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Declínio dos espaços públicos

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Academic year: 2021

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(1)

Margarida Queirós

CEG

Conferência Internacional Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro? 15-16 Maio 2008

1 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Jane Jacobs (1961)

Oscar Newman (1973)

Estudos pioneiros que apontam para a

tendência em desenhar ambientes externos que

encorajam comportamentos “não cívicos”

Alice Coleman (1985)

Avalia como o desenho urbano do ambiente

exterior estimula comportamentos anti-sociais

levando ao abandono e deterioração

(2)

R. Trancik (1986)

Usou o termo “espaços perdidos” (lost spaces)

como aqueles que surgem de usos residuais,

espaços que resultam/sobram de operações de

renovação urbana, ou são o resultado de uma

transformação evolutiva e espontânea, ou da

privatização do espaço público, da separação

funcional de usos, da utilização do automóvel…

3 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Francis Tibbalds (2001)

O espaço público tornou-se um SEP (Someone

Else’s Problem) sugerindo que as entidades que

criam e/ou gerem estes espaços assumem

tacitamente este comportamento

O bom design como forma de reverter esta

tendência, assinalando a importância da sua

manutenção (after-care)

4 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(3)

5 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Benefícios do espaço público

(espaço aberto, exterior)

Mais do que um suporte físico, e do que uma composição urbana, induz ao sentido de lugar e expressa a sua morfologia e componentes socioeconómicas e afectivas

Inverter a tendência para o

“abandono”

(4)

7 B r a n d ã o A l v e s , 2 0 0 3

Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(5)

Quem são os utilizadores do espaço

público?

9 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(6)

Área de incidência dos inquéritos

11 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Nº de inquéritos

no espaço público exterior

Lisboa

%

Alcântara/Belém (junto da Junqueira)

455

48,5

Parque das Nações (junto do Pav.

Atlântico)

484

51,5

Total

939

100

12 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(7)

Local do inquérito e estação do ano

Ligeiro enviezamento

da amostra:

Menos inquéritos na

Primavera,

especialmente em

Alcântara/Belém

Verão sobrestimado:

justifica-se pois há

mais pessoas no

exterior no verão em

actividades

recreativas e de lazer

13 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

%

Actividade recreativa e física

59,6

Descansar e passear

22,5

Intervalo do trabalho

8,8

Conviver com amigos

7,0

De passagem para outro local

1,1

Acompanhar crianças

0,9

Compras

0,1

Total

100,0

(8)

%

Quadros superiores

7,7

Profissões intelectuais e científicas

27,1

Técnicos e profissionais intermédios

7,9

Pessoal administrativo

10,8

Pessoal serviços e vendedores

8,2

Operários e similares

3,3

Operadores de máquinas e montagem

1,7

Trabalhadores não qualificados

3,5

Estudantes

11,9

Desempregados

3,4

Reformados

13,4

Inquiridos: profissão

15 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Origem dos inquiridos

16 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

A naturalidade da população entrevistada reflecte as origens geográficas da população residente e o fenómeno recente da imigração (15,5% dos entrevistados nasceu no exterior, embora cerca de metade da população europeia seja turista)

Entre a população estrangeira, cerca de 93% são nascidos nos PALOP; 85 % dos brasileiros e 50% dos europeus encontram-se a residir e a trabalhar em Portugal

(9)

Idade por espaço público

Idade (anos em %)

>=15

15-39

40-65

>=65

Total

Local

Alcântara/

Belém

%

0,4

50,1

38,5

11,0

100

Parque

das Nações

%

0,8

59,7

29,1

10,3

100

Total

%

0,6

55,1

33,7

10,6

100

Faixas etárias mais representadas: 15-39 anos

População ligeiramente mais idosa em Alcântara/Belém,

reflectindo a estrutura etária dos utentes, da idade do

edificado e da população residente

17 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Local de residência dos inquiridos

A grande maioria, 88% reside na AML (46% no concelho de Lisboa

e os restantes nos outros municípios)

Maior incidência de população que frequenta o Parque das Nações

com residência nos municípios suburbanos da AML, por comparação

com Alcântara/Belém, onde a maioria dos utilizadores reside na

cidade de Lisboa

(10)

Actividade profissional

19 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Alcântara

Parque da Nações

Em Alcântara/Belém verifica-se um maior relevo de grupos socioprofissionais mais qualificados, especialmente do grupo dos profissionais intelectuais e cientistas e dos quadros superiores

No Parque das Nações, os grupos dos estudantes e dos reformados estão mais representados. Em resultado da concentração de empresas do sector terciário no Parque das Nações, verifica-se uma maior presença de activos dos serviços, incluindo vendedores

Período do dia

Frequência

mais tardia no Parque das Nações

por

comparação com Alcântara/Belém provavelmente devido à

concentração ao uso misto residência/emprego e ao

interface de transportes

20 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(11)

s/ resp.

