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1. APRESENTAÇÃO 2. CONCEITOS

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Academic year: 2022

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1. APRESENTAÇÃO

O trauma e as emergências clínicas são responsáveis anualmente por várias mortes e seqüelas irreparáveis aos acidentados. O custo das internações é muito alto para o Estado ou para a família dos pacientes.

Estes fatos não podem ser desconsiderados e, não só o Governo, mas todos os cidadãos devem contribuir para melhorar este quadro, tanto em relação à prevenção de acidentes e doenças quanto no socorro aos acidentados.

Este Estágio Básico de Primeiros Socorros tem como finalidade a preparação de profissionais no primeiro atendimento a acidentados, fora do ambiente hospitalar.

A nobre missão de salvar requer conhecimentos técnicos específicos de primeiros socorros, portanto, o socorrista é a pessoa mais valiosa no primeiro atendimento fora do hospital, diminuindo as complicações que poderiam prolongar a recuperação ou resultar na incapacidade definitiva do paciente.

2. CONCEITOS

Antes de apresentar as principais atribuições do socorrista, alguns conceitos importantes devem ser observados:

Atendimento pré-hospitalar

É considerado como nível pré-hospitalar móvel na área de urgência, o atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que possa levar ao sofrimento, a seqüelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.

Primeiros socorros

São os procedimentos prestados, inicialmente, àqueles que sofreram acidente ou doença, com a finalidade de evitar o agravamento do estado da vítima, até a chegada de ajuda especializada.

Socorrista

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Omissão de socorro

Segundo o Artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro consiste em

“Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em desamparo ou em grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública”.

Pena: detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Diz ainda aquele artigo, “A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e é triplicada, se resulta de morte”. Vale ressaltar que, o fato de chamar o socorro especializado, nos casos em que a pessoa não possui treinamento específico ou não se sente confiante para atuar, já descaracteriza a ocorrência de omissão de socorro.

Ocorrência

Evento causado pelo homem, de forma intencional ou acidental, por fenômenos naturais, ou patologias, que podem colocar em risco a integridade de pessoas ou bens e requer ação imediata de suporte básico de vida, a fim de proporcionar melhor qualidade de vida ou sobrevida aos pacientes, bem como evitar maiores danos à propriedade ou ao meio ambiente.

3. ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO SOCORRISTA

Para ser um Socorrista é preciso aprender a lidar com o público.

Pessoas que estão doentes ou feridas não se encontram em condições normais.

Você deve ser capaz de superar comportamentos grosseiros ou pedidos descabidos, supondo que estes pacientes estão agindo assim devido à doença ou ao ferimento presente. Lidar com as pessoas é uma das mais exigentes tarefas do Socorrista e, dependendo da situação, atuar de modo profissional pode ser muito difícil.

O Socorrista deve ser honesto e autêntico.

Quando estiver ajudando uma pessoa, você não deve dizer que ela está bem, se na verdade ela estiver doente ou ferida. Nem mesmo dizer que tudo está bem quando você percebeu que existe algo errado. Dizer para a pessoa não se preocupar é uma bobagem. Quando uma emergência acontece, certamente, existe algo com que se preocupar.

No local da emergência, você deve ser um profissional altamente disciplinado.

Observe a sua linguagem diante dos pacientes e do público. Não faça comentários sobre os pacientes ou sobre a gravidade do acidente. Concentre-se em

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auxiliar o paciente e evite distrações desnecessárias. Coisas simples como fumar um cigarro no local da emergência, mostra que você não é disciplinado e não pode ser um Socorrista.

Saiba mais sobre a ação do Socorrista

A comunicação com o paciente pode ser benéfica e contribuir para o seu relaxamento, desde que você seja honesto. Dizer ao paciente que você está treinado em primeiros socorros e que irá ajudá-lo, pode diminuir o medo e estabelecer vínculos de confiança. Avisar ao paciente que o Serviço de Emergência Médica (Corpo de Bombeiros Militar ou o SAMU) está a caminho pode ajudar a tranqüilizá-lo.

É essencial ao Socorrista ter discernimento quanto aos limites do que pode ser comunicado ao paciente. Avisar que a criança do paciente está morta ou um ente querido está seriamente ferido não ajudará em nada. Quando a assistência de emergência é prestada, o Socorrista deve ter maior sensibilidade sobre o que dizer ao paciente. Nessas situações, como uma tentativa de acalmar o paciente, o Socorrista pode avisar que outras pessoas estão cuidando de seus entes queridos. É importante lembrar que um paciente vivendo o stress da doença ou de um trauma pode não tolerar uma pressão adicional.

Atuar como Socorrista exige que você controle os seus próprios sentimentos no local da emergência. Você aprenderá a envolver-se com a assistência aos pacientes enquanto, ao mesmo tempo, controla as suas próprias reações emocionais ao enfrentar uma situação de doença ou ferimentos graves. Os pacientes não necessitam unicamente de simpatia ou lágrimas, mas exigem um atendimento profissional.

Prestar assistência como Socorrista requer que você admita que o local do acidente ou os tipos de emergência podem afetá-lo. Você deve conversar com outros trabalhadores do serviço de emergência ou especialistas do Serviço de Emergência Médica, para lidar com os seus problemas emocionais e o stress, ocasionados pelas situações de emergência.

Você não precisa mudar o seu estilo de vida para ser um Socorrista. Entretanto, no momento em que você é requisitado para prestar assistência a uma pessoa, alguns aspectos relacionados à mudança de seu comportamento devem ser considerados.

Sua atuação e aparência podem facilitar a obtenção da confiança do paciente. Tomar

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Para ser um Socorrista, você deve manter-se em boas condições de saúde. Se você tem limitações físicas, como dificuldade em agachar ou de respirar, o seu treinamento terá pouca utilidade.

Atributos do Socorrista

Os principais atributos inerentes à função do Socorrista, são:

• Ter conhecimento técnico e capacidade para oferecer o atendimento necessário;

• Aprender a controlar suas emoções, ser paciente com as ações anormais ou exageradas daqueles que estão sob situação de stress;

• Ter capacidade de liderança para dar segurança e conforto ao paciente.

Responsabilidades do Socorrista

As responsabilidades do Socorrista no local da ocorrência incluem o cumprimento das seguintes atividades:

• Utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI´s);

• Controlar o local do acidente de modo a proteger a si mesmo, sua equipe, o paciente, e prevenir outros acidentes;

• Obter acesso seguro ao paciente e utilizar os equipamentos necessários para a situação;

• Identificar os problemas utilizando-se das informações obtidas no local e pela avaliação do paciente;

• Fazer o melhor possível para proporcionar uma assistência de acordo com seu treinamento;

• Decidir quando a situação exige a mobilização ou mudança da posição ou local do paciente. O procedimento deve ser realizado com técnicas que evitem ou minimizem os riscos de lesões adicionais;

• Solicitar, se necessário, auxílio de terceiros presentes no local da emergência e coordenar as atividades.

A responsabilidade profissional é uma obrigação atribuída a toda pessoa que exerce uma arte ou profissão, ou seja, a responder perante a justiça pelos atos prejudiciais resultantes de suas atividades inadequadas, portanto, o Socorrista poderá ser processado e responsabilizado se cometer os seguintes atos:

Imperícia (Ignorância, inabilidade, inexperiência):

Entende-se, no sentido jurídico, a falta de prática ou ausência de conhecimentos, que se mostram necessários para o exercício de uma profissão ou de uma arte qualquer.

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A imperícia, assim se revela na ignorância, como na inexperiência ou na inabilidade acerca de matéria, que deveria ser conhecida, para que se leve a bom termo ou se excute com eficiência o encargo ou serviço, que foi confiado a alguém.

