GUIA DE REGRAS E
REGIMENTO INTERNO
ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE
TEMAS 10 - DEMOCRACIA
Belo Horizonte
2014
Caros delegados,
o Regimento Interno da Assembleia Nacional Constituinte que vocês lerão a seguir equivale ao Guia de Regras comum de uma simulação. Ele é o documento que orientará como será realizado o trabalho de vocês dentro do comitê, explicará como ocorrerão os debates e mostrará em detalhes o fluxo de construção e aprovação da Constituição que, espera-se, os senhores escreverão.
Como é possível observar pela própria existência de um preâmbulo ao Guia de Regras, o conjunto de normas da ANC também foge à normalidade dos Guias de Regras tradicionais.
Trata-se de um documento que orienta a atividade de um parlamento e, por isso, é passível de alterações pelos próprios participantes do comitê com base no princípio da autonomia do poder Legislativo – reforçado pela excepcionalidade dos trabalhos de uma assembleia constituinte.
O regimento elaborado para o comitê atende a dois princípios que devem ser observados em qualquer simulação: de um lado, há a necessidade de respeitar a tentar reproduzir ao máximo as condições encontradas na realidade – a Assembleia Nacional Constituinte real, que possuía total autonomia para construir e alterar seu regimento interno. Do outro, a necessidade de simplificar a realidade em um modelo, isto é, apresentar um comitê funcional em escalas reduzidas de tempo e espaço. Para tal, optamos por um modelo de regras misto, no qual algumas das diretrizes serão consideradas cláusulas pétreas, não sujeitas à possibilidade de alteração por parte dos delegados, ao passo que outras poderão ser alteradas por vocês, constituintes, por meio de votação, tendo em vista as demandas identificadas ao longo do trabalho no comitê. Essa estrutura visa a fornecer ao comitê bases mínimas de regularidade e previsibilidade, e, simultaneamente, permitir que os delegados busquem, por meio da elaboração e reelaboração das regras, alcançar seus interesses políticos, de forma complementar à negociação direta.
Cordialmente,
Mesa da Assembleia Nacional Constituite.
RESOLUÇÃO Nº 02, DE 1987 -- 25 DE MARÇO DE 1987 ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE
Dispõe sobre o Regimento Interno da Assembleia Nacional Constituinte
Faço saber que a Assembleia Nacional Constituinte aprovou e eu promulgo a seguinte resolução:
A Assembleia Nacional Constituinte representa momento decisivo da vigorosa luta do povo brasileiro pelo término do regime autoritário. A memorável campanha em prol das eleições diretas - "diretas-já" - e, mais tarde, as eleições dos Presidentes Tancredo Neves e José Sarney tornaram viável essa transição democrática.
A Emenda nº 26, de 27 de novembro de 1985, à Constituição em vigor representou um novo passo no caminho da democratização. Por ela, o povo, detentor originário da soberania nos regimes democráticos, delegou aos Constituintes - Deputados e Senadores - poderes para elaborar, livre e soberanamente, a nova Constituição, que assegurará ao Brasil o autêntico Estado democrático de direito.
Nesta fase da transição institucional, os Constituintes - delegados do povo - têm o poder de sobrestar medidas que possam ameaçar os trabalhos e as decisões soberanas da Assembleia, no cumprimento da missão histórica que lhes foi conferida.
A urgência para que se complete a transição política com a promulgação da futura Constituição leva os Constituintes a darem prioridade à elaboração da nova Carta, que sepultará definitivamente a legislação antidemocrática do regime autoritário.
TÍTULO I
Da Assembleia Nacional Constituinte CAPÍTULO ÚNICO
Da Sede e Composição
Art. 1º A Assembleia Nacional Constituinte realizará os seus trabalhos, salvo motivo de força maior, na Sede do Congresso Nacional, em Brasília.
§ 1º Compõem a Assembleia Nacional Constituinte os membros do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, no exercício do mandato.
§ 2º Os Constituintes são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos, no exercício de
suas funções, em qualquer tempo e lugar, não podendo ser processados criminalmente, nem
presos sem licença da Assembleia Nacional Constituinte, salvo em casos de flagrante crime
inafiançável.
§ 3º Não poderá o Constituinte, desde a instalação da Assembleia Nacional Constituinte até a promulgação da Constituição, patrocinar interesse de caráter não-social de grupos ou pessoas, ou interesses de empresas organizadas para exercer atividades econômicas.
TÍTULO II
Dos Trabalhos e Projetos CAPÍTULO I Da Ordem dos Trabalhos
Art. 2º Os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte serão iniciados nas Subcomissões temáticas, as quais elaborarão anteprojetos a ser encaminhados à Comissão de Sistematização.
Art. 3º A Comissão de Sistematização compatibilizará os textos aprovados nas Subcomissões, com o fim de elaborar novo anteprojeto a ser encaminhado ao Plenário.
Art. 4º Os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte serão encerrados no Plenário, no bojo do qual será aprovado, por fim, o Projeto de Constituição.
CAPÍTULO II
Das Subcomissões Temáticas
Art. 5º O Presidente de cada Subcomissão será eleito entre os Constituintes de partido previamente escolhido pelo Colégio de Líderes
1e será o moderador dos debates.
§ 1º A escolha de certo partido para uma Subcomissão não impede a opção por outro em Subcomissão distinta por parte do Colégio de Líderes.
§ 2º A Mesa da Assembleia Nacional Constituinte anunciará os Constituintes que concorrem à presidência da Subcomissão no início da primeira sessão, para que se realize eleição do Presidente por aprovação da maioria simples.
§ 3º O Presidente será auxiliado em seus trabalhos por Assessor de Moderação, membro da Mesa da Assembleia Nacional Constituinte.
Art. 6º O Relator deverá apresentar uma agenda de tópicos a serem discutidos na Subcomissão, previamente ao início dos debates.
§ 1º Os tópicos apresentados pelo Relator são de debate obrigatório, porém não constituem lista exaustiva.
§ 2º Outros Constituintes membros da Subcomissão poderão sugerir tópicos para integrarem a agenda, os quais não serão de debate obrigatório.
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