CARLOS ROBERTO DOS SANTOS OKAMOTO JÚNIOR
O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E O COMÉRCIO
ELETRÔNICO NO BRASIL
CENTRO UNIVERSITÁRIO TOLEDO
ARAÇATUBA
CARLOS ROBERTO DOS SANTOS OKAMOTO JÚNIOR
O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E O COMÉRCIO
ELETRÔNICO NO BRASIL
CENTRO UNIVERSITÁRIO TOLEDO
ARAÇATUBA
2015
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Direito à Banca Examinadora do Centro Universitário Toledo sob a orientação da Prof. Me. Dr. Ronaldo Abud Cabrera.
BANCA EXAMINADORA
RONALDO ABUD CABRERA
Orientador
VINÍCIUS HEIB VIEIRA CASSIANO
Examinador
SANDRO
LAUDELINO
FERREIRA
CARDOSO
Examinador
Dedico este trabalho aos meus pais, na extensão
da minha família, a quem tenho toda gratidão,
sendo substanciais durante toda a jornada
acadêmica.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pelo suspiro de vida.
Aos meus pais, pela persistência.
Aos amigos pelos conselhos.
À Unitoledo, aos funcionários, corpo docente e em especial meu orientador (Ronaldo
Abud Cabrera), que aceitou me orientar.
Ao meu filho (Yuri) e minha esposa (Drielli).
A vocês expresso meu maior agradecimento.
RESUMO
Este estudo objetiva explicar sobre o Código de Defesa do Consumidor e sua aplicação nas
relações de consumo eletrônico, pois ainda é precária na legislação garantias para o
e-commerce. Foram revisados a história do direito do consumidor, conceituando a relação de
consumo. Posteriormente, foi adentrado no comércio eletrônico em si, onde explicou as várias
vantagens de desvantagens que existe nesse comércio virtual. Ainda, o Código de Defesa do
Consumidor, em seus artigos garante a todos os consumidores a proteção á seus direitos
violados, tem como garantia a indenização para todos os danos sofridos. A pesquisa foi
realizada com o auxílio de livros, julgados dos Tribunais e artigos virtuais. Os resultados
obtidos mostram que o Código de Defesa do Consumidor é corretamente aplicado nos casos
de violação dos direitos dos consumidores eletrônicos, mostrando que a jurisprudência é
pacífica no sentido do dever de indenização aos consumidores virtuais que não tiveram suas
expectativas asseguradas.
Palavras-Chaves: Código de Defesa do Consumidor. Comércio eletrônico. Consumidor.
Indenização. Sites intermediadores.
ABSTRACT
This study aims to explain about the Consumer Protection Code and its application in
electronic consumer relations, it is still precarious in the legislation guarantees to
e-commerce. They reviewed the history of consumer law, conceptualizing the consumption
ratio. It was later adentrado in e-commerce itself, which explained the various advantages and
disadvantages existing in that virtual trade. Still, the Consumer Protection Code, in its articles
guarantees to all consumers protection will their rights violated, it is guaranteed compensation
for all the damage. The survey was conducted with the help of books, judged the Courts and
virtual items. The results show that the Consumer Protection Code is properly applied in cases
of violation of the rights of the consumer electronics, showing that the case law is peaceful
towards the indemnity due to virtual consumers who have not had secured their expectations.
Key Words: Consumer Protection Code. Electronic commerce. Consumer. Compensation.
Intermediaries sites.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO... 09
I
ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITO... 10
1.1 Breve história do direito do consumidor ... 10
1.2 Conceito de relação de consumo ... 15
1.3 Contratos ... 16
1.3.1
Classificação dos contratos ... 16
1.3.2
Princípios contratuais ... 19
1.3.3
Politica nacional das relações de consumo ... 21
1.3.4
Contratos eletrônicos ... 23
1.3.5
O código do consumidor e os contratos eletrônicos ... 25
II
CONSUMO VIA INTERNET ... 27
2.1 Aspectos do consumo via internet ... 27
2.2 Vantagens e desvantagens do comércio eletrônico ... 27
2.3 Segurança prática e jurídica no comércio eletrônico ... 30
2.3.1
Aspecto da certificação digital ... 31
2.3.2
Estrutura e legalidade de um certificado digital ... 32
III
O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E COMÉRCIO ELETRÔNICO ... 36
3.1 Definições ... 36
3.1.1
Definições de comércio eletrônico ... 38
3.2 Principais direitos do consumidor digital ... 38
3.3 Foro competente no consumo eletrônico... 42
3.4 Os contratos eletrônicos a luz do Código de Defesa do Consumidor ... 43
IV
A RESPONSABILIDADE CIVIL DOS SITES INTERMEDIADORES ... 46
4.1 A responsabilidade jurídica... 46
4.2 O entendimento jurisprudencial ... 49
CONCLUSÃO... 54
INTRODUÇÃO
A internet atualmente é o meio de comunicação mais rápida, onde centenas de pessoas
estão conectadas diariamente, umas para efetuar compras online, outras para conversarem,
outras apenas para “passearem”.
Com a facilidade, comodidade e a rapidez que hoje é encontrada nesse meio, bem
como a variedade de produtos disponível a qualquer hora e dia do ano, estimula cada vez mais
o crescimento desse e-commerce.
Apesar de toda a facilidade encontrada, existem, ainda, dúvidas para os consumidores
no que diz respeito à entrega da mercadoria, o pagamento antecipado, bem como possível
defeito que possa vim com o produto.
Na elaboração deste trabalho será realizada uma pesquisa com base em levantamentos
bibliográficos com o intuito de explicar a aplicação do Código de Defesa do Consumidor nas
relações de consumo eletrônica. A pesquisa, ainda, será construída utilizando fontes como
livros, jurisprudências, artigos científicos e artigos publicados na rede mundial de
computadores (internet).
Dessa forma, o presente trabalho procura verificar a aplicação do Código de Defesa do
Consumidor no comércio eletrônico, bem como a proteção do consumidor contra as fraudes
sofridas com esse tipo de comercialização.
Por fim, buscou nas jurisprudências as garantias que os consumidores virtuais
possuem, incluindo todos os tipos de fornecedores na relação jurídica contratual existe, para
que todos responsam solidariamente com os danos causados a todas a vítimas.
I – ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITO
O presente trabalho tem o objetivo de esclarecer sobre a aplicação do Código de
Defesa do Consumidor no comércio eletrônico brasileiro. Para melhor compreensão do tema
ora proposto, neste capítulo será abordado o conceito de contrato eletrônico.
1.1 Breve história do direito do consumidor
No ordenamento brasileiro a relação de consumo passou a ser protegida com o
surgimento da Lei 8.078 de 11 de setembro de 1990, denominada Código de Defesa do
Consumidor, onde consumidores e fornecedores passaram a ser protegidos e cada qual sabia
seus direitos e obrigações que cada um possuía.
Ocorre que, antes do surgimento do Código de Defesa do Consumidor, havia outras
formas de garantir o serviço prestado, sendo que uma das primeiras que surgiram foram o
Código de Hamurabi.
