparado com as outras modalidades de financiamento! A entrada deste produto no sistema financeiro nacional pode ter impactos positivos.

Metodologia

Para aferir da viabilidade das hipóteses formuladas, procedi a um exaustivo levantamento de bibliografia sobre este tema, para dar conta do seu surgimento a nível global, da função do capital de risco e suas perspectivas futuras, quer no mundo, como em Cabo Verde. Como a sua implementação em Cabo Verde é ainda incipiente e faltam bibliografias sobre esta matéria, porque não abundam estudos acerca, tive que recorrer a inquéritos junto a técnicos que trabalham em instituições financeiras cabo-verdianas.

Ainda apoiei-me nas modernas tecnologias, designadamente, através de pesquisas na Internet.

Foi dirigido um inquérito a participadas de A PROMOTORA, SA e a Câmara de Comércio de Sotavento. Ainda foi efectuada entrevista em que o público-alvo foram técnicos dos Bancos da Praça e a única participante existente no país.

Estrutura do Trabalho

Para alcançar os objectivos traçados, o trabalho foi estruturado em 4 capítulos a seguir indicados:

• Capitulo I: Abordagem conceptual do tema;

• Capitulo II: Enquadramento do Capital de Risco na economia Internacional;

• Capitulo III: Enquadramento do Capital de Risco na economia Cabo – Verdiana;

• Capitulo IV: Principais conclusões e Recomendações.

(7)

CAPÍTULO I - ABORDAGEM CONCEPTUAL DO TEMA

1.1. Perspectiva Histórica

A realização deste trabalho obriga-me, para uma melhor compreensão do tema em estudo, a fazer uma reflexão teórica em torno do conceito do Capital de Risco, de modo a poder explicar a sua implantação no mercado cabo-verdiano. Entretanto, antes de entrar propriamente na definição deste conceito, é necessário fazer um enquadramento histórico que permite entender o surgimento, evolução e a chegada desta entidade financeira ao mercado cabo-verdiano.

Assim, com base no Guia Prático do Capital de Risco, pode-se constatar que os primeiros antecedentes dos investimentos em capital de risco surgiram ainda no século XV, quando as primeiras expedições marítimas eram financiadas com expectativa nos lucros decorrentes, mas com grande risco de perda do investimento.

Outro período relevante para o crescimento do capital de risco, enquanto actividade económica, foi no século XVIII, em Inglaterra, produto da Revolução Industrial e do ambiente propício aos investimentos em projectos fabris emergentes com elevado potencial de rendibilidade, quando mercadores, armadores e os primeiros industriais da tecelagem procuravam apoio financeiro ocasional para os seus projectos junto de indivíduos abastados.

Esses indivíduos abastados, hoje designados de business angels, continuam a fazer parte fundamental da indústria de capital de risco.

As primeiras operações de capital de risco, na forma como conhecemos hoje, têm as

suas origens nos EUA, em meados da década de 40 do século XX.

(8)

De acordo com o Guia Prático, a primeira sociedade de investimentos em capital de risco foi criada em 1946, a American Research & Development, um fundo de capital de risco gerido por profissionais dedicado a realizar investimentos de alto risco, com o objectivo especifico de adquirir participações em pequenas e médias empresas inovadoras.

Embora informal, esta forma alternativa de financiamento, foi se desenvolvendo até atingir o estatuto de indústria nas décadas de 70 e 80 do século passado.

Ainda de acordo com a mesma fonte, perante o potencial deste projecto, o governo norte-americano criou a Small Business Investiments Companies Administration (SBICA) que, ao gerir um conjunto de benefícios fiscais e de créditos bonificados, permitiu o desenvolvimento da indústria capital de risco.

Os EUA continuam até agora a liderar a mobilização de fundos de capital de risco com uma grande disparidade em relação a Inglaterra, outro país também bastante evoluído nesta matéria.

A história de como as pequenas empresas atraem investimentos ou capital de risco de que precisam para sobreviver e depois para crescer, vale-se de uma cultura que valoriza o optimismo e o risco, políticas de governo abrangentes e favoráveis a investimentos, bem como na energia e no entusiasmo do empresário individualmente. Como os Estados Unidos não têm o monopólio sobre essas características, parece provável que histórias ligadas a investidores e capital de risco e a empresários de alta tecnologia cada vez mais serão um fenómeno global compartilhado (cf. Capital de Risco).

Autores como Francisco Banha, que desenvolveram estudos sobre o capital de risco, deixam dicas sobre esta matéria. Em o “Manual de Capital de risco”, Banha diz que:

“(…) no já distante ano de 1968, quando os cientistas Robert Noyce e Gordon Moore

deixaram a empresa FAIRCHILD – a maior accionista na época da IMB – para

constituírem a INTEL, dirigiram-se a um inteligente financiador, chamado Arthur Rock,

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para os ajudar a financiar os seus projectos. Arthur Rock elaborou um business plan de duas páginas e angariou 2,5 milhões de dólares. A INTEL se tornou uma das mais omnipresentes e influentes empresas a nível mundial, bem como se pode dizer que faz parte da história de alta tecnologia” (p.p. 145, 146).

Hoje em dia, de acordo com o autor acima citado, é comum assistirmos ao abandono de jovens brilhantes, com especialização em engenharia, entre outras, de empresas mundialmente reconhecidas para criarem os seus próprios empreendimentos. O que Gordon Moore (actual presidente da INTEL) e o seu amigo fizeram foi totalmente fora do contexto conservador que caracterizava o ambiente empresarial dos EUA. No entanto, como faz ver Banha, a inexistência de um sistema de financiamento lógico que permitisse avançar com uma ideia e transformá-la numa empresa, fez com que o êxito obtido pela intervenção de Arthur Rock fosse decisivo para validar a perspectiva ao recurso a capital de risco para financiamento de start-ups de alta tecnologia, e considerá-lo, hoje em dia, o “Pai” do Venture Capital que todos conhecemos.

Como se pode perceber, o surgimento do capital de risco está profundamente ligado à liberalização dos mercados financeiros, que demandou o alargamento das fontes alternativas de financiamento. Assim, o capital de risco surge como uma das alternativas de financiamento dinamizador da economia, constituindo o factor chave do empreendedorismo e do processo de criação e viabilização das pequenas e médias empresas, principalmente as de base tecnológicas.

1.2. Conceito

Sobre o conceito de capital de risco existe um conjunto de formulações, mais ou menos

consensual, que permite entender a importância deste instrumento para a dinâmica do

mercado.

(10)

A partir do Guia Prático, define-se a indústria capital de risco como uma fonte de investimento empresarial, com o objectivo de financiar empresas, apoiando o seu desenvolvimento e crescimento, com fortes reflexos na gestão.

