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Braz. j. . vol.75 número4 pt v75n4a21

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Brazilian Journalof otorhinolaryngology 75 (4) Julho/agosto 2009 http://www.bjorl.org.br / e-mail: [email protected]

CASE REPORT RELATO DE CASO Braz J Otorhinolaryngol.

2009;75(4):616.

Granuloma Reparativo de

células gigantes de mandíbula

Mandible giant-cell reparative

granuloma

Michelle Manzini1, Christian Deon2, Liliam Dalla Corte3,

Luciana Boff de Abreu4, José Carlos Bertotto5

INTRODUÇÃO

O granuloma reparativo de células gigantes ougranuloma central de células gigantes (GCGC) é considerado um tumor intra-ósseo, incomum, não-neoplásico, e responsável por menos de 7% de todas as lesões expansivas da mandíbula, sua localização mais comum.1-3

Acomete mais jovens - 75% dos casos ocorrem em pacientes com menos de 30 anos.4 Há uma predileção maior pelo sexo feminino.5

Este artigo descreve um caso de GCGC, com acometimento da mandíbula, e revisa características inerentes ao GCGC, com ênfase no diagnóstico, permitindo, assim, uma terapêutica menos mutilante.

RELATO DE CASO

Paciente feminina, 30 anos,parda, procurou o Serviço de Otorrinolaringolo-gia por recidiva de tumoração mandibular esquerda, com crescimento progressivo, in-dolor, associada à deformidade facial, após exérese cirúrgica de granuloma reparativo de células gigantes no ano anterior.

Referiu extração dentária prévia, 11 anos antes,na região mandibular esquerda. Negou antecedentes mórbidos.

Oexame físico revelou tumoração de consistência endurecida e indolor, presença de saliência óssea na região mandibular esquerda associada à defor-midade facial.

Os exames laboratoriais de rotina e o cálcio, fósforo séricos e fosfatase alcalina foram normais.

A radiografia panorâmica mostra área radiolúcida no corpo da mandíbula esquerda, área pós-cirúrgica recente, com discretos sinais radiológicos de regenera-ção óssea.

A tomografia computadorizadade mandíbula apresentou alteração morfo-estrutural com remodelamento ósseo e

grande área lítica irregular do corpo e pro-cessos alveolares da mandíbula esquerda que pode corresponder a alteração pós-cirúrgica ou recidiva tumoral (Figura 1).

Realizou-se a exérese cirúrgica da tumoração, executada sem intercorrên-cias.

O anatomopatológico confirmou granuloma reparativo de células gigantes.

DISCUSSÃO

O mecanismo da formação dessas lesões ainda permanece incerto. As causas locais sugeridas são o trauma e os insultos vasculares, já as causas sistêmicas relatadas na literatura relacionam o desenvolvimento de GCGC a síndromes como,a Neurofibro-matose I, a Síndrome de Noonan e distúr-bios hormonais como hiperparatireoidismo e gravidez.4

O quadro clínico, que pode evoluir em poucas semanas ou mesmo anos, geral-mente está associado à expansão tumoral e seus respectivos efeitos compressivos sobre estruturas adjacentes, com possibilidade de desconforto local, mas a dor franca é pouco freqüente. Clinicamente, o diag-nóstico diferencial do GCGC inclui desde um cisto até uma lesão maligna, devendo ser investigado o grau de agressividade, rapidez de desenvolvimento, presença de características inflamatórias, dor e a mobi-lidade dental.4

As características radiográficas dos GCGC não são patognomônicas, apresen-tam-se como imagens radiotransparentes uni ou multiloculares, bem delineadas e com margens descortiçadas.5 Um aspecto importante para definir a localização e extensão da lesão e planejar o tratamento do GCGC é a solicitação da tomografia computadorizada.1,4

Radiograficamente, os diagnósti-cos diferenciais são cistos, granulomas periapicais, ameloblastomas, ceratocistos, mixomas e sarcomas.

