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ESCULTURA E O FALSO-PLANO

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(1)

/8

.

960

MAURICIO SALGUEIRO DE SOUZA'

A ESCULTURA

E O

FALSO-PLANO

*

RIO DE JANEIRO 1 960 :,~;'''tR$IOM)é. FEDf:RAL 00 r.rc

or

JANEIRO

L B

.

A.

(2)
(3)
(4)
(5)

MAURICIO SALGUEIRO DE SOUZA

I

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ED•••••

j

DO IdC ':"... ":,; .0 ! .•• ~-,..

A ESCULTURA

E O

FALSO-PLANO

Tese para concurso de Livre Docência à

cadeira de Escultura

da Escola Nacional

de Belas Artes da

UniV<?Isidade do Brasil

RIO DE JANEIRO

(6)

u

.

F. R. J

.

Eseou

DE DELAS nRT

ES

B

I

BLIOTECA

R

EG

.

60

ANo

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-

,

Dn~ç~o

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(10)
(11)

E

.

.

A

.

.~ ./tR.:IV/lOf: FED~]~Ai..

00 fole

or

JANEiRO

(12)
(13)

----E

.

B

.

o

esforço é grande e o homem é pequeno

.

Fernando Pessoa

(14)
(15)

-11-o

esclarecimento

preliminar

de alguns

conceitos essenciais

faz-se neces

s

ário

à

com-preensão e clareza do assunto

a q

ue n

os

pro-pusemos neste trabalho

.

É

també

m

importan

-te sal ientar que qualquer

minúci

a

f

a

z parte,

necessàriamente,

de um conjunto

m

u

ito mais

amplo, que fixa as diretrizes secundárias

e pro

-picia os elementos

indispensáve

i

s

à

compre-ensão da Idéia Geral que se está a desenvolver

contlnuornente

at

r

avés

de

p

eríodos históricos

diferente

s

e sucessivos

.

Em se tratando

de artes plásticas e

,

par-t

icularmente

,

·de escultura,

é

i

mprescindível

o

e

st

abele

c

imento

dos diversos fatos

histórico

-sociológicos que ligam sua o

r

igem ao meio e ao

momento

que cada conjuntura

social põe de

manifesto

.

Não lhe poderíamos

atr

i

buir

uma

viv

ê

ncio absoluta,

bàs

i

camente

desl

i

gada

dos

di

v

ersos

f

ato

r

es que lhe mot

i

vam a criação

.

A

obra de arte não é, apenas

,

um conjunto

de

f

orma

s

,

muito

menos a fr

i

a

reprodução

de

q

u

alquer

elemento

da natur

e

z

a.

Encerra um

- 13--.

(16)

conteúdo muito mais profundo, traduz uma real idade importantíssima, qual seja a perfeita identidade com os diversos elementos do evo-luir humano.

A estatuária, imóvel representação de fi-guras, fatos e idéias, transmite, entretanto,

uma sensação de grandiosidadeimpressionan

-te. Dentro do formal estatismo, apresenta um ext raordinário vigor, um forte elemento de fi-xação de sentimentos e idéias.

Parece paradoxal a afirmativa de que a estatuária, apesar de inerte, vive intensamen-te. Porém nada mais verídico, pais, em exis-tindo, corporifico uma

sucess

õ

o

de fenômenos mentais bastante intensos para atingira per-

-cepção do espectador. Dispõe de ritmo próprio e imaterial que lhe dá vida e apresenta uma dinâmica fluida, nôomovimento palpável e vi-sualmente perceptível.

O sentido da escultura, em que pese o li -mite material da realização, é enorme, pois,

evidenciando o estágio da civilização de cada época, o faz com princípios peculiares e ritmo próprio. Corno muito bem·salientou Spencer,

tôdo

a natureza é rítmica,· das pulsações do calor às vibrações das cardos dos violinos; das

(17)

---

----~

lã-ondulações

da luz

,

ao ca

l

or e do som ao mov

i-mento das marés

;

da periodicidade

do sexo à

periodicidade

dos planêtas, cometas e estrêlas

;

da alteração

da noite e do dia à sucessão das

estações

;

das osci loções das moléculas ao surto

_e queda dos povos e ao nasc

i

mento

e morte

dos astros.