Citando ainda a mesma fonte, pode-se dizer o capital de risco é uma das principais fontes de financiamento para jovens empresas, Start-Up´s e investimentos de risco com elevado potencial de rentabilização. É um magnífico instrumento de desenvolvimento empresarial.

Para além da definição legal, o capital de risco, também é chamado de capital de investimento, capital de desenvolvimento, venture capital e private equity na versão, inglesa (Carlos, 2004, p. 4).

Capital de risco é uma técnica, modalidade ou forma de investimento que se caracteriza pela existência de um investidor profissional, ou seja, aquele que investe em empresas com elevado potencial de crescimento, através da aquisição de participações no capital social de outras empresas, geralmente com objectivo de obter dentro de um horizonte de médio e longo prazo mais-valias decorrentes do seu investimento (cf. Portal do Empreendedor).

Para Garcez, CR consiste em investimento na forma de participação accionaria relevante porém minoritária (podendo chegar 40% do capital total), por investidores individuais ou institucionais, a empresas emergentes de pequeno ou médio porte para um produto, processo ou serviço inovador, de grande potencial de crescimento e rentabilidade associado a altos níveis de risco, por um prazo de 5 a 10 anos em geral, em que os investidores esperam obter lucros na forma de ganhos de capital.

Para Neto, O capital de risco constitui uma alternativa interessante para capitalizar

Pequenas e Médias Empresas (PMEs), em especial pela dificuldade que estas encontram

na fase de desenvolvimento e crescimento.

(11)

1.3. Características do Capital de Risco

A indústria de capital de risco caracteriza – se como uma fonte de apoio financeiro e gerencial às pequenas e médias empresas de base tecnológica e/ou empreendimentos com forte potencial de crescimento e rentabilidade. Constitui-se em participações temporárias (frequentemente 3, 5 ou 10 anos), minoritárias e sem qualquer garantia real, com objectivo de obter mais-valia significativa na ocasião de desinvestimento (Geranegócio, sd, p.3). Ainda segundo a mesma fonte, o seu objectivo é buscar retorno acima da média de mercado, aceitando, para isso, um maior nível de risco, com prazo de aplicação girando em torno de sete anos.

Caracteriza-se, como refere a citada fonte, como instrumento eficaz na concretização de iniciativas empresariais especialmente no domínio das novas tecnologias, uma vez que neste tipo de negócio as empresas necessitam de investimentos financeiros adequados ao seu rápido crescimento e desenvolvimento, transformando-se em parceiro do negócio, com todas as vantagens e riscos inerentes ao projecto. Pode-se destacar algumas características básicas deste instrumento financeiro:

- Não exigir o pagamento de quaisquer encargos financeiros;

- Ter um papel de interlocutor activo;

- Promover o apoio a jovens empresários automotivados;

- Criar e manter uma parceria com o empresário;

- Promover a criação de uma grande confiança entre as partes envolvidas no negócio.

Ao contrário das formas tradicionais de financiamento, o Capital de Risco assume, de

acordo com guia prático de CR, integralmente os desafios do mercado, ao não ser

recompensado pelos juros do capital investido mas sim pelo sucesso da empresa

financiada.

(12)

O investimento em capital de risco dirige-se a novos projectos empresariais e a empresas não cotadas em mercado de bolsa, e parte substancial da mais-valia gerada será resultado da venda posterior da participação (HIGH-TECH, p.1).

1.4. Capital de Risco e o Processo de Internacionalização

Nos últimos 20 anos, a evolução da economia mundial é marcada pela globalização dos mercados e internacionalização das empresas, quando as empresas começaram a cruzar fronteiras e a se instalarem em mercados estrangeiros. Esse fenómeno as obrigou a procederem a alterações no que tange ao seu posicionamento competitivo, de forma a enfrentarem os desafios do século XXI. Hoje é fundamental que as empresas percebam esta tendência, de modo a poderem definir estratégias competitivas, que lhes permitam sobreviver num contexto global, mesmo que a sua missão não tenha em consideração a presença física em mercados internacionais.

Grande parte das empresas recorre, essencialmente, ao crédito bancário para financiar o seu desenvolvimento, apresentando, consequentemente, um baixo grau de capitalização.

Tal fragilidade é potenciada pela insuficiência dos recursos empresariais dinâmicos, tais como gestores, quadros técnicos e trabalhadores especializados, provocando que as empresas se encontrem, de uma forma geral, subdimensionadas e pouco orientadas para factores de competitividade.

O processo de internacionalização, de acordo com Carvalho, requer da parte das

empresas e dos seus gestores algumas características: têm que ser competitivas no

mercado doméstico, há que compreender as culturas locais, fomentar a dimensão e

sustentabilidade de recursos económicos. As empresas devem pautar por uma estrutura

accionista estabilizada e com elevada participação de capitais próprios, sendo que isto

lhes permite solidificar a fase de aprendizagem. Na perspectiva de Carvalho têm que ser

pró-activas, surpreendentes, e conquistar o nicho do mercado com destaque a nível de

inovação e qualidade. O desenvolvimento de parcerias de ganho mútuo, formais,

(13)

informais, inovadoras, com os seus stakholders

1

, permite-lhes mitigar riscos e alavancar as capacidades e competências. A estratégia nacional de internacionalização precisa estar associada a condições macroeconómicas favoráveis, conforme Lacerda.

Para Faria e Santos, a ampliação da actuação das empresas para além dos limites de seus territórios de origem e o próprio acirramento das disputas internas forçam-nas a se depararem com novos parâmetros de concorrência (2006, p.104).

O apoio do capital de risco nos processos de internacionalização reveste-se de especial significado, como mostra A Promotora, já que reforça a estrutura financeira da empresa, reduz o risco pela sua partilha e ainda é um parceiro de gestão útil pelo rigor das metodologias, experiência de actuação e rede de contactos internacionais detida.

Citando a mesma fonte, o apoio de gestão que o capital de risco pode/deve efectuar, em termos de processo de internacionalização das empresas, passa, antes de mais, pela participação na análise das oportunidades e ameaças versus pontos fortes e fracos da empresa e na análise “cadeia de valor” da empresa e dos factores críticos de sucesso do negócio, de uma forma dinâmica. Tal permitirá efectuar uma abordagem sistémica do processo de definição de uma estratégia, que incorpore a vertente internacional, permitindo definir necessidade/oportunidade de entrada no mercado internacional.

As análises feitas até aqui permitem perceber um conjunto de vantagens advenientes da internacionalização empresarial. Apoiando na mesma fonte (p.6), destaco as seguintes:

- Ultrapassagem do limite de crescimento do mercado nacional;

- Oportunidade de desenvolvimento, por contacto com clientes mais exigentes e concorrentes mais evoluídos;

- Aproveitamento de economias de escala e optimização da utilização das capacidades produtivas;

1 Todos aqueles que se relacionam com a empresa e tem um interesse directo ou indirecto na sua existência: clientes, accionistas, fornecedores, bancos, estado, etc.

