2006/2007
TII
DOCUMENTO DE TRABALHO
O TEXTO CORRESPONDE A TRABALHO FEITO DURANTE A
FREQUÊNCIA DO CURSO NO IESM SENDO DA RESPONSABILIDADE DO SEU AUTOR, NÃO CONSTITUINDO ASSIM DOUTRINA OFICIAL DA FORÇA AÉREA PORTUGUESA.
TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE APOIO
AÉREO PRÓXIMO
TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE APOIO AÉREO
PRÓXIMO
MAJG/PILAV Luís Miguel Pinto Morais
Trabalho de Investigação Individual do CPOS/FA
INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES MILITARES
TRANSFORMAÇÃO DO CONCEITO DE APOIO AÉREO
PRÓXIMO
MAJG/PILAV Luis Miguel Pinto Morais
Trabalho de Investigação Individual do CPOS/FA
Orientador: MAJ/PILAV Rui Mendes
Agradecimentos
Desejo prestar o meu tributo, transmitindo os mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que contribuíram para a realização deste trabalho, despendendo do seu precioso tempo e mostrando uma enorme vontade e dedicação. Em particular, gostaria de salientar a inestimável contribuição prestada, individualizando os seguintes militares:
TCOR/ENGAER Costa
TCOR/PILAV Alberto Alves Francisco MAJ/PILAV João Pereira
CAP/PA Freire
CAP/Vl Stijn VAN AVERMAET (BAF) CAP/PIL Ryan Wierszbanowski (USAF) CAP/PIL Scott Markle (USAFE)
Por fim, uma palavra de agradecimento ao orientador deste trabalho, MAJ/PILAV Rui Mendes, pela disponibilidade e constante espírito crítico.
Índice
Assunto Nº de pág.
INTRODUÇÃO 1
Definição do contexto em que o estudo se desenvolve 1
Objecto de estudo e sua delimitação 1
Definição dos objectivos da investigação 1
Metodologia 1
Corpo de Conceitos 2
Organização do estudo 3
1. Análise da evolução do Close Air Support (CAS) 4
a. A evolução das operações de CAS 4
(1) Operação Restore Hope (Somália) 4
(2) Operação Iraqi Freedom 6
b. Factores de eficácia do CAS 8
c. CAS em ambiente urbano. 8
d. Military Operations Other Than War (MOOTW) 9
e. A lei dos conflitos armados. 10
2. O futuro do CAS 11
a. Evolução do Contexto Internacional 11
b. A (r)evolução tecnológica 12
c. A evolução do equipamento 13
d. Os Sistemas de Autoprotecção 14
e. A evolução do armamento 14
f. Tactical Air Control Party (TACP) 17
g. Uma nova parceria com as Forças Terrestres (FT’s) 18 3. As necessidades de equipamento e armamento na FAP 19
a. Generalidades 19
b. A adequação a um modelo de CAS nacional 19
c. O Equipamento para o F-16AM 20
d. O Armamento para o F-16AM 21
e. O Equipamento para os TACP’s 22
f. O treino e integração com as FT’s 24
CONCLUSÃO 25
Assunto Nº de pág.
Recomendações 30
Índice de Figuras
Figura 1 – GBU-39 em ambiente Net Centric. 16
Figura 2 – FSCL vs. Containers. 18
Figura 3 – SADL 23
Índice de Apêndices
Apêndice A – Corpo de conceitos
Apêndice B – CAS, nascimento e maturação de um conceito. Apêndice C – Factores de eficácia em CAS
Apêndice D – O ambiente urbano
Apêndice E – A Guerra Justa (Justum Bellum) Apêndice F – Os media e a opinião pública
Apêndice G – AS Regras de Envolvimento (ROE’s) Apêndice H – A evolução do contexto internacional
Apêndice I – As novas tipologias de missão nas operações aéreas Apêndice J – O treino em ambiente urbano
Apêndice K – O armamento de CAS Apêndice L – O armamento não letal Apêndice M – As plataformas de CAS
Resumo
A realização desta investigação pretende analisar a evolução do conceito de Close Air Support (CAS), enquadrado no contexto internacional, com vista à dotação de uma capacidade de CAS actualizada, materializada na plataforma F-16AM e em equipas
Tactical Air Control Party (TACP).
A dissolução do Pacto de Varsóvia marcou uma viragem profunda no contexto internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) assumiu um papel activo na resolução de conflitos internacionais ocorridos desde o novo alinhamento internacional.
O CAS assumiu definitivamente um papel predominante na componente aérea das operações de apoio à paz, através da criação de uma plataforma de segurança para o cumprimento dos objectivos delineados pela ONU.
De uma aplicação tradicional, o CAS sofreu um processo de transformação doutrinário e tecnológico. Deste modo, este trabalho pretende demonstrar uma nova abordagem a esta missão através de um novo conceito, Close Air Attack, e com uma gestão mais racional do espaço de batalha.
Ao longo deste trabalho é efectuado um estudo sobre a nova base conceptual por detrás do desenvolvimento da industria de armamento.
Abstract
The purpose of this investigation aims to analyze the evolution of the Close Air Support (CAS) inside the international context, so we can create a modern CAS capability in the F-16AM and TACP’s.
The dissolution of the Warsaw Pact marked a deep change in the international relations. The United Nations (UN) assumed an active role in the resolution of international conflicts created since the new international alignment.
Nowadays the CAS frequently assumes a key role in the air component of an international peace force by creating a starting base for the consecution of the UN objectives.
The CAS suffered a doctrinaire and technological transformation. This paper work intends to demonstrate a new approach to the battlefield through a brand new concept of
Close Air Attack and a more rational use of the battle space, besides focusing on the new concept behind the development of military weapons.