Reduzir o ritmo da natureza,

d

i

nâmico e

contínuo,

ao ritmo delimitado

pelo expressão

plástica

:

eis o grande problema que se nos

de-para ao analisarmos

o verdadeiro

sentido da

escultura

,

Não é absolutamente

suficiente

a

simples existência de determinada

forma para

que sejamos capazes de compreender

a gran

-deza do fato ou da idéia que ela pretende

re

-presentar

.

Tampouco a cópia rigorosa de qual

-quer objeto

opresento-se

-

nos

como obra

de

arte

.

O grande requ

i

sito exigido é

(

não apenas

a

e

xpressão figurada

destituída

de valor, mas

ju

s

tamente

a obtenção do ritmo particUlar, isto

é, a transplantação

da dinâm

i

ca

natural

para

o estatismo artificial e art

i

f

i

cioso ca

r

acter

í

stico

da arte

escultórico:

N

ão

é

condição

essencial

a disposição

ha

r

moniosa

das m

i

núcias

,

pois, como tão bem

en

s

ina

Boileau

, "

mu

i

tas

vêzes uma be

l

o de

-.

(18)

portanto, a forma do belo através do ordenação impecável da matéria. O principal problema reside; convém acentuar, na tronsformoçóo da homogeneidade incoerentee indefinida da ma

-téria para a heterogeneidade definida e coeren-te que, infundida do ritmo indispensável, seja verdadeiramente capaz de figurar o que a mente imaginou.

Na realização da obra encontramos dois diferentes aspectos nitidamente delineados, emborq reciprocamente dependentes: o sub-jet ivo representado pelo gênio criador que, su-bi imando a idéia, infunde-lhe a grandiosidade artística e o objetivo, traduzido pela perfeição do trabalho técnico, pelo aprimoramento do re-vestimento material. Não há dúvida de que a carência de técnica adequada prejudica fun-damentalmente o elemento subjetivo. Não poderíamos conceber uma grande criação es-cultórica sem o equivalente virtuosismo téc -nico.

Como é lógico, concepção nada vale sem concretizoçôo: os duas partes são. fotôres pri -mordiais do todo indispensável

à

Arte.' O pró

-prio gênio inexistiria se não dispusesse do con-veniente meio de expressão. A técnica é, pois, -. 16

(19)

-- 1 7-requisito precípuo a ser atendido pelo- bom artista e o estudo de suas múltiplas facetas não deve jamais ser descuidado, m~smo nas mais insignificantes minúcias. Constitui êrro as u-posição de que as pequenas faltas na execução não acarretam prejuízo ao conjunto estético. O que deve ser buscado contInuamente é o

perfeito monêjo do buri I, a fim de que o reves

-timento exterior da concepção se aproxime cada vez mais do ideal desejado.

Não seria possível desconectar o obra de arte, sobretudo a escultura, do complexo de circunstâncias que formam as reolidodes so -ciais de cada época. É fora de dúvida que os diferentes estilos artísticos que se sucederam no transcorrer dos séculos foram indelevelmen -te marcados por um cunho característico que Ihes conferia uma autenticidade sociológica in-discutível. Á medida que o processo histórico se desenrola, a arte muda de forma para que esteja sempre perfeitamente identificada com cada fase da civilização. É a variação externa visual, não a transformação estética ou a trans -figuração do sentimento; êstes permanecerão eternamente imutáveis.

O processo do suceder histórico, segundo

(20)

vida; como tão bem salienta Hegel: nenhuma condição é permanente, pois, em cada fase das coisas, existe uma contradição que somente pode ser solucionada pelo confl ito dos contrá

-rios. A cada movimento da dinâmica histó

-rica corresponde uma reação violenta em sen

-tido contrário; do entrechoque de ideologias nascerá, forçosamente, uma nova maneira de existir, condensada em fórmulas adequadas

à

nova realidade social então surgido. Os gran-des artistas de tôdas as fases descobriram uma verdade que era a verdadeira Verdade de sua época, de seu mundo. Era, por assim dizer, observa Hegel, a espécie da ordem imediata que já se achava formada nas entranhas do tempo.