Evidencia-se, assim, no erro ou engano de execução de trabalho ou serviço, de cuja inabilidade se manifestou. Ou daquele que se diz apto para um serviço e não o faz com a habilidade necessária, porque lhe falecem os conhecimentos necessários. A imperícia conduz o agente à culpa, responsabilizando-o, civil e criminalmente, pelos danos que sejam calculados por seu erro ou falta. Exemplo: é imperito, o Socorrista que utilizar o reanimador manual, sem executar corretamente, por ausência de prática, as técnicas de abertura das vias aéreas, durante a reanimação.

Imprudência (Falta de atenção, imprevidência, descuido):

Resulta da imprevisão do agente ou da pessoa, em relação às conseqüências e seu ato ou ação, quando devia e podia prevê-las.

Mostra-se falta involuntária, ocorrida na prática de ação, o que a distingue da negligência (omissão faltosa), que se evidencia, precisamente, na imprevisão ou imprevidência relativa à precaução que deverá ter na prática da mesma ação. Funda- se, pois, na desatenção culpável, em virtude da qual ocorreu um mal, que podia e deveria ser atendido ou previsto pelo imprudente. Em matéria penal, argüido também de culpado, é o imprudente responsabilizado pelo dano ocasionado à vítima, pesando sobre ele a imputação de um crime culposo. Exemplo: É imprudente o motorista que dirige um veículo de emergência excedendo o limite de velocidade permitido na via.

Negligência (Desprezar, desatender, não cuidar):

Exprime a desatenção, a falta de cuidado ou de precaução com que se executam certos atos, em virtude dos quais se manifestam resultados maus ou prejudicados, que não adviriam se mais atenciosamente ou com a devida precaução, aliás, ordenada pela prudência, fosse executada. A negligência, assim, evidencia-se pela falta decorrente de não se acompanhar o ato com a atenção que se deveria.

Nesta razão, a negligência implica na omissão ou inobservância de dever que competia ao agente, objetivado nas precauções que lhe eram ordenadas ou aconselhadas pela prudência, e vistas como necessárias, para evitar males não

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Reconhecimento do local da ocorrência

O reconhecimento da situação é realizado pelo Socorrista no momento em que chega ao local da emergência. O reconhecimento é necessário para que o mesmo possa avaliar a situação inicial, decidir o que fazer e como fazer.

Para o correto reconhecimento do local da ocorrência, devem ser observados:

Avaliação do local

O Socorrista deverá avaliar o local da ocorrência, observando principalmente os seguintes aspectos:

• A situação;

• Potencial de risco;

• As medidas a serem adotadas.

Informes do Socorrista

Após avaliar o local, o Socorrista deverá informar ao Corpo de Bombeiros Militar ou ao SAMU:

• Local exato da ocorrência;

• Tipo de ocorrência;

• Riscos potenciais;

• Número de vítimas e idade;

• Gravidade das vítimas;

• Necessidades de recursos adicionais;

• Nome e telefone do solicitante do socorro adicional.

A ordem dos dados a serem informados é dinâmica, podendo ser alterada conforme a situação.

O importante é reportá-los sempre e o mais breve possível, pois só assim o Socorrista terá o apoio necessário.

Segurança do local

Consiste na adoção dos cuidados por parte do Socorrista para a manutenção da segurança no local de uma ocorrência, priorizando:

• Estacionamento adequado da viatura de emergência;

• Sinalização e isolamento do local;

• Gerenciamento dos riscos.

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Estacionamento

O Socorrista/motorista deverá estacionar a viatura de socorro/carro particular 15 metros antes do local do acidente, utilizando-a como anteparo, a fim de proporcionar maior segurança à guarnição de serviço e às vítimas envolvidas, deixando assim, uma área denominada “zona de trabalho”.

Nas situações em que já houver uma viatura fazendo tal proteção, a viatura de socorro deverá ser colocada 15 metros à frente do acidente, mantendo o espaço da zona de trabalho.

Sinalização

A colocação dos cones de sinalização deverá obedecer a seguinte proporção: 1 metro para cada km/h da velocidade máxima permitida na via

Exemplo: Se a velocidade máxima permitida na via for 40 Km/h, o primeiro cone de sinalização deverá ser posicionado 40 metros antes do local do acidente e os demais cones deverão ser distribuídos em direção ao local do acidente.

Após a sinalização, o Socorrista deverá se certificar que a sua visualização é ideal. Nos locais onde a visibilidade estiver dificultada em virtude de neblina ou em uma curva, esta distância poderá ser aumentada conforme a necessidade.

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4. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS BÁSICOS

Equipamentos para Segurança no Local do Acidente

Equipamento de proteção individual – este conjunto de equipamentos destina-se a proteção do socorrista e da vítima, objetivando evitar a transmissão de doenças, seja pelo contato com a pele ou através da contaminação das mucosas; materiais de uso obrigatório no

atendimento no interior das viaturas de resgate: luvas descartáveis, máscara de proteção facial, óculos de proteção, aventais e capacetes (em locais de risco iminente

de acidentes).

Equipamento de segurança no local – este conjunto de equipamentos destina-se a garantir a segurança das equipes no local do acidente, bem como, das vítimas envolvidas e da população em geral; destacam-se entre esses materiais os cones de sinalização, lanternas, fitas para isolamento e extintores de incêndios.

Equipamentos de Reanimação e Administração de Oxigênio

Cânula orofaríngea ou Cânula de Guedel – equipamento destinado a garantir a permeabilidade das vias áreas em vítimas inconscientes devido à queda da língua contra as estruturas do palato, promovendo a passagem de ar através da orofaringe. Possui vários tamanhos.

Reanimador ventilatório manual ou Ambu – equipamento destinado a estabelecer ventilação artificial manual.

Composto de bolsa, válvula e máscara, garantindo assim eficiente insuflação de ar e maior concentração de oxigênio para a vítima. Equipamento disponível nos tamanhos adulto e infantil.

Equipamento de administração de oxigênio portátil – unidade portátil destinada a dar suporte de oxigênio a vítima acidentada no local da ocorrência inicial, com capacidade de 300 litros e fluxômetro a fim de dosar a administração de pelo menos 12 litros de oxigênio por minuto.

Toda a ambulância possui uma segunda unidade fixa com capacidade de armazenamento maior, possibilitando a continuação da administração de oxigênio durante o deslocamento até o pronto socorro.

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Equipamento para aspiração – destinado à aspiração de secreções da cavidade oral, as quais obstruem a passagem de oxigênio sendo indispensável uma unidade portátil e uma unidade fixa na ambulância.

Equipamentos de Imobilização e Fixação de Curativos

Talas flexíveis e rígidas (madeira, papelão) – são equipamentos indispensáveis na imobilização de fraturas e luxações.

Bandagens triangulares e ataduras de crepom – destinam-se à fixação de talas e curativos.

Cintos de fixação – cintos flexíveis e resistentes que se destinam a prender a vítima junto a tábua de imobilização.

Colete de imobilização dorsal (ked) - equipamento destinado à retirada de vítimas do interior de veículos que estiverem sentadas, objetivando a imobilização da coluna cervical, torácica e lombar superior. Sua fixação dá-se através de tirantes flexíveis fixos e móveis.

Colar cervical – equipamento destinado à imobilização da coluna cervical quanto a movimentos axiais, confeccionado em polietileno, dobrável e de vários tamanhos e modelos.

Tabua de imobilização – equipamento destinado à imobilização da vítima deitada, de vários modelos e tamanhos, possuindo aberturas para fixação de cintos e imobilizadores de cabeça.