Palavras-chave
CAS;CAS Urbano; Command, Control, Communications, Computers Intelligence,
Surveillance and Reconnaissance (C4ISR); , Doutrina; Net Centric; Network Centric
Warfare (NCW); Danger Close; Rules Of Engagement (ROE’s); Small Diameter Bombs
Lista de abreviaturas
AAA - Anti Aircraft Artillery
AAR - Air to Air Refueling
ABFAC - Airborne Forward Air Controller
ACMDS - Advanced Countermeasures Dispenser System
ACE - Air Combat Element
AD - Air Defense
ADX - Air Defense (All Weather)
AFA - Academia da Força Aérea AI - Air Interdiction
ALO - Air Liaison Officer
AOR - Área de Responsabilidade/ Area Of Responsibility APC - Armor Personel Carrier
ASFAO - Anti-Surface Force Air Operations
ASOC - Air Support Operation Centre
ASuW - Anti-surface Warfare
ATCCS - Army Tactical Command and Control System
ATHS - Automatic Target Hand-off System
BCL - Battlefield Coordination Line
BIA - Bomb Impact Assessment
C2 - Comando e Controlo
C3 - Comando Controlo e comunicações
C4 - Comando Controlo, comunicações e computadores
C4ISR - Command, Control, Communications, Computers, Intelligence, Surveillance and Reconnaissance
CAF - Clear Avenue of Fire
CAOC - Combined Air Operation Centre
CAS –Close Air Support
CBG - Carrier Battle Group
CBU - Cluster Bombs unit
CCD - Charged Couple Device
CCID - Coalition Combat ID
CEM - Conceito Estratégico Militar
CJFLCC - Combined Force Land Component Commander
CJTF - Combined Joint Task Force
COFA - Comando Operacional da Força Aérea CR - Combat Ready
CS - Conselho de Segurança
CSAR - Combat Search and Rescue
DAGR - Direct Attack Guided Rocket
DL - Data Link
EGBU - Enhanced Guided Bomb Unit
EGI - Enhanced GPS Inertia
ELINT - ELectronic INTelligence
EMFA - Estado Maior da Força Aérea EMP - Impulsos electromagnéticos
EPAF - European Participating Air Forces
EPM - Electronic protective Measures
EUA - Estados Unidos da América EW - Electronic Warfare
EWMS - Electronic Warfare Management System
FAC - Forward Air Controller
FAP - Força Aérea Portuguesa
FBX - Fighter Bomber and Attack (all Weather) FFAA - Forças Armadas
FDP - Forças de Defesa do Panamá FSCL - Fire Support coordination Line
FT - Força Terrestre
GAAI - Ground Assisted Air Interdiction
GCE - Ground Combat Element
GE - Guerra Electrónica
GPS - Global Positioning System
H1 - Primeira Hipótese H2 - Segunda Hipótese HHG - Helsinki Headline Goals
HMCS - Helmet Mounted Cuing System
HUMINT - HUMan INTeligence
IAM - Inertially Aided Munitions
IDF - Israel Defense Forces
IIR - Imaging Infrared
INS - Inertial navigation System
INTEL - Intelligence service
IAF - Israeli Air Force
IDF - Israeli Defense Forces
IR - Infrared
ISAF - International Security Assistance Force
ISR - Intelligence, Surveillance, and Reconnaissance ISTAR - Intelligence, Surveillance, Targeting Acquisition &
Reconnaissance
IFF - Interrogation Friend or Foe
IPv6 - Internet Protocol versão 6
ISAF - International Security Assistance Force
JAAT - Joint Air Attack Team
JASSM - Joint Air to Surface Standoff Missile
JDAM - Joint Direct Attack Monition
JFACC - Joint Force Air Component Commander
JSOW - Joint Stand Off Weapon
JSTARS - Joint Surveillance Target Attack Radar System JSF - Joint Strike Fighter
JTF - Joint Task Force
KFOR - Kosovo Force
LDNFA - Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas LGB - Laser Guided Bomb
LL - Lessons Learned
LOAL - Lock-On-After-Launch
LOFA - Lei Orgânica da Força Aérea LPM - Lei de Programação Militar
LST - Laser Spot Tracker
MANPAD - MAN Portable Air Defense
MLU - Mid Life Update
MOOTW - Military Operations Other Than War
MOUT - Military Operations in Urban Terrain
MWS - Missile Warning System
NCW - Network Centric Warfare NRF - Nato Response Force
NVA - North Vietnamese Army
NVG - Night Vision Goggles
OCA - Offensive Counter Air
OFP - Operational Flight Program
OLP - Organização de Libertação da Palestina ONU - Organização das Nações Unidas
OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte PDN - Política de Defesa Nacional
PESC - Política Externa e de Segurança Comum PESD - Política Europeia de Segurança e de Defesa PGM - Precision Combat Load
PI - Probability of Incapacitation
PIDS - Pylon Integrated Dispense System
QG - Quartel general
RAF - Royal Air Force
RA/GP - Recognized Air/Ground Picture
ROE’s - Rules Of Engagement
RPG - Rocket Propelled Grenade
RSTA - Reconnaissance-Surveillance-and Target Acquisition
RWR - Radar Warning Receiver
SA - Situational Awareness
SADL - Situation Awareness Data Link
SAM - Surface to Air Missile
SAR - Synthetic aperture radar
SATCOM - Satellite Communications SCL - Standard combat Load
SDB - Small Diameter Bombs
SEAD - Suppression of Enemy Air Defenses
SEAL - Sea, Air and Land
SIGINT - SIGnal INTeligence
SDB - Small Diameter Bombs
SFOR - Stabilization Force
SLAR - Side-Looking Airborne Radar
SNA - Somali National Alliance
SOF - Special Operation Forces
TAC - Terminal Air Controllers
TACP - Tactical Air Control Party
TAMPS - Tactical Aviation Mission Planning System
TGP - Targeting Pod
THS - Target Hand over Systems
TLE - Target Location Error
TOW - Tube-launched, Optically tracked, Wire-guided missile
TST - Time-Sensitive Targeting
UAI - Universal Armament Interface
UAV - Unmanned Aerial Vehicle
UCAV - Unmanned Combat Aerial Vehicle
UE - União Europeia
UGS - Unattended Ground Sensors
UN - United Nations
USAF - United States Air Force
VDL - Video Down Link
VSM - Very Small Munitions
INTRODUÇÃO
Definição do contexto em que o estudo se desenvolve.
A transformação do Apoio Aéreo Próximo (CAS) traz consigo novas exigências às Esquadras de Voo e aos Tactical Air Control Parties (TACP’s). Este trabalho irá analisar a evolução deste conceito com o intuito de identificar os requisitos necessários à dotação de uma capacidade de CAS efectiva no dispositivo de forças nacional.
Esta análise incidirá ao nível dos requisitos de equipamento, armamento e treino, para encontrar as soluções necessárias ao emprego adequado deste potencial em qualquer operação e de acordo com os requisitos impostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), Organização do Atlântico Norte (OTAN), União Europeia (UE) ou qualquer outra organização internacional.
Objecto de estudo e sua delimitação
Este estudo incidirá na adequação das Esquadras de F-16 e equipas TACP da Força Aérea Portuguesa (FAP) ao novo conceito de CAS.
Definição dos objectivos da investigação
Este trabalho de investigação tem por objectivo analisar a transformação do conceito de CAS, a fim de identificar os requisitos operacionais necessários à adequação do sistema de armas F-16AM, bem com das equipas TACP a esta missão e em qualquer cenário internacional.
Para a concretização deste objectivo achámos como condição essencial identificar no final do estudo:
- O armamento e equipamento necessário às aeronaves F-16AM; - Os requisitos de treino para as esquadras F-16AM;
- O equipamento essencial às equipas TACP;
- O enquadramento dos TACP’s no treino, operação e interligação com os outros ramos das FFAA portuguesas.
Metodologia
A partir desta pergunta foram formuladas duas hipóteses que serão desenvolvidas ao longo deste trabalho:
– Primeira hipótese (H1): a capacidade de CAS nacional está adequada às novas exigências, e desta forma não serão necessárias adaptações ao sistema de armas
F-16AM e TACP’s.
– Segunda hipótese (H2): são necessárias adaptações no dispositivo de CAS nacional, a fim de o adaptar às novas exigências internacionais.
Para prover a pergunta de partida com uma resposta adequada, bem como proceder à validação das duas hipóteses, foram levantadas algumas perguntas derivadas:
– Quais são os novos cenários de CAS?
– Quais são as novas exigências dos cenários internacionais?
– Que tipo de transformação está a ocorrer nos procedimentos de CAS?
– Que equipamento e armamento são necessários à plataforma F-16AM?
– Quais são as necessidades de equipamento para os TACP nacionais?
– Quais são os requisitos de treino para os vários intervenientes na missão?
Neste sentido foram elaboradas respostas preliminares às perguntas derivadas, que serviram de orientação à construção de um quadro teórico de referência:
– A participação nacional numa operação internacional será realizada sob a égide da ONU, NATO ou UE, e com predominância para as Missões de Apoio à Paz.
– É exigido a esta missão uma adaptação consonante com os vários tipos de ambientes, de operação e dentro de ROE’s cada vez menos permissivas.
– As novas tipologias de missão com procedimentos de CAS incluem: Urban CAS, Air Presence, Show of Force e Convoy Escort.
– O sistema de armas F-16AM deve estar dotado de equipamento e armamento dentro do conceito Net Centric, e que satisfaçam as exigências das ROE’s traduzidas em termos de Probability of Incapacitation (PI), Danger Close Range e Troops in Contact Range.
– Os TACP’s necessitam de um nível de equipamento que lhes permita operar
em qualquer cenário, condições de luz e dentro do conceito de Net Centric Warfare (NCW).
A fase inicial de exploração será centrada na pesquisa bibliográfica, que incluirá publicações da NATO, os últimos conflitos internacionais, ROE’s, Planos de operação,
Lessons Learned (LL), e novas tecnologias. De seguida, serão efectuados questionários a elementos com experiência operacional nesta área. Por fim, e destinado a ajudar a construir a problemática, que servirá de base à investigação, serão conduzidas entrevistas exploratórias.