A histologia é caracterizada por células gigantes distribuídas pelo tecido conjuntivo frouxo4.A partir do exame histopatológico, outras patologias podem apresentar características indistinguíveis dos GCGCs, como os tumores de células gigantes, tumor marrom do hiperpara-tireoidismo, cisto ósseo aneurismático, querubismo e displasia fibrosa.4

É importante observar o exame de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e parator-mônio para excluir hiperparatireoidismo.4 O prognóstico é bom e não há

relatos de metástases o que confirma a característica benigna da lesão.4 Os tipos agressivos apresentam maioríndice de re-corrência. A escolha da terapia dependerá da idade do paciente, da característica clínica da lesão e sua agressividade.

O tratamento de escolha para o GCGC é o cirúrgico.1 A recorrência pós-operatória é de 4 a 12%, e geralmente atri-buída à ressecção incompleta do tumor.2

A curetagem é o tratamento mais utilizado, pela facilidade de execução e baixo grau de recorrência. Geralmente as recorrências respondem bem à nova cure-tagem, a menos que a lesão seja agressiva. Para lesões mais agressivas ou que perfu-ram corticais, envolvendo tecidos moles, pode-se indicar ressecção em bloco.5

A radioterapia é contra-indicada devido ao potencial de transformação sarcomatosa já relatada.5

P a r a l e s õ e s r e c o r r e n t e s o u extensas,têm-se indicado terapias alterna-tivas, que visam a regressão ou eliminação da lesão, evitando procedimentos cirúrgi-cos mais invasivos e mutilantes.4

COMENTÁRIOS FINAIS Os GCCCs são alvo de muitas pes-quisas e discussões, pois há muitas teorias para explicar sua etiologia e apresentação clínicas. Por se tratar de uma lesão benig-na, o diagnóstico correto evita tratamentos radicais mutilantes. A curetagem é ainda muito utilizada com alto índice de suces-so. Para lesões extensas ou recorrentes, a terapia, com injeções intralesionais de corticosteróides, pode ser utilizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Sobrinho FPG, Martins AC, Queiroz LS et al.

Gra-nuloma reparativo de células gigantes dos seios etmoidal e maxilar. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004;70(4):555-60.

2. Arda HN, Karakus MF, Ozcan M, Arda N, Gun T. Giant cell reparative granuloma originating from the ethmoid sinus. Int J Pediatr Otorhino-laryngol. 2003;67(1):83-7.

3. De Corso E, Politi M, Marchese MR, Pirronti T, Ricci R, Paludetti G. Advanced giant cell repa-rative granuloma of the mandible: radiological features and surgical treatment. Acta Otorhino-laryngol Ital. 2006;26(3):168-72.

4. Franco RL, Tavares MG, Bezerril DD et al. Gra-nuloma de células gigantes central. Rev Bras Patologia Oral. 2003;2:10-6.

5. Adornato MC, Paticoff KA. Intralesional corticos-teroid injection for treatment of central giant-cell granuloma. Case report. JADA. 2001;132: 186-90.

Palavras-chave: mandíbula, neoplasia, tumor. Keywords: mandible, neoplasm, tumor.

1 Acadêmico do quarto ano do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul. 2 Acadêmico do quarto ano do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul. 3 Acadêmico do quarto ano do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul. 4 Acadêmico do quarto ano do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul.

5 Professor titular da cadeira de Otorrinolaringologia e coordenador da Unidade Ensino Médico Oftalmo-Otorrino do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul. Universidade de Caxias do Sul.

Endereço para correspondência: Rua Francisco Getúlio Vargas 1130 Petrópolis Caxias do Sul RS 95070-560. Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 23 de maio de 2007. cod. 4539.

Artigo aceito em 28 de junho de 2007. Figura 1. Tomografia computadorizada de mandíbula

Imagem

Figura  1. Tomografia  computadorizada  de  mandíbula  mos- mos-trando alteração morfo-estrutural com remodelamento ósseo e  grande área lítica irregular do corpo e processos alveolares da  mandíbula esquerda.

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