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Rev. Bras. Anestesiol. vol.60 número6

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Academic year: 2018

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Rev Bras Anestesiol CARTA AO EDITOR 2010; 60: 6: 670-672

Revista Brasileira de Anestesiologia 671

Vol. 60, No 6, Novembro-Dezembro, 2010 CARTA AO EDITOR

O Anestesiologista e a Ecocardiografia Transesofágica

Intraoperatória

Prezado Editor,

Gostaria de aproveitar a oportunidade do artigo recém-publi-cado na Revista Brasileira de Anestesiologia: “Mudança de Conduta Cirúrgica Motivada pela Ecocardiografia Transeso-fágica Intraoperatória”, de Silvio AA e col., 1 para estimular a

discussão quanto à questão do real envolvimento da Anes-tesiologia na utilização da ecocardiografia transesofágica no intraoperatório em nosso país. Países como Estados Unidos e Canadá, bem como inúmeros países da Comunidade Euro-peia, já incorporaram em seus serviços referência à utilização dessa monitoração como forma de promover a diminuição da morbimortalidade associada ao procedimento cirúrgico car-diovascular.

Recentemente, pude ler, em capítulo específico publicado no Anesthesiology Clinics2, que a ecocardiografia

transeso-fágica no intraoperatório acabará afetando drasticamente o curso da Anestesiologia cardiovascular em futuro próximo. Cabe ainda salientar que a técnica, mesmo que de forma ru-dimentar em seus primórdios, vem sendo aplicada há mais de 25 anos em alguns serviços, sofrendo, nesse período, profun-das modificações que resultam da evolução tecnológica.

Nós, anestesiologistas, que nos dedicamos à anestesia cardiovascular, vemos essa prática como um recurso de fun-damental importância tanto no manuseio da técnica anestési-ca administrada e controle hemodinâmico como na mudança de tomada de decisões no período transoperatório por parte da equipe cirúrgica em conjunto com a equipe anestésica 3.

Cabe ainda ressaltar atitudes intangíveis, mas não menos im-portantes, relacionadas ao desenvolvimento de maior respei-to e maior importância ao profissional dotado da capacidade de exercer procedimento de tamanha especificidade, sem comentar o potencial valor agregado no que se refere à re-muneração envolta no procedimento em si.

As dificuldades quanto à prática da ecocardiografia tran-sesofágica no intraoperatório são inúmeras; investimento na aquisição e manutenção do equipamento, além da longa e contínua curva de aprendizado.

Afora os poucos profissionais anestesiologistas dotados de habilidade e prática associada à técnica, fruto, talvez, do elevado custo da monitoração, que acaba se tornando obriga-toriamente um método institucional, além, é claro, das dificul-dades envoltas na formação de um profissional qualificado, cabe ressaltar a importância da regulamentação da prática da ecocardiografia transesofágica no intraoperatório pelo anestesiologista. Já existem inúmeros guidelines que visam regulamentar a prática do exame pelo anestesiologista, e a credibilidade é fundamental, pois, sem ela, todo e qualquer esforço no âmbito geral será em vão. A aquisição de respeito e reconhecimento pela prática da técnica certamente exigirá esse esforço.

A Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA) e a Sociedade Cardiovascular de Anestesiologistas (SCA) pos-suem um guideline4 em vigor, o qual foi elaborado por uma

força-tarefa em 1996. Esse guideline, em virtude da evolução tecnológica e dos novos métodos diagnósticos desenvolvi-dos, para não mencionar os resultados cada vez mais decisi-vos obtidos 5, certamente será revisado em 2010 ou 2011.

Exemplo semelhante pode ser encontrado no Canadá, que possui um guideline especificamente elaborado em 2006 para a prática da ecocardiografia transesofágica no intraoperatório realizada pelos anestesiologistas e publicado no Canadian Journal of Anesthesia6.

Existem outros exemplos em países nos quais a monitora-ção já é difundida há algum tempo. Cabe aos anestesiologis-tas brasileiros começarem a pensar no assunto. Tudo come-çará pela criação de uma área de certificação, com guideline

próprio, com a criação de níveis de evidência bem estrutura-dos e a estratificação técnica do profissional a ser qualificado, tudo isso nos moldes dos guidelines já existentes.

Alguns modelos já estão em prática e com elevada com-provação técnico-científica de sucesso. Já temos um norte. Cabe a nós, anestesiologistas brasileiros, que nos dedicamos à Anestesiologia cardiovascular e ao método da ecocardio-grafia transesofágica no intraoperatório, criarmos um modelo baseado em nossa realidade.

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672 Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 60, No 6, Novembro-Dezembro, 2010 MACHARETH

REFERÊNCIAS / REFERENCES

01. Silvio AA, Silva ED, Segurado AVR et al. – Mudança de conduta ci-rúrgica motivada pela ecocardiografia transesofágica intraoperatória. Rev Bras Anestesiol, 2010;60:192-197.

02. Yeates TM, Zimmerman JM, Cahalan MK – Perioperative echocar-diography: two-dimensional and three-dimensional applications. An-esthesiol Clin, 2008;26:419-435.

03. Fox J, Glas K, Swaminathan M et al. – The impact of intraoperative echocardiography on clinical outcomes following adult cardiac sur-gery. Sem Cardioth Vasc Anesth, 2005;9:25-40.

04. American Society of Anesthesiologists – Practice guideline for periop-erative transesophageal echocardiography. A report by the American

Society of Anesthesiologists and the Society of Cardiovascular An-esthesiologists. Task Force on Transesophageal Echocardiography. Anesthesiology, 1996;84:986-1006.

05. Vegas A, Meineri M – Three-dimentional transesophageal echocar-diography is a major advance for intraoperative clinical management of patients undergoing cardiac surgery: A core review. Anesth Analg, 2010;110:1548-1573.

06. Beique F, Ali M, Hynes M et al. – Canadian guidelines for training in

Referências

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