Imobilizadores de cabeça – equipamento destinado à imobilização total da cabeça da vítima acidentada. Confeccionado em espuma revestida de um material impermeável e lavável.

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Materiais de Uso Obstétrico

Material de assistência ao parto – material esterilizado, normalmente colocado em pacotes hermeticamente fechados, contendo campos duplos e simples, clamps para laqueadura umbilical, lençóis e tesoura.

Equipamentos para Verificação de Sinais Vitais

Esfigmomanômetro – equipamento destinado à aferição da pressão arterial.

Estetoscópio - aparelho destinado a ausculta cardíaca e pulmonar.

Oxímetro de pulso portátil - aparelho eletrônico destinado à medição da saturação periférica de oxigênio.

Desfibriladores automáticos externos (DEA) – equipamento destinado à verificação de arritmias ventriculares

(taquicardia e fibrilação), que se confirmadas através da obediência aos comandos emanados, resultará na aplicação de choques buscando a reversão do quadro apresentado.

OBS: a Classificação do DEA, neste grupo deve-se ao mesmo atuar também como monitor cardíaco, identificando o padrão de atividade elétrica do coração, é um material de uso de pessoal treinado, mas não necessariamente de profissional de saúde, o que o diferencia do cardioversor.

Macas e Acessórios

Maca – equipamento destinado ao transporte de vítima, sendo confeccionado em alumínio, com mecanismo de travamento, possibilitando que a maca aumente ou diminua a altura.

Cobertor e manta aluminizada – material destinado ao conforto térmico.

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5. NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA Anatomia

Ciência que estuda a estrutura e a forma dos seres organizados e a relação entre seus órgãos, bem como a disposição destes.

Fisiologia

Ciência que estuda as funções orgânicas e os processos vitais dos seres vivos.

Posição Anatômica

Posição Anatômica é a posição padronizada de descrição do organismo, empregando-se os termos de posição e direção.

O corpo humano deverá estar em:

• em posição ortostática;

• com a face voltada para frente;

• com o olhar dirigido para o horizonte;

• com os membros superiores estendidos ao longo do tronco;

• com as palmas voltadas para frente;

• com os membros inferiores unidos.

O corpo humano é dividido em:

• Cabeça;

• Pescoço;

• Tronco; e

• Membros.

Nos membros empregam-se termos especiais de posição:

Proximal: situado mais próximo à raiz do membro;

Médio: situado entre proximal e distal; e Distal: situado mais distante da raiz do

membro.

Além desta divisão, para identificar as partes do corpo humano, são definidos:

Planos Anatômicos

Plano mediano

Direito e esquerdo

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Quadrantes Abdominais (órgãos)

Localização aproximada de lesões

Lesão A = Região posterior do tórax em nível de escápula esquerda.

Lesão B = Membro inferior esquerdo, terço médio da coxa, região anterior.

Lesão C = Membro superior esquerdo, terço distal do braço, região anterior.

Lesão D = Membro superior esquerdo, terço médio do antebraço, região anterior.

Lesão E = Membro superior esquerdo, terço médio da palma da mão.

Lesão F = Membro superior esquerdo, terço médio do dedo indicador, região anterior.

O corpo humano e seus sistemas

O funcionamento do corpo humano pode ser melhor entendido quando são estudados os seguintes sistemas:

Sistema Tegumentar Sistema Esquelético Sistema Respiratório Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso

QID Apêndice

Parte do intestino delgado Parte do intestino grosso Parte do ovário (mulher) QSD

Maior parte do fígado Vesícula biliar

Parte do intestino delgado Parte do intestino grosso Parte do pâncreas Parte do estômago QSE

Baço

Maior parte do estômago Parte do intestino grosso Parte do intestino delgado Parte do pâncreas

Parte do fígado

QIE

Parte do intestino grosso Parte do intestino delgado Parte do ovário (mulher)

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Sistema Tegumentar

Sistema que inclui a pele e seus anexos, proporcionando ao corpo um revestimento protetor que contém terminações nervosas sensitivas e participa da temperatura corporal, além de cumprir outras funções.

Pele

Maior órgão do corpo humano. No adulto sua área total atinge aproximadamente 2 m2, apresentando espessura variável (1 a 4 mm) conforme a região. A distensibilidade é outra característica da pele que também varia de região para região.

A pele tem como funções:

• Proteção;

• Regulação da temperatura;

• Excreção; e

• Produção de vitamina D.

A pele é dividida em camadas:

• Epiderme: camada mais superficial da pele;

• Derme: camada subjacente à epiderme, tendo sob ela a tela subcutânea.

Glândulas da pele

A pele contém numerosas glândulas sudoríparas e sebáceas. As primeiras localizam-se na derme ou tela subcutânea, com importante função na regulação da temperatura corporal, porque sua excreção, o suor, absorve calor por evaporação da água. As glândulas sudoríparas são especialmente abundantes na palma das mãos e planta dos pés. Em certas regiões, como a axila e a dos órgãos genitais externos, existem glândulas muito semelhantes às sudoríparas, cuja secreção, entretanto, produz odor característico.

Coloração da pele

A cor da pele depende da quantidade de pigmentos, da vascularização e da espessura dos estratos mais superficiais da epiderme. Entre os pigmentos, a melanina é o mais importante e sua quantidade na pele varia com a raça.

Sistema Esquelético

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As funções do sistema esquelético são:

• Proteção dos órgãos e tecidos;

• Sustentação e conformação do corpo;

• Armazenamento de minerais essenciais;

• Inserção de músculos;

• Permitir a realização de movimentos;

• Conferir rigidez e resistência ao corpo; e

• Produção de certas células sangüíneas.

Ossos

Tecido conjuntivo mineralizado vivo, altamente vascularizado, e em constante transformação.

Classificação quanto à forma

Ossos Longos: o comprimento predomina sobre a largura e a espessura. fêmur, rádio, ulna, tíbia, falanges.

Ossos Curtos: as três dimensões equivalem-se. tarso e carpo.

Ossos Laminares: o comprimento e largura equivalem-se, predominando sobre a espessura. escápula, ossos do crânio e ossos do quadril.

Ossos Irregulares: apresentam uma morfologia complexa, onde não há correspondência nas formas geométricas. temporal, vértebras.

Ossos pneumáticos: apresentam uma ou mais cavidades de volume variado, revestido de mucosa e contendo ar. frontal, temporal, maxilar.

Divisão anatômica do esqueleto

O esqueleto subdivide-se em duas partes:

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A união dos esqueletos axial e apendicular ocorre através das cinturas.

Divisão anatômica do esqueleto

Crânio

O crânio possui duas divisões principais:

Caixa encefálica (crânio propriamente dito): composto por 08 ossos largos e irregulares que se fundem formando a cobertura que protege o encéfalo.

Face: composta por 14 ossos que se fundem para dar sua forma.

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Coluna vertebral

Estrutura óssea central, composta de 33 vértebras, dividida em cinco regiões:

Coluna cervical (pescoço): composta de 07 vértebras;

Coluna torácica (parte superior do dorso): composta de 12 vértebras;

Coluna lombar (parte inferior do dorso): composta de 05 vértebras;

Coluna sacral (parte da pelve): composta de 05 vértebras;

Coluna coccígea (cóccix ou cauda): composta de 04 vértebras.

Articulações

Conexão entre dois ou mais ossos adjacentes, que de acordo com a conformação e o aspecto estrutural são agrupadas em três tipos principais:

Articulações fibrosas: São aquelas em que o tecido que interpõe as peças ósseas é fibroso, impossibilitando o seu movimento;

Articulações cartilaginosas: São aquelas em que o tecido que interpõe as peças ósseas é formado por fibrocartilagem ou cartilagem hialina, possibilitando movimentos limitados;

Articulações sinoviais: São aquelas em que o elemento que interpõe as peças ósseas é o líquido sinovial, possibilitando movimentos amplos.