(14)

- Criação de imagem;

- Acesso a factores de vantagem competitiva;

- Diversificação do risco.

A competitividade resultante da contínua globalização, onde a variável tempo ganha relevante papel e a variável espaço é remetido a um plano marginal, a não participação de uma empresa em mercados externos não significa capacidade de concorrência local, mas sim fraqueza de posicionamento e exposição à concorrência internacional. A competitividade a este nível impõe a formação, quer a nível nacional e quer internacional, de alianças que minimizem a escassez de recursos (humanos, financeiros, materiais e outros) e reforcem as capacidades intrínsecas das organizações.

Como enfatizam estudos sobre internacionalização das pequenas e médias empresas, a opção de internacionalizar dá-se normalmente em uma etapa posterior ao processo de criação, ou seja, a empresa não nasce com ambição de exportar. De acordo com Carvalho, investir no estrangeiro deve ser uma etapa do processo de crescimento da empresa. Já Ovatt e Mc Dougall (1995) defendem um ponto de vista diferente. Para estes autores, algumas empresas já nascem com a ambição de ser global. A oportunidade de negócio visualizada transborda as fronteiras do país, sede da empresa.

Muitas vezes, para viabilizar esse negócio as empresas têm que, necessariamente, desde muito cedo, estabelecer contactos com clientes, fornecedores e parceiros no exterior.

No entender de Faria e Santos, estudos com abordagem behaviorista e incremental, vêm

a entrada das empresas no mercado externo como um processo gradativo, de

aprendizagem, no qual quanto mais houver redução da percepção do risco da actividade

que se dá com o conhecimento do mercado adquirido, mais recursos são investidos.

(15)

1.5. Vantagens do Investimento em Capital de Risco

O capital de risco ao assumir a forma de participação no capital social da empresa, reforça a sua autonomia financeira. E como capital social não há lugar a garantias, reembolso ou pagamento de encargos com juros, que ocorreria se o financiamento fosse feito por recurso ao crédito. Facilita-se assim a expansão da empresa e a consequente criação de mais-valia, que é um dos objectivos dos capitalistas de risco.

As empresas apoiadas pelo capital de risco conhecem resultados significativos, se comparadas com as que enveredam por outras formas de financiamento, conforme mostra a experiência internacional. Assim, apresentam benefícios tanto pela injecção de capitais como pelo aconselhamento à gestão e que reflectem-se da seguinte forma:

- Financeiramente, através de um planeamento financeiro e da optimização das fontes e custos, preparando a empresa para o acesso ao mercado de capitais;

- Através de uma estratégia empresarial adequada à rápida evolução no meio contextual;

- Estabelecendo contactos através de sua rede, nacional e internacional, com o objectivo de direccionar a empresa para o desenvolvimento de contactos comerciais, a transferência de tecnologia, entre outras.

Outro benefício do capital de risco resulta do apoio técnico prestado às empresas

participadas. Tal apoio produz efeito nos diferentes níveis da participada, que vai desde

a racionalização dos recursos internos à potencialização do relacionamento com o meio

transaccional, passando pelas sinergias resultantes da intervenção numa diversidade de

empresas; pela abertura de oportunidades comerciais internacionais e criação de joint-

venture. O apoio que os investidores profissionais fornecem, conforme realça Correia,

(16)

não são só os fundos necessários, como também enviam sinais de credibilidade aos Stakeholders da empresa.

O capital de risco, segundo A Promotora, é adequado a um leque amplo de destinatários: tanto os que estão na fase de concretização de projectos, com elevado potencial de retorno, complementando os recursos próprios escassos dos promotores, como para as empresas existentes, preferencialmente as de base tecnológica em início de actividade, transformação ou expansão proporcionando-lhes meios financeiros e técnicos, apoiando o seu crescimento e desenvolvimento ganhando estabilidade. Ainda proporciona às empresas e empreendedores o capital de conhecimento, resultante do know-how do negócio, redes de contactos nacionais e internacionais, capacidade de conseguir aprender a obter a vantagem económica da quantidade crescente de informações.

No entanto, segundo algumas fontes, como Geranegócio, é no fazer a comparação das diferenças comportamentais entre o CR e o crédito bancário que se notam as principais vantagens do CR, como se pode constatar no quadro seguinte:

Quadro 1

Comparação das diferenças comportamentais entre CR e FT Vantagens do CR se comparado com financiamento tradicional (crédito bancário)

Características CR Crédito Bancário

Tempo de aplicação Médio e longo prazo De curto prazo a longo prazo

Dedicação e Assistência

A dedicação é total durante a permanência no negócio, tornando-se um verdadeiro parceiro, que partilha riscos e

recompensas, com

aconselhamento e apoio de gestão com vista a auxiliar ao sucesso

A única dedicação é no

sentido de resguardar-se caso

empréstimo esteja em risco, e

não haja possibilidade do

cumprimento da dívida. A

disponibilidade de assistência

varia consideravelmente com

as diferentes entidades.

(17)

Actividade

Disponibiliza uma base de capital flexível, adequada às

necessidades de

desenvolvimento e

crescimento da empresa.

É uma boa fonte de financiamento se a empresa possuir um plano pré definido de reembolso que permita, com segurança, cumprir o serviço da dívida.

Rentabilidade

A rentabilidade da SCR depende do sucesso e do crescimento do negócio.

Quanto maior for o sucesso maior é rentabilidade de todos os investidores.

Depende do cumprimento pela empresa do serviço da dívida e da manutenção do valor dos activos que servem de garantia.

Comportamento

Se o negócio não se revelar viável as SCR estão, lado a lado com os demais sócios.

Verificando – se os problemas as SCR reforçarão o seu apoio com vista à sua resolução. Tem sempre por objectivo valorizar o negócio.

Verificando-se a existência de problemas, os financiadores estarão na 1ª linha para receber. Se houver indicações de que algo vai mal os financiadores poderão precipitar os acontecimentos já que procurarão resguardar os seus interesses.

Fonte: GERANEGÓCIO, p. 5

Pela análise do quadro constata-se que nesta modalidade de financiamento, o CR, ao contrário do financiamento bancário, não são prestadas garantias pessoais ou reais pelos promotores, o que torna o CR vantajoso em relação a outras modalidades de financiamento. Pois que uma das condições para o acesso ao crédito bancário é as garantias solicitadas o que condiciona, uma vez que as empresas, na fase de lançamento, não têm activos, existirá, sim, uma ideia, um produto, conhecimentos dos processos técnicos de fabrico e um forte empenho pessoal do promotor ou promotores do projecto.

