I in um certo elevador, numa cidade dos Estados Unidos, dois advogados conversavam. Tinham acabado de resolver um caso de divórcio. Um deles disse!

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Texto

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índice

Prefácio 3 Lição André, o Apóstolo

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A f á v e l. VM

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TMWflP, tá 4

Lição Q ) Filipe, o Apóstolo Prático 9 Lição Natanael, o Apóstolo Sonhadoi 14 Lição 4 Mateus, o Apóstolo qiu- I oi Ucs^nlado 18

Lição § Simão, o Apóstolo Zeloso 23 Lição 6 Tiago, o Apóstolo Desconhecido 27 Lição 7 Judas, o Apóstolo Perseverante 31

Lição Judas, o Traidor 35 Lição 9 Pedro, o Apóstolo Magnífico 41

Lição 10 Tiago, o Apóstolo Ambicioso 47 Lição (íj.' João, o Apóstolo do Amor 51 Lição 12 Tomé, o Apóstolo Incrédulo 56 Lição 13 Paulo, o Grande Apóstolo 60

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I in um certo elevador, numa cidade dos Estados Unidos, dois advogados conversavam. Tinham acabado de resolver um caso de divórcio. Um deles disse!

"Já se foi o tempo em que o divórcio era um estigma. Hoje é quase um distintivo de honra."

Ao que o outro replicou:

"O que é que se vai fazer? Mudar o mundo? Ninguém pode mudar o mundo."

Houve treze homens que mudaram o mundo; treze homens escolhidos I m ir Jesus de Nazaré. Quando se foram, deixaram o mundo bem diferente do que era quando aqui chegaram. Como foi que eles conseguiram isto? Não possuíam apoio financeiro de ninguém, nem uma organização perfeita, nem posição social, nem prestígio, nem igrejas nas quais cultuar a Deus, nem . omites de quaisquer espécies. Eram poucos, perseguidos, foram proibidosde pichar, e, por fim, foram mortos.

Como foi que conseguiram mudar o mundo? Poderemos obter uma resposta a esta pergunta observando suas vidas, e fazendo interrogações tais como: quem eram estes treze homens? Como eram eles? Por que Jesus os chamou? Estas perguntas nos abrem uma porta para que estudemos os .ipóstolos — suas características, e o papel que tiveram no maior empreendi-mento que este mundo já viu.

"Que é que se vai fazer? Mudar o mundo?" O mundo precisa mudar, e precisa disto em nossos dias.

Assim como Jesus chamou aqueles treze homens, Ele também nos chama .1 transformar o mundo, anunciando a vinda do Reino de Deus.

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LIÇÃO 12

/

ANDRÉ,

/

O APOSTOLO AFAVEL zwutsrqponmljihfedcbaZXVUTRPOMIHGFEDCA

Utilizou o que Tinha em Mãos

Ele achou primeiro ao seu próprio irmão Simâo, a quem disse: Achamos o Messias... e o levou a Jesus. (Jo 1.41,42.)

Ele tinha sido um dos ouvintes de Joilo Batista I ru um dos que saíram ao deserto para ouvir aquele profeta. Ele vira Joflo apontai paru Jesus e dizer:

Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (Jo I 24.) Intrigado e

muito interessado, ele seguiu a Jesus. Ps te viu o segui IO e perguntou-lhe o que desejava. André e seu amigo disseram que d e s l a v a m Ial.u > om Ele. E foi assim que eles passaram algumas horas juntos. tonvei-.ando Deve ter sido uma palestra maravilhosa, pois até mesmo a hora em que se deu ficou registrada: Sendo mais ou menos a hora décima (Jo I .**>). I oi uma hora muito importante para André; hora Uc decisão, l i o u ili oportunidade, uma Jiora_í]ue iria mudar a sua vida. Ele saiu dali com uma «lande convicção:

Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus, o esperado, o »l«,sc|.ulo Messias.

