• Nenhum resultado encontrado

Estud. av. vol.16 número44

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Estud. av. vol.16 número44"

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

Sobre a existˆ

encia

de monopolos magn´

eticos

Mario Sch¨

onberg

N

A TEORIA eletromagn´etica de Maxwell e Lorentz se postula a

inexistˆencia de massas magn´eticas, sendo todo o magnetismo atribu´ıdo a correntes el´etricas. At´e hoje n˜ao ficou esclarecida a quest˜ao de saber se essa hip´otese ´e necess´aria ou se ´e poss´ıvel abandon´a-la sem alterar profundamente a estrutura da teoria eletromagn´etica. Nos ´

ultimos anos o problema das massas magn´eticas foi abordado sob outro ponto de vista. Admitindo a existˆencia dessas massas, estudou-se, pela mecˆanica quˆantica, o movimento de um el´etron num campo por elas criado. Como se sabe, na equa¸c˜ao de Schr¨odinger do el´etron, interv´em os potenciais do campo eletromagn´etico e esses potenciais s´o existem quando o campo magn´etico ´e solenoidal, isto ´e, quando n˜ao h´a massas magn´eticas. Da´ı a cren¸ca de que o movimento do el´etron num tal campo n˜ao fosse sucet´ıvel de descri¸c˜ao quˆantica. Por uma engenhosa an´alise dos fatores de fase das fun¸c˜oes de onda, Dirac mostrou que o problema podia ser tratado quantica-mente se as massas magn´eticas fossem m´ultiplos inteiros de

µ= hc

4π e . (1)

Posteriormente, Jordan chegou `as mesmas conclus˜oes, estudando a segunda quantiza¸c˜ao das grandezas “eich-invariantes” dum campo de ondas eletrˆo-nicas. Essas pesquisas mostraram que o problema da intera¸c˜ao do campo eletromagn´etico com um el´etron n˜ao introduz dificuldades que possam jus-tificar a inexistˆencia de massas magn´eticas, n˜ao resolvem, por´em, de modo definitivo a quest˜ao dos monopolos magn´eticos.

(2)

magn´etico H" est´a submetido `a for¸ca

"

F =µ "H . (2)

Ora, a for¸ca F" ´e um vetor polar e o campo magn´etico H" um vetor axial, logo uma rela¸c˜ao do tipo (2) s´o ´e poss´ıvel se µ for um pseudo escalar, isto ´e, se trocar de sinal quando se passa de um sistema de eixos dextr´ogiro a um sistema sinistr´ogiro. `A mesma conclus˜ao podemos chegar, considerando a express˜ao da energia W de um dipolo magn´etico de momento M" num campo H"

W =−M" ·H" . (3)

A energia W ´e um escalar, H" sendo um vetor axial o mesmo deve acontecer com M" . Para que um momento magn´etico seja axial ´e preciso que a massa magn´etica seja um pseudo escalar, sendo o momento o produto de uma massa por um vetor polar. ´E curioso observar que nada de an´alogo ocorre com as cargas el´etricas devido `a polaridade do campo el´etrico.

As considera¸c˜oes precedentes s˜ao largamente independentes das equa-¸c˜oes de Maxwell, porquanto o car´ater axial do campo magn´etico j´a resulta da lei de Biot e Savart, aplicada ao movimento de uma carga el´etrica “e”.

" H = e

c "vΛ"r

r3 . (4)

(3)

grandezas do campo: δHz δy − δHy δz = 1 c δEx δt + 4π c ρ vx

δHx δz − δHz δx = 1 c δEy δt + 4π c ρ vy

δHy δx − δHx δy = 1 c δEz δt + 4π c ρ vz

δEx δx +

δEy δy +

δEz

δz = 4π ρ

                               (5a) δEz δy + δEy δz =−

1 c δHx δt δEx δz − δEz δx =−

1 c δHy δt δEy δx − δEx δy =−

1 c δHz δt δHx δx + δHy δy + δHz

δz = 4π σ

                               (5b)

A ´ultima equa¸c˜ao (5b) foi generalizada introduzindo uma densidade magn´e-tica. O sistema de equa¸c˜oes (5b) n˜ao ´e relativisticamente invariante, pois a existˆencia de massas magn´eticas em repouso num dado sistema de referˆencia equivale `a existˆencia de uma corrente magn´etica para um observador em movimento relativamente ao sistema considerado. Devemos, portanto, in-troduzir nos segundos membros das trˆes primeiras equa¸c˜oes (5b), termos representando uma corrente magn´etica:

δEz δy −

δEy δz =−

1

c δHx

δt +

4π c σ ux

δEx δz −

δEz δx =−

1

c δHy

δt +

4π c σ uy

δEy δx −

δEx δy =−

1

c δHz

δt +

4π c σ uz

(4)

Recordando que essas equa¸c˜oes traduzem a lei de indu¸c˜ao de Faraday-Neu-mann, vemos que a existˆencia de massas magn´eticas levaria a uma modi-fica¸c˜ao dessa lei.