Não necessitamos de

exoeercdos

conhe

-cimentos para o discernimento dos diferentes estilos artísticos que simbolizam as grandes criações do gênio de cada povo. A estatuária egípcia, agrega; e a chinesa, por exemplo, ev

i-denciam marcas inconfundíveis, como a de-monstrar o

i

mpocto

que sofreram das condições

humanas de suas respectivas épocas. Os refle

-xos que sofreram da sociedade são marcantes e os estilos, condicionados pela realidade mo

(21)

-.' '.' :,L. fm.:~l.

(;,~ /·IC ;:~ JAN[IRO

E

.

B

.

A.

mentânea, demasiadamente característicos para serem confundidos.

O esti

10

é o homem, não resta a menor dúvida. Mas,como o homem é parte integrante de uma coletividade, dela receberá necessària

-mente, forte influência em todos os ângulos da personalidade. Há o elemento estilístico, unificador, que investe os artistas de cada povo de uma di retriz geral artística, que ficará sen-do o seu estilo.

No mundo moderno observamos o fenô-meno do estreitamento cultural entre os povos,

produto da constante redução das distâncias e da contínua superação das barreiras entre êles existentes. É outra fase do processo histórico, produto do vertiginoso progresso científico, que originou a transformação violenta do modo de

viver.

Reflexo acentuado dêste entrelaçamento no cenário do mundo atual receberam os ma -teriais empregados em escultura. A preferên

-cia quase obrigatória dos antigos por deter-minados elementos, que Já não se fazia com a .nitidez de outrora, desaparece. Torna-se hoje impossível corocterizó-los visto estarem subordinados a uma série de problemas por

(22)

-de-mais complexos. Abordaremos, portanto, os que, até a época atual, têm sido usados com maior constância. Dada a variabilidade da preferência, qualquer elemento, desde que reúna as qual idades indispensáveis ao aprovei-tamento plástico, pode tornar-se aplicável

à

arte de esculpir.

L,

o

gêsso, pelas suas condições econômicas e de maleabilidade, estabelece um verdadeiro monopólio, mais acentl1odo ainda no terreno

cia moldegem. Além de aparecer como

ele-mento principal, auxilia a outros, fornecendo o que Ihes falta. Favorece o emprêgo, pela fundição .. de diversos metais, possibilitando que venham até êstes os trabalhos executados em barro, plastilina, cêra ou qualquer outro material conqênere. O 'barro, entre êstes, é utilizado com uma freqüência bem mais mar-cante por motivos óbvios. Sua variedade pou-co importa por ser êle ápenas um veículo -Sua resistência ao tempo é nula. Justifique-se o esquecimento dado aos barros cozidos, como a terra-cota, por estarem êstes, se não no cam-po dacerâmico, pelo menos na imaginária fronteira que, entre ela e a escultura, poderia

ser estabelecida. Aceita variados tratamentos

oferecendo texturas diversas. Por esta qual

(23)

-.' "~;IS,~l,~Df: fDEfiAl

n.~

IiC t1~.J..~N[jRO

~ ~

A

.

... o.

.

----

-

-_

--

1

dade torna-se relativamente perigoso, pois re-gistra os mais leves deslizes que uma técnica menos apurada possa cometer. Exige, dada a sua fraca consistência, uma armação interna.

Por uma possível hidratação desigual apresen-ta sua p!asticidade irregular, tornando mais

di+íci I o domínio de sua superfície e

provocan-do, não raro, o aparecimento de falhas ou fal-sos-pianos.

A madeira e a pedra gozam também de uma situação privilegiada em se tratando de aproveitamento para a escultura, sendo de no-tar a variedade que nos apresenta a natureza. Pela facilidade de aceitar tratamentos e aspec

-tos diversos na sua apresentação externa, tam-bém os metais assumem sua posição de varia-biiidade. Esta característica auxilia o artista ampliando-lhe o campo em que se desenvolvem suas qualidades criadoras, possibilitando um estudo mais apurado, não só da estruturação das formas, mas, também, de sua correspon-dência com o material escolhido, favorecendo, ainda, um aproveitamento mais adequado da

iluminoçôo em funçôo do que pretendia .

