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6 O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL DIREITO CIVIL III

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Academic year: 2022

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PREFÁCIO DA COLEÇÃO

No início do século passado, Chiovenda, na Itália, e Roscoe Pound, nos Estados Unidos, provavam estar atentos às primeiras manifestações da grande metamorfose social que mais tarde alteraria irreversivelmente a feição do direito no mundo.

O primeiro, em clássica aula magna de 1901, anunciava que “o de- senvolvimento da civilização, o crescimento dos domínios territoriais e do intercâmbio comercial, ao multiplicar as relações, multiplica as lides e as torna mais graves e complicadas”, enquanto o segundo, em 1906, falando em um mundo atarefado que progressivamente intensifica a complexidade das relações sociais, observava que o direito, numa época de transformações rápidas, tem dificuldade de avançar com igual velocidade, deixando um sen- timento geral no público de que os órgãos jurisdicionais não são eficientes.

De fato, suas afirmações, à época preambulares, hoje soam lugar-co- mum para nós, que nas últimas décadas nos habituamos a ouvir falar dos suplícios da judicialização de massa e do esforço empregado na sua con- tenção. Consequência da massificação das relações sociais e do sucesso na efetivação de um sistema de justiça mais acessível, a judicialização de massa se provou um desafio não apenas dos estudiosos daquele século que ainda despertava. Alcançou também este que parecia distante.

Em 1984, Owen Fiss, insurgindo-se contra o então recente movimento da justiça multiportas – que tomou por estandarte as então quase centená- rias palavras de Roscoe Pound –, publicou Against settlement, um dos mais conhecidos de seus textos, e ali manifestava, quase sozinho, sua discor- dância com o entusiasmo das reformas, alegando não haver espaço onde as garantias mais são preservadas do que o Poder Judiciário.

O que fazia o professor emérito de Yale, talvez sem perceber, era lançar as bases para uma realidade que hoje vem angariando maior atenção da doutrina brasileira, sobretudo diante da dificuldade de o Poder Judiciário lidar com tantos conflitos, ou mesmo de sua adequação para fazê-lo: a ideia de um devido processo legal extrajudicial, gênero do qual participa o Direi- to Registral.

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

Nesse contexto, faz-se imprescindível ao processo registral a congre- gação de características mínimas que assegurem sua legitimação e con- fiabilidade conforme os parâmetros constitucionais. Nisto me refiro à imparcialidade e independência dos registradores, à publicidade de suas decisões, à previsibilidade do procedimento, à garantia do contraditório e ao controle externo de suas atividades, como anota Flávia Hill, fatores que assegurem que à desjudicialização e à ampliação do compartilhamen- to de competências entre a justiça estatal e a extrajudicial não se siga um deficit garantístico.

Se é verdade que o Direito Registral existe no Brasil desde a coloniza- ção portuguesa, também é verdade que ele não esteve imune às mudanças do tempo, e hoje os notários e registradores – que Carnelutti, já na década de 1950, reconhecia como julgadores, mas que julgam para prevenir a ocor- rência de lides – são chamados a atuar com um protagonismo talvez antes jamais exigido para a pacificação das relações sociais.

A visão contemporânea do acesso à justiça e da jurisdição, o destaque dado à cooperação pelo CPC 2015 e a desjudicialização como diretriz do processo civil nesta época são marcos que nos permitem repensar a atua- ção das serventias extrajudiciais. Com base nesses elementos, já há quem sustente natureza jurisdicional à atividade que exerce. Concorde-se ou não com a tese, ela basta para expressar de que maneira e com que ênfase o sistema de justiça conclama a formação de uma verdadeira comunidade de trabalho que passa a depositar especial confiança nesses atores da esfera extrajudicial.

É essa confiança que se lê nas entrelinhas desta monumental obra, resultado de uma doutrina registral cônscia da missão que lhe foi dada no desenvolvimento do sistema de justiça e que, nessa esteira, vem se desen- volvendo de vento em popa.

Coordenada de forma competente por Alberto Gentil de Almeida Pe- droso, que me concedeu a honra de lhe redigir o prefácio, a obra é um manancial no que diz respeito à doutrina registral brasileira. Por sua abran- gência e pela envergadura intelectual de seus participantes, que hauriram na prática e na academia os conhecimentos ora transmitidos, não tenho dúvidas de que o leitor nela encontrará fonte abundante, da perspectiva procedimental à substancial, em matéria de registros públicos.

A construção de um registro consciente da posição que lhe outorga os desafios do século XXI deve refletir uma doutrina sólida, fruto de um ciclo

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PREFÁCIO DA COLEÇÃO

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virtuoso de retroalimentação entre a prática vivenciada e a teoria projetada.

Os escritos que compõem esta coletânea foram concebidos neste contexto e comprovam o avanço na seara notarial e registral que se vem notando nos últimos anos.

Enfim, a obra é leitura obrigatória para os que atuam na área. Não me resta senão parabenizar coordenador, autores e editora pelo belíssimo tra- balho!

Brasília, 15 de junho de 2021.

Bruno Dantas

Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Pós-Doutor em Direito pela UERJ, Doutor e Mestre em Direito pela PUC-SP. Professor da UERJ.

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APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO

“No princípio tudo estava junto, então veio espírito, separou e criou ordem. Com este dito de Anaxágoras está descrita uma tarefa essencial de qualquer ciência e também da ciência do direito; também a ciência do direito é uma ‘química’. Ela tem de decompor os complexos fenômenos da vida, se quiser alcançar o conhecimento científico, isto é, o conhecimento de seus elementos. O particular talento jurídico dos romanos bem cedo iniciou o uso dessa arte de separar. (...)” (Princípios do Direito Romano, Aulas de Fritz Schulz, Editora Filomática Sorocabana – tradução Dr. Josué Modesto Passos, p. 13).

