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Rev. Bras. Enferm. vol.51 número1

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Academic year: 2018

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EDITORIAL

Univereldade - até quando resistir?

A crise das Universidades Públicas Brasileiras vem se acentuando sem que a sociedade tenha consciência plena dos riscos que passamos com a sua passivei extinçao ou mesmo sua desqualificaçao.

Detentora dos melhores e maiores quadros docentes do pais, estas universidades romperam obstáculos e se constitu/ram em centros de saber de muitas áreas do conhecimento, エッュ。イ。ュセウ・@ modelos e sede de muitos grupos de excelência de ensino e pesquisa.

O que se tem hoje nAo foi fruto do acaso, mas resultado de anos de compromisso ético e responsável das pessoas que estimularam, capacitaram e organizaram este significativo contingente de intelectuais. Persistência, coragem e audácia foram companheiras permanentes nesta viagem, mesmo sob os mais de vinte anos de regime ditatorial, com grande censura aos conteúdos veiculados nos meios de comunicaçao e repressões às manifestações culturais e politicas. Neste perlodo カゥカ・オセウ・@ experiências amargas, onde o livre pensar foi submetido a formas atrozes de tortura. Raciocinar sobre o momento que se vivia era desestimulador, falar sobre ele era estar sob a mira vigilante dos patrulhadores de idéias, ッイァ。ョゥコ。イセウ・@ em grupos de discussão era assumir os riscos de sua permanência no pais ou mesmo perder as imunidades necessárias

à

sobrevivência.

Embora questionada, invadida, devassada, esta instituiçao ュ。ョエ・カ・セウ・@ de pé

por tudo que ela representava para o crescimento intelectual estratégico desta naçao. Muitos dos cérebros exilados impuseram o seu conhecimento e as suas experiências junto aos intelectuais do primeiro mundo.

Revisitando o passado, カ・イゥヲゥ」。セウ・@ que a formação de pós-graduação Kstricto sensu" dos brasileiros foi feita no exterior, às custas do próprio investimento nacional (bolsas do CNPq e outras). Só mais tarde criamos os nossos cursos, os quais cresceram expressivamente nas décadas de 80 e 90. Decorrente desta

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iniciativa, verifica-se a crescente produção cientifica gerada nestes anos, com o aumento das publicações.

Apesar do acúmulo de saberes e experiência desenvolvidos ao longo de sua história, hoje esta instituição vem sendo tratada como um fardo nas contas públicas. Sofre, igualmente e sem diferenciações, o tratamento económico da restrição de verbas e as açOes da implantaçao do estado minimo desenvolvido pelo atual governo. A estagnação dos salários por mais de três anos, o estimulo

ti

aposentadoria, a redução de bolsas e a destinação dos recursos dos órgAos educacionais para outros fins e outros atores (por exemplo, as organizações nAo governamentais - ONG(s» têm minado a potência das Universtdades naquilo que determina a sua força de impulsAo, os seus cérebros.

Esvaziando-se, acentuada ou gradativamente, vemos diluir-se um património cultural construido por tantas lutas e dedicações anónimas de cada departamento, de cada Universidade, sem uma razão aparente que justifique o propósito das atuais aÇÕ8s de governo.

O descontentamento cresce no seio do corpo social das universidades, a insatisfação cresce entre os pesquisadores, enfim a pressão aumenta sob justificativas variadas, o governo desqualifica o ensino público, mesmo quando os resultados do Provão imposto demonstram o contrário. Por outro lado, aumenta a intolerância dos pressionados para o diálogo.

Creio que estamos prestes a entrar numa crise sem precedentes no setor. Penso que muita poeira velha deverá ser limpa no sistema de ensino público. De fato , precisamos nos renovar para enfrentar os novos tempos. Mas não será de forma autoritária que o governo conseguirá o melhor. O diálogo não pode ser fruto da arrogancia de um e da intolerancia do outro. O resultado de um trabalho aberto e sem idéias pré-concebidas de ambos trará o melhor para a sociedade que nos sustenta.

Maria Therezinha N6bregs da Silva

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