.No uso dos materiais podem ser empre-gadas técnicas diversas que serão as

respon-sóveis pela apresentação da superfície, sendo

(24)

21-estas tão mais ricas quanto êles o permitirem pela sua maior ou menor facilidade de aceitar a imaginação. Uma tendência perigosa nas diretrizes atuais da escultura é a substituição do objeto criado pelo natural ou apresentado, produzindo uma confusão grave estabelecida pela não identificação

dês+es

elementos. "O rápido desenvolvimento da técnica não só ace-lere a variação da moda, mas também a varia-bilidade dos critérios de gôsto estético, e, mui-tas vêzes, origina uma mania insensata e esté-ril de inovação, uma ânsia sem tréguas do novo só porque é novo." (1) A acomodação de al-guns artistas atuais às texturas do acaso,

apro-veitando-as em suas obras, é uma das princi -pais responsáveis pela situação criada. A des

-valorização da matéria estudada cede ao apro-veitamento da matéria natural - é sempre mais fácil aproveitar o que existe do que fazer

existir. As peças de escultura são substituídas

por pedras, raízes e outros elementos de mais

fácil acesso. Apesar dos deslizes diversos pro -vocados pela agitação violenta que uma evolu

-ção tornada confusa por excessiva aceleração vem promovendo nos meios influenciantes das

esrruturos da sociedade moderna, podemos

(1) Arnold Hauser - História Social da Arte e da Cultura.

(25)

22-I

'í\'''t1?~~'~'':;éri:DUlAl

I

r,-. -rr- : JA;I1E1f!O

1-também

sentir os efeitos

favoráveis

que ela

produz nas metas verdadeiras

da arte de

es-culpir

.

Assim como nos limitamos a enumerar

mcterioi

s

deveras

conhecidos,

procuraremos

estudar superfícies e técnicas de uso rotineiro.

Os problemas surgidos na dificuldade

de

execução

podem vir a prejudicar

o processo

criador

pela dispersão

da atenção.

Pôsto o

pensamento

em liberdade pelo domínio da

ma-téria, a imaginação

tornar-se-á

mais ampla na

busca de melhores soluções estéticas

.

O

pre-juízo da obra pode ser então melhor avaliado

se somarmos os erros da má realização

às

fa-lhas impostas ao campo subjetivo pela

disper-são acima referida

.

Ao tratamento

do barro, um dos

elemen-tos de maior presença

no ofício da escultura,

poderão ser atribuídos

diversos métodos que,

somados aos processos usualmente

emprega-dos nas pedras, e ainda aos próprios emprega-dos

de-mais materiais,

tais como metais,

madeira

e

outros, nos mostrarão

como se faz larga

a

grandeza

que os abrangeria.

Todos, entretan

-to, têm por mesmo objetivo tornar claro o que

se pretendia.

Seja polida a superfície do barro

pelo processo da espátula

corrida, seja porosa

o

u de qualquer

outra fatura,

o importante

é

(26)

23-(2) - Benedetto Croce - A Estética

.

~ f _ __

revelar uma harmonia perfeita com a técnica escultórica, possibilitando a contemplação se -rena dos ritmos e valores que devem existir para a grandiosidade da peça. As irregulari -dades desagradáveis que, porventura, apare -ç.am nos planos de uma obra, responsáveis di -retos pelo formação das sensações iniciais, não serão nunca confundidas às texturas ásperas ou torturadas, como a espatulada (nos barros), a apicoada (nas pedras), q machucada (nos metais), havendo sempre uma nitidez bem ca -racterizada na confrontação da constante rí t-mica de uma irregularidade consciente, com a desagradável confusão estabelecida pela

pre-se

n

ço

do falso-plano, qualquer que seja a ten -dência da obra.

"A arte não classifica objetos, não os d e-clara reais ou imaginários, não os qucllfico, não os define; sente-os e apresenta-os - nada mais". (2) Comprovada a capacidade de sen -tir, resta a de apresentar. A técnica é o terreno pelo qual caminha tal virtude. Sua ausência dificultaria, podendo mesmo impossibilitar a realização. Não se pode esperar mais do que ela pode dar; - define o meio pelo qual pode ser rncnifestodo a idéia. O tratamento da su-perfície é um dos principais detalhes de seu

(27)

-Fig.l

(28)

Fig. 2

Jean Arp - Pedra

(29)

L B.

