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An. mus. paul. vol.23 número2

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Academic year: 2018

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Apresentação

Os Anais do Museu Paulista apresentam, neste número, seis artigos na seção Estudos de Cultura Material e outros três na seção Museus. Este conjunto revela-nos, mais uma vez, as dimensões materiais das práticas sociais nos campos da cartografia, da arquitetura, do urbanismo e da história, não só na América Latina – especialmente no Brasil – mas também na Europa, demonstrando como ambos estão obrigatória e culturalmente entrelaçados.

Entre os artigos relacionados aos Estudos de Cultura Material, o de J.P. Cintra revela a importância e os limites do mapa de Luis Teixeira para o estudo da evolução das capitanias hereditárias, visto que foi elaborado e atualizado por seu autor, no decorrer da segunda, metade do século XVI. Cintra destaca a necessidade de análise e utilização histórica das bases cartográficas com crítica e cautela.

J.C. Vilardaga joga luz sobre as intensas redes comerciais e de contrabando empreendidas pelos

Sheila Walbe Ornstein

Diretora do Museu Paulista da USP

portugueses na primeira metade do século XVII, na América do Sul, estabelecendo rotas marítimas e terrestres, durante o período de união das coroas ibéricas. Exemplifica tais situações a partir das trajetórias de duas imagens em terracota datadas do século XVI, encomendadas, possivelmente, por portugueses e que acabaram permanecendo na América espanhola, uma delas a chamada Virgem de Luján, padroeira da Argentina.

No terceiro artigo, J.N.C. Meneses descreve e analisa os quintais urbanos e rurais de Minas Gerais, no final do século XVIII e início do século XX, como lugares de abastecimento alimentar e de convivência social das famílias. O autor também analisa as relações desses quintais com as próprias moradias e as ruas, com vistas a um espaço urbano “equilibrado”.

Adilson J. de Almeida apresenta artigo, fundamentado em sua tese de doutorado, em que tematiza a

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violência armada na vida política e no cotidiano social brasileiros no período entre a metade do século XVIII e a primeira metade do século XX. Em seu estudo, Almeida destaca o fácil acesso às armas pelos homens em geral, no período mencionado, independentemente das distintas instâncias de governo, como forma comum de solução de conflitos.

No artigo seguinte, A. R. Uhle discute os projetos de escultores paulistas e italianos da primeira metade do século XX que participaram de concurso público para a escolha de maquete com vistas à execução do monumento celebrativo Glória imortal aos fundadores de São Paulo. Trata-se de um período em que a figuração dos personagens históricos sofria intensas interferências por parte dos integrantes da Comissão julgadora, num amplo processo de negociação.

O último artigo desta seção, de G. Adams, estabelece relações entre uma obra artística de Marcel Duchamp, La stéréoscopie à la main e os cartões estereoscópicos utilizados na segunda metade do século XIX, pela medicina oftalmológica.

Já nos estudos da seção Museus, o artigo de P. Carvalho aborda as práticas colecionistas do museu

privado de Joaquim Sertório, que deu origem ao acervo do Museu Paulista. O artigo questiona o amadorismo da organização dos acervos, à luz de fatos novos de sua biografia e da abertura ao público dessa coleção, com finalidade educativa, numa São Paulo de fins do século XIX.

Já o artigo de O. C. Paiva aborda como o tema da imigração e seus legados culturais dialogam com as práticas de preservação no Brasil e com mecanismos para a construção das identidades coletivas.

Ainda sobre a mesma temática, A. Delaplace discute o papel do Museu da História da Imigração de Paris, aberto ao público em 2007 e renomeado recentemente, num contexto bastante contemporâneo da questão política das migrações no interior da Comunidade Europeia. A concepção museológica adotada na instituição, segundo a autora, é uma tentativa de reconhecimento do patrimônio da imigração como um patrimônio nacional.

Assim é que os nove artigos dos Anais expõem reflexões de vários matizes sobre cultura material e acervos museológicos, sempre sob a perspectiva histórica.

Referências

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