Depois disso, André só conseguia pensar nunwi coisa em seu irmão Pedro. Não é de se admirar que assim fosse: ele sempre vivem A sombra do irmão. Era sempre: Pedro isto, Pedro aquilo, P a i r o o tempo todo. Pedro, o centro; Pedro, o astro; Pedro sempre o foco das utençOes Contudo, André sabia que seu irmão tinha dons que ele não pov.uí.i Portanto, ele tinha que conhecer o Cristo! Ele tinha que ver o Messias / le achou primeiro ao seu

próprio irmão... (Jo 1.41.)

André foi o primeiro discípulo a seguit a Icxuk ( no entanto ele não é mencionado e m primeiro lugar em nenhuma das listas dos d o / e . O primeiro é sempre Pedro; em Marcos, ele é o segund \ l o s .. quarto I alvez tenha sido sempre assim. Na escola, Pedro sempre sabia responder a tudo. Nos esportes ele era o ídolo; sempre namorava as moças mais bonitas. Em seu negócio de pesca, tudo girava ao seu redor, l ie dava as ordens, e André ficava nas sombras, fazendo seu servicinho de sempre. Q u a n d o André era apresentado a alguém, a pessoa sempre dizia: "Qual é mesmo seu nome? Ah! sim. você é irmão de Pedrol"

Não é fácil estar sempre tocando o segundo violino, toeá Io a vida toda, dia após dia, semana após semana, mês após mês, em tudo, o tempo todo, sempre à sombra de um irmão ilustre.

Agora, André encontrara a Cristo. Pelo menos uma vez, ele é o primeiro; por uma vez, ele é o astro. Se ele pudesse ter certeza de que tudo era apenas

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I I M I I I

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questão dl' má sorte, certeza de que ele poderia ser o primeiro se as

circunstâncias lossem diferentes, se estivesse certo de que o m u n d o estava eonti.i ele, mmcíi teiia convidado seu famoso irmão para se encontrar com Jesus todavia, André não era rancoroso, nem rabugento, nem cínico. Ele

. 1 pi< I H I I - I I I A locar belíssimas melodias, em seu segundo violino.

I le (ichiiii primeiro ao seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos

u A/c. m,i\ r n levou a Jesus (Jo 1.41,42). Não havia dúvidas nem interroga-.,'•< I Ir linha ccrte/.a do que afirmava. Se ele estivesse duvidando, Pedro

I I . I . I l h e lei i,t dado atenção, não creria nele. Pedro tinha uma personalidade

imii lorlc demais para ser influenciado por uma pessoa indecisa. André, |iuii iM estava certíssimo: "Achamos o Messias."

i 1 i vez, 1'cdro teve que dar ouvidos ao seu irmão mais novo. Deu-lhe inil.i i sua atenção. Com sua personalidade vibrante, com sua càpacidade de i i.ii sempre no meio do palco, sua natureza extrovertida, fogosa, ele teve q u e dai ouvidos ao irmão. Entendemos agora por que André era um b o m v i o l i n o .t i n h a uma vida tão reta,_c|ue^o irmão__.mais velho o ii ,i era o exemplo daquele André quieto, humilde e sensato. Pedro lido l In não zombou. Antes, foi com ele para verificiar ...e o levou a Jesus. I ilviv André não tivesse a personalidade nem a força de persuasão de seu II ni.io, mas ele levou seu próprio irmãol^Sc não houvesse um' André, talvez •

I I I I I I I ,i hjria havido um Pedro,

Nos Evangelhos, encontramos novamente André alguns meses depois, li MIS estivera falando a uma grande multidão durante toda a tarde. O dia já i.i avançado, e o povo tinha que regressar para sua casa. Para alguns deles, •i i i.i uma longa viagem. As mulheres já estavam bem cansadas, e as crianças I teando irritadas. Não havia alimento bastante, nem dinheiro para adquiri-lo. N.i caixa dos apóstolos não havia o bastante e eles já estavam-se indagando o que deviam fazer.^Foi então_que André se adiantou, (A Bíblia sempre fala âfe André c o m o o irmão de Simão Pedro — Jo 6.8 — para melhor identificá-lo. Sempre na sombra!) Ele diz: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e iluis peixinhos; mas isto, que é para tanta gente? Então Jesus falou: Fazei o

l>i>vo assentar-se (Jo 6.9,10)._E_André levou o rapazinho até Jesus, o rapaz e <1

.eu lanche. Jesus multiplicou os pães ê o s peixes, e pôde assim alimentar '•(MM) pessoas.

