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DIREITO PROCESSUAL PENAL - RENATO BRASILEIRO DE LIMA Aula 13

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(1)

DIREITO PROCESSUAL PENAL - RENATO BRASILEIRO DE LIMA Aula 13

(2)

RECURSOS

(3)

I – TEORIA GERAL DOS RECURSOS

(4)

1. CONCEITO.

É um instrumento processual voluntário de

impugnação de decisões judiciais previsto em lei

federal utilizado antes da preclusão e na mesma

relação jurídica processual, objetivando a reforma,

a invalidação, a integração ou o esclarecimento da

decisão impugnada.

(5)

2. PRINCÍPIOS.

(6)

2.1. Princípio do duplo grau de jurisdição.

(7)

Consiste na possibilidade de reexame integral

da matéria de fato e de direito da decisão do

juízo “a quo”, a ser confiado a órgão

jurisdicional diverso e, em regra, de hierarquia

superior.

(8)

- Fundamentos:

a) Falibilidade humana;

b) Inconformismo das pessoas;

(9)

- Previsão Normativa:

(10)

CADH Art. 8º (...)

2. (...)

h) direito de recorrer da sentença para juiz ou

tribunal superior.

(11)

- Obs. 1: atenção para a distinção entre o duplo

grau de jurisdição e o cabimento de recurso contra

determinada decisão;

(12)

- Obs. 2: o duplo grau de jurisdição também significa que, à exceção das hipóteses de competência originária dos Tribunais, o processo deve ser examinado uma vez no primeiro grau de jurisdição e reexaminado uma segunda vez em sede recursal pelo Tribunal. Não se pode, então, admitir que o Tribunal faça o exame direto de determinada matéria pela primeira vez, sob pena de supressão do primeiro grau de jurisdição, o que também seria causa de violação ao duplo grau de jurisdição;

(13)

Súmula 453 do STF: “Não se aplicam à

segunda instância o art. 384 e parágrafo único

do código de processo penal, que possibilitam

dar nova definição jurídica ao fato delituoso,

em virtude de circunstância elementar não

contida, explícita ou implicitamente, na

denúncia ou queixa”.

(14)

- Recolhimento à prisão para recorrer:

(15)
(16)
(17)

Súmula 9 do STJ: “A exigência da prisão

provisória, para apelar, não ofende a garantia

constitucional da presunção de inocência”.

(18)

STF: “(...) Independe do recolhimento à prisão o regular processamento de recurso de apelação do condenado. O decreto de prisão preventiva, porém, pode subsistir enquanto perdurarem os motivos que justificaram a sua decretação. A garantia do devido processo legal engloba o direito ao duplo grau de jurisdição, sobrepondo-se à exigência prevista no art. 594 do CPP.

O acesso à instância resursal superior consubstancia direito que se encontra incorporado ao sistema pátrio de direitos e garantias fundamentais. Ainda que não se empreste dignidade constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos Humanos, cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data posterior à promulgação Código de Processo Penal. A incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra prevista em tratado internacional tem o condão de modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. VII - Ordem concedida”. (STF, 1ª Turma, HC 88.420/PR, Rel.

Min. Ricardo Lewandowski, j. 17/04/2007, Dje 32 06/06/2007).

(19)

Súmula 347 do STJ: “o conhecimento de recurso

de apelação do réu independe de sua prisão”.

(20)

CPP

Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:

(Vide Lei nº 11.719, de 2008) (...)

§ 1º O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento de apelação que vier a ser interposta.

(Incluído pela Lei nº 12.736, de 2012)

(21)

CPP

Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em

flagrante delito ou por ordem escrita e

fundamentada da autoridade judiciária

competente, em decorrência de prisão cautelar

ou em virtude de condenação criminal

transitada em julgado. (Redação dada pela Lei

nº 13.964/19).