Sistema Respiratório

É o conjunto de órgãos que permite a captação de oxigênio e a eliminação de dióxido de carbono produzido na respiração interna.

O Sistema Respiratório tem como função conduzir o ar do meio ambiente para os pulmões, e vice-versa, promovendo a troca gasosa, como também filtrar, pré-aquecer e umedecer o ar inspirado.

Respiração

Conjunto dos fenômenos que permitem a absorção do oxigênio e a expulsão do gás

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carbônico pelos seres vivos.

Órgãos componentes do Sistema Respiratório

O Sistema Respiratório é composto pelos seguintes órgãos:

Nariz

No interior do nariz (narinas) existem pêlos, denominados vibrissas ou cílios, que recolhem a maior parte das partículas e pó existentes no ar, realizando assim, uma filtragem grosseira dessas impurezas. Eles e estão em constante movimento a fim de eliminar estes resíduos através das narinas. É guarnecido de uma camada de líquido (muco), que retém outras partículas de pó em sua porção superior. Ainda existem as conchas nasais, superior, média e inferior, que servem para aumentar a superfície mucosa da cavidade nasal, pois é esta superfície mucosa que umedece e aquece o ar inspirado, “condicionando-o” para que seja melhor aproveitado na hematose que se dá ao nível dos pulmões.

Faringe

É um tubo muscular membranoso associado a dois sistemas: respiratório e digestório, situando-se posteriormente à cavidade nasal, bucal e à laringe.

Laringe

É um órgão tubular, situado no plano mediano e anterior do pescoço que, além de via aerífera é órgão da fonação, ou seja, da produção do som. Coloca-se anteriormente à faringe, comunicando-se com a mesma através da glote, junto à glote está a epiglote, que tem a função de fechar a glote durante a passagem do bolo alimentar.

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cartilagem tireóide. Entre as duas cartilagens, situa-se a membrana ou ligamento cricotireóideo.

Traquéia

É um canal situado entre a laringe e a origem dos brônquios. Tem de 12 a 15 cm de comprimento e é constituída por 16 a 20 anéis cartilaginosos incompletos, em forma de C, sobrepostos e ligados entre si.

Brônquios

São os canais resultantes da bifurcação da traquéia. Os brônquios vão se ramificando em direção aos lobos pulmonares em diâmetros cada vez menores.

Pulmões

Principais órgãos da respiração, sendo um direito e outro esquerdo, são órgãos moles, esponjosos e dilatáveis. Estão contidos na cavidade torácica e, entre eles, há uma região denominada mediastino.

Os pulmões se subdividem em lobos, sendo três para o direito e dois para o esquerdo. As vias aéreas finalmente terminam nos alvéolos, cada um dos quais está em contato com os capilares sangüíneos onde se dá a função essencial dos pulmões, a hematose (oxigenação do sangue venoso).

Pleura

Cada uma das membranas serosas que cobrem as paredes internas da cavidade torácica (pleura parietal) e a superfície externa dos pulmões (pleura visceral).

Músculos da respiração

Os principais músculos da respiração são: o diafragma que separa a cavidade torácica da abdominal e os músculos intercostais, que estão situados entre as costelas.

Mecanismo da respiração – inspiração Durante a inspiração (inalação):

• o diafragma e os músculos intercostais se contraem;

• quando o diafragma se contrai, move-se para baixo, aumentando a cavidade torácica longitudinalmente;

• quando os músculos intercostais se contraem, elevam as costelas, estas ações se combinam para aumentar a cavidade torácica (fole) em todas as dimensões, os pulmões são puxados com ela, que se expande pela sucção exercida através das superfícies pleurais unidas.

A pressão aérea interna, menor que a externa, permite a entrada de ar pela traquéia enchendo os pulmões. O ar se moverá de uma área de maior pressão para uma de menor pressão, até tornarem-se equivalentes.

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Mecanismo da respiração – expiração

Durante a expiração: o diafragma e os músculos intercostais se relaxam; a medida que estes músculos se relaxam, a cavidade torácica diminui de tamanho em todas as dimensões; a medida que a cavidade torácica diminui, o ar nos pulmões é pressionado em um espaço menor, a pressão interna aumenta e o ar é empurrado através da traquéia.

Sistema Cardiovascular

É um sistema fechado, composto pelo coração e por uma rede de tubos denominados artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias.

As principais funções do Sistema Cardiovascular são:

• Fornecer Oxigênio, substâncias nutritivas e hormônios aos tecidos;

• Transportar produtos finais do metabolismo, como CO2 e uréia até os órgãos responsáveis por sua eliminação; e

• Termoregulação do organismo.

Sangue

O sangue é um líquido vermelho, viscoso, composto por plasma (parte líquida), glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas.

Composição do sangue

Plasma: Transporta os glóbulos e nutrientes para todos os tecidos. Também leva os produtos de degradação para os órgãos excretores.

Glóbulos vermelhos: Fornecem a cor ao sangue e carreiam oxigênio.

Glóbulos brancos: Atuam na defesa do organismo contra as infecções.

Plaquetas: São essenciais para a formação de coágulos sangüíneos, necessários para estancar o sangramento.

Coração

É um órgão muscular, oco, ímpar e mediano, que funciona como uma bomba contrátil e propulsora do sangue.

Camadas musculares do coração.

As paredes do coração são formadas por três camadas:

• Miocárdio: camada média determina a sístole e a diástole cardíaca;

• Endocárdio: camada de revestimento interno;

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Movimentos cardíacos

Para o coração realizar sua função de bombeamento de sangue, efetua movimentos de contração e relaxamento da musculatura das suas cavidades:

Sístole: período de contração dos ventrículos, para expulsar o sangue proveniente dos átrios para as artérias pulmonares e aorta;

Diástole: período de relaxamento dos ventrículos, simultâneos ao de contração dos átrios, permitindo a passagem de sangue dos átrios, para os ventrículos.

Vasos sangüíneos

São tubos que formam a complexa rede do sistema cardiovascular, constituída por artérias e veias que se ramificam em calibres cada vez menores, originando as arteríolas, vênulas e capilares.

Artérias

Vasos sangüíneos que saem do coração levando sangue para o corpo.

Átrio esquerdo

Desembocam as veias pulmonares direita e esquerda. Comunica-se com o ventrículo esquerdo através da valva bicúspide ou mitral (possui dois cúspides).

Ventrículo esquerdo

Nele chega sangue oxigenado proveniente do átrio esquerdo, que posteriormente é expulso para todo o corpo através da artéria aorta.

Átrio direito

Desembocam as veias cavas superior e inferior. Comunica-se com o ventrículo direito através da valva tricúspide (possui três cúspides).

Ventrículo direito

Nele chega sangue rico em CO2 proveniente do átrio direito, que posteriormente é expulso para a artéria pulmonar.

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Veias

Vasos sangüíneos que chegam ao coração trazendo sangue do corpo.

Circulação sangüínea

A circulação sangüínea tanto no homem, como nos mamíferos em geral, é dupla:

Circulação Pulmonar = Pequena Circulação Percurso da circulação pulmonar:

Coração (ventrículo direito) > pulmões > coração (átrio esquerdo) Circulação Sistêmica = Grande Circulação

Percurso da circulação sistêmica:

Coração (ventrículo esquerdo) > tecidos do corpo > coração (átrio direito), passando pelos capilares dos diversos sistemas ou aparelhos do corpo.