,

.

~

--

---~

conj

u

nt

o

.

A apresentação

dos planos desta,

variando de acôrdo com a textura empregada,

pod

e

rá facilitar

ou dificultar

a

i

dentificaç

ã

o

das possíveis

falhas

,

entre

as quais

cremo

s

como das principais o falso-plano

.

O folso-plcno

e

o mácula

no pureza

de

u

m

a superfície, é o rompimento do continuida

-de belo -de ~rna direção pré-estabelecida,

é o

variação

involuntório

gerado

por uma

defi-ciência técnico, ou por uma percepção

menos

apurado do movimento desejado

.

É

o presença

da insegurança

dand

o

ao êrro o direito de in

-ventar

.

Além do prejuízo

sofrido pelo dese

-nho, pelos sombras e pelo modelado, acrescen

-te-se a perda parcial

da sensação

agradável

que nos domina ao contemplarmos

a harmonia

de massas e espaços.

Constitui o falso

-

plano

u

m d

o

s

mais rígidos ob

s

c

ul

os

q

ue se leva

n-t

a

m entre a idealização

e

a

e

xe

c

u

ç

ão de u

ma

ob

r

a

.

N

ã

o pode ser cons

i

derado

somente êrro

vi

s

ual anulando

-

se

a idéia de sua submiss

ão

à

s

ensibilidade,

como o n

ã

o p

o

de

mos conce

b

er

como prova da ausência

desta

.

É

nece

s

sár

io

percebê

-

Io

-

-

Io e senti

-

Io

.

Éle só se faz pr

e-s

ente às vistas educada

s,

variando

s

ua per

c

ep

ão d

e

pe

ss

oa para pe

ss

oa pode

n

d

o

,

i

n

c

lu

siv

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,

perm

a

ne

c

er

e

t

e

rn

ame

nt

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oc

u

l

t

o

.

A p

r

ese

n

ça

(30)

-do falso-plano

em duas superfícies

que

r

e

en-contram

prejud

i

cará

o desenho

que o artista

pretender.

A beleza da linha (Fig. 1) cederá

lugar a um conjunto desagradável

de direções

incertas.

Quando da representação

da figura

,

além da desvalorização

da superfície far-se-á

sentir sua ação nas passagens

anatômicas

do

modelado, confundindo-as

e mesclando os

va-lores que as identificariam

;

também os valores

que se desenham

numa forma abstrata

(Fig.

2)

acusariam

uma perda sensív

e

l de sua melhor

apresentação,

sacrificando

a estrutura

e a

i

n-te

n

ção.

A lucidez da demonstração

conjunta

dos movimentos

rítmicos des

e

nhados

pelas Ii

-nhas gerais de composi

ç

ã

o

e contornos

será

parcialmente

prejudicad

a

na

s

te

n

tat

i

vas

de

r

e-ve

la

r as

q

ual idades estéticas da obra

.

A v

is

u

a-l

i

za

ç

ão dêste êrro terá

s

ua facilidade

pro

p

or-cional à simpl ic

i

dade

do plano

.

As

f

aturas

torturada

s

,

dadas as irregularidades

q

ue pos

-su

e

m, terão disfarçado

s

o

s

falsos

-

planos.

Tor

-na-se então necessária

a

obse

r

vação das co

n

s

-tantes rítmicas

.

O

s

grandes planos de v

i

da pró

-pr

i

a mais acentuada,

pela sua posição de ev

i-dência ,t

e

r

ã

o mais acidentadas

as passagens a

transpor em sua trajetória

da real

i

dade vulgar

para o mundo super-real

.

Ocorre, em favor d

a

(31)

28-E

.

8

.

A

.

desvalori

z

a

ç

ão

d

êst

e

s

, um emolduramento

da

-queles erros, dando-

I

hes mais ação

.

Os res

u

ltados

obtidos

na idea

l

ização

e

real ização das esculturas

estão sempre

s

ubo

r

-di

n

odos

à

luz

.