Com base no quadro, percebe-se ainda que, no capital de risco, os investidores ficam

sujeitos à performance financeira do negócio, ou seja, a rentabilidade dos investidores

(18)

depende da rentabilidade e do sucesso do negócio. Se o negócio for inviável, o capitalista de risco fica na mesma posição de qualquer outro sócio/accionista da empresa. Com a ligação a uma SCR, o empreendedor tem resguarda a sua independência, podendo equilibrar a relação entre capitais próprios e alheios, beneficiando-se dos contactos da SCR e ganhando credibilidade e força nas negociações junto a instituições financeiras e outras entidades.

Trata-se de uma entidade financiadora com objectivos e espírito diferente do financiador clássico e por isso capaz de avaliar as potencialidades da ideia.

O financiador de capital de risco, como parceiro de um projecto, com know how e experiência a nível financeiro, pode funcionar como um importante factor de dinamização de outros apoios, pois o conhecimento do mercado financeiro potencia facilidades de contracção de empréstimos.

O CR de risco tem uma perspectiva de investimento de médio e longo prazo, situando entre os 3 e 10 anos, que constitui uma vantagem para investimentos cujo retorno é de longo prazo e associado a incerteza ambiental. Os capitalistas de risco têm um empenho total na actividade da empresa até ao desinvestimento, tornando-se um verdadeiro parceiro. Constata-se que no CR não são exigidos pagamentos regulares de montantes determinados, o que para uma empresa em início de actividade é bom porque não sentem pressão de tesouraria, ao contrário do financiamento bancário em que são exigidos pagamentos regulares de capital e juros.

1.6. Tipos de Investidores em Capital de Risco

As entidades de capital de risco são cruciais na promoção do crescimento económico de

qualquer país, uma vez que financiam pequenas e médias empresas, que no fundo mais

contribuem para a produção e emprego em todo o mundo.

(19)

De acordo com Correia (2002), os capitalistas de risco procuram aplicar os seus recursos nas empresas com perspectivas de alto retorno, que tenham potencial para se consolidar no mercado. O investidor de capital de risco, todavia, não é um mero prestamista, mas sim um novo sócio da empresa: se esta fracassa, ele não retirará benefício algum do investimento. Se tiver êxito, terá direito a participar nesse sucesso.

Para Banha, os investidores de capital de risco são investidores sofisticados, profissionais geralmente com alcance muitas vezes internacional cujo suporte financeiro pode ser fundamental no momento de expansão do negócio.

Em geral, eles formam uma parceria operacional estreita com os fundadores, e podem trazer gerentes profissionais que ocuparão os cargos de director executivo e director financeiro. A questão, para qualquer investidor em capital de risco, é a avaliação da empresa. O primeiro desafio dos fundadores é entrar em acordo com os investidores no que tange ao valor da empresa já que ele determina o valor do seu investimento e a extensão de sua participação accionaria (C & R).

Dependendo da avaliação quanto à competência administrativa dos fundadores, esses investidores podem condicionar seu investimento à contratação nos novos directores gerentes e podem requerer participação directa na gestão das actividades diárias da empresa. Segundo Garcez, na indústria de capital de risco existem os seguintes tipos de investidores:

- Empreendedores, Famílias e Amigos

Os empreendedores em geral contam com recursos próprios (seed capital) para

desenvolver um protótipo ou um estudo de mercado com objectivo de subsidiar a

concepção e avaliação preliminar da viabilidade do seu empreendimento. No caso de

levantamento de recursos de terceiros, esses fundos são em geral obtidos através de

hipotecas de bens pessoais, empréstimos bancários pessoais ou da participação de

amigos e familiares no negócio. Reforça Garcez, que esses recursos são designados no

mercado de love money, e seus fornecedores geralmente não envolvem na gestão do

empreendimento.

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- Business Angels

Os business angels, investidores informais, isto é não institucionais de capital de risco dispõem de recursos abundantes e procuram “não pôr todos os ovos no mesmo cesto” – diz Esperança e Matias (p.34) constituem uma das entidades de capital de risco útil para as empresas que precisam de financiamento estável, ou seja, recursos a capital próprio.

Portanto, segundo F. Banha, os business angels são capitalistas de risco individuais que cobrem as necessidades de financiamento a que os fundos institucionais de capital de risco não dão resposta, nomeadamente os projectos de seed capital e start-ups. O seu capital proporciona taxas mais baixas de financiamento.

Esses tipos de financiadores individuais são especiais. Normalmente realizam investimentos em sectores de actividade nos quais já conhecem o melhor possível. Esta particularidade lhes permitem não só aportar recursos nos projectos que seleccionam, como também proporcionar contactos através da sua rede de relações e da sua própria experiência de empresário, sendo que, os BA como empresários, proporcionam aos empreendedores conselhos preciosos que fazem ganhar tempo, o que para uma jovem empresa é um verdadeiro acelerador.

Este tipo de investidor representa uma fonte de capital importante para novos e crescentes negócios. Normalmente são qualificados em quatro grupos diferentes a destacar os angels com experiência profissional (ex-executivos); angels guardiões ou veteranos da indústria; angels de rendimento financeiro que são os indivíduos com grandes fortunas e angels empreendedores (empreendedores que triunfam nos seus negócios). (in file://E:\caprisco2.htm, em 23/02/2009).

- Empresas de venture capital

Estas, segundo Garcez, são empresas formalmente constituídas para realizar

investimentos em capital de risco, normalmente constituídas como fundos de

investimentos, sob gestão de profissionais especializados, agregando recursos de

(21)

diversos investidores para compra de participação accionária de empresas emergentes.

Além de participar dos conselhos das empresas, elas actuam de forma sistematizada no apoio de gestão. O funding (fundo) destas empresas de capital de risco provê fundos de pensão, grandes corporações, investidores privados, universidades e investidores estrangeiros. Nesse sentido, como refere Garcez, estas empresas actuam como um fundo de investimento cujo padrão de operação, exige um grande envolvimento na gestão dos empreendimentos em carteira.

- Corporate venturing

Os investimentos são realizados por investidores, normalmente empresas de maior porte, ou mesmo grandes corporações, em empresas de menor porte, com objectivos específicos de alavancar competências ou desenvolver produtos inovadores que complementam às suas actividades. Tendencialmente, estes investidores corporativos participam em empresas em estágios mais avançados, as quais já tenham desenvolvido um produto e obtido alguma aceitação junto ao mercado e adicionar valor contribuindo para o seu posicionamento estratégico. A nível da gestão podem assumir uma atitude passiva. Estas empresas muitas vezes e acabam mais tarde por pertencer aos respectivos conglomerado (cf. Garcez; Geranegócio).