"Está aí um rapaz!"

I louve uma ocasião em que os discípulos disseram a algumas crianças que deixassem Jesus em paz. Mas não foi você, André; foi? Você parece sempre interessado em crianças. Você viu o rapaz sozinho, no meio da multidão. Você foi até ele. Estendeu-lhe sua m ã o amiga. Você conversou com • le sobre a pesca no mar da Galiléia. Ensinou-lhe c o m o se faz para encontrar peixes e trazê-los para o barco; c o m o se coloca a isca e limpa o peixe. E ele ouviu tudo. Você lhe falou também sobre a pesca de homens. Depois, ele tirou seu lanche do bolso — estava meio amassado, todo misturado — e olcreceu-se para reparti-lo com você.

I mais u m a vez iremos encontrar André, no domingo anterior à Páscoa, no começo da última semana de vida do Salvador. Jesus entrou e m Jerusalém ti iunlalmente. Alguns gregos tinham vindo à cidade para a festa. Tinham ouvido falar de Jesus e queriam conhecê-lo. Dirigem-se a Filipe, um dos discípulos, mas este não sabe o que fazer. Jesus nunca tivera tempo para os

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c.c iiiios Sua missão era totalmente para os judeus. Talvez Filipe devesse pi i guntur a João ou a Pedro o que fazer. Mas não! Eles iriam dizer (Filipe até podia ouvir um deles dizer): "Diga a estes gregos para irem embora. A missão de Jesus é para os israelitas. Ele não tem tempo."

f então que um pensamento lhe ocorre. Por que não falar com André? André é sensato; ele saberá o que fazer. André é amável; ele saberá o que

dizei'. I sabe. André vai falar com os homens. Os gregos lhe dizem:

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Senhor, queremos ver a Jesus. (Jo 12.21). E o apóstolo leva-os a Cristo, apresenta-os e

talvez, até tenha dado ao Senhor um momento de felicidade._Q coração de Jesus vibra: Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e

tomarão lugares à mesa no reino de Deus (Lc 13.29). E eu quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo (Jo 12.32).

Bem, agora conhecemos André. Não há outra menção de seu nome na Bíblia, além da sua citação na lista dos apóstolos. Ele_^parec£jios_Evangg- f JJios.fomente trêsve/.e^e_iÊn^5t•eJ'azel^do a mesmacoisa: levando alguém u JeSus.

" çç, Primeiro, foi ele mesmo. Depois, ele levou seu irmão, Pedro. Depois foi o garoto do lanche, e, por fim, os gregos. André, o apóstolo amigo; André, o homem que leva os outros a Jesus Cristo. Sem ele não há avanço. Os Andrés trazem os Pedros. Eles não são manchete; não atraem publicidade, nem as luzes, nem os aplausos do público. Não são os astros, mas os "figurantes". Não são os "pontas-de-lança", mas os "zagueiros centrais". São os que todo mundo mais ou menos ignora.

"Ah! Agora me lembro de você; é o irmão de Pedro."

Eles tocam o segundo violino. São homens comuns, mas sem eles nada se resolve. São homens de um só talento; nem cinco, nem dez... somente um. Contudo, este rinirrT ratenTõ^é TTãfl o ? j T l i a n guãrdado para si.

Nós sempre recordamos os Pedros e esquecemos os Andrés. .Eles não escrevem cartas vibrantes, nem pregam sermões grandiosos. Não ganham três mil pessoas com uma só pregação. Não operam milagres. Entretanto, eles levam a Cristo os Pedros que escrevem as cartas, pregam os sermões, ganham três mil almas e operam milagres. Nós todos nos lembramos de Pedro, mas esquecemos de André.