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O sistema é completamente fechado, com dois conjuntos de capilares conectando arteríolas e vênulas nos pulmões e nos tecidos do restante do organismo.

Sistema Nervoso

Sistema responsável pelo controle e coordenação das funções de todos os sistemas do organismo e, ainda, ao receber estímulos aplicados à superfície do corpo (frio, calor, dor etc.) é capaz de interpretá-los e desencadear, eventualmente, respostas adequadas a estes estímulos.

Muitas funções do sistema nervoso dependem da vontade caminhar é um ato voluntário.

Muitas outras ocorrem involuntariamente, sem que tenhamos consciência a secreção da saliva ocorre independente de nossa vontade.

As funções do Sistema Nervoso são:

• Colher informações do meio externo e interno e transformá-las em estímulos;

• Controlar e coordenar as funções de todos os sistemas do organismo.

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O Sistema Nervoso pode ser dividido em:

Sistema Nervoso Central – SNC

O sistema nervoso central é uma porção de recepção de estímulos, de comando e desencadeadora de respostas. A porção periférica está constituída pelas vias que conduzem os estímulos ao sistema nervoso central ou que levam até aos órgãos, as ordens emanadas da porção central. Pode-se dizer que o SNC está constituído por estruturas que se localizam no esqueleto axial (coluna vertebral e crânio): a medula espinhal e o encéfalo.

Sistema Nervoso Periférico – SNP

O sistema nervoso periférico compreende os nervos cranianos e espinhais, os gânglios e as terminações nervosas.

Sistema Nervoso Visceral – SNV

O sistema nervoso visceral relaciona o indivíduo com o meio interno, compreendendo fibras sensitivas (aferente) interoceptores e motoras (eferente) – músculo liso e gânglios. A este último, está relacionado o sistema nervoso autônomo (SNA), ou involuntário, constituído apenas da parte motora do SNV.

Sistema Nervoso Somático – SNS

O sistema nervoso somático relaciona o indivíduo com o meio externo, compreendendo fibras sensitivas (aferente) exteroceptores e motoras (eferente) músculo estriado esquelético.

Sistema Nervoso Central

Meninges: O encéfalo e a medula espinhal são envolvidos e protegidos por lâminas (ou membranas) de tecido conjuntivo chamadas, em conjunto, de meninges.

Estas lâminas são de fora para dentro:

• dura-máter;

• aracnóide; e

• pia-máter.

O Sistema Nervoso Central – SNC é dividido anatomicamente em:

(24)

Encéfalo

Porção do sistema nervoso central localizado na caixa craniana e que compreende o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico.

Medula espinhal

É a continuação direta do encéfalo, localizada dentro do canal vertebral. A medula espinhal tem papel fundamental na recepção de estímulos sensitivos e retransmissão de impulsos motores. Todos os centros importantes do encéfalo são conectados através de longos feixes nervosos, diretamente aos órgãos ou músculos que controlam. Estes feixes se unem formando a medula espinhal, transmitindo mensagens entre o encéfalo e o sistema nervoso periférico. Estas mensagens são passadas ao longo do nervo sob a forma de impulsos elétricos.

Da base do crânio, a medula se estende pelo tronco até o nível da primeira ou segunda vértebra lombar. Na porção final da medula localizam-se nervos espinhais que formam uma espécie de “cabeleira” nervosa, comparada à cauda eqüina.

Cérebro

Constitui a parte mais importante do encéfalo, localiza-se na caixa craniana, é centro da consciência. As funções do cérebro normal incluem a percepção de nós mesmos e do ambiente ao nosso redor, controla nossas reações em relação ao meio ambiente, respostas emocionais, raciocínio, julgamento e todas as nuances que formam a consciência, as sensações e origem dos movimentos, compreendendo o telencéfalo e o diencéfalo.

Cerebelo

Possui a função de determinar o equilíbrio do corpo e sua orientação no espaço, bem como, a regulação do tônus muscular e a coordenação das atividades motoras do organismo.

Tronco encefálico

Parte do encéfalo que une a medula espinhal aos hemisférios cerebrais e por onde transitam todas as grandes vias sensitivas e motoras.

Telencéfalo

O telencéfalo é a porção mais anterior e mais desenvolvida do cérebro, ocupa a maior parte da cavidade craniana e é envolvido pelas meninges, sendo o segmento mais desenvolvido do encéfalo humano. Nele encontra-se o córtex cerebral que é uma lâmina cinzenta, de espessura variável e que constitui a superfície do hemisfério cerebral.

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Diencéfalo

É um dos principais centros receptores de impulsos elétricos oriundos das vias periféricas, possui volumosos núcleos cinzentos.

Mesencéfalo

Protuberância que constitui o ponto de junção do cérebro, do cerebelo e da medula espinhal. Comunica-se com o cérebro através de fibras nervosas encarregadas de conduzir estímulos oculares, visuais, acústicos e outros.

Ponte

Localizada na parte mediana do tronco encefálico, é formada por agrupamentos de fibras e células nervosas. A Ponte possui três pares de nervos responsáveis pela inervação dos músculos que movimentam os olhos para os lados, dos músculos mímicos da face, das glândulas salivares e lacrimais, e conduz sensações de paladar captadas na língua.

Bulbo

Porção inferior do tronco encefálico no sentido crânio-caudal, sendo que o grande forame (forame magno), constitui o limite convencional com a medula espinhal.

Possui feixes de fibras motoras que comandam os movimentos dos músculos voluntários.

Essas fibras dirigem-se, paralelamente, até o forame occipital, onde trocam de lado. No resto do percurso, caminham do lado oposto àquele em que estavam originalmente. Este cruzamento de fibras faz com que as ordens emitidas, a partir do hemisfério cerebral direito, sejam transmitidas ao lado esquerdo do corpo e vice-versa.

Por isso, acidentes que lesem o lado esquerdo da cabeça provocam, em geral, paralisia do lado direito.

Além disso, no bulbo, localizam-se dois centros vitais, encarregados de controlar a respiração e o funcionamento vasomotor. Um tiro que atinja o bulbo mata instantaneamente. A pressão sangüínea cai de forma tão acentuada que não permite mais a irrigação dos diversos órgãos. Com a lesão do bulbo, são cortados os impulsos que controlam o funcionamento dos vasos sangüíneos e dos pulmões.

Sistema Nervoso Periférico

O Sistema Nervoso Periférico – SNP –

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Nervos

São cordões esbranquiçados formados por fibras nervosas unidas por tecido conjuntivo, tendo como função conduzir impulsos ao SNC e também conduzi-los do SNC ao periférico. Distinguem-se dois grupos, os nervos cranianos e os espinhais.

Nervos cranianos

São 12 pares de nervos que fazem conexão com o encéfalo. A maioria deles (10) originam-se no tronco encefálico. Além do seu nome, os nervos cranianos são também denominados por números em seqüência crânio-caudal. A relação abaixo apresenta o nome e o número correspondente a cada um dos pares cranianos:

Olfatório é puramente sensitivo e ligado à olfação como o nome indica, iniciando-se em terminações nervosas situadas na mucosa nasal.

Óptico, também sensitivo, origina-se na retina e está relacionado com a percepção visual.

Oculomotor, troclear e abducente enervam músculos que movimentam o olho, sendo que o III par é também responsável pela inervação de músculos chamados intrínsecos do olho, como o músculo esfíncter da íris (que fecha a pupila) e o músculo ciliar (que controla a forma da lente).

Trigêmeo é predominantemente sensitivo, sendo responsável pela sensibilidade somática de quase toda a cabeça. Um pequeno contingente de fibras é motor, inervando a musculatura mastigadora, isto é, músculos que movimentam a mandíbula.