(22)

- Legislação especial incompatível com o art. 8º,

§ 2º, “h”, da CADH:

(23)

Lei 7.492/86

Art. 31. Nos crimes previstos nesta Lei e

punidos com pena de reclusão, o réu não

poderá prestar fiança, nem apelar antes de ser

recolhido à prisão, ainda que primário e de

bons antecedentes, se estiver configurada

situação que autoriza a prisão preventiva.

(24)

Lei 11.343/06

Art. 59. Nos crimes previstos nos arts. 33,

caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o réu não

poderá apelar sem recolher-se à prisão, salvo

se for primário e de bons antecedentes, assim

reconhecido na sentença condenatória.

(25)
(26)

Lei 8.072/90

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:

(...)

§ 3º Em caso de sentença condenatória, o juiz

decidirá fundamentadamente se o réu poderá

apelar em liberdade. (Redação dada pela Lei nº

11.464, de 2007)

(27)
(28)

CPP

Art. 585. O réu não poderá recorrer da

pronúncia senão depois de preso, salvo se

prestar fiança, nos casos em que a lei a admitir.

(29)

- Acusados com foro por prerrogativa de

função:

(30)

STF (Pleno): “(...) À falta de órgãos jurisdicionais

ad qua, no sistema constitucional, indispensáveis

a viabilizar a aplicação do princípio do duplo grau

de jurisdição aos processos de competência

originária dos Tribunais, segue-se a

incompatibilidade com a Constituição da aplicação

no caso da norma internacional de outorga da

garantia invocada”. (STF, Pleno, RHC 79.785/RJ,

Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 29/03/2000, DJ

22/11/2002).

(31)

2.2. Princípio da unirrecorribilidade

(singularidade).

(32)

- A cada decisão recorrível corresponde um

único recurso, pelo menos em regra;

(33)

CPP Art. 593 (...)

§ 4º Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito, ainda que somente de parte da decisão se recorra.

(Parágrafo único renumerado pela Lei nº 263,

de 23.2.1948)

(34)

- Exceções ao princípio da unirrecorribilidade:

(35)

1) Extinto protesto por novo júri quanto à

condenação pela prática de um delito à pena de

reclusão igual ou superior a 20 anos e apelação

quanto ao crime conexo;

(36)

2) Recursos extraordinário e especial;

(37)

NOVO CPC

Art. 1.031. Na hipótese de interposição conjunta de recurso extraordinário e recurso especial, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça.

§ 1o Concluído o julgamento do recurso especial, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do recurso extraordinário, se este não estiver prejudicado.

§ 2o Se o relator do recurso especial considerar prejudicial o recurso extraordinário, em decisão irrecorrível, sobrestará o julgamento e remeterá os autos ao Supremo Tribunal Federal.

§ 3o Na hipótese do § 2o, se o relator do recurso extraordinário, em decisão irrecorrível, rejeitar a prejudicialidade, devolverá os autos ao Superior Tribunal de Justiça para o julgamento do recurso especial.

(38)

3) Embargos infringentes ou de nulidade e

recursos extraordinários:

(39)

CPP Art. 609. (...)

Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação do acórdão, na forma do art.

613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão

restritos à matéria objeto de divergência.

(40)

Novo CPC

Art. 994. São cabíveis os seguintes recursos:

I - apelação;

II - agravo de instrumento;

III - agravo interno;

IV - embargos de declaração;

V - recurso ordinário;

VI - recurso especial;

VII - recurso extraordinário;

VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário;

IX - embargos de divergência.

(41)

Novo CPC

Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos julgadores.

(...)

§ 3º A técnica de julgamento prevista neste artigo aplica-se, igualmente, ao julgamento não unânime proferido em:

I - ação rescisória, quando o resultado for a rescisão da sentença, devendo, nesse caso, seu prosseguimento ocorrer em órgão de maior composição previsto no regimento interno;

II - agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito.

(42)

Antigo CPC

Art. 498. Quando o dispositivo do acórdão contiver

julgamento por maioria de votos e julgamento

unânime, e forem interpostos embargos

infringentes, o prazo para recurso extraordinário

ou recurso especial, relativamente ao julgamento

unânime, ficará sobrestado até a intimação da

decisão nos embargos.