Há quem denote já no antigo “Código de Hamurabi” certas regras que, ainda que indiretamente, visavam a proteger o consumidor. Assim, por exemplo, a “lei” 233 rezava que o arquiteto que viesse a construir uma casa cujas paredes se revelassem deficientes, teria a obrigação de reconstruí-las ou consolidá-las às suas próprias expensas. Extremas, outrossim, as conseqüências de desabamentos com vítimas fatais: o empreiteiro da obra, além de ser obrigado a reparar os danos causados ao empreitador, sofria punição (morte) caso houvesse o mencionado desabamento vitimado o chefe de família; caso morresse o filho do dono da obra, pena de morte para o respectivo parente do empreiteiro, e assim por diante. Da mesma forma o cirurgião que “operasse alguém com bisturi de bronze” e lhe causasse a morte por imperícia: indenização cabal e pena capital. Consoante a “lei” 235 o construtor de barcos estava obrigado a refazê-lo em caso de defeito estrutural, dentro do prazo de até um ano (noção já bem delineada do “vício rebiditório”?). Na Índia, no século XII a.C., o sagrado Código de Massú previa multa e punição, al´me de ressarcimento dos danos, àqueles que adulterassem gêneros – “lei” 697 – ou entregassem coisa de espécie inferior àquela acertada, ou vendessem bens de igual natureza por preços diferentes – “lei” 698 (1 Kosteski, Graciele. A história das relações de consumo. Artigo disponível em: http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/1769/A-historia-das-relacoes-de-consumo. 2004. Acesso em 21/04/2015).
O Código de Hamurabi previa a relação de consumo nos artigos 42 á 126, onde
regulamentava a obrigação do proprietário e do consumidor.
IV - LOCAÇÕES E REGIMEN GERAL DOS FUNDOS RÚSTICOS, MÚTUO, LOCAÇÃO DE CASAS, DAÇÃO EM PAGAMENTO
42º - Se alguém tomou um campo para cultivar e no campo não fez crescer trigo, ele deverá ser convencido que fez trabalhos no campo e deverá fornecer ao proprietário do campo quanto trigo exista no do vizinho.
43º - Se ele não cultiva o campo e o deixa em abandono, deverá dar ao proprietário do campo quanto trigo haja no campo vizinho e deverá cavar e destorroar o campo, que ele deixou ficar inculto e restituí-lo ao proprietário.
44º - Se alguém se obriga a por em cultura, dentro de três anos, um campo que jaz inculto, mas é preguiçoso e não cultiva o campo, deverá no quarto ano cavar, destorroar e cultivar o campo inculto e restituí-lo ao proprietário e por cada dez gan pagar dez gur de trigo.
45º - Se alguém dá seu campo a cultivar mediante uma renda e recebe a renda do seu campo, mas sobrevem uma tempestade e destrói a safra, o dano recai sobre o cultivador.
46º - Se ele não recebe a renda do seu campo, mas o dá pela terça ou quarta parte, o trigo que está no campo deverá ser dividido segundo as partes entre o cultivador e o proprietário.
47º - Se o cultivador, porque no primeiro ano não plantou a sua estância, deu a cultivar o campo, o proprietário não deverá culpá-lo; o seu campo foi cultivado e, pela colheita, ele receberá o trigo segundo o seu contrato.
48º - Se alguém tem um débito a juros, e uma tempestade devasta o seu campo ou destrói a colheita, ou por falta d'água não cresce o trigo no campo, ele não deverá nesse ano dar trigo ao credor, deverá modificar sua tábua de contrato e não pagar juros por esse ano.
49º - Se alguém toma dinheiro a um negociante e lhe concede um terreno cultivável de trigo ou de sésamo, incumbindo-o de cultivar o campo, colher o trigo ou o sésamo que aí crescerem e tomá-los para si, se em seguida o cultivador semeia no campo trigo ou sésamo, por ocasião da colheita o proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e dar ao negociante trigo pelo dinheiro que do negociante recebeu, pelos juros e moradia do cultivador.
50º - Se ele dá um campo cultivável (de trigo) ou um campo cultivável de sésamo, o proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e restituir ao negociante o dinheiro com os juros.
51º - Se não tem dinheiro para entregar, deverá dar ao negociante trigo ou sésamo pela importância do dinheiro, que recebeu do negociante e os juros conforme a taxa real.
52º - Se o cultivador não semeou no campo trigo ou sésamo, o seu contrato não fica invalidado.
53º - Se alguém é preguiçoso no ter em boa ordem o próprio dique e não o tem em conseqüência se produz uma fenda no mesmo dique e os campos da aldeia são inundados d'água, aquele, em cujo dique se produziu a fenda, deverá ressarcir o trigo que ele fez perder.
54º - Se ele não pode ressarcir o trigo, deverá ser vendido por dinheiro juntamente com os seus bens e os agricultores de quem o trigo foi destruído, dividirão entre si. 55º - Se alguém abre o seu reservatório d'água para irrigar, mas é negligente e a água inunda o campo de seu vizinho, ele deverá restituir o trigo conforme o produzido pelo vizinho.
56º - Se alguém deixa passar a água e a água inunda as culturas do vizinho, ele deverá pagar-lhe por cada dez gan dez gur de trigo.
57º - Se um pastor não pede licença ao proprietário do campo para fazer pastar a erva às ovelhas e sem o consentimento dele faz pastarem as ovelhas no campo, o proprietário deverá ceifar os seus campos e o pastor que sem licença do proprietário fez pastarem as ovelhas no campo, deverá pagar por junto ao proprietário vinte gur de trigo por cada dez gan.
58º - Se depois que as ovelhas tiverem deixado o campo da aldeia e ocupado o recinto geral à porta da cidade, um pastor deixa ainda as ovelhas no campo e as faz pastarem no campo, este pastor deverá conservar o campo em que faz pastar e por ocasião da colheita deverá responder ao proprietário do campo, por cada dez gan sessenta gur.
59º - Se alguém, sem ciência do proprietário do horto, corta lenha no horto alheio, deverá pagar uma meia mina.
60º - Se alguém entrega a um hortelão um campo para plantá-lo em horto e este o planta e o cultiva por quatro anos, no quinto, proprietário e hortelão deverão dividir entre si e o proprietário do horto tomará a sua parte.
61º - Se o hortelão não leva a termo a plantação do campo e deixa uma parte inculta, dever-se-á consignar esta no seu quinhão.
62º - Se ele não reduz a horto o campo que lhe foi confiado, se é campo de espigas, o hortelão deverá pagar ao proprietário o produto do campo pelos anos em que ele fica inculto na medida da herdade do vizinho, plantar o campo cultivável e restituí-lo ao proprietário.
63º - Se ele transforma uma terra inculta num campo cultivado e o restitui ao proprietário, ele deverá pagar em cada ano dez gur de trigo por cada dez gan. 64º - Se alguém dá o horto a lavrar a um hortelão pelo tempo que tem em aluguel o horto, deverá dar ao proprietário duas partes do produto do horto e conservar para si a terça parte.
