Direitos Humanos fundamentais da Constituição de 1988
Direitos Humanos fundamentais da Constituição de 1988
Antes de falarmos dos direitos fundamentais em nossa Constituição Federal, devemos nos lembrar do que fez com que a mesma foi criada. Antes o Brasil era governado por um governo militar que controlou o país por 21 anos e interferiu em todos os setores da sociedade brasileira, muito historiadores dizem que no Brasil ocorreu um regime militar e com isso foi eliminado o Estado de direito que tinha o compromisso de assegura a dignidade da pessoa humana e a proteção da liberdade, todos que faziam parte dos direitos fundamentais.
Durante esse período de ditadura militar foram criados Atos Institucionais que foram retirando os direitos da população, primeiramente a participação na política foi amplamente reprimida como também as garantias constitucionais, com o primeiro Ato Institucional chamado de AI-1 e foram suspensas as eleições diretas para Presidente da Republica, com o AI-2 estabeleceu o fim dos partidos políticos e concedeu ao Presidente o direito de fechar o Congresso Nacional e ainda que os atos praticados pelo alto comando não fossem investigados, e por fim com o AI-5 foi fechado o Congresso e deu aos militares total poder sobre as vidas brasileiras.
A Constituição Cidadã rompeu de vez com o passado autoritário e, no lugar da supressão de liberdades imposta durante a ditadura militar, fez surgir novos valores favoráveis à redução das desigualdades sociais, aos direitos fundamentais, à democracia e a todos os valores ligados à dignidade da pessoa humana.
(CASADO FILHO, 2012, p. 91).
Os direitos fundamentais em nossa Constituição Federal nos trazem que todos os seres humanos já
nascem com os direitos e garantias, assim como esta descrita na Constituição Federal de 1988, onde não se pode considerar que isso é somente uma concessão do Estado, mais sim criados das manifestações de vontade das pessoas através do tempo e de exemplo de outros ordenamentos jurídicos e alguns apenas foram reconhecidos nas leis como diz Noberto Bobbio.
Os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizados por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas. (BOBBIO, 1992, p. 5).
O famoso artigo 5º Constituição Federal de 1988, no Capítulo I, do Título II da Constituição, recebeu o nome de “Dos Direitos e Deveres Individuais E Coletivos”.
Os constituintes originários pensavam em fazer dois capítulos um para cada direito onde seria um só de direitos individuais e outro só de direitos coletivos, mas acabaram unificando os dois tipos de direitos em um só artigo e capítulo.
A Constituição Federal de 1988 nos traz em seu Titulo II, os Direitos e Garantias Fundamentais, onde se divide em cinco capítulos.
O primeiro capitulo traz sobre Direitos Individuais e Coletivos, no segundo capitulo sobre os Direitos Sociais, e no terceiro capitulo sobre os Direitos de Nacionalidade, no quarto sobre o Direitos Políticos ou Eleitorais e por ultimo sobre os Direitos relacionados à Participação em Partidos Políticos.
No caso o primeiro capítulo que são os Direitos Individuais e coletivos são os direitos que estão diretamente ligados ao conceito de pessoa humana bem como a sua personalidade, tais como à vida,
igualdade, dignidade, segurança, honra, liberdade e a propriedade.
Estão todos no artigo 5º e seus incisos da Constituição Federal.
Logo em seguida temos o segundo capítulo que são os Direitos Sociais onde o Estado Social de Direito tem a obrigação de garantir as liberdades positivas aos indivíduos.
Esses direitos estão ligados à educação, trabalho, saúde, lazer, previdência social, segurança, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.
Estão no artigo 6º da Constituição e tem por finalidade melhoria da condição de vida dos menos favorecidos.
No terceiro capítulo temos os Direitos de Nacionalidade, na prática isso é sobre o vinculo jurídico do individuo a um determinado Estado, fazendo que o individuo seja parte desse Estado. E em contrapartida o Estado
impõe deveres a este individuo.
Já no artigo 5º § 2, existe o dispositivo que afirma que os direitos fundamentais não estão restritos simplesmente ao Titulo II da Constituição Federal, o que significa dizer que o constituinte afirma que os direitos e garantias fundamentais estão previstas em todo contexto da Constituição Federal, mais como já foi dito anteriormente em Tratados Internacionais de direitos humanos, então o rol de direitos fundamentais trazidos para a Constituição é um rol exemplificativo onde se tem uma concentração de direitos fundamentais no Titulo II, mais não somente nesse titulo, mais em todo o texto constitucional. E um exemplo disso é o artigo 150º da Constituição Federal que foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal como um direito fundamental.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;
(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;
VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013)
§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
§ 2º - A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º - As vedações do inciso VI, a, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
XII - cabe à lei complementar:
g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados.