(43)

STJ: “(...) INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS

INFRINGENTES E DE NULIDADE

SIMULTANEAMENTE A RECURSO ESPECIAL.

IMPOSSIBILIDADE. ART. 498 DO CÓDIGO DE

PROCESSO CIVIL. (...)”. (STJ, 5ª Turma, Resp

785.679/MG, Rel. Min. Felix Fischer, DJ

11/09/2006 p. 340).

(44)

STF: “(...) Recurso extraordinário criminal:

intempestividade: interposição após o julgamento de embargos infringentes, quanto à parte da decisão recorrida por eles não abrangida:

entendimento que a Súmula 355 documentou e que, em matéria criminal, não foi modificado pela L. 10.352/01, que alterou o art. 498 do C. Pr. Civil:

precedente. (...)”. (STF, 1ª Turma, AI 432.884 QO/RO, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j.

09/08/2005, DJ 16/09/2005).

(45)

Novo CPC

- Não há dispositivo semelhante ao do art. 498

do antigo CPC;

(46)

Possíveis soluções:

- Considerar a decisão como composta por capítulos diversos, cada qual impugnado no seu prazo – regime originário do CPC;

- Manter a sistemática do CPC, reformada pela Lei

n. 10.352, ou seja, interposição de um único

recurso, em atenção ao princípio de economia

processual;

(47)

2.3. Princípio da fungibilidade dos recursos.

(48)

CPP

Art. 579. Salvo a hipótese de má-fé, a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro.

Parágrafo único. Se o juiz, desde logo,

reconhecer a impropriedade do recurso

interposto pela parte, mandará processá-lo de

acordo com o rito do recurso cabível.

(49)

- Presunção de má-fé:

a) Não observância de prazo do recurso adequado;

b) Erro grosseiro: o princípio da fungibilidade

não visa resguardar a parte do erro grosseiro

do profissional, mas tão somente evitar que

controvérsias doutrinárias e jurisprudenciais

quanto ao recurso adequado causem prejuízo

ao recorrente;

(50)

2.4. Princípio da convolação.

- Uma impugnação adequada pode ser

recebida e conhecida como se fosse outra, que

se revela mais vantajosa para o recorrente;

(51)

2.5. Princípio da voluntariedade dos recursos.

(52)

CPP

Art. 574. Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz:

I - da sentença que conceder habeas corpus;

II - da que absolver desde logo o réu com

fundamento na existência de circunstância que

exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos

do art. 411.

(53)

STJ: “(...) Se a defensora dativa e o réu foram intimados pessoalmente da sentença condenatória e não manifestaram a pretensão de recorrer, aplicável, à espécie, a regra processual da voluntariedade dos recursos, insculpida no art. 574, caput, do Código de Processo Penal, segundo a qual não está obrigado o defensor público ou dativo, devidamente intimado, a recorrer. (...)”. (STJ, 6ª Turma, HC 105.845/SC, Rel.

Min. Og Fernandes, j. 10/03/2009, Dje 06/04/2009).

(54)

- Recurso de ofício (reexame necessário): só

pode ser conceituado como recurso de forma

imprópria, porquanto falta a ele o pressuposto

básico da voluntariedade. Por isso, é tratado

majoritariamente como condição necessária à

preclusão ou ao trânsito em julgado de

determinada decisão.

(55)

Súmula 423 do STF: “não transita em julgado a

sentença por haver omitido o recurso ‘ex

officio’, que se considera interposto ‘ex lege’”.

(56)

Súmula 160 do STF: “é nula a decisão do

tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não

arguida no recurso da acusação, ressalvados

os casos de recurso de ofício”.