Os registros públicos nunca receberam classificação autônoma de dis- ciplina jurídica, apesar de sua íntima relação com as mais diversas áreas do Direito – mistura, interseção de institutos, encadeamento de atos e de consequências jurídicas.

Desde o nascimento de um ser humano, seu desenvolvimento (fami- liar, profissional, pessoal e de toda ordem) e até a sua morte, os registros públicos pontuaram as passagens mais marcantes – por meio das mais diversas especialidades: registro civil, notas, protesto, imóveis, títulos e documentos...

A Coleção O Direito e o Extrajudicial é um trabalho único, extraordiná- rio – de verdadeiro fôlego e comprometimento acadêmico –, que contempla de maneira separada, mas misturada, os consagrados ramos do Direito e sua íntima relação com o extrajudicial, com os REGISTROS PÚBLICOS.

Ao longo de dez volumes – cada um deles produzido por autores es- pecialistas na área de concentração afetada pelo extrajudicial –, foram de- senvolvidos textos brilhantes relacionando os registros públicos com a disciplina regente do livro.

Autores de prestígio dentro da área notarial e registral – acadêmicos, magistrados, notários, registradores, advogados, membros do Ministério Público –, reunidos e empenhados em demonstrar que a mistura bem orga- nizada dos registros públicos com os mais diversos ramos do Direito ocorre de maneira intensa, rica e interessante – e assim seguiremos!

Certo da grandeza da obra, desejo uma ótima leitura.

Cordialmente, alBerto GentilDe almeiDa PeDroso

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ESTRUTURA DA COLEÇÃO

O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL

Coordenação Alberto Gentil de Almeida Pedroso Volume 1: Direito Tributário

Autores: Rachel Leticia Cursio Ximenes de Lima Almeida e Tiago de Lima Almeida

Volume 2: Direito Administrativo

Autores: Caleb Matheus Ribeiro de Miranda, Rafael Gil Cimino, Vitor Frederico Kümpel, Juliano S. A. Maranhão e Luís Paulo Aliende Ribeiro Volume 3: Direito Constitucional

Autores: Carla Watanabe, Érica Trinca Caires, José Renato Nalini e Robson Passos Caires

Volume 4: Direito Penal

Autores: Fernando Gentil Gizzi de Almeida Pedroso, Rafael Brum Mi- ron, João Santa Terra Júnior, Guilherme Guimarães Feliciano e Felipe Es- manhoto Mateo

Volume 5: Processo Civil: Ata notarial e outros instrumentos processuais Autores: André Luiz Marcassa Filho e Fernando Domingos Carvalho Blasco

Volume 6: Direito Civil I: A pessoa natural

Autoras: Katia Cristina Silencio Possar, Eliana Lorenzato Marconi, Ra- quel Silva Cunha Brunetto, Milena Guerreiro e Raquel Borges Alves Toscano Volume 7: Direito Civil II: Os novos direitos reais

Autores: Lorruane Matuszewski, Érica Trinca Caires, Robson Passos Caires e Caroline Feliz Sarraf Ferri

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

Volume 8: Direito Civil III: Os principais instrumentos do planejamento patrimonial familiar e sucessório

Autores: Andrea Elias da Costa, Andrea Santos Gigliotti, Kareen Za- notti De Munno, Alexsandro Silva Trindade e Letícia Araújo Faria

Volume 9: Direito Empresarial

Autores: Alison Cleber Francisco, Breno de Queiroz Paes e Silva, Ma- teus Travaioli Camargo, Mario de Carvalho Camargo Neto e Paulo Roberto Bastos Pedro

Volume 10: Direito Internacional

Autores: Fernando Alves Montanari, Gisele Calderari Cossi, Júlia Cláudia Rodrigues da Cunha Mota, Karine Maria Famer Rocha Boselli e Márcia Cristina de Souza Wrobel

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SOBRE A COORDENAÇÃO

ALBERTO GENTIL DE ALMEIDA PEDROSO

Doutorando em Direito na Universidade Nove de Julho (Uninove).

Especialista em Direito Civil e Mestre em Direito. Recebeu menção honrosa acadêmica no CONPEDI XXII. Professor da Escola Paulista da Magistratu- ra (EPM) nos cursos de pós-graduação em Direito Civil, Direito Processual Civil e Registros Públicos. Professor e Coordenador do Curso Registrando com Gentil – CP IURIS em Direito Notarial e Registral. Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Juiz Assessor da Corregedo- ria-Geral da Justiça nos biênios 2012-2013 (gestão do Des. José Renato Nalini), 2014-2015 (Des. Hamilton Akel), 2016-2017 (Des. Manoel Pe- reira Calças) e 2020-2021 (Des. Ricardo Anafe). Juiz de Direito Titular da 8ª Vara Cível da Comarca de Santo André/SP. Juiz Corregedor Permanente dos Registros de Imóveis da Comarca de Santo André/SP. Autor de diversas obras jurídicas especializadas em Registros Públicos, notadamente da cole- ção Direito Imobiliário da Editora Thomson Reuters Revista dos Tribunais.

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APRESENTAÇÃO DO VOLUME

O presente volume tem como objetivo fazer uma interface entre o Di- reito Civil e o Direito Notarial e Registral, especialmente no campo do direito de família e sucessões, em toda sua abrangência.

A relação entre o tabelionato de notas e o Direito Civil sempre foi mui- to próxima, mas sua relação com o ramo de Família e Sucessões foi se apro- fundando com o tempo.

Com a evolução desses ramos do direito, e sua consequente tendência de desjudicialização, houve uma maior proximidade deles com o Direito Notarial e Registral, trazendo para a competência do notário alguns atos atinentes a essa matéria.

A promulgação da Lei nº 11.441/2007 revolucionou essa interação, possibilitando a lavratura no extrajudicial de vários atos que antes eram restritos ao campo do Poder Judiciário.

