Setembro 2020
Carteira de
Títulos Públicos
Glauco Legat, CFA Equipe Análise Necton
André Perfeito
Gabriel Machado, CNPI Analista
Edson Kina, CNPI Analista
Marcel Zambello, FMVA Analista
Márcio Gomes, CNPI-T Analista gráfico
Rodrigo Barreto, CNPI-T Analista gráfico
Analista emissor do relatório Analista-chefe
Economista-chefe
O cenário atual da pandemia do novo coronavírus provocou uma série de fatores que forçam a projeção final de 2020 do IPCA para baixo, a dizer:
• O aumento da taxa de desemprego e a diminuição do consumo, que acarreta na dificuldade das empresas aumentarem os preços dos produtos.
• O fortalecimento do dólar ante a moeda nacional, provocando um cenário de maior aversão ao risco.
• Para o grupo de Transportes, observou-se no IPCA- 15 uma leve desaceleração de 0,75% em agosto ante 1,11% em julho, principalmente por conta do grupo dos combustíveis (a exemplo a gasolina teve alta de 2,63% ante 4,47% do mês de julho). Como esperado, espera-se uma recuperação lenta deste grupo a partir do terceiro semestre, em virtude do crescente número de casos de Covid-19 no mundo, com focos de segunda onda em certos países (a exemplo a Espanha) , e de lockdowns parciais que podem culminar no desaquecimento e perda de tração da demanda do petróleo.
• O setor de Alimentação e Bebidas, que corresponde a quase um quinto da variação do IPCA, está diretamente exposto às expectativas e capacidade de consumo das famílias. A prévia de inflação de agosto neste setor registrou uma alta de 0,34%
ante uma queda de 0,13% em julho. Este resultado ocorreu por conta da alta do subgrupo Alimentação no domicílio (10% nos 12 meses encerrados em agosto), que é consequência das altas acumuladas pelo conjunto dos preços agropecuários ao produtor (IPA-FGV). Desse modo projetamos para o mês de setembro uma alta desta categoria, seguido de uma retomada gradual e aproximação da sazonalidade no quarto trimestre.
O mês de agosto foi marcado pela desvalorização do real ante o dólar, com uma mínima no início do mês de R$ 5,22 e uma máxima de R$ 5,67 no dia 20. Dos fatores que deram sustentação à esta alta foram a derrubada do veto de Bolsonaro sobre o salário de servidores da linha de frente da pandemia, e a suspensão pelo presidente do futuro programa social do governo, o Renda Brasil.
Mantemos nossa projeção do dólar à R$ 5,90 para o final do ano na esteira do patamar dos juros atual (com possíveis cortes segundo a última ata do Copom), no mal estar fiscal instalado no mercado, e a crise política e sanitária do país, que por consequência causam um aumento do risco para os investidores estrangeiros.
IPCA
Projeção final de 2020 NECTON 1,40%
FOCUS 1,78%
Projeção de Dólar 2020
NECTON R$ 5,90 FOCUS R$ 5,20
Projeções de médio prazo
Sugestão de alocação
O mês de Setembro tem eventos importantes e que devem trazer volatilidade aos mercados domésticos.
A sensação que se tem é que o tempo está acabando e que as reformas prometidas não devem avançar no Congresso enquanto o problema fiscal se torna mais agudo. Antes de avançar na análise prospectiva do mês, vamos nos debruçar rapidamente no final de Agosto onde algumas questões ganharam relevância.
O final do mês foi marcado por mais desentendimentos entre o Planalto e o Ministério da Economia, desta vez sobre o programa Renda Brasil que pretende unificar uma série de programas, entre estes o Bolsa Família. A questão na mesa é que alguns acreditam que Bolsonaro irá usar a plataforma para ter ganhos políticos e
assim romper com o pragmatismo fiscal de Guedes.
No final do mês vimos também o Conselho monetário nacional autorizar o banco central a repassar 325 bilhões de reais ao Tesouro nacional. isso traz certos questionamentos sobre a capacidade de curto prazo do Tesouro rolar a dívida pública e nesse sentido devemos ficar atentos sobre os desdobramentos na parte longa da curva de juros.
Setembro irá começar com a divulgação do PIB no segundo trimestre de 2020 e nossa projeção é de queda de 10% em relação ao primeiro trimestre. Iremos rever o PIB de 2020 após a divulgação dos dados com particular atenção aos dados da formação bruta de capital fixo.