65º - Se o hortelão não lavra o horto e o produto diminui, o hortelão deverá calcular o produto pela parte do fundo vizinho.
* * *
LACUNAS DE CINCO COLUNAS; CALCULAM EM 35 PARÁGRAFOS
Pertencem à lacuna os seguintes parágrafos deduzidos da biblioteca de Assurbanipal:
1 - Se alguém toma dinheiro a um negociante e lhe dá um horto de tâmaras e lhe diz: - "as tâmaras que estão no meu horto tomei-as por dinheiro": e o negociante não aceita, então o proprietário deverá tomar as tâmaras que estão no horto, entregar ao negociante o dinheiro e juros, segundo o teor de sua obrigação; as tâmaras excedentes que estão no jardim deverá tomá-las o proprietário.
2 - Se um inquilino paga ao dono da casa a inteira soma do seu aluguel por um ano e o proprietário, antes de decorrido o termo do aluguel, ordena ao inquilino de mudar-se de sua casa antes de passado o prazo, deverá restituir uma quota proporcional à soma que o inquilino lhe deu.
3 - Se alguém deve trigo ou dinheiro e não tem trigo ou dinheiro com que pagar, mas, possui outros bens, deverá levar diante dos anciãos o que está à sua disposição e dá-lo ao negociante. Este deve aceitar sem exceção.
V - RELAÇÕES ENTRE COMERCIANTES E COMISSIONÁRIOS
100º - Com os juros do dinheiro na medida da soma recebida, deverá entregar uma obrigação por escrito e pagar o negociante no dia do vencimento.
101º - Se no lugar onde foi não fechou negócio o comissionário, deverá deixar intato o dinheiro que recebeu e restituí-lo ao negociante.
102º - Se um negociante emprestou dinheiro a um comissionário para suas empresas e ele, no lugar para onde se conduz, sofre um dano, deverá indenizar o capital ao negociante.
103º - Se, durante a viagem, o inimigo lhe leva alguma coisa do que ele conduz consigo, o comissionário deverá jurar em nome de Deus e ir livre.
104º - Se um negociante confia a um comissionário, para venda, trigo, lã, azeite, ou outras mercadorias, o comissionário deverá fazer uma escritura da importância e reembolsar o negociante. Ele deverá então receber a quitação do dinheiro que dá ao mercador.
105º - Se o comissionário é negligente e não retira a quitação da soma que ele deu ao negociante, não poderá receber a soma que não é quitada.
106º - Se o comissionário toma dinheiro ao negociante e tem questão com o seu negociante, este deverá perante Deus e os anciãos convencer o comissionário do dinheiro levado e este deverá dar três vezes o dinheiro que recebeu.
107º - Se o negociante engana o comissionário pois que este restituiu tudo que o negociante lhe dera, mas, o negociante contesta o que o comissionário lhe restituiu, o comissionário diante de Deus e dos anciãos deverá convencer o negociante e este, por ter negado ao comissionário o que recebeu, deverá dar seis vezes tanto.
VI - REGULAMENTO DAS TABERNAS (TABERNEIROS PREPOSTOS, POLÍCIA, PENAS E TARIFAS)
108º - Se uma taberneira não aceita trigo por preço das bebidas a peso, mas toma dinheiro e o preço da bebida é menor do que o do trigo, deverá ser convencida disto e lançada nágua.
109º - Se na casa de uma taberneira se reúnem conjurados e esses conjurados não são detidos e levados à Corte, a taberneira deverá ser morta.
110º - Se uma irmã de Deus, que não habita com as crianças (mulher consagrada que não se pode casar) abre uma taberna ou entra em uma taberna para beber, esta mulher deverá ser queimada.
111º - Se uma taberneira fornece sessenta já de bebida usakami deverá receber ao tempo da colheita cinqüenta ka de trigo.
VII - OBRIGAÇÕES (CONTRATOS DE TRANSPORTE, MÚTUO) PROCESSO EXECUTIVO E SERVIDÃO POR DÍVIDAS
112º - Se alguém está em viagem e confia a um outro prata, ouro, pedras preciosas ou outros bens móveis e os faz transportar por ele e este não conduz ao lugar do destino tudo que deve transportar, mas se apropria deles, dever-se-á convencer esse homem que ele não entregou o que devia transportar e ele deverá dar ao proprietário da expedição cinco vezes o que recebeu.
113º - Se alguém tem para com um outro um crédito de grãos ou dinheiro e, sem ciência do proprietário, tira grãos do armazém ou do celeiro, ele deverá ser convencido em juízo de ter tirado sem ciência do proprietário grãos do armazém ou do celeiro e deverá restituir os grãos que tiver tirado e tudo que ele de qualquer modo deu, é perdido para ele.
114º - Se alguém não tem que exigir grãos e dinheiro de um outro e fez a execução, deverá pagar-lhe um terço de mina por cada execução.
115º - Se alguém tem para com outro um crédito de grãos ou dinheiro e faz a execução, e o detido na casa de detenção morre de morte natural, não há lugar a pena.
116º - Se o detido na casa de detenção morre de pancadas ou maus tratamentos, o protetor do prisioneiro deverá convencer o seu negociante perante o tribunal; se ele era um nascido livre, se deverá matar o filho do negociante, se era um escravo, deverá pagar o negociante um terço de mina e perder tudo que deu.
117º - Se alguém tem um débito vencido e vende por dinheiro a mulher, o filho e a filha, ou lhe concedem descontar com trabalho o débito, aqueles deverão trabalhar três anos na casa do comprador ou do senhor, no quarto ano este deverá libertá-los. 118º - Se ele concede um escravo ou escrava para trabalhar pelo débito e o negociante os concede por sua vez, os vende por dinheiro, não há lugar para oposição.
119º - Se alguém tem um débito vencido, e vende por dinheiro a sua escrava que lhe tem dado filhos, o senhor da escrava deverá restituir o dinheiro que o negociante pagou e resgatar a sua escrava.
VIII - CONTRATOS DE DEPÓSITO
120º - Se alguém deposita o seu trigo na casa de outro e no monte de trigo se produz um dano ou o proprietário da casa abre o celeiro e subtrai o trigo ou nega, enfim, que na sua casa tenha sido depositado o trigo, o dono do trigo deverá perante Deus reclamar o seu trigo e o proprietário da casa deverá restituir o trigo que tomou, sem diminuição, ao seu dono.
121º - Se alguém deposita o trigo na casa de outro, deverá dar-lhe, como aluguel do armazém, cinco ka de trigo por cada gur de trigo ao ano.
122º - Se alguém dá em depósito a outro prata, ouro ou outros objetos, deverá mostrar a uma testemunha tudo o que dá, fechar o seu contrato e em seguida consignar em depósito.
123º - Se alguém dá em depósito sem testemunhas ou contrato e no lugar em que se fez a consignação se nega, não há ação.