A construção de um modelo de análise, com vista à verificação das hipóteses levantadas, irá contrapor as capacidades retirada da dotação da plataforma F-16AM e dos
TACP’s com as exigências dos novos cenários. As dificuldades esperadas prendem-se com
as incógnitas quanto às capacidades reais do equipamento e armamento ainda em fase de conceptualização e desenvolvimento. Sem contrapor a fase de ruptura, é de referir a experiência do autor como FAC, Airborne FAC (ABFAC) em Ajet, participação na missão da KFOR, experiência em F-16AM, incluindo a qualificação em Night Vision Goggles
(NVG’s),Targeting Pod (TGP) e outros tipos de equipamento que serão referenciados ao
longo deste trabalho. Corpo de conceitos
O corpo de conceitos faz parte do apêndice A. Organização do estudo.
O presente trabalho está organizado em introdução, três capítulos, conclusão, e 14 apêndices. No primeiro capítulo será analisada a evolução do CAS até aos nossos dias. No segundo capítulo pretende-se caracterizar o ambiente futuro e as evoluções tecnológicas que irão contribuir para a missão de CAS. O terceiro capítulo será dedicado à análise dos requisitos operacionais necessários aos meios de CAS da FAP para a sua participação em qualquer cenário. Conclui-se este trabalho com a apresentação das conclusões e recomendações entendidas como adequadas.
1. Análise da evolução do Close Air Support (CAS)
a. A evolução das operações de CAS.
Podemos retroceder na história, até tão longe como a Segunda Grande Guerra, para encontrar uma das primeiras utilizações do conceito de CAS. Será importante analisar a sua origem e perspectiva evolutiva, de forma a melhor compreendermos a direcção que este conceito está a seguir.
As operações em análise, embora fazendo parte de conflitos assimétricos, são demonstrativas da aplicação de CAS num cenário “clássico” e numa Operação de Paz.
Adicionalmente, o apêndice B, apresenta uma perspectiva histórica, incluindo algumas das operações que mais contribuíram para a evolução desta missão.
(1) Operação Restore Hope (Somália).
Entre o Verão e o Outono de 1993, as forças americanas participaram no apoio à missão da ONU neste país. Apesar da missão da ONU ter apenas fins humanitários, a presença de uma força de protecção à ajuda internacional foi vista como uma ameaça por Mohammed Farah Aideed, líder da Somali National Alliance (SNA). A Joint Task force (JTF) americana foi, deste modo, equipada para um cenário que se poderia tornar hostil. Esta força de Marines
tinha por missão providenciar a segurança à missão da ONU, bem como das linhas de comunicação necessárias à ajuda humanitária. Esta força incluía meios de apoio aéreo, constituído por: AC-130 gunship, AH-1 gunship, OH- 58 reconnaissance helicopter, AV-8B, A-6E, F/A-18, e F-14 pertencentes a um
Carrier Battle Group (CBG) (Davis, 1995: 96).
O helicóptero de combate constituiu-se o principal sistema de armas em ambiente urbano. O canhão foi a arma mais utilizada, devido à baixa eficiência dos sistemas Tube-launched, Optically tracked, Wire-guided missile (TOW) em ambiente urbano, para além de problemas de precisão e discriminação na utilização dos 2.75 inch rocket.
Do lado das forças da ONU, a superioridade tecnológica e a capacidade de fogo eram esmagadoras. O ambiente da operação era caracterizado pela ausência de Surface to Air Missiles (SAM´s), os americanos dispunham de um elevado número de sistemas de reconhecimento e vigilância e os Sistemas de Posicionamento Global (GPS) tinham poucos obstáculos que reduzissem a sua precisão. A descentralização das operações urbanas evidenciou a necessidade de meios de Reconnaissance, Surveillance and Target Acquisition (RSTA) e de
HUMan INTeligence (HUMINT) para o processo de Targeting.
No outro lado do conflito, as forças de Aideed estavam organizadas em oito sectores com um sistema de comunicações rudimentar mas efectivo. Os comandos sectoriais gozavam da flexibilidade provido por um elevado nível de autonomia, para além de um claro conhecimento das intenções do Comandante das Forças do SNA, General Giumale.
A 5 de Junho um helicóptero AH-1 Cobra salvou centenas de tropas americanas e paquistanesas ao criar um cordão de “fogo” à volta das forças da ONU. Após o acentuar do conflito e a morte de quatro polícias militares americanos, o presidente Clinton ordenou o envio de Forças Especiais (SOF). A 10 de Setembro, outro Cobra disparou sobre um número crescente de combatentes armados, que se posicionavam à volta das forças da ONU.
O episódio mais famoso ocorreu a 3 e 4 de Outubro e envolveu a Task Force Ranger num combate que durou 15 horas. Quatro helicópteros, AH-60
Little Birds, impediram que as forças apoiantes de Aideed dizimassem a Task Force Ranger nas redondezas do mercado de Bakara, em Mogadíscio (Vick, 2003: 7). Neste episódio, os americanos perderam 18 elementos para além de dois UH-60 Blackhawk abatidos por Rocket Propelled Grenades (RPG’s)
(Rudder, 1997: 20).
É de salientar a utilização, com sucesso, de técnicas “não letais”. AV-8Bs, A-6s, e F/A-18s sobrevoaram a cidade a baixa altitude e alta velocidade. Outra demonstração de força foi a largada de uma Laser Guided Bomb (LGB) inerte no quartel da SNA.
Como contributo para este trabalho, podemos retirar algumas das mais importantes LL desta operação (Davis, 1995: 107):
– É virtualmente impossível às aeronaves de asa móvel evitarem os sistemas de defesa aérea inimigos ou o armamento de pequeno calibre a baixa altitude.
– Os sistemas de defesa aérea não se constituíram como ameaça para as aeronaves a voar a média altitude.
– Em ambiente urbano, as aeronaves necessitam de armamento de precisão com cargas inferiores a 500 libras.
– A utilização de aeronaves de asa fixa é essencial nas situações em que as ameaças degradam ou impedem a utilização de helicópteros.
– É necessária uma resposta atempada dos meios de CAS.
Em resposta ao fracasso americano, os Rangers americanos iniciaram um programa de treino intensivo com aeronaves embarcadas A-6E Intruder, equipados com LGB’s de 500 libras.
Esta operação evidenciou ainda a importância da capacidade “All Weather” e de um sistema de Command, Control, Communications, Computers, Intelligence, Surveillance and Reconnaissance (C4ISR) integrado. (2) Operação Iraqi Freedom.
A segunda guerra do Golfo foi um exemplo típico de uma operação
“clássica” com grande assimetria de forças. As tropas americanas detinham uma grande superioridade tecnológica e de meios. O sistema de C4ISR gozava da experiência adquirida durante a Operação Desert Storm, associado a novos avanços tecnológicos e à integração de informações de UAV’s em tempo real.
O avanço de 500 km nos primeiros três dias da campanha terrestre superou as melhores expectativas americanas. Face à velocidade das operações, o
Combined Joint Force Land Component Commander (CJFLCC) colocou a
Operation Centre (ASOC). O ASOC não detinha meios eficazes para a gestão de uma área tão vasta e consequentemente manteve-as fechadas às missões de
Air Interdiction (AI) e “Killer Scout”. Este facto diminuiu a eficácia associada com a operação autónoma do poder aéreo. Adicionalmente, o exército utilizou helicópteros orgânicos, AH-64 Apache, em profundidade, com o consequente abate de um helicóptero e danos em trinta outras aeronaves provocados pelas forças iraquianos. O Exército americano encontra-se, actualmente, a rever a doutrina de emprego destes meios, numa actuação mais próxima das suas forças (Piernie, 2005: 100).
Após este conflito, o Exército e a Força Aérea americana desenvolveram o conceito de Joint Air Attack Team (JAAT), numa maior parceria entre as aeronaves de asa móvel e fixa (Davis, 1995:--).