A quarta equa¸c˜ao (5a) mostra que E" deve ser um vetor polar, a densidade el´etrica ρ sendo escalar. Das trˆes primeiras equa¸c˜oes (5a) conclu´ımos que

"

H ´e axial e portanto a densidade magn´etica σ ´e um pseudo escalar, em virtude da quarta equa¸c˜ao (5b) ou (5c). Isto ´e, por uma simetria em rela¸c˜ao `a origem σ troca de sinal:

(x, y, z)→(x′, y′, z′) = (−x,−y,−z)

σ →σ′ =−σ

. (6)

Do que precede resulta que (σ, "σµ) formam um trivetor do espa¸co quadridimensional, elemento geom´etrico an´alogo ao vetor axial do espa¸co tridimensional.

Os resultados da discuss˜ao das equa¸c˜oes (5) podem ser expressos de modo mais compacto, por meio do c´alculo tensorial. Introduzindo o tensor antisim´etrico do campo Fµν

(Fµν) = 

         

0 Hz −Hy −i Ex

−Hz 0 Hx −i Ey

Hy −Hx 0 −i Ez

i Ex i Ey i Ez 0

         

. (7)

As equa¸c˜oes de Maxwell para o v´acuo tˆem a forma

+ δFµν

δxν = 0

δFµν

δxλ

+ δFµλ

δxµ

+ δFλµ

δxν = 0

   

   

. (8)

A ´unica generaliza¸c˜ao do sistema (8) que conserva a linearidade e a in-variˆancia relativista, ´e a que se obt´em igualando o vetor quadrimensional

,δFµν

δxν

a um vetor 4π

c Sµ independente de Fµν e o trivetor δFµν

(5)

δFνλ

δxµ

+δFλµ

δxν

a um trivetor 4π

c σλµν tamb´em independente de Fµν. Assim

obtemos o sistema

(a) , δFµν

δxν

= 4π

c Sµ

(b) δFµν

δxλ

+ δFνλ

δxµ

+ δFλµ

δxν

= 4π

c σλµν

  

  

. (9)

As equa¸c˜oes (9a) e (9b) coincidem respectivamente com (5a) e (5b). Vemos que a carga e a corrente magn´etica podem ser identificadas com as compo-nentes de um trivetor quadridimensional, elemento de car´ater geom´etrico e f´ısico completamente diferente de um vetor. Da´ı a impossibilidade de in-troduzir uma massa magn´etica com propriedades an´alogas `as de uma carga el´etrica.

Annais da Academia Brasileira de Sciencias, Vol. XI, N. 3, 30 Setembro de 1939, pp. 267–271

Referências

Documentos relacionados

Estipulei, assim, como objectivos: (i) Perceber as preferências e os interesses das crianças tendo como base a óptica gardneriana; (ii) Verificar qual a

O deslocamento ocorre quando o órgão apresenta um aumento significativo na produção de gás, seja ela pelo aumento de concentrado na dieta, deficiência em manejo ou outros fatores,

Research carried out by Pelosi (2008) revealed that the municipal health clinics in Rio de Janeiro offers no alternative communication services, and that the occupational

RESUMO: Objetivou-se neste estudo, analisar a viabilidade econômica de plantios de Eucalyptus grandis para a produção de celulose, considerando diversas condições de sítio

Neste caso, o consumidor na regra do CDC, quando falamos em responsabilidade civil objetiva, não temos que demonstrar o elemento subjetivo que é o dolo ou culpa, ou seja, a TV

To the best of our knowledge, this is the first report to reveal that SGLT1 protein activity of the lung alveolar cells regulates the glucose concentration in the airway surface

Tais conclusões, assim como os argumentos que as baseiam, servem não só para compreendermos uma tática discursiva específica do século IV a.C., mas também as armadilhas do sistema

Creative Insubordination can inspire the re-signification of evaluative practices as a pillar in the production of a more democratic way in the assessment,