1.7. As Formas de Investimento das Entidades de Capital de Risco

De acordo com o Guia Prático de CR, o investimento em outras empresas processa-se

de forma diferente e com características específicas, de acordo com as diferentes

necessidades das empresas, à medida que percorrem os estágios de desenvolvimento da

cadeia de inovação. As designações utilizadas pela indústria do capital de risco

reflectem quer a sua origem anglo-saxónica, como na fase do desenvolvimento

empresarial em que o investimento é realizado.

(22)

Assim de acordo com os operadores do mercado, os investimentos em CR revestem as seguintes formas: Seed Capital, Start-Up, Other early stage, Expansão, Management Buy-Out, Managemente Buy-In, Buy-In Management Buy-Out, Institutional Buy-Out, Replacement equity (capital de substituição), Bridge financing (capital ponte), Resgate/Turnaround (recuperação de empresas), Public to Private.

Destaco, a seguir, as características essências das formas de investimento mais utilizadas nas empresas de alta tecnologia, conforme glossário de capital de risco - gesbanha:

- Seed Capital (Capital Semente)

Financiamento de pequeno montante dirigido a projectos empresariais em fase de concepção, envolvendo muitas vezes apoio a estudos de mercado para determinar a viabilidade de um produto ou serviço, mas também ao desenvolvimento de produto a partir de projectos ou estudos. Este investimento é o que oferece mais desafios para a indústria do capital de risco, partindo muitas vezes de ideias originais que carecem de suporte financeiro e de gestão para singrar, sendo o financiamento que mais estimula a participação do investidor na gestão e organização do projecto empresarial. Dado à incerteza ambiental, tem subjacente um risco elevado, a sua taxa de retorno potencial será também bastante elevada.

- Start-Ups (Capital de Arranque)

Implica o investimento no capital de empresas já existentes e a funcionar, ou em

processo final de instalação, com um projecto desenvolvido, mas que não iniciaram

ainda a comercialização dos produtos ou serviços. Geralmente, o investimento é

destinado ao marketing inicial e ao lançamento dos produtos, serviços ou conceitos

desenvolvidos. As start-ups podem ser pequenos projectos empresariais resultado da

investigação ou de ideias originais, mas também projectos suportados por grandes

conglomerados empresariais, como no caso da indústria de componentes automóveis ou

das telecomunicações. No fundo tem como objectivo o desenvolvimento do produto e

(23)

imagem permitindo um maior crescimento e valorização do negócio (cf. Guia Prático de Capital de Risco; IAPMEI; CR, 2009).

- Other Early Stage (Estágio de Maturação)

Este investimento é dirigido a empresas recém-instaladas, que completaram a fase de desenvolvimento de produto e que possam já ter iniciado a comercialização, mas ainda sem lucros, sendo destinado à melhoria dos processos de fabrico e comercialização, e ao marketing. É a fase que decorre até a empresa atingir o seu ponto de equilíbrio. (Guia Prática de Capital de Risco, IAPMEI, p. 12).

- Expansão

Este tipo investimento, designado de desenvolvimento ou de crescimento, é destinado a empresas que já atingiram maturidade, isto é, o produto ou serviço já está implementado e sua comercialização com êxito, mas que não tem recursos adicionais para expandir o seu negócio, aumentar a sua capacidade de produção ou desenvolver técnicas de comercialização e promoção. Nesta fase o risco é menor e dai há mais investidores dispostos em financiar as empresas. (Cf. Banha; Guia Prático do Capital de Risco).

Gráfico 1

Formas de Investimento em Capital de Risco

Fonte: IPMEI, in www.iapmei.pt/iapmei-art-03.php?id=533, consultado em 27/02/2009.

(24)

1.8. Mecanismos de Saída (Exit) ou Desinvestimento dos Venture Capitalists/Privat Equity

Para realizar retornos financeiros, os capitalistas de risco precisam revender a participação que detêm nas empresas investidas. Essa etapa mesmo quando não é lucrativa chama-se saída (exit) e é fundamental para esse ramo de negócios (GOMPERS e LERNER, 1999 apud Ribeiro e Almeida 2005).

Segundo Pinto (1996) a existência de mecanismos de saída ou desinvestimento bem desenvolvidos é um dos factores fundamentais para o sucesso da actividade de capital de risco, cuja lógica das operações pressupõe um desinvestimento no menor prazo possível e com maior retorno possível. Todo o processo de investimento fica estabelecido no contrato de accionistas assinado entre as duas partes.

Segundo Banha, (2000), os capitalistas de risco têm sempre uma “estratégia de saída”.

Precisam de liquidez. Assim, a empresa pode ser estável, rentável e vender um produto de qualidade, mas, se não houver uma estratégia de saída bem definida - um caminho para obter essa liquidez, não vale a pena investir.

Do ponto de vista de Almeida e Ribeiro, a oportunidade de realização de saídas, que cubram o custo de oportunidade dos recursos empregados, é condição necessária para a existência do capital de risco e depende de diversos factores relacionados às competências do VC, características do empreendimento e especificidade do mercado em que se actua.

Como a remuneração dos ventures capitalists depende das mais-valias realizadas,

importa conhecer quais os mecanismos de desinvestimento (saída), onde se destacam os

cinco mais comuns, conforme Pinto:

(25)

1- O capitalista de risco pode optar pela venda das participações no mercado accionário, notadamente no mercado secundário (Bolsa de Valores), na situação de existência de oferta pública de venda (Initial Public Offering – IPO), em especial quando o capital de risco assumiu a natureza de “bridge financing”. Esta forma de alienação das participações é preferida nos mercados mais desenvolvidos, ou com uma projecção das PMEs em mercado de bolsas; Esta modalidade só é viável para empresas em boas condições financeiras.

2- Pode-se optar pela venda directa a outras empresas, normalmente maior do que a participada (Take-Over). É uma excelente alternativa de saída no caso de participações em empresas enfrentando dificuldades. A saída via aquisições é especialmente apropriada para investimentos em empresas menores, que, por causa de seu tamanho, não são atraentes para os grandes investidores institucionais ou para as empresas com atracção por segmentos estratégicos.

3- Através da recompra por parte dos empreendedores/gestores das empresas. A venda aos antigos titulares pode recorrer de forma espontânea, como pré-negociada no momento da entrada das entidades de capital de risco. Contratos promessa, opções call e put, e MBO são as variantes mais comuns.

4- Compra secundária da participação por uma terceira parte;

5- Pela liquidação da empresa (write-off). A empresa é descontituída, e todos os activos são liquidados de divididos entre os accionistas e credores. (cf. Guia Prático de Capital de Risco; Garcez; A Promotora).