Isso, além de ser uma grande conquista para a atividade extrajudicial, permite ao Poder Judiciário uma dedicação maior e melhor para sua verda- deira vocação: o enfrentamento de litígios.

A aposta do legislador no extrajudicial foi um verdadeiro sucesso. A quantidade de inventários, divórcios, e outros atos que foram lavrados no extrajudicial, foi enorme, e em um prazo bem menor se comparado ao ato judicial.

É isso que os serviços extrajudiciais têm a oferecer: celeridade, segu- rança e agilidade. E dessa forma, trazer esses ramos do direito para uma relação mais próxima com a população.

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SOBRE OS AUTORES DO VOLUME

ANDREA ELIAS DA COSTA

Tabeliã de Notas e Protesto da cidade e Comarca de Itanhaém/SP. Mes- tre em Direito na Sociedade da Informação. Especialista em Direito Consti- tucional e Político. Professora.

ANDREA SANTOS GIGLIOTTI

Tabeliã de Notas e Oficial de Registro Civil no Distrito de São Miguel Paulista-SP. Mestre em Função Social do Direito pela FADISP. Especialista em Direito Notarial e Registral e em Direito Civil, Negocial e Imobiliário pela Faculdade Anhanguera (Uniderp). Membro da Comissão de Direitos Humanos da União Internacional do Notariado Latino (UINL). Professora de cursos preparatórios para concursos e de pós-graduação em Direito No- tarial e Registral.

KAREEN ZANOTTI DE MUNNO

Registradora Civil e Tabeliã de Notas da Comarca de Bebedouro-SP.

Mestre em Direitos Humanos. Pós-graduada em Direito Notarial e Registral pela Escola Paulista da Magistratura. Professora de cursos de pós-graduação.

ALEXSANDRO SILVA TRINDADE

5º Tabelião de Notas da Comarca da Capital/SP. Foi Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais da sede da Comarca de Ibiúna/SP. Analista Judi- ciário no Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo e no Estado do Paraná. Atuou como advogado no escritório Trindade & Ferreira Advoga- dos. Graduado pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), com especialização lato sensu em Direito Constitucional Aplicado (Faculdade Damásio de Jesus), Direitos Notarial (LFG-Uniderp) e Direito Notarial e Registral (EPM – Escola Paulista da Magistratura).

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

LETÍCIA ARAÚJO FARIA

Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabeliã de Notas de Rifaina/SP. Diretora da Arpen/SP – Regional de Franca/SP. Mestranda em Direito pela UNESP. Pós-graduada em Direito Imobiliário Aplicado e Di- reito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito – EPD/SP. Professora.

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SUMÁRIO

PREFÁCIO DA COLEÇÃO ... 5

APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO ... 9

ESTRUTURA DA COLEÇÃO ... 11

SOBRE A COORDENAÇÃO ... 13

SOBRE OS AUTORES DA COLEÇÃO ... 15

APRESENTAÇÃO DO VOLUME... 25

SOBRE OS AUTORES DO VOLUME ... 27

1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO ECONÔMICO FAMILIAR E SUCESSÓRIO ... 33

anDrea eliasDa Costa 1. Introdução ... 33

2. Conceito ... 34

3. A Família Contemporânea ... 35

4. Instrumentos Jurídicos Para o Planejamento Sucessório ... 36

4.1. Direito Civil ... 37

4.1.1. Família – Regime de bens ... 37

4.1.2. Sucessões – Testamento ... 39

4.1.3. Contratos – Doação ... 42

4.2. Direito Empresarial ... 43

4.2.1. Holding ... 43

2. DOAÇÃO ... 45

anDrea santos GiGliotti 1. Introdução: A Função Notarial e a elaboração da escritura pública de doação: atividade preventiva de litígios ... 45

2. Doação – Breve história sobre sua origem ... 50

3. Natureza jurídica ... 51

4. Características ... 53

5. Cuidados a serem tomados pelo Notário nos seguintes atos ... 57

5.1. Doação universal ... 57

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

5.2. Doação inoficiosa (preservação da legítima dos herdeiros ne-

cessários) ... 58

5.3. Compra e venda bipartida e a doação de numerário pelos pais ao filho menor para adquirir bem imóvel ... 63

5.4. Doação com reserva de usufruto e a questão tributária ... 65

5.5. Cláusula de reversão na doação ... 67

5.6. Cláusulas restritivas de inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade na doação e a necessidade de justificar a im- posição da cláusula sobre os bens da legítima ... 69

5.7. Impactos do regime de bens e a incomunicabilidade na doação ... 70

3. PACTO ANTENUPCIAL, UNIÃO ESTÁVEL E CONTRATO DE NAMORO .... 73

Kareen Zanotti De munno 1. Os regimes de bens matrimoniais no Direito brasileiro... 73

1.1. Do pacto antenupcial ... 81

1.2. Os limites do pacto antenupcial ... 83

1.2.1. O pacto antenupcial para o idoso ... 83

1.2.2. Os limites do pacto antenupcial com relação ao direito sucessório ... 85

1.2.3. Questões práticas do pacto antenupcial... 88

1.2.4. Alteração de regime de bens ... 94

2. União Estável ... 95

2.1. Escolha do regime de bens na união estável ... 99

2.2. Testemunhas na escritura de união estável ... 102

2.3. Uniões poliafetivas e uniões simultâneas ... 103

2.4. Elementos essenciais da união estável ... 105

2.5. A questão sucessória ... 105

3. Contrato de Namoro ... 107

4. SEPARAÇÃO, DIVÓRCIO E PARTILHA ... 111

Kareen Zanotti De munno 1. A Lei 11.441/2007 ... 111

2. O Divórcio, a Separação e a Dissolução da União Estável Extrajudicial – Requisitos... 113

3. A subsistência do instituto da separação... 116

4. Elementos e requisitos da escrituração ... 117

5. Partilha de bens ... 122

6. Restabelecimento da sociedade conjugal ... 124

7. Sigilo ... 126

5. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA ... 129

alexsanDro silva trinDaDe 1. Apresentação ... 129

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SUMÁRIO

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2. Direito das sucessões: aspectos gerais ... 130