A 1st Marine Expeditionary Force, face a uma maior tradição e dependência do apoio aéreo, teve uma aproximação mais eficiente à utilização do poder aéreo. Os Marines definiram uma Battlefield Coordination Line
(BCL) mais próxima, ao mesmo tempo que mantinham abertas todas as “Kill Boxes”.
Mais de dois terços do armamento utilizado era de precisão, com predominância para as GBU-12 (500 lbs), o que contribuiu decisivamente para o sucesso da operação. Quando comparado com a artilharia de campanha, este armamento teve uma maior capacidade de penetração em estruturas reforçadas e menores efeitos colaterais. Contudo, a artilharia detinha um tempo de resposta mais curto, em comparação com os cinco a dez minutos necessários às missões de CAS. Adicionalmente, os A-10 Warthog dispararam mais de 300 000 munições de 30 mm, normalmente em franca proximidade com as forças americanas.
Os Terminal Air Controllers1 (TAC’s), desempenharam um papel crucial no sucesso da campanha conjunta. A operação a partir de helicópteros OH-58D
Kiowa proporcionou-lhes uma visão do campo de batalha mais abrangente. Os UAV´s foram especialmente úteis na obtenção de informações sobre os alvos. Os RQ-4 Global hawk transmitiram imagens em tempo real para o
Combined Air Operations Centre (CAOC) e para o Quartel-general (QG) do V
1
Corpo de Exército americano. Por seu turno, o Exército e os Marines operaram
UAV’s Hunter’s e Pioneer’s respectivamente. Ambos salientaram a
necessidade de UAV’s orgânicos, podendo mesmo substituir alguns helicópteros na missão de reconhecimento armado.
Em resumo, esta operação revelou que o armamento nem sempre foi adequado à situação, que o tempo de resposta era na sua maioria demasiadamente longo e que a parceria entre a Força Aérea e o Exército americano carecia de alterações.
b. Factores de eficácia do CAS.
Tendo por base, não somente, os últimos conflitos, mas também a análise da evolução do CAS, podemos retirar conclusões quanto às condições necessárias à eficácia do CAS (Pereira, 2005:--), (ATP3.3.2.1, 2005:--), (JP3-09.3, 2003:--):
– Superioridade Aérea;
– Supressão de Defesas Aéreas Inimigas (SEAD);
– Marcação de alvos;
– Meteorologia favorável;
– Resposta atempada;
– Proficiência das tripulações e dos FAC’s;
– Armamento adequado;
– Plataformas e sensores adequados;
– Sistema de Comando, Controlo, Comunicações e Computadores (C4) efectivo;
– Treino adequado;
– Planeamento integrado.
c. CAS em ambiente urbano.
O CAS é por norma menos efectivo em ambiente urbano. As forças adversárias encontram-se dispersas por posições fortificadas ou misturadas com a população civil.
A doutrina militar americana indica a necessidade de evitar as zonas urbanas devido aos seguintes factores (FM 90-10-1, 1993:--):
– Elevado número de pessoal necessário;
– Elevado grau de dificuldade das operações;
– Necessidade de minimizar as vítimas não combatentes e a destruição das zonas urbanas;
– Escassez de informações;
– Incerteza quanto ao comportamento da população;
– Impacto do conflito nos elementos políticos, étnicos, religiosos e económicos da sociedade;
– Capacidade de controlar os centros urbanos cercando a zona.
Historicamente, os combates urbanos envolvem um elevado número de baixas, um prolongamento das operações e uma cobertura jornalística desfavorável. Deste modo, forças inferiores, em número e tecnologia, poderão superiorizar-se neste ambiente. O fracasso militar da operação Restore Hope, em 1993, é um exemplo claro do modo como uma força militarmente inferior pode controlar o ritmo das operações num terreno onde detém o apoio popular (Moita, 2007:--). Deste modo, um defensor competente procurará trazer o combate para o ambiente urbano.
Ramzan Maltsegov, um dos combatentes chechenos em Grozni, afirmou “ Nós ficámos satisfeitos pelos Russos terem vindo para a cidade porque nós não os podíamos combater em campo aberto” (Specter, 1995 apud Davis, 1995:--).
A natureza do ambiente urbano impõe o comando descentralizado devido à degradação das comunicações, limitações no apoio de fogos e redução da mobilidade (MAWTS-1 apud Davis 1995:--). Os planos de batalha devem ser suficientemente detalhados, de modo a serem claramente compreendidos, mas ao mesmo tempo tão flexíveis que permitam aos comandantes subordinados tomarem a iniciativa em situações de rápida mutação. As considerações quanto aos danos colaterais, ROE´s e a falta de mobilidade limitam a utilização da artilharia. Deste modo, os meios aéreos desempenham um papel preponderante na segurança das
FT’s.
A operação Desert Storm, Deliberate Force e Allied Force evidenciaram um aumento da eficácia na cooperação aero-terrestre com a inclusão de sistemas de
d. Military Operations Other Than War (MOOTW)
Com o acréscimo deste tipo de operações, a partir dos anos 80, o CAS assumiu um papel predominante nas operações aéreas. Contudo, as ROE’s associadas às MOOTW, em especial as relacionadas com a segurança das forças aliadas e da população civil, têm reduzido a eficácia desta missão.
Para extrair o potencial do apoio aéreo é fundamental adoptar os procedimentos, melhorar a precisão e controlar os efeitos do armamento utilizado.
Nas operações de apoio à paz a generalidade dos cenários deixaram de ser em ambiente rural e segundo as tradicionais linhas de planeamento, para passar a ter uma crescente utilização em ambiente urbano e na totalidade da área de operações. O conhecimento das características e limitações impostas pelo ambiente urbano, expressas no apêndice D, são fundamentais para encontrar uma solução ajustada a este ambiente.
e. A lei dos conflitos armados.
2. O futuro do CAS
a. Evolução do Contexto Internacional
A implosão do Pacto de Varsóvia criou um hiato na definição da ameaça para a NATO. A crise de identidade, resultante deste processo, obrigou a NATO a redefinir o seu conceito de operações, como forma de legitimar a sua existência. Paralelamente, o fenómeno da globalização, associado à profusão de um novo leque de ameaças, resultou no aumento dos conflitos internos. O aparecimento de novos actores da cena internacional foi o catalisador destes conflitos, caracterizados por Holsti como conflitos de “terceiro tipo”. Com o desbloqueamento do processo de decisão do Conselho de Segurança (CS), a ONU assumiu finalmente o papel central na resolução destes conflitos. Concorrendo para este processo, a NATO assumiu-se como o “pilar militar” da ONU. Por conseguinte, a NATO desencadeou um processo de reestruturação doutrinária e de planeamento de forças.
Nos últimos anos podemos observar um novo abrandamento dos conflitos internos. No entanto, ainda são muitas as áreas de instabilidade. Actualmente a África Subsariana, em especial a região dos grandes lagos, e o Médio Oriente são as zonas de maior conflitualidade, tal como descrito no apêndice H.
Segundo o relatório do painel de alto nível sobre ameaças, desafios e mudança, patrocinado pela ONU, A more secure world: our shared responsibility, existem seis ameaças à paz mundial (ONU apud Galvão Teles, 2007:--):
– Conflitos internacionais;
– Conflitos internos (guerra civil, genocídio, violações maciças de direitos humanos);
– Terrorismo;
– Armas de destruição maciça (WMD);
– Ameaças sociais e económicas (pobreza, doenças infecciosas e degradação ambiental);
– Crime transnacional organizado.
Force, Convoy Escort e, de uma forma mais tradicional, em Ground Assisted Air Interdiction (GAAI), Time Sensitive Targeting (TST) e JAAT.
b. A (r)evolução tecnológica.