(57)

- Hipóteses em que há previsão expressa de recurso de ofício:

a) Sentença concessiva de HC (CPP, art. 574, I);

b) Decisão concessiva de reabilitação (CPP, art. 746);

c) Decisão absolutória ou de arquivamento de autos em crime contra a economia popular ou contra a saúde publica (Lei n. 1.521/51, art. 7º);

d) Sentença concessiva de mandado de segurança (Lei n. 12.016/09, art. 14, §1º);

(58)

Súmula 344 do STF: “Sentença de primeira

instância concessiva de habeas corpus, em

caso de crime praticado em detrimento de

bens, serviços ou interesses da União, está

sujeita a recurso ex officio”.

(59)

Lei 1.521/51

Art. 7º. Os juízes recorrerão de ofício sempre

que absolverem os acusados em processo por

crime contra a economia popular ou contra a

saúde pública, ou quando determinarem o

arquivamento dos autos do respectivo inquérito

policial.

(60)

CPP

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito

policial ou de quaisquer elementos informativos da

mesma natureza, o órgão do Ministério Público

comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade

policial e encaminhará os autos para a instância de

revisão ministerial para fins de homologação, na

forma da lei. (Redação dada pela Lei n. 13.964, de

2019) (Vide ADI’s 6.298, 6.300 e 6.305).

(61)

- Atenção para a revogação tácita do art. 574, II,

do CPP, pela Lei n. 11.689/08:

(62)

CPP

Art. 574. Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz:

(...)

II - da que absolver desde logo o réu com

fundamento na existência de circunstância que

exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos

do art. 411.

(63)

2.6. Princípio da disponibilidade dos recursos.

(64)

CPP

Art. 576. O Ministério Público não poderá

desistir de recurso que haja interposto.

(65)

2.7. Princípio da non reformatio in pejus (efeito prodrômico da sentença).

(66)

- Em sede processual penal, no caso de recurso exclusivo da defesa – ou em virtude de habeas corpus ou revisão criminal –, não se admite a reforma do julgado impugnado para piorar a situação do acusado, quer do ponto de vista quantitativo, quer sob o ângulo qualitativo, nem mesmo para corrigir eventual erro material.

(67)

STJ: “(...) Se é certo que a fixação do regime inicial aberto para uma condenação por latrocínio (art. 157, § 3º, do Código Penal) com reprimenda de 18 (dezoito) anos de reclusão, caracteriza evidente "erro material", não menos certo que, no caso concreto, houve o trânsito em julgado da sentença sem que o órgão acusador opusesse embargos de declaração ou interpusesse recurso de apelação. (...) Na esfera penal prevalece o princípio do non reformatio in pejus que impede o agravamento da situação do réu sem uma manifestação formal e tempestiva da acusação nesse sentido. Inteligência da Súmula 160/STF. Nesse viés, seja por nulidade absoluta, seja por "erro material", não se pode agravar (quantitativamente ou qualitativamente) a situação do réu sem recurso próprio do acusador, sob pena de configurar indevida revisão criminal pro societate.

Precedentes do STJ. Ordem concedida para, reconhecendo o trânsito em julgado da condenação, manter o regime inicial aberto, como fixado na sentença”. (STJ, HC 176.320/AL, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 17/05/2011, Dje 17/09/2012).

(68)

STJ: “(...) A proibição de reforma para pior garante ao réu o direito de não ver sua situação agravada, direta ou indiretamente, mas não obsta, por sua vez, que o Tribunal, para dizer o direito - exercendo, portanto, sua soberana função de juris dictio -, encontre fundamentos e motivação própria para manter o decisum, respeitadas, à evidência, a imputação deduzida pelo órgão de acusação e as questões debatidas na sentença condenatória. Não houve reforma para pior em relação à manutenção do regime inicial fechado, porquanto o acórdão estadual considerou, para tanto, "que os réus se valeram de superioridade numérica para impingir maior temor à vítima e diminuir sua resistência, caracterizando a gravidade em concreto diferenciada das condutas dos roubadores", circunstância fática indicada pela acusação e sopesada na sentença condenatória. (...) Writ não conhecido e ordem concedida, de ofício, para fixar o regime inicial semiaberto para o cumprimento da pena”. (STJ, 6ª Turma, HC 302.488/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. 20/11/2014, Dje 11/12/2014).