2.1. Conceito, noções e fundamentos ... 130

2.2. Formas de sucessão ... 132

2.3. Abertura da sucessão ... 136

2.4. Capacidade para suceder ... 137

2.5. Aceitação e Renúncia ... 138

3. Sucessão testamentária ... 139

3.1. Testamento: conceito e fundamento histórico ... 139

3.2. Características do testamento ... 145

3.3. Capacidade testamentária ativa ... 148

3.4. Capacidade testamentária passiva: legitimação para suceder por testamento ... 153

3.5. Deserdação ... 161

3.6. Direito de representação ... 165

3.7. Direito de acrescer ... 166

3.8. Substituições testamentárias ... 170

3.9. Encargo da testamentaria ... 175

4. Formas testamentárias ... 176

4.1. Testamento público ... 176

4.2. Testamento cerrado ... 187

5. Disposições testamentárias ... 189

5.1. Nomeação de herdeiros e legatários sob condição, termo, com previsão de encargo e por motivo determinado ... 190

5.2. Interpretação dos testamentos ... 192

5.3. Invalidades e determinabilidade das disposições ... 196

5.4. Cláusulas restritivas ... 198

6. Legados ... 201

7. Revogação, caducidade, rompimento e nulidade do testamento ... 204

6. O INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL ... 209

letíCia araújo Faria 1. Arcabouço Legislativo ... 210

2. Conceitos e Finalidades... 216

3. Características Principais Trazidas pela Lei 11.441/07 ... 221

3.1. Partes Capazes e Concordes ... 221

3.2. Assistência Jurídica por Advogado ... 225

3.3. Facultatividade da Via Eleita ... 228

3.4. (In)Existência de Testamento Válido ... 230

4. Aspectos Gerais ... 238

4.1. Escolha do Tabelionato ... 238

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

4.2. Desnecessidade de Homologação Judicial ... 242

4.3. Fixação de Emolumentos e Gratuidade do Procedimento Extra- judicial ... 246

4.4. Possibilidade de Buscas quanto as Escrituras Lavradas ... 251

5. Atos Referentes ao Inventário e à Partilha ... 252

5.1. Nomeação de Interessado para Representar o Espólio – O inven- tariante ... 252

5.1.1. Possibilidade de Nomeação Plúrima de Inventariantes .... 255

5.2. Retificação de Inventários e Partilhas – Judiciais e Extrajudiciais ... 258

5.3. Verbas constantes da Lei 6.858/1980 ... 263

5.4. Recolhimento Antecipado dos Tributos Incidentes ... 265

5.5. As Cessões de Direitos Hereditários, dos Direito de Meação e a Renúncia ... 267

5.5.1. Cessão de Direitos Hereditários de Bem Determinado ... 279

5.6. Reconhecimento da meação e do direito sucessório do compa- nheiro ... 283

5.7. Análise formal da Escritura Pública de Inventário Extrajudicial .... 288

5.8. Sobrepartilha ... 292

5.9. Escritura de Adjudicação ... 298

5.10. Existência de Credores ... 298

5.10.1. Credor como Parte na Escritura Pública de Inventário e Partilha ... 303

5.11. Inventário Negativo ... 304

5.12. Inventário e Partilha referentes a Bens localizados no Exterior ... 306

5.13. Aplicação Retroativa da Lei 11.441/07 e Fiscalização dos Tributos .... 308

5.14. Negativa pelo Tabelião de Lavrar o Ato ... 309

6. Reflexos Patrimoniais e Instrumentais do Inventário Extrajudicial – A Partilha ... 310

6.1. Colação ... 312

6.2. Análise do Título Aquisitivo do Bem Arrolado ... 317

6.3. Valores dos Bens Arrolados ... 319

6.4. Reconhecimento da Meação do Viúvo no Usufruto do Imóvel ... 326

6.5. Valores atribuídos aos bens ... 332

6.6. Inventários Sucessivos – Pós Morte ... 334

6.7. Premoriência, Comoriência e Representação ... 339

7. Reticências ... 343

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 345

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 347

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Capítulo 1

INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO ECONÔMICO FAMILIAR E SUCESSÓRIO

AndreA eliAsdA CostA

suMáriO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. A Família Contemporânea. 4. Instrumentos Jurídicos Para o Planejamento Sucessório. 4.1. Direito Civil. 4.1.1. Família – Regime de bens. 4.1.2. Sucessões  – Testamento. 4.1.3. Contratos  – Doação. 4.2. Direito Empresarial. 4.2.1. Holding.

1. Introdução

Por uma questão didática, este item servirá para uma introdução do leitor no tema planejamento sucessório de forma genérica. As hipóteses, aqui apontadas, serão estudadas de forma profunda e pontual em artigos específicos, com ênfase na atividade do extrajudicial.

O tema planejamento sucessório ganhou bastante atenção nos últimos tempos. O ato de analisar, escolher a melhor estratégia e definir a melhor destinação de determinado patrimônio para depois da morte não é novida- de, conquanto vários institutos e instrumentos jurídicos sempre estiveram à disposição da sociedade, tais como o contrato de doação, a partilha em vida, o testamento, a criação de empresas, entre outros.

Para a sociedade brasileira, e pode-se dizer que esta seja uma caracte- rística comum da sociedade ocidental, tratar de morte e das consequências sobre a sucessão dos bens e das situações jurídicas sempre representou certo tabu. Há clara resistência, principalmente no âmbito familiar, no tra- tamento e na prospecção das diretrizes para o momento “em que a pessoa faltar” ou “para quando a pessoa não mais estiver entre nós”. Claramente evita-se pronunciar a palavra “morte”.