A natureza descentralizada das operações em ambiente urbano requer uma nova abordagem ao processo de Targeting. Deste modo, nasceu o conceito de
Intelligence, Surveillance, Targeting Acquisition & Reconnaissance (ISTAR). Este sistema multidimensional incorpora informações de HUMINT, SIGnal INTelligence (SIGINT), ELectronic INTelligence (ELINT), Magnetic and Acoustic Signature Intelligence (MASINT), sensores terrestres, UAVs, satélites , observadores no terreno, ABFAC’s e plataformas aéreas tripuladas, como o Joint
Surveillance and Target Attack Radar System (JSTARS) (JP3-09.3, 2003:--). Todos os elementos devem contribuir para uma imagem comum do campo de batalha, ao mesmo tempo que têm acesso a ela.
A precisão dos mapas é um factor determinante na utilização de Inertially Aided Munitions (IAM). Sistemas como o Tactical Aviation Mission Planning System (TAMPS/ versão 6.3) irão fornecer um mapa/base de dados digital de elevada precisão da Área de Responsabilidade (AOR).
As ROE´s para CAS exigem, cada vez mais, soluções que auxiliem na discriminação entre forças amigas e opositoras, bem como a sua localização em tempo real, apenas possível através de sistemas integrados em rede, como o
Situation Awareness Data Link (SADL). Este sistema é operado a partir de um
computador portátil, integrado com um terminal de Link 16 e um Target Hand over
Systems (THS). As suas capacidades incluem a troca de dados, atribuição de alvos e autorização para a largada de armamento. Por seu turno, os pilotos dispõem, no
cockpit, da localização e identificação das forças amigas, bem como das
informações relevantes à missão.
A doutrina americana já reconhece que para o CAS do tipo dois ou três, ou seja
quando o FAC não se encontra em linha de vista com a aeronave ou o alvo (tipo
dois) ou a aeronave e o alvo (tipo três), o observador poderá ser uma equipa de
reconhecimento e designação de alvos, equipas de apoio de fogos, UAV’s, SOF’s
Para reduzir as incertezas no campo de batalha as aeronaves, ou qualquer
sistema de armas, poderão identificar as forças amigas através de sistemas de
interrogação similares ao Interrogation Friend or Foe (IFF).
Em resumo, os sistemas centrados em rede permitem um aumento da
efectividade das missões de CAS através:
– Da redução do tempo de resposta das aeronaves;
– Do aumento substancial da Situational Awareness (SA);
– Do incremento do nível de confiança e credibilidade entre os meios aéreos e
as FT’s.
Actualmente, o F-16AM já se encontra a operar no conceito de NCW através do Link 16, com um nível médio de interoperabilidade equivalente ao nível 2a do modelo LISI (Clark, 2001:--). A evolução da NCW aponta para uma rede baseada no Internet Protocol versão 6 (IPv6), com um número elevado de endereços IP e maior largura de banda .
c. A evolução do equipamento.
O TGP é um meio essencial na identificação e designação de alvos para armamento guiado. Embora a designação possa ser efectuada por militares no terreno, as características inerentes às plataformas aéreas são um elemento multiplicador do potencial deste sistema. Este sensor ISTAR é um requisito obrigatório nas MOOTW e ainda não faz parte da panóplia de equipamento do F-16AM nacional. Os TGP´s mais recentes, como o Sniper, Lantirn ER e Litening
AT incluem “Laser Spot Tracker”, sistema de geo-localização de precisão adequado
às IAM e transmissão de imagem em tempo real.
O Helmet Mounted Cuing System (HMCS) é um sistema integrado no capacete do piloto que apresenta informações do sistema de armas, incluindo a designação de alvos e a operação dos sensores do avião. Este sistema permitirá diminuir o tempo de resposta na designação de alvos, quando integrado com o TGP.
sistematicamente salientada pelos pilotos participantes na Operação Enduring Freedom da International Security Assistance Force (ISAF) no Afeganistão (Van Avermaet, 2007:--).
d. Os Sistemas de Autoprotecção.
Nos conflitos mais recentes, os MAN Portable Air Defense (MANPAD) e artilharia antiaérea (AAA) têm sido responsáveis pela maioria das perdas de aeronaves de asa fixa. Como exemplo, durante a operação Desert Storm estes sistemas foram responsáveis por 76% das perdas de meios aéreos (Cohen 1993 apud Davis 1995: 142). Não obstante as aeronaves de alta performance poderem operar acima do envelope destes sistemas, as MOOTW abrigam à utilização de bases avançadas, ou seja, dentro de território nem sempre amigável. Adicionalmente, é frequente a entrada de aeronaves de asa fixa dentro do envelope destas ameaças para fins de identificação e emprego de armamento de curto alcance (canhão).
Para dar resposta a estas ameaças, constitui-se como requisito a inclusão dos seguintes meios de auto-protecção: Automatic Counter Measures Dispensing System (CMDS), Radar Warning Receiver (RWR), Missile Warning System
(MWS) e “Decoys” radar e IR. As mais recentes evoluções apontam para sistemas integrados de protecção com modos automáticos de largada de contra-medidas electrónicas.
Para fazer face a vectores aéreos, as aeronaves de CAS devem possuir capacidade Ar-Ar, incluindo radar e mísseis de médio e curto alcance. Segundo alguns dos militares entrevistados, uma das melhores configurações será constituída por dois mísseis AIM-120 AMRAAM e dois AIM-9X (all aspect).
e. A evolução do armamento.
operacional. Tendo como ponto de partida as considerações inerentes a este conceito, surgiram três soluções de armamento.
A primeira prende-se com a miniaturização. As Small Diameter Bombs (SDB) e Very Small Munitions (VSM) permitem um maior número de armamento transportado, a sua adaptação às novas plataformas (UAV/ Unmanned Combat Aerial Vehicle (UCAV)) e a consequente adequação das Standard Combat Loads
(SCL) à imprevisibilidade do cenário.
A segunda solução é o armamento modular, que utiliza o mesmo invólucro e sistema de guiamento. Uma destas soluções é a Joint StandOff Weapon (JSOW). Este conceito permite dar uma resposta especializada através da adequação da carga explosiva ao alvo (Defense Update, 2006:--).
A terceira solução baseia-se na tecnologia não letal. Os últimos desenvolvimentos apontam para a utilização de energia dirigida, cinética, térmica, eléctrica, sistemas acústicos, pirotécnicos, impulsos electromagnéticos (EMP), químicos e biológicos. Actualmente ainda são poucas as aplicações à aviação militar. Um dos poucos exemplos foi dado durante a Operação Allied Force com a largada de bombas “Grafite” na inibição das centrais eléctricas de Belgrado, sem a destruição física das mesmas (Stillon, 2002:--).
Figura 1 – GBU-39 em ambiente Net Centric. (F onte: NCW operations concept framework air-to-ground case study)
Com base nos conceitos anteriores, bem como nos cenários previstos, podemos definir os novos requisitos de armamento (Davis, 1995:--):
– Simplicidade e celeridade na utilização;
– Controlo dos efeitos pretendidos;
– Menor probabilidade de causar destroços ou colapso de estruturas;
– Adequada à utilização na franca proximidade das nossas, ou seja à distância prevista de combate em zonas urbanas;
– Elevada precisão.
f. Tactical Air Control Party (TACP).
De acordo com o JP3.09.3, o CAS necessita de integração, flexibilidade e uma
estrutura de C2 com capacidade de resposta, a fim de processar os requisitos de
CAS, para além de uma arquitectura de comunicações globais, segura e inter-
operável capaz de exercer o controlo efectivo dos meios. Outras fontes referem a
capacidade Net Centric, a diminuição dos riscos de fratricídio, uma capacidade de
resposta consonante com as necessidades das FT’s e uma maior capacidade de
sobrevivência (Piernie, 2005:--). Deste modo, podemos referir duas áreas que
carecem de atenção: o treino e o equipamento adequados.