Quem levou a Cristo o grande reformador escocês, João Knox? Você sabe? Eu não sei. Foi um frade dominicano. Não sei o seu nome, mas sei o de Knox. Qual era o nome daquele pastor substituto que pregou num dia nevoso, numa cidadezinha do interior da Inglaterra? Naquele dia ele levou a Cristo o famoso Charles Spurgeon. Qual era o seu nome? Não sei; nós lembramos os Pedros mas esquecemos totalmente os Andrés.

Contudo, Jesus chamou André. Ele foi o primeiro a ser escolhido. Por •• quê? Porque homensjLe_um-só4alento são indispensáveis ao Reino da-Deus. Nada pode ser leito seni essas pessoas amáveis e humildes, que esTão sempre levando outros a Jesus. De vez em quando, encontramos um Pedro, um Lutero, um William Carey, um Spurgeon, um Billy Grahani, e aí o

evangelismo em massa floresce. Entretanto, o

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mais eficiente c mesmo o evangelismo pessoal. No plano de Deus, nada pode substituir o lugar de

André: nada é feito sem ele. Deus precisa destes Andrés de um talento só. Nem todo numdo pode ser Pedro, mas todos podem ser André. Foi por isso que o Senhor chamou André.

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I oi assim que estes treze homens muriuuiiu o iniMtilo l o i por isto somente

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L assim que acontece. É tão simples (> . I I I I U I I M I I H sr espalhou

pelo Império romana, à medida que os homens iam • ii)i.nulo com lt-sus ( i islo, sendo levados a Ele — não pelas grandes pe>, .e. il» in, mas |iui um Jesieinunho pessoal, dedicado e amigo.

Nus piei isamos de homens! Precisamos de mais Andresl Niin .1. .• qui to 11elnados em seminários, que têm uma educação primorosa (etnlioi.i • ias i nis.is não devam ser desprezadas), nem mesmo daqueles qm ..iliem

mu lim de homens ^amáveis esamigos. Homens de um talento a ii li colação vibrante! com paixão pelas almas, com um propósito • li imnlo Homens que vão falar, viver, testemunhar, andar,_ser amigos dos ii er: "Achamos o Messias!" Cristo ordena a todos os homens que i ii11 .1 lodo o mundo e proclamem as boas-novas de que Deus visitou a terra, .|in I teus veio ao mundo, na pessoa de Jesus Cristo; que ele sofreu, morreu, II .suscitou e está vivo para sempre; que o maior evento da História já ,n miieceu. que a maior prova de amor já foi dada: "Achamos o Messias." () grande pregador. Dr. Clarence Macartney, ilustrou um sermão sobre \ iii11 v. com a narrativa da seguinte visão: "Eu vi o Rei assentado sobre o seu ti uno De cada lado do trono estavam os grandes anjos: Uriel, Rafael, Mienel, Gabriel. Diante do trono estava outro anjo: o que cuidava do livro. A seu lado achava-se um dos mortais. 'Quem é este homem que trouxeste, e o que tem ele a declarar?' perguntou o Rei. 'O Rei, este homem é um grande Inventor, e espalhou luz pelos caminhos dos homens, no mundo todo.'

i ntfto', disse o Rei, 'diga-lhe que fique perto de Uriel, o anjo da luz." E ele lol e se colocou ao lado de Uriel.

"O anjo apresentou outro homem. 'Quem é este, e o que tem a declarar?' I sle homem é um grande filósofo, que teve belos pensamentos a Teu irspeito.' O Rei olhou para ele e disse: 'Diga-lhe para ficar ao lado de Rafael, 0 anjo da sabedoria.' Então o homem foi e ficou ao lado do anjo.

"O anjo trouxe o terceiro mortal para diante do trono. 'Quem é este e o que tem a declãrar?' 'Este homem foi um grande patriota. Com sua espada 1 li livrou o seu povo da mão dos tiranos.' 'Diga-lhe que fique ao lado de Miguel, o anjo da espada.' O homem foi e ficou ao lado de Miguel. "O quarto mortal chegou diante do trono. 'Quem é este e qual é a sua declaração?' 'Este homem cantava hinos em louvor a Deus; seus cânticos iiuida ecoam pela Igreja do Deus vivo.' E o Rei lhe disse: 'Diga-lhe que se coloque ao lado de Gabriel, o anjo da música sacra.'