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

2. Conceito

Por planejamento sucessório tem-se o conjunto de instrumentos jurí- dicos e estratégias que vise otimizar a transferência do patrimônio de uma pessoa para após a morte. Nessa conjuntura, desde o casamento, na escolha do regime de bens, e no correr da vida e de suas relações afetivas, a pessoa pode fazer escolhas racionais que visam à preservação e à destinação de seu patrimônio para efeitos sucessórios.

O planejamento econômico doméstico, familiar e sucessório tem o condão de racionalizar a transferência dos bens, as consequências da par- tilha, em eventual dissolução da sociedade conjugal e da sucessão mor- tis causa.

Rolf Madaleno defende que:

“A expressão planejamento sucessório compreende um conjunto de projeções realizadas em vida, para serem cumpridas como manifesta- ção de um querer especial, sobrevindo a morte do idealizador, sendo então cumprida sua vontade em sintonia com seus antecipados desíg- nios tudo com vistas ao bem comum de seus herdeiros, construindo um ambiente de pacífica transição da titularidade da herança, contribuin- do o planejamento da sucessão para a melhor perenização do acervo do espólio”1.

Assevera o autor com precisão que “com um adequado planejamento patrimonial é factível reduzir desacertos pessoais, e afastar desinteligências e dissensões sucessórias, não só para minimizar conflitos familiares com suas inevitáveis perdas materiais, tão comuns em um cenário de desordem sucessória, como buscar evitar uma descontrolada subversão emocional”2.

O planejamento sucessório abrange organizar a transmissão da heran- ça e seu processo de transmissão. Nesse sentido, Daniel Monteiro Peixoto:3

1. MADALENO, Rolf. Planejamento Sucessório. Anais do IX Congresso Brasileiro de Direito de Família. https://ibdfam.org.br/assets/upload/anais/299.pdf.

2. Idem.

3. PRADO Roberta Nioac; COSTALUNGA, Karime e KIRSCHBAUM, Deborah - Coordenadores NIOAC PRADO, Roberta, MONTEIRO PEIXOTO, Daniel, DI- NIZ DE SANTI, Eurico Marcos, - Direito Societário: estratégias Societárias, planejamento tributário e sucessório – 2ª Ed. –São Paulo: Saraiva, 2011, página 193 – (Série GVLaw).

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Capítulo 2

DOAÇÃO

AndreA sAntos GiGliotti

suMáriO: 1. Introdução: A Função Notarial e a elaboração da escritura pública de doação: atividade preventiva de litígios. 2. Doação – Breve história sobre sua origem.

3. Natureza jurídica. 4. Características. 5. Cuidados a serem tomados pelo Notário nos seguintes atos. 5.1. Doação universal. 5.2. Doação inoficiosa (preservação da legítima dos herdeiros necessários). 5.3. Compra e venda bipartida e a doação de nu- merário pelos pais ao filho menor para adquirir bem imóvel. 5.4. Doação com reserva de usufruto e a questão tributária. 5.5. Cláusula de reversão na doação. 5.6. Cláusu- las restritivas de inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade na doação e a necessidade de justificar a imposição da cláusula sobre os bens da legítima. 5.7.

Impactos do regime de bens e a incomunicabilidade na doação.

1. Introdução: A Função Notarial e a elaboração da escritura pública de doação: atividade preventiva de litígios

O Brasil, por sofrer influência do direito romano, tem o notariado con- siderado como latino, pois é mais predisposto ao direito positivo, sendo a lei fonte essencial do direito. O notário latino1 é possuidor de conhecimentos

1. Discorre assim Vicente de Abreu Amadei: no sistema do “notariado latino”, além de dar fé e autenticidade aos atos de que participa, o notário atua decisivamente no encaminhamento da vontade das partes no aperfeiçoamento da relação jurí- dica. Também pode assumir imparcialmente a função de aconselhar e orientar as partes quando do aperfeiçoamento do ato ou negócio jurídico, obstando a sua realização sempre que constatar a existência de vícios que possam vir a questio- nar a sua validade em face da legislação em vigor. Em contrapartida ao sistema anglo-saxônico, em que não há necessidade da existência social de um agente com fé pública capaz de atribuir força probatória aos atos jurídicos que pratica.

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

de direito notarial e registral, visto que a graduação em direito é requisito obrigatório para tomar posse no concurso público para a função.

Carlos Luiz Poisl alega que tal “designação é imprópria, porque não se pode afirmar que a espécie é exclusiva de povos de origem latina. Basta atualmente dizer que são 71 os países com esse tipo de notariado, inclusive a China e a Rússia, que nada têm de latinos”2.

O Notário é um verdadeiro agente da paz privada. Por ser um profis- sional do direito, é capaz de prever e prevenir os riscos que as vontades transformadas em atos notariais podem conter.

É decorrência da função notarial a atuação do Notário na prevenção de litígios, e o momento em que isso ocorre é na formação da vontade das partes. Exerce a função de auxiliar as partes para que suas vontades se ade- quem as formalidades legais do negócio, auxílio esse que se dá por meio dos documentos lavrados que são dotados de fé pública.

Apesar do assessoramento jurídico que o notário fornece às partes, a função não deve ser confundida com a advocacia3.

Profilaxia é definida como um conjunto de medidas que tem por fina- lidade prevenir determinadas situações. Logo, esse conjunto de medidas na seara notarial seria qualificação e exame delicado do notário na análise do caso concreto. Esse princípio, também conhecido como cautelaridade ou acautelamento, é bem definido por Leonardo Brandelli em sua obra, veja:

AMADEI, Vicente de Abreu; SANTOS, Marcelo de Oliveira Fausto Figueiredo;

YOSHIDA, Yatsuda Moromizato (coords.). Direito Notarial e Registral Avança- do. São Paulo: Revistas dos Tribunais, 2014, p. 31-33.

2. POISL, Carlos Luiz. Em testemunho da verdade: lições de um notário. Porto Alegre: Sergio Antônio Fabris Editor, 2006. p. 20.