Quanto ao treino, importa em primeiro lugar uma maior proximidade entre os
TACP’s, as FT’s e as Esquadras de Voo. A compreensão da doutrina e tácticas das
FT’s permitem a antecipação das suas necessidades, para além de uma maior
integração na manobra e planeamento conjunto. Os cenários devem evoluir desde o
treino de procedimentos com as aeronaves até aos cenários mais complexos. Os
exercícios conjuntos e combinados constituem o momento ideal para envolver as
missões de CAS na manobra das FT’s. Quanto aos cenários urbanos, eles carecem
de um treino mais detalhado, que deve incluir a utilização de carreiras de tiro
especializadas. A United States Air Force (USAF) utiliza estas carreiras de tiro em
coordenação com a manobra das FT’s (Piernie, 2005:--).
Em relação ao equipamento, e tendo por pano de fundo a interoperabilidade
dos meios, é indispensável possuir: comunicações seguras, sistemas de
identificação e marcação de alvos, sistema de referenciação por GPS, equipamento
para operação nocturna, sistemas de transmissão automática de dados (incluindo
imagens), capacidade de operação em rede, e por fim, armamento de autoprotecção.
A miniaturização do equipamento constitui-se como um factor determinante na
mobilidade das equipas, em especial no acompanhamento de pequenas unidades
SOF (Freire, 2007:--).
Adicionalmente, a operação de UAV’s irá diminuir as incertezas do campo de
batalha e incrementar a capacidade de identificação e designação de alvos, muitas
vezes fora do ângulo de visão do FAC.
Para um cenário urbano é ainda recomendado a inclusão de equipamento
g. Uma nova parceria com as Forças Terrestres (FT’s).
A maior e mais difícil transformação a operar no conceito de CAS encontra-se ao nível da relação do poder aéreo com as FT’s. Na perspectiva da componente terrestre o apoio aéreo serve para enfraquecer e deter o movimento inimigo. Para a componente aérea as FT’s contribuem para a concentração e isolamento das forças opositoras, a fim de retirar o maior partido do seu armamento. Qualquer uma das perspectivas poderá ser válida, porém a melhor solução é uma parceria que contribua de uma forma sinérgica para os objectivos da operação. Quando as forças inimigas se concentrarem, com a ajuda das FT, os meios aéreos podem obter um melhor efeito das suas armas, quando elas dispersarem as FT’s poderão tirar vantagens tácticas do seu número.
Segundo um estudo realizado pela RAND Corporation para a USAF, o termo
“Close Air Support”, como sendo apenas poder aéreo em apoio às forças no terreno, está antiquado e carece de alteração. O novo conceito, “Close air Attack”, é mais adequado e baseia-se num planeamento conjunto mais detalhado e na utilização dos meios mais adequados. A doutrina conjunta deve permitir uma maior sinergia na utilização integrada da manobra terrestre e dos meios aéreos. Para esse efeito é fundamental uma maior integração dos Air Liaison Officers (ALO) no planeamento
das FT’s e um sistema de controlo do campo de batalha, que inclui uma nova gestão
baseada em Kill Boxes/ Containers.
3. As necessidades de equipamento e armamento na FAP
a. Generalidades.
Na adequação dos meios nacionais ao novo conceito de CAS será necessário fazer um enquadramento desta missão nas linhas orientadoras da Política de Defesa Nacional (PDN).
De acordo com a Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas (LDNFA), incube às FFAA a defesa militar da República, para além de “satisfazer os compromissos internacionais do Estado português no âmbito militar e participar em missões humanitárias e de paz assumidas pelas organizações internacionais de que
Portugal faz parte”.
Relativamente à FAP, compete-lhe “cooperar, de forma integrada, na defesa
militar da República”, bem como “ satisfazer missões no âmbito dos compromissos
internacionais” (LOFA, 2003: 1).
Quanto aos compromissos internacionais, a FAP participa nas Nato Response Forces (NRF’s), que poderá incluir missões de CAS.
A UE, ao integrar o II Pilar da Política Externa e de Segurança Comum (PESC), deu um primeiro passo na “definição, a prazo, de uma política comum de defesa que poderá conduzir, no momento oportuno, a uma defesa comum” (Costa, 2005:--). Deste modo foi constituída a Política Europeia de Segurança e Defesa (PESD), com o objectivo de “…assegurar que a União Europeia disponha das capacidades necessárias (incluindo capacidades militares) e das estruturas adequadas que lhe permitam tomar decisões eficazes na gestão das crises no âmbito das missões de Petersberg…” (Glossário, 2007:--). Neste âmbito, Portugal, no cumprimento dos Helsinki Headline Goals (HHG), atribui aeronaves F-16AM. O número e categoria de prontidão poderão ser encontrados no Force Catalogue 2006.
b. A adequação a um modelo de CAS nacional.
exigências internacionais. Desta forma é fundamental o apetrechamento do dispositivo operacional na afirmação do nosso papel dentro das missões de âmbito internacional, através da adequação do equipamento, armamento, treino e operação do dispositivo de CAS nacional, que constituiu a H2. Tendo em conta o enquadramento da política nacional de defesa importa agora identificar os requisitos de equipamento e armamento para os meios de CAS nacionais.
c. O equipamento para o F-16AM.
Na definição dos requisitos de equipamento devemos começar pelo TGP. Como referido no capítulo dois, este sistema é um requisito fundamental em qualquer cenário internacional. O TGP permite a identificação e designação de alvos para o armamento guiado por laser, a altitudes fora do alcance de MANPAD´s
e AAA’s. Na actualidade, os sistemas que satisfazem os requisitos operacionais para este equipamento são o Sniper, o Lantirn ER e o Litening AT.
Quanto à integração no conceito de NCW, o F-16AM já dispõe desta capacidade através da inclusão do Link 16 a partir da OFP M3. No entanto, o Link16 ainda revela limitações no número de plataformas a operar na mesma rede, bem como na largura de banda disponível para a transmissão de imagem e vídeo. Desta forma, é fundamental o desenvolvimento deste sistema através da melhoria das suas capacidades ou a adopção de outro sistema com maiores potencialidades.
O HMCS na sua capacidade ar-chão irá proporcionar um menor tempo de resposta na designação de alvos por sensores internos. A sinergia obtida pela utilização do binómio TGP e HMCS irá permitir a redução do tempo médio de resposta dos meios aéreos neste tipo de missão. Este equipamento chegará a Portugal durante o ano de 2008.
A proliferação e imprevisibilidade dos MANPAD’s e AAA’s inviabilizam a cobertura por aeronaves especializadas. O F-16AM já dispõe do Electronic Warfare Management System (EWMS), que integra um RWR (SPS-1000V5), Advanced Countermeasures Dispenser System (ACMDS) (AN/ALE-40) e Electronic Warfare
(EW) pod (ALQ-131(V)). Para completar a capacidade de autoprotecção é necessária a inclusão de um Missile Warning System (MWS)2 . Com vista a melhorar o ACMDS é desejável a aquisição de Pylon Integrated Dispense Systems
(PIDS), para além de Flares multi-espectrais. Por fim, o sistema de engodo para 2
mísseis, “Active Towed Decoy” (ATD) irá aumentar a sobrevivência da aeronave em conjunto com o ALQ e os dispensers de Chaff e Flares.
d. O Armamento para o F-16AM.
Na actualidade a arma de eleição de CAS é a GBU-12. É uma bomba de precisão
de 500 libras guiada por laser e que já faz parte “Stock” de armas do F-16AM. A
JDAM é outra opção para CAS, igualmente disponível na versão de 2000 lbs3 .
Contudo, esta arma, classificada como “precise”, está dependente da “qualidade” das
coordenadas introduzidas.
Neste momento, os EUA são os únicos detentores de uma base de dados de
coordenadas para este armamento. Em alternativa, a OFP M5 irá introduzir um
Enhanced GPS Inertia (EGI), que conjuntamente com um TGP de última geração irá
permitir a obtenção de coordenadas de elevada precisão.