Para Pinto (1996), as modalidades de saída mais utilizadas nos Estados Unidos da

América são através de aberturas de capital no mercado accionário e através de

aquisições, embora a primeira gera maior lucratividade apesar de horizonte de tempo

maior, conforme quadro 2, elaborado com base em estudo com 26 fundos operando

(26)

entre 1970 e 1982. Formalmente, a abertura de capital é o processo pelo qual a propriedade de uma empresa fechada é transferida, total ou parcialmente, para um grande número de pessoas que desejam dela participar e que não mantêm necessariamente, relações entre si, com um grupo controlador.

Quadro 2

Comparação entre Métodos Alternativos de Desinvestimento Tempo Custo

(US$Mil)

Proveitos (US$Mil)

Múltiplo

Abertura de Capital Aquisição

Recompra

Venda Secundária Liquidação

4,2 3,7 4,7 3,6 4,1

814 988 595 715 1.030

5.804 1.699 1.268 1.431 198

7,1 1,7 2,1 2,0 0,2

Fonte:Sagari e Guidotti (1992) apud Pinto.

1.9. A avaliação no processo de decisão de um investimento de Capital de Risco

Analisados alguns aspectos do capital de risco, como sua evolução histórica, suas vantagens, as formas como as entidades de capital de risco investem numa sociedade e como processa a saída, refiro-me agora à importância da avaliação para tomada de decisão de investir ou não num determinado negócio.

Segundo Banha, o investidor de CR, ao aplicar os seus recursos numa empresa, espera e

pretende sempre ter êxito, ou seja, obter retornos, tanto através de dividendos, como na

realização de mais-valias no momento da sua retirada do empreendimento. Contudo,

para o êxito da decisão do investimento contribui, indubitavelmente, uma correcta

avaliação, quer do ponto de vista qualitativa como quantitativa, dos interesses

envolvidos. O apoio de técnicos e consultores qualificados é indispensável neste

processo. O processo começa com a entrega das propostas por parte dos

(27)

empreendedores ou promotores, de seguida faz-se a selecção, passa-se para a avaliação, estruturação e por último actividades de pós-investimento (Ibid, p. 101 e 102).

Ainda, segundo Banha, nos mercados mais evoluídos como o Americano e o Inglês, as sociedades de capital de risco para poderem responder a demanda das propostas de investimento, utilizam determinadas técnicas de avaliação para a pré-selecção, onde se destaca o modelo de análise elaborado por Tyebjee e Bruno. Segundo este modelo, como refere Banha, a fase de avaliação consiste na análise exaustiva dos projectos que passaram as fases anteriores, caracterizando-se pelo objectivo de seleccionar as melhores propostas com as maiores expectativas de sucesso e os rendimentos potenciais mais elevados.

Assim, para além das técnicas de avaliação correntes da previsão e actualização dos cash flows, os gestores das SCR procuram efectuar uma abordagem qualitativa baseada nos aspectos focados nos pontos seguintes:

1.9.1. O plano de negócios

As entidades de capital de risco consideram o plano de negócio uma ferramenta muito importante, pois permite, por um lado, ao empreendedor fazer a auto análise dos pontos fracos e fortes do seu projecto, atingir o seu objectivo que é angariar fundos necessários para alavancar o seu negócio, por outro lado, aos investidores, de terem instrumentos úteis na análise de oportunidades de investimento.

Para Banha, o grau de profissionalismo usado na elaboração do plano de negócios fornece logo uma primeira visão da qualidade de gestão. Por essa razão, deve ser dada uma especial atenção ao grau de objectividade com que é definida a missão da empresa;

ao pormenor com que é descrito o produto/serviço idealizado; a relevância ao valor das

informações de mercado apresentadas; ao domínio da tecnologia envolvida; o grau de

conhecimento dos clientes, fornecedores e concorrentes; à identificação dos vários

(28)

responsáveis e das suas competências específicas; à coerência das projecções elaboradas e do plano de médio/longo prazo e à lógica inerente ao dossier elaborado (op. cit, p.

102, 103).

É evidente que a consistência e o rigor do plano de desenvolvimento do negócio apresentado, bem como com a objectividade na apresentação do projecto, constituem elementos fundamentais para análise das competências dos promotores bem como a viabilidade da ideia, enfatizam Banha e Glossário de CR.

A avaliação é uma peça chave de apresentação de um projecto de investimento a um investidor ou financiador, seja ele um particular (um BA, por exemplo), uma SCR ou instituição financeira (IAPMEI, 2009).

1.9.1.1. O seu contexto no capital de risco

Segundo Banha, os capitalistas de risco (ou investidores em capitais próprios), devem munir-se da máxima informação possível sobre o negócio alvo do seu investimento, para que na medida do possível o risco possa ser diminuído, na medida que contribuem com o seu capital em troca de uma participação no capital da sociedade, não têm garantias, o sucesso do seu investimento depende da performance da empresa. Eles assumem totalmente os riscos do negócio, sendo isto, um dos elementos que lhes caracterizam como entidades de capital de risco (Idem, p. 103 e 104).

Segundo o autor acima citado, as entidades de capital de risco conseguem essas informações através de plano de negócios completos onde constem todos os dados referentes ao conceito de viabilidade do negócio, como por exemplo:

- Características do produto ou serviço que pretendem lançar;

- Vantagens para potenciais clientes – qual a necessidade do mercado a preencher;

- Posicionamento do produto ou serviço que pretendem lançar no mercado

(29)

nacional, e possibilidades de penetração no mercado internacional;

- Vantagens competitivas da iniciativa a desenvolver;

- Linhas mestras que permitirão obter, a partir de uma ideia, a rendibilidade do projecto;

- Equipa de management (gestão);

- Projecções económico-financeiras e respectivos indicadores.

Estas informações têm de estar devidamente estruturadas de modo a captar a atenção do investidor.

O plano de negócios deve assim ser realista e dar a conhecer de uma forma eficaz o seu

“sonho” aos capitalistas de risco. Para isso, deve basear-se nos chamados quatro Ms:

- A magia

O capitalista de risco tem de visualizar e estar comprometido com o seu “sonho”. O plano de negócios tem de convencer que a sua oportunidade de investimento não se baseia apenas em “fumos e espelhos”, mas sim numa verdadeira solução a um problema ou oportunidade existente.

- A equipa de gestão

A qualidade da equipa de gestão é um dos indicadores mais importantes de um

investimento de capital de risco potencialmente bem sucedido. O plano de negócios tem

de convencer o capitalista de risco que a equipa de gestão (directores

executivos/principais gestores) está apaixonada, preparada, e mantém sempre uma

atitude positiva.

(30)

- O mercado

A pesquisa apropriada, compreensão e selecção de uma indústria, mercados e clientes- alvos são importantes no sucesso potencial de uma empresa financiada por capital de risco. No entanto, o plano de negócios tem de convencer o capitalista de risco de que o mercado alvo é grande, ou está a crescer, e que existe um plano sólido para conquistar e manter uma quota de mercado significativa.