124º - Se alguém entrega a outro em depósito prata, ouro ou outros objetos perante testemunhas e aquele o nega, ele deverá ser convencido em juízo e restituir sem diminuição tudo o que negou.
125º - Se alguém dá em depósito os seus bens e aí por infração ou roubo os seus bens se perdem com os do proprietário da casa, o dono desta, que suporta o peso da negligência, deverá indenizar tudo que lhe foi consignado em depósito e que ele
deixou perder. Mas, o dono da casa poderá procurar os seus bens perdidos e retomá-los do ladrão.
126º - Se alguém, que não perdeu seus bens, diz tê-los perdido e sustenta falsamente seu dano, se ele intenta ação pelos seus bens, ainda que não tenham sido perdidos e pelo dano sofrido perante Deus, deverá ser indenizado de tudo que pretende pelo seu dano.
Há o registro do código de Massú, surgido na Índia no século XIII, a.c, onde nele
previa a punição com castigos físicos para as pessoas que falsificavam os bens que iam
entregar aos compradores.
Igualmente como acontecia na Índia, a França castigava os falsificadores.
Já com o passar do tempo, mas precisamente em 1980, nos Estados Unidos teve o
surgimento da Lei Sherman, o qual garantia a concorrência entre as empresas, pois foi nessa
mesma época que os Estados Unidos começou a surgir como uma sociedade capitalista de
massa, fazendo com que, nenhuma empresa de grande porte ditasse as regras do mercado
consumerista.
Anote-se essa observação: nos Estados Unidos, que hodiernamente é o país que domina o planeta do ponto de vista do capitalismo contemporâneo, que capitaneia o controle económico mundial (cujo modelo de controle tem agora o nome de globalização), a proteção ao consumidor havia começado em 1890 coma Lei Shermann, que é a Lei Antitruste americana. Isto é, exatamente um século antes do nosso Código de Defesa do Consumidor, numa sociedade que se construía como sociedade capitalista de massa, já existia uma lei de proteção ao consumidor. Sabe-se, é verdade, que a consciência social e cultural da defesa do consumidor mesmo nos Estados Unidos ganhou fôlego maior a partir de 1960, especialmente com o surgimento das associações dos consumidores com Ralf Nader. Ou seja, o verdadeiro movimento consumerista (como se costuma chamar) começou para valer na segunda metade do século XX. Mas é importante atentarmos para essa preocupação existente já no século XIX com a questão do mercado de consumo no país mais poderoso do mundo. (NUNES, 2015, p.62).
No Brasil, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, teve a previsão em
seu artigo 5º, inciso XXXII o seguinte: “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor”. Assim, a defesa do consumidor é uma garantia constitucional.
Com o surgimento do Código de Defesa do Consumidor, os consumidores passaram a
ser protegidos, deixando de serem hipossuficientes e vulneráveis a todos os fornecedores, e
preservando assim, os interesses consumeristas contra todos os abusos econômicos. “Art. 1°
O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e
interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal
e art. 48 de suas Disposições Transitórias”.
1.2 Conceito de relação de consumo
O Código de Defesa do Consumidor não define expressamente o que seria uma
relação de consumo, mas conceitua os preceitos de Consumidor e Fornecer em seu artigo 2º e
3º.
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Assim, relação de consumo é o vinculo jurídico que unem o consumidor e o
fornecedor quando existe uma compra e venda ou uma prestação de serviço e utilização de
serviço, sempre tem que existir duas ou mais pessoas nessa relação.
Para que esteja caracterizada a relação jurídica entre as partes, devemos observar se
uma parte se enquadra no conceito de consumidor e o outro em fornecedor, sendo estes
conceitos fornecidos pelos artigos 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor. Havendo o
enquadramento nesses dois conceitos, estar-se-á perante uma relação de consumo.
Relação de consumo se traduz em toda relação jurídica que existe entre uma pessoa, que deseja adquirir um bem ou prestação de um serviço, e outra que corresponde a este anseio. Desse modo, para que uma relação de consumo seja constituída, é necessária a integração de dois elementos essenciais, quais sejam: o consumidor e o fornecedor.
A relação de consumo é composta, portanto, por vontades sinalagmáticas, opostas. E, para se configurar, faz necessária a participação do consumidor e do fornecedor, que integram posições antagônicas. (CASTRO, Ana Carolina Tourinho S. Definição
de relação de consumo e de seus elementos integrantes Disponivel em:<
http://jus.com.br/artigos/26875/definicao-de-relacao-de-consumo-e-de-seus-elementos-integrantes#ixzz3kjXZORO>. Acesso em: 21 abril 2015).
Portanto, o consumo faz parte da vida cotidiana de todas as pessoas, e a relação de
consumo se caracteriza pelo fornecimento de serviço ou produto e a aquisição deste por outra
pessoa, sendo que essa relação deve ter a incidência do Código de Defesa do Consumidor,
para que essa relação seja pautada e dirigida sobre os preceitos da lei.
1.3 Contratos
Contrato é uma relação jurídica, onde há um acordo de vontade em duas ou mais
pessoas, estabelecendo critérios para que seja cumprido integralmente o acordado.
Para que esse acordo seja legal, o artigo 104 do Código Civil estabelece requisitos
para caracterização de um contrato:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.
Contrato, do latim “contractu”, é trato com. É a combinação de interesses de pessoas sobre determinada coisa. É “o acordo de vontades que tem por fim criar, modificar ou extinguir um Direito”, como afirmado pelo Mestre Washington de Barros Monteiro. Ulpiano, corretamente afirmou que: “duorum pluriumve in idem placitum consensus”, vale dizer contrato é mútuo consenso de duas ou mais pessoas sobre o mesmo objeto. (BACCIOTTI, Rui Carlos Duarte. Contratos - Conceito e Espécies. Disponível em http://www.advogado.adv.br/artigos/2000/ruibaciotti/contratos1.htm. Acesso em 21 de abril de 2015).
Portanto, contrato é todo ato firmando entre duas ou mais pessoas, com interesses
opostos, sendo que o objeto tem que ser lícito, possível e determinado, agente capaz e forma
prescrita em lei. Preenchidos os requisitos estamos diante de um contrato.
1.3.1 Classificação dos contratos
Os contratos são classificados quanto a sua forma, natureza, quantidade de pessoas,
objeto, etc.
a)
Contrato Unilateral e Bilateral: o unilateral é aquele onde apenas um lado do
contrato está obrigado a cumprir o que foi estabelecido, sendo que não há uma nenhuma
contraprestação. Já o bilateral é aquele em que todas as pessoas envolvidas no contrato
possui direitos e deveres, ou seja, como por exemplo, em uma compra e venda.
Contratos unilaterais são aqueles em que somente uma das partes assume a obrigação, por exemplo: comodato, mútuo, doação.