3. Brandelli bem dispõe: “não se deve confundir, entretanto, o mister notarial com o dos advogados, embora em ambos esteja presente o assessoramento e con- sultoria jurídica. O advogado atua em defesa dos interesses de seu cliente, deve empenhar suas forças e conhecimentos em prol dos interesses de seu cliente, ao passo que o notário deve, imparcialmente, buscar a realização do melhor resul- tado, de acordo com a vontade de ambas as partes envolvidas, constituindo-se numa espécie de magistrado extrajudicial. No primeiro caso, a palavra de ordem é defender (os interesses de seu cliente), no segundo, precaver ou acautelar, conduzindo as partes para a melhor solução na realização espontânea do Direito, atendendo aos interesses de ambas”. BRANDELLI Leonardo. Teoria Geral do Direito Notarial. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 1998, p. 06.

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Capítulo 3

PACTO ANTENUPCIAL, UNIÃO ESTÁVEL E CONTRATO DE NAMORO

KAreen ZAnotti de Munno

suMáriO: 1. Os regimes de bens matrimoniais no Direito brasileiro. 1.1. Do pacto antenupcial. 1.2. Os limites do pacto antenupcial. 1.2.1. O pacto antenupcial para o idoso. 1.2.2. Os limites do pacto antenupcial com relação ao direito sucessório.

1.2.3. Questões práticas do pacto antenupcial. 1.2.4. Alteração de regime de bens.

2. União Estável. 2.1. Escolha do regime de bens na união estável. 2.2. Testemu- nhas na escritura de união estável. 2.3. Uniões poliafetivas e uniões simultâneas.

2.4. Elementos essenciais da união estável. 2.5. A questão sucessória. 3. Contrato de Namoro.

1. Os regimes de bens matrimoniais no Direito brasileiro

O casamento pode ser definido sob diversos aspectos. Ora é tratado sob o prisma do direito público (presença do Estado), ora é tratado de for- ma vinculada ao direito privado (contrato).

A doutrina moderna acaba por chamá-lo de contrato sui generis, pois dotado de muitas peculiaridades que o definem. Para Roberto de Ruggiero:

É um instituto, não só jurídico, mas ético, social e político e é tal a sua importância que a própria estrutura do organismo social depende de sua regulamentação. Impera nela não só o direito, mas também o costume e a religião: todos os três grupos de normas se contem no seu domínio e, como se verá, uma das características mais salientes da his- tória do instituto é a luta travada entre o Estado e a Igreja para obter a competência exclusiva para o regular (...). Abandonando, portanto a concepção contratual, resta apenas considerar o casamento como um

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

negócio jurídico complexo, formado pelo consenso da vontade dos par- ticulares e da vontade do Estado.1

Durante muito tempo o instituto jurídico do casamento teve respaldo exclusivo no enlace religioso. Até o início do século XX, os registros eram feitos nas paróquias (registro paroquial). Disso deriva a antiga mistura de conceitos entre o casamento civil e o religioso. Como explicita Antônio Cláudio da Costa Machado:

Teologicamente, casamento pode ser conceituado como o estado es- tabelecido por Deus no qual um homem e uma mulher podem viver juntos em relação sexual com a aprovação do seu grupo social. A par- tir deste conceito percebe-se claramente que o Pentateuco, como toda a Bíblia, considera o casamento como uma instituição divina, isto é, como uma experiência humana originada do coração de Deus, estabe- lecida historicamente mediante o poder criador de Deus e abençoado por Deus sejam quais forem as pessoas, sem distinção de tempo, espaço, raça ou credo que a ela venham a se submeter.2

Decorre da importância que esse conceito religioso tem para a história do instituto do casamento, o registro do casamento religioso para efeitos civis. Esse registro buscou valorizar o enlace religioso, dando a ele, depois de cumpridos alguns requisitos, os efeitos legais de um casamento civil.

Nesse sentido, a Constituição Federal de 1934, dispunha o seguinte:

Art. 146 – O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casa- mento perante ministro de qualquer confissão religiosa, cujo rito não contrarie a ordem pública ou os bons costumes, produzirá, todavia, os mesmos efeitos que o casamento civil, desde que, perante a autoridade civil, na habilitação dos nubentes, na verificação dos impedimentos e no processo da oposição sejam observadas as disposições da lei civil e seja ele inscrito no Registro Civil. O registro será gratuito e obrigatório.

A lei estabelecerá penalidades para a transgressão dos preceitos legais atinentes à celebração do casamento.

1. RUGGIERO, Roberto de. Instituições de direito civil. Vol. II. Campinas: Book- seller, 1999. p. 112.

2. COSTA MACHADO, Antônio Cláudio da. O casamento no Pentateuco. Dispo- nível em: <http://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/view/67141/69751>. Aces- so em: 02 mar. 2021.

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Capítulo 4

SEPARAÇÃO, DIVÓRCIO E PARTILHA

KAreen ZAnotti de Munno

suMáriO: 1. A Lei 11.441/2007. 2. O Divórcio, a Separação e a Dissolução da União Estável Extrajudicial – Requisitos. 3. A subsistência do instituto da separação. 4. Ele- mentos e requisitos da escrituração. 5. Partilha de bens. 6. Restabelecimento da sociedade conjugal. 7. Sigilo.

1. A Lei 11.441/2007

O advento da Lei 11.441/2007 trouxe um novo enfoque à atividade notarial. Fundada na tendência de desjudicialização trouxe ao Tabeliona- to de Notas uma função que era exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário.

E isso é, com certeza, um caminho sem volta. As Serventias Extrajudi- ciais são as principais aliadas para a desjudicialização e a desburocratização dos procedimentos no país.

A legislação inovadora tornou-se um verdadeiro marco e uma mudan- ça de paradigma para a atividade. E essa mudança foi abraçada por todos os tabeliães, fazendo com que os atos previstos sejam mais um na gama de todos os outros possíveis de serem praticados na Serventia.