Além disso, a proteção aos direitos das pessoas foi inserida, conforme art. 60, § 4º, IV, no rol de cláusulas pétreas da Constituição.
O ADCT também foi alvo de inovações, e, em seu artigo 7º teve-se a visão de elaborar um tribunal internacional dos direitos humanos.
Em relação à Emenda Constitucional 45, de dezembro de 2004, também é possível ver novidades sobre os direitos humanos.
Nesse contexto, a citada emenda acrescentou o parágrafo terceiro ao artigo quinto, estabelecendo que os tratados de direitos humanos possuem status jurídico formal.
Assim, os tratados internacionais de direitos humanos que forem aprovados no Congresso Nacional em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão dotados de status de emenda constitucional.
Outra inovação foi à introdução do parágrafo quinto ao artigo 109 o qual expõe que permite os casos que podem configurar violação de tratados internacionais de direitos humanos deve ser suscitado junto ao STJ, sendo, contudo, permitido deslocar o incidente para as instâncias federais em caso de discussão
do descumprimento de obrigações internacionais.
É interessante mencionar que os direitos e garantias expressos no texto constitucional estão espalhados por todo o texto da constituição e, quanto aos direitos e garantias implícitos no sistema constitucional, eles podem ser extraídos dos princípios e sistemas adotados na Constituição.
Por fim, sobre os tratados internacionais, inicialmente é importante mencionar que, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, os tratados em geral, incluindo os de direitos humanos, só podem ser aplicados no ordenamento jurídico brasileiro após a promulgação do ordenamento interno, salientando que, as fases de incorporação no tratado são a assinatura do tratado que é da responsabilidade do Presidente da República; a ratificação do Congresso Nacional que é feito mediante decreto; a aprovação e depósito; e, a promulgação em ordem de Lei interna, formulada por decreto do presidente República.
Direito à vida
O alvo do direito à vida, práticas que possam humilhar física e psicologicamente o indivíduo são vedadas. A coação e a tortura (incisos II e III da Constituição Federal), por exemplo, são exemplos de práticas que violam diretamente o direito à vida, e, por isso, são vedadas no artigo 5º:
“II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.
Direito à liberdade
A FONTE do direito à liberdade, refuta se o direito à vida, não está limitado à liberdade física, de não ser preso ou detido sem motivo ou sem ter infringido a lei.
Direito à igualdade
Tem um completa abrangência nas relações de gênero, à classe, à etnia e raça, à crença religiosa e a demais questões são abordadas na Constituição com o objetivo de dar respaldo protetivo legal à possibilidade das pessoas serem tratadas como iguais, tendo em mente as suas diferenças entre si.
Também tratada pela Mãe Constitucionalidade igualdade tange à questão material, onde as pessoas devem ter incentivo à acesso a certos bens e condições materiais a partir da classe social, com o objetivo de combater a desigualdade social e econômica.
E consoante ao destaque de manter a conserva de preservação dos direitos à igualdade, os direitos fundamentais e garantias fundamentais criam mecanismos de punição àqueles que infringirem o direito à igualdade alheio.
(GERAÇÃO) DIMENSÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
As gerações (dimensões) de direitos fundamentais surgiram a partir de uma palestra ministrada por Karel Vasak.
Naquela ocasião, ele resolveu associar o lema da Revolução Francesa (“Liberdade, igualdade, fraternidade”) com as gerações de direitos fundamentais (1ª a 3ª gerações).
Posteriormente, Norberto Bobbio deu projeção a essa classificação na obra “A Era dos Direitos”.
No Brasil, o professor Paulo Bonavides trata desse tema e acrescenta novas gerações às anteriores, além de alterar classificações dadas por Karel Vasak (Exemplo: o direito à paz era, inicialmente, de 3ª
geração. Entretanto, Paulo Bonavides a inseriu como direito de 5ª geração/dimensão).
DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO
- Surgem nesse período do constitucionalismo moderno. Direitos associados ao valor “liberdade”
(igualdade formal). Direitos civis e políticos. Os direitos civis são direitos de defesa. Além disso, são direitos de status negativo, que impõem um não fazer do Estado, uma abstenção deste. Já os direitos políticos são direitos de participação. Através deles os indivíduos participam da vida política do Estado. Direito de votar e ser votado, etc. As Constituições americana e francesa traziam basicamente, nesse primeiro momento,
esses direitos civis e políticos. A americana até hoje, pois não consagra os sociais.
DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO
- Direitos de Igualdade. Igualdade material. Direitos cujos principais destinatários são os hipossuficientes.