- O dinheiro

É sobre ele, ou mais propriamente sobre o negócio, que o capitalista de risco toma decisão de investimento. Sendo assim, o plano de negócios tem de o convencer que a estratégia financeira adoptada se baseia em suposições sólidas e comprovadas, que o preço da empresa está correcto, e que existirá um ROI significativo.

1.9.1.2. Um plano de negócio vitorioso

É evidente que as entidades de capital de risco não dispõem de muito tempo para analisar pormenorizadamente todos os projectos apresentados. Contudo, torna necessário que haja um resumo das ideias de negócios, de modo que os capitalistas de risco encontrem com facilidade dentro de um plano de negócios as respostas a cinco questões básicas, nomeadamente: qual a actividade? Qual o posicionamento face à concorrência? Qual o perfil da equipa de gestão? Qual o volume de negócio previsto a 3/5 anos? E qual o montante de capital necessário?

No entanto, para que esse objectivo seja alcançado/concretizado, é necessário que exista

um sumário executivo, composto por duas ou três páginas no máximo, que se

encontrem logo de inicio, e que funcionem como a “fotografia” de todo o projecto. É

esse sumário executivo que determina se o projecto merece mais atenção por parte dos

(31)

capitalistas de risco. Permite aos capitalistas de risco ter uma noção daquilo que é o projecto na generalidade. Se o sumário executivo cativar o capitalista de risco, ele pode analisar o projecto na íntegra, onde espera encontrar todas as informações anteriormente referidas de forma mais pormenorizadas. Portanto, o plano de negócio tem de transmitir a segurança do projecto (Banha, op. cit; Glossário de capital de risco).

O capitalista de risco, uma vez na posse do plano de negócio, inicia a fase de recolha de informações sobre a equipa de gestão, o promotor, pois é importante saber se este é capaz de liderar um projecto empresarial, o mercado, e o produto ou serviço. Se todas estas etapas da elaboração do plano forem tidas em consideração, e se o negócio satisfazer todas as condições atrás descritas, por certo que o empreendedor vai conseguir angariar o capital necessário ao seu negócio, uma vez que conseguiu atrair, demonstrar e provar que o projecto é realista e cria valor para o capitalista de risco (Glossário de Capital de Risco).

Para José Manuel, em selecção e encaminhamento de projectos de investimento: Caso SEBRAE-RS, BRDE E CRP, uma ideia enquadrada num mercado, gestão, meio ambiente, engenharia financeira, preço, custo, vendas, clientes, um espírito empreendedor por trás entre outros é o mínimo que precisa ter um projecto ou plano de negócio para poder despertar interesse de instituições financeiras, principalmente, investidor de risco.

1.9.1.3. Riscos envolvidos nos Investimentos de Capital de Risco

Para Nabhan, risco não é uma incerteza, é um evento conhecido, cuja ocorrência pode causar uma variação nos indicadores económicos e financeiros de um negócio e, diminuir ou aumentar a rentabilidade do negócio.

Em qualquer aspecto da vida económica e financeira envolve riscos que precisam ser

avaliados e mitigados na medida do possível.

(32)

As sociedades de capital de risco não ficam de fora. Quando recebem os projectos das empresas que a elas recorrem, procuram identificar os aspectos da iniciativa que apresentam maior vulnerabilidade e avaliar se esses riscos são de natureza controlável.

Segundo Barbierato (2000) apud Correia, a maior fragilidade de decisão de investir em projectos, principalmente, nas empresas de capital de risco tem a ver com a subjectividade do agente, imposta por um alto grau de incerteza, escassez de dados e assimetria informal.

As actividades das entidades de capital de risco envolvem uma série de riscos que poderão conduzir a perda total do investimento, caso não forem devidamente ponderados. Os riscos envolvidos podem ser controlados com maior ou menor grau por parte das entidades de capital de risco, com excepção de alguns. No conjunto dos riscos que as entidades de capital de risco estão sujeitos, podemos encontrar, segundo Banha, os de desenvolvimento, comercial, de gestão e de crescimento.

Para Banha, o risco de desenvolvimento trata-se de estudar se será de facto, possível conhecer e produzir o produto/serviço imaginado em condições eficientes. É importante para as sociedades de capital de risco tentar perceber mais sobre o produto ou serviço e sobre a tecnologia utilizada, sendo também importante analisar a posição dos concorrentes. Um outro risco envolvido é o comercial. Segundo o mesmo autor, uma vez conseguido desenvolver a produção em condições favoráveis, torna-se fundamental saber se será possível colocá-lo no mercado de forma competitiva, nomeadamente através da análise das cinco forças competitivas (Barreiras à entrada, produtos substitutos, concorrentes, fornecedores e clientes) que, segundo Porter (1992) apud, Banha, determinam a rentabilidade de uma empresa. Um terceiro risco envolvido constitui o risco de gestão. Importa, após estar concebida uma política comercial eficaz, estudar a possibilidade de obter lucros interessantes por via da margem ou do volume.

Finalmente, envolve o risco de crescimento. Estando dominadas as áreas de produção e

(33)

do marketing de forma eficiente, trata-se de avaliar o potencial e a viabilidade do crescimento do negócio, reforça Banha.

Os riscos comercial e de gestão, deverão ser os únicos aceitáveis pelo investidor de risco, uma vez que se trata de áreas nas quais ele detém competências específicas e nas quais poderá acrescentar maior valor às iniciativas.

1.10. Instrumentos fundamentais nas operações de capital de risco: Acordos Para- Sociais e Acções Preferenciais

No entender de F.B., as negociações de capital de risco envolvem muitas vezes acordos que exigem 20 ou mais páginas para que se possa contemplar tudo o que os investidores insistem em reduzir a escrito.

Os empreendedores, também são interessados em ver traduzido por escrito os termos e condições das relações que serão desenvolvidas neste processo de investimento.

1.10.1. Acordos Para-Sociais

Numa operação de capital de risco o acordo para-social, resulta de negociações que estabelecem claramente os direitos e deveres das duas partes, os financiadores (SCR ou business angel) e os empreendedores (Beta, soc. cr 2009).