Da junção destes dois tipos de guiamento nasceu a Enhanced Guided Bomb Unit
(EGBU). Esta bomba veio juntar a precisão do guiamento laser à capacidade “All
Weather” da JDAM. Esta é a resposta ideal para as missões de CAS. Esta bomba tem a
capacidade de ser largada acima das nuvens com guiamento INS/GPS e transitar para
um guiamento laser quando em linha de vista com o alvo, caso contrário continuará o
guiamento GPS/INS.
Quanto ao canhão do F-16, para aumentar o alcance desta arma é somente necessária a aquisição de munições PGU-28 ou M70. Desta forma poderemos retirar partido de uma arma com reduzida dispersão, rápida utilização e “Short Time-of-Flight”. Esta arma é extremamente útil contra alvos móveis em ambientes onde a linha de vista é um factor determinante.
Dentro do mesmo conceito de utilização é recomendada a aquisição de um míssil, ou foguete guiado, de pequenas dimensões que substitua a função dos foguetes em ambiente de alto risco de danos colaterais. Na actualidade, uma das soluções é a adaptação do míssil Hellfire, utilizado pelos helicópteros de ataque americanos AH-64 Apache e AH-1 Cobra, ou o Lockheed Martin Unveils 2.75" Laser Guided Rocket (Stztan, 2007:--).
Um dos mísseis adaptados às exigências actuais é o AGM-65E Maverick. Este
míssil, guiado por laser, satisfaz as exigências das ROE´s da actualidade, incluindo em
ambiente urbano. Outro míssil com potencialidade para CAS é o AGM-65G2
Lock-On-After-Launch (LOAL). Esta versão tem melhorias ao nível do alcance e
3
capacidade para atravessar uma camada de nuvens, baseando-se num sistema de navegação GPS/INS, Data Link (DL) e sensor terminal Imaging Infrared (IIR) ou
millimeter-wave radar. Qualquer uma destas versões do míssil Maverick é
recomendável como solução a curto prazo para a capacidade “point and shoot” do F-
16AM.
Para fazer face a cenário urbanos, as SDB e VSM são o armamento de eleição. As
SDB têm um System Design Development (SDD) para 2010 e as VSM apenas para 2012. Estas armas terão um maior alcance e capacidade Net Centric. Esta
funcionalidade irá permitir a alteração do alvo ou da plataforma de guiamento e
controlo em pleno voo. A utilização de armamento de menores dimensões irá permitir
um menor peso à descolagem e um maior número de armamento transportado.
Salienta-se a conveniência do armamento adquirido ser “Plug and Play” (UAI).
Quanto ao armamento “não letal”, ainda não existem aplicações para o F-16. Face
aos custos previstos para esta tecnologia, o desenvolvimento de aplicações para esta
plataforma deverá ser feito no âmbito das European Participating Air Forces (EPAF)
ou com o aproveitamento do potencial humano do laboratório da Academia da Força
Aérea (AFA), em colaboração com a sociedade civil.
e. O Equipamento para os TACP’s.
Para ampliar as capacidades da plataforma F-16AM é fundamental dotar as
equipas TACP com o equipamento e treino adequados.
Igualmente, o equipamento dos TACP’s deve ser adequado à sua integração em
qualquer força multinacional. É de salientar que estas equipas têm participado em
algumas das últimas missões internacionais, tais como a Bósnia (SFOR), Kosovo
(KFOR) e Afeganistão (ISAF).
Antes de definir o equipamento, temos que enquadrar de forma mais detalhada a
utilização destas equipas. Como foi evidenciado nos capítulos anteriores, os TACPs
terão que ser aptos a operar em qualquer cenário, de dia ou de noite, dentro das ROE’s
para a operação, de forma autónoma ou no acompanhamento de qualquer tipo de força.
Desta forma, as equipas necessitam de melhorar a sua capacidade de identificação,
designação e integração no conceito de NCW, bem como eliminar a probabilidade de
erro na transmissão dos dados da missão.
Para tirar partido da precisão da plataforma e do armamento IAM do F-16AM é
essencial dotar os FAC´s com a capacidade de obtenção de coordenadas à distância,
imagem térmica para operação nocturna. Adicionalmente, para a operação nocturna, a
aquisição de sistemas de visão nocturna NVG com maior resolução e ampliação de
imagem irá permitir uma melhor capacidade nocturna.
Tendo em vista a redução dos erros na transmissão da informação ao piloto é
fundamental a aquisição de equipamento Automatic Target Hand-off System (ATHS)4
ou um sistema “Net Centric”, como o SADL. Dentro do conceito de operação NCW,
os sensores operados pelas equipas TACP deverão ter a capacidade de disponibilizar
informação para a rede onde se insiram. O FAC poderá, igualmente, dispor de
informação adicional sobre o campo de batalha, que inclui as forças amigas, opositoras,
informação sobre os alvos de interesse, bem como a localização e informações
adicionais das aeronaves de CAS.
Figura 3 – SADL (Fonte: NCW operations concept framework air-to-ground case study)
De acordo com as capacidades da última geração de TGP’s, a FAP deverá adquirir
a capacidade de targeting pod Video DownLink (VDL), como o Rover 3. Contudo, a
solução de futuro passa pela capacidade de troca de imagens em rede.
Finalmente, para aumentar a capacidade autónoma de obtenção de informações
sobre o alvo e providenciar uma linha de vista livre de obstruções, é conveniente a
aquisição de um micro UAV, equipado com sensores CCD e IR, Laser designator e
transmissão de imagem em tempo real. Estes sistemas deve operar no conceito de
NCW e, ao mesmo tempo, manter a capacidade de transporte sem viaturas de apoio. A
miniaturização do equipamento é um factor decisivo na sua selecção.
A AFA, através do seu pólo de Investigação e Desenvolvimento (I&D) encontra-se
a desenvolver tecnologia nesta área, evidenciada pelo projecto Remotely Piloted
4
Vehicle (RPV) ANTEX-M. No desenvolvimento deste projecto, este pólo tem operada
o micro UAV Silver Fox. O “Know-how” adquirido nesta área deverá ser utilizado num
possível projecto de aquisição desta tecnologia (Costa, 2006:--).
Em termos de autoprotecção, a localização do FAC deve fazer parte da Recognized
Air/Ground Picture (RA/GP) disponível às aeronaves de CAS, bem como às restantes
forças a operar no teatro de operações. Adicionalmente, é recomendável equipamento
de identificação compatível com NVG’s e Coalition Combat ID (CCID), equivalente
ao Identification Friend or Foe (IFF) operado pelas aeronaves.
f. O treino e a integração com as FT’s.
Não basta à FAP possuir meios tecnologicamente avançados para operar de forma eficaz nesta missão. Aliado ao equipamento tem que existir um programa de treino que incorpore o sistema de armas F-16AM, os TACP’s e as FT’s.
O programa de treino anual deve satisfazer os requisitos operacionais das tripulações, de acordo com o AFS vol III, e equipas FAC, constante do STANAG 3797. Os perfis de treino devem reproduzir os possíveis cenários de operação, com ênfase para missões de “urban CAS”, “Convoy Escort” e TST. Os exercícios conjuntos devem espelhar cenários mais complexos com a integração das equipas TACP no planeamento detalhado e coordenação próxima com as FT’s. O ALO é o ponto-chave neste processo.
Constitui-se como condição essencial à evolução da capacidade de CAS nacional a criação de um núcleo TACP na dependência do Comando Operacional da Força Aérea (COFA), responsável pela qualificação, treino e certificação das equipas da FAP, bem como dos FAC’s pertencentes aos outros ramos das FFAA. O núcleo TACP deverá ser o elo de ligação entre as Esquadras de voo, os FAC´s e as
CONCLUSÃO
Este trabalho seguiu o método científico, segundo o raciocínio dedutivo, para dar resposta à pergunta inicial, haverá adaptações a realizar no sistema de armas F-16AM e nas equipas TACP, para os adequar à transformação do CAS?