Em meados de setembro teremos também a divulgação da nova taxa Selic e ao que tudo indica o colegiado do banco central deve optar pela manutenção da taxa básica no atual patamar de 2%. A decisão pela manutenção da taxa de juros deriva de 2 movimentos, em primeiro lugar a inflação medida pelos IGPs da fundação Getúlio Vargas sugerem que o impacto do câmbio tem sido forte nos preços ao atacado. Isso pode contaminar os modelos de inflação da autoridade monetária e assim impedir novos cortes na taxa de juro. Em segundo lugar temos que ter em mente que a dinâmica das reformas estruturais tende a não ser benigna neste mês e assim elevar o sentimento de precaução da diretoria do banco.
Setembro também será marcado pelos desdobramentos da eleição norte-americana o que ao que tudo indica deve conduzir à vitória o candidato democrata Joe Biden.
Sugestão de alocação Títulos Públicos em 28/08/2020
Tesouro Selic 2025
100%
Se isso se confirmar muitos temem na Faria Lima que possa se iniciar um processo de correção nas bolsas de Nova Iorque. Isto posto temos uma situação onde tanto a dinâmica política interna quanto a taxa de juro e também o cenário eleitoral norte-americano conspiram para uma situação de maior cautela.
Nesse sentido nossa recomendação de alocação em títulos públicos fica 100% em Selic, ou seja, pós fixado. O comportamento do dólar tende a ser altista em setembro devido ao patamar atual de juros no Brasil e a percepção de que o ambiente político, em particular as atenções entre o Palácio do Planalto o Ministério da Economia, devem continuar elevadas. mantemos nossa projeção do dólar há R$ 5,90 no final de 2020.
Comportamento de preços e taxas
1,00%
2,00%
3,00%
4,00%
5,00%
6,00%
7,00%
R$3.000,00 R$3.250,00 R$3.500,00 R$3.750,00 R$4.000,00
01/03/2017 30/03/2017 03/05/2017 01/06/2017 03/07/2017 01/08/2017 30/08/2017 29/09/2017 31/10/2017 04/12/2017 05/01/2018 07/02/2018 12/03/2018 11/04/2018 11/05/2018 12/06/2018 12/07/2018 10/08/2018 11/09/2018 10/10/2018 12/11/2018 12/12/2018 15/01/2019 13/02/2019 18/03/2019 16/04/2019 17/05/2019 17/06/2019 17/07/2019 15/08/2019 13/09/2019 14/10/2019 12/11/2019 13/12/2019 17/01/2020 17/02/2020 19/03/2020 16/04/2020 19/05/2020 18/06/2020 17/07/2020 17/08/2020
Tesouro IPCA+ vencimento (15/08/2024)
PU Médio (compra/venda) Taxa Média (compra/venda)
Fonte: Tesouro Nacional, Necton
0,00%
1,00%
2,00%
3,00%
4,00%
5,00%
6,00%
7,00%
R$3.000,00 R$3.200,00 R$3.400,00 R$3.600,00 R$3.800,00 R$4.000,00 R$4.200,00 R$4.400,00 R$4.600,00 R$4.800,00 R$5.000,00
01/03/2017 30/03/2017 03/05/2017 01/06/2017 03/07/2017 01/08/2017 30/08/2017 29/09/2017 31/10/2017 04/12/2017 05/01/2018 07/02/2018 12/03/2018 11/04/2018 11/05/2018 12/06/2018 12/07/2018 10/08/2018 11/09/2018 10/10/2018 12/11/2018 12/12/2018 15/01/2019 13/02/2019 18/03/2019 16/04/2019 17/05/2019 17/06/2019 17/07/2019 15/08/2019 13/09/2019 14/10/2019 12/11/2019 13/12/2019 21/12/2018 24/01/2019 22/02/2019 27/03/2019 26/04/2019 28/05/2019 27/06/2019 26/07/2019 26/08/2019 24/09/2019 23/10/2019 25/11/2019 26/12/2019 28/01/2020 28/02/2020 20/03/2020 16/04/2020 19/05/2020 18/06/2020 17/07/2020 17/08/2020
Tesouro IPCA+ vencimento (15/08/2026)
PU Médio (compra/venda) Taxa Média (compra/venda)
3,00%
3,50%
4,00%
4,50%
5,00%
5,50%
6,00%
6,50%
R$3.000,00 R$3.200,00 R$3.400,00 R$3.600,00 R$3.800,00 R$4.000,00 R$4.200,00 R$4.400,00 R$4.600,00 R$4.800,00 R$5.000,00