Contratos bilaterais ou sinalagmáticos são aqueles em que ambas as partes assumem obrigações, por exemplo: compra e venda, troca, locação, etc. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
b)
Gratuito e Oneroso: Gratuito é aquele que somente uma das partes tem
obrigação e a outra obtém a vantagem. Assim, todos os contratos unilaterais também são
gratuitos. Oneroso ocorre quando ambas as partes do contrato possui direito e obrigações,
onde uma parte dispõe do seu bem, ou seja, retira-se do seu patrimônio e entrega a outrem,
mas em contrapartida quem o recebeu tem a obrigação de efetuar um pagamento, assim
diminuindo a capacidade financeira em troca da aquisição do bem. Portanto, todos os
contratos bilaterais são também onerosos.
Contratos gratuitos são aqueles onde somente uma das partes é beneficiada, por exemplo: doação pura e simples.
Contratos onerosos são aqueles onde ambas as partes visam as vantagens correspondentes às respectivas prestações por exemplo: locação, compra e venda, etc. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
c)
Comutativo e Aleatório: Os contratos comutativos são aqueles em que as
partes se oneram de igual forma, sabendo, de antemão, o que irá acontecer. Já o aleatório é
aquele aonde uma parte não sabe o que irá acontecer, como por exemplo, um jogo.
Contratos comutativos são contratos onerosos em que as prestações de ambas as partes são certas. Cada uma das partes recebe, ou entende que recebe, uma contraprestação mais ou menos equivalente, por exemplo: compra e venda, locação, etc.
Contratos aleatórios são contratos onerosos nos quais a prestação de uma ou de ambas as partes fica na dependência de um caso fortuito, de um risco. As partes se arriscam a uma contraprestação inexistente ou desproporcional, por exemplo: seguro, jogo, aposta. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
d)
Consensuais e reais: Consensuais são aqueles que pela simples proposta e
aceitação de ambas as partes, já se consideram contrato. Já o contrato real precisa que ocorra
a entrega da coisa para esse se formalizar.
Contratos consensuais são aqueles que se tornam perfeitos pelo simples consentimento das partes. Consideram-se formados pela simples proposta e aceitação, por exemplo: compra e venda, locação, mandato, comissão, etc.
Contratos reais são aqueles que só se completam se, além do consentimento houver a entrega da coisa que lhe serve de objeto, por exemplo: depósito, doação, mútuo, penhor. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual
Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
e)
Nominados e inominados: Os nominados possuem regulamentação em lei e
ela atribui um nome específico. Inominados não possui regulamentação em lei, e com isso
não há nome para esse tipo de contrato.
Contratos típicos e nominados são aqueles tipificados na lei, que tem uma denominação específica em direito e regulamentação própria, por exemplo: compra e venda, troca, doação.
Contratos atípicos e inominados são aqueles resultantes de variadas combinações entre as partes, não tem denominação e nem regulamentação própria, por exemplo: todo e qualquer contrato desde que seja lícito. (MIRANDA, Maria Bernadete.
Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 –
2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
f)
Solenes e não solenes: Solenes são aqueles que a sua forma está prescrita em
lei, oferecendo assim, a segurança jurídica as partes. Para que assim seja considerado,
necessita que o contrato seja registrado em um cartório de notas, pois se não ocorrer esse
contrato é considerado nulo. Os não solenes, são aqueles em que a vontade das partes já
bastam para concretizar o ato.
Contratos solenes são aqueles para os quais se exigem formalidades especiais e que dão ao ato um caráter solene, por exemplo: escrituras de compra e venda de imóvel. Contratos não solenes são aqueles aos quais a lei não prescreve, para a sua celebração, forma especial, por exemplo: agência e distribuição. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
g)
Principais e acessórios: Os contratos principais existem independentes de
qualquer outro contrato. Já o acessório depende de um contrato anterior para que ele tenha
validade.
Contratos principais são aqueles que existem por si só, sem dependência de outro. Subsistem de forma independente, por exemplo: locação, mútuo.
Contratos acessórios são aqueles que acompanham o contrato principal e cuja finalidade é a segurança e a garantia da obrigação principal, por exemplo: fiança, penhor. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
h)
Paritários ou adesão: O paritário, as partes então em situação igual no
contrato, ou seja, discutem os termos contratuais, as condições e as cláusulas. Já os de adesão
não há a discussão das cláusulas contratuais, uma das partes é obrigada a aderir ao contrato
anteriormente definido, em um todo. Esse tipo de contrato já está pronto, sendo apenas
preenchidas as partes no ato da contratação. Exemplos claros são os contratos de seguro e
consórcio.
Contratos paritários são aqueles em que as partes estão em pé de igualdade, escolhendo o contratante e debatendo livrem ente as cláusulas, por exemplo: compra e venda, comissão, distribuição.
Contratos de adesão são aqueles em que um dos contratantes é obrigado a tratar nas condições que lhe são oferecidas e impostas pela outra parte, sem direito de discutir ou modificar cláusulas, por exemplo: contratos bancários, seguro. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil –
Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em:
<http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
i)
Escritos ou verbais: Os contratos escritos são aquele que, em sua própria
natureza necessita que exista um instrumento particular ou público. Quanto aos verbais esse
não necessitam de documento para se formalizar, apenas e tão somente o acordo pronunciado
entre as partes.
Contratos escritos são aqueles que só podem ser contraídos mediante escritura pública ou particular, por exemplo: sociedade.
Contratos verbais são aqueles que podem ser celebrados por simples acordo verbal, por exemplo: sociedade em conta de participação, corretagem, comissão. (MIRANDA, Maria Bernadete. Teoria Geral dos Contratos. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 – 2008. Disponível em: <http://www.direitobrasil.adv.br/artigos/cont.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015).
j)
Execução imediata, diferida e sucessiva: Nesse caso refere ao momento que a
obrigação contratual deverá ser cumprida. Imediata é o contrato que logo após a celebração,
ele deverá ser executado, sendo que essa execução é realizada em um único ato. Um exemplo
clássico é a compra á vista. Diferida também é um contrato que deve ser execução em um
único ato, mas o momento a ser executado ocorrerá em um tempo futuro, cita-se como
exemplo, a venda a prazo. Sucessiva é todo o contrato que ocorre de maneira continuada e
como o próprio nome já diz, sucessivamente, ou seja, um exemplo clássico desse tipo de
contrato é o de aluguel.
Dentre outras formas de classificação dos contratos, as citadas acima são as mais
importantes e conhecidas. Cabe observar, ainda, que um mesmo contrato pode ser classificado
de diferentes formas.
O princípio da autonomia de vontade é aquele em que as partes podem livremente
acordarem no que diz respeito a contratar ou não contratar e o conteúdo que será elaborado no
contrato.
O Princípio da Autonomia da Vontade consiste na prerrogativa conferida aos indivíduos de criarem relações na órbita do direito, desde que se submetam as regras impostas pela lei e que seus fins coincidam como o interesse geral, ou não o contradigam. (RODRIGUES, 2007, p.15).
Nesse princípio, as partes são livres para expressarem suas vontades, não sendo
obrigado a contratar, mas caso ocorra a contração não pode afrontar as leis e os bons
costumes.