São os chamados direitos sociais, econômicos e culturais. São direitos prestacionais, ou direitos a
prestações (nem de defesa nem de participação). Direitos que exigem do Estado prestações materiais e/ou jurídicas, com vistas à redução das desigualdades. São mais difíceis de serem implementados.
DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO
- São os direitos de fraternidade ou de solidariedade. Rol exemplificativo: direito ao desenvolvimento ou progresso; ao meio ambiente; à autodeterminação dos povos; direito sobre o patrimônio comum da
humanidade; direito de comunicação. Esses são os mencionados por Paulo Bonavides. Direito do
consumidor e direitos das crianças e dos idosos muitos autores colocam como de terceira geração. Paulo Bonavides não coloca. Além dessa terceira geração, que começou a ser consagrada após a segunda guerra mundial, Paulo Bonavides fala em quarta geração.
NACIONALIDADE - SITUAÇÃO DOS PORTUGUESES: "QUASE NACIONAIS"
- Aos portugueses com RESIDÊNCIA PERMANENTE no País, se houver RECIPROCIDADE em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição = quase nacionalidade.
- O português é equiparado ao brasileiro naturalizado (não é nato por causa da última parte: “salvo os casos previstos nesta Constituição”).
- O gozo dos direitos políticos no Brasil importa em suspensão do exercício dos mesmos direitos em Portugal.
- Atenção: o benefício do estatuto da igualdade não é automático, exigindo que o interessado o requeira e que o pedido seja deferido pelo ministro da justiça.
ESTADO DE COISA INCONSTITUCIONAL (Desenvolvida na Corte Constitucional Colombiana e trabalhada, aqui no Brasil, pelo professor da UERJ Carlos Alexandre Azevedo)
Tese de que o Poder Judiciário teria a possibilidade de declarar um "estado de coisas" como inconstitucional, indo, portanto, além de sua competência tradicional de invalidar lei ou ato normativo pela via da inconstitucionalidade. Certo é que o Estado de coisas inconstitucional pode ser observado quando se verifica a existência de um quadro de violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais causado pela inércia ou uma capacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar determinadas conjunturas de modo que apenas transformações estruturais da atuação do poder público bem como a atuação de uma pluralidade de autoridades podem modificar a situação inconstitucional. Segundo Carlos Alexandre de Azevedo Campos quando se declara o estado de coisas inconstitucional a corte constitucional afirma existir quadro insuportável de violação massiva de direitos fundamentais, decorrente de atos comissivos e omissivos praticados por diferentes autoridades públicas, agravado pela inércia continuada dessas mesmas autoridades, de modo que, Como já dito, apenas transformações estruturais da atuação do poder público podem modificar a situação inconstitucional. Ante a gravidade excepcional do quadro, A Corte se afirma legitimada a interferir na formulação e implementação de políticas públicas e alocações de recursos orçamentários e a coordenação das medidas concretas necessárias para Superação do Estado de inconstitucionalidade.
Nesses termos, as cortes em grandes em uma espécie de ativismo judicial estrutural, justificado pela presença de bloqueios políticos e institucionais, o estado de coisa inconstitucional no entendimento do autor, é sempre o resultado de situações concretas de paralisia parlamentar administrativa sobre determinadas matérias.
Nesse cenário de falhas estruturais ou omissões legislativas e administrativas, atuação ativista das cortes acaba se o único meio ainda que longe do ideal em uma democracia para superar os acordos políticos e institucionais, a planta de coordenação entre órgãos públicos, Temores de custos políticos, LEGISLATIVE BLINDSPOTS, sub-representação de grupos sociais minoritários ou marginalizados.
PRESSUPOSTOS
- FÁTICO - PLANO DOS FATOS
Violação generalizada e sistêmica de Direitos Humanos que afeta um número elevado e indeterminado de
pessoas.
- POLÍTICO - PLANO DOS FATORES
Conjunto de ações e omissões reiteradas tendentes a perpetuar ou agravar o quadro de
inconstitucionalidade.
- JURÍDICO - PLANO DOS REMÉDIOS
Necessidade de adoção de medidas estruturais para a superação das violações constatadas.
LIMITE DOS LIMITES
CONCEITO
- A teoria “limites dos limites” é atribuída ao alemão Karl August Betterman - 1964.
- Os direitos fundamentais surgiram para limitar os poderes do Estado. No entanto, o Estado pode limitar esses direitos fundamentais através de restrições (lei). Nesse contexto, há um paradoxo, pois há direitos
fundamentais limitando a atuação do Estado e, ao mesmo tempo, há uma atuação do Estado limitando esses direitos fundamentais por meio de leis.