01/03/2017 30/03/2017 03/05/2017 01/06/2017 03/07/2017 01/08/2017 30/08/2017 29/09/2017 31/10/2017 04/12/2017 05/01/2018 07/02/2018 12/03/2018 11/04/2018 11/05/2018 12/06/2018 12/07/2018 10/08/2018 11/09/2018 10/10/2018 12/11/2018 12/12/2018 15/01/2019 13/02/2019 18/03/2019 16/04/2019 17/05/2019 17/06/2019 17/07/2019 15/08/2019 13/09/2019 14/10/2019 12/11/2019 13/12/2019 17/01/2020 17/02/2020 19/03/2020 16/04/2020 19/05/2020 18/06/2020 17/07/2020 17/08/2020
Tesouro IPCA+ vencimento (15/08/2050)
PU Médio (compra/venda) Taxa Média (compra/venda)
Fonte: Tesouro Nacional, Necton
5,00%
6,00%
7,00%
8,00%
9,00%
10,00%
11,00%
12,00%
13,00%
R$400,00 R$500,00 R$600,00 R$700,00 R$800,00 R$900,00 R$1.000,00
07/02/2018 05/03/2018 27/03/2018 19/04/2018 14/05/2018 06/06/2018 28/06/2018 23/07/2018 14/08/2018 05/09/2018 28/09/2018 23/10/2018 16/11/2018 10/12/2018 04/01/2019 28/01/2019 19/02/2019 15/03/2019 08/04/2019 02/05/2019 24/05/2019 17/06/2019 10/07/2019 01/08/2019 23/08/2019 16/09/2019 08/10/2019 30/10/2019 25/11/2019 17/12/2019 14/01/2020 05/02/2020 02/03/2020 18/03/2020 03/04/2020 28/04/2020 21/05/2020 15/06/2020 07/07/2020 29/07/2020 20/08/2020
Tesouro Selic vencimento (01/01/2025)
PU Médio (compra/venda) Taxa Média (compra/venda)
Fonte: Tesouro Nacional, Necton.
Evolução recente dos títulos públicos
Após anos de queda da SELIC os investidores preferiram ficar em parte pré-fixados e isso fez que a demanda por títulos do tipo Tesouro IPCA+(NTN-B) aumentasse de maneira significativa atingindo praticamente 50% do estoque vendido ao público. No entanto, desde 2013 a demanda por títulos pós-fixados aumentou de maneira significativa na esteira de
uma percepção pior da economia brasileira e de ruídos políticos que culminaram no impeachment de 2016. O processo de piora continua em parte e por isso mesmo muitos investidores têm preferido aplicações pós-fixados via LFT e hoje estes títulos representam 28,7% do total em poder do público, valor similar ao observado em 2006.
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%Estoque por Título no Tesouro Direto (%)
Tesouro Selic (LFT) Tesouro Prefixado (LTN)
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais (NTN-C)
F
Fonte: Tesouro Nacional, Necton
Racional dos títulos públicos
PRÉ-FIXADO (NTN-F)
PÓS-FIXADO (LFT)
INDEXADOS À INFLAÇÃO (NTN-B)
• Aposta na “MELHORA”* da economia (juros em queda e inflação em queda);
• Se a SELIC CAI↓ o título GANHA↑
• Se a SELIC SOBE↑ o título PERDE↓
• Se o IPCA CAI↓ o título GANHA↑
• Se o IPCA SOBE↑ o título PERDE↓
*NOTA: Melhora ou Piora deve ser usado com certa cautela, às vezes as relações não são tão automáticas. Por exemplo; a economia pode estar melhorando e por isso mesmo o BCB pode subir as taxas de juros para esfriar um pouco a economia querendo evitar uma piora nos preços. Há momentos que a inflação em alta representa mais atividade, ou seja, é uma boa notícia. Colocamos MELHORA e PIORA para auxiliar em parte o racional de clientes ao tentar visualizar os movimentos.
• Aposta na “PIORA”* da economia (juros em alta e inflação em alta);
• Se a SELIC CAI↓ o título PERDE↓
• Se a SELIC SOBE↑ o título GANHA↑
• Se o IPCA CAI↓ o título PERDE↓
• Se o IPCA SOBE↑ o título GANHA↑
• Título híbrido
• Componente pós-fixado (o índice de inflação) Se o IPCA SOBE↑ o título GANHA↑
• Componente pré-fixado (taxa contratada) Se a SELIC CAI↓ o título GANHA↑
Projeções
POSITIVO BASE NEGATIVO
SELIC
2020 1,75% 2,00% 2,25%
2021 2,50% 3,25% 4,00%
2022 4,75% 5,00% 6,50%
IPCA
2020 1,30% 1,40% 1,90%
2021 2,50% 3,00% 3,20%
2022 3,10% 3,50% 4,50%
DÓLAR
2020 5,20 5,90 6,50
2021 4,50 5,10 5,30
2022 4,00 4,60 4,90
PIB
2020 -5,10% -7,50% -9,00%
2021 3,20% 1,65% 1,00%
2022 3,10% 2,00% 1,70%
v
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