(69)

- Informativo n. 662 do STJ (31/01/2020): o Juízo da Execução pode promover a retificação do atestado de pena para constar a reincidência, com todos os consectários daí decorrentes, ainda que não esteja reconhecida expressamente na sentença penal condenatória transitada em julgado. A Terceira Seção do STJ, em apreciação aos embargos de divergência, pacificou o entendimento que encontrava dissonância no âmbito das turmas de direito penal sobre o momento da individualização da pena. Decidiu o acórdão embargado, da Quinta Turma, que a reincidência que não esteja expressamente reconhecida no édito condenatório não pode ser proclamada pelo juiz da execução, sob pena de violação à coisa julgada e ao princípio da non reformatio in pejus. (...)

(70)

O acórdão paradigma, da Sexta Turma, por sua vez, entendeu que as condições pessoais do paciente, como a reincidência, devem ser observadas pelo juízo da execução para concessão de benefícios.

Tratando-se de sentença penal condenatória, o juízo da execução deve se ater ao teor do referido decisum, no que diz respeito ao quantum de pena, ao regime inicial, bem como ao fato de ter sido a pena privativa de liberdade substituída ou não por restritiva de direitos, fatores que evidenciam justamente o comando emergente da sentença. Todavia, as condições pessoais do réu, da qual é exemplo a reincidência, devem ser observadas na execução da pena, independente de tal condição ter sido considerada na sentença condenatória, eis que também é atribuição do juízo da execução individualizar a pena. Como se sabe, a individualização da pena se realiza, essencialmente, em três momentos: na cominação da pena em abstrato ao tipo legal, pelo Legislador; na sentença penal condenatória, pelo Juízo de conhecimento; e na execução penal, pelo Juízo das Execuções. Esse entendimento, a propósito, tem sido convalidado pelo Supremo Tribunal Federal, para o qual o

"reconhecimento da circunstância legal agravante da reincidência (art. 61, I, do Código Penal), para fins de agravamento da pena do réu, incumbe ao juiz natural do processo de conhecimento. De outro lado, a aferição dessa condição pessoal para fins de concessão de benefícios da execução penal compete ao juiz da Vara das Execuções Penais. Trata-se, portanto, de tarefas distintas. Nada obsta a ponderação da reincidência no âmbito da execução penal do reeducando, ainda que não lhe tenha sido agravada a pena por esse fundamento, quando da prolação da sentença condenatória". (STJ, 3ª Seção, EREsp 1.738.968/MG, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 27/11/2019, DJe 17/12/2019).

(71)

- Informativo n. 663 do STJ (14/02/2020): Ofende o enunciado do non reformatio in pejus indireta o aumento da pena através de decisão em recurso especial interposto pelo Ministério Público contra rejulgamento de apelação que não alterou reprimenda do acórdão anterior, que havia transitado em julgado para a acusação e que veio a ser anulado por iniciativa exclusiva da defesa. O princípio da non reformatio in pejus, consagrado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, consiste em um limitador à amplitude do julgamento, impossibilitando o agravamento da situação penal do réu na hipótese de recurso exclusivo da defesa. Assim, em havendo recurso somente da defesa, sua reprimenda não poderá ser de qualquer modo piorada, em detrimento do réu, evitando assim a intimidação ou o embaraço do condenado ao exercício da ampla defesa. (...)

(72)