Então o anjo trouxe outro homem perante o trono. Comecei a pensar em quem seria ele e por que fora levado ali. Nada havia em sua pessoa que indicasse qualquer grandeza; em seu olhar, nada de extraordinário. O Rei |ieiguntou: 'Quem é este, e quais são suas declarações?' O anjo consultou o I ivro, e depois, erguendo a cabeça, disse: 'Este homem ganhou uma alma pat a Cristo.' E eu não ouvi o que o Rei disse, pois logo todo o céu rompeu em altos brados, anjos, arcanjos, querubins e serafins, e todo o exército dos remidos, regozijando-se por causa daquela alma que havia sido salva."

O (/ue ganha almas é sábio. (Pv 11.30b.)

Este é o único método existente para se salvar o mundo: com o trabalho desses Andrés simpáticos e amigos, esses homens de um só talento.

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Onde é que você está, André?

Há pessoas esperando para se encontrar com o seu Jesus.

Nada se sabe a respeito de André na História da Igreja Primitiva. Ele caiu na obscuridade. Na verdade, ele nunca estivera mesmo em posição de proemi-nência. Desde o primeiro dia, fora sempre: "Pedro, Pedro, Pedro". Ele fora sempre afastado do caminho por esse irmão atirado, agressivo.

Conta a lenda que ele foi para a Grécia e pregou na província da Acaia. Ali se tornou um mártir e foi crucificado numa cruz em forma de X. Alguns séculos mais tarde, seus restos foram levados para a Escócia. O navio que os levava naufragou em uma baía, que mais tarde foi denominada a Baía de Sto. André. Os marinheiros chegaram à costa e conseguiram ganhar muitos para Cristo.

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l.IÇÀO 2

I ILIPE,

/

O APOSTOLO PRATICO zwutsrqponmljihfedcbaZXVUTRPOMIHGFEDCA

1'ilipe, o Homem Prático

Talvez você já o tenha visto no supermercado. É alto, jovem, de boa aparência, bem vestido. Empurra o carrinho de compras e examina cuidado-samente os produtos expostos. Isto é ligeiramente ridículo. Em vez de estar ali, ele deveria estar jogando basquete ou talvez tênis. Na mão, tem uma lista de compras, para a qual olha a todo instante. Ele simplesmente não poderia deixar de ter uma lista, pois após cada mercadoria que coloca no carrinho, loma de um lápis e corta-a da lista.

Se quisermos observar um pouco mais este simpático rapaz, vamos segui-lo ao passar pela caixa e dirigir-se para o carro, o qual está impecavel-mente limpo. Ele é um motorista cauteloso. Nunca tenta uma ultrapassagem perigosa. Temos que reconhecer, no entanto, que ele tem bom conhecimento das ruas da cidade. Ele sempre segue a rota mais curta. Parece que já estudou bem cada caminho. Todos os seus movimentos são de uma precisão quase científica: sabe onde evitar um sinal luminoso, vias secundárias, onde pode circundar o tráfego pesado e escapar aos engarrafamentos da hora do "rush".

Pouco antes de ele chegar em casa, um gato preto cruza na frente do carro: ele nem pisca.

"E daí?" diz consigo mesmo. "Eu, supersticioso? Esse negócio de verificar o formato das folhinhas de chá, observar os astros, ler horóscopos... lolice, pura tolice!"

Ele nem mesmo admitiria a possibilidade de pendurar um pé de coelho no espelho retrovisor. Ele não se incomodaria, ainda que meia dúzia de Halos pretos atravessassem em sua frente, numa sexta-feira, 13.

Agora está em casa. Verificamos que o gramado é bem aparado e limpo. I udo está bem arrumado. Após o jantar, ele olha o relógio: 7:30, hora do informativo na TV. Não pode haver interrupções, enquanto ele assiste ao |ornal. Terminado o programa, ele desliga o aparelho. Não há mesmo nada de proveitoso para se ver. Ele nunca assiste ao "show" da meia-noite. Absolutamente! Amanhã tem que ir trabalhar cedo.