Para Maria Helena Diniz (2008, p.23/24):
O principio da autonomia da vontade se funda na liberdade contratual dos contratantes, consistindo no poder de estipular livremente, como melhor convier, mediante acordo de vontades, a disciplina de seus interesses, suscitando efeitos tutelados pela ordem jurídica.
Além da liberdade de criação do contrato, abrange a liberdade de contratar e não contratar, liberdade de escolher outro contratante, liberdade de fixar o conteúdo do contrato, escolhendo quaisquer modalidades contratuais reguladas por lei, devendo observar que a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.
Assim, as partes são livres para acordarem quanto ao objeto do contrato, mas sempre
observando a licitude do contrato.
O princípio do consensualismo diz respeito à força que um contrato possui, mesmo ele
sendo verbal. Aqui basta a vontade das partes de celebrarem um contrato para que ele exista.
Segundo esse princípio, o simples acordo de duas ou mais vontades basta para gerar um contrato válido, pois a maioria dos negócios jurídicos bilaterais é consensual, embora alguns, por serem solenes, tenham sua validade condicionada a observância de certas formalidades legais. (DINIZ, 2008, p.36).
Portanto, os contratos podem existir de todas as formas, sendo que somente os atos
solenes que necessitam de alguma formalidade.
Quanto ao princípio da obrigatoriedade esse garante que quanto um contrato foi
celebrado ele deve ser cumprido.
Por esse princípio, as estipulações feitas no contrato deverão ser fielmente cumpridas, sob pena de execução patrimonial contra o inadimplente. O ato negocial, por ser uma norma jurídica, constituindo lei entre as partes é intangível, a menos que
ambas as partes o rescindam voluntariamente, ou haja a escusa por caso fortuito ou força maior (CC,art.393, parágrafo único), de tal sorte que não se poderá alterar seu conteúdo, nem mesmo judicialmente. Entretanto, tem se admitido, ante o principio do equilíbrio contratual ou da equivalência material das prestações, que a força vinculante do contrato seja contida pelo magistrado em certas circunstancias excepcionais ou extraordinárias que impossibilitem a previsão de excessiva onerosidade no cumprimento da prestação. (DINIZ, 2008.p.37).
Portanto, uma vez celebrado o contrato, este deve ser cumprido, sendo que o
patrimônio do devedor responderá pela dívida que não foi quitada.
Já o princípio da relatividade dos efeitos dos contratos garante que apenas os
envolvidos no contrato são obrigados a cumprirem com a obrigação contraídas, garantindo
que os terceiros que não aquiesceram sejam prejudicados.
O princípio da boa-fé assegura que o ato da contração tem que ser leal, regido na
confiança, e auxiliando na formação e execução do mesmo.
Segundo esse princípio, na interpretação do contrato, é preciso ater-se mais a intenção do que o sentido literal da linguagem, e, em prol do interesse social de segurança das relações jurídicas, as partes deverão agir com lealdade e confiança recíprocas, auxiliando-se mutuamente na formação e na execução do contrato. Daí está ligado ao principio da probidade. (DINIZ, 2008,p.37).
Quanto ao princípio do equilíbrio contratual, esse garante que o contrato não possuirá
desiquilíbrios entre as vantagens obtidas pelas partes contratantes.
1.3.3 Política nacional das relações de consumo
Conforme previsto no artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor, a Política
Nacional das Relações de Consumo tem como objetivo garantir a proteção dos consumidores.
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995).
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo; II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: a) por iniciativa direta;
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; c) pela presença do Estado no mercado de consumo;
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho.
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores;
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo;
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo;
VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores;
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos;
VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo.
Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder público com os seguintes instrumentos, entre outros:
I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente; II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do Ministério Público;
III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores vítimas de infrações penais de consumo;
IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo;
V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do Consumidor.
Observa-se que o inciso I, do artigo 4º, diz respeito a vulnerabilidade do consumidor
no mercado de consumo, sendo que, o Estado reconheceu que o consumidor é a parte
vulnerável em uma relação de consumo.
Para Claudia Lima Marques (2013, p.299/230):
Em resumo, em minha opinião, existem três tipos de vulnerabilidade: a técnica a jurídica e a fática. Na vulnerabilidade técnica, o comprador não possui conhecimentos específicos sobre o objeto que está adquirindo e, portanto, é mais facilmente enganado quanto as características do bem ou quanto à sua utilidade, o mesmo ocorrendo em matéria de serviços.[...] A vulnerabilidade fática é aquela desproporção fática de forças, intelectuais econômicas, que caracteriza a relação de consumo. Já a vulnerabilidade jurídica ou científica foi identificada pela corte suprema alemã, nos contratos de empréstimo bancário e financiamento, afirmando que o consumidor não teria suficiente experi ncia ou conhecimento econômico, nem a possibilidade de recorrer a um especialista„. É a falta de conhecimentos jurídicos específicos, de conhecimentos de contabilidade ou economia.
O consumidor, em regra, não precisa comprovar a sua vulnerabilidade, tendo em vista
que a lei previu que ele é a parte frágil na relação de consumo.
Como já afirmava o célebre Rui Barbosa, a democracia não é exatamente o regime político que se caracteriza pela plena igualdade de todos perante a lei, mas sim pelo tratamento desigual aos desiguais. No âmbito da tutela especial do consumidor, efetivamente, é ele sem dúvida a parte mais fraca, vulnerável, se se tiver em conta que os detentores dos meios de produção é que detêm todo o controle do mercado, ou seja, sobre o que produzir e para quem produzir, sem falar-se na figura de suas margens de lucro.[...] Daí por que se parte do princípio da fraqueza manifesta do
consumidor no mercado para conferir-lhe certos instrumentos para melhor defender-se. (GRINOVER, 2001, p.55).
Já o inciso II do mesmo artigo, garante que o Estado sempre interverá para garantir a
proteção dos direitos dos consumidores. No inciso III do artigo 4º, está estampado o princípio
da boa-fé, sendo dever das partes agir com leal e honestidade para garantir o equilíbrio na
relação de consumo.
Nota-se que todos os incisos do artigo 4º buscam a mantença do equilíbrio nas
relações de consumo.
Quanto ao artigo 5º e seus incisos, nota que o legislador mostrou as formas de garantir
os princípios estampados no artigo 4º, garantindo que o Juizado Especial era o meio adequado
para dirimir os conflitos dos consumidores.
Posto isto, os consumidores possuem meios adequados e estampados em lei para
garantir seus direitos quando esses forem afetados.
1.3.4 Contratos eletrônicos
Os contratos eletrônicos são celebrados através da rede mundial de computadores, ou
seja, pela internet, onde a uma oferta de produtos ou serviço ao passo que a uma aceitação
feita eletronicamente. Vale lembrar que contrato eletrônico, para assim ser considerado, deve
ser feito através da rede de computadores, não importando qual foi o meio de comunicação
que a parte teve conhecimento da oferta.