Facial, glossofaríngeo e vago são altamente complexos no que se refere aos componentes funcionais, estando relacionados às vísceras e à sensibilidade gustativa, além de inervar glândulas, musculatura lisa e esquelética.

Vestíbulo-coclear é puramente sensitivo, constituído de duas porções:

A porção coclear está relacionada com os fenômenos da audição e a porção vestibular com o equilíbrio.

Acessório inerva músculos esqueléticos, porém, parte de suas fibras unem-se ao vago e com ele é distribuída.

Hipoglosso inerva os músculos que movimentam a língua, sendo por isso, considerado como o nervo motor da língua.

Nervos espinhais

Os 31 pares de nervos espinhais mantêm conexão com a medula e abandonam a coluna vertebral através de forames intervertebrais. Da mesma maneira que na coluna, reconhecemos nervos espinhais que são cervicais, torácicos, lombares, sacrais e coccígeos.

(27)

6. CINEMÁTICA DO TRAUMA

Trauma

É a lesão caracterizada por uma alteração estrutural ou fisiológica, resultante de exposição a uma energia (mecânica, térmica, elétrica).

Cinemática do trauma

É o estudo do movimento de um corpo, que sofreu um impacto ou agressão, relacionado-o com suas prováveis avarias e lesões.

“Saber onde procurar lesões e tão importante quanto saber o que fazer após encontrá-las”

Esta ciência é baseada em princípios fundamentais da física:

- Primeira Lei de Newton -"Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas a ele." - Princípio da Inércia. (Mesmo que um carro colida e pare, as pessoas no seu interior continuam em movimento até colidirem com o painel, direção, pararias etc.).

Mas, por que este repentino início ou parada de movimento resulta em trauma ou lesões? Esta questão é respondida por um segundo princípio da Física:

“A energia pode ser transformada de uma forma em outra em um sistema isolado, mas não pode ser criada ou destruída; a energia total do sistema sempre permanece constante”. Considerando-se o movimento de um carro como uma forma de energia (energia cinética), quando o carro colide, esta forma de energia é transformada em outras (mecânica, térmica, elétrica, química).

Considerando que E = (m. V²)/2 sendo E = energia cinética (movimento) m = massa (peso)

V = velocidade

“Conclui-se que quanto maior a velocidade, maior a troca de energia resultando assim em maiores danos aos organismos envolvidos”.

“Na natureza nada se

(28)

Trauma Contuso X Penetrante

Trauma Contuso “temporário”: trauma onde não há o rompimento da pele.

Trauma Penetrante “permanente”: trauma que rompe a integridade da pele penetrante “permanente”,

A evolução clínica de uma vítima de trauma divide-se em três fases:

Pré-Colisão: tudo o que acontece antes da colisão bebidas, velocidade, drogas.

Colisão: quando a transmissão de energia acontece entre eles.

Pós-Colisão: informações conseguidas após a transmissão de energia (como ficou o carro, estado da vítima).

São considerações importantes para o atendimento:

A direção que ocorreu a variação de energia.

A quantidade de energia transmitida.

A forma como as forças afetaram o paciente.

Acidente Automobilístico

Em um acidente automobilístico há uma desaceleração brusca, ocorrem três tipos de colisão:

Colisão da Máquina: o veículo colide com outro ou com um anteparo;

Colisão do Corpo: o corpo mantém-se em movimento e colide com o anteparo do carro;

Colisão dos Órgãos: na colisão os órgãos colidem-se contra as paredes do corpo.

Formas de Colisão

Colisão frontal: fratura de crânio, penetração óssea no cérebro, hemorragia intercraniana, fratura ou luxação de vértebras, além de lesões nos tecidos moles do pescoço, trauma na laringe, fratura de face, ruptura da aorta, pneumotórax, hemotórax, fratura nos arcos costais, fratura no esterno, hemorragia nos órgãos abdominais

”rins, baço, pâncreas, fígado”, fratura de pelve, fratura de

fêmur, joelho, tíbia e fíbula, fratura no tornozelo e pés.

Colisão Traseira: rompimento da cervical,

“efeito chicote – aceleração brusca”, fratura de face.

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Colisão Lateral: fratura de costelas, contusão pulmonar, tórax instável, ruptura do fígado ou baço, fratura no braço e ombro, lesões na coluna, fratura ou luxação do fêmur, joelho, fratura na cabeça, fratura na pelve.

Capotamento: todos os tipos de ferimentos podem ser mencionados, além da probabilidade de fratura na

coluna cervical, e se a vítima for lançada para fora do veículo aumenta o risco em seis vezes o seu valor.

Acidente Motociclístico

Os acidentes de motocicleta são responsáveis por grande número de mortes todos os anos. O mecanismo de trauma é o mesmo da colisão de veículo e segue as leis da Física.

O uso do capacete previne lesões de face e crânio.

Numa colisão frontal contra um objeto, a moto inclina-se para a frente e o motociclista é jogado contra o guidom, esperando-se trauma de cabeça, tórax e abdômen. Caso pés e pernas permaneçam fixos no pedal e a coxa colida contra o guidom, pode ocorrer fratura bilateral de fêmur.

Na colisão lateral do motociclista, geralmente há compressão de membros inferiores provocando fraturas de tíbia e fíbula.

Nos casos de colisão com ejeção do motociclista, o ponto de impacto determina a lesão, irradiando-se a energia para o resto do corpo. Como nos automobilísticos, geralmente as lesões são muito graves nesse tipo de acidente.

Atropelamento

Na abordagem de vítima de atropelamento, é importante conhecer sua idade, pois existem mecanismos distintos de trauma entre adultos e crianças. Quando o adulto percebe estar prestes a ser atropelado, ele se vira de costas para o veículo, na

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● Tronco lançado contra o capô do veículo;

● Vítima caída no asfalto – geralmente o primeiro impacto é na cabeça, com possibilidade de trauma de coluna cervical.

Quedas

A queda se caracteriza por uma desaceleração vertical rápida. No atendimento às vítimas de queda, o socorrista deve conhecer:

altura da queda;

tipo de superfície com que a vítima colidiu. Exemplos: gramado, concreto etc.;

parte do corpo que sofreu o primeiro impacto.

Como a velocidade na queda aumenta com a altura, grandes alturas predispõem a lesões mais graves.

Como referência, considera-se grave a queda de altura três vezes maior que a altura da vítima.

Chamamos de "síndrome de Don Juan" a queda de altura com aterrissagem pelos pés. Conforme a altura, acontece fratura bilateral de calcâneos. Após os pés, as pernas são as próximas partes a absorver a energia - fratura de tornozelos, ossos longos e quadril. No terceiro momento, verificar fratura com compressão de coluna torácica e lombar.

Se a vítima apóia as mãos na queda, espera-se fratura de punho.

Assim, cabe-nos determinar a parte do corpo que sofreu o primeiro impacto e, conseqüentemente, deduzir as lesões relacionadas.

Lesões por Explosão A explosão tem três fases:

● Causada pela onda de pressão proveniente da explosão, atinge particularmente órgãos ocos ou contendo ar, como pulmões e aparelho gastrointestinal.

Pode ocorrer sangramento pulmonar, pneumotórax, perfuração de órgãos do aparelho

(31)

digestivo. A onda de pressão rompe a parede de pequenos vasos sangüíneos e também lesa o sistema nervoso central. A vítima morre sem que se observem lesões externas. O socorrista, sempre atento a essas possibilidades, pesquisa sinais de queimadura nas áreas descobertas do corpo.

