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Braz. J. Phys. Ther. vol.15 número5 pt a01v15n5

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Academic year: 2018

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E

DITORIAL

ISSN 1413-3555 Rev Bras Fisioter, São Carlos, v. 15, n. 5, p. v-vi, set./out. 2011

©Revista Brasileira de Fisioterapia

A

pesquisa cientíica no Brasil evoluiu de forma importante nos últimos 40 anos, e vários fatores e atores contri-buíram para isso, cabendo destacar a consolidação da política de pós-graduação implementada nas principais universidades do país. Atualmente, o Brasil ocupa o 13º lugar em produção cientíica global de acordo com a base de dados ISI-hompson Reuters-Web of Science, e as Ciências da Saúde ocuparam o 3º lugar mundial em 2008, suplantada apenas pelos EUA e Inglaterra1.

Dados extraídos das duas maiores agências federais de apoio à ciência e tecnologia, Coordenação de Aperfei-çoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e Tecnológico (CNPq)2, mostram a Capes como a principal inanciadora de bolsas para a formação pós-graduada no país e no

exterior, enquanto o CNPq destaca-se no fomento individual, atuando também de forma seletiva na formação pós-graduada. No que diz respeito à capacitação no exterior, observa-se que as duas agências apoiaram priorita-riamente o doutorado sanduíche e o pós-doutorado.

Diferentes indicadores permitem examinar como se encontram as várias áreas de formação de recursos hu-manos. Dados apresentados por Guimarães e Avellar2 apontam o grupo da saúde como o maior entre as grandes

áreas da pós-graduação, com 725 cursos (17,7% do total), sendo 54% de mestrado, 40% de doutorado e 6% de mestrado proissional. A partir de indicadores quantitativos (número de pesquisadores e docentes que atuam na pós-graduação), a área da saúde foi dividida, em ordem decrescente, em cinco subgrupos: Medicina (1); Odon-tologia e Saúde Coletiva (2); Enfermagem e Farmácia (3); Educação Física e Nutrição (4) e Fisioterapia e Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia (5).

Uma análise focada em alguns indicadores da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional permite visualizar seu grau de desenvolvimento e maturidade. A Fisioterapia e a Terapia Ocupacional apresentavam, no ano de referência (2009), oito cursos de pós-graduação nível mestrado, dois, nível doutorado e nenhum mestrado proissionalI; 133

docentes atuando na pós-graduação e, desses, 79 também na graduação; 190 alunos matriculados no mestrado e 75 no doutorado; 226 grupos de pesquisas registrados no CNPq e 53 bolsistas de produtividadeII. Ainda que a

Fisioterapia e a Terapia Ocupacional estejam em franca expansão, constituem, junto com a Fonoaudiologia, um subgrupo incipiente dentro da grande área da saúde.

Percorrido um longo caminho até os dias de hoje, faz-se importante não só resgatar os indicadores que sinte-tizam o trabalho desenvolvido por nós, pesquisadores em Fisioterapia e Terapia Ocupacional, mas principalmente reletir criticamente para apontar possíveis reformas e redirecionamentos para a pesquisa na área. Para além dos dados quantitativos, resta uma questão importante relativa à qualidade e relevância de qualquer pesquisa cientí-ica. A qualidade é de responsabilidade interna de cada área e diz respeito à profundidade, abrangência e resolução

IRelação dos Cursos recomendados e reconhecidos. Data: 10/03/2010

IIO Número de Bolsistas de Produtividade e Grupos de Pesquisas foi atualizado tendo como referência 2010

Desafios para o avanço da pesquisa

em fisioterapia e terapia ocupacional

Challenges for the advance of physical and occupational therapy research

v

Rev Bras Fisioter. 2011;15(5):v-vi.

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de problemas e aos desaios especíicos e pendentes. A avaliação de qualidade quase sempre é realizada pelos pesquisadores que integram e compõem a área, a conhecida avaliação ou julgamento dos pares. A relevância se refere à aplicabilidade e ao impacto das pesquisas para a sociedade em geral a partir de critérios externos ou fora da área. Ainda que de forma imperfeita e aproximada, esses dois parâmetros são mensurados pelas publicações, citações, inanciamentos, prêmios obtidos, dentre outros.

Um possível caminho para se consolidarem os parâmetros de qualidade e relevância na nossa área de conhecimento e diminuir a sua heterogeneidade seria a pós-graduação estimular a interação entre grupos de pesquisas nacionais e, desses, com pesquisado-res estrangeiros, incentivando a mobilidade do estudante durante a sua formação. A criação de redes de pesquisadopesquisado-res em torno de temas prioritários, deinidos pelos programas ou associações de pós-graduação a partir da produção dos grupos de pesquisa registrados no CNPq, pode fortalecer os cursos novos e favorecer o desenvolvimento de projetos inovadores. Os pós-doutorados, integrados nessas redes de pesquisa e supervisionados por pesquisadores mais experientes, seguramente potencializariam o papel do pós-doutor na geração de conhecimento. A possibilidade do pós-doutor desenvolver trabalhos em grupos distintos ao de sua formação de origem poderá favorecer não só o programa de pós-graduação hospedeiro, mas também evitar que o pesquisador permaneça encapsulado nos mesmos temas trabalhados ao longo de sua formação.

Por im, o processo de avaliação da pesquisa e dos seus resultados deve ser priorizado e valorizado. Os pareceres de consulto-res ad hoc, não só para os periódicos da área como para as agências de fomento, devem ser qualiicados o suiciente para servir de base para as avaliações e tomada de decisões. É necessário criarmos mecanismos que incentivem os pareceristas a avaliarem cri-teriosamente a qualidade cientíico-tecnológica da produção dos pesquisadores que submetem projetos às agências de fomento, agregando valor à informação quantitativa.

São muitos os desaios a serem enfrentados, e essas são algumas ideias apresentadas com o objetivo de estimular a discussão e a nossa mobilização na busca por transformação e superação dos obstáculos para formar cada vez mais e melhor, consolidando a pós-graduação e a pesquisa na área de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Rosana F. Sampaio

Representante Titular da Fisioterapia e Terapia Ocupacional/CA-MS/CNPq

Tania F. Salvini

Representante Suplente da Fisioterapia e Terapia Ocupacional/CA-MS/CNPq

Referências

1. Meneghini R. Visibilidade internacional da produção brasileira em saúde coletiva. Cad Saúde Pública. 2010;26(6):1058-9.

2. Guimarães JA, Avellar SO. CT&I no Brasil. Um balanço da capacitação e desempenho atual do sistema de pós-graduação e de pesquisa. 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI). 2010;15(31):53-83.

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