O acordo para-social ou acordo de accionistas, para além dos aspectos relacionados com a avaliação do negócio e estrutura de financiamento da operação, regula um conjunto de outras questões, que deverão ser negociados pelas partes de entre as quais, destacam-se algumas (A Promotora, 2009):

- Termos de entrada, permanência e saída da SCR, onde se definem os timings

para a colaboração conjunta de empresa e SCR;

(34)

- Distribuição de lucros, ponto fundamental que deve ser cuidadosamente analisado. É preciso não esquecer que uma SCR participa efectivamente nos ganhos e perdas da empresa;

- Presença do representante do investidor de risco nos órgãos sociais. Mesmo que esse investidor não intervenha, na maioria dos casos, na gestão corrente da empresa, normalmente, nomeia um membro não executivo para o Conselho de Administração da empresa;

- A existência de maioria qualificada, na tomada das decisões mais importantes pelos órgãos sociais da empresa, visando negociações entre as partes;

- Restrição à venda, a qualquer investidor, das acções detidas pelas partes (promotores e sociedade de capital de risco), evitando assim grandes alterações na estrutura de accionistas, sem acordo e consentimento das partes. Os

promotores, geralmente, têm a opção da compra das acções detidas pela sociedade de capital de riscos no desinvestimento;

- Fixação de comissões a pagar ao investidor de Capital de Risco por esta

prestar, por exemplo, algum apoio à gestão e este deve constar de um Contrato de Prestação de Serviços, entre outras.

Permite à SCR comprometimento dos sócios numa gestão fortemente empenhada no bom funcionamento e desenvolvimento da empresa e também acautelar os seus interesses.

Este acordo resulta das negociações efectuadas entre as entidades que aportam fundos

de capital de risco e as entidades que carecem desses fundos, ou seja, entre as entidades

de capital de risco e as participadas (F.B). Nesse contrato são definidas as condições das

relações que futuramente vão ser estabelecidas, nomeadamente as percentagens nas

participações; o grau de intervenção das entidades de capital de risco na gestão da

empresa, fixação de penalidades e cláusulas indemnizatórias, no caso de incumprimento

(35)

dos objectivos delineados por acordo entre as partes; estabelecimento de regulamento de gestão que espelha o planeamento financeiro, baseando-se normalmente no Plano de Negócio elaborado pelos promotores e fixa normas de fornecimento das informações da empresa aos investidores, entre outras.

Pode-se dizer que a celebração dos acordos para-sociais visa garantir às partes segurança e certeza jurídica.

As operações de financiamento via capital de risco assumem, como mostra Simões, uma importância fundamental para a nova geração de empresários empenhados na criação de empreendimentos, empregos, produtos e serviços inovadores, exportações e rendimentos fiscais para os países. No entanto, as negociações com as sociedades de capital de risco, são algo de muito complexo que deve pressupor um profundo conhecimento dos termos e condições que normalmente são exigidas por estas entidades, sob pena de as concepções efectuadas pelo empresário, poderem levar a conflitos ruinosos no futuro, esclarece o autor.

Os acordos para-sociais desempenham a função de integração e regulamentação das normas constantes do contrato de sociedade, criando assim vínculos que são assumidos pelos sócios, entre eles ou perante a sociedade e terceiros. A sua eficácia é obrigacional, pessoal ou individual, ou seja, apenas estão sujeitos à sua disciplina aqueles que participam no acordo.

Ainda, citando o mesmo autor, o acordo para-social é uma figura diferente dos contratos

de sociedade. O contrato de sociedade tem que obedecer aos requisitos de forma

legalmente previsto, vigorando para o contrato para-social o princípio da liberdade sob a

forma. Em relação à validade, o contrato de sociedade tem regras especiais para aplicar,

enquanto que o regime jurídico da invalidade dos acordos para-social se encontra sujeito

às normas gerais de direito civil sobre a invalidade dos negócios jurídicos. No que

respeita à eficácia, a do acordo para-social é meramente obrigacional ou pessoal,

enquanto que, o contrato de sociedade é eficaz perante terceiros, explica Simões. A

(36)

interpretação do contrato de sociedade deve realizar-se segundo um critério objectivo, enquanto que, a interpretação de um acordo para-social deve fazer-se de acordo com a regra geral aplicável aos negócios jurídicos.

Pode-se dizer que a celebração dos acordos para-sociais visa garantir às partes segurança e certeza jurídica.

1.10.2. Acções Preferenciais

O financiamento via capital de risco poderá ser estruturado através de acções preferenciais

2

visando sobretudo uma aplicação prática do que pode constituir um instrumento importante, para as PMEs se financiarem com vista à sua expansão e desenvolvimento. O financiamento via capital de risco pode desempenhar um papel importante na vida de muitas empresas, designadamente através da sua estruturação em acções preferenciais (Banha, op. cit., p. 123).

Ainda, segundo F. Banha, os privilégios concedidos nas acções preferenciais aos financiadores de capital de risco podem ter uma duração limitada. Deste modo, os empresários e financiadores de capital de risco poderão convencionar acções preferenciais a termo. Estas serão reconvertidas automaticamente em acções ordinárias, desde que decorrido determinado prazo e quando forem ultrapassadas as circunstâncias que forem determinantes para a concessão de vantagens, o que se apresenta bastante útil, tanto para os empresários, como para as SCR, sabendo que a participação destas no capital social terá sempre um carácter temporário, que poderá ser convencionado após as negociações que decorrem entre os empresários e as SCR, com vista a acertar os termos de entrada e saída do capital social.

2São acções que dão aos seus titulares preferência na distribuição de dividendos

(37)

1.11. Projecto de Investimento enquanto instrumento de captação dos fundos de Capital de Risco

Um projecto começa com idealização de um negócio, ideia essa que pode ser uma oportunidade de gerar rendimento. Essa ideia precisa ser estruturada de modo a se estimar “justo” para o empreendimento que tenciona pôr em prática.

Para Carlos Mata (2002), um projecto pode ser definido como um conjunto de actividades, implicando a utilização de diferentes recursos, executados para levar a cabo um determinado objectivo.

Segundo Esperança e Matias (2005, p. 67), um projecto de investimento permite determinar a viabilidade económica da afectação de fundos escassos, qualquer que seja a capacidade da empresa promotora, a um investimento real que deverá gerar um retorno compensador.

Buarque, em “Avaliação económica de projectos”, diz que a realização do projecto, desde a ideia inicial até ao seu funcionamento como uma unidade de produção, é um processo contínuo no tempo, através de sucessivas fases, nas quais se combinam considerações de carácter técnico, económico e financeira estudadas através de diferentes etapas.

É de salientar que uma ideia de negócio deve ser estruturada com base num estudo aturado das condições básicas para confecção do projecto. Segundo Buarque, na obra acima citada, a elaboração e execução do projecto de investimento respeitam diversas etapas a realçar, a identificação da ideia, o estudo da previsibilidade, o detalhamento de engenharia e a execução, sendo que as três primeiras fases é que são mais importantes no quadro deste estudo.

A fase de identificação consta-se de caracterização, de forma preliminar, a concepção da

ideia, de forma a ter uma noção clara se existe ou não razões para prosseguir para etapas

Referências

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