Sozinho

Acompanhado

Alcântara/Belém

%

0,9%

22,6%

76,5%

Parque das

Nações

%

0,2%

15,3%

84,5%

Total

%

0,5%

18,8%

80,6%

Companhia

Mais de

¾

da população frequenta o espaço público

exterior

acompanhada, ainda que esse valor seja

mais elevado no Parque das Nações

21 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Actividade

Contraste na forma de

ocupação do tempo entre

os utentes das áreas:

• No Parque das Nações

a maior parte da

população (87%) exerce

uma actividade

energicamente, a jogar,

correr a andar depressa

• Em Alcântara/Belém

passa-se o oposto,

preferindo a maioria

(65%) por estar

sentada, a ler ou a

escrever, ou a andar

vagarosamente, em

passeio

(12)

A principal razão da visita, em ambos os espaços, e sem grandes diferenças relativamente ao género, idade, origem ou grupo

socioprofissional, é a prática de uma actividade recreativa e/ou física, o que é uma função típica dos espaços públicos urbanos

Mas as actividades “descansar e passear” são mais relevantes em Alcântara/Belém (29%), em virtude do tipo de espaço, e das características etárias e

socioprofissionais da população que o frequenta

Razões para estar neste local

23 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Tempo no local

Tendência para visitas de menor duração no passeio ribeirinho de

Alcântara/Belém

Há possíveis factores que explicam esta situação: O desenho urbano, a concentração de actividades e os usos mistos, estimulam os utentes a passar mais tempo no Parque das Nações Mas haverá também factores sociais e profissionais que justificam estes

resultados:

Com efeito, os activos com profissões menos

qualificadas, os estudantes e desempregados tendem a passar mais tempo no Parque das Nações

24 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(13)

Profissão

30-60 min

(%)

60 min

(%)

Quadros superiores

15,3

27,8

Profissionais intelectuais e cientistas

15,4

25,3

Pessoal administrativo

21,0

22,0

Operários e similares

38,7

22,6

Operadores de máquinas e de montagem

18,8

37,5

Trabalhadores não qualificados

21,2

39,4

Desempregados

15,6

31,2

Reformados

19,8

24,6

Estudantes

15,0

27,0

No geral, os activos com profissões menos qualificadas e os estudantes e desempregados tendem a passar mais tempo no espaço exterior

Tempo no Local (categorias 30 a 60 e mais de 60 min.)

por grupo socioprofissional

25 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Alcântara/Belém

(%)

Parque das Nações

(%)

30-60 min

> 60 min

30-60 min

> 60 min

Quadros superiores

15

22

16

35

Profissionais intelectuais e

cientistas

13

21

20

31

Reformados

11

17

26

30

Estudantes

14

34

15

24

Como as mesmas categorias socioprofissionais mais qualificadas passam menos tempo em Alcântara/Belém do que no Parque das Nações, parece confirmar-se a hipótese da influencia do desenho urbano/densidade e mistura de funções na duração da visita

Mas há uma inversão interessante: os estudantes estão mais tempo em Alcântara do que no P.Nações… será que este grupo passa mais tempo no Shopping Vasco da Gama e, como tal, menos no espaço público exterior?

(14)

A frequência de utilização apresenta-se como uma

distribuição de tipo normal

Uma análise mais atenta permite verificar que os visitantes são mais frequentes no Parque das Nações; com efeito, as visitas frequentes semanais abrangem 12% dos utentes no Parque das Nações contra apenas 6,8% em Alcântara/Belém, também em resultado da maior concentração e diversidade de funções

Frequência de utilização

27 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Preponderância do transporte público no Parque das Nações (13,8% contra apenas 6,4% em Alcântara), em resultado especialmente da boa cobertura do sistema de transportes urbanos nesta área, que contrasta claramente com a de Alcântara/Belém Na hora anterior ao inquérito regista-se uma maior diversidade de usos no Parque das Nações, verificando-se que 15,5% dos utentes estava no interior de um edifício não residencial e 11,4% em edifício residencial Contrastando com Alcântara/Belém, os valores correspondentes são 8,4% e 16%

Onde esteve na última hora

28 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(15)

29 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Síntese comparativa

(16)

31 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

Síntese comparativa

32 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

(17)

33 Cidades e Alterações Climáticas. Que Futuro?

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