"Bom repouso, boa saúde", eis o seu lema.

Se desejarmos conhecê-lo melhor, tenhamos uma conversa com ele. I stará pronto a falar conosco a qualquer momento. Façamos-lhe algumas perguntas. Vejamos o que podemos descobrir a seu respeito. Sobre religião, por exemplo.

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" Religião? Quer saber minha opinião? Está bem; eu lhe digo. Freqüentei .1 if• 11-1.i desde pequeno. Aprendi muita coisa. Isso é bom. Sabe? As crianças pi cr isam aprender a respeito de Deus; isto ajuda a gente a ter uma vida melhor,

"Se creio em Deus? Sim! Acho que creio em Deus. Era impossível existir um mundo, um universo, se não houvesse um Ser supremo, um criador. Meus pais eram muito devotos. Iam à igreja todos os domingos, mas é lógico que eu não posso ter a mesma fé que eles. Não posso crer numa coisa só porque eles creram nela. Tenho que andar por minhas próprias pernas,

lenho que descobrir a verdade por mim mesmo.

"Deixe-me dizer-lhe uma coisa: eu sou pragmático. Sabe o que é pragmático? Nunca ouviu falar em William James ou John Dewey? Ah! já ouviu; çE^gn^f i S ^ í-üJIlas ofui q u e e n c a r a a vida de modo prático, isto é,.a verdade so e provada na prática, e a crença, pela açãux Uma pessoa pragmática é aquela que so crê naquilo que pode ser provado. Eu creio que dois e dois são quatro. Isso é fácil de provar. Eu só creio naquilo que vejo, sinto, toco, conheço ou sei.

"Fé? Fé é uma coisa meio vaga. O que é fé? Algumas pessoas têm fé; outras, não. O que a gente faz quando não tem fé? Vou lhe dizer uma coisa: se eu visse, se eu soubesse, se alguém me convencesse desse negócio de religião, eu teria a fé, eu creria. A religião para mim tem de ser prática, precisa de provas. Eu nunca conseguiria seguir uma coisa que não conheço, que não experimentei. No entanto, se eu me encontrar de verdade com Deus,

eu lhe digo uma coisa —

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serei um discípulo totalmente devotado."

Isto é o que Filipe diria. É assim que ele falaria agora, no século XX. E foi assim que ele falou, no século I. Filipe, o apóstolo prático. Filipe, um homem à procura de uma verdade, tateando, desenvolvendo-se, firmando-se pouco a pouco, sempre cauteloso, cuidadoso, prudente, meticuloso, preciso, e muito é que sabemos disto? Está nos Evangelhos, onde ele aparece. A primeira dessas ocasiões é na Galiléia. Ora Filipe era de Betsaida,

cidade de André e de Pedro... e encontrou a Filipe a quem disse: Segue-me.

(Jo 1.44,43.) Alguns discípulos procuraram a Jesus. Ele não. Era prático. Não se deixaria levar por qualquer entusiasmo religioso. Ele tinha muito bom senso, e não seria influenciado por qualquer evangelistazinho ardoroso e eloqüente que aparecesse de repente. É por isso que não pode acreditar imediatamente em todos os rumores que ouve. Jesus, o Messias? É uma declaração por demais ousada. E ele não está interessado em averiguar, tam-pouco.

E (Jesus) encontrou Filipe. Tinha que ser deste modo. Jesus teria que

tomar a iniciativa. Eles conversam. Filipe faz-lhe algumas perguntas diretas c recebe respostas diretas também. Seu conhecimento do Antigo Testamento (embora pequeno) — e ele realmente foi um bom e atento ouvinte na igreja — ajuda-o a compreender tudo. E ele se convence. Está disposto a começar uma nova jornada, a seguir em companhia de Jesus. Pelo menos, ele quer tentar, quer começar. Ele fez algumas perguntas bem sérias e recebeu respostas bem práticas.