A iluminacão

~

é um fator

I

de

suma importância

na apresentação

da inten

ão que

s

e possa querer revel

a

r

.

É

obrigaç

ão

do escultor ter uma v

i

são antecipada,

preo

cu-pando-se

com os efeitos que os impactos

da

lu

z

virão causar em suas obras

;

deve lemb

rar

-s

e sempre que elas esta

r

ão à suo mercê

.

Q

uan-do forem destinadas

a f

i

car ao tempo

,

em

am

-bi

e

nte aberto, será necessário lembrar a va

ria

-ção de

i

lumina

ç

ão a que estará sujeita, desd

e

a

sombra completa das no

i

tes sem lua até a

i

n

-te

n

sidade

luminosa do sol do meio dia, e

qu

e,

apesar

da maneira

diversa de se compo

rtar

,

tem esta variação

a sua correspondente

e

m

re

c

intos fechados

.

Tôdas as partes,

mas

sas e

detalhes,

receberão,

pois, as mais difere

nt

es

formas de iluminação

.

Os efe

i

tos produz

i

dos

por raios que incidem obliquomente

sôbre de

-terminada

superfície

serão bem diversos dos

qu

e

v

enham a ser provocad

os

por

r

a

i

os de

i

n-cidên

c

i

a perpe

n

d

i

cu

l

ar

.

Queremos agora sal

i

entar

a importância

do falso-plano quando se observa a iluminação

(32)

9-d

e

d

e

t

e

rminada

escultura

.

Êle estará represen

-ta

d

o p

e

l

o

difi

c

uld

a

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e

causada

ao estudo dos

e

f

ei

t

o

s

q

u

e

porventura

queir

a

o art

i

sta

tirar,

produz

in

do

desenhos falsos que se renovarão

par

a cad

a

variação da iluminação,

imiscuíndo

-s

e

no

s

d

e

mais, confundindo-o

s

e desvalorizan

-do

-

os

. A

s

varia

ç

ões intencionais

da percepção

d

as f

o

rm

e

s das massas e detalhes

pela altera

-çã

o da luz serão levadas por caminhos errados,

pe

r

d

endo

o escultor

uma poderosa

fôrça, da

qual pod

e

rio se servir para atingir a meta pre

-tendida

.

(33)

-BI8LIOGRAFIA

Tecnica de ia escultura - Vicente Navorro A'Estética Denis Hutsmon

A Estética Benedetto Croce

Arte Necessidode Vital - Mário Pedrosa

A Técnica e a Matéria na Escultura - H. leão Veloso História Social da Arte e da Cultura - Arnold Hauser The Art of Sculpture - Herbert Read

Sculpture of the Twentieth Century - A. C. Ritchie Técnica dos escultores - Armando Schnoor

Ciência dos Materiais De:ntários - Eugene W. Skinner

O Gêsso - Carlos dei Negro

Enciclopédia e Dicionário Internacional - W. M. Jackson Teoria de Ias Artes - José Jordán de Urries y Azara

Concepção Atual da Natureza da Escultura - Mário Barata

EI Proceso dei Arte - Stanislas Fumet Sculpteurs de Ce Temps - Jacques Baschet

Sculpture: Theme and Variations - E. H, Ramsden

Masterpiece~ of Sculpture - Charles Seymour Jr.

Escurtura Contemporânea Norte Americana - Celita Vacconi Histâria de Ias Estilos Artisticos - K, D. Hartmann

Historia Grafica dei Arte Universal - Julio E. Payro

História da Arte - Sheldon Cheney

Histaria General dei Arte - Editorial Aristides Qu.llet

la Escultura Antigua - Pedra Paris

Enciclapedia labor

Hísrorío dei Arte - Jose Maria de Azcarate Histaria de Artes Plásticas - Jorge Romcro Brest

Michel-Ange - ludwig Goldscheider

A Arte e a Vida Social - Plekhanov

la Vida y Ia Obra de Auguste Rodin - V. Frisch y J. Shipley

(34)
(35)
(36)

Referências

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a viver na felicidade completa. Vós, Deus de ternura e de bondade, nunca vos cansais de perdoar.. Concedeis agora a vosso povo tempo de graça e reconciliação. Daí, pois, em

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