(...) Vale dizer, o réu não pode ser tolhido no seu direito de ampla defesa por receio de ter sua situação penal agravada no caso de julgamento de recurso somente por ele provocado. Da referida regra decorre o igualmente célebre enunciado da vedação à reformatio in pejus indireta, segundo o qual deve se conferir à decisão cassada o efeito de vedar o agravamento da reprimenda nas posteriores decisões proferidas na mesma ação penal, quando a nulidade for reconhecida a partir de recurso defensivo exclusivo (ou em habeas corpus). No caso, após a sentença condenatória, houve recurso de apelação pela defesa, tendo o Tribunal de Justiça reduzido a pena para 5 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. Referida decisão transitou em julgado para ambas as partes, sendo impetrado habeas corpus pelo réu junto a este Superior Tribunal de Justiça, cuja ordem foi concedida para cassar o decisório. Com o novo julgamento da a apelação, o Tribunal de origem novamente reduziu a reprimenda para o mesmo patamar (5 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto). Contra este segundo acórdão o Ministério Público interpôs recurso especial, o qual foi provido para o efeito de majorar a pena do réu para o patamar da sentença (8 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado). Nesse diapasão, resta demonstra do que o julgado proferido no recurso especial violou o enunciado que veda a reformatio in pejus indireta, ao colocar o sentenciado em situação mais desfavorável do que aquela anterior à impetração do habeas corpus. (STJ, 3ª Seção, RvCr 4.853/SC, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo – Desembargador convocado do TJ/PE – j.

27/11/2019, DJe 17/12/2019)

(73)

- Previsão normativa:

1ª corrente: decorre do art. 5º, LV, da CF/88;

2ª corrente: CPP, arts. 617 e 626.

(74)

CPP

Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena, quando somente o réu houver apelado da sentença.

Art. 626. Julgando procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o processo.

Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão revista.

(75)

“NON REFORMATIO” DIRETA “NON REFORMATIO” INDIRETA

Refere-se à proibição de o juízo ad quem proferir decisão mais desfavorável ao acusado, em cotejo com a decisão impugnada, no caso de recurso exclusivo da defesa;

Se a decisão impugnada for anulada em recurso exclusivo da defesa (habeas corpus ou revisão criminal), o juiz que vier a proferir nova decisão em substituição à anulada também ficará vinculado ao máximo da pena imposta no primeiro decisum, não podendo agravar a situação do acusado.

(76)

- “Non reformatio in pejus” indireta e incompetência absoluta:

1ª corrente: o juiz natural não está subordinado aos limites da pena;

2ª corrente: deve ser observado o princípio da “non

reformatio in pejus” indireta.

(77)

STJ: “(...) Não obstante irrepreensível o reconhecimento pela autoridade coatora da incompetência da Justiça Estadual para o julgamento da ação penal de que se cuida - em que se imputa ao paciente a prática de tráfico internacional de entorpecentes -, ainda que em sede de apelação exclusiva da defesa, eis que se trata de vício de natureza absoluta, impõe-se que a nova condenação pelo juiz natural da causa não exceda 4 anos de reclusão, tal como estabelecido pelo Juízo da 12ª Vara Criminal de São Paulo - Juízo primitivo -, em observância ao princípio ne reformatio in pejus. 4 - Ordem parcialmente concedida”. (STJ, 6ª Turma, HC 105.384/SP, Rel. Min. Haroldo Rodrigues, j.

06/10/2009, Dje 03/11/2009).

(78)

(PGR –PROCURADOR DA REPÚBLICA – 2013) B FOI PRESO EM FLAGRANTE DELITO POR TER PRATICADO ROUBO COMETIDO CONTRA AGÊNCIA DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. FOI CONDENADO A 5 ANOS E 4 MESES DE RECLUSÃO EM PROCESSO QUE TRAMITOU NA JUSTIÇA ESTADUAL. RECORREU E ARGUIU NULIDADE DO PROCESSO, POIS A COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO SERIA DA JUSTIÇA FEDERAL. A NULIDADE DO PROCESSO FOI DECRETADA A PARTIR DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. O PROCESSO FOI ENCAMINADO À JUSTIÇA FEDERAL E O MINISTÉRIO PÚBICO OFERECEU NOVA DENÚNCIA. A INSTRUÇÃO CRIMINAL FOI REPETIDA. O JUÍZO FEDERAL CONDENOU B À PENA DE 6 ANOS DE RECLUSÃO. NÃO OBSTANTE, ÀQUELA ALTURA, B ESTIVESSE SOLTO, POIS CUMPRIRA INTEGRALMENTE A PENA IMPOSTA NA JUSTIÇA ESTADUAL, O JUIZ, CONSIDERANDO A CONDUTA MUITO GRAVE, DECRETOU PRISÃO PREVENTIVA E DETERMINOU EXPEDIÇÃO DE MANDADO DE PRISÃO. B FOI RECOLHIDO À PRISÃO. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:

(79)

(a) Há posicionamento doutrinário e jurisprudencial de que a sentença, na Justiça Federal, não poderia ter condenado B a cumprir pena mais grave que aquela imposta no processo anulado;

(b) O processo não deveria ter sido anulado, já que a nulidade era relativa e não absoluta;

(c) O processo não deveria ter sido anulado, já que o roubo não foi praticado contra bens da União, mas de empresa pública

(d) O Ministério Público Federal não deveria ter oferecido nova denúncia, pois acabou protelando ainda mais a tramitação do processo.

(80)

Gabarito: A

(81)

- “Non reformatio in pejus” e soberania dos

vereditos:

(82)

STJ: “(...) A regra que estabelece que a pena estabelecida, e não impugnada pela acusação, não pode ser majorada se a sentença vem a ser anulada, em decorrência de recurso exclusivo da defesa, sob pena de violação do princípio da vedação da reformatio in pejus indireta, não se aplica em relação as decisões emanadas do Tribunal do Júri em respeito à soberania dos veredictos. Desse modo, e neste contexto, tem-se que uma vez realizados três julgamentos pelo Tribunal popular devido à anulação dos dois primeiros, e alcançados, nas referidas oportunidades, veredictos distintos, poderá, em tese, a pena imposta no último ser mais gravosa que a fixada nos anteriores. Contudo, constatado que no último julgamento o recorrente restou condenado por crime menos grave (homicídio simples) se comparado com o anterior (homicídio duplamente qualificado), e que neste a pena-base foi aumentada devido, unicamente, a consideração de uma qualificadora como circunstância judicial desfavorável, revela-se injustificado o aumento imposto à pena-base, uma vez que, nesta hipótese, o princípio da vedação da reformatio in pejus indireta alcança o Juiz- Presidente do Tribunal do Júri. Recurso especial parcialmente provido”. (STJ, 5ª Turma, Resp 1.132.728/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, j. 26/08/2010, Dje 04/10/2010))...

(83)

(TRF – 2ª REGIÃO – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO- 2017) Réu é pronunciado por homicídio qualificado e, após regular julgamento perante o tribunal de júri, no âmbito da Justiça Federal, é condenado e tem a sua pena fixada em 15 anos de reclusão, em regime fechado. A defesa apela sustentando que o veredicto é manifestamente contrário à prova dos autos. O Ministério Público apela requerendo o aumento da pena. Assinale a opção correta:

(a)Diante do sistema de júri federal, é cabível ao TRF prover o recurso, reexaminar a prova e, entendendo que ela é insuficiente, absolver o réu.

(b)Se o TRF der provimento ao recurso da defesa, deverá determinar a realização de novo julgamento pelo júri, sendo que o novo júri não pode levar à majoração da pena aplicada no primeiro julgamento, em razão da vedação da reformalio in pejus indireta.

(84)

(c)Se o tribunal ad quem der provimento apenas ao recurso do Ministério Público, deverá determinar a realização de novo julgamento pelo júri, não sendo possível ao TRF diretamente majorar a pena, pois o princípio da soberania dos veredictos é aplicável ao júri federal.

(d)Se o TRF considerar que a condenação do réu encontra respaldo na prova dos autos, mas que a pena aplicada é excessiva, não poderá reduzir a pena, se tal pedido não foi formulado nas apelações interpostas.

(e)Se o TRF der provimento ao recurso da defesa, deverá determinar a realização de novo julgamento pelo júri, no qual será possível a majoração da pena aplicada ao réu no primeiro julgamento, não havendo que se falar em reformatio in pejus.

(85)

Gabarito: E

Referências

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