Agora tudo mudou. Filipe, antes um homem de mente fria, está juhilantc; tão juhilantc, que vai falar com um amigo seu: Achamos aquele de

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quem Moisés escreveu na lei, e a qiu m

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ai te feriram os projetas, Jesus, o

Nazareno, Jillio de Jose. Que dei lai 11(,*n«> minuciosa e detalhada! f quuse

elcntílica. Nós O achamos. MoistescreveuyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZVUTSRQPONMLJIHGFEDCBA . 1 A,<ti iv .pnto I I I I lei ( ) S profetas

lahuam dEle. É Jesus, da cidade de Nu/are, I 1 I I 1 0 d<- ,lo\i

André tinha procurado seu irmão Cedro, c lhe dlssna Achamos o

Mewius. Foi só. Foi uma declaração curta. Todavia, Eilipr um homem

meticuloso, não agiu assim. Ele disse: Achamos aquele de quem Moisés

• w reveu na lei, e a quem se referiram os profetas, Jesus, o Nazareno, filho de

/• • ••« Quando seu amigo levanta uma objeção: De Nazaré pode sair alguma 11 u\a boa?, este Filipe, este homem prático responde: Vem e vê. (Jo 1.46.)

Ele nunca se deixaria enganar por um impostor, nem creria em tolices .upersticiosas. Ele diz: "Dê-me provas convincentes e eu serei um discípulo devotudo." Ele próprio foi e viu por si mesmo, e por isso dá esta resposta a qualquer um que queira saber. Seu tratamento do assunto é científico, I spcriinental. Vem e vê. E isto é tudo que Cristo pede daquele que o busca.

Agora Filipe segue em companhia de Jesus. Foi escolhido para ser um apóstolo. Já começou a carreira, mas ainda tem muito que aprender. Ele se inove devagar, cautelosamente. Nunca se dispõe a dar um passo à frente, se II ao tiver certeza de que está pisando em terra firme. Jesus nota isto. Ele o i oloeou entre os doze escolhidos e está ansioso para que ele se desenvolva. I is que surge uma oportunidade, quando uma grande multidão se a|untou para ouvir Jesus. Já é tarde. O povo está cansado e faminto; as 1 1 lanças estão inquietas. Jesus volta-Se para Filipe e pergunta-lhe: Onde

compraremos pães para lhes dar a comer? (Jo 6.5.) Por que logo Filipe?

forque ele é por natureza muito prático, tem uma mente científica, e é muito pi udente. Acontece porém que ele estava junto do Homem "de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas". Será que ele irá confiar nl le? Irá descansar em Cristo? O que dirá Filipe?

Jesus pergunta a Filipe porque quer prová-lo, quer experimentá-lo para

M I O desenvolvimento de sua fé. Será que ele agirá cautelosamente e com

l 'i Udência? Será que ele se entregará nas mãos do Mestre? Agirá ele baseado lia lé ou na razão? Geralmente, as provas ocorrem de maneira estranha em inentõs estranhos. Somente mais tarde, depois de passado o teste, é que pcicebemos que fizemos uma escolha, e então talvez seja tarde demais.

1'ilipe deixou passar a oportunidade. Com seu olho de bom entendedor 1 Ir examinou o povo. "É! Dez... vinte... trinta... cinqüenta dinheiros. Não

llii \ bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu

/• • duço. (Jo 6.7.) p_o ponto de^yista da lógica aquilo parecia impossível. Onde

arranjaremos duzentos dinheiros? Não há jeito. Ele se esquecêTav porém, de que estava com aquele a quem vira curar muitas pessoas, com todo o tipo de iloença. Ele se esquecera de Jesus Cristo. Este apóstolo prático, de cabeça tua, ainda tem muito que aprender.

Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns

Hiegos. (Jo 12.20.)

Agora já é no domingo anterior à Páscoa. Alguns homens de uma colônia Civga perto de Betsaida, a qual era próxima da cidade de Filipe, chegaram cm Jerusalém.

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Referências

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