O contrato eletrônico pode ser definido como o encontro de uma oferta de bens ou serviços que se exprime de modo audiovisual através de uma rede internacional de telecomunicações e de uma aceitação suscetível de manifestar-se por meio da interatividade. Pode-se dizer ainda que são todas as espécies de signos eletrônicos transmitidos pela internet que permitem a determinação de deveres e obrigações jurídicos.
Eletrônico é o meio utilizado pelas partes para formalizar o contrato logo, pode-se entender que por contrato eletrônico aquele em que o computador é utilizado como meio de manifestação e de instrumentalização da vontade das partes.
Uma questão a se considerar é o contrato em que uma das partes toma conhecimento da oferta através de um meio escrito, mas que manifesta a aceitação pelo computador; ou então, aquele em que a parte toma conhecimento pela internet via correio eletrônico ou página na WEB, mas a ela aquiesce pessoalmente, manifestando sua vontade por escrito, em suporte de papel.
Para ser considerado eletrônico, o contrato deve ser eletronicamente consentido. Assim, na primeira situação, o contrato pode ser considerado eletrônico, ao passo que na segunda não, já que a aceitação não é feita eletronicamente. (MIRANDA, Janete. Contratos Eletrônicos - princípios, condições e validade. Disponível em:
<http://jan75.jusbrasil.com.br/artigos/149340567/contratos-eletronicos-principios-condicoes-e-validade>. Acesso em: 22 de abril de 2015).
Os contratos eletrônicos podem ser classificados como atípico e livre, sendo, ainda,
subclassificados como Inter sistêmicos, interpessoais e interativos.
Os contratos Inter sistêmicos são aqueles que são efetuados dentro de uma rede
fechada de uma empresa, onde a decisão é tomada pela maquina e não pelas partes.
São utilizados entre as empresas para as reações comerciais de atacado, caracterizando-se primordialmente pelo fato de a comunicação entre as partes contratantes operar-se em redes fechadas de comunicação, através de sistemas aplicativos previamente programados. Destaca-se nesta modalidade de contratação a utilização do EDI – Electronic Data Interchange, o qual permite a comunicação entre os diferentes equipamentos de computação das empresas, por meio de protocolos, mediante os quais serão processados e enviadas as informações. Neste caso há uma vontade informática derivada da despersonalização dos consentimentos contratuais uma vez que as decisões são tomadas pelas máquinas e não pelos contratantes (MIRANDA, Janete. Contratos Eletrônicos - princípios, condições e validade. Disponível em: <http://jan75.jusbrasil.com.br/artigos/149340567/contratos-eletronicos-principios-condicoes-e-validade>. Acesso em: 22 de abril de 2015).
Existem, ainda, os contratos eletrônicos interpessoais, onde apesar de a comunicação
ser realizada exclusivamente pelo computador, isso pode acontecer através de
videoconferência, chats e até e-mail, podendo acontecer essa contratação e aceitação em
tempo real ou por um espaço mais longo de tempo.
Neste tipo de contrato, a comunicação entre partes, opera-se por meio do computador, tanto no momento da proposta como momento da aceitação e instrumentalização do acordo. Usualmente, esse tipo de contratação é feito por e-mail, videoconferência ou salas de conversação.
Podem ser simultâneos, quando celebrados em tempo real, propiciando interação imediata das vontades das partes como no caso dos chats, e salas de videoconferência. Os não simultâneos se dão na hipótese de manifestação de vontade de uma das partes e a aceitação pela outra decorrer espaço mais ou menos longo de tempo. A esta última categoria pertencem os contratos por correio eletrônico equiparados aos contratos entre ausentes, já que mesmo estando as partes se utilizando de seus computadores, concomitantemente, faz-se necessária nova operação para se ter acesso à mensagem recebida. (MIRANDA, Janete. Contratos
Eletrônicos - princípios, condições e validade. Disponível em: <http://jan75.jusbrasil.com.br/artigos/149340567/contratos-eletronicos-principios-condicoes-e-validade>. Acesso em: 22 de abril de 2015).
Por fim, ainda há os contratos interativos, que são aqueles realizados através de loja
virtual, ou seja, o site. Nesse caso, o contratante procura a oferta no site da contratada, sendo
que caso realize a contratação estará aceitando todas as cláusulas previamente estabelecidas
pelo contratado, não tendo condição de discutir o contrato.
São aqueles nos quais a comunicação entre as partes é obtida por meio de interação entre uma pessoa e um sistema aplicativo previamente programado. Como exemplos, têm-se os contratos realizados quando se acessa um site, ou loja virtual. No momento em que as informações sobre os produtos vendidos são expostas na internet, considera-se feita a oferta ao público, e consequentemente demonstrada a vontade do fornecedor. Ao aceitar a oferta, o consumidor aceita todas as cláusulas unilateralmente estabelecidas pelo fornecedor, considerando-se assim contrato de adesão. De se salientar que aplicam-se as normas consumeristas no que tange à contratação à distância. (MIRANDA, Janete. Contratos Eletrônicos - princípios,
condições e validade. Disponível em:
<http://jan75.jusbrasil.com.br/artigos/149340567/contratos-eletronicos-principios-condicoes-e-validade>. Acesso em: 22 de abril de 2015).
No que diz respeito à validade do contrato, apesar de não possuir lei especifica que
regulamente, deve se levar em conta que os contratos devem respeitar os seguintes critérios:
objeto seja lícito, ou seja, obedecendo a lei; a forma que será realizada, pois se um contrato
que é considerado solene for realizado pela internet, este contrato não terá validade; bem
como as partes capazes.
1.3.5 O código do consumidor e os contratos eletrônicos
Conforme foi se aprimorando o uso da internet, também houve o avanço das lojas
virtuais, fazendo com que as relações de consumo em uma rede da internet fossem mais
comuns do que ir a uma loja física.
Assim, os contratos eletrônicos são, em sua maioria, de consumo e não interativos,
sendo equiparado a eles o Código de Defesa do Consumidor, que em seu artigo 6º garante a
transparência dos produtos que são ofertados.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; (Redação dada pela Lei nº 12.741, de 2012) Vigência
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Ainda, o artigo 31 da lei supra citada, determina que os produtos devem possuir a
informação correta para transparência ao consumidor.
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.
Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos refrigerados oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma indelével.
Por fim, pode-se citar também o artigo 49, garantindo que o consumidor pode se
arrepender no prazo de 7 dias da compra do produto, pois o consumidor não teve a
possibilidade de analisar o produto adquirido de perto.
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.
Portanto, apesar de não possuir uma lei especifica que regulamente os contratos
eletrônicos, o Código de Defesa do Consumidor garante direitos ao consumidor, mantendo
uma segurança jurídica e social para as partes envolvidas na contratação.
II – CONSUMO VIA INTERNET
Neste capítulo será abordado sobre o consumo pela internet, as vantagens e
desvantagens, bem como a segurança jurídica existente para esse tipo de transação.
