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Cad. Saúde Pública vol.30 número3

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Academic year: 2018

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455

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 30(3):455-457, mar, 2014 EDITORIAL EDITORIAL

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311XED010314

Cadernos de Saúde Pública

: 30 anos

Sob o signo da criatividade e por iniciativa de Frederico Simões Barbosa e Luiz Fernando Fer-reira, nascia em 1985 a revista Cadernos de Saúde Pública (CSP). Eram tempos de efervescên-cia de ideias e projetos políticos essenefervescên-ciais à luta pela democraefervescên-cia e pela Reforma Sanitária no Brasil. A publicação de periódicos especializados fez parte do projeto de constituir a área de saúde coletiva, e a criação de CSP veio somar ao esforço de estabelecimento de pontes entre a academia e os serviços de saúde.

Desde o início, CSP tem se pautado pela busca de reunir qualidade acadêmica e promo-ção de debates sobre temas relevantes, com ênfase nas discussões sobre os desafios na im-plementação do SUS. Ao mesmo tempo, vem participando das mais valiosas iniciativas de editoria científica no país, aderindo na primeira hora à política de acesso aberto ao conhe-cimento. Na consulta às estatísticas da base SciELO, constata-se que CSP alcançou a marca de mais de 24 milhões de acessos (em 1o de março de 2014), o que significa tratar-se do pe-riódico com mais artigos procurados em um universo de três centenas de revistas. Decisivo para este resultado foi a participação ativa de todas as equipes dedicadas à tão árdua tarefa nesses 30 anos e o apoio institucional da Ensp/Fiocruz, que tem CSP como uma de suas mais importantes realizações.

Uma característica de CSP é o convívio entre a forte profissionalização e a preservação do que poderíamos chamar de artesanato intelectual, conferindo à sua editoria um tom bastante pessoal. É interessante pensar nesse aspecto recorrendo a uma breve digressão. Os modelos clássicos de periódicos científicos datam do Século XVII, e se firmaram co-mo alternativa à comunicação científica anterior veiculada por cartas entre sábios ou em atas e memórias de sociedades científicas. Desde suas origens, a linguagem dos periódi-cos foi caracterizada pela impessoalidade e constituiu uma das características da própria construção do cientista como categoria social. Ora, CSP não destoa desse modelo e pode-se mesmo afirmar que contribuiu para sua consolidação no Brasil. Contudo, pode-seus leitores sempre foram brindados com o apuro estético e o toque pessoal de seus editores. Basta lembrar a busca pela afirmação nacional e internacional da revista e os instigantes edito-riais do período de duas décadas em que Carlos Coimbra Jr. foi Editor. Isso sem falar nos calendários cuidadosamente por ele preparados, verdadeiros achados de pesquisa, reu-nindo conhecimentos e também sensibilidades que constituem a saúde coletiva. Desde 2013, com a editoria de Marilia Sá Carvalho, Claudia Travassos e Cláudia Medina Coeli, a qualidade e a criatividade permanecem como características do periódico e passamos a vê- lo em tom cor de rosa, referência às relações entre ciência e gênero, como acentuaram as editoras em dezembro do ano passado (vol.29, n.12). No balanço feito por elas destacam-se novidades como a Seção Perspectivas, pautada pelo confronto de visões sobre assuntos polêmicos. Ressalta-se também a busca por inovar na forma de divulgar conhecimentos, em um contexto marcado por desafiadoras tecnologias de comunicação. Mas o mais im-portante é ver um periódico que efetivamente se institucionalizou e por isto mesmo pode ser repensado e ganhar novas cores, o que só aumenta a nossa responsabilidade em apoiá- lo e contribuir para que CSP se aprimore como mosaico da interdisciplinaridade da saúde coletiva e no estabelecimento de vínculos criativos entre conhecimento científico, políticas de saúde e percepção pública sobre o papel da ciência.

Nísia Trindade Lima

Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

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