Para a prática dos atos fundados em tal diploma legal é sempre necessá- rio o consenso das partes. E não há lógica em requerer a maior participação do Estado em um procedimento consensual, de jurisdição voluntária, em que, na maioria das vezes ela era instrumentalizada com a homologação judicial de acordo firmado entre as partes.

O acordo, então, ingressou em definitivo na esfera extrajudicial, tra- zendo mais celeridade e desafogando o Judiciário para que ele possa cuidar

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

dos casos em que foi constitucionalmente vocacionado: nos conflitos de interesses, nas lides.

Assim nos ensinam Paulo Gaiger e Felipe Rodrigues:

O processo judicial, é verdade, algumas vezes prolonga o abalo mo- ral dos envolvidos em tais demandas, devido aos seus procedimentos e tramite. A nova lei é uma lei procedimental: ela permite que os atos de separação, divórcio, extinção de união estável, inventário ou parti- lha sejam realizados pela via notarial. Não se aplicam, pois, as mesmas disposições do procedimento judicial. O “processo”, melhor dizendo, o procedimento é, agora, notarial, sujeito às normas e costumes da ati- vidade tabelioa. De fato, não há justificativa para obrigar postular na via jurisdicional a extinção do pacto realizado por mera declaração de vontades (o casamento e a união estável), sem o condão de prejudicar terceiros. Tal procedimento contraria inclusive a lógica jurídica, pela qual a dissolução de um ato deve ser realizada pelos mesmos meios de sua elaboração. A lei segue a tendência mundial de retirar do Judiciá- rio os atos de jurisdição voluntária, para acelerá-los e simplificá-los.

Trata-se da desjudicialização, termo novo que já se incorpora ao meio jurídico, no Brasil e também no exterior. Quando houver consenso das partes, ao Estado interessa apenas a verificação da legalidade. A via no- tarial é mais célere, menos burocrática e com menor custo. No caso do Brasil, a lei quer, também, desafogar a Justiça, concentrando-a na juris- dição litigiosa.1

Com a chegada do Código de Processo Civil vigente, em 2015, com vacatio legis finalizada em março de 2016, a regulamentação da matéria passou a ser por ele disciplinada. Mas, importante salientar a autonomia dos atos notariais em relação aos atos judiciais, sendo que não necessaria- mente aqueles seguirão regras processuais previstas no código adjetivo.

Como exemplo, traz-se o tranquilo entendimento de que os atos da Lei 11.441/2007 não precisam seguir as regras de competência previstas no Código de Processo, imperiosas para os procedimentos judiciais.

A escritura pública proveniente dos atos instrumentalizados com o advento da Lei 11.441/07, é instrumento hábil para efetivar as alterações e as transferências consubstanciadas em seu teor, tal como a alteração de

1. FERREIRA, Paulo Roberto Gaiger, RODRIGUES, Felipe Leonardo. Tabelionato de Notas, 3ª edição. Indaiatuba, Editora Foco, 2020, pag. 311.

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Capítulo 5

SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA

AlexsAndro silvA trindAde

suMáriO: 1. Apresentação. 2. Direito das sucessões: aspectos gerais. 2.1. Concei- to, noções e fundamentos. 2.2. Formas de sucessão. 2.3. Abertura da sucessão.

2.4. Capacidade para suceder. 2.5. Aceitação e Renúncia. 3. Sucessão testamentária.

3.1.  Testamento: conceito e fundamento histórico. 3.2. Características do testa- mento. 3.3. Capacidade testamentária ativa. 3.4. Capacidade testamentária passiva:

legitimação para suceder por testamento. 3.5. Deserdação. 3.6. Direito de represen- tação. 3.7. Direito de acrescer. 3.8. Substituições testamentárias. 3.9. Encargo da testamentaria. 4. Formas testamentárias. 4.1. Testamento público. 4.2. Testamen- to cerrado. 5. Disposições testamentárias. 5.1. Nomeação de herdeiros e legatários sob condição, termo, com previsão de encargo e por motivo determinado. 5.2. In- terpretação dos testamentos. 5.3. Invalidades e determinabilidade das disposições.

5.4. Cláusulas restritivas. 6. Legados. 7. Revogação, caducidade, rompimento e nu- lidade do testamento.

1. Apresentação

O escopo do presente capítulo é tratar do direito sucessório à luz da atividade extrajudicial. Mais precisamente, o presente capítulo versará so- bre os testamentos público e cerrado, conquanto são esses os dois tipos de testamentos que dependem da intervenção do tabelião.

Entretanto, antes de adentrar ao tema principal, oportuno se faz per- quirir e tratar, de forma bastante objetiva, sobre alguns conceitos e institu- tos relacionados à sucessão mortis causa que tem reflexos nas disposições testamentárias.

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

2. Direito das sucessões: aspectos gerais 2.1. Conceito, noções e fundamentos

A doutrina pátria define direitos das sucessões como o conjunto de princípios e normas que dispõe sobre a transmissão da herança ou de lega- dos, ao herdeiro ou legatário, por ocasião da morte de alguém.

EUCLIDES OLIVEIRA e SEBASTIÃO AMORIM dissertam que “o di- reito das sucessões regula a forma de suceder em caso de morte, seja pela sucessão legítima, seja pela sucessão testamentária. Seu objeto é a transmis- são de bens causa mortis”.1

SILVIO RODRIGUES o define como o “conjunto de princípios jurídi- cos que disciplinam a transmissão do patrimônio de uma pessoa que mor- reu, a seus sucessores”.2

O direito sucessório tem claras bases no reconhecimento da perpetua- ção do direito de propriedade, não restrita à sociedade capitalista, mas sem dúvidas que por ela potencializada. Reflete, ainda, proteção contra o impé- rio estatal e a ruptura ao estado absolutista e fortalecimento da burguesia consubstanciados nos direitos de 1ª dimensão, ou seja, direitos de caráter primário e negativos por exigirem, de modo apriorístico, a abstenção estatal.