- De acordo com a teoria “limites dos limites”, esta atuação do Estado – limitadora dos direitos fundamentais – também é uma atividade limitada, ou seja, o Estado não pode restringir os direitos fundamentais de forma
discricionária. Em outras palavras, existem alguns limites a serem observados pelos Poderes Públicos quando eles limitarem determinados direitos fundamentais, os quais limitam a atuação do Estado.
- Na doutrina europeia, esta teoria é amplamente discutida, embora não haja um consenso a respeito do seu conteúdo.
LIMITES QUE DEVEM SER OBSERVADOS
• Princípio da legalidade: somente a lei – em sentido amplo - pode restringir um direito fundamental.
✓ Exemplo: uma medida provisória não é lei em sentido estrito (pois não emana do Parlamento), mas é lei em sentido amplo, já que possui o mesmo conteúdo da lei.
• Princípio da não retroatividade (CF, art. 5º, XXXVI1): a norma restritiva de direito fundamental deve ser elaborada daquele momento em diante, não podendo ter efeitos retroativos.
1 CF, art. 5º, XXXVI: “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”
• Princípio da generalidade a abstração (isonomia): toda norma restritiva de direitos fundamentais tem que ser geral e abstrata em razão do princípio da isonomia. Para que haja uma restrição a um direito fundamental, é necessário que tal restrição possua uma caráter geral e abstrato, aplicável a todos que se
encontrem na mesma situação.
• Princípio da salvaguarda do conteúdo essencial (princípio da proporcionalidade): o conteúdo essencial do direito fundamental não pode ser violado. Existem duas formas de se definir o conteúdo essencial:
- Teoria Absoluta: o núcleo duro do direito é definido através da interpretação; e
- Teoria Relativa: a fixação do conteúdo essencial (definido à luz do caso concreto) é definida à luz da proporcionalidade
Direito à segurança
O direito fundamental à segurança é o que mais tem a ver com a ação do Estado na vida individual das pessoas que compõem a nação.
O inciso XXXIX do artigo 5º da Constituição Federal, por exemplo, determina que ninguém pode ser responsável por crimes que não estejam tipificados em lei, nem podem ser penalmente responsáveis sem
um julgamento justo e legal.
Direito à propriedade
USUCAPIÃO, por exemplo, se baseia no inciso XXIII do artigo 5º da Constituição Federal, que determina que toda a propriedade tenha uma função social.
Chamado de direito à propriedade a todos, além de determinar que a propriedade precisa possuir um uso que tenha uma finalidade social (moradia, trabalho, alimentação…).
Características dos direitos fundamentais 1.Universalidade
Os direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal de 1988 devem, por sua natureza protetiva, alcançar toda a população administrada pelo Estado, sem nenhum tipo de distinção.
2. Imprescritibilidade
Imprescritibilidade é o princípio que determina que os direitos fundamentais não prescrevem com o tempo.
Eles podem ser exercidos a qualquer momento e não possuem prazo de validade.
O não aproveitamento de um direito fundamental específico não faz com que o indivíduo perca, com o
tempo, a possibilidade de exercer aquele direito.
3 Inalienabilidade
Os direitos fundamentais são, por natureza, inalienáveis. Isso quer dizer que não podem ser transferidos, ignorados, desfeitos e negociados, pois a existência dos mesmos confere a ordenação da ordem jurídica e da manutenção do Estado em si.
4 Relatividade
Outra característica dos direitos fundamentais é a sua relatividade. Isso quer dizer que, embora universais, os direitos fundamentais não são absolutos e podem ser relativizados conforme a situação e o conflito de interesses que dessa surgir.
A relativização, no entanto, não é irrestrita: não se pode relativizar o direito ao ponto em que o mesmo não faça mais sentido ou não possa ser mais aplicado.
Um exemplo: as pessoas são livres e têm direito à liberdade, mas têm a sua liberdade privada quando
cometem crimes que resultem em condenações ao cárcere.
5 Complementariedade
O princípio da complementaridade define que os direitos fundamentais e as garantias fundamentais são complementares. Isso quer dizer que devem ser analisados sempre em conjunto, com um complementando a extensão do outro.
Para que os direitos coletivos possam ser exercidos de acordo com o que a Constituição Federal demonstra, por exemplo, os direitos fundamentais individuais devem também estar funcionando e podendo ser completamente exercíveis.
6 Irrenunciabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser renunciados por nenhum indivíduo da nação. Nenhuma pessoa pode, por vontade própria, negar os direitos e deveres dados como fundamentais.
7 Historicidade
O último princípio dos direitos e garantias fundamentais afirma que os mesmos são frutos de um processo histórico.
O que são direitos fundamentais?
Os direitos fundamentais são direitos protetivos, que garantem o mínimo necessário, OU SEJA, o mínimo existencial para que um indivíduo exista de forma digna dentro de uma sociedade administrada pelo Poder Estatal.