● Em vítima atingida por estilhaços e outros materiais provenientes da explosão, é possível encontrar lace rações, fraturas,

queimaduras e perfurações.

● Se a vítima é lançada contra um objeto, haverá lesões no ponto do impacto e a força da explosão se transfere a órgãos do corpo. Elas são aparentes e muito similares àquelas das vítimas ejetadas de veículos ou que sofrem queda de grandes alturas.

Ferimentos Por Arma Branca

A gravidade dos ferimentos por arma branca depende das regiões anatômicas atingidas, da extensão da lâmina e do ângulo de penetração, lembrando que o ferimento no abdômen superior pode atingir o tórax, e ferimentos abaixo do quarto espaço intercostal, podem penetrar o abdômen.

É fundamental, no atendimento pré-hospitalar de

ferimentos por arma branca, cuja lâmina ainda se encontre alojada no corpo, não remover o objeto e, sim, imobiliário junto ao corpo e transportar rapidamente a vítima ao hospital.

A lâmina pode estar promovendo compressão das extremidades vasculares, o que contém hemorragias, só devendo ser removida em ambiente hospitalar.

Ferimentos Por Arma de Fogo

No atendimento a vítimas de acidentes por arma de fogo, o sococorrista tenta informar-se sobre o tipo da arma, seu calibre e a distância de onde foi disparada.

Calibre - diâmetro interno do tambor, que corresponde ao calibre da munição usada por aquela arma em particular.

(32)

Armas de alta e de baixa velocidade - as que aceleram os projéteis a velocidades mais baixas são menos letais, incluindo-se aqui todas as armas de mão e alguns rifles. Ferimentos com essas armas são menos destrutivos que os produzidos por projéteis que alcançam altas velocidades, embora também causem ferimentos letais, dependendo da área de impacto. Fatores que contribuem para o dano tecidual.

Tamanho do projétil - quanto maior o projétil, maior a resistência oferecida pelos tecidos e maior a lesão produzida por sua penetração.

Deformidade do projétil - projéteis de "extremidade anterior macia" achatam-se na ocasião do impacto, resultando no comprometimento de superfície maior.

Projétil com jaqueta - a jaqueta se expande e amplia a superfície do projétil.

Giro - o giro do projétil amplia seu poder de destruição.

Desvio - o projétil pode oscilar vertical e horizontalmente ao redor do seu eixo, ampliando a área de destruição.

Distância do tiro - quanto mais próximo o disparo, maior a lesão produzida.

Densidade dos tecidos atingidos - o dano produzido é proporcional à densidade do tecido. Órgãos altamente densos, como ossos, músculos e fígado, sofrem mais danos do que os menos densos, lembrando que, ao percorrer o corpo, a trajetória da bala nem sempre será retilínea, sofrendo desvios e atingindo órgãos insuspeitados, considerando os orifícios de entrada e saída.

Ferida de entrada - Geralmente óbvia, pode não ser identificada se a vítima não for completamente despida e examinada.

Ferida de saída - Nem sempre existe (se o projétil não abandonar o corpo) e pode ser múltipla para um único projétil, devido à sua fragmentação ou à de ossos. Geralmente a ferida de saída é mais larga que a de entrada e apresenta bordos lacerados.

Feridas internas - Projéteis em baixa velocidade danificam principalmente os tecidos com os quais entram em contato. A alta velocidade produz prejuízos a distância, lesando tanto os tecidos com que o projétil faz contato, como transferindo energia cinética aos tecidos em redor. Com relação ao atendimento de paciente com ferimento por arma de fogo, transportá-Io rapidamente ao hospital, principalmente se o ferimento atingir cabeça, tórax e abdômen. Mesmo pessoas atingidas enquanto usavam coletes à prova de bala podem apresentar contusões orgânicas graves, sendo mais sérias a miocardíaca e a pulmonar.

(33)

7. SINAIS VITAIS

Os sinais vitais são: Pressão Sangüínea, Temperatura, freqüência respiratória e pulso.

Nas variações dos sinais vitais, devemos considerar:

Condições ambientais, tais como: temperatura e umidade do local;

Condições pessoais: como exercício recente, tensão emocional, alimentação;

Equipamentos apropriados e calibrados regularmente.

Temperatura

ÍNDICES NORMAIS ADULTO CRIANÇA

ORAL 37ºC 37.4ºC

RETAL 37.5ºC 37.8ºC

AXILAR 36.7ºC 37.2ºC

A mais utilizada é a axilar.

Pulso

É a onda provocada pela pressão do sangue contra a parede arterial em cada batimento cardíaco, sentida pelo toque com um impacto ou batida leve.

ÍNDICES NORMAIS ADULTO De 60 A 100 bpm.

CRIANÇA De 80 A 120 bpm.

BEBÊS De 100 A 160 bpm.

Taquicardia: É o aumento da freqüência do pulso – acima de 100 bpm.

Bradicardia: É a diminuição da freqüência do pulso – abaixo de 60 bpm.

Pulso Filiforme: Quando sentimos o pulso fino e fraco, geralmente da decorrência da diminuição do volume do sangue.

Respiração

A avaliação da respiração inclui: freqüência (movimentos respiratórios por minuto), caráter (superficial e profunda) e ritmo (regular ou irregular).

ÍNDICES NORMAIS

ADULTO De 12 à 20 Movimentos Respiratório por minuto

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Taquipnéia: Respiração rápida, regular (acima de 20 M.R.P.M.).

Dispnéia: Respiração difícil.

Pressão Sanguínea

A pressão sangüínea ou Pressão arterial (PA) é uma função da força exercida pelo sangue contra as paredes da artéria.

ÍNDICES NORMAIS

04 ANOS 85/60 mmHg

06 ANOS 95/62 mmHg

12 ANOS 108/67 mmHg

ADULTO 120/80 mmHg

(35)

8. ATENDIMENTO INICIAL

O objetivo do atendimento inicial à vítima de trauma é identificar rapidamente situações que coloquem a vida em risco e que demandem atenção imediata pela equipe de socorro. Deve ser rápido, organizado e eficiente de forma que permita decisões quanto ao atendimento e ao transporte adequados, assegurando à vítima maiores chances de sobrevida. O atendimento inicial à vítima de trauma se divide em três etapas seqüenciais:

1) Controle de cena;

2) Abordagem primária;

3) Abordagem secundária;

Controle de Cena Segurança do Local

Antes de iniciar o atendimento propriamente dito, a equipe de socorro deve garantir sua própria condição de segurança, a das vítimas e a dos demais presentes.

De nenhuma forma qualquer membro da equipe deve se expor a um risco com chance de se transformar em vítima, o que levaria a deslocar ou dividir recursos de salvamento disponíveis para aquela ocorrência. O socorrista deve atentar para:

Óculos de proteção;

Máscara facial;

Luvas de procedimentos;

Isolamento e controle de trânsito;

Utilizando cordas ou fitas de isolamento;

Sinalizando o trânsito para evitar acidente em cadeia;

Desligar ao cabo da bateria do automóvel, bem como calçar as rodas.

Mecanismo de Trauma

Enquanto se aproxima da cena do acidente, o socorrista examina o mecanismo de trauma, observando e colhendo informações pertinentes. Em uma colisão entre dois veículos, por exemplo, avaliar o tipo de colisão (frontal, lateral, traseira), veículos envolvidos, danos nos veículos, número de vítimas, posição dos veículos e das vítimas, etc. O Socorrista deve atentar para:

Analisar o local do acidente;

(36)

Na abordagem primária, para facilitar a memorização, convencionou-se o “ABCD do trauma” para designar uma seqüência fixa de passos, utilizando-se as primeiras letras das palavras (do inglês) que definem cada um dos passos:

1) Passo “A” (Airway) – Vias aéreas com controle cervical;

2) Passo “B” (Breathing) – Respiração (existente e qualidade);

3) Passo “C” (Circulation) – Circulação com controle de hemorragias;

4) Passo “D” (Disability) – Estado neurológico;

5) Passo “E” (Exposure) – Exposição da vítima (para abordagem secundária).