2.1 Aspecto do consumo via internet
Com o passar dos tempos à internet tornou o meio de comunicação mais fácil e barato
para a correria do dia-a-dia. Assim, o Direito tem que regulamentar essa nova forma de
contratação e comunicação, garantindo que a justiça seja aplicada.
O mundo, hoje, vive interconectado e inter-relacionado em uma condição de interdependência jamais vista entre os países submetidos ao fenômeno da globalização, que reduz o planeta a um ambiente comum, onde se confundem os mercados e onde perdem importância as antigas fronteiras geográficas.
Na "sociedade da informação", a riqueza econômica e a concentração de poder não mais têm por pressuposto a detenção de terras ou dos meios de produção, mas sim a possibilidade de acesso às tecnologias de produção e, especialmente, ao mercado consumidor, ou seja, à própria informação. (LEAL, 2007).
Os problemas jurídicos foram surgindo na medida em que o comércio eletrônico foi
evoluindo, fazendo com que, por analogia, o Direito buscasse a evolução quanto a resolução
dos problemas que todas as relações contratuais possam existir.
Como se sabe, no Brasil não há uma lei especifica para o comércio eletrônico, sendo
aplicadas nos casos específicos as legislações vigentes. Isso acontece porque o consumidor
que estabelece uma relação de consumo via e-commerce não pode ficar sem a proteção pelo
simples fato de existir lei específica.
Assim, o Código de Defesa do Consumidor garante, para aqueles que realizaram a
compra, tanto, via comércio virtual ou físico, os mesmo direitos, sendo aplicada a legislação
sempre que houver uma desarmonia de interesses entre as partes.
O comércio eletrônico é caracterizado pelos contratos firmados a distância, fazendo
com que o consumidor desse tipo de comércio traga com si, vantagens e desvantagens quando
da formalização do contrato.
Vantagens
Primeiramente, para os empresários podemos observar que o e-commerce é bem mais
barato do que uma loja física, pois para montar uma estrutura física, apesar de existir as
estruturas pré-montadas, ainda demoraria muito mais tempo do que montar uma estrutura
online.
Outra vantagem para os empresários são que a margem de lucro se torna mais
aumenta, pois não há gasto com funcionários igual uma loja física, luz, água, etc., fazendo
assim que o comércio eletrônico possua preços atraentes, com mais descontos, para quem se
utiliza desse tipo de comércio.
Também, além de permanecerem disponível 24 horas do dia, sem custo adicional com
funcionários, seguranças, etc., há a possibilidade de ganhar todos os tipos de clientes, pois fá
para trabalhar com um leque de possibilidade e diversidades de produtos.
Por fim, pode expandir seus produtos para todos os lugares do mundo, pois no mesmo
instante que uma pessoa está acessando aqui no Brasil, outra pode estar adquirindo no Japão.
A primeira coisa que vocês precisam saber é: Não Existe EX Usuário de Internet. De fato, a Internet hoje é imprescindível para a humanidade. Atento a isso, o crescimento do E-Commerce (Comércio Eletrônico), principalmente no Brasil, é algo colossal. Hoje, o Brasil possui mais de 50 MILHÕES de pessoas que acessam a rede mundial de computadores, então por que não criar um comércio para essas pessoas?
Outra grande vantagem do comércio eletrônico é o espaço físico. Suponhamos que uma pessoa tem uma loja de 200m², quantas pessoas conseguiram entrar na loja ao mesmo tempo? Talvez 50? 100? E quantas pessoas podem acessar um site simultaneamente? Milhares... Se você tiver uma boa divulgação, um bom marketing virtual, seus produtos venderão MUITO mais do que em lojas físicas.
Um site fica 24h por dia, 7 dias por semana no ar, enquanto para manter uma loja física 24h, você teria ainda mais gastos com pessoal, segurança e energia. Além disso, não são muitas pessoas que gostam de sair para fazer compras de 22:00, 23:00. Com certeza essas pessoas preferem ficar em casa, assistindo seus programas favoritos, conversando com amigos em redes sociais e navegando na web, o que resulta em mais visitas ao seu site e consequentemente mais vendas.
Distância: O mesmo site que pode ser acessado aqui no Brasil, também pode ser acessado lá no Japão, ou seja, seu produto também vira alvo do mercado estrangeiro. (LAVÔR, Eduardo. Vantagens e desvantagens do Comercio Eletrônico. Disponível em: < http://dicas-ec.blogspot.com.br/2011/09/vantagens-e-desvantagens-do-comercio.html>. Acesso em: 22 jul. 2015).
Para o consumidor também há as vantagens desse tipo de comércio, sendo que com
um só “clique”, pode efetuar uma compra de um produto até mesmo fora do país. Quanto à
hora de funcionamento, esta fica disponível 24 horas, sendo que qualquer dia e horário, até de
madrugada, a aquisição de bens ou serviços pode ocorrer.
Ainda, a comparação de preços, é bem mais simples e rápida comparando com uma
loja física. Por fim, de qualquer aparelho que possua acesso a internet pode acontecer a
compra de quaisquer produtos.
Maior comodidade na compra do produto ou serviço; Disponibilidade da loja estar aberta 24 horas por dia;
Acesso a qualquer momento por meio de smartphones ou outros aparelhos com conexão à internet, e
Facilidade nas pesquisas comparativas. (Vantagens e desvantagens do comércio
eletrônico. Disponível em: <
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Vantagens-e-desvantagens-do-com%C3%A9rcio-eletr%C3%B4nico>. Acesso em: 22 jul. 2015).
Desvantagens
Apesar das vantagens de baixo custo e maior benefício para o empresário, este ainda,
necessita conquistar os clientes para ganhar cada vez mais espaço nesse ambiente comercial.
Os comerciantes necessitam convencer os clientes que o produto tem sua qualidade
esperada pelo cliente. Garantir que o pagamento efetuado pelo cliente não será fraudado, pois
muitas pessoas tem certa insegurança quando do fornecimento dos dados do cartão para o
pagamento.
Ainda, há a necessidade de conquistar várias pessoas quanto aos bens como roupas,
sapatos, perfumes, sendo que estes, muitas pessoas tem a necessidade de relar, tocar,
experimentar , para poderem decidir pela compra.
Outra grande desvantagem para o empresário eletrônico é em relação a entrega do
produto, sendo que muitas pessoas querem levar seu produto no momento da compra, e isso
não é possuir nesse comércio, fazendo com que o comerciante tenha que garantir que o
produto chegará no dia acordado e ainda, com a qualidade esperada.
A maior desvantagem da loja virtual é: O comprador quer ver o produto, quer testar o produto e leva-lo naquele momento. Esse é o maior desafio do E-commerce, pois ainda há um receio nas pessoas em comprar pela internet, seja pela demora na entrega, por más experiências passadas ou medo de colocar dados do cartão de crédito na internet. Além disso, os compradores tem medo do produto vir com defeito e ter que ser trocado, pois resultará em mais espera e mais tempo perdido. (LAVÔR, Eduardo. Vantagens e desvantagens do Comercio Eletrônico. Disponível