Foram criadas duas hipóteses iniciais, que serviram de orientação à construção de um quadro teórico de referência:
– (H1): a capacidade de CAS nacional está adequada às novas exigências, e desta forma não serão necessárias adaptações ao sistema de armas F-16AM e
TACP’s.
– (H2): são necessárias adaptações no dispositivo de CAS nacional, a fim de o adaptar às novas exigências internacionais.
Para a construção da problemática foi feita uma pesquisa bibliográfica que incluiu publicações militares, planos de operação internacionais, ROE’s, LL e toda uma vasta literatura referente às novas tecnologias. Foi, de igualmente modo, efectuado um questionário e entrevistas exploratórias a militares portugueses e estrangeiros com experiência neste campo.
O modelo de análise procurou testar as hipóteses levantadas, tendo por base os novos conceitos aplicados ao CAS, como por exemplo o NCW. A validação das hipóteses foi efectuada com base nos conflitos mais recentes e nas previsões futuras. A inexistência de alguma da tecnologia fundamental a estes conceitos é um factor limitativo para a validação das hipóteses. Deste modo, foram utilizadas as perspectivas teóricas desta tecnologia.
Este trabalho foi dividido em três capítulos e 14 apêndices de apoio à investigação. Os dois primeiros capítulos destinaram-se à fase de exploração do método de Quivy e o terceiro capítulo diz respeito à analisar da informação conducente a uma conclusão quanto à melhoria da capacidade de CAS da FAP.
A investigação teve início com a análise de duas operações internacionais assimétricas, demonstrativas da aplicação de CAS, mas diferentes na génese da missão.
ameaças não afectaram a operação das aeronaves de asa fixa a média altitude. Foram evidenciadas limitações no armamento convencional em ambiente urbano. Neste sentido, reconheceu-se a necessidade de armamento de precisão com cargas inferiores a 500 lbs. Por fim, o tempo de resposta dos meios aéreos esteve aquém das exigências das FT.
A Operação Iraqi Freedom espelhou a eficácia de um sistema C4ISR complementado com a integração da informação de UAV’s em tempo real. Mais uma vez, as diferenças doutrinárias entre a componente aérea e terrestre não permitiram uma maior eficácia dos meios aéreos na progressão terrestre. A utilização generalizada de armamento de precisão foi um factor decisivo nesta operação. Contudo, o tempo de resposta ainda foi aquém da artilharia de campanha. Apesar de pouco utilizados, os ABFAC’s, a operar em helicópteros, demonstraram enormes vantagens tácticas.
Da análise destes conflitos, bem como do apêndice B e C, foram retiradas os factores de eficácia do CAS. Devemos evidenciar: uma resposta atempada, o armamento e plataformas adequadas, um sistema de C4 efectivo, treino adequado e por fim o planeamento integrado com as FT.
O ambiente urbano constitui-se como um factor de redução da eficácia das operações militares. A natureza deste ambiente determina a utilização de unidades de menores dimensões com comando descentralizado, evidenciando uma maior dependência do CAS.
De igual modo, as vicissitudes das MOOTW impuseram uma redução da eficácia desta missão. Nestas operações constitui-se como fundamental adoptar os procedimentos, melhorar a precisão do armamento e controlar os efeitos dos mesmos. A área de emprego desta missão foi transferida das linhas de planeamento tradicionais para a generalidade da área de operações.
Foi visto como as ROE´s, ao assegurar o uso da força de forma proporcional e discriminada, não se podem constituir como um factor limitativo da eficácia e segurança das forças militares.
A evolução tecnológica permitiu uma revolução no processo de Targeting. Deste modo nasceu um sistema multidimensional ISTAR integrado em rede, que conjugam fontes de informação, como ELINT, HUMINT, SIGINT, MASINT, sensores terrestres,
UAV’s, satélites e plataformas aéreas tripuladas (JSTARS e ABFAC). Estes sensores
contribuem para uma imagem global em tempo real, permitindo a localização, identificação e atribuição de alvos pelos operadores integrados na rede, reduzindo as incertezas do campo de batalha. O futuro dos sistemas de NCW aponta para uma rede com maiores potencialidades e interoperabilidade baseada no IPv6. Actualmente o F-16AM já opera neste conceito, embora num nível de interoperabilidade médio.
A nova abordagem conceptual para o armamento tem por base os efeitos pretendidos, através da inibição operacional do alvo. A adaptação ao ambiente urbano apresenta três soluções. A primeira aponta para a miniaturização do armamento (SDB e VSM). A segunda linha de desenvolvimento é o armamento com cargas modulares, através da adaptação da ogiva ao alvo. A terceira passa pelo desenvolvimento de tecnologia não letal. Paralelamente, o armamento segue o mesmo conceito de operação da guerra moderna, espelhada pela capacidade de operar em rede. Deste modo, qualquer plataforma na rede poderá contribuir para o processo de targeting e controlo do armamento, independentemente da plataforma transportadora. Um dos requisitos para este armamento é o UAI. A elevada precisão, e Danger Close Range adequado ao ambiente urbano constitui- se como uma meta para a sua utilização qualquer cenário.
Quanto ao equipamento, o TGP é indispensável nesta missão, com especial importância nas MOOTW. Este sistema ISTAR deverá ter a capacidade de operar em rede e de obter coordenadas com uma precisão adequada às IAM. O HMCS irá, conjuntamente com o TGP e ATHS, permitir a redução do tempo de resposta das plataformas aéreas. Por fim, devido à globalização das operações, os cenários previstos exigem comunicações seguras e com capacidade SATCOM.
A maior ameaça à operação de CAS provem de MANPAD’s e AAA’s. Apesar dos meios aéreos poderem evitar estas ameaças, a utilização de bases avançadas e a própria missão poderão ditar a entrada no envelope destas ameaças. Desta forma, uma plataforma de CAS deve incorporar um sistema automático de gestão de CMDS, RWR, MWS e
“decoy” radar.
As equipas TACP são o elo de ligação entre as FT e as tripulações, e requerem uma maior proximidade no treino e na doutrina. A sua operação requer meios com capacidade
operação conjunta e combinada obriga à miniaturização e interoperabilidade do equipamento. Adicionalmente, os UAV´s poderão contribuir para a diminuição das incertezas do campo de batalha.
O próprio conceito de Close Air Support, como sendo apenas apoio aéreo às FT carece de ser alterado. Desta forma deverá surgir um novo conceito, Close air Attack, baseado num planeamento conjunto mais detalhado e numa gestão mais racional dos meios e do espaço de batalha através de Kill Boxes ou containers .
No terceiro capítulo foi feita a análise dos elementos de informação conducentes a uma solução à pergunta de partida, equacionada pelas duas hipóteses levantadas. Com base nos dois primeiros capítulos e no enquadramento da política de defesa, a definição da capacidade de CAS nacional assenta na interoperabilidade dos meios para uma operação conjunta e combinada, adaptada aos novos cenários e de acordo com os compromissos internacionais. Da análise destes factos permite-nos concluir que o dispositivo de CAS nacional ainda não se encontra adequado às novas exigências internacionais. Deste modo é fundamental a adequação do nosso dispositivo operacional na afirmação do nosso papel dentro das missões de âmbito internacional através da adequação do equipamento, armamento, treino e operação da capacidade de CAS nacional que constituiu a H2.
Por conseguinte, é essencial a aquisição de um TGP com capacidade de LST, e transmissão de imagem, bem como o desenvolvimento da capacidade de NCW, da qual a plataforma já integra através do Link 16. A aquisição do HMCS, como forma de diminuir o tempo de resposta das plataformas aéreas em conjugação com o TGP.
No capítulo da autoprotecção, falta completar o EWMS com o MWS, ATD e Flares multi-espectrais, dando-lhe uma maior capacidade de sobrevivência num cenário de incerteza quanto às ameaças.