Atento a essa conjuntura histórica do constitucionalismo, o Poder Constituinte Originário assegurou ao direito de herança o status de direito individual fundamental ao dispor no artigo 5º da Constituição Cidadã:

Artigo 5º. In omissis;

(...)

XXX – é garantido o direito de herança;

XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”; (...).

Observa-se, de início, que o constituinte originário primeiro consa- grou o direito à propriedade, e sua transmissão aos herdeiros, bem como

1. OLIVEIRA, Euclides de; AMORIN, Sebastião. Inventário e Partilha. Teoria e prática. pg. 38.

2. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: Direito das Sucessões, 2003. pg. 3.

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Capítulo 6

O INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL

letíCiA ArAújo FAriA

suMáriO: 1.  Arcabouço Legislativo. 2.  Conceitos e Finalidades. 3.  Características Principais Trazidas pela Lei 11.441/07. 3.1. Partes Capazes e Concordes. 3.2. Assis- tência Jurídica por Advogado. 3.3. Facultatividade da Via Eleita. 3.4. (In)Existência de Testamento Válido. 4. Aspectos Gerais. 4.1. Escolha do Tabelionato. 4.2. Desne- cessidade de Homologação Judicial. 4.3. Fixação de Emolumentos e Gratuidade do Procedimento Extrajudicial. 4.4. Possibilidade de Buscas quanto as Escrituras La- vradas. 5. Atos Referentes ao Inventário e à Partilha. 5.1. Nomeação de Interessado para Representar o Espólio – O inventariante. 5.1.1. Possibilidade de Nomeação Plúrima de Inventariantes. 5.2. Retificação de Inventários e Partilhas – Judiciais e Extrajudiciais. 5.3. Verbas constantes da Lei 6.858/1980. 5.4. Recolhimento Ante- cipado dos Tributos Incidentes. 5.5. As Cessões de Direitos Hereditários, dos Direito de Meação e a Renúncia. 5.5.1. Cessão de Direitos Hereditários de Bem Determi- nado. 5.6. Reconhecimento da meação e do direito sucessório do companheiro.

5.7. Análise formal da Escritura Pública de Inventário Extrajudicial. 5.8. Sobrepar- tilha. 5.9. Escritura de Adjudicação. 5.10. Existência de Credores. 5.10.1. Credor como Parte na Escritura Pública de Inventário e Partilha. 5.11. Inventário Negativo.

5.12. Inventário e Partilha referentes a Bens localizados no Exterior. 5.13. Aplica- ção Retroativa da Lei 11.441/07 e Fiscalização dos Tributos. 5.14. Negativa pelo Tabelião de Lavrar o Ato. 6. Reflexos Patrimoniais e Instrumentais do Inventário Extrajudicial – A Partilha. 6.1. Colação. 6.2. Análise do Título Aquisitivo do Bem Arrolado. 6.3.  Valores Dos Bens Arrolados. 6.4.  Reconhecimento da Meação do Viúvo no Usufruto do Imóvel. 6.5. Valores atribuídos aos bens. 6.6. Inventários Sucessivos – Pós Morte. 6.7. Premoriência, Comoriência e Representação. 7. Re- ticências.

Preliminarmente, faz-se necessário entender a linha do tempo das disposições normativas sobre o inventário extrajudicial para se chegar ao estado atual da arte e conseguir entender todas as minúcias, peculiarida- des e requisitos do ato notarial de inventário e partilha.

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O DIREITO E O EXTRAJUDICIAL – DIREITO CIVIL III

Serão analisados os requisitos trazidos pela lei quando a possibilidade pela eleição da via extrajudicial foi finalmente positivada.

Em ato subsequente, o ato normativo editado pelo Conselho Nacional de Justiça será analisado, trazendo a esta obra as nuances práticas do ato notarial de inventário e partilha.

Em todos os subcapítulos, caso seja possível a análise de questões prá- ticas, estas serão contextualizadas e analisadas com afinco. Inclusive atos como a renúncia de direitos hereditários e as cessões deles. A cessão do direito meatório do cônjuge/companheiro supérstite também será analisa- do neste trabalho.

O estudo se findará com o ato da partilha, propriamente dita. Já se faz a ressalva que a adequada partilha dependerá do caso concreto, do regime de bens do casamento, se houver, do patrimônio deixado e de todas as in- tercorrências possíveis, aqui estudas, ciente de que a vida em sociedade e principalmente, a vida em família não possui padrão rígido e uniforme, sendo impossível abarcar todas as formas de partilhas possíveis. Entretan- to, a análise geral já se faz pertinente e suficiente para que os mais diversos casos sejam analisados e resolvidos pelos operadores do direito que cuidam da área objeto de estudo.

Passa-se a esta missão, então.

1. Arcabouço Legislativo

Entender a opção do legislador pela solução extrajudicial dos atos é compreender que a via administrativa, ao ser eleita, se veste muito mais co- mo uma opção política do que propriamente, jurídica. Escolheu o legisla- dor brasileiro entregar a solução de situações não conflituosas aos serviços notariais, fixando alguns requisitos, em caráter facultativo ao cidadão que apenas se verá beneficiado por essa via eleita.

Como leciona Luiz Paulo Vieira de Carvalho, o inventário de priscas eras se realizava com a assistência e a presença de um notário1. Dessa forma, diz-se que a opção é propriamente política pois existe menção às partilhas extrajudiciais datadas de anos atrás, mais especificamente, nas Ordenações Filipinas, em seu Livro IV, Titulo XCVI, parágrafo 18, senão, vejamos:

1. CARVALHO, Luiz Paulo Vieira De. Direito Das Sucessões. 4 Ed – São Paulo:

Atlas, 2019, p. 965.

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