______________________________________________________________________

A

AIRWAY (Vias aéreas com controle cervical)

Aproximar-se da vítima pelo lado para o qual a face da mesma está volta, garantindo-lhe o controle cervical. Em seguida, observar se a vítima está consciente e respirando. Tocando o ombro da vítima do lado oposto ao da abordagem, apresente- se, acalme-a e pergunte o que aconteceu com ela: “Eu sou o... (nome do socorrista), tenho treinamento em primeiros socorros, e estou aqui para te ajudar. O que aconteceu contigo?”.

Uma pessoa só consegue falar se tiver ar nos pulmões e se ele passar pelas cordas vocais. Portanto, se a vítima responder normalmente, é porque as vias aéreas estão permeáveis (passo "A" resolvido) e respiração espontânea (passo "B" resolvido). Seguir para o passo "C". Se a vítima não responder normalmente, examinar as vias aéreas.

Desobstruir vias aéreas de sangue, vômito, corpos estranhos ou queda da língua, garantindo imobilização da coluna cervical. Para a manutenção da abertura das vias aéreas

pode ser utilizada cânula orofaríngea ou nasofaríngea. Estando as vias aéreas desobstruídas, passar para o exame da respiração (passo "B").

Técnicas de abertura das vias aéreas

Quando o tônus muscular é insuficiente, a língua e a epiglote podem obstruir a faringe. A língua é a causa mais freqüente de obstrução das vias aéreas na vítima inconsciente. Se não houver evidência de trauma craniano nem cervical, o Socorrista deve utilizar a manobra de inclinação da cabeça-elevação do queixo para abrir as vias aéreas.

Avaliação de vias aéreas.

Socorrista verifica se há corpos estranhos na cavidade oral da vítima.

(37)

As técnicas para abertura das vias aéreas são:

Manobra de inclinação da cabeça – elevação do queixo – casos clínicos Esta manobra deve ser utilizada apenas em

casos clínicos.

1) Coloque o paciente em decúbito dorsal e posicione-se ao seu lado, na altura dos ombros;

2) Coloque uma das mãos na testa do paciente e estenda sua cabeça para trás;

3) Coloque a ponta dos dedos, indicador e

médio, da outra mão, apoiados na mandíbula para elevá-la até perceber uma resistência ao movimento.

Manobra de empurre mandibular – casos de trauma Esta manobra deve ser utilizada apenas em

casos de trauma.

1) Coloque o paciente em decúbito dorsal e posicione-se de joelhos acima da parte superior de sua cabeça;

2) Com os cotovelos na mesma superfície que

o paciente ou apoiados nas coxas, segure os ângulos da mandíbula do paciente com os dedos, indicador e médio;

3) Com os dedos posicionados, empurre a mandíbula para cima, mantendo a cabeça estabilizada com a palma das mãos. Não eleve ou realize rotação da cabeça do paciente, pois a proposta desta manobra é manter a via aérea aberta sem mover a cabeça ou o pescoço.

Utilize a manobra correta ao realizar uma abertura de vias aéreas - VA:

• Em caso clínico - manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo

• Em caso de trauma - manobra de empurre mandibular

______________________________________________________________________

B

BREATHING (Respiração)

Checar se a respiração está presente e efetiva (ver,

(38)

lenta ou rápida, superficial ou profunda, de ritmo regular ou irregular, silenciosa ou ruidosa. Se observar sinais de respiração difícil (rápida, profunda, ruidosa), reavaliar vias aéreas (passo "A") e solicitar a presença do médico no local. A necessidade de intervenção médica é muito provável. Se observar sinais que antecedam parada respiratória (respiração superficial, lenta ou irregular), ficar atento para iniciar respiração artificial.

______________________________________________________________________

C

CIRCULATION (Circulação com controle de hemorragias) O objetivo principal do passo "C" é estimar as condições do sistema circulatório e controlar grandes hemorragias. Para tanto devem ser avaliados: pulso; perfusão periférica; coloração, temperatura e umidade da pele.

Se o socorrista verificar hemorragia externa, deve

utilizar métodos de controle. Observando sinais que sugerem hemorragia interna, deve agilizar o atendimento e transportar a vítima o mais brevemente possível ao hospital.

______________________________________________________________________

D

DISABILITY (Estado Neurológico)

Tomadas as medidas possíveis para garantir o “ABC”, importa conhecer o estado neurológico da vítima (passo "D"), para melhor avaliar a gravidade e a estabilidade do quadro. O registro evolutivo do estado neurológico tem grande valor. A vítima que não apresente alterações neurológicas num dado momento, mas passe a apresentá-las progressivamente, seguramente está em situação mais grave que outra cujo exame inicial tenha mostrado algumas alterações que permaneçam estáveis no tempo. Na avaliação do estado neurológico o socorrista deve realizar a avaliação do nível de consciência e o exame das pupilas.

Avaliação do Nível de Consciência

A análise do nível de consciência é feita pelo método “AVDI”, de acordo com o nível de resposta que a vítima dá aos estímulos:

● A – Acordada com resposta adequada ao ambiente.

● V – Adormecida. Os olhos se abrem mediante estímulo verbal.

Avaliação do nível de consciência – estímulo doloroso aplicado comprimindo-se a borda do músculo trapézio.

(39)

● D – Com os olhos fechados que só se abrem mediante estímulo doloroso.

● I – Não reage a qualquer estímulo.

Exame das Pupilas

Em condições normais as pupilas reagem à luz, aumentando ou diminuindo seu diâmetro conforme a intensidade da iluminação do ambiente. O aumento do diâmetro, ou midríase, ocorre na presença de pouca luz, enquanto a diminuição, ou miose, ocorre em presença de luz intensa. Quanto à simetria, as pupilas são classificadas em isocóricas (pupilas normais ou

simétricas), que possuem diâmetros iguais, e anisocóricas (pupilas anormais ou assimétricas), de diâmetros desiguais. O socorrista deve avaliar as pupilas da vítima em relação ao tamanho, simetria e reação à luz. Pupilas anisocóricas sugerem traumatismo ocular ou cranioencefálico. Neste caso a midríase em uma das pupilas pode ser conseqüência da compressão do nervo oculomotor no nível do tronco encefálico, sugerindo um quadro de gravidade. Pupilas normais se contraem quando submetidas à luz, diminuindo seu diâmetro. Se a pupila permanece dilatada quando submetida à luz, encontra-se em midríase paralítica, normalmente observada em pessoas inconscientes ou em óbito. Pupilas contraídas (miose) em presença de pouca luz podem indicar intoxicação por drogas ou doença do sistema nervoso central. Se houver depressão do nível de consciência e anisocoria, ficar alerta, pois existe o risco de parada respiratória. Manter-se atento para o “ABC”.

______________________________________________________________________

Abordagem Secundária

E

EXPOSURE (Exposição da Vítima)

Finalmente, no passo "E", expor a vítima, à procura de lesões. Entretanto, em nível pré-hospitalar, as roupas da vítima só serão removidas para expor lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas pelo exame segmentar, respeitando seu

Pupilas de tamanhos desiguais (anisocóricas) – olho direito apresentando midríase e esquerdo miose.

Avaliação das pupilas quanto à reação à luz.

Referências

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